O histórico do grupo remonta a 1962, inicialmente com formação de trio, integrado por Ruy, Aquiles e Miltinho, responsáveis pe



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O histórico do grupo remonta a 1962, inicialmente com formação de trio, integrado por Ruy, Aquiles e Miltinho, responsáveis pelo suporte musical do Centro Popular de Cultura da Universidade Federal Fluminense (filiado ao CPC da UNE), em Niterói.

A partir do ano seguinte, com a adesão de Magro, passou a atuar como Quarteto do CPC, com a seguinte distribuição de vozes: Ruy (1ª voz), Magro (2ª voz e direção musical), Aquiles (3ª voz) e Miltinho (4ª voz).

Em 1964, com a extinção dos CPCs, Magro e Miltinho, na época estudantes de Engenharia, batizaram o conjunto como MPB-4, o que provocou por parte de Sérgio Porto o comentário de que o nome do quarteto parecia "prefixo de trem da Central do Brasil". Por esse motivo, durante muito tempo atribuiu-se ao jornalista a autoria do nome do grupo. Nesse mesmo ano, realizou sua primeira apresentação profissional, na Boate Petit Paris, em Niterói. Também em 1964, gravou seu primeiro disco, um compacto duplo intitulado "Samba bem", contendo as faixas "Samba da minha terra" (Dorival Caymmi), "Lavadeira" (Silveirinha), "Mascarada" (Zé Kéti e Élton Medeiros) e "Vida do sem" (Miltinho e Waghabi), essa última incluída na peça "O menino e a bola", criação de Carlos Vereza e dos integrantes do quarteto.

Em 1965, Ruy, Magro, Aquiles e Miltinho, ainda estudantes, viajaram de férias para São Paulo, onde conheceram, na Boate Ela, Cravo & Canela, Chico Buarque, as integrantes do Quarteto em Cy e Chico de Assis, que os apresentou a Manoel Carlos. O produtor do "Fino da bossa", nessa oportunidade, convidou o grupo para apresentar-se no programa da TV Record, ao lado do Quarteto em Cy. Ainda em São Paulo, o conjunto atuou mais uma vez ao lado do Quarteto em Cy, apresentando, no Le Club, o show "No samba que eu vou", cujo roteiro foi assinado por Chico de Assis. Em uma das apresentações, encontrava-se presente na platéia o produtor Aloysio de Oliveira, que convidou-os para gravar no selo Elenco. De volta ao Rio de Janeiro, o grupo lançou um compacto simples, contendo as canções "Samba lamento" (Luiz Marçal) e "São Salvador" (Roberto Nascimento). Ainda em 1965, dividiu o palco da Boate Zum Zum com Oscar Castro Neves, Rosinha de Valença e o Quarteto em Cy, no show "Contraponto", com direção de Aloysio de Oliveira. Participou, também, do histórico espetáculo "O samba pede passagem", dirigido por João das Neves, apresentando-se ao lado Aracy de Almeida e Ismael Silva, entre outros. O show, lançado em disco, foi realizado no Teatro Opinião (RJ), substituindo o espetáculo teatral "Brasil pede passagem", proibido pela censura.

Em 1966, integrou, ao lado de Betty Faria, Fernando Lébeis, José Wilker, José Damasceno e Cécil Thiré, o elenco da ópera popular "João Amor e Maria", de Hermínio Bello de Carvalho, cuja trilha sonora incluiu letras do autor e de Antônio Carlos Brito (Cacaso) e música de Maurício Tapajós. O espetáculo, que teve direção de Kleber Santos e Nélson Xavier e cenários de Marcos Flaksman, foi apresentado no Teatro Jovem (RJ). Participou, também, ao lado da musa da bossa nova, do show "Quem tem medo de Nara Leão?", realizado na Boate Cangaceiro (RJ), com direção de Guilherme Araújo e Ferreira Gullar. Ainda em 1966, gravou seu primeiro LP, "MPB-4", com destaque para as canções "Lamento" (Pixinguinha e Vinicius de Moraes), "Juca", "Olê olá" e " Sonho de um carnaval", todas de Chico Buarque. Participou, nesse mesmo ano, do II Festival da Música Popular Brasileira (TV Record), classificando em 4º lugar "Canção de não cantar", de Sérgio Bittencourt.

