O universo Teorias sobre sua origem e evolução



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Trechos selecionados do livro:

“O Universo – Teorias sobre sua origem e evolução”,

Roberto de Andrade Martins - Editora Moderna
A Origem do Universo segundo Descartes
Um dos grandes pensadores da primeira metade do século XVII foi o francês René Descartes (1596-1650). Afastando-se da tradição bíblica, Descartes tentou imaginar como o universo todo poderia ter se originado e produzido tudo o que conhecemos, sem a intervenção divina. No entanto sua proposta não foi um ataque aberto à religião. Ele admitiu a presença de Deus e afirmou que o início absoluto do Universo é devido à ação de Deus. Mas supôs que Deus apenas precisou criar matéria e o movimento e que as leis naturais determinaram tudo o que depois.

Descartes estava concluindo em 1633 o tratado O mundo, que discutia esse assunto, quando soube da condenação de Galileu pela Inquisição. Desistiu então de publicar esse livro (que só foi conhecido depois de sua morte). Mas divulgou suas idéias, de um modo cauteloso, em outros livros. No Discurso do Método, ele diz:


“Coma finalidade de deixar todos esses tópicos na penumbra e ser capaz de me exprimir livremente sobre eles, sem ser obrigado a aceitar ou a refutar as opiniões que são aceitas pelos eruditos, resolvi deixar todo este mundo para que eles disputassem o que aconteceria, se Deus criasse agora, em algum lugar em um espaço imaginário, espaço suficiente para formar um novo mundo e se Ele agitasse as diferentes porções dessa matéria de diversos modos e sem qualquer ordem, de modo que resultasse um caos tão confuso quanto o que os poetas imaginaram; e concluísse seu trabalho apenas prestando seu auxilio a natureza do modo usual, deixando que ela agisse de acordo com as leis que Ele estabeleceu.”
A versão mais elaborada dessas idéias é apresentada por Descares em sua obra Princípios da Filosofia.

Descartes imaginava o universo, no inicio, como um espaço totalmente preenchido por uma matéria homogênea: igual em todos os lugares. Não existiria nem luz, nem estrelas, nem planetas. Nem nada que conhecemos. Essa matéria inicial – com um imenso bloco de cristal. Deus, no entanto, teria dado dois movimentos iniciais a essa matéria, quebrando-a em pequenos blocos: um movimento interno, de rotação de rotação de cada pedaço em torno de si próprio, que faria com que a matéria inicialmente sólida fosse se fragmentando em pedaços cada vez menores, produzindo uma espécie de “pó” que preencheria todos os espaços entre as partículas maiores; e um movimento de rotação de diferentes grupos de partículas em torno de um centro comum. As partículas iniciais não tinham nenhuma forma arredondada, do contrário não poderiam preencher todo o espaço. Mas, pela rotação, em contato com outras partículas, iriam perdendo as pontas e se tornando arredondadas.

Através do movimento e sucessiva quebra das partes da matéria, teriam se originado diferentes tipos de partículas – todas constituídas a partir da mesma matéria primitiva. Descartes distingue três tipos de partículas – todas constituídas a partir da mesma matéria primitiva. Descartes distingue três tipos de “elementos” produzidos dessa forma: partículas sólidas maiores, tais como as que constituem o solo; uma matéria mais sutil (”segundo elemento”), resultante do arredondamento das partículas sólidas, e que seria constituída das partículas sólidas muito pequenas; e algo ainda menor (“primeiro elemento”), que preencheria todo espaço não ocupado por esses outros tipos de matéria.

Descartes imagina que a matéria primordial foi agitada por Deus, de modo desordenado, em todas as direções. Esse movimento inicial teria produzido movimentos circulares: imensos turbilhões e redemoinhos distribuídos pelo espaço.

