O sr. Avenzoar arruda



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Encontro10.09.2017
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O SR. AVENZOAR ARRUDA (PT – PB. Pronuncia o seguinte discurso) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, venho de um Estado pobre do Nordeste, de um povo sofrido, mas que tem como uma de suas principais características a criatividade, que se traduz especialmente no campo artístico.

A Paraíba é a terra de muitos artistas como Paulo Pontes, Pedro Américo, Luzia Simões Bartolini, Jackson do Pandeiro, Marcélia Cartaxo, José Dumont, Vital Farias , Chico César, Elba e Zé Ramalho, Pedro Osmar, Canhhoto da Paraíba, Ariano Suassuna e muitos outros nomes que preferimos não citar para não cometermos a injustiça da omissão.

O teatro paraibano, em particular, segue uma tradição de longa data. Vários de nossos grupos foram premiados nacional e internacionalmente, a exemplo do Grupo Piolin, com a peça "Vau de Sarapalha".

Nossa dramaturgia tem como um de seus grandes representantes o multi-facetado artista Cynthio Cilaio Ribeiro, que nasceu na antiga cidade da Parahyba, hoje João Pessoa, em 04 de dezembro de 1902 e que comemoraria 100 anos hoje se vivo estivesse.

Cilaio Ribeiro atuou no teatro, cinema, TV e no rádio e montou, acompanhado de seus irmãos Chico e Lourival, várias companhias teatrais. Ele era especialmente dedicado ao teatro de bonecos, uma das manifestações vivas da cultura popular do Nordeste.

Foi diretor de vários grupos de teatro amador da capital paraibana, dentre os quais podemos destacar a Sociedade Litero-Dramática 25 de Dezembro, o grupo Genésio de Andrade, Renascente e Teatro de Amadores da Paraíba.

Ajudou a revelar muitos talentos, dentre os quais podemos destacar Ednaldo do Egypto, um dos maiores atores paraibanos já falecido.

Vovô Cilaio, como ficou conhecido posteriormente viajou por todo o interior da Paraíba mostrando sua arte. Atuou como radialista na antiga Rádio Clube da Paraíba, hoje Rádio Tabajara e, posteriormente na Arapuan, onde se destacou no rádio teatro.

No cinema, Cilaio Ribeiro teve participação nos filmes "Menino de Engenho" e "Salário de Morte", de Linduarte Noronha. Na televisão, apresentou um programa na TV Jornal do Comércio de Recife.

Era um homem totalmente sintonizado com as manifestações culturais de sua terra, inclusive, tendo participado da criação de blocos carnavalescos. Constitui família, casando-se com a senhora Dulce Gondim Ribeiro e teve 8 filhos. Para sobreviver, trabalhava como servidor público.

Sua última apresentação teatral foi em 1977, na peça "Hoje a Banda Não Sai", de Severino Ramos. Cilaio Ribeiro morreu em 27 de janeiro de 1980.

poucos anos, foi homenageado pelo movimento "Folia de Rua", responsável pela organização da Semana pré-carnavalesca de João Pessoa.

Hoje Cilaio Ribeiro dá nome a um teatro no centra da capital paraibana, para onde convergem inúmeros grupos de teatro amador que encontram neste local um espaço para expor sua arte e iniciar sua carreira. O teatro está em más condições e faz parte do prédio do Grupo Escolar Thomas Mindelo, que fica no coração de João Pessoa, e que abriga diversos grupos culturais de nossa cidade.

Se a preservação da memória de Cilaio Ribeiro e de seu trabalho profícuo em prol do teatro paraibano não vem sendo feita como deveria, talvez, o início da recuperação do Teatro Cilaio Ribeiro contribua fazendo justiça a um nome tão importante em nossas artes.

Preservar a memória de Cilaio Ribeiro é defender e preservar a memória não só do teatro, mas também da cultura paraibana. Seu nome é referência para os novos atores e atrizes e sua obra continua tendo influência no teatro, cinema e no rádio paraibano e é um dos homens e mulheres que orgulham a Paraíba

Era o que tinha a dizer.


Brasília, 04 de dezembro de 2002.










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