O sr. Salvador zimbaldi



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Encontro19.10.2017
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O SR. SALVADOR ZIMBALDI (PSDB-SP) pronuncia o seguinte discurso: Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, mais do que oportuna ou merecida, a homenagem que a Câmara dos Deputados hoje rende à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, pelo seu cinqüentenário, é um imperativo de justiça. Como um dos maiores orgulhos da nação católica brasileira, como uma das mais aplaudidas entidades religiosas do mundo contemporâneo, a CNBB completa 50 anos do alto de uma atuação única e incomparável, verdadeiramente imprescindível no que se refere à democratização e ao amadurecimento político de nossa sociedade.

A CNBB foi fundada em outubro de 1952, pela iniciativa e idealismo do inesquecível Dom Hélder Câmara, que alimentava o projeto desde sua atuação na Associação Católica Brasileira, em funcionamento desde 1935. A CNBB nascia para coordenar e subsidiar as atividades de orientação religiosa, beneficência e assistência social, de modo a unificá-las em todo o território nacional, sob o comando de um episcopado centralizado e fortalecido.

O passo fundamental para a criação da CNBB foi dado no Congresso Mundial dos Leigos, realizado em Roma em 1950, em razão da decisiva participação do Monsenhor Giovani Montini, futuro Papa Paulo VI, que advogou perante João XXIII a criação de um órgão eclesiástico de porte, que expandisse a influência da Igreja Católica no Brasil.

Como a terceira conferência episcopal do mundo, a CNBB logo conquistou um papel fundamental na hierarquia da Igreja, como legítimo porta-voz. Simultaneamente, porém, consolidava-se a tendência interna de participação efetiva na discussão dos problemas socioeconômicos do País. Em 1956, a atuação da Conferência, nessa linha, conseguia angariar espaços importantes, inclusive junto à Presidência da República: a chamada Operação Nordeste, lançada por Juscelino Kubitschek, estabelecendo estratégias de desenvolvimento para a região, incorporava boa parte das recomendações elaboradas pela CNBB, sobretudo no que se referia a questões de planejamento e distribuição de riqueza em nível regional.

Não foi de estranhar, portanto, a relação de afinidades que aos poucos se consolidava entre alguns setores da Igreja, considerados progressistas, e segmentos sociais engajados na luta política pela transformação nacional. A coexistência de outras tendências proporcionava um ambiente de intensa discussão sobre o papel da Igreja em sociedades subdesenvolvidas, alimentado pela própria posição do Papa João XXIII, que preconizava, como necessária, a participação eclesiástica na reforma das estruturas sociais.

Foi assim que, no início da década de 60, intensificou-se a atuação da CNBB em questões de extrema sensibilidade, como reforma agrária e justiça social. Sobrevindo o processo de radicalização política, a culminar no golpe militar de 64, dava-se início à estigmatização de alguns membros do clero, a começar por Dom Hélder Câmara, como adeptos de outras ideologias que não a do poder instalado.

Entrado o país nos tristes anos da ditadura militar, a CNBB, corajosamente, não se absteve da participação política, entendendo que sua atividade pastoral, em consonância com o papado, deveria persistir. Sempre frisando que não se tratava de uma opção ideológica, mas de opção em favor dos pobres e desamparados, a Igreja não desistiu de denunciar a mortalidade infantil, as precárias condições de vida do trabalhador rural, as arbitrariedades do novo regime.

A partir de 68, impulsionada pela realização da II Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano em Medellín, Colômbia, a CNBB firmou posições a favor da iniciativa popular, contra a violência institucionalizada pela ditadura, e especialmente, pela autonomia da Igreja frente ao poder estatal.

Foram tempos difíceis, aqueles. Sob o jugo militar, a nação vivia um período de perseguições políticas, prisões arbitrárias, ação de grupos de extermínio. A partir de 1970, a CNBB começou a denunciar sistemática e oficialmente a tortura de presos políticos, deixando clara sua posição em relação aos direitos humanos e à democracia. Prelados como Dom Pedro Casaldáliga, de São Félix do Araguaia, Mato Grosso, tomavam partido categórico de trabalhadores rurais espoliados, mesmo sofrendo risco de vida.

Essa atitude de coragem e desprendimento, baseada na convicta adesão às causas sociais e populares, foi a marca da CNBB nesses 50 anos de atuação. Sempre enaltecendo o papel do diálogo e do bom senso, sempre convocando ao comedimento e à brandura, os bispos do Brasil desempenharam um papel de absoluta relevância no restabelecimento da ordem constitucional, oferecendo uma resistência inteligente, responsável e inequivocamente respeitada. Nomes como Dom Ivo e Dom Aloísio Lorscheider, Dom Luciano Mendes de Almeida e Dom Paulo Evaristo Arns, entre outros tantos, incorporaram-se definitivamente ao panteão dos grandes defensores dos direitos humanos, da justiça social e da predominância do regime democrático.

Destaque-se a propósito, Senhor Presidente, a participação da CNBB na Assembléia Nacional Constituinte, na luta pelos direitos dos povos indígenas, por meio do Conselho Indigenista Missionário, no combate à impunidade e em favor da ética na política. Denunciando a tortura, a miséria, a concentração fundiária e todos os mecanismos perversos de exclusão social, os bispos brasileiros têm construído uma prática pastoral de extrema coerência, buscando permear a vida cotidiana em sociedade com os mais autênticos princípios cristãos, de fraternidade e solidariedade entre os homens.

Não por outra razão, nossos bispos ouviram de Sua Santidade o Papa João Paulo II, por ocasião de sua visita ao Brasil em 1980, que a imagem que projetavam para o País e para o mundo inteiro era “de pobreza e simplicidade, de devotamento pleno, de proximidade ao povo e inserção em sua vida e seus problemas”.

Tem sido, ainda, com imensa reverência e admiração, que acompanhamos as sucessivas edições da Campanha da Fraternidade, trazendo à discussão, anualmente, os mais contundentes temas da sociedade brasileira contemporânea, incluídos a droga, a violência, o papel das comunicações. Sempre atenta, sempre ética, nunca omissa ou comodamente neutra, a CNBB vem oferecendo, nessas cinco décadas, contribuição inestimável à vida social brasileira. Sua participação histórica, manifesta em ações, críticas, denúncias e sugestões, constitui, sem sombra de dúvida, a mais proveitosa convergência entre responsabilidade política e religiosa de que se tem notícia neste país.

A Igreja Católica vive verdadeiramente dIversidade dos carismas com os mais diversos movimentos existentes no seu interior, como Legião de Maria, Vicentinos, E.C.C., Folcolares, Renovação Carismática Católica que pertenço a 21 anos e foi quem me resgatou de volta para a Igreja Católica. Uns movimentos tem objetivos mais sociais, outros mais espirituais, mas todos com uma única direção que é o resgate da dignidade do homem que foi feito a imagem e semelhança de Deus. Movimentos as vezes divergem a hierarquia também tem as suas divergencias, porém a grande maravilha da Igreja Católica está na sua verdadeira convergência que é Jesus Cristo presente na Eucaristia, Maria e o Papa. A Igreja é feita de homens, mas não sobreviveria mais de dois mil anos se não fosse a forte presença de Deus no seu interior.

Nossos cumprimentos calorosos, a CNBB na pessoa de seu Presidente, Dom Jayme Henrique Chemello, na certeza de que o sonho de Brasil que todos acalentamos - justo, fraterno, solidário, se um dia realizado, será inquestionavelmente tributário do esforço empreendido pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.
Parabéns CNBB

Muito obrigado.



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