O sonho de tia regina



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A LEITURA DESPERTA A GRANDE

SENSAÇÃO DE FAZERMOS UMA

LONGA VIAGEM.
COM ELA APRENDEMOS A OUVIR

E MELHORAR NOSSA FORMA DE

SER.
ESTE É UM ROMANCE DEDICADO

A ADOLESCENTE, BASEADOS EM

FATOS VIVIDOS AO LONGO DE MINHA

VIDA.
E CREIAM FORAM MUITO FELIZES.
CONVIDO A TODOS VOCES LEITORES,

UM MERGULHO NESSA AVENTURA.


O Sonho de Tia Regina

Por:

Marciamotta

Índice: Pg.
Palavras da Autora-7
Agradecimentos -8
0. - Tia Regina-9
I. - Oh! Quantas saudades!-10
II. - Gente é Gente e Bicho é Bicho-11
III. – O sonho-12
IV. – O velho rabugento-16
V. – Simão e Dimas dois pintinhos-20
VI. – Assédio sexual infantil-24
VII. – Mediunidade infantil-27
VIII. – O adolescente e a vida sexual-28
IX. – Ordem e progresso-35
X. – Câncer de mama-39
XI. – O adolescente e as drogas-42
XII. – A lenda da vida-46
XIII. – A realização-57


PALAVRAS DA AUTORA:

Escrever, um sonho que eu tinha desde muito jovem, porém quando queremos uma coisa, temos que subir o primeiro degrau.
Assim que tomei coragem e dei inicio a subida dessa escada, e conseguindo apoio de minha mãe, fã incondicional.

O sonho foi realizado.
No natal de 2003, presenteei aos amigos e familiares um exemplar artesanal desta historia.
E no dia 31 de dezembro deste mesmo ano desembarquei no aeroporto de Santiago, e lá encontrei uma editora, a qual editou meu livro em menos de um ano, o lançamento foi um êxito!
Viajei por quase toda América do Sul e parte da Europa, onde fiz grandes amizades, tais como: Uruguai,todo o Chile, boa parte da Argentina,

Peru e Tarija-Bolivia. Suíça, Itália e França.
Queridos leitores, sonhar com os pés no chão faz parte de nossas realizações.


MARCIA MOTTA

AGRADECIMENTOS:

Á minha amada mãe, falecida no dia 21 de dezembro de 2009. Que estará eternamente presente em minha vida, torcendo para que eu siga essa jornada, com toda felicidade que ela sempre me desejou.

Aos meus queridos amigos e confidentes, pela atenção e paciência de lerem a cada capítulo. Torcendo e incentivando para sua publicação.

Obrigada Kátia Pérola por sua admiração e força, pois se não fosse você, este livro estaria arquivado aqui no Brasil.

A você Moacir que sei torce por meu sucesso.

E a Mari Katler, escritora e amiga do facebook.
E finalmente a meus sobrinhos e sobrinhos netos que sem eles este livro não seria possível.

.



CAPÍTULO 0

TIA REGINA

Todos criticavam tia Regina e seus sonhos, diziam que ela vivia no mundo da lua e voando.
Em realidade com ela aprendemos como um sonho pode ser realizado.
Hoje voltando ao passado, quando ainda éramos crianças , me fazem brotar lágrimas saudosas.
Tia Regina é normal?
Perguntavam naquela época; eu também tinha minhas duvidas!
Ela não teve uma vida de rainha, passou por momentos amargos e sei que a fizeram chorar, porem nunca deixou a peteca cair, sempre teve coragem de enfrentar o monstro de olhos abertos, intuía o caminho e graças a sua intuição conseguiu realizar o impossível para a maioria.
Provou que ser sonhadora era normal, que as fantasias fazem parte de nossa felicidade.
Seu lema era: O show tem que continuar!
Contarei sobre essa personagem e meus melhores momentos junto a ela.

CAPITULO I
OH! QUANTAS SAUDADES DE MINHA TIA REGINA!

