O rádio no Brasil



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O Rádio no Brasil

Estudos comprovam que o rádio, no Brasil, teve início em Recife, através de experiências feitas pelos cientistas amadores Oscar Moreira Pinto, aliado a Augusto Pereira e João Cardoso Ayres, que no dia 6 de abril de 1919, inauguram a Rádio Clube de Pernambuco.

Antes disso, porém, no período de 1893 e 1894, ao mesmo tempo em que a Europa e a América do Norte realizavam pesquisas, o padre gaúcho Roberdo Landell de Moura, desenvolveu as primeiras experiências com transmissão e recepção de sons por meio de ondas eletromagnéticas, experimentos estes, que eram superiores aos dos cientistas estrangeiros.

Ernani Fornari chega a registrar o desenvolvimento pelo padre gaúcho de uma lâmpada de três eletrôdos, semelhante à que Lee DeForest criaria em 1906 e indispensável para a transmissão da voz humana (FERRARETO, 2001, p. 83).


No Brasil, também em 1893, o padre gaúcho Roberto Landell de Moura, que estudara na Itália, teria demonstrado simultaneamente, em São Paulo, um telégrafo e um telefone sem fios, capazes de transmitir mensagens a oito quilômetros de distância (CAUDURO, apud, MEDITSCH, 2001, p. 33).
O inventor brasileiro não obtendo reconhecimento do público por seus experimentos, teve seus iventos danificados pelos fiéis da sua paróquia. Após apresentação de suas pesquisas ao cônsul inglês, que não o apoiou, Landell só consegui registrar suas patentes no Brasil, em 1900 e, quatro anos mais tarde nos Estados Unidos. O reconhecimento do padre gaúcho, veio através da mídia impressa, a exemplo do Jornal do Comércio, do Rio de Janeiro, que em 6 de junho de 1900, publicou uma carta em que Landell solicitava ao governo britânico patrocínio para suas pesquisas.

Quatro dias mais tarde, o mesmo periódico publicou notícias sobre o brasileiro a respeito de suas experiências, apresentadas no dia 3 do mesmo mês, no total foram cinco aparelhos, tendo destaque dois deles intitulados de anematofono e o teletiton, ambos sem fio.

O primeiro, obtinha todos os efeitos da telefonia comum e funcionava com nitidez e segurança mesmo com o tempo ruim e ventos fortes. O segundo, aparelho da telegrafia fonética, no qual duas pessoas podiam se comunicar sem que fossem ouvidas por outra. Landell criou então um aparelho semelhante, ligados à radiotelegrafia e radiotelefonia e, em março de 1901 recebeu a patente do governo brasileiro sob o número de 3279.

Em 1904, o governo norte-americano concedeu três cartas patentes a Roberto Landell de Moura pelos projetos, considerados bem mais preciosos e dignos de crédito, foram o telégrafo sem fio, o telefone sem fio e um transmissor de ondas.

Como refere Fernando Cauduro, o desconhecimento a respeito das pesquisas de Roberto Landell de Moura pode ter raízes políticas e econômicas. A radiotelegrafia e a radiotelefonia eram um interesse militar estratégico por facilitarem as comunicações militares entre os navios de uma frota (FERRARETO, 2001, p. 85).

No dia 7 de setembro de 1922, o discurso do presidente Epitácio Pessoa, em comemoração ao Centenário da Independência, deu início a primeira transmissão radiofônica oficial no Brasil, através de equipamentos importados, especialmente para o evento. Foram colocados 80 receptores em pontos estratégicos, para que o som fosse captado em diversos pontos da sociedade carioca.

Durante a Exposição Internacional do Rio de janeiro, em comemoração ao Centenário da Independência, a Westinghouse proporcionou ao Brasil, especialmente aos cariocas, a primeira demonstração pública da radiodifusão sonora no país.

Através de alto-falantes o público presente à inauguração ouviram os discursos do presidente da república e trechos de O guarani, de Carlos Gomes. A imprensa da época registrou que as transmissões se estenderam até outros estados, tamanha era a potência dos equipamentos.


A Rio de Janeiro and São Paulo Telephone Comapny, de combinação coma Westinghouse Internacional Company e a Western Eletric Company, instalou uma possante estação transmissora no alto do Corcovado e outros aparelhos de transmissão e recepção no recinto da exposição, em São Paulo, Niterói e Petrópolis.

Dessa forma, o discurso inaugural da exposição, feito pelo Sr. Presidente da Repúblicaa, foi transmitido pela cidade acima por meio da radiotelefonia. À noite, no recinto da exposição, em frente ao Posto Telefônico Público, onde se achava instalado um dos aparelhos de transmissão, foi proporcionado aos visitantes um espetáculo inédito para nós: daquele local, por intermédio do telefone de alto-falante, foi ouvida, por numerosa assistência, toda a ópera O Guarani, como era cantada no Teatro Municipal.

