O homem é o único animal que pode permanecer, em termos amigáveis, ao lado das vitimas que pretende engolir, antes de engoli-las



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REFLEXÃO 005

Brasília, Setembro de 2007



O Homem é o único animal que pode permanecer, em termos amigáveis, ao lado das vitimas que pretende engolir, antes de engoli-las. (Samuel Butler)

O tema da reflexão anterior foi LIBERDADE, e terminamos o texto com o fragmento acima de Samuel Butler. Neste contexto, vamos analisar a relação existente entre LIBERDADE e AGRESSIVIDADE. O que leva amigos, irmãos, filhos e pais elevarem e potencializarem este sentimento a ponto de excluir, matar e eliminar aquele que se destaca, independente da relação que tenha com os mesmos, quando o assunto é ‘liberdade’. “A liberdade, habitualmente conhecida como uma fonte de espontaneidade e de vida ou como a própria manifestação da vida, revela-se à experiência como inseparável da morte” – Pierre Grimal.

A arqueologia vem desvendando um lado da história da humanidade que expõe as atribulações da vida em sociedade, o equilíbrio sutil entre convívio e conflito. Desde o passado mais remoto, o homem tenta manejar a difícil conciliação de interesses, poderes, valores, hábitos, mudanças e emoções inerentes ao ato de viver. A ruptura temporária de alguns mecanismos que tecem a teia dessas relações de convívio — e o rearranjo permanente dos papéis sociais — alimenta situações potenciais de violência. Esse dinamismo próprio das sociedades humanas, portanto, sempre comportará eventos violentos, variáveis segundo os contextos específicos em que estão inseridos (Lessa et al., 2001).

As lesões traumáticas agudas são evidências diretas utilizadas nos estudos de violência no passado. Quando analisadas sob uma perspectiva paleoepidemiológica e em associação com dados da cultura material, constituem uma importante ferramenta para a interpretação do comportamento agressivo humano. Este parece mesmo ser subjacente à própria natureza humana, podendo ser registrado desde o tempo dos hominídeos ancestrais do homem e em qualquer tipo de organização social. Marcas inequívocas de golpes confirmam a ocorrência de episódios de agressão física desde a época mais remota até a idade moderna, em todo o mundo. Foram encontrados, por exemplo, mais de um crânio desses antepassados distantes com uma espécie peculiar de fratura que consiste em duas depressões muito próximas uma da outra na parte superior da calota craniana. Em associação com esses crânios recuperaram-se úmeros de antílopes cujos côndilos articulares encaixavam-se perfeitamente nessas depressões, sugerindo fortemente que eles haviam sido utilizados para a aplicação dos golpes (Wells, 1964).

O estudo do padrão e da distribuição das marcas de golpes e outras agressões físicas contribuem para o entendimento da emergência, aplicação, das motivações e do impacto da violência ao longo do tempo, bem como da sua manutenção na atualidade.

Estudar o comportamento humano a partir da pesquisa arqueológica é, portanto, um exercício de reconhecimento e atribuição de significado a pistas materiais do imaterial. E estudar a violência a partir dessas pistas significa encontrar sinais de um comportamento regular no qual a vida foi ameaçada, o sofrimento físico existiu, a liberdade foi tolhida e ocorreu a expropriação. É também um exercício de sobrepor às análises quantitativas um significado que considere, pelo menos em parte, a complexidade do conceito de violência.

A agressividade humana é condição que apresenta grande impacto social. Seu tratamento permanece controverso. Várias teorias sobre sua etiologia, substratos biológicos, genéticos e socioculturais foram propostas para justificá-la. Pesquisadores apresentam revisão sumária sobre bases anatômicas e neuroquímicas, aspectos psiquiátricos e ético-legais da agressividade sobre a seleção e indicações dos procedimentos terapêuticos cirúrgicos destinados a seu controle.

Qual a explicação coerente de atitudes que levam líderes de uma sociedade a matar Sócrates, um homem que teoricamente só estava ajudando seus contemporâneos a refletir sobre o seu tempo? E, o que dizer de Ernesto Guevara, argentino-cidadão-do-mundo, o mais extraordinário combatente das guerrilhas latino-americana, que achou mais útil ao seu povo servindo à causa da Revolução Internacional que a medicina. Um dos vultos da história continental e um dos mártires da América, lutou pelas sofridas repúblicas da Guatemala, Cuba e Bolívia, considerado o apóstolo da liberdade. Morto no povoado boliviano de Higueras, aos 39 anos de idade, pelo capitão Gary Prado Sagado – Chefe da companhia do 2º regimento, que o capturou e dispara-lhe nas costas uma rajada de metralhadora, de cima para baixo. O coronel André Selnich, comandante do 3º Grupo Tático, superior hierárquico do primeiro, dá-lhe o tiro de misericórdia, com uma pistola de 9 mm. A bala atravessa-lhe o coração e o pulmão.