Quando nasci ela estava com 35 anos. Magra, baixa, um corpo tipo violão, por ter uma cintura fina e quadril grande, pele clara, pernas de atriz italiana, cabelos ruivos, olhos verdes, nariz afilado e lábios grossos, não era uma beleza extraordinária tipo Sofia Loren ou Gina Lollobrigida, tinha um encanto próprio, distinta, luminosa, uma pessoa transparente, sem papas na língua.
Na realidade, estava sempre contente e ria com nossas peraltices, só havia uma coisa que ela virava fera, era quando alguém nos contrariava isso ela jamais permitia.

CAPITULO II
GENTE É GENTE E BICHO É BICHO

Meu primo estava com três anos e foi com tia Regina numa pracinha em Copacabana, ele adorava animais, quando viu uma senhora com um cachorro, correu para tocá-lo e a mulher se afastou não permitindo brincadeiras. Indignada tia Regina perguntou se o bichinho mordia, a resposta foi não, deixando bem claro que não queria que ninguém tocasse em sua mascote, uma demonstração de egoísmo fazendo a gentil tia Regina sair do sério. Ela o pegou no colo e disse:

_ Vamos brincar no parque, este pobre cachorro não é brinquedo e sendo um animal pode te transmitir doenças, você ainda e muito inocente para entender que gente é gente e bicho é bicho.
A senhora quase fulminou minha tia com um olhar de reprovação, esta, sabia fazer-se de indiferente quando precisava, não sei como ela conseguia franzir a boca de uma forma que assustava. Tia Regina adorava aos animais, a todos, não considerava justo prende-los num minúsculo apartamento, privando-os de sua liberdade natural, e disse:
_ Quando se ama de verdade a um animal não se cria em cativeiros, à maioria dos seres humanos confunde suas emoções. Veja esta senhora, deve viver sozinha e divide sua solidão com este pobre! Você sabe o que isto significa? _ perguntou a meu priminho.

_ Não. – respondeu – correndo para o balanço e pediu a resposta.

_ Egoísmo. – ela respondeu em alto e bom tom.

_ O que é egoísmo? – ele perguntou -

_ São as pessoas que não sabem compartilhar.

_ E o que compartilhar? – outra pergunta -

_Vou te dar um exemplo: Imagine num aniversario, com muitas crianças e um bolo pequeno, se é uma pessoa egoísta que reparte vai separar para ela o maior pedaço.

_ Entendi, são as pessoas que sempre ficam com a maior parte só pra elas.

_Muito bem! Exclamou!

Essa era uma de suas tantas qualidades, ela falava com as crianças de igual para igual, entendia que tínhamos potencial.

CAPITULO III

O SONHO

Eu e meus primos não entendíamos por que ela nunca teve um filho e jamais se casara. Sendo uma mulher bonita, inteligente e cortejada por todos aonde chegasse.
Jamais nos negava nada, e somente hoje, aos meus trinta e cinco anos. Entendo que ela sabia dizer NÃO com desenvoltura. Porque a sua maneira, sempre a obedecíamos.
Cresci ouvindo e admirando suas historias, eram as horas mais felizes! E quando lhe perguntávamos por que não tinha se casado ou tido filhos, ela nos respondia:
_ Espero a meu príncipe encantado!

_ Você já o conhece? Onde está ele?

_ Ele está em algum lugar deste planeta, inteligente, maduro, médico e escritor, seu rosto tem fortes linhas como de um grego, olhos verdes, cabelos grisalhos e encaracolados, voz grossa como a de um locutor de rádio, fala espanhol e tem 1:90 de altura!

_ É rico?

_ Tem uma situação financeira estável, mas isso não me importa!

_Ele è velho?

_ Não é mais novo que eu, três filhos e viúvo. Conhecemo-nos de vidas passadas.