Nada deixou de apanhar o aparelho de recepção instalado no Municipal, nem mesmo os aplausos aos artistas que cantaram a ópera nacional. Em São Paulo, Niterói e Petrópolis também foi ouvida a obra imortal de Carlos Gomes (JORNAL DO COMÉRCIO, DO RIO DE JANEIRO, em 8 de setembro de 1922).
Efetivamente, o rádio brasileiro nasceu, 28 anos após as primeiras transmissões feitas por Marconi, quando em 20 de abril de 1923, o cientista e professor Edgar Roquette-Pinto e o diretor do Observatório do Rio de Janeiro, Henrique Moritze, fundaram a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, que alguns anos mais tarde foi transformada pelo governo e passou a ser denominada de Rádio Ministério da Educação.

Interessado pelas demonstrações de radiodifusão promovidas pela indústria Westinghouse, no Centenário da Independência, Roquette-Pinto apontou o desinteresse da população ao ouvirem o discurso do presidente em meio a tanto barulho e tumulto, então, com uma visão culturalista, reuniu um grupo de intelectuais da Academia Brasileira de Ciências para discutir o novo meio de comunicação.

Roquette-Pinto e Moritze, após reuniões com intelectuais da Acadêmica Brasileira de Ciência, implantam definitivamente a radiodifusão sonora brasileira, com a fundação da Rádio Sociedade do Rio de Janeiro. Para que a rádio funcionasse bem, os cientistas conseguem junto ao governo federal o empréstimo de transmissores da Praia Vermelha durante uma hora por dia.
Em primeiro de maio de 1922, quando começam efetivamente as transmissões (mesmo que de forma precária) da Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, o Brasil entra, definitivamente, na era do rádio.

O sucesso e a reprecussão das primeiras transmissões radiofônicas na imprensa resultaram, logo no ano seguinte, no estabelecimento da Rádio Sociedade do Rio de Janeiro. Organizada graças aos esforços de Roquette-Pinto e Henrique Moritze, pretendia criar uma rádio cuja programação teria finalidades estritamente culturais e educativas. Essa foi oficialmente a primeira de muitas emissoras de rádio que surgiram em todo o país (CALABRE, 2002, p. 11).

O pioneirismo de Roquette-Pinto e Moritze foi questionado por alguns jovens da sociedade pernambucana, quando em 06 abril de 1919, fundaram a Rádio Clube de Pernambuco, em um velho sobrado do Bairro de Santo Amaro, em Recife, mais tarde denominada de Rádio Clube.

Na década de 30, o presidente Getúlio Vargas, com o objetivo de comunicar a nação sobre a decretação do Estado Novo, usou o rádio em cadeia nacional, criando então, o programa a Voz do Brasil. Com isso, a partir de então, o rádio brasileiro revelou-se como um meio de comunicação de massa.

O Brasil dos anos 30, diante dos fatos ocorridos, como por exemplo: a urbanização do Rio de Janeiro, transformando-se em metrópole, o movimento operário da Revolução Russa e o Movimento Tenentista, desencadeia um modernismo que tem como meta o surgimento de uma cultura de cunho nacional.

Inserido nesta idéia de modernização, estava o professor Roquette-Pinto que viu no rádio um instrumento de transformação educativa. Ele definiu o novo meio de comunicação como: “O rádio é o jornal de quem não sabe ler; é o mestre de quem não pode ir à escola; é o divertimento gratuito do pobre; é o animador de novas esperanças; o consolador do enfermo; o guia dos sãos, desde que o realizem com espírito altruísta e elevado”.

Conferências científicas, música erudita e análise dos fatos políticos e econômicos marcam, deste modo, as primeiras transmissões da Rádio Sociedade do Rio de Janeiro. Intelectuais e cientistas estrangeiros em visita ao Brasil falam ao microfone da primeira emissora do país (FERRARETO, 2001, p. 98).

No período de 1923 até início dos anos 30, o Brasil deu início a uma nova fase histórica da radiodifusão sonora, com a regulamentação da publicidade, em 1932, o novo veículo de comunicação, surgem emissoras em vários estados brasileiros, a exemplo da Bahia, Ceará, Maranhão, Minas Gerais, Pará, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo.

O rádio foi o primeiro meio de comunicação a falar individualmente com as pessoas, cada ouvinte era tocado de forma particular por mensagens que eram recebidas simultaneamente por milhões de pessoas. O novo meio de comunicação revolucionou a relacão cotidiana do indivíduo com a notícia, imprimindo uma nova velocidade e significação aos acontecimentos (CALABRE, 2002, p. 9).

