O sr. Elimar máximo damasceno



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Encontro09.09.2017
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O SR. ELIMAR MÁXIMO DAMASCENO (PRONA - SP) pronuncia o seguinte discurso: Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, são passados quase trinta anos do desaparecimento de Cassiano Ricardo, um dos nossos grandes literatos e também ativo participante da Semana de Arte Moderna.

Poeta, ensaísta, jornalista e historiador, nasceu em São Paulo, em 1895, e faleceu no Rio de Janeiro, em 1974, tendo publicado seu primeiro livro de poesias com apenas dezesseis anos de idade. Iniciado o curso de Direito em São Paulo, concluiu-o no Rio de Janeiro em 1917.

De volta a São Paulo, encarnou um dos líderes do movimento modernista, participando ativamente ao lado de Plínio Salgado, Menotti del Picchia, Raul Bopp, Cândido Mota Filho, entre outros.

Na área de jornalismo, Cassiano Ricardo trabalhou como redator no Correio Paulistano e como diretor de A Manhã. Fundou a Novíssima, revista literária dedicada à causa dos modernistas e ao intercâmbio cultural pan-americano.

Sua obra poética pode ser dividida em três fases: a parnasiano-simbolista, em que se revela um versificador tradicional de caráter lírico-sentimental; a nacionalista do verde-amarelismo, em que absorve temas e formas populares, criando uma literatura eminentemente nacional e a moderna propriamente dita, de sentido universalista, em que passa do imagismo cromático ao lirismo introspectivo-filosófico.

Semelhantemente, se sua poesia é considerada uma das mais sérias e relevantes da literatura brasileira contemporânea, sua obra em prosa é igualmente de destaque. Seu “Marcha para o Oeste”, estudo do movimento das entradas e bandeiras, teve grande repercussão em 1940, ano em que foi publicado.

Cassiano Ricardo pertenceu ao Conselho Federal de Cultura, à Academia Paulista de Letras e à Academia Brasileira de Letras (ABL), onde, da cadeira nº 31, teve atuação viva e constante, lutando pela renovação da instituição.

O destaque de suas obras pode ser avaliado não só em terras brasileiras, mas especialmente pela grande quantidade de poemas traduzidos para outros idiomas como o italiano, espanhol, francês, inglês, húngaro e servo-croata.

Trata-se, Senhoras e Senhores, de mais um dos muitos talentos literários genuinamente nacionais que devemos celebrar com esfuziante alegria. Mais um, é bom esclarecer, não no sentido de apenas somar-se ao grupo: Cassiano Ricardo é mais um entre aqueles com talento ímpar para a expressão em língua portuguesa.

Como uma homenagem a seu talento, concluo este pronunciamento com trecho do belo e tocante poema Rotação: “A esfera em torno de si mesma me ensina a espera/ a espera me ensina a esperança/ a esperança me ensina uma nova espera/ a nova espera me ensina de novo a esperança na esfera”.

Dep. Elimar Máximo Damasceno

PRONA/SP








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