O mundo de nekudim



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Encontro19.04.2018
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O MUNDO DE NEKUDIM

Para alguém que está sendo recém introduzido na Cabala, a nova terminologia pode ser um tanto complicada, mas há uma razão para isso. Os termos Cabalísticos foram mantidos para os leitores que desejarem prosseguir nos estudos. Se começarmos a usar os termos agora, os esforços futuros serão muito mais frutíferos, e isso nos poupará tempo. Vamos começar a lição 4 com uma breve revisão do que aprendemos.

A Luz inicialmente emanada do Criador na fase 0, Keter, é o desejo de dar prazer. Esta é a fase inicial (da raiz) do processo da Criação. Alguém pode pensar nesta fase como algo potencial (em potência), semelhante ao pensamento de construir uma casa. A casa existe potencialmente em sua mente. Esta Luz produz a substância inicial que um dia será a Criação, denominada “o desejo de receber prazer”. A criação do desejo de receber é chamada Fase 1, Hochma. É como a construção de um Vaso e o preenchimento desse Vaso com prazer.

Depois que o Vaso é preenchido com a Luz, ele não sente apenas o prazer, mas também o atributo do Doador. Esse atributo do Doador é o desejo de doar. Ao desejar não apenas receber, mas também se relacionar com o Doador, o Vaso adota este atributo. Este desejo de doar prazer incessantemente corresponde à fase 2, Bina.

A criatura tem um problema aqui: ela simplesmente não tem nada para dar. Mas ela também entende que há uma maneira de dar prazer ao Doador se ela aceitar somente uma parte da Luz em benefício do Doador. Essa compreensão conduz à Fase 3, Zeir Anpin. Agora, a nossa criatura tem duas propriedades: doação e recepção.

O que realmente aconteceu aqui? A criatura percebeu dois tipos de prazer. Mas nesta fase, ela sente que receber é melhor do que doar. Este era seu atributo natural, a natureza inicial que ela teve na Fase 1, Hochma. Em seguida, a criatura toma a decisão de receber toda a Luz, para ser completamente preenchida. A diferença entre esta nova Fase 4, Malchut, e a Fase 1, Hochma, é que ela tomou esta decisão sozinha. Na fase 1, o Criador controlava tudo.

Na verdade, nas primeiras três fases da Criação (não contando a Fase 0, a fase da raiz), a nossa criatura não é exatamente uma criatura. Ela é mais uma criatura em potencial. Somente na última Fase, chamada Malchut do Mundo de Ein Sof (Infinidade), é que a criatura pode ser considerada realmente uma entidade separada do Criador. A chave para esta mudança de estado ocorreu quando a criatura tomou sua própria decisão independente.

O processo da Criação entrou agora na quarta fase, chamada Malchut do Mundo de Ein Sof, a única e verdadeira Criação. Ela combina as duas condições: 1º) ela sabe com antecedência o que deseja, e 2º) como resultado dos dos dois estados, escolhe receber. O que a Criação realmente faz é desenvolver uma noção de si mesma. Ela conhece o atributo do Criador, e agora conhece os seus.

A diferença entre a Fase 1 e a Fase 4 pode parecer pequena, mas é fundamental, e terá efeitos imensos e de longo alcance a partir da Fase 4. O fato da criatura ter tomado uma decisão independente de aceitar todo o prazer para si, e ser preenchida completamente com a Luz, causa um incrível sentimento de vergonha. Esse sentimento de vergonha é a diferença entre o que a criatura sente como sua própria natureza, e a natureza do Criador. Por que isto não aconteceu na Fase 1? Porque a criatura não tinha nenhum desejo independente de receber prazer; ela foi simplesmente preenchida pelo Doador. Ela não tinha como comparar a diferença entre as suas propriedades.

Este sentimento de intensa vergonha leva novamente a criatura a tomar a decisão de assemelhar-se ao Criador. Agora, ocorre a Primeira Restrição, o Tzimtzum Aleph. É importante compreender que esta restrição não foi feita no desejo de receber prazer, mas na intenção de receber prazer egoísta. Na Fase 1, a criatura simplesmente parou de receber. Aqui, a Primeira Restrição significa que a criatura pode certamente receber prazer, mas não para si mesma.

O resultado final é que ela pode receber prazer, mas somente até o ponto em que recebe para o benefício do Doador. Isso significa que é a força da sua intenção que regula se ela receberá ou não. Se a intenção for fraca, ela mal receberá a Luz. Contudo, se ela tiver uma intenção forte de não receber para si, ela poderá ser preenchida até o nível onde a intenção já não pode ser sustentada.