Na década de 40, a programação do rádio tornou-se cada vez mais popular, com a invenção das rádios novelas e os programas de auditório, onde eram exibidas peças teatrais em grandes casas de espetáculo e cassinos. Cinco anos mais tarde, o presidente Eurico Gaspar Dutra proibe os jogos em cassinos, com isso as apresentações teatrais deixaram de ser realizadas nos cassinos.

Desde a década de 30, já existiam emissoras que possuíam programas de radioteatro, a exemplo das rádios paulista Record e a carioca Mayrink, porém a primeira emissora a transmitir radionovela foi a Rádio Nacional do Rio de Janeiro.

No final dos anos 40, os Estados Unidos revolucionaram o mundo da radiodifusão, com a invenção de componentes eletrônicos que ampliavam os sinais elétricos, devendo-se este mérito aos cientistas da empresa norte-americana Bell Telephone Laboratories. Os experimentos consistiam na possibilidade de trocar as válvulas que ocupavam muito espaço, sendo substituídos por transistores que podiam funcionar a pilhas, reduzindo assim os custos.

Em meados dos anos 50, o rádio transitorado chegou ao Brasil, iniciando-se assim, a produção dos experimentos em território nacional. Mesmo com o surgimento e valorização da televisão, ainda nos anos 50, o rádio brasisileiro tornou-se um veículo mais acessível pela grande maioria da população.

Na década de 60, grande parte da programação do rádio teve que ser transferida para a televisão, mesmo com o sucesso alcançado em décadas anteriores, onde o veículo havia se tornado em um meio de comunicação efetivamente popular.


Estas mudanças deram origem a novos modelos de programação radiofônica, cada vez mais distantes daquele que prevaleceu nos “anos dourados” do rádio brasileiro (CALABRE, 2002, p. 8).
Todos os Direitos Reservados à Maria Verônica Santana e Sá - Formanda do Curso de Comunicação Social / Jornalismo – Unit.

ORIGEM HISTÓRICA DO RÁDIO

Na segunda metade do século XIX, após a descoberta da eletricidade por Benjamin Franklin e o dinamarquês Hans Christian, como um meio condutor para a transmissão de mensagens à distância, criou-se dois importantes meios de comunicação que deram início ao rádio no mundo: o telégrafo e o telefone.

A tecnologia surgiu na virada do século XIX, diante da necessidade de comunicação à distância, através da invenção de aparelhos que transmitiam sons por ondas de radiofreqüência: o telégrafo - patenteado em Londres por William Fothergill Cooke e Charles Wheststone, foi o primeiro sistema a utilizar os princípios do eletromagnetismo - e, o telefone - patenteado por Alexander Graham Bell, aparelho que transformava as vibrações da voz humana em forma de sons.

O telégrafo, desenvolvido pelo norte-americano Samuel Morse entre 1832 e 1837, se popularizou, por ser um aparelho que intercalava implulsos elétricos breves e longos que correspndiam, respectivamente, a pontos e traços de acordo com um código e, passou à história com o nome do seu inventor (FERRARETO, 2001. p. 81).

A radiotelefonia permitia a transmissão de sons a distância, através dos princípios físicos e equipamentos utilizados, semelhantes aos do rádio, que foram transformados em meio de comunicação sem fios. Os avanços técnológicos e as mudanças na forma e objetivos da transmissão, deram origem a radiodifusão no mundo.
No telefone, tem-se uma comunicação bidirecional e privada entre duas pessoas. O rádio pressupõe um fluxo unidirecional e público no qual se envia uma mesma mensagem para centenas ou milhares de pontos de recepção (FERRARETO, 2001, p. 79).
Também na segunda metade do século XIX (1870), o físico inglês James Maxwel demonstrou teoricamente a existência de ondas eletromagnéticas, invento que só foi reconhecido 18 anos depois, pelo alemão Heinrich Hertz. Alguns anos mais tarde, as ondas confirmadas por Hertz passaram a ser conhecidas como ondas hertzianas.

Maxwel demonstra, por deduções matemáticas, que o efeito combinado da eletricidade e do magnetismo manifesta-se no espaço, originando um campo o qual se propaga sob forma de vibração ondulatória com a velocidade da luz (2,997925 x 108m/s) (FERRARETO, 2001, p. 80).

Na prática, a comunicação sem fio se consolidou em 1894, pelo italiano Guglielmo Marconi, com a inveção de uma campanhia que podia ser operada a poucos metros de distância. Somente em 1896, diante das resistências encontradas por parte do governo do seu país, Marconi amplia seu invento para transmissões de maiores distâncias e resolve patenteá-lo na Inglaterra.

Percebendo a importância comercial do telégrado, Marconi realiza em 1901, sua primeira demonstração de transmissão de mensagem através do Atlântico, em seguida, funda uma sociedade: a Marconi Company, objetivando a exploração comercial de seus experimentos.