Nessa teoria, a rotação da matéria nos redemoinhos produz uma separação de partícula de diferentes tamanhos: as menores se concentram no centro dos turbilhões. Assim, no centro de cada gigantesco redemoinho, forma-se um espaço redondo, ocupado apenas pelo “primeiro elemento” – a matéria com as menores partículas. Todas as partículas estão sempre se movendo, e as menores são as que têm um movimento mais rápido. Descartes compara este primeiro elemento a um fogo, cujas partículas estão permanentemente se movendo em grande velocidade.

Esse seria o processo de formação das estrelas. Cada grande turbilhão vai ocupar uma região semelhante ao nosso Sistema Solar e, no centro de cada um deles, vai aparecer uma estrela, formada pelas menores partículas, as do “primeiro elemento”.

O “segundo elemento”, que ocupa quase todo o volume do turbilhão, é descrito por Descartes como um tipo de líquido, pois suas partículas redondas escorregam com facilidade uma sobre as outras, sem resistência. O segundo elemento não é constituído por partículas todas iguais entre si. Existiriam esferas menores e outras maiores, em uma gradação contínua. (As esferas menores ficariam mais próximas do centro, ou seja, mais próximas da estrela central do turbilhão). Cada parte do turbilhão teria uma velocidade de rotação diferente. Descartes imagina que a região mais próxima do centro deve girar mais depressa e que os círculos sucessivamente mais afastados do centro devem gastar um tempo maior para completar uma volta.

Cada estrela, através dos seus pólos, estaria recebendo continuamente matéria do primeiro elemento, e espalhando essa matéria à sua volta. No meio dessa matéria recebida pelos pólos, haveria partículas maiores e irregulares. Elas poderiam se enganchar e prender-se uma as outras e formar partículas maiores, mais lentas. Em vez de sair da estrela e espalhar-se pelo segundo elemento, elas poderiam se enganchar e prender-se uma as outras e formar partículas maiores, mais lentas. Em vez de sair da estrela e espalhar-se pelo segundo elemento, elas ficariam presas a superfície da estrela, formando uma espécie de espuma.

O lugar da superfície da estrela onde se forma-se essa superfície de “terceiro elemento” ficaria escura e essa seria a causa das manchas solares. Essas manchas poderiam crescer ou diminuir, pela agitação contínua do primeiro elemento, que estaria o tempo todo colidindo contra essa camada do terceiro elemento, mas, ao mesmo tempo, estaria trazendo mais partículas irregulares para a superfície. Como as manchas estão na superfície do Sol ou estrela, elas giram juntamente com a estrela – como se observe no caso das manchas solares.

Descartes acreditava que, em torno de uma estrela, poderiam se formar manchas que crescessem até cobrir toda a superfície da estrela, formando uma casca opaca. Isso faria com que a estrela diminuísse muito seu brilho ou até mesmo desaparecesse. Por outro lado, uma estrela totalmente encoberta por uma casca desse tipo poderia romper essa camada opaca e tornara-se brilhante novamente. Isso, segundo Descartes, explicaria as chamadas “estrelas novas”, que se tornam visíveis ou enfraquecer seu brilho e acabar desaparecendo de novo.

Quando uma estrela fica totalmente recoberta por uma casca opaca, todos os seus processos se enfraquecessem. O redemoinho ao seu redor diminui de rotação aos poucos. A estrela recoberta pela casca acabará sendo capturada por outro turbilhão vizinho, no centro do qual existe outra estrela, e poderá virar um planeta ou um cometa.

Ao ser capturado por um turbilhão vizinho, a estrela recoberta pela casca opaca irá se mover em direção ao centro do turbilhão, mas, conforme sua consistência e o movimento que adquirir, acabara por estabelecer certa distância do centro, girando juntamente com a matéria do segundo elemento em torno da estrela central. Nesse caso, ela se transforma em um planeta. Pode também ocorrer que a estrela encoberta não fique presa a um turbilhão, mas vá passando de um turbilhão para outro, sem nunca adquirir um movimento igual ao segundo elemento. Isso aconteceria se a estrela fosse bastante sólida, sendo mais dificilmente arrastada pelo movimento do segundo elemento. Nesse caso, ela se transforma em um cometa.