E sobre a morte de Joaquim José da Silva Xavier (Tiradentes), o grande mártir da independência do nosso país, filho de um pequeno fazendeiro e que tinha o sonho de liberdade. Foi traído pelo seu companheiro, o coronel Joaquim Silvério dos Reis. Tiradentes foi enforcado a 21 de abril de 1792, no Largo da Lampadosa, Rio de Janeiro. Seu corpo foi esquartejado, sua cabeça foi erguida em um poste em Vila Rica, arrasaram a casa em que morava e declararam infames os seus descendentes.

E, o que poderíamos comentar, ainda, sobre a atrocidade da ‘Morte de Cristo’, que também tinha um sonho com dimensão universal : Salvar o mundo de suas transgressões. Foi traído pelo seu amigo, Judas Iscariotes, que entregou-o aos seus capturadores por 30 moedas de prata, com um beijo. Abaixo, vamos transcrever “A dor da Crucificação”, relatada por um médico e cirurgião francês :


Jesus entrou em agonia no Getsemani - escreve o evangelista Lucas - orava mais intensamente. "E seu suor tornou-se como gotas de sangue a escorrer pela terra". O único evangelista que relata o fato é um médico, Lucas. E o faz com a precisão dum clínico. O suar sangue, ou "hematidrose", é um fenômeno raríssimo. Se produz em condições excepcionais: para provocá-lo é necessário uma fraqueza física, acompanhada de um abatimento moral violento causado por uma profunda emoção, por um grande medo. O terror, o susto, a angústia terrível de sentir-se carregando todos os pecados dos homens devem ter esmagado Jesus. Tal tensão extrema produz o rompimento das finíssimas veias capilares que estão sob as glândulas sudoríparas, o sangue se mistura ao suor e se concentra sobre a pele, e então escorre por todo o corpo até a terra.
Conhecemos a farsa do processo preparado pelo Sinédrio hebraico, o envio de Jesus a Pilatos e o desempate entre o procurador romano e Herodes. Pilatos cede, e então ordena a flagelação de Jesus.
A cada golpe Jesus reage tem um sobressalto de dor

Os soldados despojam Jesus e o prendem pelo pulso a uma coluna do pátio. A flagelação se efetua com tiras de couro múltiplas sobre as quais são fixadas bolinhas de chumbo e de pequenos ossos.

Os carrascos devem ter sido dois, um de cada lado, e de diferente estatura. Golpeiam com chibatadas a pele, já alterada por milhões de microscópicas hemorragias do suor de sangue.
A pele se dilacera e se rompe; o sangue espirra. A cada golpe Jesus reage em um sobressalto de dor. As forças se esvaem; um suor frio lhe impregna a fronte, a cabeça gira em uma vertigem de náusea, calafrios lhe correm ao longo das costas. Se não estivesse preso no alto pelos pulsos, cairia em uma poça de sangue.

Depois o escárnio da coroação. Com longos espinhos, mais duros que aqueles da acácia, os algozes entrelaçam uma espécie de capacete e o aplicam sobre a cabeça. Os espinhos penetram no couro cabeludo fazendo-o sangrar (os cirurgiões sabem o quanto sangra o couro cabeludo).