A história oficial igualmente atribui a primeira transmissão da voz por ondas eletromagnéticas ao canadense Reggie Fasseden. Na noite de Natal de 1906, Fassed surpreendeu os operadores de telégrafo sem fio dos navios que navegavam na costa de Massachussets, adaptando um microfone para trasmitir-lhes sua própria voz e um solo de violino (MEDITSCH, 2001, p. 32).

As invenções de Marconi e Fasseden foram questionadas pelo seu pioneirismo através de comprovações de que os mesmos experimentos já estavam sendo realizados em outros lugares, desde 1893. Nos Estados Unidos, pelo imigrante croata Nikola Tesla e, no Brasil, pelo padre gaúcho Roberto Landell de Moura.

Sem desconsiderar a importância do seu trabalho, pode-se afirmar que a invenção do rádio é atribuída erroneamente a Guglielmo Marconi. Mais do que tudo, o italiano foi um industrial astuto e empreendedor. A sua empresa detinha patentes sobre diversos inventos que ele soube – e aí está talvez o seu grande mérito – aprimorar, desenvolvendo novos e mais potentes equipamentos (FERRARETO, 2001, p. 82).

O rádio surgiu com estes experimentos, através das técnicas de comunicação à distância, mas só foi reconhecido como mass media, alguns anos depois. Por ter uma comunicação aberta, em alguns momentos foi apontado mais como um defeito do que como uma virtude, por ser considerado como uma comunicação telefônica sem privacidade.

Desta forma, não é adequado identificar o invento da comunicação sem fio com o surgimento do rádio como meio de comunicação de massa. Não foi o invento de uma técnica que marcou a sua criação, mas o invento de um determinado uso social para uma constelação de técnicas (a eletricidade, o áudio, a telefonia, a transmissão por ondas etc.), que se caracterizaria numa nova instituição (MEDITSCH, 2001. p. 33).

No final da Primeira Guerra Mundial a idéia de dar uma nova utilização a essas tecnologias, começou a tomar forma, com a proliferação de amadores que faziam experiências de transmissão como uma atividade de lazer.


Embora o telefone tradicional tenha sido usado para transmitir concertos para auditórios distantes, no século passado, e já fosse, em alguns locais, um meio habitual de transmissão de notícias a assinantes (em Budapeste desde 1893), o uso do rádio para este tipo de comunicação, nas duas primeiras décadas do século, só era feito por amadores e não despertara nenhum interesse comercial ou estatal que levasse à sua institucionalização (MEDITSCH, 2001, p. 33).
Mesmo com os vários experimentos realizados em diversos países no início do século XX, a radiodifusão surgiu nos Estados Unidos no ano de 1920, através da primeira emissora radiofônica, a KDKA, que utilizava equipamentos da Westinghouse para a produção dos programas prioritariamente voltados para as coberturas jornalísticas.

Mais tarde, precisamente no ano de 1922, outros países como a Inglaterra e a França também registraram suas primeiras emissoras radiofônicas regulares. Porém, foi nos Estados Unidos que o rádio obteve um sucesso imediato e de grandes proporções, extendendo-se a outros países, inclusive o Brasil.


As empresas norte-americanas de equipamentos e aparelhos de rádio logo iniciaram o processo de expansão para outros países, mas em nenhum outro lugar foram registrados índices de crescimento do setor similares aos Estados Unidos (CALABRE, 2002, p. 9).
Dois anos após o surgimento da radiodifusão nos Estados Unidos, o país já contava com 530 emissoras de rádio em pleno funcionamento, havendo uma verdadeira explosão no setor.
O RÁDIO NO MUNDO

Os primeiros sinais de emissão e receptação de sons, produzidos pela radioeletricidade, tiveram suas origens em diversos países da Europa e no resto do mundo, através das experiências científicas desenvolvidas por seus audaciosos inventores.

Com a diversidade dos experimentos e o aumento das patentes, as tentativas de melhorar a comunicação à distância multiplicaram-se em todo o mundo civilizado.

Na França, a partir de 1910, a Torre Eiffel já funcionava em perfeitas condições, para a transmissão de sinais e horários meteorológicos. Deve-se este feito ao francês Eugene Ducretet, que em 1898 fez a ligação entre a torre e o Panteão.

Nos Estados Unidos, no início do século XX, Lee de Forest inventa um emissor que produz onda regular e, em 1908, realiza do alto da Torre Eiffel, uma transmissão que é captada em Marselha.

Em 1910, é realizada a transmissão ao vivo do concerto de Enrico Caruzo, no Metropolitan Opera House, em Nova Iorque. A voz de Caruzo foi captada por vários radioamadores. Em 1919, acontece a inauguração da primeira emissora regular em Roterdã.

