O uso da Imagem no Ensino das Línguas Estrangeiras



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Paula Cristina Moreira de Sousa

2º Ciclo de Estudos em Ensino do Português 3º Ciclo Ensino Básico e Ensino Secundário e Língua Estrangeira no Ensino Básico e no Ensino Secundário



O Uso da Imagem no Ensino das Línguas Estrangeiras

2012


Orientador: Professor Doutor Rogelio Ponce de León

Coorientadora: Dra. Mirta dos Santos Fernández

Classificação: Ciclo de estudos:

Dissertação/relatório/Projeto/IPP:

Versão definitiva

RESUMO

A imagem, para além de presença constante na nossa vida, tem sido explorada como um recurso dotado de inúmeras potencialidades no ensino-aprendizagem das línguas estrangeiras. Inicialmente apenas enquanto imagem fixa e, com o desenvolvimento das novas tecnologias, na qualidade de imagem em movimento.

Constatamos que se trata de um recurso bastante motivador, interessante, capaz de ilustrar e auxiliar o que por vezes pode ser difícil de explicar por palavras e para além disso, um excelente apoio à memória do aprendente, uma vez que o ajudará a recordar-se melhor do vocabulário novo estudado, das regras gramaticais trabalhadas, de aspetos culturais aprendidos ou de qualquer conteúdo a reter. Poderá ser também uma forma não só de aquisição de valores, como também de trabalhar as diferentes destrezas linguísticas.

No entanto, para que a imagem seja um recurso de sucesso na aula de língua estrangeira, há que ter em conta determinados critérios no momento da sua seleção, tendo em conta os objetivos pretendidos, a idade dos alunos e os seus interesses.

Palavras-chave: imagem; vídeo; recurso; material; capacidades linguísticas; língua estrangeira; motivação; ensino; aprendizagem; comunicação.

ABSTRACT


The image, besides being used in our everyday lives, has been frequently explored as an enormously gifted resource in the process of teaching and learning a foreign language. Firstly used as a still image, the development of new technologies promoted the quality of the moving image.

The image is understood as a quite motivating, interesting and valuable resource when used to illustrate and present the things which are often difficult to explain by means of words. It is also considered an excellent support to the learner’s memory since it helps him reminding the vocabulary he has learned, the grammar structures he has applied or the cultural items he has got acquainted with. It may also become a way of transmitting values / principles, as well as a means of practicing linguistic skills.

Nevertheless, in order to make an image a successful resource in a foreign language class, some criteria should be taken into account when selecting it, such as its purpose, the student’s age group and also their main interests.

Key words: image; video, resource; material; language skills; foreign language; teaching; learning; communication.

RESUMEN

La imagen, además de una presencia constante en nuestra vida, también suele ser explotada como recurso habitual en el proceso de enseñanza-aprendizaje de lenguas extranjeras. Inicialmente en el aula solo se recurría a la imagen fija, pero con el desarrollo de las nuevas tecnologías, se empezó a explotar, también, la imagen en movimiento.

Constatamos que es un recurso bastante motivador, interesante, capaz de aclarar y ejemplificar lo que a veces es difícil de explicar con palabras y además, es un excelente auxiliar de la memoria del aprendiente, puesto que le ayuda a recordar el vocabulario estudiado, las reglas gramaticales trabajadas, los aspectos culturales adquiridos o cualquier otro contenido que haya que retener. Puede, asimismo, ser una herramienta para la adquisición de valores, o una manera de trabajar las diferentes destrezas lingüísticas.

Sin embargo, para que la imagen sea un recurso exitoso en la clase de lengua extranjera, hay que tener en cuenta algunos factores importantes tales como los objetivos de la materia a impartir, la edad de los alumnos y sus intereses.

Palabras-clave: imagen; vídeo; recurso; material; destrezas lingüísticas; lengua extranjera; motivación; enseñanza; aprendizaje; comunicación.

