O dia em que os deuses chegaram



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E R I C H V O N

DANIKEN


O DIA EM QUE OS DEUSES CHEGARAM

11 DE AGOSTO DE 3114 a. C.

Tradução: Eduardo Santaliestra
Título do original em língua alemã:

DER TAG, AN DEM DIE GÖTTER KAMEN


1984, C. BerteIsmann Verlag GmbH e Erich von Daniken




MELHORAMENTOS - 1985

O DIA EM QUE OS DEUSES CHEGARAM


Todos nós, inclusive a ciência, necessitamos dos deuses para a busca do elo que falta na evolução da humanidade. Para escrever O Dia em que os Deuses Chegaram, Daniken teve de vencer toda uma montanha de papéis representada por trabalhos científicos.

Segundo Daniken, pensar de um modo novo não implica em negar as informações e os dados colhidos por especialistas, nem em diminuir os grandes feitos da pesquisa arqueológica ou até desprezar os esforços dos grandes homens dedicados à decifração de escritas maias, nem mesmo em dar nova redação à história dos povos da América Central. Cumpre questionar colocando sinais de interrogação, depois das conclusões tiradas desses milhares de dados.

De algum tempo para cá as pesquisas da pré-astronáutica e a busca de provas para a outrora estada de "deuses" em nosso planeta, a exemplo de como estão sendo realizadas por Daniken e muitos outros, influíram em nossa maneira de pensar muito mais do que a suposição científica, postulando que fosse possível comprovar a existência de "vida" em qualquer ponto do universo. Estamos praticando uma comprovação recíproca, pois, tão logo provarmos a hipótese "Eles estiveram aqui", sua existência ficará fora de cogitação.

SUMARIO

I Viagem de Sonhos à idade da Pedra......................................... 4

II O Começo era o Fim .................................................................. 72

III Selvagens — Brancos — Livros de Milagres ........................ 93

IV O que Teria Acontecido em 11 de Agosto de 3114 a. C? ...... 110

V Quando o Fogo Caiu do Céu.................................................. 139

VI Teotihuacán — Metrópole Projetada pelos Deuses ................. 187

VII Palenque — Descoberta, mas não Decifrada......................... 222
Apêndice .................................................................................. 262
Bibliografia .................................................................................... 264
I

VIAGEM DE SONHOS À IDADE DA PEDRA

duas coisas que SÃO infinitas: o Universo e a tolice dos homens.

Albert Einstein (1879-1955)

Logo na primeira noite que passei na Cidade da Guatemala aconteceu o que eu detesto, quando não quero ser molestado num país estrangeiro. No saguão do Hotel El Dorado chamaram o meu nome para uma entrevista com o Canal 3 da TV local.

Faz cinco anos que estive pela última vez na Guatemala. Desde então, sua capital progrediu enormemente. Embora fossem poucas as mudanças essenciais no centro, com seus luminosos cintilantes, seu soberbo horizonte, a cidade — num planalto a 1.493 m acima do nível do mar, com aproximadamente 600.000 habitantes, situada entre os vulcões Água e Fuego — novamente irradia uma vida mais realizada, mais autoconsciente. A República da Guatemala não quer mais ser considerada como país em desenvolvimento, quer sair do rol das nações de segunda categoria. A cada passo, a gente sente essas novas ambições da população composta de 60% de descendentes de indígenas, 25% de mestiços e o restante representado por imigrantes brancos que em sua grande maioria residem no país há muitas gerações.

Nos próximos dias a Cidade da Guatemala iria servir de ponto de partida para minhas excursões às antigas cidades maias, a começar de Tikal. No dia seguinte, ao meio-dia, tomamos um avião da AVIATECA com destino a Flores, às margens do lago Petén-Itzá. No edifício recém-construído do aeroporto, lembrando um hangar, debaixo do teto de eternite o calor estava sufocante. Como não encontramos carro apropriado para viagens por estradas vicinais, acabei alugando uma camionete Datsun. Na agência fui informado do excelente estado da estrada para Tikal.

