O centro e a natureza da luta no xadrez



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14...Th1!! 15.Txh1

Se 15.gxf5??.Txg1+ 16.Bf1 g2 17.Dd3 exd3 e mate no próximo lance.


15...g2!! 16.Tf1

Se 16.Tg1 Dh4+ 17.Rd1 Dh1–+


16...Dh4+ 17.Rd1 gxf1D+±

Se 18.Bxf1 Bxg4+ 19.Rc1 De1+ 20.Dd1 Dxd1#



0–1
Uma das marcas registradas do jogo hipermoderno consiste na configuração esquemática onde o bispo de b2 (b7) tem sua ação sobre a grande diagonal a1-h8 (h1-a8) potencializada pelo posicionamento da dama em a1 (a8). Essa ação conjunta frequentemente colabora para o colapso da posição central adversária, e em alguns casos até mesmo o comprometimento da posição do monarca adversário, com a ocorrência de variados temas de ataque de mate.
Como exemplos, é de se examinar duas partidas do precursor desse modo de jogo, o genial Reti.
Reti,Richard - Rubinstein,Akiba [A07]

Karlsbad, 1923



1.Cf3 d5 2.g3 Cf6 3.Bg2 g6 4.c4 d4
Rubinstein, o “Rei não coroado”, assim denominado por merecidamente ser considerado um dos maiores jogadores de seu tempo, sem ao menos ter a oportunidade de disputar o título máximo, decide-se pela constrição do jogo central das brancas, realizando esse avanço prematuro.
5.d3 Bg7 6.b4
Por seu turno, Reti avalia que não pode agir timidamente em presença das intenções dominadoras do adversário. Em vez do corriqueiro b3, prefere ganhar espaço na ala da dama, além de evitar o reforço da posição do peão preto em d4 via manobra c7-c5.
6...0–0 7.Cbd2 c5 8.Cb3!

Incrementando a pressão à distância sobre o centro de peões pretos, Reti não receia o aparecimento de uma maioria de infantes adversários na ala da dama, e tampouco a abertura da grande diagonal a1-h8, o que em tese aumenta o escopo de ação do “dragão” de g7.
8...cxb4 9.Bb2 Cc6 10.Cbxd4 Cxd4 11.Bxd4 b6
Por sua vez, Rubinstein aproveita a momentânea posição exposta do bispo branco em d4 para opor seu prelado de c8 à ação incisiva do colega adversário de g2.
12.a3!
Reti não perde oportunidade de aumentar o raio de ação de suas peças pesadas, conforme será visto adiante.
12...Bb7 13.Bb2 bxa3
Essa captura deve ser conceituada como o alcance pleno do objetivo de controle central à distância encetado pelas brancas. O outrora peão central de c5, que estava no apoio de seu colega em d4, este assediado e exterminado pela eficiente manobra branca dos lances 6 a 10, agora também desaparece de cena ao ser trocado pelo humilde infante branco de a3.
14.Txa3 Dc7 15.Da1!

E aí está! Como resultado de seu eficiente controle central à distância, Reti fez desaparecer os peões pretos que restringiam sua posição central, estando agora no domínio completo desse setor: seus peões controlam as casas centrais brancas e4 e d5, ao mesmo tempo em que seu cavalo, conjugado com o bispo de b2 e a dama em a1, exercem controle sobre as casas centrais pretas, bem como pressão adicional sobre o cavalo e o bispo das pretas localizados na ala do Rei. Mais não se poderia desejar na condução da abertura por parte das brancas.


15...Ce8
Acusando a pressão a que estava submetido, Rubinstein decide eliminar o incômodo bispo de b2, mesmo que para isso tenha que se desfazer de sua peça de defesa do roque e permitir o posicionamento de seu cavalo em situação central mais desfavorável.
16.Bxg7 Cxg7 17.0–0 Ce6 18.Tb1 Bc6 19.d4!