Essa era uma de suas peculiaridades: esotérica, metade bruxa e metade cigana. Adorava fantasiar, viajar, dançar, conversar e namorar a moda antiga, dizia ser mais romântico. Seus sentimentos mudavam como o vento, mas eram intensos, assim que sempre estava apaixonada, porque seu coração pertencia a Juan Carlos!
Um senhor italiano amigo dela apelidou-a de banda e perguntávamos por quê? E ela sorrindo nos respondia:

_ Quando passa uma banda, todos acompanham velhos, crianças, cachorros, assim sou eu!

_ E você adora né tia? – E seu grande amor, também é da banda?

_ Ele e um pouco tímido, mas de um coração generoso, irradia luz!

_ Como é que sabe tanto a respeito dele? Vocês se conhecem e não quer nos contar? Vai tia conte-nos a verdade!
Suspirou profundamente, levou a mão direita ao coração, fechou os olhos, curvando a cabeça pra traz, fazendo voar seus longos cabelos e disse:
_ Contarei a todos vocês: O verdadeiro amor é eterno de muitas vidas. E sei que um dia ele aparecerá e me perguntará:

_ Regina Magalhães?

_ Sim, responderei.

Ele me beijará longamente nos casaremos e viajaremos pelo mundo ajudando crianças carentes.

_ Ai tia, você é louca?

_ Só porque tenho um sonho? Sonhar não è loucura! Não se vive de sonhos, mas podemos e devemos sonhar para viver. Se quisermos muito uma coisa imagine, entregue seu desejo ao universo, sem que percebamos esta imagem vai se consolidando até que se torna realidade.
_ Muito bem, _ disse Claudinho: _Suponha que tenho notas baixas em matemática, não estudo, sonhando com um dez na prova, porém quando me entregam o resultado, Reprovado.

_Ah! Isso è claro, vais tirar um bonito ZERO, temos que fazer a nossa parte, não se sonha por sonhar. Se você estudar para as provas, sem bloqueios, sem medo e conscientizando-se de sua capacidade, pensando positivamente, seu sonho sempre se realizará. Quando eu estava no segundo ano ginasial, não tinha muito tempo para estudar, precisava tomar conta de minhas irmãs. Tínhamos quatro provas ao ano e precisávamos somar vinte pontos na média final, eu estava mal em ciências e pedi ajuda a minha mãe, ela sem tempo me ensinava enquanto fazia o almoço. Esta era a última prova do ano, estudei muito.

Na minha sala de aula havia uma menina chamada Sueid, que sempre tirava as melhores notas, nunca foi para a final.

Porem no dia da entrega das provas de ciência o professor fez o maior suspense, e disse:

_ Estou Muito decepcionado com vocês, hoje inverterei o jogo e chamarei primeiro as melhores notas, porem, reservei uma prova para comentar no final.

E logo a primeira foi da Sueid com 7,5. Bem todas as provas foram entregues, menos a minha! Tive vontade de sair correndo e nunca mais voltar a estudar, pensava desesperada: _ Tirei zero!

Ate que ele me chamou e pediu a todas as alunas que levantassem. E disse:

_ Regina Magalhães, eu reservei sua nota para o final:

_Tirei zero?Perguntei.

_ Não minha querida, sua nota foi dez.

_ Dez?

_ Sim, acredite, hoje, ao chegar a casa fale com sua mãe, abrace-a e lhe agradeça.
Não pude controlar minhas lagrimas, fui cumprimentada por todas minhas colegas do grupo.

Naquele ginásio todos me admiravam por conhecer minha origem humilde, principalmente o professor Agras. Neste dia ele nos contou que o sonho de sua mãe era que ele estudasse medicina, e ele não tinha a menor vocação, assim que passou um bom tempo, enrolando a pobre senhora, a qual estava muito doente, ao se interar de sua enfermidade, resolveu empenhar-se, em passar na faculdade de medicina. Porém no dia do resultado dos exames ao ver que havia passado, foi correndo dar a boa noticia a sua mãe!

Ao chegar, esta havia sofrido um infarto fulminante. Por isso ele nos incentivava a estudar, acho que ele sempre se culpou.


