O homem Espiritual



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O Pecado mortal


A Bíblia menciona um tipo de pecado mortal ou pecado "para morte" (1 Jo 5.16). Não se trata aqui da morte espiritual, pois a vida eterna que Deus dá jamais se pode extinguir. Isso também não pode ser uma alusão à "segunda morte", já que as ovelhas do Senhor não podem perecer. Portanto o termo "morte" aqui significa necessariamente a morte do corpo.

Vejamos, então, qual é, especificamente, a essência do pe­cado mortal. Sabendo isso, poderemos evitá-lo, a fim de que (1) nossa carne não sofra corrupção, (2) não venhamos a per­der a bênção de ser arrebatados antes da morte, ou (3) possa­mos ainda terminar a obra que o Senhor determinou para nós. Assim, a concluiremos antes que nosso tempo termine e mor­ramos, caso ele demore e tenhamos de passar pela sepultura. Podemos dizer que, pelo fato de muitos filhos de Deus ignora­rem essa questão, eles morreram prematuramente e perderam sua coroa. Muitos obreiros ainda poderiam estar servindo ao Senhor, caso tivessem levado isso em consideração.

A Palavra não define claramente em que consiste esse pe­cado. Ela só nos assegura que ele existe e podemos cometê-lo. Pelos registros das Escrituras, entendemos que esse peca­do varia de uma pessoa para outra. O que para uns é mortal, para outros pode não ser, e vice-versa. Isso se deve às varia­ções na graça que cada crente recebe, no conhecimento que cada um tem e na posição que cada um alcança.

Embora a Bíblia, em nenhum lugar, dê nome a esse peca­do, podemos no entanto observar que qualquer pecado que resulte em morte constituiu-se em pecado mortal. O povo de Israel cometeu tal pecado em Cades (Nm 13.25 a 14.12). Em­bora tivessem tentado o Senhor muitas vezes antes (14.22), em todas elas ele simplesmente lhes perdoou. E mesmo nes­sa vez, quando se recusaram a entrar em Canaã, apesar de lhes ter perdoado, ele também determinou que o cadáver de­les caísse no deserto (14.32).

Nas águas de Meribá, Moisés foi tentado a falar "irrefletidamente" (Sl 106.33). Esse foi seu "pecado mortal", por isso morreu fora de Canaã. Arão cometeu a mesma ofensa que Moisés, e foi também proibido de entrar na terra san­ta (Nm 20.24). O homem de Deus que viajava de Judá para Betel desobedeceu à ordem do Senhor com respeito a co­mer e beber. Com isso, cometeu seu pecado mortal (1 Rs 13.21,22). No Novo Testamento, vemos Ananias e Safira sendo punidos com a morte por terem cometido o que para eles foi seu pecado mortal. Tentaram mentir ao Espírito Santo, guardando parte do produto da venda de sua pro­priedade (At 5). O homem de Corinto, que viveu com a esposa do pai, também foi culpado desse pecado, forçan­do o apóstolo Paulo a pronunciar julgamento sobre ele, dizendo que fosse "entregue a Satanás para a destruição da carne" (1 Co 5.5). Em Corinto, muitos irmãos morre­ram por não terem discernido o corpo e o sangue do Se­nhor (1 Co 11.27-30). Esses também cometeram o pecado para a morte.

Para vencer a mortalidade, temos de lutar com persistên­cia contra o pecado, porque é ele que traz a morte. Quem deseja viver até ao fim do tempo que Deus designou para ele, ou até a volta do Senhor, precisa ser cuidadoso para não pecar. Por negligenciar essa questão, muitos têm sido leva­dos para a sepultura prematuramente. O pecado mortal não é nenhuma transgressão particular e terrível, pois a Bíblia não o define em nenhum lugar. O pecado de fornicação, co­metido pelos coríntios, pode ser considerado como mortal. Contudo palavras irrefletidas, como as que Moisés pronun­ciou, também podem tornar-se um pecado para morte. Ob­servemos como as Escrituras caracterizam Moisés: "Era o varão Moisés mui manso, mais do que todos os homens que havia sobre a terra" (Nm 12.3). Por isso, Deus não poderia tolerar nenhum pecado na vida desse homem.