Em 1967, gravou mais um LP intitulado "MPB-4", contendo "Cordão da saideira" (Edu Lobo), "Fica", "Morena dos olhos d'água" e "Quem te viu, quem te vê", todas de Chico Buarque", além de "Canção a medo" (Sérgio Bittencourt), gravada com a participação do Quarteto em Cy, entre outras. Nesse mesmo ano, participou do III Festival da Música Popular Brasileira (TV Record), interpretando as canções "Gabriela" (Maranhão) e "Roda-viva" (Chico Buarque), essa última com o autor. Ambas foram classificadas, respectivamente, em 6º e 3º lugares, com arranjos vocais de Magro. Também em 1967, classificou as canções "O sim pelo não" (Alcivando Luz e Carlos Coqueijo) e "Cantiga" (Dori Caymmi e Nélson Motta) em 6º e 9º lugares, respectivamente, no II Festival Internacional da Canção (TV Globo).

Em 1968, gravou o LP "MPB-4", registrando "Ela desatinou" (Chico Buarque), "Estrela é lua nova" (Villa-Lobos), com a participação do coral do Centro Educacional de Niterói, "Sabiá" (Tom Jobim e Chico Buarque) e "Sentinela" (Milton Nascimento e Fernando Brant), entre outras, além de "Por acaso", uma parceria de Ruy e Cynara. Ainda nesse ano, apresentou-se, com Chico Buarque, no Teatro Toneleros (RJ), com direção de João das Neves, e realizou temporada de shows na Boate Blow Up (SP).

Em 1969, dividiu o palco do Teatro Opinião (RJ) com a dupla Cynara & Cybele, no show "Bacobufo no caterefofo".

No ano seguinte, voltou a se apresentar com Chico Buarque, em show realizado na casa noturna Sucata (RJ). Lançou, também em 1969, o LP "Deixa estar", registrando a primeira gravação de uma música de Aldir Blanc, "Amigo é pra essas coisas" (c/ Silvio da Silva Jr.), "Pelo telefone" (Donga e Mauro de Almeida), a faixa-título (Maurício Tapajós e Hermínio Belo de Carvalho) e "Beco do Mota" (Milton Nascimento e Fernando Brant), entre outras, além de "Mar da tranqüilidade", uma parceria de Ruy, Cynara e Aquiles.

Em 1971, gravou o LP "De palavra em palavra", contendo "Cravo e canela" (Milton Nascimento e Ronaldo Bastos), "Eu cheguei lá" (Dorival Caymmi) e "Pois é, pra quê?" (Sidney Miller), entre outras, além da faixa-título, uma parceria de Miltinho com Maurício Tapajós e Paulo César Pinheiro, e de "Minha história", versão de Chico Buarque para a canção "Gesubambino" (Dalla e Pallottino). Nesse mesmo ano, dividiu o palco do Canecão (RJ) com Chico Buarque, Jacques Klein e a Orquestra Sinfônica Brasileira, sob a regência do maestro Isaac Karabtchevsky, no histórico espetáculo "Construção".

Em 1972, apresentou-se em Portugal, com Chico Buarque. Lançou, ainda nesse ano, o LP "Cicatrizes", com destaque para "San Vicente" (Milton Nascimento e Fernando Brant), "Partido-alto" (Chico Buarque), "Pesadelo" (Maurício Tapajós e Paulo César Pinheiro) e a faixa-título, uma parceria de Miltinho com Paulo César Pinheiro.

Em 1973, voltou a se apresentar com Chico Buarque, dessa vez em Buenos Aires.

No ano seguinte, gravou o LP "Antologia do samba", contendo obras de Monsueto, Chico Buarque, Ismael Silva, Ataulfo Alves, Noel Rosa, Dorival Caymmi, Baden Powell, Tom Jobim, Nélson Cavaquinho e Paulinho da Viola. Dividiu o palco do Teatro Casa Grande (RJ) com Chico Buarque, no show "Tempo e contratempo". Também em 1974, lançou o LP "Palhaços e reis". O disco, produzido por Paulinho Tapajós, registrou, entre outras, as canções "Mordaça" (Eduardo Gudin e Paulo César Pinheiro), "Agora é Portela 74" (Maurício Tapajós e Paulo César Pinheiro), "Fé cega, faca amolada" (Milton Nascimento e Ronaldo Bastos) e "Chegança" (Edu Lobo e Oduvaldo Vianna Filho), além da faixa-título (Ivan Lins e Ronaldo Monteiro de Barros) e da composição "Nosso mal", uma parceria de Miltinho com Maurício Tapajós.