DEDICATÓRIA

À minha família

AGRADECIMENTOS

Ao meu marido e aos meus filhos, que dão todo o sentido à minha vida, pela dedicação, amor e apoio que sempre manifestaram em todos os momentos desta longa e, por vezes, dura caminhada. Pela paciência e tolerância que tiveram nos momentos de maior cansaço e impaciência. E sobretudo pela compreensão, sem exigências, pelo tempo que nem sempre lhes consegui dedicar como merecem.
Aos meus pais, pela forma como estão sempre presentes em todos os momentos da minha vida e pelo apoio incondicional, carinho e incentivo que dão em cada olhar, em cada gesto e em cada palavra.
Às minhas colegas que “viajam também a bordo desta nau”, de uma forma especial à Sandra Jacob e à Sílvia Fernandes, pelo companheirismo e espírito colaborativo manifestados e pelas noitadas de estudo vividas com entreajuda.
À minha grande amiga de infância, Natércia Santos, amiga de todas as horas, pelo apoio, pela força e coragem que sempre me deu, fazendo-me acreditar sempre nas minhas capacidades e na “bonança que surge sempre depois da tempestade”.
A todos os professores, supervisores e orientadores que me acompanharam ao longo deste Mestrado, ajudando-me a crescer profissional e pessoalmente, destacando com um apreço especial a Dra. Cristina Veiga.
Ao meu orientador Professor Doutor Rogelio Ponce de León Romeo e à minha coorientadora Dra. Mirta Fernández, que se mostraram sempre disponíveis, presentes e apoiantes na orientação que me prestaram.

Ao Paulo Rocha, meu primo e amigo, por todo o apoio a nível informático.

A todos os que, direta ou indiretamente, me apoiaram e me encorajaram nesta etapa tão importante.

ÍNDICE


FACULDADE DE LETRAS I

UNIVERSIDADE DO PORTO I

RESUMO I

ABSTRACT II

RESUMEN III

DEDICATÓRIA IV

AGRADECIMENTOS V

INTRODUÇÃO 1

PARTE I – FUNDAMENTOS TEÓRICOS: 3

A imagem ontem e hoje 3

Conceito de imagem 4

1.1. A imagem estática e a imagem em movimento 5

A utilização da imagem no processo de ensino/aprendizagem 6

1.2. A imagem numa perspetiva diacrónica: 6

1.3. A importância do uso da imagem na aula de língua estrangeira 9

1.4. Critérios a ter em conta na seleção das imagens 13

1.5. Tipologia de atividades 18

A utilização da imagem em movimento no processo de ensino/aprendizagem 21

1.6. Tipos de atividades: 24

Vantagens e desvantagens no uso da imagem na sala de aula 27

PARTE II – PARTE PRÁTICA: a utilização da imagem em contexto de sala de aula 28

1.A Escola Secundária de Vilela 28

1.1. As instalações e a comunidade escolar 28

1.2. Oferta educativa 29

1.3. O núcleo de Estágio 30

1.4. Turma de estágio 30

Atividades realizadas com recurso à imagem. 31

1.5. Primeiro período letivo 31

1.6. Segundo período letivo 33

1.7. Terceiro período letivo 35

Conclusão 37

Referências bibliográficas 40

Anexos 43


INTRODUÇÃO

O homem, como ser vivo que é, é dotado de sentidos, todos eles importantes, funcionando num todo harmonioso. No entanto, a visão e a audição adquirem algum destaque pela importância que têm na vida do ser humano. Sem um destes sentidos, o homem dificilmente conseguiria viver, tendo por isso que apurar outros sentidos de forma a colmatar esta diferença.

A visão é aquele que por excelência nos faculta o acesso à imagem, tornando mais fácil a perceção do mundo que nos rodeia.

Conscientes das potencialidades que a imagem encerra, estamos habituados a vê-la como presença bem vincada no contexto escolar e no processo de ensino- aprendizagem, embora cientes de que até esta verdade foi fruto de um processo evolutivo.

Se o recurso à imagem na sala de aula já era algo recorrente, tornou-se alvo de um interesse e reflexão especiais aquando da presença de um aluno com Síndrome de Asperger numa das nossas turmas, há dois anos a esta parte. Não podemos deixar de salientar o apoio extraordinário e de capital importância que foi recorrer à imagem (estática e em movimento) no trabalho exclusivamente preparado para aquele aluno tão especial. Dotado de uma grande capacidade de memória, e com o apoio das memórias visual e auditiva, este aluno facilmente apreendia o que lhe era transmitido, identificando-se rapidamente com a língua estrangeira em fase inicial de aprendizagem.

A imagem adquiria assim uma importância diferente dentro da sala de aula e começou a despertar um interesse particular enquanto recurso educativo ao serviço do desenvolvimento integral do aluno e da obtenção do sucesso escolar. Neste sentido, propusemo-nos abordar este tema nesta dissertação, pretendendo que ele seja um ponto de reflexão para o enriquecimento da prática letiva.

Assim, o presente trabalho divide-se em duas partes, a primeira parte com uma fundamentação teórica e a segunda com a apresentação do trabalho prático desenvolvido ao longo das aulas de estágio.