Nós percebemos que a recepção da Luz somente com a intenção de beneficiar outra pessoa é como doar. É isso que separa o nosso mundo do mundo espiritual. Lá, tudo é definido pela intenção, não pela ação. Aqui é exatamente o oposto. Também é importante notar que na espiritualidade não há meio termo. A Primeira Restrição significa que a criatura nunca receberá prazer para si. A Primeira Restrição tornou-se uma lei e é impossível violá-la.

A tarefa primordial de um ser criado é neutralizar o desejo de receber prazer para si. O primeiro ser criado, a criatura na Fase 4, conhecida como Malchut, mostra como receber prazer de toda a Luz do Criador. Mas a Primeira Restrição significa que tudo aquilo que preencher Malchut jamais será recebido como prazer para seu próprio benefício. Veremos como este princípio pode ser implantado.

Após a Primeira Restrição, você pode pensar em Malchut como um Vaso com uma tampa. Agora, essa tampa é substituída por uma tela, que afasta toda a Luz que entra. Este primeiro ato acontece todas as vezes, e cada parte da Luz é rejeitada. Dentro de Malchut, há um enorme desejo de receber essa Luz. Em outras palavras, Malchut inicialmente coloca uma tela acima do seu egoísmo, afastando toda a Luz que entra. Sim, ela consegue afastar todo o prazer e não se deleita nele.

Mas ainda há um problema. O Kli (Vaso) está separado da Luz. Portanto, como podemos alcançar uma situação onde o prazer não seja simplesmente afastado, mas alguma parte dele seja recebido em benefício do Criador? Para que isto ocorra, a Luz refletida pela tela (Ohr Hozer) deve, de algum modo, revestir a Luz Direta (Ohr Yashar), e juntas elas entrarão no Kli, o desejo de receber. Podemos imaginar a tela como um tipo de válvula, abrindo apenas sob uma determinada condição. Em nosso caso, essa condição é aceitar a Luz apenas para dar prazer ao Criador.

A Ohr Hozer serve como a condição anti-egoísta, a tela que aceita e permite a entrada da Ohr Yashar, o prazer, mas somente se estiver recebendo em benefício do Criador. A Ohr Hozer age como uma intenção altruísta. Antes de captar estes dois tipos de Luz, foi realizado um cálculo na Rosh, a parte a alma que calcula. Qual a quantidade de Luz que pode ser recebida em benefício do Criador? Esta quantidade é transmitida ao Toch.

O primeiro Partzuf pode receber, por exemplo, 20% da Luz, de acordo com o poder de sua tela. Esta Luz é chamada de Luz Interna - Ohr Pnimi. A parte da Luz que não entrou no Kli permanece fora e se chama Luz Circundante (Ohr Makif). A recepção inicial de 20% da Luz é chamada de Partzuf Galgalta.

Depois da pressão das duas Luzes (Ohr Makif e Ohr Pnimi) sobre a Tela no Tabur, o Partzuf expulsa toda a Luz. Então, a tela move-se gradualmente para cima, do Tabur à Peh, perdendo seu poder anti-egoísta e alcançando o nível da tela na Peh de Rosh.

É muito importante lembrar que nada desaparece no mundo espiritual; cada ação consecutiva inclui a anterior. Assim, os 20% de Luz recebidos da Peh ao Tabur permanecem no estado anterior do Partzuf.

Mais tarde, vendo que não consegue controlar os 20% de Luz, o Partzuf decide captar novamente a Luz. Desta vez ele não capta 20% da Luz, mas somente 15%. Para isso, ele deve rebaixar sua tela do nível de Peh ao nível do Chazeh do Partzuf Galgalta, movendo-se para um nível espiritual mais inferior.

Se no princípio o seu nível era definido pelas Reshimot: Hitlabshut de nível 4 e Aviut de nível 4, agora é apenas 4 e 3, respectivamente. A Luz entra da mesma maneira e forma um novo Partzuf: AB. O destino do novo Partzuf é o mesmo; ele também afasta a Luz. Seguindo nesta seqüência, o terceiro Partzuf, SAG, extende-se, e após ele, MA e BON.