Em 1975, apresentou, no Teatro Fonte da Saudade (RJ), o espetáculo "MPB-4 na República do Peru". O roteiro, escrito pelos integrantes do grupo, em parceria com Chico Buarque e Antônio Pedro, foi vetado pela Censura, após cinco apresentações, gerando show em forma de recital, contendo apenas o repertório musical. Lançou, ainda nesse ano, o LP "Dez anos depois". O disco, produzido por Paulinho Tapajós, registrou as canções "De frente pro crime" (João Bosco e Aldir Blanc), "Manhã de carnaval" (Luiz Bonfá e Antônio Maria), "Galope" (Gonzaguinha), "Canto triste" (Edu Lobo e Vinicius de Moraes), "Passaredo" (Francis Hime e Chico Buarque), "Ana Luiza" (Tom Jobim), "Pressentimento" (Elton Medeiros e Hermínio Bello de Carvalho), "Praias desertas" (Tom Jobim e Vinicius de Moraes), "Amei tanto" (Baden Powell e Vinicius de Moraes), "Evangelho" (Dori Caymmi e Paulo César Pinheiro), "Vera Cruz" (Milton Nascimento e Márcio Borges), além de "Assim seja, amém", uma parceria de Miltinho com Gonzaguinha. Apresentou-se, também, no Teatro Fonte da Saudade (RJ), com o show "MPB-4 no safári", título escolhido para substituir "República de Ugunga", que havia sido vetado pela Censura.

Em 1976, gravou o LP "Canto dos homens". No repertório, músicas como "Corrente" e "Vai trabalhar vagabundo", ambas de Chico Buarque, "Negro, negro" (Edu Lobo e Capinam), "Bola ou búlica" e "O ronco da cuíca", ambas de João Bosco e Aldir Blanc, "Chão, pó, poeira" (Gonzaguinha) e "Aparecida" (Ivan Lins e Maurício Tapajós), entre outras, além da faixa-título, uma parceria de Miltinho com Paulo César Pinheiro. O show de lançamento do disco estreou no Teatro da Galeria (RJ), sob o título de "Jornal depois de amanhã", com direção de Antônio Pedro e texto de Aldir Blanc. Esse espetáculo foi realizado em substituição a outro que continha o texto de Carlos Eduardo Novaes "MPB-4 no país das maravilhas", vetado na íntegra pela Censura Federal.

Em 1977, lançou o LP "Antologia do samba nº 2", contendo obras de Ivan Lins, Cartola, Maurício Tapajós, Haroldo Lobo, Haroldo Barbosa, Zé Kéti, Pixinguinha, Ary Barroso, Wilson Batista e Billy Blanco.

No ano seguinte, gravou, com o Quarteto em Cy, o LP "Cobra de vidro", registrando "Nada será como antes" (Milton Nascimento e Ronaldo Bastos), "A estrada e o violeiro" (Sidney Miller), "Não existe pecado ao sul do Equador" (Chico Buarque e Ruy Guerra), "O cio da terra" (Milton Nascimento e Chico Buarque), "Me gustan los estudiantes" (Violeta Parra), "Oriente" (Gilberto Gil) e "Because" (Lennon e McCartney), entre outras. Apresentou-se, ao lado do Quarteto em Cy, no Teatro Carlos Gomes (RJ), em espetáculo que registrou a estréia, como roteirista e diretor, de Túlio Feliciano e a apresentação da canção inédita "Angélica" (Miltinho e Chico Buarque), uma homenagem a Zuzu Angel.

Em 1979, lançou o LP "Bons tempos, hein?", contendo "Fantasia" (Chico Buarque), "Se meu time não fosse o campeão" (Gonzaguinha), "Tropicália" (Caetano Veloso), "Cálice" (Chico Buarque e Gilberto Gil), "Pobre del cantor" (Pablo Milanés) e "Nascente" (Flávio Venturini e Murilo Antunes), entre outras, além de "Angélica". Estreou show homônimo no TAIB (SP), em cartaz durante cinco meses, com texto de Millor Fernandes e direção de Benjamim Santos.

