O lema que nos conduz



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Encontro24.06.2017
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  1. Pórtico

O Plano Diocesano de Pastoral 2015-2020, que há um ano apresentamos à Diocese, desenvolve-se e desdobra-se em cinco etapas, ao ritmo de cada ano pastoral. Nas metas traçadas, nos objetivos definidos, nos caminhos propostos e nas atividades programadas espelha-se a consciência da Igreja que somos no Porto e projeta-se o horizonte temporal do trabalho eclesial que nos propomos realizar e do caminho sinodal que desejamos percorrer.
Somos conduzidos neste caminho pelo amor misericordioso de Deus em cada passo dado, em cada meta proposta, em cada objetivo procurado. Vemos este amor de Deus em Cristo, Seu Filho e rosto da misericórdia do Pai, e sabemo-nos animados pelo Espírito Santo, alma da Igreja.
O lema que nos conduz “A alegria do Evangelho é a nossa missão”, constitui a força inspiradora da programação pastoral e a matriz unificadora da calendarização pastoral ao longo de todo o quinquénio. Esta certeza de missão reforça o nosso vínculo à Palavra de Deus e à Boa Nova de Jesus, que diariamente nos convoca para proclamar as bem-aventuranças e para realizar as obras de misericórdia com alegria! Sentimos que este é um tempo propício e oportuno para o anúncio do Evangelho.
Neste paradigma de missão e neste programa de ação pastoral traduzimos a Palavra de Deus e o Evangelho de Jesus para o nosso tempo humano e para o nosso espaço cultural e social. Encontramos no magistério da Igreja, concretamente nos documentos conciliares e na vida, nas palavras e nos gestos do Papa Francisco orientações, instrumentos e contributos indispensáveis para a nossa missão.
Acompanham-nos ao longo deste Plano quinquenal a Exortação Evangelii Gaudium, que o Papa Francisco apresentou como texto paradigmático do seu ministério e programático da sua missão. Juntamos a este texto inspirador a encíclica Laudato si’ e a mais recente Exortação Apostólica Amoris Laetitia sobre o amor na família.
Temos consciência de que são imensos os desafios de iniciação e de formação cristã que temos pela frente, sobretudo no âmbito da catequese e do catecumenato, e que são amplos e interpeladores os horizontes novos de presença transformadora e de intervenção ativa dos cristãos no mundo, particularmente no campo da família, da educação, da cultura e da ação social.
Um Plano Diocesano de Pastoral é um percurso e um processo de um longo e abençoado caminho, feito em Igreja. Nunca deve ser olhado e entendido como um produto acabado, uma receita eficaz ou um resultado antecipadamente adquirido.
Na planificação pastoral diocesana importa que todos compreendamos que o tempo é sempre maior do que o espaço: o nosso tempo e o tempo da Igreja; o nosso espaço e o espaço onde a Igreja diariamente se constrói. Mas porque o lugar também faz a missão, enraizados nos nossos espaços humanos, físicos, culturais e territoriais devemos olhar para além deles e devemos unir-nos em redes de trabalho e de comunhão paroquial, interparoquial, vicarial e diocesana.
Só na comunhão afetiva e efetiva da Igreja veremos o que Deus nos pede e receberemos em abundância os dons que Deus tem oferecido à Igreja do Porto.
Seria um erro reduzir o Plano Diocesano de Pastoral a uma metodologia pastoral, mesmo que ancorada em experimentadas pedagogias de práxis pastoral. O Plano Diocesano de Pastoral vai mais longe ao procurar, desde a sua conceção à elaboração, à execução e à avaliação delinear o rosto da Igreja: na colegialidade que expressa, na corresponsabilidade que afirma, na comunhão que revela e na unidade que constrói.
Este rosto da Igreja, vivificada pelo Espírito de Deus, alimentada pela Palavra e fortalecida pelos Sacramentos, mostra ao Mundo a beleza da fé, a força da esperança e a ousadia da caridade – que são os valores e as virtudes que o Mundo mais procura na Igreja e mais direito tem a encontrar em nós, cristãos.
O Plano Diocesano de Pastoral deve assumir os desafios humanos, acolher as intuições pastorais, multiplicar as bênçãos divinas, partilhar as preocupações, ocupações e atenções de todos os agentes de pastoral e exprimir as alegrias e as esperanças de todos nós.
O Plano Diocesano de Pastoral não é um mero programa nem se concretiza por decreto. A sua autoridade intrínseca vem-lhe da procura incessante do sonho de Deus para a sua Igreja e recebe-a do múnus pastoral que aos bispos cumpre para conduzir a Igreja, com coração de pastores segundo o coração de Cristo, o Bom Pastor.
O Plano Diocesano de Pastoral só ganhará esta autoridade quando nele se manifestar com clareza o nosso amor pela Igreja. O Plano de Pastoral da nossa Diocese constitui, por isso, necessariamente um sinal muito belo do amor de Deus pela Igreja do Porto e do compromisso generoso de leigos, consagrados (as), diáconos, presbíteros e bispos, disponíveis e prontos para a missão.
É deste amor de Deus pela Igreja do Porto que nos fala este Plano de Pastoral, que agora apresentamos à Diocese. Um dos valores primeiros do trabalho pastoral que neste Plano Diocesano de Pastoral se anuncia está na abertura de alma de cada um de nós, das comunidades, estruturas e serviços, movimentos e obras, instituições e grupos ao amor misericordioso de Deus por nós, acolhido, celebrado, vivido e testemunhado em Igreja.
Cumpre-nos continuar, na etapa pastoral que agora começa, a caminhada feita em 2015/2016, centrados no Ano Jubilar da Misericórdia, proclamando: “Felizes os misericordiosos” e “praticando as obras de misericórdia, com alegria!”
Estamos certos de que este Ano Jubilar, vivido com grande acolhimento e encanto encontrou uma salutar receção nos cristãos e no Mundo e os seus frutos perdurarão no tempo.
A Igreja deve prosseguir os caminhos que o Papa Francisco diariamente nos abre e nos convida a percorrer. Deve procurar sempre que a misericórdia divina lhe modele o coração, para que seja uma Igreja de rosto terno e de coração materno e nos ensine e eduque a sermos “misericordiosos como o Pai”.
Recebemos, de 10 de abril a 1 de maio, a visita da Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima que percorreu os caminhos da nossa Diocese. Se por um lado vimos que ninguém no Porto ficou indiferente à presença da Virgem Peregrina, sabemos também que Ela levou, no seu coração de Mãe, esta Igreja do Porto, sentiu a alma mariana das suas gentes e abriu-nos sendas novas de evangelização e de missão.
Em sintonia com a celebração do centenário das aparições de Nossa Senhora em Fátima aos pastorinhos Francisco, Lúcia e Jacinta, e na perspetiva da visita do Papa Francisco a Fátima e a Portugal, no próximo mês de maio, voltamo-nos agora para Maria, Mãe de Deus e nossa Mãe. Ela é a Virgem Peregrina, a Mãe de ternura e a Senhora da Mensagem que nos impele para uma pastoral de proximidade e de acolhimento, nos guia em todos os caminhos de missão, nos conforta e consola nas aflições, nos fortalece na comunhão, nos guia para as fontes da alegria, onde a Igreja se renova em missão.
Que Nossa Senhora, Mãe de Deus, a Senhora mais brilhante do que o sol, que há 100 anos nos trouxe, em Fátima, uma mensagem de ternura, de graça, de misericórdia e de paz, nos ilumine e nos guie para que “com Maria, a Igreja do Porto se renove nas fontes da alegria!”.
Porto, 10 de julho, dia das ordenações de presbíteros e diáconos, de 2016
D. António Francisco dos Santos, Bispo do Porto

D. António Bessa Taipa, Bispo Auxiliar do Porto

D. Pio Alves de Sousa, Bispo Auxiliar do Porto

D. António Augusto Azevedo, Bispo Auxiliar do Porto
II. A Visita da Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima no Ano da Misericórdia: intuições e desafios para a missão
Vivemos, em toda a Diocese, de 10 de abril a 1 de maio, a graça da visita da Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima, em pleno Ano Jubilar da Misericórdia, com grande alegria, adesão e entusiasmo populares, numa inigualável e memorável participação e concentração de pessoas e instituições, numa expressiva e organizada dinâmica vicarial de corresponsabilidade pastoral, que deixaram impressões, marcas, inquietações, intuições e desafios pastorais, que importa potenciar e discernir, na confirmação que tivemos, ao vivo, de que há mesmo “um estilo mariano, na atividade evangelizadora da Igreja. Porque sempre que olhamos para Maria voltamos a acreditar na força revolucionária da ternura e do afeto” (EG, 288).
Como dissemos na nossa Saudação “Causa da nossa alegria” (04.04.2016), por ocasião desta feliz iniciativa de âmbito nacional, «Maria, Mãe de Misericórdia, não nos distrai dos acentos pastorais que temos à nossa frente. Melhor do que ninguém, Ela nos ajudará a abrir os olhos e o coração à Boa Nova de Jesus Cristo. A descobrir que “a alegria do Evangelho” é mais que uma frase: é o segredo de uma vida com sentido e é, por isso, “a nossa missão”».
Por isso, concluído este tempo de graça, que deu ao Jubileu genuína expressão feminina e materna da misericórdia divina, gostaríamos de vos propor algumas linhas de ação pastoral, que emergem da bênção desta Visita e da vivência do Ano da Misericórdia, ainda em curso, e que nos podem ajudar a delinear o caminho pastoral, dentro do nosso Plano Diocesano quinquenal.

1. A Imagem de uma Igreja em saída
Em primeiro lugar, a própria “visita” itinerante da Imagem da Virgem Peregrina, “que vai à frente, que sabe tomar a iniciativa sem medo, ir ao encontro, procurar os afastados e chegar às encruzilhadas dos caminhos” (EG, 24) torna-se, para nós, um ícone expressivo de uma «Igreja em saída» (EG, 24; 49). A relevância e eficácia missionárias da presença e da missão da Igreja, nas aldeias, vilas ou cidades, são tanto mais significativas, quanto mais a Igreja sai do seu próprio círculo de relações e serviços comunitários, para entrar em contacto com as pessoas, famílias e instituições.
Evitemos, de todo, cair na heresia de um certo eclesiocentrismo, numa Igreja preocupada em ser o centro, obcecada num emaranhado de procedimentos, de normas, de hábitos (cf. EG, 49), ou transformada “num grupo de eleitos que olham para si mesmos” (EG, 28).
Queremos ser uma Igreja «em saída» pronta a oferecer a todos a vida de Jesus Cristo (EG, 49) e a sua misericórdia. Esta «Igreja», que vimos sair à rua, sem medo de andar à chuva e de se molhar ou de se enlamear na estrada, é uma Igreja que não se confina à sacristia ou ao centro paroquial, que está de portas abertas (cf. EG, 46-47), não só para deixar entrar, mas pronta a sair, para partilhar a alegria do encontro com Cristo.
Vimos, como no meio de aldeias ou cidades, Deus está presente, nos anseios, nas lutas, alegrias e esperanças do povo. Trata-se de uma presença, que nem é preciso criar, mas pôr a descoberto e desvendar (cf. EG, 71). Este percurso pela Diocese, fez-nos compreender, de forma prática, que a realidade, seja sob que ângulo for, percebe-se sempre melhor, a partir das periferias, do que do centro.
2. A Virgem da ternura e a cultura do encontro
Em segundo lugar, a adesão popular põe em evidência a força dos afetos. “Não tenhamos medo da ternura”, diz-nos reiteradamente o Papa Francisco. Como escrevemos, na já referida Saudação, “as relações materno-filiais não têm códigos rígidos”.
A alegria incontida das pessoas, os seus gestos filiais de carinho, as suas orações espontâneas, a sua adesão intensa, sem prévia publicidade ou convocatória, sugerem-nos a promoção da cultura do encontro e uma pastoral de proximidade, de atenção concreta às pessoas, de derrube de algumas “alfândegas” (EG, 47; AL, 310) e “burocracias” que inibem, atrapalham e bloqueiam a nossa ação pastoral, que constrangem as pessoas a aproximar-se da Igreja e a integrar-se nela ativamente.
No respeito pelo Direito, importa aprender a desaprender de uma certa pastoral rígida, em que as pessoas “são catalogadas ou encerradas em afirmações demasiado rígidas, sem deixar espaço para um adequado discernimento pessoal e pastoral” (AL, 298).
Sem descurar a formação de elites, tão importante para a evangelização do nosso tecido social, económico e cultural (de que é um precioso testemunho a venerável Sílvia Cardoso) é preciso renunciar a uma pastoral de pequenas elites, que seleciona os seus destinatários, para assumir uma pastoral, que deixe falar as pessoas simples, que lhes dê voz, espaço e expressão, na vida das comunidades, para que não haja cristãos sem palavra, leigos sem voz.