Já estava acostumado a receber esse tipo de informações e, a cada quilômetro, esperava que o asfalto terminasse. Mas a estrada estava boa de fato, passando pela densa e luxuriante vegetação tropical e por fazendas com extensas plantações de milho e café. Nos 60 km até Tikal o asfalto continuou impecável e, não fossem os aguaceiros que prejudicavam a visão, teríamos vencido essa distância em uma hora, mais ou menos. Todavia, ao cair da tarde, chegamos à barreira que fazia parte das cercas que circundavam e demarcavam o Parque Arqueológico de Tikal.

Meu companheiro Ralph, estudante de química, e eu procuramos pelo Jungle Lodge, a "Cabana na Selva", um hotel no qual passei alguns dias, 17 anos atrás. Lembrei-me bem de que, àquela época, havia algumas placas assinalando o caminho, mas, agora, não vi placa alguma. Assim sendo, dirigi-me aos três índios acocorados por ali:

Señores! — chamei-os. — Onde fica a "Cabana na Selva"?

Eles me olharam sem entender. Será que meu espanhol não dava para ser entendido, ou eles falavam apenas um dos 16 idiomas até hoje falados na Guatemala? Em todo caso, pisei de leve no acelerador e deixei a Datsun rodar devagarinho.

Nuvens negras de chuva chamaram a escuridão da noite antes da hora. Ali e acolá a luz avermelhada de lâmpadas elétricas brilhou através dos vãos de janelas estreitas, e tochas estavam acesas diante de míseros barracos. Sentimos o cheiro aconchegante de lenha queimando. De repente a Datsun entrou num atalho e, desviando-me do tronco de uma paineira caída no meio do caminho, tomei a direção de uma luz. Ali, um homem velho estava sentado debaixo do alpendre do seu barraco de madeira, fumando seu cachimbo e pouco se importando com a chuva que caía a cântaros e transformou a estrada num lamaçal.

— Por favor, onde posso encontrar a "Cabana na Selva"? — perguntei a ele em espanhol e inglês. O velho abanou a cabeça, coisa que talvez fizesse sempre, mas ficou devendo a resposta. Aí, então, do fundo da minha mente, surgiu a imagem de uma pequena colina, em cujo topo ficava a "Cabana na Selva".

Com incrível rapidez, o caminho sob as rodas da nossa Datsun virou riacho, e Ralph, bem-humorado, comentou:

— A água vem de cima!

E eu entrando, de cheio, no meio do riacho. Passando sobre pedras e raízes aos trancos e barrancos, a Datsun foi subindo, quando a luz dos faróis atingiu uma placa de madeira apodrecida, cujas letras vermelhas, desbotadas, assinalavam "Cabana na Selva". O carro avançou entre árvores e arbustos à procura da casa-sede e dos chalés escondidos por ali.

Estacionei a Datsun e desliguei os faróis. Depois de nossos olhos terem-se acostumado à escuridão, conseguimos distinguir a casa comprida, totalmente no escuro, com telhado de fibras de palmeiras, de cujo interior veio uma voz masculina. A situação era nada confortável, mas, já que estávamos ali, chamei: "Alô" e "Buenas tardes".



Ouvimos o ruído de passos se aproximando. Debaixo da porta vimos o lampejo de um isqueiro acendendo uma vela; ambas as chamas, a do isqueiro e a da vela, dirigiam-se a nós, iluminando nossos rostos e ofuscando nossa vista. Os olhos grandes de um brutamontes perscrutaram-me da cabeça aos pés.
Na manhã seguinte ficou patente que a "Cabana na Selva", outrora convidativa, perdera até seu atraente aspecto exterior.

Bienvenidos, señor von Däniken! — falou o gigante e, após nova perscrutação, sua voz grave com um timbre de melancolia repetiu: — Bienvenidos, Don Eric!



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