Em 1980, gravou o LP "Vira virou", registrando "Olhar de cobra" (Moraes Moreira e Rizério), "A lua" (Renato Rocha), "Bilhete" (Ivan Lins e Vitor Martins) e "Vira virou" (Kleiton Ramil), entre outras. Realizou show de lançamento do disco no Teatro Teresa Raquel (RJ). Ainda nesse ano, lançou, com o Quarteto em Cy, o LP infantil "Flicts - de Ziraldo e Sérgio Ricardo".

Em 1981, gravou mais um LP infantil, "Adivinha o que é", contendo canções como "O som dos bichos" (Renato Rocha e G. Amaral), "O galo cantor" (Renato Rocha e G. Amaral) e "O pato" (Toquinho e Vinicius de Moraes), essa última apresentada pelo grupo no especial da TV Globo "A arca de Noé". Estreou show homônimo no Canecão (RJ), com direção de Benjamim Santos. Ainda em nesse ano, lançou o LP "Tempo tempo", registrando as canções "Almanaque" (Chico Buarque) e "Oração ao tempo" (Caetano Veloso), entre outras, além de composições de Miltinho, "Cavalo de batalha" (c/ Paulo César Pinheiro e Zé Renato) e "Anjo sereia" (c/ Alceu Valença), Ruy, "Mulher maio" (c/ Ary dos Santos), Magro, "Magia" (c/ Kleiton Ramil) e da parceria de Magro e Miltinho, "Doce, doce". Apresentou-se no Tuca (SP), com direção de Benjamim Santos.

Em 1983, gravou o LP "Caminhos livres", contendo "Baile no meu coração" (Paulo Leminski e Moraes Moreira), "Papo de passarim" (José Renato e Xico Chaves), "Porto Seguro" (Marcelo Alkmin e Flávio Venturini), "Lindo balão azul" (Guilherme Arantes) e "A nível de..." (Aldir Blanc e João Bosco), entre outras, além de "Vôo do amor", uma parceria de Ruy com Rosana Ferrão, e "Palhacinha", de Magro e Miltinho. Apresentou-se no Canecão, em show dirigido por Benjamim Santos.

Em 1984, lançou o LP "4 Coringas", registrando "Bacurizim" (Gilberto Gil), "Tema de amor de Gabriela" (Tom Jobim), "Alegria Brasil" (Gonzaguinha), "Entre o torresmo e a moela" (Aldir Blanc e Maurício Tapajós) e "Quatro coringas" (Vitor Martins e Ivan Lins), entre outras, além de "Mais coração", uma parceria de Miltinho com Paulo César Pinheiro e Zé Renato, e "Pastor da noite", de Magro e Miltinho. Estreou show de lançamento do disco no Teatro da Galeria (RJ).

Em 1987, gravou o LP "Feitiço carioca - do MPB-4 para Noel Rosa", contendo obras do poeta da Vila, como "Pierrô apaixonado" (c/ Heitor dos Prazeres), "Com que roupa", "Feitio de oração" e "Conversa de botequim" (c/ Vadico), entre outras, além de "Felicidade", de René Bittencourt. Realizou show homônimo, roteiro e direção de Ruy Faria e texto de Aldir Blanc.

Em 1989, apresentou o show "Amigo é pra essas coisas", com texto de Luís Fernando Veríssimo e direção de Túlio Feliciano, gravado ao vivo na casa de espetáculos Scala. No repertório, as músicas "Canções e momentos" e "Canção da América", ambas de Milton Nascimento e Fernando Brant, "Olê olá", "Roda-viva" e "Quem te viu, quem te vê", todas de Chico Buarque, "A lua" (Renato Rocha), "Vira virou" (Kleiton Ramil), "A nível de..." (Aldir Blanc e João Bosco), "O que vale é a amizade (With a little help from my friends)" (McCartney e Lennon), "Por quem merece amor (Por quien merece amor)" (Silvio Rodriguez), "Faz parte do meu show" (Renato Ladeira e Cazuza), "Paula e Bebeto" (Caetano Veloso e Milton Nascimento), "Amor de índio" (Beto Guedes e Ronaldo Bastos) e a canção-título (Sílvio Silva Júnior e Aldir Blanc), além de "Parceria em marcha lenta", de Magro e Luís Fernando Veríssimo. O espetáculo reuniu pela primeira vez no palco duas gerações de músicos: os quatro integrantes acompanhados de Marcos Feijão (bateria e percussão), filho de Miltinho, Pedro Reis (violão, guitarra e bandolim), filho de Aquiles, João Faria (baixo e violão), filho de Ruy, e Eduardo Waghabi (teclados), filho de Magro.