Citando a afirmação recente do Papa “dizem que chegou a hora dos leigos; mas às vezes, parece que o relógio parou” (Carta ao Cardeal Marc Ouellet, Presidente da Pontifícia Comissão para a América Latina, 19.03.2016).


Dar voz e vez, à consciência dos fiéis (AL, 37; 222; 303), à participação a que têm direito e ao dever missionário de todos os batizados, deve impulsionar-nos a assumir, decididamente, a organização da corresponsabilidade pastoral, nomeadamente através da constituição, reconstituição, revitalização e atualização dos conselhos pastorais paroquiais e vicariais (PDP, p. 40).
Será utópico pensar numa dinâmica sinodal, sem que a corresponsabilidade pastoral esteja devidamente enraizada e organicamente estruturada. Isso exige uma conversão pastoral.
Quantas vezes, nos encerramos nas nossas estruturas, «nos hábitos em que nos sentimos tranquilos, enquanto lá fora há uma multidão faminta e Jesus repete-nos sem cessar: «Dai-lhes vós mesmos de comer» (Mc 6,37)» (EG, 49).
As multidões que se congregaram à volta da Imagem da Virgem Peregrina, que contam tantos e tantos fiéis que andam distantes e ausentes da vida comunitária, parecem lembrar-nos que é preciso encontrar “novo ardor, novos métodos, novas expressões” (São João Paulo II, Discurso à XIX Assembleia Plenária da CELAM, Haiti, 1983), no nosso modo novo de evangelizar, mais criativo, mais inovador, mais simples, mais popular, sem ser populista.
3. Maria, “Causa da nossa alegria”
Em terceiro lugar, esta visita é marcada por uma alegria contagiosa, difusiva, e por uma beleza, mais persuasiva do que qualquer discurso.
O Povo, reunido na alegria do encontro e da comunhão, na simplicidade dos seus cânticos e dos seus gestos de piedade, vive e afirma “a alegria do Evangelho” (EG, 84) a seu jeito e, na sua própria linguagem, professa, celebra, vive e reza a sua fé.
Precisamos todos de aprender, na evangelização, a falar a mesma língua materna (EG, 154), numa linguagem calorosa e entendível, que disponha o coração a ouvir melhor. “Esta linguagem é uma tonalidade que transmite coragem, inspiração, força, impulso(EG, 139).
Neste ano pastoral 2016-2017, deveremos insistir no esforço de conduzir o Povo de Deus às fontes da alegria, à frescura da Palavra e à seiva dos Sacramentos, onde a vida cristã se alimenta e se renova em missão. “Com Maria, renovai-vos nas fontes da alegria” (cf. Is 12,3) será o lema do próximo ano pastoral. E isso mesmo vai desafiar-nos, à imagem destes dias, a “recuperar a frescura original do Evangelho” (EG, 11), a percorrer “a via da beleza” (cf. EG, 167), na redescoberta da Liturgia, que deve pôr em comunhão o céu e a terra, envolver a pessoa, na sua inteireza, no seu corpo espiritual e no seu espírito encarnado, na luz da sua razão e no calor da sua emoção, na comunicação dos sentidos e na expressão dos afetos.
Na verdade, não esqueçamos este objetivo cimeiro de valorizar a dimensão festiva e bela da fé (PDP, p. 34), pois “a Igreja evangeliza e evangeliza-se com a beleza da liturgia, que é também celebração da atividade evangelizadora e fonte de um renovado impulso para se dar” (EG, 24).

4. A Misericórdia como princípio de ação pastoral
Esta alegria contagiosa, também se exprimiu em muitas lágrimas de dor, de sofrimento, de solidão, de desencanto, de feridas abertas nas famílias, de desespero na procura de uma terra, de um teto ou de um trabalho.
Pelo que também aqui a Imagem da Virgem Peregrina nos desafia a aprender a chorar com os que choram (Rm 12,15), a fazer da misericórdia e da compaixão o nosso princípio de atuação pastoral, tratando a todos misericordiosamente, a começar por aqueles que nos procuram (PDP, p. 31), resgatando a misericórdia de uma conceção sentimental e moralizante, sem a reduzir a um ano jubilar ou à necessária assistência caritativa, ou às obras de misericórdia, que viemos a redescobrir e a “pôr em prática, com alegria” (Rm 12,8).
Redescubramos, pois, a capacidade de cuidar, de curar feridas, de dar calor aos corações, pela aproximação, pela presença, caminhando com as pessoas pela noite fora, aprendendo a dialogar com elas, a descer até à sua obscuridade, iluminando os seus espaços mais sombrios.
Nas peregrinações e procissões de velas, lembramo-nos, tantas vezes, de que «a Igreja deve acompanhar, com atenção e solicitude, os seus filhos mais frágeis, marcados pelo amor ferido e extraviado, dando-lhes de novo confiança e esperança, como a luz do farol de um porto ou a luz de uma tocha acesa no meio do povo, para iluminar aqueles que perderam a rota ou estão no meio da tempestade» (AL, 291).

Precisamos de comunidades samaritanas, no meio de uma sociedade, que muitas vezes parece sem coração, comunidades capazes de se aproximarem e de se abrirem diante dos olhos que sofrem, sem preocupação pela sua identidade geográfica, religiosa ou legal.


5. A piedade popular como força de evangelização
Como já tínhamos afirmado na nossa Saudação, e anteriormente inscrito no nosso Plano Diocesano de Pastoral, esta iniciativa tão amplamente acolhida, em toda a Diocese, coloca em evidência a necessária valorização e evangelização da piedade popular, como “uma força de evangelização” (PDP, p. 27).
A religiosidade popular não é um género menor das manifestações de vitalidade cristã. Como nos recorda o Papa Francisco (EG, 123-125), “a piedade popular ‘traduz em si uma certa sede de Deus, que somente os pobres e os simples podem experimentar’ (…) Não coartemos nem pretendamos controlar esta força missionária” (Saudação, 04.04.2016).
Esta adesão em massa e com emoção desafia-nos a aproveitar melhor as manifestações da religiosidade popular, para fazer o primeiro anúncio, o anúncio fundamental do “amor pessoal de Deus que Se fez homem, que Se entregou a Si mesmo por nós e, vivo, oferece a sua salvação e a sua amizade” (EG, 128).
Não podemos esquecer nunca que “o primeiro anúncio ou querigma, deve ocupar o centro da atividade evangelizadora e de toda a tentativa de renovação eclesial” (EG, 164). E é tão frequente dar a fé como pressuposta, quando é ainda e sempre necessário propor a fé, através deste primeiro anúncio, em tempos e modalidades que é preciso criar e recriar (cf. EG, 164).
Precisamos de encontrar o justo equilíbrio, no anúncio feliz da alegria do Evangelho e na beleza simples da liturgia, de modo que a alegria acolhida e celebrada se torne missionária, de modo que a formação da fé dos cristãos não se confine ao conhecimento doutrinal, mas se torne verdadeiramente experiência teologal e se enraíze no compromisso comunitário.
É necessário cultivar uma fé madura, capaz de fazer frente às dificuldades, uma vez que o escasso conhecimento da fé sempre foi o melhor terreno para a superstição e para o erro. Todos necessitamos, e muito, de leitura, de formação bíblica, doutrinal, moral e espiritual, nos diversos âmbitos, da catequese para todas as idades, do ensino religioso escolar desde o primeiro ciclo à conclusão do ensino secundário, da preparação para a celebração dos sacramentos e do compromisso nos movimentos apostólicos.
Sem isso, a fé pode reduzir-se a uma centelha inicial, a uma vela, que tão depressa se acende, como mais depressa ainda se apaga. Isso requer uma aposta decidida na formação permanente, mas também uma revisão séria e corajosa dos seus modelos, horários e linguagens (cf. EG, 27), que nem sempre encontram o acolhimento favorável e a adesão que esperávamos.
É importante que a formação apele à compreensão das razões da fé e possa ser experienciada, vivida, celebrada, interiorizada, integrada na comunidade, não se reduzindo aos aspetos académicos ou doutrinais. A iniciação à vida espiritual é de fundamental importância se quisermos formar pessoas, com sentido cristão e eclesial no seu compromisso pastoral.
E é preciso que esta formação seja adequada às condições das pessoas. Com o ritmo da vida atual, a maioria das pessoas não estará disposta a reuniões frequentes, mas não podemos reduzir-nos a uma pastoral de pequenas elites. Hoje, a pastoral «deve ser fundamentalmente missionária» (AL, 230).
6. A beleza da comunhão que irradia em missão
Talvez o mais importante ponto a destacar nesta reflexão de proposição pastoral, é o sinal e a força da comunhão e da corresponsabilidade na missão, que esta iniciativa evidenciou e potenciou. À volta da Mãe de Jesus, reuniram-se tantos filhos, em clima de festa. “Oh, como é belo e bom ver os irmãos em harmonia” (Sl 133,1).
As iniciativas programadas e realizadas de modo interparoquial, o trabalho colaborativo e subsidiário desenvolvido em vigararia, a sinergia de pessoas, grupos, paróquias, movimentos, comunidades religiosas, associações e instituições, mostraram-nos como, juntos, em equipa, em conjunto, em comunhão, fazemos muito mais e muito melhor, e que afinal “o todo é superior à parte” (EG, 234-235).
Por vezes, demora muito, é mais difícil trabalhar em parceria, em comunhão, em vigararia, em sintonia com os planos e propostas pastorais da Diocese, mas o tempo gasto nos processos e progressos deste trabalho comum é mais importante do que a afirmação bairrista ou a conquista de espaços e territórios paroquiais ou de grupo (cf. EG, 222-225).
Os sinais de comunhão, que bispos, sacerdotes e diáconos, com os leigos e religiosos, ofereceram ao Povo de Deus, em tantos momentos desta visita, sinalizam e consolidam a comunhão eclesial e renovam a Igreja do Porto em missão, “para irradiar a esperança e servir na caridade”, como afirmamos decisivamente no objetivo geral do nosso Plano Diocesano (PDP, p. 34).