Todos os cinco Partzufim preenchem Galgalta de sua Peh ao Tabur. O mundo que eles formam é chamado de Adam Kadmon. Galgalta é similar à Fase 0 (Keter), pois embora receba do Criador ela dá tudo o que pode. AB recebe uma parte menor para o benefício do Criador, e é chamada de Hochma (Fase 1). SAG trabalha somente para a doação e é chamada Bina (Fase 2). MA é similar a Zeir Anpin (Fase 3), e BON corresponde à Malchut, Fase 4.



SAG, tendo as propriedades de Bina (querer somente dar), é capaz de se estender sob o Tabur, e encher a parte mais inferior de Galgalta com a Luz de Hassadim. Assim, abaixo do Tabur, com exceção dos desejos vazios, permanecem os prazeres induzidos pela similaridade com o criador.

Tudo isto acontece porque NHY (Sefirot: Netzah, Hod e Yesod), a parte de Galgalta abaixo do Tabur, recusou captar a Luz de Hochma. Lembre-se que esta é a Luz da Recepção. Elas apreciam a Luz de Hassadim, o prazer da similaridade com o Criador, a doação.

O sub-Partzuf Nekudot de SAG tem Aviut Bet, e pode desfrutar a partir da doação da Luz somente neste nível. O NHY já não pode resistir ao prazer do nível Dalet; além disso, ele começará a receber a Luz o seu benefício.

Normalmente, o NHY deve ser capaz de receber, mas Malchut, na parte mais inferior de Galgalta (Sium), ascende até a metade de Tiferet do Partzuf Nekudot de SAG e forma um novo Sium (Conclusão). Esta é restrição da Luz, chamada Parsa, abaixo da qual a Luz não pode ir. Com esta ação, Malchut faz a Segunda Restrição na disseminação da Luz, chamada Tzimtzum Bet, por analogia à primeira.

Para dar um exemplo de nossa vida diária: imagine um homem de boas maneiras que nunca roubaria até a quantia de 1000 reais. Entretanto, se 10.000 reais fossem colocados diante dele, sua educação poderia não “funcionar”, pois neste caso, a tentação, o prazer esperado, é muito forte de ser resistido.

O Tzimtzum Bet é a continuação do Tzimtzum Aleph, porém nos Vasos de recepção, os Kelim de Cabala. Estes são os Vasos abaixo do Tabur, com o desejo do nível mais forte – nível 4. É interessante notar que no Partzuf Nekudot de SAG, o Partzuf, que é altruísta por natureza, revelou suas propriedades egoístas; imediatamente, Malchut, ascendendo, cobre-o e forma uma linha, chamada Parsa, para limitar a disseminação descendente da Luz.

A Rosh do Partzuf SAG, como toda Cabeça, consiste de cinco Sefirot: Keter, Hochma, Bina, Zeir Anpin e Malchut. Estas, por sua vez, são divididas em Kelim de Hashpa' a (Vasos de Doação -- Keter, Hochma e metade de Bina) e Kelim de Cabala (Vasos de recepção--do meio de Bina à Malchut).

Os Kelim de Hashpa'a (Vasos de Doação) também são chamados de Galgalta ve Eynaim (GE). Os Kelim de Cabala (Vasos de recepção) são Auzen, Hotem, e Peh: AHP (pronunciado arrap). A restrição de Tzimtzum Bet significa que a partir deste ponto em diante, um Partzuf não deve ativar nenhum Vaso de recepção. É proibido usar o AHP; assim decididiu Malchut, quando se elevou até o meio de Tiferet.

Depois do Tzimtzum Bet, todas as Reshimot movem-se até Rosh de SAG, pedindo para formar um Partzuf exclusivamente no nível dos Vasos de doação. Isto permite que o Partzuf receba alguma Luz do contato com o Criador.

Isto significa que agora a tela não deve ser localizada na Peh da Rosh, mas na Nikvey Eynaim da Rosh, a parte que corresponde à linha do Parsa no meio de Tiferet no Guf. Cada parte do Partzuf (Rosh, Toch e Sof) tem cinco níveis de Keter, Hochma, Bina, Zeir Anpin e Malchut. O Nikvey Eynaim, que é a metade de Tifferet na Rosh, corresponde à metade de Tifferet no Guf. Você se lembra de Gar de Bina e Zat de Bina?

