O sr. Elimar máximo damasceno



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Encontro11.09.2017
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O SR. ELIMAR MÁXIMO DAMASCENO (PRONA-SP) pronuncia o seguinte discurso: Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, venho hoje prestar homenagem àquele a quem considero um virtuose da cultura popular brasileira: o nosso violeiro, contador de casos, ator de novelas, teatro e cinema e apresentador de televisão Rolando Boldrin.

Farei algumas considerações acerca desse verdadeiro personagem da nossa cultura regionalista. Por entender que – apesar da tradição de nosso povo de apenas valorizar a memória daqueles que já nos “deixaram” – Rolando Boldrin é muito mais que uma lenda viva: é um incansável promotor das raízes brasileiras que tanto nos apaixonam e nos enchem de orgulho.

Num mundo de tantas inovações, de tantas modernidades, em que a palavra de ordem é “globalização”, falar em preservar e valorizar a cultura popular pode parecer até paradoxal, mas temos a certeza de que o trabalho de Rolando Boldrin segue esse rumo. Torna-se evidente o pulsar em sua consciência da necessidade de resgatar os ritmos e manifestações da tradição cultural brasileira, que nascem a cada dia nas solidões, nas alegrias e tristezas dos sertões.

Na verdade, Sr. Presidente, estamos aqui exercendo a função – que é também a desta Casa – de reconhecer e exaltar permanentemente a construção de nosso acervo e identidade culturais. Afinal de contas, uma Nação séria é alicerçada sobre a solidez de valores genuinamente nacionais.

Srs. Parlamentares, meu discurso não poderia deixar de abordar a história da vida de Rolando Boldrin. A carreira artística desse cantador de modas, toadas e cateretês, nascido em 22 de outubro de 1936, em São Joaquim da Barra, interior de São Paulo, foi incrivelmente precoce. Aos sete anos, já tocava viola e, aos doze, chegou a atuar em dupla com o irmão Leili Boldrin, cantando em pequenos eventos.

Tempos depois, já com dezesseis anos, decidiu por conta própria e com muita coragem, partir para a capital, São Paulo. A “Paulicéia Desvairada” não o amedrontava, e lá foi garçom, sapateiro e carregador de armazém.

Após ter prestado o Serviço Militar, saiu determinado a perseguir a vida de artista. Apostava na experiência de cantador inato e contador de “causos” adquirida ouvindo, como diz o próprio Rolando Boldrin, “muito rádio e alto-falantes das pracinhas interioranas”. Já havia experimentado “um pouco de tudo”, das modas de viola da época, aos sambas e canções dos mais famosos que ouvia: Vicente Celestino, Francisco Alves, Orlando Silva, Carmen Miranda e Noel Rosa. Na música caipira, ouvia Jararaca e Ratinho e Alvarenga e Ranchinho, entre outros.

Seguiram-se, então, os testes em diversas rádios paulistanas, como a Rádio São Paulo e Rádio Record, até chegar à Rádio Tupi. Era 1958, Boldrin tinha 22 anos e, finalmente, conseguiu seu primeiro contrato para atuar como ator de TV e rádio.

Nos anos 60, estreou em gravações. Trabalhou, inclusive, com Lurdinha Pereira, que veio a ser sua esposa e produtora. Um disco em dueto com Lurdinha, foi o começo de um novo caminho: os primeiros discos de genuína música brasileira com a voz tão característica de Rolando Boldrin!

Depois, prosseguiu em mais algumas gravações em duo com Lurdinha, lançando em 1974 o seu primeiro LP solo: “O Cantadô”, título escolhido pelo próprio Boldrin, pois é “como gosta de ser chamado”, já que, diz ele, “não possui compromisso com a voz, nem com a forma de cantar, mas somente com a maneira de emocionar”. Hoje, tem 50 composições, cerca de 250 músicas gravadas, somando mais de 18 CDs.

Estreou na televisão, na TV Tupi, notabilizando-se como apresentador de programas voltados para o repertório de música rural e sertaneja. De 1981 a 1983, apresentou na Rede Globo o inesquecível programa “Som Brasil”, que lançou, resgatou e reergueu muita gente importante já esquecida. Em 1984, comandou o “Empório Brasileiro”, na Rede Bandeirantes; em 1989, “Empório Brasil”, no SBT; e, em 1995, “Estação Brasil”, na Record.

Como ator, foi premiado no filme “Doramundo”, de 1976, e participou de 25 novelas e 12 peças de teatro.

Ilustres Colegas, o que mais nos impressiona nessa longa jornada de Rolando Boldrin, é o seu desejo permanente de valorização das tradições regionais. Sempre foram marca registrada em seus trabalhos as conversas de “cumpadi”, a boa música de raiz, a vida do tropeiro, do peão de boiadeiro, do mestre carreiro, enfim, os valores autênticos. A sua produção é singela, natural e original, vestida com o sabor das coisas da terra. Os sons que nascem do interior, os ponteados das violas e as cantorias de homens simples que fazem modas e cantam sem a menor pretensão literária. Sem nenhum sinal de erudição, mas com muita poesia e emoção necessárias para revelarem um trabalho inteligente e sensível.

Na realização de “teatros musicados”, sintetizava todo este caldeirão cultural – que é o nosso bem-humorado e imbatível Brasil do interior –, em que tipos brasileiros, tais como, o caipira, o homem do povo, são os protagonistas das narrativas bem nacionais.

É desse tipo de artista brasileiro que tanto precisamos! O brasileiro que valoriza sua cultura rural e regionalista; que defende nossas raízes; que dá valor às coisas de nossa terra e de nossa gente.

Como vimos, nobres Colegas, não foi fácil sua luta para conseguir a consagração como artista. Foi a partir dessas experiências de vida que surgiu o desejo ardente de dedicar-se às causas sociais e de ajudar famílias carentes, tendo como principal enfoque a criança e o adolescente. Daí nasceu a Fundação Rolando Boldrin, que tem sido um ótimo exemplo de solidariedade.

Portanto, Sr. Presidente, a obra de Boldrin é uma preciosidade! Mas é meu desejo dizer-lhe, Rolando Boldrin, que ainda não nos damos por satisfeitos! Queremos mais de suas muitas surpresas e de seu imenso talento de artista completo. Há muita coisa a nos ser proporcionada pelo nosso valiosíssimo “Cantadô”!

Sem dúvida, é graças a pessoas como Rolando Boldrin que continua viva a “alma do Brasil caboclo”.

Muito obrigado.

Elimar MáximoDamasceno



PRONA-SP







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