O prisioneiro de Zeda



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Encontro10.07.2018
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O prisioneiro de Zeda
Personagens:

# Zeda, a bruxa – chefe;

# Zezinho, o prisioneiro (criança);

# Micuinha, bruxa experiente (ajudante de Zeda)

# Zigora, bruxa inexperiente (ajudante de Zeda);

# Cecília, irmã de Zezinho;

# Zeca e Talita (amigos de Zezinho e Cecília).
Narrador: Zezinho e seus amigos foram dar uma volta na floresta sombria, pois este passeio foi combinado há muitos dias. Mas só vieram cumprir hoje. Veja só o que aconteceu com eles nesse dia.

(Entra Zeca, Zezinho, Cecília e Talita no cenário de uma floresta) (cenário único)

Zeca: Ó meu Deus! O quanto esperei por este passeio, aqui nessa floresta!

Cecília: Eu ajudei organizar este passeio e agora estou amargamente arrependida.

Talita: Aaaah! O que isso Cecília! Pois eu adorei!

Cecília: Você adorou Talita, porque não é você que vai ficar olhando essa coisa o tempo todo. (aponta para o personagem Zezinho, a criança da peça)

Talita: Acho que Zezinho é um irmão tão bom pra você, Cecília. Pode ver que ele nunca ti deu trabalho, não é mesmo, Zezinho?!

Zezinho: É... É... Sim... Sim!!! (passa a mão na barriga).

Cecília: Aaaah, ta bom! Quem bem sabe se ele vai dar trabalho ou não, sou eu que sou irmã dele.

Zeca: Pára gente com essa discussão! Vocês nunca brigam e vão discutir logo agora nesse maravilhoso passeio!? Vai acabar estragando-o!

Talita: Vamos, Cecília! Se seu irmão te der algum trabalho, eu te ajudo, boba... pois nós duas não somos amigas!?

Cecília: Somos sim!

Talita: Então?!

Zeca: É galera, vamos acampar aqui! (no meio do cenário, próximos de algumas árvores).

Cecília: É um bom lugar!

Zezinho: Também acho.

Talita: Não há outro lugar melhor. Já vou me sentando. (Talita senta primeiro e logo depois seus amigos a acompanha. Assim, eles abrem as cestas de comida e começam a merendar).

Zezinho: Que sanduíche maravilhoso! Uhm! Uhm!

Talita: Deve estar igual o meu, Zezinho! Que delícia!

(Alguns minutos depois da merenda, eles descansam contando histórias de terror uns pra os outros e ao mesmo tempo sorrindo. Só que Zezinho sente-se mau e fala com sua irmã).

Zezinho: Ceci! Ceci!

Cecília: O que é, Zezinho?

Zezinho: Estou com aquele probleminha, na barriga. (passando a mão na barriga)

Talita: Cecilia, acho que teu irmão está querendo fazer as necessidades.

Zeca: Também acho!

Cecília: É isso mesmo, Zezinho?! Fala que não! Por favor!

Zezinho: O pior que é, Ceci!

Cecília: Não acredito!

Zeca: Vai, Zezinho atrás daquele mato ali. (aponta pra o lado esquerdo do palco)

Cecília: Tome isto. Não demore, rapazinho, por favor. (Zezinho pega o papel higiênico da mão de Cecília, tomando direção para o lado esquerdo do palco. Então, Zezinho sai de cena por um momento).

Cecília: Estava demorando! Eu sabia que ele ainda ia aprontar!

Talita: Deixa o menino fazer o que quer, Cecília.

Zeca: Mesmo, Cecília.

Cecília: Zezinho faz as besteiras dele e quem sofre as conseqüências lá em casa sou eu, ta?! Já sabe, se acontecer alguma coisa com ele, me mãe vai me bater tanto que vou fazer xixi nas pernas até o dia amanhecer.

Talita: Você acha que vai acontecer alguma coisa com ele indo até ali naquele matinho! Calma, Cecília!

Zeca: Olha, meninas eu não quero saber de nada! Quero mais é aproveitar este passeio, aqui nessa floresta. Igual a este não haverá outro, entende?!

Talita: É isso mesmo, Zeca! Vamos aproveitar o que podemos, enquanto permitiram a nossa vinda aqui, neste lugar sombrio.

Cecília: Sabe de uma... É mesmo! Eu tenho mais é que aproveitar... E ai Talita, você trouxe aquelas pedrinhas pra agente brincar de tico-tico?

Talita: Aaah!!! Trouxe sim! Como eu iria esquecer delas. Estão aqui na cesta.

Zeca: Aaah!!! Não gosto de brincar disso. Isso é coisa de menina! Mas eu fico observando.

(Depois de alguns minutos de brincadeiras, perceberam a demora absurda de Zezinho)

Cecília: Ehhh!!! Zezinho está demorando.