Vivemos no tempo da graça. Deus é cheio de graça para conosco. Que nosso coração esteja confortado! Não permita­mos que Satanás nos acuse, insinuando que cometemos o pecado mortal, e que por isso devemos morrer. Embora a Bí­blia não ordene que oremos pelos que cometeram o pecado mortal, Deus nos perdoará se julgarmos a nós mesmos e ge­nuinamente nos arrependermos. Na opinião de muitos estu­diosos da Bíblia, o homem de 2 Coríntios 2.6,7 é o mesmo que viveu com a esposa do pai. Em 1 Coríntios 11.30-32, Pau­lo ensina que, mesmo que tenhamos cometido o pecado para morte, podemos escapar se verdadeiramente nos julgarmos. Desse modo, não devemos permitir que nenhum pecado rei­ne em nosso corpo, para que não se torne um pecado mortal. Nossa carne pode estar enfraquecida, todavia jamais deve­mos perder a atitude de julgar a nós mesmos. Temos de jul­gar nosso pecado sem misericórdia. É verdade que nunca podemos alcançar uma perfeição total, isto é, viver sem pe­cados nesta vida, mas é indispensável que os confessemos sempre, confiando na graça de Deus. O Senhor nos perdoa­rá. Aqueles que buscam a vitória sobre a morte precisam lembrar-se disso.

"Ele lhes faz ver as suas obras, as suas transgressões, e que se houveram com soberba. Abre-lhes também os ouvidos para a ins­trução e manda-lhes que se convertam da iniqüidade. Se o ouvi­rem e o servirem, acabarão seus dias em felicidade e os seus anos em delícias. Porém, se não o ouvirem, serão traspassados pela lan­ça e morrerão na sua cegueira. Os ímpios de coração amontoam para si a ira; e, agrilhoados por Deus, não clamam por socorro. Perdem a vida na sua mocidade e morrem entre os prostitutos cultuais." Jó 36.9-14.)


Os ensinamentos de Provérbios


O livro de Provérbios focaliza o viver diário do crente aqui neste mundo. Nele podemos aprender bastante sobre como conseguimos nos manter vivos. Aqui vamos examinar prin­cipalmente as instruções dele relacionadas com o modo de vencermos a morte.

"Filho meu, não te esqueças dos meus ensinos, e o teu coração guarde os meus mandamentos; porque eles aumentarão os teus dias e te acrescentarão anos de vida e paz." (3.1,2.)

"Será isto saúde para o teu corpo e refrigério, para os teus os­sos. "(3.8.)

"Retenha o teu coração as minhas palavras; guarda os meus man­damentos c vive." (4.4.)

"Ouve, filho meu, e aceita as minhas palavras, e se te multipli­carão os anos de vida." (4.10.)

"Retém a instrução e não a largues; guarda-a, porque ela é a tua vida." (4.13.)

"Porque (meus ensinamentos) são vida para quem os acha e saú­de, para o seu corpo." (4.22.)

"Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o coração, porque dele procedem as fontes da vida." (4.23.)

"O que adultera com uma mulher está fora de si; só mesmo quem quer arruinar-se é que pratica tal coisa." (6.32.)

"Porque o que me acha (sabedoria) acha a vida e alcança favor do Senhor." (8.35.)

"Porque por mim (sabedoria) se multiplicam os teus dias, e anos de vida se te acrescentarão." (9.11.)

"A justiça livra da morte." (10.2.)

"O temor do Senhor prolonga os dias da vida, mas os anos dos perversos serão abreviados." (10.27.)

"Na vereda da justiça, está a vida, e no caminho da sua carreira não há morte." (12.28.)

"O temor do Senhor é fonte de vida para evitar os laços da mor­te." (14.27.)

"O ânimo sereno é a vida do corpo, mas a inveja é a podridão dos ossos." (14.30.)

"Para o sábio há o caminho da vida que o leva para cima, a fim de evitar o inferno, embaixo." (15.24.)

"O que rejeita a disciplina menospreza a sua alma." (15.32.)

"O semblante alegre do rei significa vida." (16.15.)

"O que guarda o seu caminho preserva a sua alma." (16.17.)

"O que guarda o mandamento guarda a sua alma; mas o que despreza os seus caminhos, esse morre." (19.16.)

"O temor do Senhor conduz à vida." (19.23.)

"Trabalhar por adquirir tesouro com língua falsa é vaidade e laço mortal." (21.6.)

"O homem que se desvia do caminho do entendimento na con­gregação dos mortos repousará." (21.16.)

"O que segue a justiça e a bondade achará a vida, a justiça e a honra." (21.21.)