7. O segredo de Maria: renovai-vos nas fontes da alegria!
A concluir esta visão prospetiva, não podemos deixar de nos confiar, de novo, à Mãe de Misericórdia e de Lhe pedir que volte para nós os seus olhos misericordiosos! Simplesmente, porque Ela é Mãe, Ela consegue tanto e faz tanto por nós, ultrapassando limites e excedendo expectativas! O seu Coração Imaculado desafia-nos a edificarmos uma Igreja de rosto materno, “uma mãe de coração aberto” (EG, 46-49), com as mesmas entranhas de misericórdia, desafiada pela sua prontidão para sair e servir. “Esta dinâmica de justiça e de ternura, de contemplação e de caminho para os outros, faz de Maria um modelo eclesial para a evangelização” (EG, 288), que não podemos ignorar, como vimos, ouvimos e lemos.
Agradeçamos esta bênção e acolhamos a graça da visita da Imagem da Virgem Peregrina à Diocese do Porto. Ela parece segredar agora aos nossos corações o próximo passo, no nosso caminho pastoral: “Cristãos desta bela Igreja do Porto, este é o meu segredo: renovai-vos nas fontes da alegria” (cf. Is 12,3)!


III. O centenário das aparições: fonte de inspiração e de renovação pastoral
Este cunho mariano da pastoral, e esta perspetiva da «misericórdia», persistirão ao longo de todo o ano pastoral de 2016-2017, tendo em conta a dimensão nacional e internacional da celebração do centenário das aparições de Fátima, sob o lema “O Senhor fez maravilhas”.
A Mensagem de Fátima contém elementos muito inspiradores e desafiadores, no âmbito do regresso às fontes da alegria, como a prática assídua da oração e adoração, e o regresso à fonte dos sacramentos, nomeadamente os da Reconciliação e da Eucaristia. Deveremos potenciá-los e valorizá-los oportunamente. Destacaremos aqui alguns:
1. O prelúdio das aparições: a fonte da Eucaristia
Antes das aparições de Nossa Senhora aos Pastorinhos, temos o ciclo das aparições do Anjo da Paz, a primeira na primavera de 1916 e, com ela, a comunicação das palavras de adoração: “Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-Vos. Peço-Vos perdão para os que não creem, não adoram, não esperam e não Vos amam”.
Na segunda, no verão de 1916, o Anjo de Portugal fala de desígnios de misericórdia e pede o «sacrifício» pela conversão dos pecadores. E no outono de 1916, o Anjo dá a comunhão sob as duas espécies aos pastorinhos e repete a oração: Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, adoro-Vos profundamente e ofereço-Vos o preciosíssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo, presente em todos os sacrários da terra, em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que Ele mesmo é ofendido. E pelos méritos infinitos do Seu Santíssimo Coração e do Coração Imaculado de Maria, peço-Vos a conversão dos pobres pecadores”.
Na aparição de 13 de julho de 1917, Maria pede a comunhão reparadora dos primeiros sábados e o sacrifício com esta intenção: «Ó Jesus, é por vosso amor». Nas duas aparições em Pontevedra, a Lúcia, é pedida a devoção dos primeiros sábados (confissão e comunhão).
Assim, Fátima não se pode entender nem viver sem a redescoberta da Eucaristia e da sua centralidade. É na Eucaristia que a “Trindade” nos alcança. Da Eucaristia brota a capacidade de sacrifício pelos outros e a adoração de Deus na nossa vida. A celebração do domingo é a expressão da nossa adoração ao único Deus e Senhor.
Neste sentido, Fátima desafia-nos a recolocar Deus no centro da nossa vida. E isso tem uma expressão prática: voltar à fonte da Eucaristia. Se Maria nos diz em Caná «Fazei o que Ele vos disser» (Jo 2,5), Jesus diz-nos, a respeito da Eucaristia e do que ela implica quanto a uma vida oferecida: «Fazei isto em memória de mim» (1 Cor 11,24; Lc 22,19).
2. A Mensagem das aparições: as fontes da oração e da penitência
Paulo VI definiu a Mensagem de Fátima, como «mensagem de oração e penitência», oração e conversão, para alcançar a Paz. Importa rezar para abrir o coração à ação de Deus e assim transformar o mundo. O apelo à oração é comum a todas as aparições, em Fátima, de maio a outubro de 1917. «Fátima é uma janela de esperança que Deus abre, quando o homem Lhe fecha a porta» (Bento XVI). E a porta que abre o homem a Deus é a oração. Sem oração não há conversão. Sem conversão não há mudança de vida. Sem mudança de vida não há paz. O mundo novo começa quando o homem se abre a Deus, em oração e adoração.
É preciso recolocar, reinstalar Deus, na nossa vida. A visão do Inferno, tão familiar nas aparições, é a imagem de uma vida sem Deus. Disso mesmo precisamos de nos livrar: de viver como se Deus não contasse, de viver fora de Deus, de viver centrados em nós mesmos, de viver em autossuficiência, e não no seu amor. A imagem do Inferno, recorrente na Mensagem de Fátima, é sobretudo uma mensagem de urgência da conversão.
Por isso, a Mensagem de Fátima reforça o apelo à conversão, que abre a pregação de João Batista e o ministério público de Jesus: «Convertei-vos porque está próximo o reino de Deus» (Mt 3,2). Não esqueçamos, pois: não há caminho para Fátima, que não implique mudança de rota.
Cabe aqui valorizar as formas de primeiro anúncio e experiências de encontro com Cristo, na oração, que conduzam a uma verdadeira conversão.
E, em relação aos fiéis, destaca-se, com particular urgência, a necessidade da formação da consciência e de “educar para o verdadeiro sentido da penitência”, nomeadamente em ordem à celebração do sacramento da Reconciliação, que temos vindo a redescobrir e a valorizar.
Quando o homem já não se reconhece pecador, já nada faz para evitar o pecado ou para o remediar, e a graça da salvação começa a ser por ele descurada, nesse caso, o crente perde consciência da Páscoa do Senhor e da razão da sua morte na Cruz. A sua vida de fé, parece-lhe vazia, desvitalizada, sem entusiasmo, um triste hábito de vida. Ao contrário, a ascese cristã fala do sentido de penitência, como de uma luta espiritual, que faz com que o coração, a mente e a vontade do discípulo permaneçam vigilantes e atentos: um caminho necessário para fortalecer a personalidade crente, um colocar-se à prova, para medir concretamente a qualidade da relação com o Senhor e sobretudo uma resposta alegre à graça que Deus derrama abundantemente” (Conselho Pontifício para a Nova Evangelização, A Confissão, sacramento da Misericórdia, Ed. Paulus, 2015, 115).
3. A revelação das aparições: Graça e Misericórdia
A Trindade de Deus-Amor é revelada a Lúcia, na última aparição, em Tui, a 13.06.1926, em duas palavras: «Graça e Misericórdia». “Sob o braço esquerdo, umas letras grandes, como se fossem de água cristalina que corressem para cima do altar, formavam estas palavras: "Graça e Misericórdia". Compreendi que me era mostrado o mistério da Santíssima Trindade, e recebi luzes sobre este mistério que me não é permitido revelar”.
O Papa Francisco, na Bula Misericordiae vultus afirma: “Misericórdia: é a palavra que revela o mistério da Santíssima Trindade. Misericórdia: é o ato último e supremo pelo qual Deus vem ao nosso encontro. Misericórdia: é a lei fundamental que mora no coração de cada pessoa, quando vê com olhos sinceros o irmão que encontra no caminho da vida. Misericórdia: é o caminho que une Deus e o homem, porque nos abre o coração à esperança de sermos amados para sempre, apesar da limitação do nosso pecado” (MV, 2).
Neste sentido, o coroamento da Mensagem de Fátima alenta-nos e desafia-nos a voltar às fontes da graça e da alegria, à redescoberta dos sacramentos, como expressão atualizada das “marabilia Dei” que Maria canta no seu Magnificat (Lc 1,46-56) e como bem rezamos na Vigília Pascal, na bênção da água: «Senhor nosso Deus: pelo vosso poder invisível, realizais maravilhas nos vossos sacramentos» (CIC, 1217).
Esta perspetiva da celebração dos sacramentos como “maravilhas” de Deus está contida no conceito bíblico de “memorial”, essencial à nossa compreensão dos sacramentos: “No sentido que lhe dá a Sagrada Escritura, o «memorial» não é somente a lembrança dos acontecimentos do passado, mas a proclamação das maravilhas que Deus fez pelos homens (Ex 13,3). Na celebração litúrgica destes acontecimentos, eles tornam-se de certo modo presentes e atuais” (CIC, 1363).
O coroamento da mensagem teológica de Fátima nas duas palavras “Graça e Misericórdia” estimula-nos ainda à prossecução de uma pastoral, que dê o primado à graça e tenha como princípio de ação a misericórdia.
Sobre o primado da graça, diz-nos São João Paulo II: “No âmbito da programação que nos espera, apostar com a maior confiança numa pastoral que contemple o devido espaço para a oração pessoal e comunitária significa respeitar um princípio essencial da visão cristã da vida: o primado da graça. Há uma tentação que sempre insidia qualquer caminho espiritual e também a ação pastoral: pensar que os resultados dependem da nossa capacidade de agir e programar. É certo que Deus nos pede uma real colaboração com a sua graça, convidando-nos por conseguinte a investir, no serviço pela causa do Reino, todos os nossos recursos de inteligência e de ação; mas ai de nós, se esquecermos que, «sem Cristo, nada podemos fazer» (cf. Jo 15,5)” (NMI, 38).
Sobre a misericórdia, como princípio pastoral, recordou-nos recentemente o Papa Francisco: “(…) «sem diminuir o valor do ideal evangélico, é preciso acompanhar, com misericórdia e paciência, as possíveis etapas de crescimento das pessoas, que se vão construindo dia após dia», dando lugar à «misericórdia do Senhor que nos incentiva a praticar o bem possível». Compreendo aqueles que preferem uma pastoral mais rígida, que não dê lugar a confusão alguma; mas creio sinceramente que Jesus Cristo quer uma Igreja atenta ao bem que o Espírito derrama no meio da fragilidade: uma Mãe que, ao mesmo tempo que expressa claramente a sua doutrina objetiva, «não renuncia ao bem possível, ainda que corra o risco de sujar-se com a lama da estrada». Os pastores, que propõem aos fiéis o ideal pleno do Evangelho e a doutrina da Igreja, devem ajudá-los também a assumir a lógica da compaixão pelas pessoas frágeis e evitar perseguições ou juízos demasiado duros e impacientes. O próprio Evangelho exige que não julguemos nem condenemos (cf. Mt 7,1; Lc 6,37).
Jesus «espera que renunciemos a procurar aqueles abrigos pessoais ou comunitários que permitem manter-nos à distância do nó do drama humano, a fim de aceitarmos verdadeiramente entrar em contacto com a vida concreta dos outros e conhecermos a força da ternura. Quando o fazemos, a vida complica-se sempre maravilhosamente»” (AL, 308).




4. A revelação aos pequeninos: a simplicidade evangélica
Estas aparições dão-se num país pobre, num local ermo, a serra de Aire, a três crianças humildes: os irmãos Francisco (9 anos) e Jacinta (7 anos) e a prima Lúcia (10 anos). Segue-se assim a lógica da revelação: a escolha de um povo pobre, a escolha dos pobres, dos humildes e dos simples (Mt 11,25). Só a humildade abre o coração para Deus. Só «os puros de coração verão a Deus» (Mt 5,8). Segue-se assim o cumprimento das bem-aventuranças, dos pobres, dos humildes, dos puros de coração, dos perseguidos…

Fátima vem confirmar a lógica da revelação, segundo a qual Deus não tem dificuldade de se fazer entender pelas crianças, e as crianças não têm problemas em compreender Deus. Não é por acaso que no Evangelho Jesus profere palavras muito bonitas e fortes sobre os «pequeninos».


