O duplo na literatura de mário de sá-carneiro e de lygia fagundes telles



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O DUPLO NA LITERATURA DE MÁRIO DE SÁ-CARNEIRO E DE LYGIA FAGUNDES TELLES
Maria Gorety Denisczwicz (Unicentro);

Fernando de Moraes Gebra (Dep. Letras UNICENTRO - orientador)

E-mail: mgoretyd@yahoo.com.br
Resumo: O presente trabalho busca a temática do duplo de Mario de Sá- Carneiro e Lygia Fagundes Telles, escritores intimistas que se utilizam da idéia de desdobramento do Eu para criarem suas personagens, estes que vivem em conflito com a realidade. Como forma de escapismo, essas personagens tendem à duplicidade de si mesmas para sentirem-se realizadas, ou centram-se em si mesmas de forma narcísica.
Palavras chave: Duplo, escapismo, narcisismo
Introdução
A imagem do duplo na literatura, como forma de desdobramento do Eu, é muito presente em autores como Mário de Sá-Carneiro (1890-1916) e Lygia Fagundes Telles (1923). Nesses autores, foco de interesse do nosso estudo, o duplo aparece como desafio ao sujeito criador do seu desdobramento, pois pode aparecer ora como aliado ora como inimigo. De acordo com Ana Maria Lisboa de Mello: “A imagem do desdobramento (...) que representa através de um companheiro do herói que encarna sua outra face, pode ser a mais autêntica, a mais espontânea ou até a mais vergonhosa.” (2000, p.117).
Materiais e métodos
Este trabalho tem como base teórica fundamental a teoria do duplo, que será discutida por meio de estudos de Ana Maria Lisboa de Mello, Vera Maria Tietzmam, Anatol Rosenfeld e Tania Sturzbecher de Barros. Esses estudos teórico-críticos sobre os mecanismos de desdobramento do sujeito em várias obras literárias serão aplicados nas novelas “Ressurreição” e A confissão de Lúcio, de Mario de Sá-Carneiro e no conto “WM” de Lygia Fagundes Telles. O estudo será embasado nas teorias para verificar as causas que levam ao desdobramento de personalidades de um sujeito.
Resultados e discussão
Em “Ressurreição”, temos o desdobramento temporal, pois Inácio encontra no passado elementos para construir sua identidade; em A confissão de Lúcio, ocorre a projeção em uma nova personalidade, Marta, como criação artística que uniria Lúcio a Ricardo; em “WM”, a mais provável hipótese de criação é uma vida dupla, a criação do duplo é uma maneira de se libertar da realidade, de ser o que na realidade não é. Há muitos fatores que levam o indivíduo ao desdobramento do Eu, como veremos no decorrer da pesquisa.

Portanto, fica evidente o motivo de Inácio negar-se em seu passado, sua duplicidade em Paulette, causados pelo seu egocentrismo e narcisismo; como também Ricardo cria Marta pela sua incapacidade de manter uma amizade com pessoas do mesmo sexo sem ter outro sentimento aliado a essa amizade. O Duplo é maneira de se libertar, ser o que em realidade não se consegue, devido a um certo medo ou à repressão da sociedade


Conclusão
Portanto, a duplicidade é o resultado do conflito que o indivíduo possui consigo mesmo, levando-o a libertar-se criando outro Eu para não viver a realidade que lhe aflige. Este indivíduo fica isolado e ele tenta criar uma personalidade paralela a ele. Dito de outra forma, ele permanece fechado em si, e devido ao seu narcisismo, acaba criando um Eu que é puramente uma fantasia. Isso possibilita que ele seja duas pessoas em um corpo só. No entanto, este duplo parece não responder às suas reais insatisfações com a realidade exterior, pois está relacionado às categorias de ilusão do sujeito. Dessa forma, o sujeito não sabe se ele está sendo ele mesmo ou está sendo a outra realidade que ele criara para fugir da realidade concreta.

Referências
BARROS, Tania Sturzbecher. O duplo em Céu em fogo de Mario de Sá- Carneiro. Londrina: UEL, 2003. (Dissertação de Mestrado)

Mello, Ana Maria, Lisboa de. As faces do duplo na literatura. In: INDURSKY, Freda; CAMPOS, Maria do Carmo. Discurso, memória, identidade. Porto Alegre: Editoria Sagra Luzzato, 2000.

SÁ-CARNEIRO, de Mario de. Céu em fogo. Lisboa 1998.

TELLES, Lygia Fagundes. Seminário dos ratos. 8.ed. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.



ROSENFELD, Anatol. Reflexões sobre o romance moderno. In:______. Texto e contexto I. 4.ed. São Paulo: Perspectiva, 1985.



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