Quando o Espírito de Deus nos instrui a respeito da vitória sobre a morte, descobrimos novos significados nesses ver­sículos. Estamos acostumados a considerar a palavra "vida" apenas dentro do contexto de uma certa terminologia. Quan­do, porém, entendemos melhor as realidades bíblicas, come­çamos a reconhecer que, se cumprirmos as condições estabe­lecidas por Deus, nossa existência física será prolongada. Se, pelo contrário, desobedecermos a esses mandamentos, nos­sa vida se extinguirá gradativamente. Deus nos exorta, por exemplo, a honrar pai e mãe, "para que te vá bem, e sejas de longa vida sobre a terra" (Ef 6.2,3). Se desobedecermos a esse princípio, nosso tempo aqui na Terra será reduzido, devido ao pecado. Deus quer que atentemos para suas palavras para que possuamos a sabedoria, busquemos a justiça, e guarde­mos nosso coração, a fim de não perdermos a vida. Se quiser­mos viver, precisamos aprender a obedecer.


Os poderes do mundo vindouro


A Bíblia diz que, no reino futuro, o Senhor Jesus será o sol da justiça, trazendo salvação 3 em suas asas (Ml 4.2). E "nenhum morador de Jerusalém dirá: Estou doente" (Is 33.24). Naquele tempo nós, os crentes, desfrutaremos daquilo que as Escrituras predizem: "E, quando este corpo corruptível se revestir de incorruptibilidade, e o que é mortal se revestir de imortalidade, então, se cumprirá a palavra que está escrita: Tragada foi a mor­te pela vitória." (1 Co 15.54.) Para os cristãos, a característica da era do reino será a ausência de fraqueza, doenças e morte, por­que nosso corpo terá sido redimido e Satanás, pisado.

As Escrituras igualmente ensinam que, já no presente, po­demos gozar os poderes do mundo vindouro (Hb 6.5). Embo­ra nosso corpo esteja ainda aguardando a redenção, podemos hoje, pela fé, gozar antecipadamente os poderes do mundo por vir, livres de fraquezas, doenças e morte. Essa experiência é muito profunda, mas, se o cristão satisfizer as exigências de Deus, e confiar plenamente na Palavra do Senhor, poderá des­frutar dela. Para a fé, não existe tempo. Assim como ela pode receber daquilo que Deus realizou por nós no passado, tam­bém pode obter o que ele ainda há de fazer no futuro.

O apóstolo Paulo descreve a mudança que se operará em nosso corpo, dizendo: "Pois, na verdade, os que estamos nes­te tabernáculo gememos angustiados, não por querermos ser despidos, mas revestidos, para que o mortal seja absorvido pela vida. Ora, foi o próprio Deus quem nos preparou para isto, outorgando-nos o penhor do Espírito." (2 Co 5.4,5.) A palavra "penhor" aí significa um "sinal", isto é, um pagamento inicial que se faz como garantia de que se pagará tudo futu­ramente. O Espírito Santo em nós é a garantia divina de que "o que é mortal será absorvido pela vida". Embora até hoje não tenhamos experimentado essa vitória em sua plenitude, podemos experimentá-la em parte, porque possuímos o Es­pírito Santo como o "sinal". O Espírito nos foi dado para po­dermos antegozar o triunfo futuro da vida.

"É manifestada (a graça de Deus), agora, pelo aparecimen­to de nosso Salvador Cristo Jesus, o qual não só destruiu a morte, como trouxe à luz a vida e a imortalidade, mediante o evangelho." (2 Tm 1.10.)

A vida e a imortalidade, declara o apóstolo, constituem a porção comum de todos aqueles que recebem o evangelho. Daí a pergunta: "Até que ponto o Espíri­to Santo pode induzir o crente a entrar na posse dessa bên­ção?" A morte foi abolida, portanto isso deve trazer algum be­nefício para nós. Esta nossa era, porém, está prestes a termi­nar. Com o arrebatamento em vista, o Espírito Santo pretende levar os cristãos a experimentar mais e mais dessa bênção.

Precisamos crer que é possível antegozar os poderes do mundo vindouro. Quando Paulo exclama: "Graças a Deus,que nos dá a vitória por intermédio de nosso Senhor Jesus Cristo" (1 Co 15.57), está falando de algo que ocorre no pre­sente, mas também está levando em conta o problema da morte. Embora ele esteja se referindo à vitória total sobre a morte que ocorrerá no futuro, ainda assim não deixa essa experiên­cia inteiramente para o porvir. Ele declara que podemos ven­cer por meio do Senhor Jesus, agora!