O testemunho dos Pastorinhos é também, por isso, oportunidade de valorização e de exaltação das crianças, que são uma riqueza para a humanidade e também para a Igreja, porque nos chamam constantemente à condição necessária para entrar no Reino de Deus: a de não nos considerarmos autossuficientes, mas necessitados de ajuda, de amor, de perdão. As crianças recordam-nos ainda que somos sempre filhos, mesmo na idade adulta, e que a vida não no-la damos a nós próprios, mas recebemo-la. O grande dom da vida é o primeiro presente que recebemos, pelo que cada criança “é uma dádiva e não uma dívida” (AL, 81).
Precisamos de aprender das crianças o seu olhar confiante e puro, sem ambiguidades nem duplicidades. A criança tem uma confiança espontânea no seu pai e na sua mãe; uma confiança espontânea em Deus, em Jesus, em Nossa Senhora. Além disso, as crianças — na sua simplicidade interior — têm em si a capacidade de receber e de dar ternura, de sorrir e de chorar. E então, as crianças podem ensinar-nos novamente a ternura da compaixão.
Por todos estes motivos, Jesus convida os seus discípulos a «tornarem-se como as crianças», pois é «a quantos são como elas que pertence o Reino de Deus» (cf. Mt 18,3; Mc 10,14).
É verdade – disse o Papa Francisco (Audiência, 18.03.2015) – que “as crianças trazem vida, alegria, esperança e também problemas. Mas é melhor uma sociedade com estas preocupações e estes problemas, do que uma sociedade triste e cinzenta, porque permaneceu sem filhos”!
5. o testemunho das crianças: a resposta vocacional
Os pastorinhos não são apenas três crianças. São crianças, que dão um testemunho heroico da fidelidade a Deus e à Igreja, mesmo diante de ameaças e em ambiente de hostilidade. Elas revelam-se fiéis à prática da oração diária e do sacrifício generoso das suas vidas, do amor à Eucaristia e ao Santo Padre, da atitude contemplativa face à obra da criação.
Neste sentido, ajudam-nos a perceber que a iniciação à vida espiritual e a descoberta da vontade de Deus, para a vida de cada um, não é assunto que se possa omitir, no período da infância, ou relegar apenas para a adolescência e juventude, pois também nesta fase da vida é possível à pessoa, enquanto ser religioso responder e corresponder aos apelos de Deus. Também na infância o homem é «capax Dei» (CIC, capítulo I).

Aqui está o desafio de João Paulo II: “Pedi aos vossos pais e educadores que vos metam na «escola» de Nossa Senhora, para que Ela vos ensine a ser como os pastorinhos, que procuravam fazer tudo o que lhes pedia” (Homilia, 13.05.2000).


E o Papa Francisco, no passado dia 7 de setembro de 2015, aquando da Visita ad limina dos Bispos de Portugal, foi claro no seu desafio, ao denunciar o risco de uma catequese escolarizada e esta urgência:
Precisamos de conferir dimensão vocacional a um percurso catequético global, que possa cobrir as várias idades do ser humano, de modo que todas elas sejam uma resposta ao bom Deus que chama: ainda no seio da mãe, chamou à vida e o nosso ser assomou à vida; e, ao findar a sua etapa terrena, há de responder com todo o seu ser a esta chamada: «Servo bom e fiel, entra no gozo do teu Senhor»”.
O exemplo dos pastorinhos pode-nos encorajar a reforçar a dimensão vocacional da catequese e uma pastoral vocacional, que não descure os de mais tenra idade.

Recordemos aqui e mais uma vez outro desafio do Papa Francisco aquando da Visita ad limina dos Bispos de Portugal:


Ao catequista e à comunidade inteira é pedido para passar do modelo escolar ao catecumenal: não apenas conhecimentos cerebrais, mas encontro pessoal com Jesus Cristo, vivido em dinâmica vocacional segundo a qual Deus chama e o ser humano responde. A Igreja em Portugal precisa de jovens capazes de dar resposta a Deus que os chama, para voltar a haver famílias cristãs estáveis e fecundas, para voltar a haver consagrados e consagradas que trocam tudo pelo tesouro do Reino de Deus, para voltar a haver sacerdotes imolados com Cristo pelos seus irmãos e irmãs”.
6. SENHORA MAIS BRILHANTE QUE O SOL: a dignidade da Mulher
Era uma Senhora mais brilhante que o Sol”. Esta exclamação de Lúcia, pastorinha de Fátima, tão próxima da visão bíblica da Mulher, “vestida com o sol” (Ap 12,1-6), inspira-nos, neste ano pastoral, em que pretendemos reforçar o cunho mariano da atividade evangelizadora da Igreja. A partir daqui é possível compreender, sob novo ângulo e outra profundidade, o mistério da própria Igreja, chamada a valorizar o génio feminino e a desenvolver um rosto materno, que a faça brilhar e resplandecer como Mãe, que gera os filhos para uma vida nova, os alimenta, educa, orienta, perdoa, cuida e acompanha sempre, com ternura e amor, sem nunca deixar de interceder por eles.
Na verdade, a Igreja, que por definição, é «feminina», não pode ser ela própria, sem a mulher e o seu papel. A mulher, para a Igreja, é imprescindível. E não precisamos de o justificar, pois bastar-nos-ia imaginar o que seria a vida das nossas comunidades, associações, movimentos e obras, e o que seriam as nossas celebrações e iniciativas pastorais, sem o contributo específico das mulheres.
O Papa Francisco recorda, desde o princípio da sua missão, que “uma Igreja sem as mulheres é como o Colégio Apostólico sem Maria” (Encontro com os jornalistas durante o voo de regresso da viagem ao Rio de Janeiro, 28 de julho de 2013).
E, na sua recente exortação apostólica, afirma que “ a grandeza das mulheres implica todos os direitos decorrentes da sua dignidade humana inalienável, mas também do seu génio feminino, indispensável para a sociedade. As suas capacidades especificamente femininas – em particular a maternidade – conferem-lhe também deveres, já que o seu ser mulher implica também uma missão peculiar nesta terra, que a sociedade deve proteger e preservar para bem de todos” (AL, 173).

Sentimos, com o Papa Francisco, que «é necessário ampliar os espaços de uma presença feminina mais incisiva na Igreja» (Entrevista ao Padre Spadaro, para a Revista La Civiltá Cattolica, 19 de agosto 2013). Estamos convictos, com ele e como ele, de que novos passos nesse sentido têm de ter subjacente uma profunda teologia da mulher na Igreja, que, em boa parte, está por fazer.


Em recente encontro com as participantes na Plenária  da União Internacional das Superioras-Gerais, o Papa reitera que o génio feminino é muito necessário, nos lugares de discernimento, de reflexão, de programação, de decisão e de revisão, na vida da Igreja, pois o olhar próprio da mulher enriquece e complementa a visão e a construção da realidade da Igreja e do mundo.
7. a alegria da criação: A aliança entre a humanidade e o ambiente
A Mensagem e os acontecimentos de Fátima dão-se, na serra de Aire, em ambiente puro e agreste, num contexto de grande harmonia, entre os pastorinhos e o ambiente natural, em que vivem e crescem. Eles gostavam de ouvir o eco da voz no fundo dos vales e sabiam admirar o nascer e o pôr do sol e chamavam a este astro-rei a “candeia de Nosso Senhor”. Quando não viam a Lua, diziam que faltava o azeite na “candeia de Nossa Senhora”. As estrelas do céu eram, para eles, as “candeias dos Anjos”. Jacinta adorava caminhar entre as ovelhas e tomar uma delas ao colo, à imagem de Jesus. Francisco era o místico flautista dos Valinhos. Lúcia conhecia bem os campos, os penedos, os vales e as árvores: oliveiras, carvalhos, azinheiras. Nas suas memórias descreve com grande pormenor e encanto muitos lugares e cenários naturais. Estas crianças viviam, praticavam os seus jogos e brincadeiras, em perfeita aliança com a natureza, numa atitude de gratidão e louvor, nos seus cânticos, de respeito, de sobriedade (LS, 224), em grande alegria e paz (LS, 225), e, neste sentido, podem ser propostos como modelos de uma “aliança entre a humanidade e o ambiente”, tal como nos é proposto na Encíclica Laudato si' (LS, 209-227) e podem ajudar-nos a uma verdadeira “conversão ecológica” (LS, 216-217), que nos leve a viver a alegria da criação (LS, 222) e a “cuidar da casa comum”, como nos sugere a encíclica social do Papa Francisco e que constitui um dos contextos e desafios pastorais, que enunciamos no nosso Plano Diocesano de Pastoral (PDP, capítulo III, n.º 8, pp. 18-19). Com os pastorinhos podemos “reaprender a saborear simplesmente as múltiplas alegrias humanas que o Criador coloca, já agora, ao longo do nosso caminho: alegria exaltante da existência e da vida; alegria do amor honesto e santificado; alegria pacificadora da natureza e do silêncio; alegria, por vezes, austera do trabalho feito com diligência; alegria e satisfação pelo dever cumprido; alegria transparente da pureza, do serviço e da partilha; alegria exigente do sacrifício” (GD, pp. 12-13).
8. O sentido da peregrinação: o caminho da alegria
O espírito de peregrinação jubilar, vivido intensamente durante o Ano da Misericórdia, vai, por certo, continuar e ampliar-se nas peregrinações a Fátima, que merecem ser devidamente preparadas, acompanhadas espiritualmente e celebradas, em clima de verdadeira alegria, que a experiência do caminho e visão do santuário sempre desperta no peregrino.
Valerá a pena voltarmos aos documentos do Conselho Pontifício para a Pastoral dos Migrantes e Itinerantes, sobre “A Peregrinação no Grande Jubileu do Ano 2000” (25.04.1998) e “O santuário, como memória, presença e profecia do Deus vivo” (08.05.1999) ou ainda aos últimos números (279-287) do “Diretório sobre a piedade popular e a Liturgia”, da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos (17.12.2001), para percebermos as dimensões escatológica, penitencial, festiva, cultural e apostólica da peregrinação.
Os santuários trazem um convite à alegria, que se experimenta precisamente ao abrigo desta “tenda do encontro” de Deus com o seu povo, lugar da aliança e do encontro com a Palavra de Deus, do encontro sacramental com a Eucaristia, com a Reconciliação, e do compromisso com a Caridade, a partir do exemplo de Maria, «santuário do Deus vivo». Diz o referido documento: “No santuário, o povo de Deus aprende a ser a “Igreja da alegria”. Quem entrou no mistério do santuário sabe que Deus já está em ação nesta vicissitude humana, que já agora, apesar das trevas do tempo presente, é o alvorecer do tempo que deve vir, que o Reino de Deus já está presente e, por isso, o nosso coração já pode estar repleto de alegria, confiança e esperança, não obstante o sofrimento, a morte, as lágrimas e o sangue, que cobrem a face da terra.
O Salmo 122, um dos Salmos cantados pelos peregrinos a caminho rumo ao Templo, diz: “Exultei quando me disseram: "Iremos à casa do Senhor"...”. É um testemunho que evoca os sentimentos de todos aqueles que se dirigem para o santuário, antes de tudo a alegria do encontro com os irmãos (cf. Sl 122,1). No santuário celebra-se a “alegria do perdão” que impele a “fazer festa e a alegrar-se” (Lc 15,32), porque “há alegria entre os anjos de Deus por um só pecador que se arrepende” (Lc 15,10). Ali reunidos à volta da mesma mesa da Palavra e da Eucaristia, experimenta-se a “alegria da comunhão” com Cristo, que foi sentida por Zaqueu quando O acolheu em sua casa “cheio de alegria” (Lc 19,6). É esta a “alegria perfeita” (Jo 15,11), que ninguém jamais poderá tirar (cf. Jo 16,23) de um coração fiel que se tornou, ele mesmo, templo vivo do Eterno” (Sl 43,4)” (O santuário, como memória, presença e profecia do Deus vivo, 14).
9. o triunfo da misericórdia: Irradiar a esperança



Na segunda aparição em Fátima, a 13.06.1917, Maria promete a Lúcia: «O meu Imaculado Coração será o teu refúgio e o caminho que te conduzirá a Deus». No fundo, a mensagem é esta: A misericórdia triunfa do juízo. Deus não desiste de nos procurar, até nos alcançar. O seu amor vence. Vence a misericórdia. Não devemos ter medo: são palavras semelhantes às de Jesus: «Não temais. Tende confiança, eu venci o mundo» (Jo 16,33). Esta expressão «não temais» aparece na Bíblia 366 vezes. Fátima manifesta assim a paixão e a compaixão de Deus pela humanidade e é um sinal de esperança para todo o mundo.