Na primeira parte, abordaremos vários temas: a imagem ontem e hoje; o conceito de imagem; a imagem estática e em movimento; a utilização da imagem no processo de ensino-aprendizagem; a imagem numa perspetiva diacrónica; a importância do uso da imagem na aula de língua estrangeira; critérios a ter em conta na seleção das imagens; tipologia de atividades e vantagens e desvantagens no uso da imagem na sala de aula.

Na segunda parte, apresentaremos várias atividades delineadas e realizadas ao longo deste ano de estágio e que foram também objeto de reflexão.

PARTE I – FUNDAMENTOS TEÓRICOS:



A imagem ontem e hoje


O Homem, como ser social que é, teve sempre necessidade de comunicar e de interatuar com os seus semelhantes. Não obstante, se recuarmos aos primórdios da comunicação, constatamos que esta não se processava através da linguagem verbal. Recuemos então ao período da Pré-história: verificamos que a comunicação efetivamente existia aliada inteiramente à imagem.

Há que recordar as gravuras rupestres, consideradas como as representações artísticas mais antigas, gravadas em cavernas ou abrigos sob rocha, desde o Paleolítico Superior, passando pelos sumérios com a escrita pictográfica, sem esquecer os egípcios com os hieróglifos até chegar ao início da comunicação verbal, através da língua falada ou escrita, que utilizamos na atualidade, resultante de um processo evolutivo bastante longo. Constatamos, pois, que a imagem esteve na base das primeiras formas de comunicação, não deixando de ter importância mesmo após o recurso à comunicação através da linguagem verbal.

Vejamos, pois, de que forma a imagem pode ser relevante na comunicação. A criança apropria-se da linguagem oral através do contacto real com os objetos e através das imagens. Segundo Dorothy Einon (2001: 97), a aprendizagem linguística da criança prende-se não só com as palavras que ouve mas também com a associação à imagem ou ao objeto, ou seja, é fator facilitador de aprendizagem quando o adulto olha ou aponta para os objetos de que está a falar, pois a criança seguirá o seu olhar ou olhará para aquilo que lhe é apontado, e irá associar o som que ouve ao objeto que vê. O mesmo deverá ocorrer com as imagens que vê, por exemplo, num livro em que deve ser apontada a imagem e pronunciada a palavra para que esta facilite a apreensão do vocábulo que lhe está associado. Quando aprende a ler e a escrever, a criança desperta para a leitura com a presença da imagem, pois esta funciona como um veículo de apoio à descodificação e compreensão da mensagem escrita.

No entanto, a imagem não entra no universo da criança apenas na infância, acompanha-a no seu dia-a-dia, pois tudo ao seu redor é imagem, é veículo de informação, logo, foco de aprendizagem.


Conceito de imagem


Se a imagem “invade”, preenche e dá cor à nossa vida quase sem pedir licença para o fazer, tornando-se uma presença indispensável, talvez devêssemos indagar: então o que é a imagem?

Segundo o dicionário da Porto Editora, o termo imagem significa:



  1. Representação (gráfica, plástica, fotográfica) de algo ou alguém;

  2. Reprodução obtida por meios técnicos; cópia;

  3. religião: pintura ou escultura, destinada ao culto, que representa motivos religiosos;

  4. figurado: pessoa muito parecida com outra; retrato; réplica

  5. figurado: pessoa que representa ou faz lembrar algo abstrato; símbolo; personificação;

  6. recurso estilístico patente na evocação viva de determinada realidade em que se procura recriar sensações, sobretudo visuais (abrange a comparação, a metáfora e a metonímia);

  7. conjunto de conceitos e valores que as pessoas ou o público associam a determinada pessoa, produto ou instituição; fama;

  8. psicologia reprodução mental de uma perceção anteriormente experimentada, na ausência do estímulo que a provocou;

  9. figurado: pessoa bela; estampa;

  10. conjunto de pontos (reais ou virtuais) onde vão convergir, depois de terem atravessado um sistema ótico, os raios luminosos saídos de diversos pontos de um corpo;

A imagem está pois muito presente no nosso quotidiano nas suas variadíssimas aceções. Como referem Natalia Barrallo Busto & María Goméz Bedoya (2009: 2): “La importancia de lo visual en la sociedad actual hace que nuestra vida diaria esté llena de imágenes a las que recurrimos constantemente.”