Os Estados Unidos, que em 1921 tinha quatro emissoras, têm 382 no final de 1922 e sete milhões de receptores em 1927.
Nos Estados Unidos, em outubro de 1921 foram registradas 12 novas emissoras; em novembro, mais 9; em dezembro, outras 9. Em janeiro de 1922, 26 novas emissoras entravam no ar (CALABRE, 2002, p. 9).
No início do século XX, o rádio dissemina-se em todo o mundo, através da consolidação de três ramos da comunicação: a radiotelegrafia, a radiotelefonia e a radiodifusão. O avanço da radiodifusão sonora ocorreu de forma lenta em alguns países da Europa e no restante do mundo, com exceção dos Estados Unidos.
Pierre Albert e André-Jean Tudesq registram que, em 1925, já existiam transmissões regulares em 19 países europeus, na Austrália, no Japão e na Argentina. A estes países, pode-se acrescentar o Brasil, onde as primeiras emissões regulares datam de 1923 (FERRARETO, 2001, p. 92).
Um dos marcos do rádio no mundo foi a empresa Bristish Marconi, que desde 1919, fazia emissões regulares na Grã-Bretanha e, que aliado a outros empresários cria em 1922 a British Broadcasting Company.

Quatro anos mais tarde, o governo britânico estatiza a radiodifusão no país e encampa a empresa que integra, a partir de então, a British Broadcasting Corporation, surge a BBC que estabelece uma nova forma de fazer rádio diferentemente da norte-americana.

Com variações, o modelo de radiodifusão pública inglesa introduzido pela BBC dominaria o cenário europeu até os anos 70. Ao contrário, no Brasil, a influência norte-americana sempre foi muito forte (FERRARETO, 2001, p. 92).

PRIMEIRA REFERÊNCIA A UMA ESTAÇÃO DE RÁDIO NO BRASIL


O primeiro transmissor de ondas de rádio no Brasil que se tem notícia, foi instalado no ano de 1913 por Paul Forman Godley, um dos fundadores da ADAMS-MORGAN / PARAGON, na região Amazônica, a pedido do governo brasileiro.

Ao retornar para a américa, ele conheceu Edwin Howard Armstrong numa reunião do Clube de Rádio da América em 1914, e se admirou ao saber que Armstrong conseguia escutar essas estações brasileiras com regularidade.

O segredo, claro, era o circuito regenerativo. Armstrong não havia conseguido fazer funcionar o circuito regenerativo nas ondas curtas, onde os radio-amadores operavam, e alem do mais, ele tinha maiores interesses na area comercial do rádio.

Após uma série de testes, Godley ajustou os circuitos de grade e placa de seu rádio com variometers auto-ajustaveis, e aí nasceu o receptor Paragon.


(Crédito: Radio Manufacturers of the 1920's by Alan Douglas Vol-1)

O INÍCIO DO RÁDIO EM FREQUÊNCIA MODULADA (FM)


O norte-americano Edwin Howard Armstrong, era um amante da música e se sentia insatisfeito com a qualidade das rádios AM.

É que as ondas desse tipo de rádio se propagam para lugares distantes, mas estão sugeitas a muitas interferências.   Por isso, em 1912, Armstrong produziu o primeiro transmissor de frequência modulada, inventando a rádio em FM.

As primeiras transmissões confirmaram que ela exibia uma fidelidade muito melhor, porém com menor alcance.

As grandes redes americanas reagiram, temerosas de que a FM fosse uma ameaça.

Depois de uma demorada briga na Justiça e com suas patentes ameaçadas, Armstrong se suicidou em 1954.

A FM só se vingou na década seguinte.


(Crédito: Revista Galileu no 90 Editora Globo)

QUEM INVENTOU O RÁDIO ?

Não existe uma concordância mundial a respeito de quem inventou o rádio, da mesma forma que muitos paises não aceitam Santos Dumont como o Pai da Aviação. Alguns, creditam o descobrimento das ondas de rádio ao cientista e inventor italiano Gugliemo Marconi.

Comete-se uma injustiça a um cientista brasileiro, predecessor de Marconi e de outros.


Padre Roberto Landell de Moura, gaúcho, nascido em 21 de janeiro de 1861.
O padre-cientista, construiu diversos aparelhos que expôs ao público na capital paulista em 1893, tais como:

- o Teleauxiofono ( telefonia com fio )


- o Caleofono ( telefonia com fio )
- o Anematófono ( telefonia sem fio )
- o Teletiton ( telegrafia fonética, sem fio, com o qual duas pessoas podem comunicar-se sem serem ouvidas por outras )
- o Edífono ( destinado a ducificar e depurar as vibrações parasitas da voz fonografada, reproduzindo-a ao natural )

Nesta ocasião, estabeleceu os príncipios básicos em que se fundamentaria todo o progresso e a evolução das comunicações, tal como conhecemos hoje.