Em 1991, gravou o CD "Sambas da minha terra", contendo obras de Dorival Caymmi, Toquinho & Vinícius, Zé Kéti e Ary Barroso, entre outros, apresentando-se no Teatro da Barra (RJ), com direção de Túlio Feliciano.

Em 1993, lançou o CD "Encontro marcado - MPB-4 canta Milton Nascimento", registrando obras do compositor mineiro, apresentando-se em show homônimo.

Em 1995, comemorando 30 anos de carreira, realizou, no Teatro Rival (RJ), o espetáculo "Arte de cantar", com direção e texto de Miguel Fallabela. O show foi gravado ao vivo, gerando CD que registrou sucessos de sua carreira como "Roda viva" (Chico Buarque), "Canto triste" (Edu Lobo e Vinícius de Moraes), em interpretação a capela, e "Amigo é pra essas coisas" (Sílvio da Silva Júnior e Aldir Blanc), entre outros, além das canções inéditas "Soberana Rosa" (Ivan Lins, Vítor Martins e Chico César) e "Sépia & Flash" (Guinga e Aldir Blanc).

Em 1997, gravou, com o Quarteto em Cy, o CD "Bate-boca", registrando obras de Tom Jobim e Chico Buarque. Estreou show no Teatro Municipal de Niterói, com direção de Túlio Feliciano.

No ano seguinte, lançou mais um CD com o Quarteto em Cy, "Somos todos iguais", contendo exlusivamente canções de Djavan, como "Fato consumado", e da dupla Ivan Lins e Vitor Martins, como "Somos todos iguais nesta noite". Estreou show de lançamento do disco no Canecão (RJ), dividindo o palco com o Quarteto em Cy, sob a direção de Luiz Carlos Maciel.

Em 1999, lançou o CD "Melhores momentos", gravado ao vivo no Teatro Rival (RJ). No repertório, as canções "O cafona" (Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle) e "Yolanda" (Pablo Milanés, vrs. Chico Buarque), além de "Por quem merece amor", versão de Miltinho de "Por quien merece amor", de Silvio Rodrigues, e da regravação de "Cicatrizes", uma parceria de Miltinho e Paulo César Pinheiro, entre outras.

Em 2000, voltou a gravar um CD com o Quarteto em Cy, "Vinicius - a arte do encontro". O disco contou com a direção artística de Ruy Faria, que assinou a seleção do repertório e conseguiu viabilizar o encontro dos dois grupos com Vinícius de Moraes, 20 anos após seu falecimento, registrando a voz do poeta em algumas faixas, graças a modernas técnicas de gravação. No repertório, canções como "Minha namorada" (c/ Carlos Lyra), "Arrastão" (c/ Edu Lobo), "Chega de saudade" (c/ Tom Jobim) e "Samba da bênção" (c/ Baden Powell), além de "Samba pra Vinicius", de Chico Buarque e Toquinho, e "Odeon", de Ubaldo Sciangula e Ernesto Nazareth. Realizou show de lançamento do disco no Canecão (RJ), ao lado do Quarteto em Cy. O espetáculo contou com roteiro, adaptação de texto, direção geral e produção de Ruy Faria. Ainda nesse ano, apresentou-se no Teatro III do Centro Cultural Banco do Brasil, encerrando o ciclo "MPB, a história de um século", série de quatro espetáculos escritos e dirigidos por Ricardo Cravo Albin, em comemoração aos 500 anos do Descobrimento do Brasil. O show do quarteto, que registrou o período musical de 1960 (festivais de música) a 2000, foi gravado e transmitido para todo o país pela Rede Brasil, liderada pela TVE do Rio de Janeiro.

Em 2001, lançou CD "MPB-4 e a nova música brasileira", que contou com a participação de Jairzinho Oliveira e Max de Castro, responsáveis pela produção, arranjos de base, violões, teclados e programação. No repertório, canções de Dudu Nobre, como "Paciência" (c/ Lenine), Zeca Baleiro ("Lenha") Chico César ("À primeira vista") e Adriana Calcanhoto ("Mentiras"), entre outros, além de "Eu sou a árvore", versão de Chico Buarque de "Y tu que hás hecho?" (Eusébio Delfin).

