O centro e a natureza da luta no xadrez



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40.ab5 ab5 41.Tb5 Bh4 42.Re2 Tg2+ 43.Rf1 Th2 44.Rg1 Te2!
Permanecendo no domínio absoluto da segunda fila.
45.Bb6 c3 46.Rf1 Th2 0–1


Kavalek, Lubomir - Karpov, Anatoly C98

Caracas , 1970



1.e4 e5 2.Cf3 Cc6 3.Bb5 a6 4.Ba4 Cf6 5.0–0 Be7 6.Te1 b5 7.Bb3 d6 8.c3 0–0 9.h3 Ca5 10.Bc2 c5 11.d4 Dc7 12.Cbd2 Cc6 13.dc5 dc5 14.Cf1 Be6 15.Ce3 Tad8 16.De2 c4
Até aqui, a partida teve marcha idêntica a de Fischer - Kholmov.
17.Cf5
Esse lance ajusta-se melhor aos requerimentos da posição que aquele realizado por Fischer na partida anterior, pelas razões já mencionadas na parte introdutória desse item.
17...Tfe8
Se 17...Bf5 18.ef5 e brancas tem melhores possibilidades tendo em vista o forte domínio da casa central e4.
18.C3h4
Acionando mais uma peça contra o roque adversário, ao mesmo tempo em que incrementa o controle da casa f5.
18...Rh8 19.Cxe7 De7 20.Df3


Esse lance é bem típico desta posição. Saindo de sua posição passiva em e2, a Dama branca agora atua no controle da casa f5, ao mesmo tempo em que reforça o domínio da diagonal h1-a8, quando de eventual troca em f5.
20...Cd7 21.Cf5 Df8 22.Be3
Controlando a diagonal g1-a7, em especial as casas b6 e c5 de onde os cavalos pretos poderiam exercer pressão sobre a ala da Dama
22...Nc5? 23.Ted1?!
Disputando o controle da coluna central aberta, dentro dos pressupostos posicionais.

Entretanto, seria mais contundente 23.Cg7!, com expressiva vantagem.


Esse lapso das brancas prova uma vez mais que os planos de jogo devem sempre subordinar-se aos requerimentos da posição, lance a lance. O jogador deve estar sempre atento às respostas do adversário, Isto porque, não são raros os equívocos cometidos pelo lado que está na defesa, muitas vezes omitindo golpes táticos como ocorreu aqui.
23...f6
Percebendo a situação comprometida de seu roque, Karpov inviabiliza o sacrifício em g7. Contudo...
24.Td6!
Este lance encaixa-se adequadamente dentro do plano traçado pelas brancas. Não visa ganho imediato de material, e sim o domínio completo das linhas abertas no centro, o que conjugado com a forte posição do cavalo em f5, torna a defesa das pretas muito difícil.
24...Td6 25.Bc5 Td1+ 26.Td1 Dc5 27.Td6!
Persistindo no objetivo de domínio central.
27...Bf7
Se 27...Bf5 28.Td5 De7 29 ef5, o qual irá viabilizar a instalação do bispo espanhol na dominante posição central de e4, com superioridade branca.



28.Dd1
Com domínio completo da coluna central aberta.
28...Cb8 29.Td8
Invasão da posição adversária.
29...Dc7 30.Cd6
Incremento da invasão, forçando trocas das peças mais efetivas na defesa.
30...Td8 31.Cf7+ Df7 32.Dd8+ Dg8 33.Dd6!

Como já havia ocorrido na partida Lasker – Tarrasch, não convém ao lado que tem superioridade trocar peças mais ativas sem motivo suficiente para tanto.


Agora não era bom para as brancas trocarem Damas. A Dama branca continua firme no domínio da coluna central aberta, tocando as principais debilidades do adversário (peão de a6, o cavalo de b8 e o Rei encerrado na oitava fila). Esses fatores fazem com que pretas tenham de despender tempos valiosos para contornar tais dificuldades. Enquanto isso, o bispo espanhol irá para a base de operações e2, com controle das diagonais d1-h5 e f1-a6, auxiliando a Dama na pressão exercida em ambas as alas.
33... De8 34.Bd1 h5 35.Be2 Rh7 36.b3
Incrementando o poder de ação do bispo, fixando de uma vez por todas a debilidade de a6
36...cb3 37.ab3 Cc6 38.b4 Rh6 39.h4 Dc8 40.g3 Rg6 41.Dd1 Rf7 42.Bh5+
E aqui brancas já tem o primeiro retorno material como conseqüência de seu plano de jogo.
42...Re7 43.Bg4

Como corolário da queda do peão de h5, e talvez mais importante que isso, houve incremento da debilidade das casas brancas do oponente, por onde o bispo espanhol terá ampla liberdade de movimento, colaborando decisivamente para o assédio ao monarca adversário.
43...Dc7 44.Dd5 Cd8 45.Bf5 Cf7
As pretas não tem melhor opção, a não ser perder mais material em troca da melhoria de ação de suas peças para tentar obter o empate. Propor troca de Damas em c6 seria contraproducente, tendo em vista a mobilidade superior do bispo em relação ao cavalo, os peões fixos como alvo de ataque na ala da Dama e a superioridade material das brancas.
46.De6+ Rf8 47.Da6 Cd6 48.Da8+ Re7 49.Dg8 Cf5 50.ef5

Finalmente o temível bispo espanhol desaparece de cena. Entretanto, permanece a crônica debilidade das casas brancas, que agora irá se traduzir na queda de peões situados nas casas pretas da ala do Rei, e posteriormente do peão remanescente da ala da Dama.


50...Dc3 51.Dg7+ Rd6 52.Df6+ Rd5 53.Df7+ Re4 54.Db7+ Rf5 55.Db5 De1+ 56.Rg2 De4+ 57.Rh2 Rg4 58.Dd7+ Rf3 59.Qd2 1–0


  1. Conclusão

O método de estudo dos lances iniciais e das fases posteriores da partida, aqui proposto, não é auto-suficiente, e muito menos se constitui no único caminho a ser seguido pelo estudioso. Pelo contrário, após ser adotado e compreendido, deve ser complementado com os refinamentos necessários em termos de busca das melhores posições, ou lances, que permitam o alcance dos objetivos tratados.


A par disso, ao longo do tempo, pode-se verificar a incrível capacidade de renovação de variantes nas mais diversas aberturas. Inclusive, muitas passam por períodos cíclicos de validade: o que era um lance bom passa a ser considerado ruim, para mais à frente ser resgatado e ser olhado como alternativa válida novamente.
Isto se encaixa dentro da capacidade inesgotável do espírito criador de todos aqueles que enxergam, no Xadrez, suas infinitas possibilidades de luta, onde as idéias são postas à prova do tempo, e no qual somente há lugar para aqueles que contestam, duvidam, e não se conformam com conceitos estáticos e considerados como verdade única.

Estes, por certo, sairão vencedores, como ocorreu com Morphy, Steinitz, Lasker, Reti, Alekhine, Tal, Fischer, Kasparov e muitos outros.



Curitiba-PR, 23 de março de 2005.



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