Suas teses, firmadas antes de 1890, previram a "telegrafia sem fio", a "radiotelefonia", a "radiodifusão", os "satélites de comunicações" e os "raios laser".

No ano de 1900, enquanto o grande feito de Marconi não ultrapassava a distância de 24 quilômetros, o Padre Landell de Moura obtinha do governo brasileiro a carta patente nº 3279, reconhecendo-lhe os méritos de pioneirismo científico, universal, na área das telecomunicações.

Em 1901, o Padre Landell de Moura, embarcou para os Estados Unidos e em fins de 1904, o The Patent Office at Washington concedeu-lhe três cartas patentes: para o telégrafo sem fio, para o telefone sem fio e para o transmissor de ondas sonoras.

Poderia se considerar o Padre Landell de Moura o precursor nas transmissões de vozes e ruídos outros. Suas patentes afirmam isso.

(Crédito: AGERT "Associação Gaucha de Emissoras de Rádio e Televisão")
E quem inventou a Televisão ?
Como programa de televisão foi bem fraco.
Ao vivo, dos laboratórios de RÁDIO da General Electric, em Schenectady, Nova York, apresentamos..... um sujeito tirando os óculos. E depois pondo o óculos de novo. Depois, soprando um anel de fumaça.

Foi assim a primeira transmissão de televisão do mundo - destinada a apenas três casas. No entanto, naquela tarde de janeiro de 1928, um brilhante engenheiro da GE, o sueco Ernst F. W. Alexanderson, fundou um dos meios de comunicação mais poderosos e influentes da História.

Desde o começo do rádio no início dos anos 20, a corrida foi para juntar e transmitir som com imagens em movimento. Dois anos antes da demosntração de Alexanderson, o escocês John Logie Baird usara um artefato para transmitir a imagem bruxuleante de uma cabeça humana. A GE superou o feito de Baird.

Quatro meses depois da experiência de Alexanderson, a GE transmitia imagens três vezes por semana e os elementos básicos da televisão estavam implantados.

Em 1937, um sistema eletrônico mais refinado que utilizava o tubo de raios catódicos foi adotado pela BBC da Inglaterra.

Pouco sobrou para a imaginação desde então - o mundo podia ser visto e ouvido.


A origem da propaganda no Rádio
Um executivo de uma companhia inglesa de telegrafia enviou, no início do século, um memorando para seus chefes. Seu plano: transformar o rádio, então usado para comunicação a distância, numa utilidade doméstica como o piano e o fonógrafo. Recomendava que a empresa erguesse um transmissor potente e vendesse à população aparelhos receptores. O memorando foi arquivado.

Em 1921, o pugilista americano Jack Dempsey nocauteava o francês Georges Carpentier. Foi provavelmente o primeiro evento esportivo transmitido e acompanhado por cerca de 400.000 fãs. Fez tamanho sucesso que as estações de rádio passaram a proliferar nos Estados Unidos, sustentadas por publicidade.

Entre o memorando recusado e a transmissão do boxe decorreram apenas seis anos. Por trás estava a mesma pessoa: David Sarnoff, o visionário do rádio comercial. Sua genialidade consistiu em antever que ainda mais lucrativo do que produzir aparelhos de rádio era vender tempo e audiência. Por 40 anos Sarnoff foi o chefão da RCA ( Radio Corporation of America), como fora rebatizada a "MARCONI WIRELESS TELEGRAPH", quando a GE a adquiriu dos empregadores ingleses de Sarnoff.
(Crédito: Nelson Blecher, revista EXAME)

A origem da Válvula Eletrônica


Ele domesticou o raio e o trovão num minúsculo laboratório.

Nascido em um vilarejo de Ohio em 1847, Thomas Alva Edson tornou seu fascínio pela química e a telegrafia uma cadeia de sucessos empresariais que lhe permitiu construir, em 1876, um prédio acaixotado de dois andares, em Menlo Park, Nova Jersey.

Foi a primeira fábrica do mundo projetada para produzir invensões.

No ano seguinte, ele e um colega criaram uma máquina que traduzia vibrações em som - o fonógrafo.

Em 1879, a equipe de Menlo Park testou um filamento de papelão que podia brilhar durante dias. Depois de mil tentativas, Edison conseguiu criar uma lâmpada incandescente funcional.

Não ia inventar a luz elétrica ( isso já fora feito décadas antes ), mas criar uma lâmpada durável e barata, junto com todo um sistema de produção, da usina ao soquete.

Antes de Edison, a humanidade convivia com uma luz artificial tremida, efêmera e perigosa.