Todos os shows realizados pelo grupo, ao longo de sua carreira, tiveram direção musical de Magro, com exceção de "Feitiço carioca", assinado por Maurício Maestro.

Atuando com a formação original desde o início de sua trajetória artística, o grupo foi premiado, em 1996, na edição brasileira do "Guiness" (o livro dos recordes) como o grupo vocal que se manteve por mais tempo atuando no cenário artístico com a mesma formação.

Foi contemplado três vezes com o Prêmio Sharp, na categoria Melhor Conjunto (1987, 1989 e 1995).

Em 2002, apresentou-se em São Paulo, no circuito Sesc, no Rio de Janeiro (Mistura Fina, Bar do Tom, Garden Hall) e em outras cidades brasileiras.

Em 2004, participou, ao lado de Gilberto Gil e outros artistas, da gravação do CD "Hino do Fome Zero" (Roberto Menescal e Abel Silva). Nesse mesmo ano, Ruy Faria desligou-se do grupo, sendo substituído pelo cantor Dalmo Medeiros. A estréia do novo integrante foi no evento "64 + 40: Golpe e Campo(us) de Resistência", quando o grupo fez o show de encerramento, realizado no campus da UFRJ, na Praia Vermelha. Nesse mesmo ano, foi relançado em CD o disco "Cicatrizes", de 1972.

Referência: Dicionário Cravo Albin


(www.dicionariompb.com.br

DVD MPB4 40 Anos


Janeiro, 2007 por logomotiva

Não é possível contar a história da música brasileira sem mencionar o MPB4, de tanto que este grupo está atrelado ao nosso cancioneiro e também ao próprio país das últimas quatro décadas. Por isso mesmo já estava mais do que na hora do grupo gravar seu primeiro DVD – o que aconteceu nos dias 16 e 17 de maio deste ano, no Teatro do Sesc Vila Mariana, em São Paulo – uma realização da MP, B Produções com o Canal Brasil, lançado agora no mercado pela EMI Music. A ocasião não poderia ser mais oportuna para tal, afinal, será o fechamento glorioso da comemoração pelos seus 40 anos de carreira que se iniciou oficialmente no ano passado, com o lançamento da coletânea dupla “MPB4 – 40 anos contra a corrente”, reunindo 40 faixas, entre sucessos e raridades, com uma minibiografia encartada.

Agora a comemoração é no palco, onde o grupo intercala grandes clássicos de seu repertório e novidades, com direito a canjas deliciosas de amigos especialíssimos que há muito freqüentam seus discos, contribuindo para que sua discografia seja uma das mais expressivas da MPB de todos os tempos – em termos de melodia, harmonia, arranjo vocal e letras. Sim, letras. O MPB4 sempre teve o que dizer. Na época da ditadura, foi o grupo mais combativo (e perseguido) desse país; depois da abertura, foi se renovando, lançando novos compositores e variando as temáticas e os conceitos de seus álbuns.

Desta vez, o que se vê no palco e no DVD é uma mistura de tudo. Canções de protesto, grandes sambas, músicas românticas... às vezes tudo misturado, graças a uma dupla leitura que existe em alguns casos. Assim, Nasci pra sonhar e cantar – pérola suave/existencial de profundo lirismo de Dona Ivone Lara, Morena dos olhos d’água (canção delicada de Chico Buarque, que reaparece com arranjo à capella) - e a newbossa Faz parte do meu show, sucesso de Cazuza, convivem com as nervosas (infelizmente, ainda atuais) O ronco da cuíca e Galope – respectivamente, de João Bosco & Aldir Blanc e Gonzaguinha – seus grandes fornecedores de repertório pela vida afora. E tem mais!

As influências latinoamericanas do grupo estão presentes em Por quem merece amor (linda canção do cubano Silvio Rodriguez, vertida para o português por Miltinho) e San Vicente (Milton Nascimento e Fernando Brant). A inédita Samba antigo (Miltinho / Mário Negrão e Paulo César Pinheiro) não fica por baixo num roteiro onde brilham momentos antológicos da música brasileira lançados pelo conjunto, como a canção que abre o show, Amigo é pra essas coisas (de Silvio da Silva Jr. & Aldir Blanc, que consolidou a carreira do grupo no II Festival Universitário, de 70), mais Lamentos (Pixinguinha & Vinicius, primeira canção do MPB4 a tocar no rádio, em 66), De frente pro crime (Bosco & Blanc, de 75), A lua (Renato Rocha, de 80) e, diretamente dos anos de chumbo, Pesadelo (Maurício Tapajós e P. C. Pinheiro, de 72) – que só passou pela censura, porque esta era muito burra: “Você corta um verso eu escrevo outro / Que medo você tem de nós, olha aí...”.