Pilatos, depois de ter mostrado aquele homem dilacerado à multidão feroz, o entrega para ser crucificado. Colocam sobre os ombros de Jesus o grande braço horizontal da Cruz; pesa uns cinqüenta quilos. A estaca vertical já está plantada sobre o Calvário. Jesus caminha com os pés descalços pelas ruas de terreno irregular, cheias de pedregulhos. Os soldados o puxam com as cordas. O percurso, é de cerca de 600 metros. Jesus, fatigado, arrasta um pé após o outro, freqüentemente cai sobre os joelhos. E os ombros de Jesus estão cobertos de chagas. Quando ele cai por terra, a viga lhe escapa, escorrega, e lhe esfola o dorso.
Sobre o Calvário tem início a crucificação. Os carrascos despojam o condenado, mas a sua túnica está colada nas chagas e tirá-la é atroz. Alguma vez você tirou uma atadura de gazes de uma ferida? Não sofreram vocês mesmos esta experiência, que muitas vezes precisa de anestesia? Pode agora se dar conta do que se trata.
O fio de tecido adere à carne viva
Cada fio de tecido adere à carne viva: ao lhe tirarem a túnica, se laceram as terminações nervosas postas em descoberto pelas chagas. Os carrascos dão um puxão violento. Como aquela dor atroz não provoca uma síncope?
O sangue começa a escorrer. Jesus é deitado de costas, as suas chagas se incrustam de pó e pedregulhos. Depositam-no sobre o braço horizontal da cruz. Os algozes tomam as medidas. Com uma broca, é feito um furo na madeira para facilitar a penetração dos pregos; horrível suplício! Os carrascos pegam um prego (um longo prego pontudo e quadrado), o apoiam sobre o pulso de Jesus, com um golpe certeiro de martelo o plantam e o rebatem sobre a madeira. Jesus deve ter contraído o rosto assustadoramente. No mesmo instante o seu polegar, com um movimento violento se posicionou opostamente na palma da mão; o nervo mediano foi lesado. Pode-se imaginar aquilo que Jesus deve ter provado; uma dor lancinante, agudíssima, que se difundiu pelos dedos, e espalhou-se, como uma língua de fogo, pelos ombros, lhe atingindo o cérebro. Uma dor mais insuportável que um homem possa provar, ou seja, aquela produzida pela lesão dos grandes troncos nervosos. Isso provocaria uma síncope que faria perder a consciência. Em Jesus não!
Pelo menos se o nervo tivesse sido cortado! Ao contrário (constata-se experimentalmente com freqüência) o nervo foi destruído só em parte: a lesão do tronco nervoso permanece em contato com o prego: quando o corpo for suspenso na cruz, o nervo se esticará fortemente como uma corda de violino esticada sobre a cravelha. A cada solavanco, a cada movimento, vibrará despertando dores dilacerantes. Um suplício que durará três horas.
O carrasco e seu ajudante empunham a extremidade da trava; elevam Jesus, colocando-o primeiro sentado e depois em pé; consequentemente fazendo-o tombar para trás, o encostam na estaca vertical. Depois rapidamente encaixam o braço horizontal da cruz sobre a estaca vertical. Os ombros da vítima esfregaram dolorosamente sobre a madeira áspera. As pontas cortantes da grande coroa de espinhos laceraram o crânio. A pobre cabeça de Jesus inclinou-se para frente, uma vez que a espessura do capacete o impedia de apoiar-se na madeira. Cada vez que Cristo levanta a cabeça, recomeçam pontadas agudíssimas.
Pregam-lhe os pés. Ao meio-dia Jesus tem sede. Não bebeu desde a tarde anterior. As feições são impressas, o vulto é uma máscara de sangue. A boca está semi-aberta e o lábio inferior começa a pender. A garganta, seca, lhe queima, mas ele não pode engolir. Tem sede.
Tudo aquilo é uma tortura atroz
Um soldado lhe estende sobre a ponta de uma vara, uma esponja embebida em bebida ácida, em uso entre os militares. Tudo aquilo é uma tortura atroz. Um estranho fenômeno se produz no corpo de Jesus. Os músculos dos braços se enrijecem em uma contração que vai se acentuando: os deltóides, os bíceps esticados e levantados, os dedos se curvam. Se diria um ferido atingido de tétano, presa de uma horrível crise que não se pode descrever. A isto que os médicos chamam tetania, quando os sintomas se generalizam: os músculos do abdômen se enrijecem em ondas imóveis, em seguida aqueles entre as costelas, os do pescoço, e os respiratórios. A respiração se faz, pouco a pouco mais curta. O ar entra com um sibilo, mas não consegue mais sair. Jesus respira com o ápice dos pulmões. Tem sede de ar: como um asmático em plena crise, seu rosto pálido pouco a pouco se torna vermelho, depois se transforma num violeta purpúreo e enfim em cianítico (azulado).
Jesus atingido pela asfixia, sufoca. Os pulmões cheios de ar não podem mais esvaziar-se. A fronte está impregnada de suor, os olhos saem fora de órbita. Que dores atrozes devem ter martelado o seu crânio!
Mas o que acontece? Lentamente com um esforço sobre-humano, Jesus tomou um ponto de apoio sobre o prego dos pés.
Esforçando-se a pequenos golpes, se eleva aliviando a tração dos braços. Os músculos do tórax se distendem. A respiração se torna mais ampla e profunda, os pulmões se esvaziam e o rosto recupera a palidez inicial. Porque este esforço? Porque Jesus quer falar: "Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem".
Logo em seguida o corpo começa afrouxar-se de novo, e a asfixia recomeça. Foram transmitidas sete frases pronunciadas por ele na cruz: cada vez que quer falar, deverá elevar-se tendo como apoio o prego dos pés, inimaginável!
Enxames de moscas, grandes moscas verdes e azuis, zunem ao redor do seu corpo; irritam sobre o seu rosto, mas ele não pode enxotá-las. Pouco depois o céu escurece, o sol se esconde: de repente a temperatura se abaixa.
Logo serão três da tarde. Jesus luta sempre: de vez em quando se eleva para respirar. A asfixia periódica o está destroçando. Uma tortura que dura três horas. Todas as suas dores, a sede, as cãibras, a asfixia, o latejar dos nervos medianos, lhe arrancaram um lamento: "Meu Deus, meu Deus, porque me abandonastes?". Em seguida num grande brado disse: "Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito". E morre. Morre para mostrar quem somos e nos apresenta a solução.
Texto do Dr. Barbet (grande estudioso de anatomia, médico e cirurgião francês).