Após um Zivug (acoplamento, união) na Rosh de SAG, um Partzuf emergirá a partir deste ponto, e disseminará abaixo do Tabur até o Parsa, naquele local que Malchut elevou-se na Segunda Restrição. O novo Partzuf, que se expande abaixo do Tabur até o Parsa, reveste o Partzuf anterior (Nekudot de SAG), mas apenas em sua parte superior, Gar de Bina (Kelim altruístas), os Vasos de doação.

O nome do novo Partzuf é Katnut de Olam Nekudim (Pequenez do Mundo de Nekudim). Este Partzuf surge no nível das Reshimot restritas de Bet-Aleph (2,1). Na realidade, nos cinco mundos mencionados previamente (Adam Kadmon, Atzilut, Beria, Yetzira e Assiya), tal mundo não existe.

Durante a existência deste mundo, as Sefirot Keter, Hochma, Bina, Hesed, Gevura e um terço de Tiferet (o terço superior) são divididas em dez e têm os nomes habituais. Além disso, há nomes especiais para as Sefirot Hochma e Bina: Abba ve Ima (Pai e Mãe), e também para as Sefirot Zeir Anpin e Malchut: Zeir Anpin e Nukva (Fêmea). Ao falar de Zeir Anpin e Nukva juntos, eles são chamados de ZON. Estes nomes adicionais designam que estas partes são do mundo de Nekudim.

Depois do Zivug de Hakaa no Nikvey Eynaim em Rosh de SAG, a pedido das Reshimot do Partzuf inferior, SAG executa um segundo Zivug nas Reshimot de Gadlut (Grandeza) na Peh de Rosh. Em outras palavras, SAG executa um Zivug no nível 4 do desejo, o nível o mais forte.

O que realmente aconteceu? Lembre-se que Zivug é um acoplamento (união) da Reshimo. A Nikvey Eynaim é a linha divisora entre a parte de doação pura e a parte dos Vasos que receberão, mas apenas com o propósito da doação na Rosh. Portanto, a primeira coisa que acontece é um Zivug no que chamamos Katnut – apenas nos Vasos de doação. O segundo Zivug é na grandeza, ou em todos os Vasos na Rosh, tanto para doação e Vasos quanto receberão para doar.

À medida que ocorre este segundo Zivug, uma grande Luz começa a se propagar a partir de SAG e tenta descer abaixo do Parsa, onde estão os desejos mais fortes. O Partzuf Nekudim tem certeza absoluta que será capaz de receber a Luz em benefício do Criador, e que tem força suficiente para isso, apesar do Tzimtzum Bet. Porém, no momento em que a Luz toca o Parsa, ocorre o Shevirat ha Kelim (Quebra dos Vasos), porque fica claro que o Partzuf quer receber prazer somente para si. Imediatamente, a Luz sai do Partzuf, e todos os Vasos, mesmo aqueles acima do Parsa, são quebrados.

Assim, a partir do desejo do Partzuf de usar os Vasos de recepção em benefício do Criador, para formar o Mundo de Nekudim em Gadlut, usando todos os dez Kelim, ocorreu a quebra de todas as suas tela-intenções. No Guf do Partzuf Nekudim, isto é, em ZON, acima do Parsa (Hesed, Gevura, Tiferet) e abaixo do Parsa (Netzah, Hod, Yesod e Malchut), existem oito Sefirot. Cada uma delas consiste de quatro fases (além da fase zero). Estas, por sua vez, carregam dez Sefirot, o que dá um total de 320 Vasos (4 x 8 x 10), que foram quebrados.

Dos 320 Vasos quebrados, somente Malchut não pode ser corrigida, e isto representa 32 partes (4 x 8). As 288 partes restantes (320 - 32) podem ser corrigidas. Essas 32 partes são chamadas Lev ha Even (literalmente, Coração de Pedra). Estas só serão corrigidas pelo próprio Criador na época do Gmar Tikkun (Fim da Correção).



Os desejos altruístas e egoístas foram ao mesmo tempo separados e misturados. Como conseqüência, cada elemento dos Vasos quebrados consiste de 288 partes que são apropriadas para a correção, e 32 que não são. Agora, a realização do objetivo da Criação depende somente da correção do Mundo de Nekudim, que foi quebrado. Se tivermos êxito em nossa tarefa, a Fase Dalet será preenchida com a Luz. O Olam ha Tikkun (Mundo da Correção) foi criado para construir um sistema coerente, que corrigirá os Kelim do Mundo de Nekudim.

Este novo mundo é também chamado de Mundo da Emanação (Olam Atzilut, em hebraico).



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