Além de Samba antigo, outra novidade do roteiro é o belo samba Refém da solidão (Baden Powell e Paulo César Pinheiro), que eles nunca gravaram, mas sempre usaram para esquentar suas vozes nos camarins, antes dos shows.

Quanto às participações no DVD, há amigos novos e antigos da melhor qualidade. No primeiro time, Zeca Pagodinho (em Olé, olá, o primeiro grande sucesso do grupo, de 66) e a novata Roberta Sá (que convidou o grupo para participar de seu primeiro CD, Braseiro, na faixa Cicatrizes, e agora tem o convite retribuído pelo grupo, no palco, para entoarem juntos o mesmo samba de Miltinho e Paulo César Pinheiro, música-título do cultuado álbum do MPB4 de 72).

No time dos velhos amigos, seus contemporâneos, que sempre forneceram repertório para o conjunto, estão dois cantores /compositores e um grupo – todos muito especiais. Para começar, Milton Nascimento – que chegou a ser agraciado pelo conjunto em 93 com um álbum inteiro dedicado somente às suas canções. Ele divide os vocais com Aquiles, Magro Waghabi, Miltinho e Dalmo em Cebola cortada, dos compositores nordestinos Clodo e Petrúcio Maia, sucesso também na voz de Fagner. O Quarteto em Cy – companheiro de tantos encontros – inclusive do histórico disco /show Cobra de vidro (78) – aparece bisando a parceria vocal no choro-canção Falando de amor (Tom Jobim), sucesso em 97, quando foi tema da telenovela Por amor, da TV Globo.

Finalmente, como não poderia deixar de ser, Chico Buarque também está no DVD (no show não pôde comparecer por problemas de agenda). Ele gravou sua participação no Estúdio Discovery (RJ), cantando Roda viva - com o antológico arranjo original de Magro Waghabi, que consagrou definitivamente a carreira dos cinco, conquistando 3º lugar no III Festival de MPB da TV Record, em 67 – e Quem acreditou na vida como eu, música inédita do amigo Sidney Miller, outro compositor onipresente na carreira do grupo. Chico já chegou a considerar-se o “MPB5”, pois o grupo era seu acompanhante oficial em seus primeiros 10 anos de carreira, fora o fato de acumular mais de 30 canções suas gravadas pelo grupo em todos esses anos.

De quebra, há a participação de um amigo veterano muito especial neste DVD: Cauby Peixoto – de quem Dalmo Medeiros, novo integrante do grupo (no lugar de Ruy), é sobrinho. Eles criaram um arranjo especial para seu clássico Conceição para a entrada do cantor no palco, e em seguida, recriaram a cinco vozes o samba Última forma, de Baden Powell e Paulo César Pinheiro, feito originalmente para Elis Regina, que se recusou a gravar pelo fato da letra se encaixar “demais” na situação de rompimento amoroso que ela vivia na época. Melhor para o MPB4, que se apossou da música em 72 com a maior tranqüilidade, e graças aos novos recursos tecnológicos de dobrar vozes em estúdio, criaram uma gravação de raro peso vocal na discografia brasileira.



O show de gravação do DVD teve roteiro e direção geral de Túlio Feliciano, arranjos e direção musical de Magro Waghabi (que também esteve nos teclados). Além dos vocais, Miltinho contribuiu também com seu violão, assim como Aquiles e Dalmo na percussão. A banda contou com a presença de Leandro Braga (piano), João Faria (baixo), Pedro Reis (guitarra e bandolim), Marcos Feijão (bateria e percussão) e Zero (percussão). Trata-se de um show de acerto de contas com o passado, rumo ao futuro, o qual, a única coisa que se sabe realmente, é de que jamais vão abrir mão da qualidade, pois isso sempre foi um ponto de honra do MPB4 nas suas 40 primaveras.

Rodrigo Faour (Maio/2006)



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