Ah! Minha doce tia Regina. Sabiamente aprendia as lições da vida! Eu adorava quando ela dizia:_ Contarei uma historia _ Ela se sentava no sofá, deitávamos no seu colo, acariciava nossos cabelos com suas pequenas mãos e iniciava a narrativa.

CAPITULO IV
O VELHO RABUGENTO


Era uma vez, uma casa de dez quartos, e esta pertencia a um ancião que vivia resmungando. Uma casa comum, mas que encerrava um grande mistério, um quarto de frente ao do dono da casa.
Trinta anos antes, ele havia enviuvado e convidou seu filho para morar no casarão. Este desempregado com três filhos pequenos e contra a vontade de sua mulher submeteu-se ao sacrifício de viver à custa do pai rabugento. O velho, logo no primeiro dia de convivência, ordenou:

_ Ninguém pode entrar neste quarto.

A porta vivia trancada, a sete chaves. Despertando uma grande curiosidade nos habitantes recém-chegados, dando asas a imaginação, as mais absurdas, iniciando pelo casal, depois em seus filhos e finalmente nos bisnetos.
Tiveram que conviver e fantasiar suas curiosidades, afinal, um dia o pobre senhor, viria a morrer e finalmente terminaria o pesadelo.
Passaram-se os anos, e todos viviam à custa do pobre ancião, não trabalhavam, na escola eram sempre os piores alunos.
Todos tinham o mesmo sonho: O dia da morte do velho rabugento! Este dia era esperado como as soluções para suas vidas. Pensavam haver ali um tesouro, como o do Tio Patinhas, cheio de moedas de ouro.
E este dia chegou, o rabugento morreu, e seu corpo ainda quente, um dos netos, rapidamente, pegou a chave e abriu a porta proibida.

Tamanho foi o susto, que o jovem gritou forte e caiu desmaiado. No quarto totalmente vazio, sem nada, sequer um móvel, havia uma janela trancada com um pequeno bilhete amarelado, escrito a mais de três décadas atrás:
ª COM CURIOSIDADE SE VIVE, MAS VIVER NA PASSIVIDADE É UM DECLIVE.

_ Que velho louco! – lembro-me que exclamamos ao termino desta historia. E tia Regina nos esclareceu:

_ O velho rabugento ensinou a sua família que na vida não se sobrevive a sonhos sem fundamentos.
Nem sempre suas historias eram convincentes, mas me encantavam!

Claudinho estava com 14 anos e sua irmã, de apenas dois anos, foram passar um final de semana em seu apartamento, isso sim era um sonho para nós! Ela virava criança.

Lá chegando, a pequenina foi até o quarto, enquanto meu primo e seus pais estavam na sala conversando. Quando der repente, escutaram um tremendo barulho de louça quebrando. Tia Regina correu na frente, e todos a seguiram. Lá estava à pequena, com cara de cachorro quando quebra o vaso, assustada se jogou nos braços da defensora de menores, que acariciava as costas da Ré já em pranto.

_ Não foi nada meu anjinho, cuidado para não se cortar.

_ Eu só queria botar o chapéu titia!

_ Ah, mas este chapéu era para a lâmpada, não servia pra sua cabeça.

_ Você compra um pra minha cabeça?

_Claro que sim!
Sara no colo de tia Regina como se esta fosse uma redoma, esperava a bronca de sua mãe. A situação tornou-se engraçada, porque tia Regina já estava acostumada com as reprovações de sua irmã, que lhe aplicava um sermão:

_ Não é assim que se educa Regina! Eu estava junto quando compraste este abajur, caríssimo e o único que havia na loja, sei muito bem que era seu sonho de consumo, seus olhos brilhavam quando o compraste. A menina quebra e não diz nada, pior ainda, promete comprar um chapéu? Está cometendo um grande erro.

_ Mãe educa e tia deseduca, nunca tive filhos e como vocês mesmas dizem, se os tivesse, os mal criaria, afinal, que fez de errado esta menina? Viu um abajur raro e por curiosidade ela quis usá-lo, uma coisa normal, uma perda felizmente material!