Talita: Qual é, minha amiguinha! Deixa o menino!

Zeca: O pior que ele está demorando mesmo, Cecília.

Cecília: Ajude-me a procurá-lo, gente.

Zeca: Pode deixar que eu te ajudo. (levantando).

Talita: Eu não vou. Prefiro ficar aqui esperando a sair por ai.

Cecília: Vamos Zeca! Deixa ela aqui sozinha! (levantando e pegando no braço de Zeca).

Talita: Prefiro ficar só mesmo.

Zeca: Vamos logo, Cecília. (olhando para todos os lados da floresta, saindo de cena, pelo lado esquerdo)

(Talita fica sozinha. Só que ela ouve um lobo uivar)

Talita: (levanta e sai correndo, também saindo de cena, em direção aos seus amigos). Espera gente! Ui, que medo! Espera ai, Cecília, que eu também vou.

(Nesse momento, os meninos saem pela esquerda, entram pelo lado direito as ajudantes da bruxa: Micuinha e Zigora)

Micuinha: Vamos, Zigora. Traz logo esses ingredientes! (Entra com o caldeirão de bruxaria)

Zigora: Calma, Micuinha! Não vê que este saco está muito pesado! (Entra com o saco cheio de mocofaias).

Micuinha: Pesado está é esse caldeirão com água. (Depois de um minuto de silêncio... ). Esse lugar ta muito bom para as bruxarias de Zeda. Não acha, Zigora?

Zigora: (colocando o saco no chão, demonstrando cansaço). Também acho. Ela vai adorar fazer a sua bruxaria no meio dessa floresta sombria.

Micuinha: Olha... olha... Será alguma macumba?! (Aponta o dedo indicador, com uma unha enorme, para as cestas de comida e brinquedos que as crianças deixaram ali, para procurar Zezinho).

Zigora: Mesmo... Que macumba, hem! (admirada). É macumba de encruzilhada, ainda!

Micuinha: Mesmo... (olhando pra todos os lados da floresta) ...que macumba de encruzilhada, o quê? (descordando). Onde já se viu encruzilhada numa floresta dessa? Ta besta é?

Zigora: O que isto, então?

Micuinha: Isso aqui, é aquilo que os humanos chamam de piquenique.

Zigora: (rodando envolta das coisas e coçando a cabeça) É... É... mesmo!

Micuinha: Agora como já sabemos o que é! Vamos preparar o feitiço. Porque Zeda deve estar para chegar com algum prisioneiro pra esta noite.

(Micuinha e Zigora começam a arrumar a feitiçaria)

Micuinha: Zigora! Pega aqueles ingredientes que mandei você trazer.

Zigora: Ta bom! É pra já! (dá uma risada e engasgando em seguida) (Pega as mocofaias no saco e leva para perto do caldeirão)

Micuinha: Isso, Zigora! Já aprendeu muita coisa com agente, hem!

Zigora: Ainda bem!

Micuinha: Vamos começar... passa a asa de morcego!

Zigora: É pra já!

Micuinha: Ovos de urubu preto!

Zigora: (coça a cabeça devido a dúvida que tinha) Aaah!!! Está aqui!

Micuinha: Me dê... Não, Zigora! Isso são ovos de macaco branco. Mente fraca. Agora... cabelos de cobra verde!

Zigora: Toma... Mas... Mas... pra que serve essa receita de hoje?

Micuinha: (risada) Essa receita serve para o novo prisioneiro de Zeda, esta noite.

Zigora: Isto eu sei!

Micuinha: (risada sem graça) Então, porque pergunta sua besta?

Zigora: Eu... Eu quero saber o efeito que isso faz? (Olhando para o líquido dentro do caldeirão, tomando a colher da mão de Micuinha e mexendo a feitiçaria)

Micuinha: (inspirando a fumaça que sai do caldeirão) O prisioneiro deve desta noite deve ter 7 anos de idade. E ao beber este líquido, o seu sangue vai ficar preto. E minutos depois nossa querida chefe, Zeda, vai tirar todo seu sangue e vai beber, fornecendo para muitas outras bruxas espalhadas pelo mundo.

Zigora: Que gosto tem este sangue?

Micuinha: É valorizado não é por causa do gosto, não! É por causa do seu poder!

Zigora: Que poder é este?

Micuinha: Aaah!!! (risada maléfica) Esse sangue fortalece as bruxas, podendo fazer bruxaria até durante o dia, é mole? (risada)

Zigora: É duro! (fala tristemente)

Micuinha: (toda sem graça) É duro... por quê?

Zigora: (descontente) É duro arranjar um menino de 7 anos de idade.

Micuinha: Aaaah!!! Bom... você sabe que pra Zeda nada é impossível!