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Este quadro revela que esta agressividade é um reflexo inconsciente, inerente ao ser humano. Por mais que exista um controle social de repressão para conter este instinto, ele está lá escondido, preste a se manifestar. Quando Cristo diz : "Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem", estava afirmando uma verdade, porque conhece o nosso interior, instinto e todos os nossos pensamentos.

A agressividade é um problema fundamental näo só para a Psiquiatria, mas para todas as disciplinas que estudam o ser humano: Biologia, Psicologia, Sociologia, Direito, Ética, Filosofia. Isto porque, ao longo da História, a agressividade sempre esteve presente, entre as naçöes ou entre os indivíduos, em situaçöes normais ou patológicas. Considera-se a agressividade como o potencial energético-motor passível de ser mobilizado, de modo temporário ou duradouro, que garante a adaptaçäo e sobrevivência dos indivíduos, sendo, portanto, inato. Mas as pesquisas mostram que o ser humano, ao contrário dos outros animais, näo possui dispositivos automáticos inatos para regular e inibir a agressividade.

Este, parece ser um modelo de defesa encontrada pelo SER, para minar o processo de liberdade. Liberdade que ameaça sua inércia, sua morbidade, sua indiferença, seu leito de morte. Leito aparentemente ideal, alcançado por uma sociedade em uma situação histórica, que dá uma idéia de prazer e estabilidade, promovido por uma forma de governo. Poderíamos dizer que esta proteção natural, instantânea, inconsciente e irracional é contra uma mudança de vida que o indivíduo não encontra-se preparado. Então, investe todas as suas forças em atos de agressão contra esta LIBERDADE ameaçadora. A verdade é que a LIBERDADE nos oferece a oportunidade de existenciar nossa personalidade e, não queremos porque preferimos voltar para o ÚTERO. Voltar, no sentido de idealizar no mundo atual, uma situação UTÓPICA e um ambiente semelhante ao ÚTERO. Nós gravamos no inconsciente a dramática dor da expulsão do útero, pelo ato de nascer, para um ambiente desconhecido, mundo material, onde dependemos dos outros para continuar a manter aquele lugar IDEAL. E, todos que vivem em sociedade procuram uma forma de governo semelhante ao útero, mas não encontram.

Na mensagem 001, detalhamos e falamos dessa angústia do viver neste mundo em busca de um mundo UTÓPICO. Essa busca é tão intensa que os indivíduos se utilizam de drogas e psicotrópicos com promessas de levarem a um mundo ideal, sem dor e de prazer, mesmo tendo que enfrentar familiares e o controle social. O misticismo passou ser alvo dos especuladores, usando de má fé, ao lado das religiões com promessas de um PROVEDOR-PROTETOR e um PARAÍSO.