_ Bem, a casa é sua, as coisas são suas e o problema é seu.

_ Problema? Você vê nisso um problema? E de quem é esta casa? – perguntou tia Regina tentando conter o choro da pequena Sara ainda agarrada ao seu pescoço e respondeu:

_ É minha!

_ Isso, afirmava tia Regina.

_ Não posso aceitar isso. – disse minha tia contrariada – Não confunda a cabeça dela! – continuava sua teoria, agora se dirigindo a Sara:

_ Esta casa é da titia, a sua é onde moramos.

_ Sabe de uma coisa? Estou cansada dessa psicologia teórica que vocês usam agora. Enchendo a cabeça das crianças com realidades antes do tempo? Infância é somente uma, e passa muito rápido, se recriminamos tudo que fazem, crescem adultos amargos, egoístas, donos da verdade e realistas em excesso. _ Disse tia Regina já sem paciência com meus tios.

Coisa normal, depois disso, tomou um delicioso lanche e meus tios se foram, ficaram meus primos desfrutando o mundo mágico de minha tia amada. Ela pulava corda, dava cambalhota e ensinava brincadeiras e canções de sua infância, estavam tão felizes que não sentiram o tempo passar.

Sara falava sem parar, provocando gargalhadas em tia Regina, que incentivava o mundo imaginário, nisso ela era mestra. E anotava tudo em um caderno inseparável, ali continha coisas de todos nós, seus sobrinhos. A primeira personagem foi Roberta, minha prima mais velha, me lembro ter lido nesse seu diário, esta passagem com ela: Estava com dois anos e tentava falar tudo correto, um dia ela se aborreceu com minha avó que assistia a sua novela na televisão, e Roberta se queixou com tia Regina:

_ Tia, eu pido, pido a minha avó e ela nada!

_ O meu anjinho, não é pido, é eu peço.

_ Então, eu pecei, pecei e ela nada!
Bem, nessa noite ela contou a seguinte história:

CAPITULO V
SIMAO E DIMAS, DOIS PINTINHOS.
Era uma vez, num grande quintal, nasceram dois pintinhos: Simão e Dimas. Simão era metido e valente, Dimas ao contrario, humilde e medroso. Mal saíram do ovo, olhando o tamanho do pátio, Simão disse a Dimas:

_ Este é o mundo irmãozinho! E deve ser emocionante poder conhecer todo o terreno, vamos lá!

_ Ai, me dá medo, deve ser perigoso.

_ Não seja bobo. Veja! Tem patinhos no lago! Vamos nadar!

_ Espera, vou perguntar a mamãe se podemos nadar.

_ Vá, pergunte claro que podemos nadar, somos aves seu ignorante.
Simão saiu correndo em direção ao lago, mergulhou e afundou. Por sorte, um jacaré que nadava tranquilamente, abriu a boca e o salvou do fundo do lago, colocando-o na beira. Salvo Simão olhou nos olhos do jacaré, que estava com o corpo emergido e a cabeça apoiada na grama, e disse.

_ Obrigado por salvar-me.

_ Não há de que, seu tonto. De onde tirou essa idéia de que pinto pode nadar?

_ Mas sou uma ave, não sou?

_ Sim. – respondeu o jacaré.

_ E pato? O que é um pato? Não é uma ave? Ou pato é peixe?

_ Céus, um pato é ave e pode nadar.

_ E jacaré é peixe?

_ Não, somos répteis.

_ Que complicação! Vou subir naquela arvore e voar!

_ O Mané, você é suicida?

_ Claro que não, por quê?

_ Porque os pintos não voam.

_ Os pássaros não são aves?

_ São.

_ Por isso, as aves voam ou nadam, já que eu não nado! Posso voar!

_ Mas você não é um passarinho. Cansei você é uma cabeça dura, tenho mais o que fazer. Fui.
O jacaré mergulhou deixando Simão na beira do lago pensativo:

... Que mundo é este? Tem aves que voam, outras nadam. Jacaré que nada e não e peixe... Ah! Onde me encaixo nessa vida? – Bem, acabo de nascer, tenho muito a aprender.