A devoção ao Imaculado Coração de Maria (pedida na aparição de 13 de junho de 1917) é no fundo a redescoberta do coração materno de Deus e do seu amor visceral por nós: “Em suma, a misericórdia de Deus não é uma ideia abstrata mas uma realidade concreta, pela qual Ele revela o seu amor como o de um pai e de uma mãe que se comovem pelo próprio filho até ao mais íntimo das suas vísceras. É verdadeiramente caso para dizer que se trata de um amor «visceral». Provém do íntimo como um sentimento profundo, natural, feito de ternura e compaixão, de indulgência e perdão” (MV, 6). O coração revela a misericórdia.
Neste sentido, a Mensagem de Fátima estimula-nos a prosseguir a meta do objetivo geral enunciado no nosso Plano Pastoral “irradiar a esperança e servir na caridade”. A experiência feliz da visita da Imagem Peregrina, o Ano da Misericórdia e os seus frutos, e a perspetiva do centenário das aparições de Fátima, nos ajudem a redescobrir a misericórdia divina e a tornarmo-nos pessoas misericordiosas.


IV. Plano Diocesano de Pastoral

2016-2017

A alegria do Evangelho é a nossa missão!

Com Maria, renovai-vos nas fontes da alegria!

1. Plano Diocesano de Pastoral para o quinquénio 2015 – 2020

Lema: A alegria do Evangelho é a nossa missão!

Objetivo geral: A Igreja Diocesana, marcada pela alegria do Evangelho, que nasce do encontro com Cristo na beleza da fé, renova-se em missão para irradiar a esperança e servir na caridade.

 

Objetivos específicos:



  1. Descobrir a condição alegre e feliz da nossa identidade cristã.

  2. Assumir a vocação de discípulos missionários para uma Igreja em «saída», que se caracteriza por:

    1. Ir à frente, tomar a iniciativa sem medo, ir ao encontro, procurar os afastados e chegar às encruzilhadas dos caminhos para acolher e convidar os excluídos;

    2. Oferecer misericórdia, fruto de ter experimentado a misericórdia infinita do Pai e a sua força difusiva;

    3. Envolver-se com obras e gestos na vida diária dos outros de modo a encurtar as distâncias, tocando a carne sofredora de Cristo nos irmãos;

2.4 Acompanhar com bondade e paciência e atenta aos frutos, porque Deus a quer fecunda;

2.5 Valorizar a dimensão festiva bela e da fé como fonte de um renovado impulso para se dar;

2.6 Abrir as suas portas de modo que os pobres sintam cada comunidade cristã como sua casa.


  1. Consciencializar as pessoas, as famílias e as comunidades para o valor da vocação e para a responsabilidade de serem promotoras das diferentes formas de chamamento, nomeadamente as de especial consagração.

  2. Atualizar e implementar a renovação das estruturas eclesiais, paroquiais, vicariais e diocesanas, adequando-as às novas exigências e dinamismo da missão.

 

2. Lema para cada um dos cinco anos do Plano Diocesano de Pastoral

 

1.º ano – Ano Pastoral 2015/2016 

A Alegria do Evangelho é a nossa missão:

Felizes os misericordiosos!

 

2.º ano – Ano Pastoral 2016/2017 

A Alegria do Evangelho é a nossa missão:

Com Maria, renovai-vos nas fontes da alegria!

3.º ano – Ano Pastoral 2017/2018 

A Alegria do Evangelho é a nossa missão:



Movidos pelo amor de Deus!

4.º ano – Ano Pastoral 2018/2019 

A Alegria do Evangelho é a nossa missão:



Todos discípulos missionários!

5.º ano – Ano Pastoral 2019/2020 

A Alegria do Evangelho é a nossa missão:



Um caminho sinodal aberto a todos!

III. Quadro sinótico do plano diocesano de pastoral para 2016/2017:

objetivos, tempos, modos, agentes e destinatários

1. Na Pastoral do Anúncio da Fé

2. Na Pastoral da Celebração da Fé

3. Na Pastoral da Caridade

4. Na Pastoral Comunitária


A alegria do Evangelho é a nossa missão:

Com Maria, renovai-vos nas fontes de alegria!

Na Pastoral do Anúncio da Fé

Objetivo Específico

Como

Destinatários

Recuperar a frescura do anúncio do Evangelho: comunidades renovadas na Palavra.

 

 



 

Ousar o primeiro anúncio aos pais com filhos na catequese; ousar novas formas de catequese para as várias idades (catequese familiar, catequese intergeracional, catequese de adultos); acompanhar a procura de Deus e da Igreja e o pedido dos sacramentos com propostas e percursos diferenciados. Articular e aprofundar a relação Família-Catequese-Eucaristia.

Famílias e todos os que se aproximam da Igreja em busca das fontes da alegria.

Reorganizar catecumenado vicarial e diocesano; fomentar a preparação para o Crisma e respetiva celebração, como tempo de proposta e de discernimento vocacional; formar e acompanhar grupos de jovens.

Formar integralmente os educadores cristãos



Jovens e adultos em percurso de reiniciação cristã.

Incrementar a lectio divina e outras formas de familiaridade com a Palavra de Deus.

Agentes de pastoral

e todos os cristãos.



A alegria do Evangelho é a nossa missão:

Com Maria, renovai-vos nas fontes de alegria!

Na Pastoral do Anúncio da Fé

Meios

Quem

Espaços de reflexão, itinerários formativos;  Catequeses, encontros, caminhadas e percursos de preparação para os sacramentos…



Paróquias e Vigararias, Secretariados e Serviços Diocesanos, Movimentos, Associações e Obras vocacionados para o primeiro anúncio, Institutos de Vida Consagrada e Comunidades Religiosas, Escolas Católicas, Universidade Católica e Centro de Cultura Católica, Centros Catecumenais, Agentes de Pastoral.

Centros Catecumenais; grupos de jovens; prática do acompanhamento espiritual, retiros espirituais; acampamentos, caminhadas…

Semanas bíblicas, encontros de oração, leitura da Sagrada Escritura em família e em grupo.



A alegria do Evangelho é a nossa missão:

Com Maria, renovai-vos nas fontes de alegria!

Na Pastoral da Celebração da Fé

Objetivo Específico

Como

Destinatários

Celebrar a alegria pelas maravilhas do Senhor: comunidades renovadas na Liturgia.


Redescobrir a centralidade do domingo como Dia do Senhor e da comunidade cristã.

Todos os cristãos.

Cuidar da beleza da liturgia e torná-la familiar; fazer da liturgia verdadeira escola da fé; valorizar a piedade popular; valorizar a simbólica dos elementos da criação, na economia sacramental.

Todos os cristãos.

Fazer da celebração tempo de verdadeiro encontro com o Senhor; promover a dimensão festiva da celebração da fé.

Todos os cristãos.

Iniciar as crianças e jovens na beleza e no gosto da celebração e da oração.

Todos os cristãos.




Intensificar e renovar a devoção mariana.

Todos os cristãos.



A alegria do Evangelho é a nossa missão:

Com Maria, renovai-vos nas fontes de alegria!

Na Pastoral da Celebração da Fé

Meios

Quem

Disponibilização de espaços de acolhimento e de convívio nas comunidades cristãs; celebração do dia da comunidade; experiências de encontro familiar; valorização de espaços e tempos de harmonia e aliança com a criação.

Paróquias e Vigararias, Secretariados Diocesanos

Equipas e espaços de acolhimento, Equipas de liturgia.

Paróquias e Vigararias, Secretariado da Liturgia, Equipas de Liturgia e todos os que exercem serviços e ministérios litúrgicos.

Peregrinações, procissões, festas populares, convívios.

Paróquias e Vigararias, Secretariados da Liturgia, Equipas de Liturgia e todos os que exercem serviços e ministérios litúrgicos, Comissões de Festas.

Adoração eucarística e oração de Taizé, revisitar os ensinamentos dos Santos, valorização dos centros de espiritualidade.

Paróquias e Vigararias, Secretariados Diocesanos, Equipas de Liturgia e todos os que exercem serviços e ministérios litúrgicos, Institutos de Vida Consagrada e Comunidades Religiosas.

Peregrinações e valorização da oração mariana, valorização dos santuários marianos.

Paróquias e Vigararias, Secretariado de Liturgia, Equipas de Liturgia.



A alegria do Evangelho é a nossa missão:

«Com Maria, renovai-vos nas fontes de alegria!»

Na Pastoral da caridade

Objetivo específico

Como

Destinatários

Irradiar a misericórdia com alegria: comunidades renovadas na misericórdia.

Evangelizar os pobres e deixar evangelizar-se pelos pobres.

Todos os elementos da comunidade cristã.

Ir ao encontro e cuidar dos mais frágeis.

Os mais desprotegidos das comunidades cristãs.

Praticar as obras de misericórdia no contexto atual; promover o voluntariado; valorizar e formar os profissionais nas várias áreas de ação social.

Todos os cristãos.



A alegria do Evangelho é a nossa missão:

«Com Maria, renovai-vos nas fontes de alegria!»

Na Pastoral da caridade

Meios

Quem

Partilha de bens; opção por uma vida sóbria, justa e solidária.

 



Paróquias e Vigararias Secretariados da Pastoral da Saúde, Pastoral Sociocaritativa, Migrações, Capelanias Hospitalares e Prisionais, Conferências Vicentinas e outros movimentos, associações e obras, Centros Sociais Paroquiais, Santas Casas da Misericórdia e outras instituições sociais.


Visita aos doentes, aos presos e suas famílias; atenção aos sem-abrigo, proximidade aos emigrantes e refugiados.

Encontros de formação para os agentes de pastoral e cristãos em geral.



A alegria do Evangelho é a nossa missão:

«Com Maria, renovai-vos nas fontes de alegria!»

Na Pastoral Comunitária

Objetivo específico

Como

Destinatários

Fortalecer a comunhão para missão: comunidades renovadas na alegria do amor

 

 



 

 

 



 

Valorizar e dinamizar os Conselhos Paroquiais de Pastoral e experiências interparoquiais de corresponsabilidade.