No entanto, as imagens também fazem parte da realidade escolar. Importa sublinhar que, nos dias de hoje, as imagens, nomeadamente as fixas, deixaram de ser uma mera ilustração de um texto para se tornarem num potencial instrumento que nos proporciona grandes possibilidades na transmissão de conteúdos programáticos.


Neste trabalho, vamos incidir exclusivamente no ensino das línguas estrangeiras, nomeadamente no ensino do espanhol como segunda língua, abordando não só a exploração da imagem fixa (ou estática), como também o recurso à imagem em movimento na aula de E/LE.
    1. A imagem estática e a imagem em movimento


Sobre a imagem, na sua máxima amplitude enquanto conceito, os campos e as leituras são inúmeros. Contudo, este trabalho pretende abordar a questão da imagem enquanto potencial recurso na aula de língua estrangeira, numa dupla vertente, como imagem estática e como imagem em movimento. Sem entrar em conceitos demasiado aprofundados, encare-se imagem estática ou fixa toda e qualquer imagem que apareça num manual, bem como fotografias, desenhos, cartazes ou poster.

Ao referirmo-nos à imagem em movimento, abordado em particular no ponto 4 da Parte I deste trabalho, reportamo-nos à imagem facultada por um vídeo, documentário, videoclip, veiculada por qualquer meio audiovisual.


A utilização da imagem no processo de ensino/aprendizagem

    1. A imagem numa perspetiva diacrónica:


A escola mudou, evoluiu e o papel do professor é hoje diferente, num desafio constante e quase diário para cativar a atenção dos alunos. Segundo Balancho & Coelho (1994: 40), atendendo à importância enorme que o tema da motivação dos alunos adquire na prática docente, apostar-se num modelo criativo de ensino pode ser um excelente antídoto contra a passividade, o aborrecimento, a falta de motivação e de iniciativa institucionalizada, que por vezes existe na escola. A criatividade, quando posta em prática nas suas múltiplas formas, contém, necessariamente, os mecanismos próprios da motivação autónoma, geradora, ela própria, de criatividade. Se as atividades, sugeridas pelo professor, estimularem os interesses e as necessidades do aluno, a recetividade será, desde logo, muito maior. A diversidade e o dinamismo, diretamente relacionados com a expressão criativa, constituem dois dos mais fortes processos motivadores de qualquer atividade. Neste sentido, a imagem pode desempenhar um papel impulsionador e desencadeador de motivação.

En las clases de español como lengua extranjera (E/LE) o segunda lengua (L2), la imagen es una herramienta utilizada por el docente como recurso didáctico de diversas formas.” (…) “La importancia de la imagen en el proceso de aprendizaje de una lengua extranjera (LE) está relacionada con la capacidad humana para crear imágenes mentales a través de visualizaciones que atraigan nuestra atención, que nos estimulen, o nos provoquen emoción. En el estudiante de LE esto significa una mayor implicación y una mejor asimilación de la lengua objeto. (Barrallo & Gómez, 2009: 2)

Raquel Varela Méndez (2005: 837) corrobora esta ideia mencionando no seu artigo “Las ayudas visuales en la clase de español para fines específicos”:

Son varías las razones por las que se demuestran útiles las ayudas visuales en la clase de ELE y EFE. En primer lugar, porque la evolución metodología [consta assim no original, mas consideramos que deveria ser “metodológica”] en la enseñanza y aprendizaje de las lenguas extranjeras que culmina con las recomendaciones del Marco común europeo de las lenguas reconocen la gran utilidad de utilizarlas para facilitar la comprensión de los alumnos de los mensajes orales y escritos en español. Igualmente, las investigaciones en psicolingüística sobre estilos cognitivos, estilos de aprendizaje e inteligencias múltiples recomiendan prestar una atención individualizada a los estudiantes y procurar ofrecer actividades variadas que integren y motiven a todos los alumnos, independientemente del tipo de inteligencia predominante.

Todavia, as potencialidades da imagem nem sempre foram exploradas da mesma forma na aula da língua estrangeira.

Apresentaremos, neste sentido, uma breve perspectiva diacrónica das metodologias mais importantes no ensino das línguas estrangeiras, analisando o papel que a imagem teve em cada uma delas.