Zigora: Isso é verdade.

Micuinha: Vamos continuar com a preparação da bruxaria. Passa... Passa o pó-de-esqueleto de professora burra em Matemática.

Zigora: Toma, acho que é este...

(Nesse momento aparece a bruxa-chefe, Zeda)

Zeda: Ahh!!! Aaaah!!! (risada maléfica) Meninas! Meninas!

Zigora e Micuinha: Oiiii!!! Aaah!!! (risadas)

Zeda: Vocês parecem estar mais malvadas esta noite?! Parabéns!

Micuinha: E parece que a senhora suprema está mais alegre esta noite?! Matou alguém com seu terrível amargo cuspe?!

Zeda: Não, infelizmente não! Foi melhor!

Zigora: Por que melhor?! Qual o motivo da felicidade?!

Zeda: Arranjei um prisioneiro para esta noite!

Micuinha: Não acredito!

Zeda: E foi uma criança de 7 anos.

Zigora: Essa mulher é o símbolo de todas as mulheres!

Zeda: (nervosa) Eu... Eu... sou o quê?

Zigora: (desculpando-se) Nada, não!

Micuinha: Ela quis dizer... “As bruxas de todas as bruxas”.

Zeda: Assim, sim... Já preparam o que mandei fazer?

Zigora: Já, e como!

Micuinha: Já mesmo! Só falta colocar um fio de cabelo de bruxa malvada. (Vai e tira um fio de cabelo da cabeça de Zeda)

Zeda: Aaah!!! Aaaah!!! (grita de dor, depois, colocando a mão na boca por ter ficado envergonha com sua covardia)

Micuinha: (coloca o fio no caldeirão e menciona algumas palavras) Agora está pronto. (Bate uma mão na outra)

Zeda: Ainda bem! Vou buscar o prisioneiro!

Zigora: Somos as melhores ajudantes de bruxa do mundo!

Micuinha: Disso eu já sei! Vamos fazer aquele ritual de sempre. (Elas começam a rodar envolta do caldeirão e logo em seguida são interrompidas por Zeda)

Zeda: Olha... Olha... Olha, Meninas! Uma surpresa! Esse é o nosso prisioneiro desta noite!

(Zigora e Micuinha para de fazer o ritual e olham de boca aberta para o prisioneiro que Zeda tinha trazido)

Zigora e Micuinha: Olha que beleza de criança! (encostando-se à criança)

(A criança tenta sair das cordas e começar a chorar quando as ajudantes da bruxa encostam. A criança prisioneira, em questão, é Zezinho, irmão de Cecília)

Zezinho: Solte-me coisa feia.

Zeda: Coloca o líquido do caldeirão no copo, enquanto faço aquele feitiço para adormecer crianças à noite.

Zezinho: Solte-me rosto de cobra verde! (chorando)

Zeda: (fala palavras esquisitas) Ticabim – ticabum, ticabum – ticabim... faz essa criança adormecer como um cupim.

Zezinho: (fala adormecendo) Solte-me... Solte-me... (Zeda pega Zezinho e o coloca amarrado próximo a uma das árvores)

Zeda: Já está pronta o líquido, Micuinha?!

Micuinha: Já e como! Toma...

(Nesse momento, chega Zeca e Cecília)

Cecília: Deixa o meu irmão, sua bruxa!

Zeda: Obrigado pelo elogio!

Zeca: Meu Deus! É a bruxa Zeda!

Cecília: Que Zeda é essa?

Zeca: Aquela que pega um menino toda noite, para servir de cobaia para os seus feitiços.

Cecília: Por que você não me disse isso antes?! Não teria vindo para esse lugar sombrio.

Zigora: Esse foi seu destino, queridinha!

Cecília: (nervosa) Cala sua boca feiúra! (Zigora fica com medo da grosseria de Cecília e se esconde atrás de Micuinha)

Zeda: (começa falar palavras estranhas) Batatum...

Zeca: Meu Deus! É bruxaria pra nos adormecer!

Cecília: Que adormecer... qual é nada! (Zeda continua)

Zeca: Feche os ouvidos, Cecília.

Cecília: Eu não. Não tenho um pingo de medo disso!

(Zeca e Cecília ficam paralisados devido a bruxaria de Zeda)

Zigora: Está forte, hem, Zeda?!

Zeda: Como sempre!

Micuinha: Senhora – chefe – suprema Zeda, dá esse líquido logo esse pestinha.

Zeda: Chegou sua vez, filho de serpente!

Zezinho: (já acordando) Larga-me. Por favor! (chorando) Alguém me saaaalva! (gritando)

(Nesse mesmo instante, chega Talita)

Talita: O que é Zezinho?

Zezinho: Essa bruxa quer me matar!

Talita: É a bruxa Zeda!