Paróquias e Vigararias, agentes de pastoral, membros do Conselho de Pastoral Paroquial.

Tornar os jovens sujeitos ativos e protagonistas do Evangelho do amor.

Jovens.

Promover a vivência da alegria do amor em família.

Desenvolver a Pastoral Familiar, a partir da Exortação Apostólica «Amoris Laetitia».



Todos os cristãos, especialmente as famílias.


Valorizar a dimensão vocacional de toda a pastoral e formar discípulos missionários.

Todos os cristãos.

A alegria do Evangelho é a nossa missão:

«Com Maria, renovai-vos nas fontes de alegria!»

Na Pastoral Comunitária

Meios

Quem

Criação, consolidação e renovação do Conselho Paroquial em cada paróquia, reflexão sobre a identidade e missão do Conselho Paroquial de Pastoral.

Paróquias e Vigararias Bispos, párocos e membros dos Conselhos Paroquiais de Pastoral ou representantes dos diversos grupos de ação pastoral e movimentos apostólicos.

Formação de animadores de grupos de jovens, Dia Mundial da Juventude, bênção das pastas, acompanhar os processos de crescimento da fé dos jovens, acampamentos, retiros, caminhadas.

Secretariados da Juventude, Pastoral, Vocações.

Encontros de formação para os agentes de pastoral e cristãos em geral, Dia Diocesano da Família, reflexão sobre a «Amoris Laetitia», guiar os noivos tanto no caminho da preparação do matrimónio como na preparação da celebração, acompanhamento nos primeiros anos de casamento; acompanhar, discernir e integrar as situações de fragilidade.

Secretariado da Pastoral Familiar, Universidade Católica e Centro de Cultura Católica.

Dia Mundial das Vocações, Dia do Consagrado, Semana dos Seminários, acompanhar os processos de discernimento vocacional.

Secretariados das Vocações, Juventude, Pastoral Universitária, Missões, Seminários Diocesanos.


V. Calendário pastoral diocesano 2016-2017

Julho 2016
15 – Apresentação do Plano Diocesano de Pastoral, na Casa Diocesana de Vilar (CDV)
Agosto 2016
15 – 50.º aniversário de ordenação sacerdotal de Dom António Maria Bessa Taipa e do Padre Agostinho Cesário Jardim Moreira, na Catedral, às 11 horas
Setembro 2016
09 – Celebração da Dedicação da Igreja Catedral

12 – Início do ano letivo, no Seminário Maior do Porto

16 – Conselho Diocesano da Pastoral Universitária, no CREU

17 – Formação para professores de EMRC, na CDV

20 – Início do ano letivo, no Seminário Redemptoris Mater

23 – Início do ano letivo, no Seminário do Bom Pastor

24 – Reunião de Coordenadores (Cursilhos de Cristandade)

25 – Jubileu de Catequistas

25 – Pontapé de saída – Pastoral Juvenil, na CDV

25 – Encontro Diocesano de Casais Novos, na CDV

29 – Encontro diocesano dos assessores vicariais da pastoral juvenil, na CDV

29 – Eucaristia em sufrágio pelos bispos, presbíteros e diáconos, na Catedral

Outubro 2016
01 – Início do ano letivo, no Centro de Cultura Católica

01 – Encontro das Equipas de Pastoral Vocacional (paroquiais/vicariais)

02 – Reinício da celebração da Eucaristia da Pastoral Universitária (PU), na Igreja dos Clérigos

02– Jubileu dos profissionais e voluntários em Saúde, na Catedral

05 – Encontro Anual «Crescer para amar» (Cursilhos Cristandade)

06 – Conselho Diocesano para os Assuntos Económicos

08 – Conselho Diocesano da Pastoral Familiar, na CDV

12 – Reunião de Vigários

15 – Sessão solene de início do ano letivo e entrega de diplomas, no Centro de Cultura Católica

08 – Formação Permanente dos MEC’s, no Colégio das Teresianas, Santo Tirso



19 – Pontapé de Saída – Pastoral Universitária – Igreja dos Clérigos e Reito­ria da Universidade do Porto

19 – Formação Permanente dos MEC’s, no Salão Paroquial de São M. Infesta

21 a 30 – Semana Nacional da Educação Cristã

22 e 23 – Academia de Animadores de Grupos de Jovens

22 e 23 – 171.º Mini-Cursilho – 248.º Senhoras e 308.º de Homens

21 – Eucaristia, na abertura do CIMT – Pastoral Universitária

23 – Dia Mundial das Missões

23 – Formação Permanente dos MEC’s, na Igreja de Bustelo, Penafiel

24 – Vigília Diocesana Missionária

25 – Formação Permanente dos MEC’s, no Centro Paroquial de S.J. da Madeira

26 – Conselho Presbiteral

26 – Formação Permanente dos MEC’s, Carvalhos (Seminário), Gaia

26 a 29 – 312.º Cursilhos de Homens

29 – Peregrinação Nacional de Escuteiros a Fátima

30 – Formação Permanente dos MEC’s, no Centro Pastoral de Amarante
Novembro 2016
03 – Conselho Diocesano para os Assuntos Económicos

05 – Conselho Diocesano de Pastoral, na CDV

05 – Jornadas diocesanas do Apostolado da Oração na CDV

06 – Eucaristia, no início de ano da UCP – Foz, Porto

06 – Formação Permanente dos MEC’s, na CDV

06 a 13 – Semana dos Seminários

11 a 13 – 95.º CDA (244 Senhoras / 304 Homens e 245 Senhoras e 305 Ho­mens) – Cursilhos de Cristandade

14 a 18 – Retiro do Clero – 1º Turno, na Casa da Torre, Braga

19 – Redescobrir o caminho da fé (encontros sobre a fé) – Jovens – na Casa da Juventude em Ermesinde (CJ)

20 – Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo e Conclusão do Ano da Misericórdia – Instituição de Ministérios Laicais, na Catedral

19 e 20 – 36.º Crescer para amar (casais – Cursilhos de Cristandade)

23 a 26 – 252.º Cursilhos de Senhoras

26 – Apresentação ao Seminário – Adolescentes e Jovens
Dezembro 2016
01 – Conselho Diocesano para os Assuntos Económicos

03 – Assembleia Diocesana das Missões, na CDV

07 – Vigília Diocesana da Imaculada Conceição, na Catedral

08 – Solenidade da Imaculada Conceição e ordenação de diáconos perma­nentes, na Catedral

17 – Redescobrir o caminho da fé (encontros sobre a fé) – Jovens – CJ

22 – Cantares ecuménicos de Natal – Grupo Ecuménico Jovem

25 – Celebração do Natal do Senhor
Janeiro 2017
01 – Solenidade de Santa Maria Mãe de Deus e Dia Mundial da Paz

04 – Conselho Diocesano para os Assuntos Económicos

09 a 13 – Retiro do Clero – 2º Turno , na Casa da Torre, Braga

10 – Dia do Colégio de São Gonçalo

11 – Reunião de Vigários

18 a 25 – Oitavário de Oração pela unidade dos cristãos

21 – Redescobrir o caminho da fé (encontros sobre a fé) – Jovens – na CJ

21 e 22 – 172.º Mini-Cursilho – 249.º Senhoras e 309.º de Homens

25 – Conselho Diocesano da Pastoral Universitária, na UCP, Foz, Porto

25 a 28 – 313.º Cursilhos de Homens

26/1 a 2/2 – Semana do Consagrado

28 - Acólitos da Diocese ao encontro do Seminário – Região Pastoral Norte

30/1 a 2/2 – Semana de Teologia, na UCP, Foz, Porto (data sujeita a confirmação)
Fevereiro 2017
De fevereiro a junho: Curso de Formação de Pastoral da Fragilidade, no Centro de Cultura Católica

02 – Festa da Apresentação do Senhor - Dia do Consagrado

02 – Conselho Diocesano para os Assuntos Económicos

04 – Dia com… os Institutos Seculares – Adolescentes e Jovens

04 – Jornada Diocesana da Família, na CDV

05 – Formação Permanente dos MEC’s, na CDV

06 – Dia da Universidade Católica Portuguesa

10 a 12 – 8.º Cursilho para Cursilhistas

11 – Dia Mundial do Doente – Celebração na CDV

12 – Formação Permanente dos MEC’s, na Igreja de Bustelo, Penafiel

14 – Formação Permanente dos MEC’s, no Colégio das Teresianas, Santo Tirso

15 – Formação Permanente dos MEC’s, no Salão Paroquial de São M. de Infesta

18 – Conselho Diocesano de Pastoral

17 a 19 – Retiro para Catequistas

18 – Redescobrir o caminho da fé (encontros sobre a fé) – Jovens – na CJ

18 e 19 – Ação de formação para professores de EMRC, na CDV

19 – Formação Permanente dos MEC’s, no Centro Pastoral de Amarante

21 – Formação Permanente dos MEC’s, no Centro Paroquial de S.J. da Madeira

22 – Conselho Presbiteral

22 – Formação Permanente dos MEC’s, Carvalhos (Seminário), Gaia

22 a 25 – 253.º Cursilhos de Senhoras
Março 2017

01 – Celebração das Cinzas

02 – Conselho Diocesano para os Assuntos Económicos

04 e 05 – 59.º Encontro de casais (Cursilhos de Cristandade)

06 –Teologia da Vocação – Agentes de Pastoral (CJ)

13 – Te Deum, no 4.º aniversário da eleição do Papa Francisco, na Catedral

18 – Jornadas diocesanas do Apostolado da Oração, na CDV

18 – Redescobrir o caminho da fé (encontros sobre a fé) – Jovens – na CJ

14 a 18 – Semana da EMRC: “Maria, a mulher mais poderosa do mundo”

22 a 25 – 314.º Cursilhos de Homens

31/3, 1 e 2/4 – Retiro — Pastoral da Juventude e Pastoral Universitário
Abril 2017
06 – Conselho Diocesano para os Assuntos Económicos

08 – Dia Diocesano da Juventude (Santuário de Nossa Senhora da Assunção)

09 – Celebração do Domingo de Ramos

13 – Quinta-feira Santa: Missa Crismal e Missa da Ceia do Senhor

14 – Sexta-Feira Santa: Celebração da Paixão do Senhor

15 – Vigília Pascal

16 – Domingo de Páscoa

22 e 23 – 173.º Mini-Cursilho – 250.º Senhoras e 310.º de Homens

25 – Vi­das felizes, testemunhos partilhados — Pastoral da Juventude e Pastoral Universitária

26 a 29 – 254.º Cursilhos de Senhoras

29 – Acólitos da Diocese ao encontro do Seminário – Região Pastoral Sul

29 – Dia com… os Consagrados de Vida Apostólica – Adolescentes e Jovens

29 – Dia de São Jorge (CNE)

30 – Encontro diocesano da Pastoral das Missões

30/4 a 7/5 – Semana de Oração pelas Vocações
Maio 2017
05 – Jornadas de Pastoral Vocacional, para o Clero

05 – XV Encontro de alunos de EMRC – Parque da Pasteleira (local e data sujeitos a confirmação)

05 – Conselho Diocesano para os Assuntos Económicos

06 – Jornadas de Pastoral Vocacional, para os Leigos e Vida Consagrada

06 – Vigília Diocesana de Oração pelas Vocações

07 – Bênção dos Finalistas – Avenida dos Aliados, Porto

10 – Reunião de Vigários

14 a 21– Semana da Vida

20 – Redescobrir o caminho da fé (encontros sobre a fé) – Jovens – CJ

20 – Encontro de Dirigentes e Reitores de Ultreia – Cursilhos de Cristandade

20 e 21 – Academia de Animadores de Grupos de Jovens

22 – Dia do Colégio de Ermesinde

24 – Conselho Presbiteral

25 – Encontro diocesano dos assessores vicariais da pastoral juvenil, na CDV

26 a 29 – 96.º CDA (246 Senhoras / 306 Homens e 247 Senhoras e 307 Ho­mens) – Cursilhos de Cristandade