Cumprida a etapa do controle central à distância, que lhe outorgou confortável maioria de peões no centro, Reti passa agora à transformação dessa vantagem em algo mais concreto. Para tanto, primeiramente avança seus infantes centrais para deslocar as peças menores adversárias para postos mais desfavoráveis, ao mesmo tempo em que cria bases de operação para suas peças, tanto no centro como no interior da posição adversária.
Be4 20.Td1 a5 21.d5 Cc5 22.Cd4
Comparado ao seu colega adversário estacionado em c5, o cavalo branco exerce ação devastadora na posição contrária, tendo pleno acesso às casas críticas b5 e c6.
22...Bxg2 23.Rxg2 Tfd8 24.Cc6 Td6 25.Te3 Te8 26.De5 f6 27.Db2 e5 28.Db5 Rf7 29.Tb1 Cd7 30.f3 Tc8 31.Td3 e4
Rubinstein não quer assistir passivamente o reforço da posição central branca mediante e2-e4, com o plano de uma futura ruptura em f4 ou c4, segundo o caso. Assim prefere reação imediata, mas encontra pela frente um oponente preparado.
32.fxe4 Ce5 33.Dxb6!

Belo arremate. Não é possível 33...Cd3 34.Dxc7+ Txc7 35.exd3 e a formidável massa de peões centrais breve decidirá a luta...
O resto, dispensa comentários em relação ao tema aqui tratado.
33...Cxc6 34.c5! Td7 35.dxc6 Txd3 36.Dxc7+ Txc7 37.exd3 Txc6 38.Tb7+ Re8 39.d4 Ta6 40.Tb6 Ta8 41.Txf6 a4 42.Tf2 a3 43.Ta2 Rd7 44.d5 g5 45.Rf3 Ta4 46.Re3 h5 47.h4 gxh4 48.gxh4 Re7 49.Rf4 Rd7 50.Rf5 1–0

A segunda partida consiste no fantástico encontro havido no célebre Torneio de Nova York-1924. Após ter vencido com sua original abertura a jogadores do vulto de Bogoljubow e Capablanca (que era o então campeão mundial, e que há cerca de dez anos não perdia partida), Reti estava entre os melhores colocados do torneio.


Agora, era chegada a hora de enfrentar o líder, Emanuel Lasker!
Esta partida constitui um marco de referência no tratamento da abertura. Foi dissecada “a la muerte” por mestres e teóricos, que em sua maioria concluíram ser a defesa das pretas um dos melhores antídotos para a profunda idéia desenvolvida por Reti. Tanto, que alguns a denominam “Defesa Lasker do Sistema Reti”.
Para quem deseja o aperfeiçoamento teórico-prático no estudo do jogo hipermoderno, esta partida é de estudo obrigatório, mediante observação de todos os seus ângulos em termos de planos, troca de planos, consecução de objetivos, e o mais.
Reti,R - Lasker,Em [A12]

New York, 1924


1.Cf3 d5 2.c4 c6 3.b3 Bf5
Aqui este lance é possível, porque o peão em d5 está suficientemente apoiado pelo seu companheiro de c6. A idéia de Lasker consiste em adotar uma linha análoga ao London System, com inversão de cores, para enfrentar os perigosos dragões brancos de b2 e g2.
4.g3 Cf6 5.Bg2 Cbd7 6.Bb2 e6 7.0–0 Bd6

Lasker procura não ceder o domínio da casa e5, entretanto os comentaristas dão como melhor o natural 7...Be7.


Observando-se o diagrama, resta claro que o sistema defensivo das pretas fundamenta-se nos seguintes elementos: (i)- em sólido amparo do peão central pelos seus colegas em c6 e e6; (ii)- bispo de casas brancas jogando por fora da cadeia de peões, dificultando a ruptura central das brancas em e4; (iii)- após o roque, posicionamento da torre rei em e8 e da dama em e7, o que em conjunto com o bispo de casas pretas viabiliza o controle da diagonal a3-f8, bem como a expansão central e5-e4-e3, arruinando o sistema de jogo do adversário. E durante essa expansão, na fase de ruptura em e4 o bispo de casas brancas terá sua atividade ainda mais incrementada; (iv)- com o domínio central assim alcançado por ocupação, criar objetivos alternativos de ataque, em seqüência ou simultaneamente, para tentar obter vantagem decisiva (devido à importância do tema, mais à frente ele será objeto de um tópico exclusivo).

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