Um dos princípios pelos quais Deus opera é o seguinte: o que ele pretende fazer numa determinada era manifesta pri­meiro em alguns dos seus fiéis. O que todos vão experimentar no milênio, os membros de Cristo devem experimentar ainda hoje. Mesmo nas dispensações passadas houve pessoas que provaram de antemão dos poderes do mundo vindouro. Quan­to mais, então, a igreja de nossos dias deve experimentar a vitória de Cristo sobre a morte! Deus quer que avancemos e atravessemos as fronteiras do Hades agora. O Senhor nos cha­ma a vencer a morte pelo seu corpo. Nossa batalha só chegará ao fim quando derrotarmos o último inimigo.

Cada um de nós deve procurar saber qual é a vontade do Senhor com respeito ao seu futuro. Não estamos defenden­do aqui nenhuma idéia supersticiosa, no sentido de que não iremos morrer. No entanto é fato que estamos no tempo do fim e a volta de Cristo não vai mais demorar. Deve consumar-se ainda enquanto vivemos. Por isso, devemos exercitar fé e nos apropriar da Palavra de Deus, confiando que não morreremos, mas veremos o rosto do Senhor ainda vivos. Todos nós, que temos essa esperança nele, devemos purificar-nos, assim como ele é puro. Procuremos viver para ele a cada momento, recebendo o poder de sua vida ressurreta para suprir nossas necessidades do espírito, da alma e do corpo.

"Pela fé, Enoque foi trasladado para não ver a morte." (Hb 11.5.)

Devemos crer nisso também. Vamos confiar que não é necessário que morramos. Creiamos que o arrebatamento é certo, e não vai demorar. "Pois, antes da sua trasla­dação, (Enoque) obteve testemunho de haver agradado a Deus." (Hb 11.5.) E nós?



Oh! como é maravilhosa a glória futura! Como é perfeita a salvação que Deus preparou para nós! Levantemo-nos e nos elevemos. Meu anseio é que estejamos tão cheios do "céu" que a carne não tenha mais lugar em nós, e o mundo não exerça mais nenhuma atração sobre nosso coração! Que o amor do Pai possa estar em nós, de modo que não tenhamos mais nenhuma comunicação com o inimigo! Que o Senhor Jesus possa satisfazer nosso coração, de modo que não dese­jemos mais ninguém! E que o Espírito Santo possa fazer bro­tar em cada crente a oração: "Vem, Senhor Jesus!"

F I M

* Serão acrescentadas as entrevistas onde se possam encontrar. (N. do tradutor.)

* Aqui o espírito não é o Espírito Santo mas sim o espírito humano, porque vai precedido da palavra «natural», que literalmente é «anímico». Como «anímico» corresponde ao homem, então aqui «espírito» também corresponde ao homem.

* É obvio que deveríamos observar que há outra classe, reconhecida em Romanos 8:7, que não se preocupa absolutamente de observar a lei de Deus: «a mente que está assentada na carne é hostil a Deus; não se submete à lei de Deus, seriamente não pode»).

* aoristo – grego — tempo verbal que exprime a ação pura e simples sem que  dele, se cogite duração ou acabamento. O aoristo indicativo exprime um fato passado, do qual a duração breve ou longa não tem nenhum interesse para o sujeito falante. Em realidade, ao empregar o aoristo o sujeito falante objetiva apenas a ação em si mesma, sem lhe importar o grau de acabamento.(Nota da tradutora)

1 É verdade que, no tocante à abrangência dessas questões, existe uma diferença entre o Senhor levar sobre si os nossos pecados e levar as doenças. O autor desenvolve mais esse aspecto na mensagem sobre doenças que ele acrescentou a este capítulo, e que aparece mais adiante. (Nota do tradutor chinês- inglês].)

2 Acreditamos que seria útil para o leitor a inclusão da seguinte mensa­gem sobre doença e cura, que o irmão Nee proferiu em 1948. Ela serve como suplemento ao que ele aborda neste capítulo. Embora apareçam al­gumas repetições, achamos melhor a inclusão integral da mensagem. (Nota do tradutor [chinês-inglês].)Gostaríamos de considerar, diante de Deus, algumas ques­tões a respeito da doença.

3 Outras versões dizem "cura", em vez de "salvação". (N. do E.)


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