27 – Curso de preparação para novos MEC’s, na CDV

27 – Apresentação ao Seminário – Adolescentes e Jovens

27 – Conselho Diocesano de Pastoral

27 – Conselho Diocesano de Pastoral Juvenil

Junho 2017
Em Junho – a calendarizar - Campo de Férias – Pastoral Juvenil

01 – Conselho Diocesano para os Assuntos Económicos

02 – Dia do Colégio de Gaia

03 – Curso de preparação para novos MEC’s, na Casa Diocesana de Vilar

03 e 04 – 174.º Mini-Cursilho – 251.º Senhoras e 311.º de Homens

07 – Conselho Diocesano da Pastoral Universitária, no Centro Dehonia­no, Boavista

07 a 10 – 315.º Cursilhos de Homens

11– Iniciativa “Evangelho na Cidade”, para Catequistas

11 – Dia Diocesano da Família, no Pavilhão Multiusos, em Gondomar

11 – Dia de Oração pela Vida Consagrada Contemplativa

11– Dia com… os Consagrados de Vida Contemplativa – Adolescen­tes e Jovens

15 – Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue do Senhor

23 – Solenidade do Sagrado Coração de Jesus e Jornada Mundial de Oração pela Santificação dos Sacerdotes

25 – II Encontro Diocesano de Cuidadores, na Casa Diocesana de Vilar

25 – Celebração Diocesana do Apostolado da Oração, na Igreja do Bom Pas­tor, em Ermesinde

26 e 27– Reunião de Vigários
Julho 2017
Em julho – a calendarizar - Escolas de Verão - Summer School: Homens No­vos (Pastoral da Juventude e Pastoral Universitário)

01 – Formação e Lançamento do novo ano escolar dos professores EMRC

06 – Reunião do Conselho para os Assuntos Económicos

07 – Apresentação do Plano Diocesano de Pastoral 2017-2018

08 – Acólitos da Diocese ao encontro do Seminário – Região Pastoral Grande Porto

09 – Ordenações, na Catedral

15 e 16 – Jornadas diocesanas de formação de catequistas, na CDV

19 a 22 – 255.º Cursilhos de Senhoras

31/7–06/8 – Acampamento Nacional CNE

Setembro 2017
09 – Peregrinação Diocesana a Fátima

30 – Recoleção Espiritual para os novos MEC’s, na CDV
Outubro 2017

01 – Celebração da Designação de novos MEC’s, na Catedral


VI. Instrumento de análise da prática pastoral:

Exame prático à nossa pastoral para ir um pouco mais longe
Duas notas prévias
A ideia deste instrumento de análise pastoral e as questões aqui apresentadas são inspiradas e desenvolvidas, a partir de uma ideia e de esquema propostos por MARIE-AGNÉS DE MATEEO-FRANÇOIS-XAVIER AMHERDT, no livro “Abrir-se à fecundidade do Espírito. Fundamentos de uma pastoral de gestação”, recentemente publicado (Ed. Paulinas, 2016, pp. 209-213). Quisemos complementar este instrumento, com citações e perspetivas pastorais emergentes da leitura da Exortação Apostólica Evangelii Gaudium, situadas na perspetiva do nosso Plano Diocesano de Pastoral e dos seus objetivos.
Estas questões, agrupadas em sete impulsos para se abrir à fecundidade do Espírito e em outros tantos objetivos pastorais, podem e devem ser vistas ou revistas, encurtadas ou ampliadas, em função da vida concreta de cada comunidade cristã. Podem ser objeto de discussão em grupo, em assembleia ou em sede de Conselho Pastoral. Para melhor proveito pastoral, sugerimos atribuir e repartir determinadas questões, por determinados grupos, ou em determinados tempos, de modo que o número de questões não inviabilize a reflexão partilhada. São questões que, no seu todo ou em parte, podem servir de guia à preparação de uma visita pastoral, à programação ou à avaliação e revisão pastorais de uma comunidade, incidindo mais ou menos, numa ou noutra área pastoral, de acordo com a realidade concreta. É um instrumento também aplicável e adaptável às Associações, Movimentos, Obras, Secretariados, tendo em conta, obviamente, o carisma e a especificidade pastoral de cada um. O nosso desejo é que este instrumento nos ajude a programar e a avaliar a nossa vida pastoral, para podermos ir sempre um pouco mais longe…
1. Recuperar a frescura do Evangelho:
Comunidades renovadas nas fontes da Palavra!

«A Sagrada Escritura é a fonte da alegria» (EG, 5).
1.1. Que tempos e lugares oferecemos, para a iniciação e o aprofundamento bíblicos, para a partilha da Palavra de Deus, para a familiaridade com a Sagrada Escritura, para o exercício da lectio divina (EG, 174-175; 152-153; 262)? Estes tempos e lugares são suficientes? Têm horários adequados? Chegam a quantos?
1.2. A Catequese funciona segundo o modelo escolar ou procura ser um percurso de iniciação cristã, com caminhos diferenciados, novas formas, segundo as idades e as capacidades de cada um? Ousamos novas formas de Catequese, que correspondam às necessidades concretas das pessoas, para todas as idades?
1.3. As manifestações da religiosidade popular (EG, 122-126) são enriquecidas pela iluminação bíblica? As “devoções” são valorizadas pela reflexão bíblica?

2. A alegria do Evangelho é a nossa missão:
Comunidades renovadas pela alegria do encontro com Cristo na oração!

«Uma pessoa não enamorada não convence ninguém» (EG, 266).
2.1. Nas nossas reuniões, de grupo, e em comunidade, há suficiente lugar para a experiência da oração? Estas experiências de oração são bem preparadas? Têm horários e modos adequados?

2.2. Oferecemos oportunidades de experiências diversificadas de oração [liturgia das horas, adoração do Santíssimo (EG, 262), lectio divina (EG, 152-153; 262), oração do rosário, via-sacra, oração de Taizé…]?


2.3. Estamos em sintonia com as propostas de oração feitas pela Igreja Universal e Diocese? Proporcionamos experiências de orações temáticas (pela paz, pelas famílias, pelas vocações, pelas missões, etc.)?

3. Celebrar a alegria pelas maravilhas do Senhor:
Comunidades renovadas na fonte inesgotável da Liturgia!

«A Liturgia é fonte dum renovado impulso para se dar» (EG, 24).
3.1. Valorizamos a centralidade do domingo, o dia do Senhor e o Senhor dos dias, como principal dia de festa a propor e a introduzir na piedade dos fiéis (SC, 106)? Promovemos a assembleia eucarística, como «alma do domingo» e trabalhamos para que floresça o sentido da comunidade paroquial, na celebração comunitária da missa dominical? Vivemos o domingo, como «dia da Igreja» (DD, 35)? Os horários, espaços e locais das celebrações estão sintonizados com esta centralidade do domingo e ajustados às necessidades da comunidade? Que precisamos de rever?
3.2. Cuidamos do acolhimento e da preparação para a celebração dos sacramentos e oferecemos propostas diferenciadas e ajustadas às situações pessoais concretas? Aproveitamos estas circunstâncias como oportunidades missionárias de primeiro anúncio?

3.3. Iniciamos à liturgia, os mais pequenos, ou os que não têm experiência comunitária da celebração litúrgica? Trabalhamos para uma maior compreensão da liturgia, através de uma iniciação mistagógica (EG, 166)? As nossas celebrações, pela sua beleza e riqueza, propiciam um verdadeiro encontro com Cristo? Estamos convictos de que a Igreja evangeliza e evangeliza-se com a beleza da liturgia (EG, 24; 167)?


4. Irradiar a misericórdia com alegria:
Comunidades renovadas nas fontes da misericórdia!

«Esta abertura do coração é fonte de felicidade» (EG, 272).
4.1. Conhecemos realmente os pobres e as diversas formas de pobreza no nosso contexto comunitário (pobreza económica, pobreza cultural, pobreza relacional, pobreza espiritual)?
4.2. Como acolhemos e acompanhamos as diversas formas de pobreza e fragilidade humanas (EG, 197-201), nas suas diversas expressões (doença, solidão, velhice, desemprego, divórcio, luto, doença)? Que cuidado espiritual (EG, 200) nos merecem as pessoas pobres e frágeis? Podemos dizer que os pobres sentem a comunidade como sua casa (EG, 199)?
4.3. Deixamo-nos evangelizar (aprender, escutar, interpelar, converter e transformar) pelos pobres e frágeis (EG, 198)? Olhando para Maria, acreditamos na força revolucionária da ternura e do afeto (EG, 88; 288)?

5. Renovar-se na alegria da comunhão:
Comunidades renovadas nas fontes da comunhão!

O prazer de ser Povo de Deus, «fonte de uma alegria superior»” (EG, 268).


5.1. Estamos em sintonia com as propostas da Diocese e do seu Plano Pastoral? Conhecemo-las? Procuramos aplicá-las e adaptá-las ao nosso contexto pastoral?
5.2. Valorizamos a Vigararia, como unidade fundamental da pastoral de conjunto (ODP, 108), âmbito eclesial necessário e vital para a programação e partilha pastorais? Estamos em comunhão com a Vigararia? Participamos e envolvemo-nos nas iniciativas pastorais propostas? Estamos abertos a experiências de interparoquialidade, que fomentem a comunhão e potenciem os resultados do trabalho pastoral?
5.3. O Conselho Paroquial de Pastoral funciona como instrumento de unidade e de corresponsabilidade pastorais? É verdadeiramente um órgão permanente, representativo e consultivo, que, em união com o pároco e em comunhão com a Igreja Diocesana, ajuda a programar, coordenar e avaliar a ação pastoral da comunidade paroquial, na diversidade e complementaridade dos seus ministérios, serviços, dons e carismas? Os grupos e pessoas da comunidade conhecem-se, estimam-se reciprocamente e interagem, em ordem à conjugação eficaz de todos os serviços na unidade de ação pastoral?
6. Assumir a vocação de discípulos missionários para uma Igreja em «saída»:
Comunidades renovadas pela doce e reconfortante alegria de evangelizar!

«Todos somos discípulos missionários» (EG, 119-120).
6.1. Os agentes pastorais procuram ter uma formação básica e permanente? Ou julgam-nas dispensáveis? Como melhorar as propostas de formação, de modo a adequá-las às possibilidades e limites da vida concreta das pessoas?
6.2. Os costumes, os estilos, os horários, a linguagem e a estrutura da nossa comunidade estão vocacionados para a evangelização ou simplesmente para a preservação (EG, 27)? Vivemos de acordo com o cómodo critério pastoral «fez-se sempre assim» (EG, 33) ou estamos abertos às necessárias mudanças?
6.3. Que grupos e respostas pastorais fazem falta à comunidade, para cumprir melhor a sua missão, nos diversos âmbitos (acolhimento personalizado, acompanhamento diferenciado, diálogo com a sociedade e a cultura)?...
7. Renovar-se na alegria da missão (EG, 1-13):
Comunidades renovadas na alegria transbordante da missão!