Minha prima dormiu no meio da historia e Claudinho tentou esclarecer algumas dúvidas, mas tia Regina também estava dormindo.
Raramente ela lia historias, precisava usar óculos e sua vaidade não permitia. Gostava de interpretá-las, havia momentos tão bem representados, que em nossa imaginação parecia estar ali presente vários personagens, como num teatro.
Perguntávamos por que ela não havia entrado para uma escola de Teatro e respondia:
_ Sou uma atriz formada pela escola da vida, onde os melhores são sempre aqueles que trabalham com o coração.

Sua casa estava sempre cheia de amigos que a procuravam para desabafarem sobre seus problemas, ela os ouvia atentamente e sempre terminava com um bom conselho.
Era contadora, trabalhava numa empresa de Petróleo, não que fosse essa sua escolha por vocação, e sim por opção. Um dia eu a perguntei:
- Por que não entrou para a área médica como psicologia?

_ Eu era muito pobre, quando pequena sonhava sim em entrar para esta área, porém mesmo que eu fosse aprovada, não teria como arcar com os custos, pois os cursos desta área exigiam estudo em horário integral e eu precisava trabalhar para garantir minha sobrevivência. Assim que optei por uma área na qual eu pude trabalhar e estudar a noite. Logo que me aposente vou dedicar-me a escrever para crianças, adolescentes, carentes, etc. Por enquanto vou construindo meu pezinho de meia, viver do que se escreve é muito frustrante financeiramente.

Como eu admirava sua forma de ser, sonhar com os pés no chão, no fundo ela nunca pensou como adulta.

Uma vez foram ao supermercado, enquanto minha tia passava com as compras pelo caixa, tia Regina passou à frente para adiantar guardando a mercadoria, foi interditada por um garoto de quatro anos, que brigava com ela dizendo:

- Por aqui ninguém pode passar.

- Mas este cachorrinho quer sair.

- Ele também não pode.

Débora observava a cena com sua mãe e não havia cachorro nenhum, eles apontavam, conversavam, discutiam como se o animalzinho estivesse presente.

- Pobrezinho, ele vai chorar, Ih! Quer fazer pipi, o guarda vai brigar com ele.

- Eu sou o guarda aqui. – disse o pirralho –

- Ok, veja seu guarda ele vai para a rua!

- Não, ele não pode ir sozinho para a rua, é muito perigoso.
Em poucos instantes o moleque já estava no colo de minha tia, contando toda sua vida e beijando-a.

Minha tia já estava irritada com o menino, pegou as bolsas e saiu resmungando, tia Regina se despediu e foi ao encontro delas, como não podia faltar à velha pergunta, minha tia disse:

- Regina é normal?
Ela estava sempre sorrindo, nunca a vi reclamando, era positiva e dizia que Deus nos dá uma cruz com o peso que podemos carregar.
Quando menina foi vitima de abuso sexual, vivia em uma cidade do interior do Estado do Rio, com apenas 2.000 habitantes, tinha um ano quando foi viver ali com meus avôs. As crianças desfrutavam da natureza e da liberdade, animais eram criados nas ruas.

Naquela cidade, a garotada achava comum brincar de boneca, jogar futebol, pular carniça, da mesma forma que exploravam sua sexualidade.
Uma vez nos contou esta passagem de sua infância:

CAPITULO VI
ASÉDIO SEXUAL INFANTIL

Eu tinha apenas sete anos, quando chegaram da Capital, um primo de minha mãe, com um homem que hoje imagino que deveria ter uns 35 anos de idade, eu adorava um morro perto de casa, assim que o convidei a conhecê-lo. Chegando, ele me olhava de uma forma diferente, sentou numa pedra para descansar e me disse que eu parecia com uma atriz norte-americana chamada Rita Hayworth. E lhe perguntei:


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