Cada planeta gira em torno da estrela central (ou do Sol) em uma região na qual as partículas do segundo elemento possuem o mesmo grau de “força” que o planeta. Se o planeta se aproxima um pouco mais do centro, ele entra em contato com partículas menores e que possuem uma agitação mais forte. Adquire, então, um movimento maior e se afasta do centro, penetra em uma região na qual entra em contato com partículas maiores e mais lentas, que também tornam seu movimento menor. Então o planeta perde movimento e se aproxima novamente do centro. Assim, além de girar em torno do centro, ele pode se aproximar e se afastar do centro, oscilando em torno de uma distância média. Esse seria um dos modos de explicar por que motivo à órbita dos planetas em torno do Sol não é exatamente circular, mas elíptica.

Para explicar a formação de todo o Sistema Solar, Descartes imagina que poderiam existir, inicialmente, mais de dez turbilhões próximos um dos outros, de diferentes tamanhos. Nos menores de todos, as estrelas centrais se recobririam primeiro com uma casca opaca e elas seriam então capturados pelos turbilhões próximos, que aumentariam de tamanho. Depois, as estrelas dos turbilhões médios poderiam também ir se recobrindo por manchas e “morrer”, sendo gradualmente capturadas pelo turbilhão maior, central.

Os turbilhões médios seriam a origens dos planetas, e os turbilhões menores, o princípio dos satélites que giram em torno dos planetas. Outros turbilhões poderiam ter produzido os cometas. Assim, a Terra teria sido inicialmente uma estrela, no centro de seu turbilhão, e a Lua uma outra estrela menor, que se recobriu por uma asca antes da Terra e penetrou no turbilhão da terra enquanto esta ainda era uma estrela. Depois, quando a Terra, por sua vez, perdeu o brilho, ela, juntamente com a Lua, penetrou no grande turbilhão do sol e aí se estabeleceu. Assim, a Lua gira em torno da Terra porque foi capturada pelo turbilhão da Terra; a Terra gira em torno do seu eixo, porque toda estrela gira no centro de seu turbilhão, e a Terra foi uma estrela. A rotação da Lua faz se faz no mesmo sentido da rotação da Terra e ocorre praticamente no plano do Equador terrestre. Quando a Terra entrou no turbilhão do Sol, esses movimentos foram conservados.

De acordo com esta teoria de Descartes, as diferentes distâncias dos planetas ao Sol indicam que eles possuem diferentes consistências ou graus de solidez. Os menos sólidos ou mais rarefeitos seriam os que estão mais próximos do centro e que são os menores (Mercúrio e Vênus). Marte é menor do que a Terra, mas está mais distante do sol do que a Terra, porque, segundo Descartes, apesar de seu menor tamanho ele é mais sólido.

De acordo com essa teoria, torna-se muito simples explicar porque todos os planetas giram em torno do Sol no mesmo sentido e em órbitas situadas praticamente em um mesmo plano. O motivo seria que todos eles estão arrastados por um único turbilhão que gira em torno do Sol.

É interessante notar que, de acordo com essa teoria, o interior de cada planeta era inicialmente constituído pelo primeiro elemento, que é semelhante ao fogo. Assim sendo, deveria existir um forte movimento dentro de cada planeta, um tipo de fogo interno, que pode produzir diferentes efeitos. Descartes considera que a casca sólida não é muito espessa e que ela pode deixar escapar o fogo interno através de vulcões, pode sofrer rachaduras e se mover, produzindo terremotos, e que se pode dobrar, erguer-se em alguns pontos e descer em outros, produzindo montanhas e vales. Ele tenta, assim esclarecer vários fenômenos conhecidos, cuja explicação ainda não havia sido estabelecida.



A teoria de Descartes é muito mais complexa e cheia de detalhes do que é possível expor neste livro. Mas essa apresentação permite notar com ela é rica moderna, e como procura explicar um grande numero de aspectos do universo que haviam sido descobertos pouco tempo antes.



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