Zeda: (levanta e desfila rebolando) Isso mesmo, em pessoa! (dá uma risada maléfica e toma sua posição anterior)

Micuinha: Zeda, deixa que eu pego com muito cuidado essa bonequinha de louça, pra senhora! (fala ironicamente)

Talita: Sai de perto de mim, feiúra! (cruzando os braços)

(Zigora interrompe o serviço de Micuinha)

Zigora: Eu que vou acabar com essa “bonequinha” . Deixa comigo, Micuinha!

(Então, Talita dá uma volta correndo no palco e sai de cena correndo. E as bruxinhas atrás).

Zeda: Não me deixa sozinha! Suas incompetentes.

Zezinho: Larga-me!

Zeda: Beba... Beba... Anda, porque senão não vai ganhar bala-doce!

Zezinho: Não, não, não... ! (chorando e acaba bebendo o líquido, adormecendo em seguida)

(Cecília e Zeca sai da posição em que se encontravam, pois tinha passado o efeito do feitiço. Cecília encosta no seu irmão juntamente com Zeca. Nisso, Zeda afasta)

Cecília: (chorando) Zezinho! Zezinho!

Zeda: (dá uma risada) Dê adeus ao seu irmão, queridinha. Ele não pertence a esse mundo mais!

Cecília: O que está dizendo sua cobra assassina?!

Zeda: Ele morreu (risada). Não toque muito nele, o sangue dele é muito precioso para mim. O sangue dele é meu.

Cecília: Sua... sua... sua... (soluçando)

(Zezinho acorda e menciona algumas palavras ainda meio sonolentas)

Zezinho: Sua cobra! Você ia nascer cobra, mas como criou perna... virou bruxa.

Cecília e Zeca: (juntos) Zezinho?!

Zeda: Como pode! Porque não morreu? Bicho atrevido!

Zezinho: Senão morri é porque estou vivo. (ironicamente)

Zeda: (começar a dizer algumas palavras estranhas)

Cecília: Quem vai morrer agora é você, sua bruxa. (pega um pouco do líquido no caldeirão de bruxaria)

Zeda: (pára de dizer as palavras estranhas) Não, não ,não faça isso!

Cecília: Fala pra mim o que isso faz com as bruxas? Senão eu jogo isso em você!

Zeda: Só dá resultado em meninos de 7 anos. (fala com medo)

Zeca: Então, por que não deu certo essa bruxaria em Zezinho?!

Zeda: Porque o feitiço ficou fraco! Aquelas minhas ajudantes não sabem fazer nada mesmo!

Cecília: (risada) Simplesmente, Zeca! Não deu certo isso em Zezinho, poque o meu irmão não tem 7 anos e sim 9 anos de idade!

Zeda: Senti em sua pele o cheiro dos 7 anos de idade!

Cecília: Pois seu narigão está mau, queridinha! Continua monstrenga... o que isso faz com as bruxas? (Olhando para o copo que está em sua mão)

Zeda: Não... nada... (interrompida por Zigora, a bruxa inexperiente, que entra em cena com Talita amarrada numa corda sendo segura por Micuinha)
Zigora: As bruxas, ou as pessoas que fazem o mal, ficam paralisados como pedras ao beberem este líquido... (encosta em Zeda falando isso. Só que Zeda fica nervosa e tapa a boca de Zigora)

Zeda: Feche essa matraca, mula!

Cecília: Então, tome isto!

Zeda e Zigora: Não. Não faça isso. Por favor. (Cecília joga o líquido e elas ficam paralisadas. Então, Micuinha encosta em Zeda e Zigora)

Zeca: Vou fazer isso com você agora também! Vai virar pedra! (pega um pouco de líquido no caldeirão e ameaça Micuinha. Só que elas sai correndo, saindo de cena)

Zezinho: (grita) Não deixa ela escapar. Corre, pega!

Cecília: Não! Deixa ela, coitada! Sozinha não fazer nenhuma maldade. Pode deixar.

Talita: É mesmo... Agora me solta, não é gente?!

Zeca: Desculpe-me Talita!

(Tira as cordas de Talita e por um instante riem, enquanto uma música animada passa)

Cecília: É gente! Vamos embora! Meu coração já sofreu por demais, hoje!

Zezinho: Mesmo Ceci!

Zeca: Eu sei disso!

Talita: (arrumando as coisas) Meu coração quase derrete quando aquelas bruxinhas malvadas correram atrás de mim!

Zeca: (ajudando Talita arrumar as coisas) Nunca mais vou programar um passeio assim. Só depois de pensar três vezes antes de cumpri-lo. (todos saindo de cena)

Talita, Ccecilia e Zezinho: (juntos) Eu também!

(Pano)
Autor: Ediênio V. Farias.

Ibiassucê/BA

Professor

edibce@hotmail.com



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