O sr. Elimar máximo damasceno



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Encontro09.09.2017
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O SR. ELIMAR MÁXIMO DAMASCENO (Prona-SP) pronuncia o seguinte discurso: Senhor Presidente, Senhoras e Senhores Deputados, Tasso da Silveira foi um mestre. Na esperança de resgatar sua obra literária, que infelizmente dormita quase esquecida, nas antologias e compêndios, subo hoje a esta tribuna.

Tasso da Silveira foi, antes de mais nada, um poeta. Nascido em 1895, era paranaense de Curitiba. De lá, haveria de reunir-se a outros vultos de nossas letras, para com eles experimentar, perscrutar e descobrir. No aprofundamento da sensibilidade, primando pela estética acima de tudo, acabou por firmar seu compromisso com a própria verdade, com sua admirável consciência humanística, com sua fé religiosa inabalável.

Sim, Senhor Presidente, Tasso da Silveira foi um artista que, sobretudo, pôs-se a serviço de Deus. Ao mesmo tempo, a visão peculiar que tinha do mundo, fervorosamente pautada em suas convicções de católico, na mais ampla dimensão do termo, colocou-a a serviço da arte, numa simbiose perfeita entre religião e poesia. Romanticamente, vislumbrava em cada forma de expressão estética uma obra do Criador.

Tasso da Silveira fez da poesia a sua religião e da religião, a sua poesia.

Na verdade, nobres Colegas, o verdadeiro lirismo não escolhe motivos de criação, nem o motivo pode representar tudo. Em vez disso, há de ser multifacetado e espontâneo. Não se deve ater a cânones, porque, ao fim e ao cabo, sobreleva o poema bem-realizado, segundo uma estrutura estética ideal, não importa o cunho que tenha. Antes e depois de Tasso da Silveira muitos se dedicaram à poesia religiosa. Mas poucos fizeram tão bem esse gênero difícil, dotando-o de propriedade, modernidade, universalidade e transcendentalidade.

Mística, a poesia de Tasso da Silveira revelava-se também sensual. Era, nesse sentido, bipolar: transitava com absoluta naturalidade da carne ao espírito e deste voltava àquela, sem qualquer conflito maior do que os dilemas inevitáveis gerados pelo próprio ato da criação artística, na busca interminável pela perfeita captação de um momento, um estado, uma circunstância, uma emoção.

Herdeiro do Simbolismo, como demonstra, por exemplo, sua manifesta admiração por Cruz e Souza, Tasso da Silveira foi moderno antes mesmo do Modernismo. Depois, com a publicação da revista Festa, fundou, juntamente com outros intelectuais e escritores católicos, a corrente espiritualista do Movimento. Sem se opor à Semana de Arte Moderna, de 1922, o grupo, que contava com nomes como Cecília Meireles, Adelino Magalhães, Abgard Renault, Barreto Filho, pugnava por uma renovação, mas sem aquela espécie de desconstrução, o rompimento radical com o passado. Defendiam a brasilidade, sem perder de vista o espiritualismo, assim como o subjetivismo. O grupo de Festa alinhava-se mais claramente com o Neo-simbolismo.

Além da poesia, Senhor Presidente, Tasso da Silveira deixou obra alentada: ensaios, críticas, peças de teatro, romances. Longe de desmerecer-lhe esses gêneros, que aqui fique o registro da minha enorme admiração pelo poeta que foi. Em 1962, o volume intitulado Puro Canto reuniu os poemas até então esparsos em edições menores. Depois, em 1966, publicaria Poemas de Antes. Era a sua despedida da poesia. Não mais escreveria versos. Morreria em 1968.

Como grande apreciador da boa literatura, sou, nobres Colegas, um admirador entusiasmado de Tasso da Silveira. Entendo que ele foi uma figura importantíssima da cultura nacional, a quem, lamentavelmente, entretanto, ainda não se renderam todas as merecidas homenagens. Entendo, outrossim, que será preciso estudá-lo mais, ler mais a sua obra, conhecer melhor a sua vida. E deixo aqui um desafio: que as escolas busquem nessa vertente à espera de ser mais bem- explorada, o legado formidável de boa e genuína literatura brasileira.

Temos em Tasso da Silveira, professor, escritor e poeta, um valor a ser definitivamente colocado na vasta galeria dos grandes nomes da intelectualidade nacional.

São as minhas palavras.

Muito obrigado.

Deputado Elimar Máximo Damasceno

PRONA-SP









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