«Esta tarefa deve ser a fonte de maiores alegrias» (EG, 15).
7.1. Que oportunidades de encontro oferecemos, para não crentes ou pessoas em busca? Que iniciativas tomamos de «saída», ao «encontro» dos mais afastados? (EG, 20-24; 49)? Que atenção pastoral privilegiada damos às famílias (acolhimento, acompanhamento, discernimento) e aos jovens, em ordem à sua integração comunitária?
7.2. Usamos bem as novas linguagens e os novos meios de comunicação? Cuidamos bem da linguagem, da imagem e da mensagem, na promoção, divulgação e irradiação das nossas iniciativas evangelizadoras? Usamos bem as novas tecnologias de informação e comunicação, no sonho de chegar a todos e no propósito de tecer redes de proximidade e de comunhão?
7.3. Propomos o ideal evangélico e a vocação cristã em todas as suas idades e expressões, valorizando as famílias e os jovens, como sujeitos e protagonistas da evangelização?


VII. Oração de consagração

e Hino do centenário das apari­ções de Fátima

Salve, Mãe do Senhor,

Virgem Maria, Rainha do Rosário de Fátima!

Bendita entre todas as mulheres,

és a imagem da Igreja vestida da luz pascal,

és a honra do nosso povo,

és o triunfo sobre a marca do mal.
Profecia do Amor misericordioso do Pai,

Mestra do anúncio da Boa-Nova do Filho,

Sinal do fogo ardente do Espírito Santo,

ensina-nos, neste vale de alegrias e dores,

as verdades eternas

que o Pai revela aos pequeninos.


Mostra-nos a força do teu manto protetor.

No teu Imaculado Coração,

sê o refúgio dos pecadores

e o caminho que conduz até Deus.

Unido/a aos meus irmãos,

na Fé, na Esperança e no Amor,

a Ti me entrego.
Unido/a aos meus irmãos, por Ti,

a Deus me consagro,

ó Virgem do Rosário de Fátima.

E, enfim, envolvido/a na Luz que das tuas mãos nos vem,

darei glória ao Senhor, pelos séculos dos séculos.

Ámen.


Hino do centenário das aparições de Fátima

Ver partitura na edição em pdf



Refrão:

Ave o clemens, Ave o pia!

Salve Regina Rosarii Fatimae

Ave o clemens, Ave o pia!

Ave o dulcis Virgo Maria.
1. Ouvindo o arauto da mensagem

Ó Terra eleita que o Espírito lavra,

Também dizemos: ó cheia de graça,

Sois serva e mensageira da Palavra

Saudada pro todas as gerações

Feliz entre as mulheres sois, Maria!

Bendito o Anjo que Vos precedeu,

Custódia, como vós, da Eucaristia.


2. Os pastores e os magos acorreram,

Louvando tão alta maternidade.

Com eles, procuramos Jesus Cristo

Que do Céu trazeis à humanidade.

A palavra de Jesus, Verbo Eterno,

Guardáveis toda em Vosso Coração,

Refúgio triunfante para os homens

Que fazem penitência e oração.


3. No templo apresentastes Vosso Filho

E o anúncio da espada ecoou:

Dor que jorra da Cruz do Homem-Deus,

Dor que sobre a azinheira ressoou.

Ensinando a excelsa Sabedoria,

Encontrastes Jesus entre os doutores;

Mensagem que ensinais à multidão,

Pedindo a conversão dos pecadores.


4. Felizes seios, benditas entranhas,

Que geraram Jesus, o Salvador!

Alimentam a Igreja e o mundo,

Pregando o Evangelho do Amor.

Solícita nas núpcias dos esposos:

“Fazei tudo o que Ele Vos disser”;

Pregão que sai do alto da azinheira

Por Vossos lábios, ó Nova Mulher.


5. Dolorosa, de pé, junto ao Madeiro,

Gerastes, no Calvário, a humanidade;

As dores desse parto Vos trouxeram

Ao mundo que tem ânsia da verdade.

A alegria da gloriosa Páscoa

Sentistes, Virgem pura, ó Mãe Santa!

Vitória sobre o mal Vós nos pedis

– Eis a mensagem que Fátima canta.


6. No meio da Igreja que nascia

Recebestes o Espírito dos céus;

Viestes missionária à nossa terra,

Proclamando as maravilhas de Deus.

Junto com os discípulos de Cristo,

Oráveis na assembleia dos cristãos

E continuais orando pelo mundo,

A Deus levantais, ternas, Vossas mãos.


7. Gozando das primícias do Reino,

Habitais a Jerusalém do Céu

Donde viestes para nos falar,

‘stendendo sobre nós benigno véu.

À direita de Cristo, sois rainha

Ornada de ouro fino de esplendor;

P’ra lá nos qu’reis levar, ó Mãe bendita!

Àquela luz que é Deus, o Deus do Amor.


8. Vós sois, Senhora, a Mãe do Rosário,

Sois a Mãe da Alegria e da Luz,

A Mãe das Dores e a Mãe da Glória,

Mãe do Messias-Cristo que é Jesus.

Todos os dias seguimos, Senhora,

Vossa admirável recomendação:

Contemplar Jesus Cristo no Rosário

Para alcançar a eterna Salvação.


9. A Deus queremos nós oferecer-nos

E os sofrimentos todos suportar;

Orando pelo vigário de Cristo,

A vida plena ansiamos alcançar.

Reparando as vidas do pecado,

Suplicando, chorando nossas dores,

Dizemos: “Jesus, é por Vosso amor

E pela conversão dos pecadores”.


10. Visitastes o Povo que nasceu

Das águas do batismo redentor,

Pedindo penitência e oração,

Pedindo conversão ao Deus-Amor.

Meditando de Cristo os mistérios,

Proclamando a mensagem que Deus faz

– É o mandato que trazeis, Senhora,

Para que o mundo inteiro alcance a paz.


11. Senhora do Rosário, ao Vosso nome,

Erguemos a capela, em oração;

Unidos à Igreja Universal,

Nela louvamos Cristo, Novo Adão.

Nela louvamos Cristo, nossa luz,

Com a chama da fé em nossa mão.

E as mãos alvas que alevantamos

São símbolo da paz e do perdão.


12. Rezamos pela paz no mundo inteiro

Em Fátima, no Vosso Santuário,

Que é terra da paz, Cova da Iria,

Ó Virgem Mãe, Senhora do Rosário!

O Vosso Coração Imaculado

Doce refúgio é do pecador:

Triunfo para glória da Trindade,

Cantando a Civilização do Amor.


13. Visitando os pequenos, as crianças,

Mostrais desígnios de misericórdia.

Erguendo a Vossa cátedra, Senhora,

Chamais o ser humano à concórdia.

Ensinando as verdades eternas

e a arte de orar, crer e amar,

Em Fátima, sois mestra, sois doutora,

Sois de Deus profecia, em Vosso altar.


VIII. Aclamação com o lema do ano pastoral 2016/2017

Ver partitura na edição em pdf


IX. Siglário
AL—Exortação Apostólica Pós-Sinodal do Papa Francisco, «Amoris Laeti­tia» (A Alegria do Amor) sobre o amor na família (19.03.2016)

CIC—Catecismo da Igreja Católica (15.08.1997)

DD—Carta Apostólica do Papa João Paulo II, «Dies Domini» (O Dia do Senhor) sobre a santificação do domingo (31.05.1998)

EG—Exortação Apostólica do Papa Francisco «Evangelii Gaudium» (A alegria do Evangelho) sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual (24.11.2013)

EN—Exortação Apostólica do Papa Paulo VI «Evangelii Nuntiandi» (O Anúncio do Evangelho) sobre a evangelização no mundo contemporâneo (08.12.1975)

GD—Exortação Apostólica do Papa Paulo VI «Gaudete in Domino» (Alegrai­-vos no Senhor), Ed. Telos, Porto, 1975, pp. 12-13

LS—Encíclica do Papa Francisco «Laudato si’» (Louvado sejas), sobre o cui­dado da casa comum (24.05.2015)

MV—Bula «Misericordiae vultus» (O rosto da misericórdia) do Papa Francis­co, na proclamação do Jubileu Extraordinário da Misericórdia (11.04.2015)p93

NMI—Carta Apostólica do Papa João Paulo II «Novo Millennio ineunte» (No início do novo milénio), no termo do Grande Jubileu do Ano 2000 (06.01.2001)

ODPOrientações Diocesanas de Pastoral - Diocese do Porto (15.08.1991)

PDP—Plano Diocesano de Pastoral da Diocese do Porto, para o quinquénio 2015/2020 (julho 2015)

SC—Constituição «Sacrosanctum Concilium» (Sagrado Concílio), do Concílio Vaticano II, sobre a Liturgia (04.12.1963).

Índice temático
I. Pórtico
II. A visita da Imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima

no Ano da Misericórdia: Intuições e desafios para a missão
1. A Imagem de uma Igreja em saída

2. A Virgem da ternura e a cultura do encontro

3. Maria, “Causa da nossa alegria”

4. A Misericórdia como princípio de ação pastoral

5. A piedade popular como força de evangelização

6. A beleza da comunhão que irradia em missão

7. O segredo de Maria: renovai-vos nas fontes da alegria!
III. O centenário das aparições: fonte de inspiração e de renovação pastoral
1. O prelúdio das aparições: a fonte da Eucaristia

2. A Mensagem das aparições: as fontes da oração e da penitência

3. A revelação das aparições: Graça e Misericórdia

4. A revelação aos pequeninos: a simplicidade evangélica

5. O testemunho das crianças: a resposta vocacional

6. Senhora mais brilhante que o sol: a dignidade da mulher

7. A alegria da criação: a aliança entre a humanidade e o ambiente

8. O sentido da peregrinação: o caminho da alegria

9. O triunfo da misericórdia: irradiar a esperança

IV. Plano Diocesano de Pastoral 2016-2017:

A alegria do Evangelho é a nossa missão!

Com maria, renovai-vos nas fontes da alegria!
1. Plano Diocesano de Pastoral para o quinquénio 2015 – 2020. Lema: A alegria do Evangelho é a nossa missão!

2. Lema para cada um dos cinco anos do Plano Diocesano de Pastoral

3. Plano diocesano de pastoral para 2016/2017: quadro sinótico com os objetivos, meios, modos, agentes e destinatários

3.1. Na Pastoral do Anúncio da Fé

3.2. Na Pastoral da Celebração da Fé

3.3. Na Pastoral da Caridade

3.4. Na Pastoral Comunitária
V. Calendário diocesano do ano pastoral 2016-2017
VI. Instrumento de análise da prática pastoral:

Exame prático à nossa pastoral, para ir um pouco mais longe
1.Recuperar a frescura do Evangelho: Comunidades renovadas nas fontes da Palavra!

2. A alegria do Evangelho é a nossa missão: Comunidades renovadas pela alegria do encontro com Cristo na oração!

3. Celebrar a alegria pelas maravilhas do Senhor: Comunidades reno­vadas na fonte inesgotável da Liturgia!

4. Irradiar a misericórdia com alegria: Comunidades renovadas nas fontes da misericórdia!

5. Renovar-se na alegria da comunhão: Comunidades renovadas nas fontes da comunhão!

6. Assumir a vocação de discípulos missionários para uma «Igreja em saída»: Comunidades renovadas pela doce e reconfortante alegria de evangelizar!



7. Renovar-se na alegria da missão (EG, 1-13): Comunidades renovadas na alegria transbordante da missão!
VII. Oração de consagração e Hino do centenário das apari­ções de Fátima
VIII. Aclamação com o lema do ano pastoral 2016/2017
IX. Siglário



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