Em 1903, Edison produziu um dos primeiros filmes importantes, O Grande Roubo do Trem, somado a seus muitos inventos, como o transmissor de telefone, a fita de cotações da bolsa de valores, o fluoroscópio, a bateria e a lâmpada de "efeito Edison", que evoluiria para as "Válvulas de RÁDIO e televisão".

No total, deteve mais de 2 000 patentes. A inteligência prática vinda daquele laboratório suburbano nos fez ver e ouvir.

Anos depois, o Dr. John Ambrose Fleming aperfeiçoou a lâmpada de Edison, descobrindo os princípios da válvula termoiônica de dois eletrodos ou lâmpada detetora a filamento que proporcionou o desenvolvimento da radiotelefonia.


GUGLIELMO MARCONI E A PRIMEIRA COMPANHIA DE RÁDIO
Jovem cientista italiano, foi à Inglaterra, em 1896 e demonstrou o funcionamento de seus aparelhos de emissão e recepção de sinais.

Sentindo a importância comercial da telegrafia, pouco depois de se estabelecer em Londres, formou a primeira "companhia de rádio", marco inicial na industrialização de equipamentos.


A POPULARIZAÇÃO DO RÁDIO
Com o fim da 1a Guerra Mundial, a indústria americana Westinghouse ficou com um grande estoque de aparelhos de rádio fabricados para as tropas na guerra.

A radiodifusão nasceu meio por acaso, quando instalou-se uma grande antena no pátio da fábrica para transmitir música, e por meio desse "Marketing", comercializou os aparelhos "encalhados" para os habitantes do bairro.

No Rio de Janeiro, dia 7 de setembro de 1922, na comemoração do centenário da Independência do Brasil, ocorreu a primeira transmissão radiofônica oficial brasileira, transmitindo o dircurso do Presidente Epitácio Pessoa.
A PRIMEIRA EMISSORA DE RÁDIO BRASILEIRA
Edgard Roquete Pinto considerado "O pai do rádio brasileiro" e Henry Morize fundam em 20 de abril de 1923, a primeira rádio brasileira: Rádio Sociedade do Rio de Janeiro.

Surge o termo/conceito rádio sociedade ou rádio clube, em que os ouvintes, associados contribuíam com mensalidades capazes de acorrer aos custos operacionais e de manutenção.


Era voltada a cultura sem fins comerciais.

MARCONI O HOMEM QUE ILUMINOU O CORCOVADO
Apesar de alguns erros, o livro "MARCONI O Homem Que Iluminou o Corcovado" escrito por sua segunda esposa, conta sua vida particular com o grande cientista e Prêmio Nobel de Física, relatando o episódio que dá título ao livro, ocorrido em 12 de Outubro de 1931.

"Nesse mês, Marconi deslumbrou a cidade do Rio de Janeiro ao fazer iluminar, de Roma, pelas ondas do rádio, a estátua do Cristo Redentor no Corcovado."

(SIC).
A PRIMEIRA EMISSORA DE TV DA AMÉRICA DO SUL
Arrebatando a primazia de todos os seus possíveis lançadores, tornou-se a Capital Paulista a pioneira da Televisão em tôda a América Latina, desde que foi oficialmente inaugurada a PRF-3TV, das Emissoras Associadas de São Paulo. A data foi a de 18 de setembro último (1950) e marcou o início de uma nova era no terreno eletrônico nacional.

Os estúdios da PRF-3TV situam-se num dos bairros mais altos de São Paulo, o Sumaré.

Montado segundo os mais modernos requisitos da técnica televisora, constitue a consagração do esforço daqueles a quem é devido, sendo o primeiro e, atualmente, o único do gênero em tôda a américa latina.

Às 17 horas do dia 18-09-1950, saindo da fase experimental em que se encontrava há várias semanas, subiu aos ares o primeiro programa regular de televisão, anunciado pela voz de Homero Silva, o conhecido locutor paulista.

O bispo auxiliar de São Paulo, D. Paulo Rolim Loureiro, do alto do palco de televisão, abençoou o estúdio, aspergindo água benta na câmara transmissora e dirigindo-se ao auditório em breves palavras.

A partir daí, Homero Silva e Lia Borges de Aguiar deram início ao programa, passando a leitura dos primeiros anúncios televisados já feitos no Brasil e que se constituiram numa homenagem às emprêsas que tornaram possível tão grandioso empreendimento.

Foram essas comemorações paraninfadas pela madrinha da PRF-3TV, a poetisa Rosalina Coelho Lisboa Larragoiti.

Encerrando essa primeira parte, foi então oferecido um cock-tail a todos os presentes.

Às 21 horas, foi dado início ao "Show" inaugural da TV. Sob o título "TV na Taba", constitui o ponto alto das festividades, tendo dele participado os principais elementos do "cast" das rádios TUPI e DIFUSORA.

O encerramento foi feito por Lolita Rodrigues que, com acompanhamento do coro entoou a "Canção da TV", cuja letra foi composta pelo poeta Guilherme de Almeida.