  • Método tradicional de gramática e tradução: Este método defendia que o objetivo de aprender uma língua visava dotar o aprendente de capacidade para ler a literatura dessa mesma língua ou então beneficiar do desenvolvimento mental que advém do seu estudo e do seu conhecimento. Segundo Jack C. Richards & Theodore S. Rodgers (2003: 15), este método de estudo de uma língua incide primeiro na análise detalhada das suas regras gramaticais com o intuito de que esse conhecimento seja aplicado, em seguida, na tradução de orações e textos. “Se considera que el aprendizaje de una lengua extranjera es poco más que la memorización de reglas y datos con el fin de entender y manipular su morfología y su sintaxis.” (…) “se presta poca o ninguna atención sistemática a hablar y escuchar.” (2003: 15)

A propósito deste método, Raquel Varela Méndez (2005: 837) acrescenta: “En el método tradicional de gramática y traducción utilizado para enseñar lenguas modernas, al modo del latín y el griego, no se utilizaban ayudas visuales de ningún tipo, ya que el fin del aprendizaje de la lengua era la traducción de textos de escritores consagrados y el conocimiento de las reglas gramaticales.”

  • Método natural: visando dotar o aluno de capacidade oral sem ter necessariamente que traduzir, à semelhança da aprendizagem da língua materna, este método defendia a aprendizagem de uma língua estrangeira a partir de conversas amenas e descontraídas com o professor. “Este método, aunque era eminentemente oral sí se valía cuando era necesario de ayudas visuales para facilitar la comprensión, sobre todo basadas en la mímica del profesor y los objetos reales.” (Varela Méndez, 2005: 837)



  • Método direto: este método, que surge na continuidade do método anteriormente referido, também pauta a sua teoria na aprendizagem oral de uma língua estrangeira, recorrendo a ajudas visuais, embora também se trabalhem as capacidades escritas. “El vocabulario concreto se enseñaba a través de la demostración, objetos y dibujos; el vocabulario abstracto se enseñaba por asociación de ideas.” (Richard & Rodgers, 2003: 22)



  • Método audiolinguístico ou audiooral: este método surgiu da necessidade de se aprender línguas estrangeiras rápida e eficazmente. Com a entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial, o exército americano foi confrontado com a necessidade de tradutores e intérpretes que dominassem fluentemente outras línguas. Como tal, foi desenvolvido um programa de formação direcionado ao exército, cujo objetivo “era que los alumnos adquirieran un nivel de conversación en una variedad de lenguas extranjeras.” (Richard & Rodgers, 2003: 57). Implementava-se, assim, o método oral, que mais tarde evoluiu para o método audiooral.

Baseava-se numa teoria da linguagem, denominada linguística estrutural, e numa teoria psicológica da aprendizagem – psicologia condutista, que destacava com grande importância no ensino das línguas, a leitura e o léxico. Pretendia-se que o aluno dominasse a língua como um falante nativo e a aprendizagem era, sobretudo, um processo de formação mecânica de hábitos. Procurava-se reduzir ao máximo as possibilidades de o aluno cometer erros tanto a nível oral como escrito recorrendo a exercícios estruturais (de repetição, de transformação, ditados, exercícios de preenchimento de espaços, etc.) assentes na prática repetitiva de estruturas, com o intuito de que os alunos memorizassem e dominassem essas mesmas estruturas. “En estos métodos se relegó la parte gráfica, potenciando las destrezas orales y la escritura.” (Varela Méndez, 2005: 837).

  • Enfoque comunicativo: A década de 70 foi uma década marcadamente importante no ensino das línguas. Não surge apenas um modelo mas sim várias propostas com um ponto fulcral em comum – o desenvolvimento da competência comunicativa. Neste sentido, as aulas deixam de incidir no estudo da gramática e do léxico, pois o principal objetivo de ensino – aprendizagem é a vertente comunicativa.

De acordo com Richards y Rodgers (2003: 169), “Muchos defensores de la Enseñanza Comunicativa de la Lengua han propuesto el uso de materiales «no adaptados» y «reales» en el aula. Esto incluye materiales auténticos de carácter lingüístico, como señales, revistas, anuncios y periódicos, o bien recursos gráficos o visuales, como mapas, dibujos, símbolos gráficos y cuadros a partir de los cuales se pueden desarrollar las actividades comunicativas.”

Raquel Varela Méndez (2005: 837) sublinha que num contexto que incide na competência comunicativa, “resultaban imprescindibles las ayudas visuales como gráficos, diagramas, fotografías, demostraciones prácticas, mímica, etc.”

O desenvolvimento da componente comunicativa na aula de língua estrangeira vigora ainda atualmente, e a imagem, mais do que uma simples e mera ilustração de um texto ou diálogo de um manual, começou a ser encarada como um material com inúmeras potencialidades de ensino que, bem explorado, poderá proporcionar situações de comunicação autêntica.



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