Essa luta interior parece justificável, considerando que fomos educados, formatados e adestrados pela sociedade a não sair fora do quadrado. É uma herança genética e cultural que passa de geração a geração. O Estado precisa da nossa submissão para manter esta farsa que chamamos sociedade. O mundo está condenado a morte. O Instinto de Vida trava um combate com o Instinto de Morte. O mundo ideal ou real não é este que vivemos ou fomos forçados a acreditar. Foi por esta causa que crucificaram Cristo com tanta violência, para tentar apagá-lo da história, porque suas promessas excedeu em muito a de todos os que prometeram LIBERDADE. Promessas muito acima das feitas por Sócrates, Ernesto Guevara, Tiradentes, Gandhi, Leni, Martin Luther King, Mandela, etc. Jesus trouxe LUZ ao mundo pelo conhecimento da VERDADE.

A verdade é que existe um REINO semelhante ao ÚTERO. E ele só é encontrado pelos que o buscam com perseverança e rompem as cadeias impostas pela sociedade desde o nascimento natural. Cristo veio LIBERTAR a humanidade : Conhecereis a Verdade e a Verdade vos Libertará. Veio trazer o Novo Nascimento. Nascer da verdade. Verdade que libertar a humanidade de suas transgressões, antes que ela mesma se dizime, em busca de um ÚTERO imaginário. Está escrito :


Porque bem sabemos que a lei é espiritual; mas eu sou carnal, vendido sob o pecado(transgressão). Pois o que faço, não o entendo; porque o que quero, isso não pratico; mas o que aborreço, isso faço. E, se faço o que não quero, consinto com a lei, que é boa. Agora, porém, não sou mais eu que faço isto, mas o pecado(transgressão) que habita em mim. Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; com efeito o querer o bem está em mim, mas o efetuá-lo não está. Pois não faço o bem que quero, mas o mal que não quero, esse pratico. Ora, se eu faço o que não quero, já o não faço eu, mas o pecado(transgressão) que habita em mim. Acho então esta lei em mim, que, mesmo querendo eu fazer o bem, o mal está comigo. Porque, segundo o homem interior, tenho prazer na lei de Deus; mas vejo nos meus membros outra lei guerreando contra a lei do meu entendimento, e me levando cativo à lei do pecado(transgressão), que está nos meus membros. Miserável homem que eu sou! quem me livrará do corpo desta morte? Graças a Deus, por Jesus Cristo nosso Senhor! De modo que eu mesmo com o entendimento sirvo à lei de Deus, mas com a carne à lei da transgressão (Romanos 7.19-25).

Esse texto mostra que somos tomados por este sentimento agressivo, de forma inconsciente, irracional e sem nexo. E, não precisamos ir muito longe para identificar este sentimento em nós, quando alguém passa a nossa frente em uma fila, nos atende mal em uma repartição ou pisa em nossos pés sem querer. A vontade vai desde uma cólera insuportável até ao ato de agressividade e mortal. Então, qual o motivo de tanta AGRESSIVIDADE quando se está associada a LIBERDADE ? A verdade é que existe um ÚTERO que só conseguiremos alcançar se estivermos LIVRES. E, essa LIBERDADE ameaça nossa aparente estabilidade idealizada pela sociedade por meio de uma ideologia vigente. Ideologia fantasiada por personagem histórico com feitos épico, oferecendo proteção e vida fácil.



Cristo suportou a cruz por vários motivos, mas o maior deles foi para preservar sua sanidade mental. Garantia de escolha. VIDA LIVRE. Livre das influências externas(ideologias). Revelar ao mundo a possibilidade de uma paz interior. “Deixo-vos a paz, a minha [paz] vos dou; eu não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize – João 14.27” e ainda, “Então Jesus tornou a falar-lhes, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem me segue de modo algum andará em trevas, mas terá a luz da vida – João 8.12.”
LEMBRE-SE : Cristo foi torturado pelo povo : população, religiosos, políticos e associações. Todos motivados pela ameaça de serem LIVRES. Eu e você temos o livre arbítrio da escolha: sair do casulo e descobrir o que nos oferece essa liberdade ou esperar a morte chegar.
A angústia é, dentre todos os sentimentos e modos da existência humanas, aquele que pode reconduzir o homem ao encontro de sua totalidade como SER e juntar os pedaços a que é reduzido pela imersão na monotonia e na indiferenciação da vida cotidiana. A angústia faria o homem elevar-se da traição cometida contra si mesmo, quando se deixa dominar pelas mesquinharias do dia-a-dia, até o autoconhecimento em sua dimensão mais profunda.” ----------- Heidegger
Um abraço e até a próxima ....
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