( Crédito: Revista Monitor de Rádio e Televisão, no 37, - outubro de 1950 )

A Origem do Baquelite


Quem mais lucrou com a invenção do plástico foram os elefantes. Por séculos, o marfim foi um material usado para quase tudo, de cabos de faca a bolas de bilhar. A partir de 1880, o baixo estoque de presas combinou-se com a popularidade do bilhar e disso resultou uma crise. A maior fabricante de bolas dos Estados Unidos, a Phelan e Collender, ofereceu 10.000 dólares em ouro ( uma bela fortuna na época) para o "gênio inventivo" que criasse o substitutivo sintético do marfim. Suspense entre os paquidermes do mundo inteiro!!!

Em suspense ficaram por muito tempo. Só um quarto de século mais tarde, em 1907, Leo Baekeland, inventor de origem Belga, que amealhara uma fortuna com o papel fotográfico de revelação rápida, fez a combinação certa de fenois e aldeído fórmico ( formol ). Surgiu assim o primeiro plástico sintético, o Baquelite. Ele era impermeável, resistente ao calor e aos ácidos, e ótimo isolante. Era ótimo para fazer bolas de bilhar e adequado também às nascentes indústrias automobilísticas e eletrônica. Uma grande vantagem era a versatilidade do novo material, sendo usado em tudo, de telefones a banheiros, de cinzeiros a caixas de rádios

A utilização do baquelite para a construção de caixas de rádios teve inicio nos anos 20, aumenta nos anos 30 e tem sua máxima aplicação nos anos 40. Posteriormente as resinas e plásticos mais baratos provocaram o desaparecimento do baquelite.

O baquelite, substituiu em muitos casos, os móveis de madeira, tendo também a vantagem de seu bom acabamento, fácil limpeza. inalterável ao calor e umidade. São muito apreciados porque apesar dos anos, conservam sempre o aspécto de novos e não necessitam de manutenção.


NOVELEIRO
Noveleiro foi uma designação muito carinhosa usada pelos radioamadores mais antigos, quando se referenciavam aos rádios domésticos, pois em décadas passadas as novelas eram transmitidas através das ondas de rádio. Quem não se lembra de Mamãe Dolores e tantas outras mais?.
RABO QUENTE
Rabo Quente foi um termo que apareceu no Brasil entre o final de 1940 e início da década de 50, para designar os rádios alimentados por tensão 110 ou 220 volts AC/DC (sem transformador).

Para alimentar os filamentos das válvulas que eram ligadas em série, usava-se um resistor de fio que ficava ao longo do cordão de alimentação. Após algumas horas de funcionamento, o cordão de alimentação aquecia, principalmente quando usado em 220 volts. Daí o termo rabo quente.


A invenção do Telégrafo
Nenhuma invenção encolheu o mundo de forma tão espetacular quanto o telégrafo, capaz de levar mensagens através de mares e continentes.
Não admira que Samuel F. B. Morse, ao inaugurar sua primeira linha telegráfica, tenha lançado mão de uma expressão bíblica "O que Deus tem feito !"

Quando voltava de navio para os Estados Unidos de uma temporada de estudos de arte na Europa, Samuel F. B. Morse participou de uma conversa sobre o Eletromagneto. Assim surgiu a idéia do Telégrafo.

Cinco anos depois, em 1837, ele demonstrou o invento, enviando sinais através de 500 metros de fio.

Em 1844, quando transmitiu em código morse de Washington para Baltimore a famosa frase bíblica, não havia mais dúvidas de que Morse, influente pintor e editor, além de inventor, tinha criado um meio revolucionário de comunicação.

O telégrafo de Morse, revelado em 1838, não foi o primeiro desses mecanismos. Os ingleses William Cooke e Charles Wheatstone tinham apresentado no ano anterior um modelo que usava agulhas para soletrar palavras.

O invento de Morse era, de longe, o mais prático. O remetente apenas pressionava uma tecla na linguagem de pontos, e traços eram automaticamente marcados sobre o papel do outro lado da linha.

O aparelho e o código de Morse tornaram-se padrões internacionais.

O telégrafo teve uma expansão muito grande com o advento das ondas de rádio no final do século 19.

Nas primeiras experiências com ondas de rádio efetuadas por Marconi, era comum usar o código Morse para envio de sinais, ( o sinal transmitido era interrompido e liberado na cadência do código ) visto que nessa época não havia sido inventado o sistema de modulação pela voz.

Em 1910, Paris torna-se o centro do mundo na divulgação do tempo, inaugurando um transmissor na torre Eifel para divulgar periodicamente a hora.



A divulgação da hora era feita por intermédio de sinais Telegráficos para os poucos rádios de galena existentes.



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