O centro e a natureza da luta no xadrez



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12...b6
Com o objetivo lógico de pressionar e4 via Bb7, já que a ação dessa peça restou limitada pelo avanço f5 das brancas. Assim, o controle da diagonal h1-a8 harmoniza-se com o plano das pretas de pressão e domínio das linhas centrais.
13.Bf4 Bb7?
Um erro, que somente pode ser debitado à confiança excessiva de Capablanca em suas possibilidades de vitória ou empate. Justamente o que almejava Lasker.
14.Bd6 cd6
E aqui parece que tudo está bem para as pretas, o peão d voltou a participar da luta pelo centro, os peões dobrados não mais existem e a falha estrutural das brancas permanece como alvo de ataque.
15.Cd4 Tad8?
Um lance natural, buscando a defesa do peão d6 e possibilidades futuras de domínio da coluna d. Entretanto, esse movimento demonstra que as possibilidades das brancas, a partir do avanço f5, foi subestimada pelo lado preto. Por isso, era imperioso o preventivo 15. Bc8, o qual ainda que constituísse renúncia da pressão desse bispo sobre e4, por seu turno evitaria a instalação do perigoso cavalo branco na casa e6.
16.Ce6 Td7 17.Tad1
Aproveitando-se da passividade imposta ás peças contrárias, onde a pressão exercida na coluna ``e´´ não mais existe e o bispo encontra-se encerrado atrás dos peões pretos, Lasker incrementa o controle das casas centrais via pressão das peças pesadas na coluna ``d´´, dentro dos pressupostos clássicos dessa variante.
17...Cc8 18.Tf2 b5 19.Tfd2 Tde7 20.b4 Rf7 21.a3 Ba8?
Como corolário de suas ações de reforço do domínio central, Lasker observa que as peças pretas cada vez mais se retiram para casas periféricas (lances 17...Cc8 e 21...Ba8). Este último constitui mais um erro, concordando os analistas que o sacrifício de qualidade 21...Te6 22.fe6 Re6 teria proporcionado as pretas melhores condições de resistência.
22.Rf2 Ta7
Ao desaparecerem suas chances de domínio central, pretas procuram respirar pelas linhas extremas do tabuleiro, Entretanto, essas rupturas a nada levam, porque os pontos de invasão estão todos sob domínio do lado branco. Inclusive, mais tarde as colunas assim abertas servirão de vias de invasão para o lado que detém a superioridade central.
23.g4 h6 24.Td3
Controlando antecipadamente o ponto de invasão a3, defendendo a peça de c3, além de poder trafegar rapidamente em para a ala do Rei.
24...a5? 25.h4 ab4 26.ab4 Tae7
Percebendo que nada tinha a obter na coluna ``a´´, pretas retornam essa peça para a defesa de sua posição central.
27.Rf3 Tg8 28.Rf4
Brancas persistem em seu plano de domínio central, agora já estendendo suas possibilidades para eventual ruptura na ala do Rei.
28...g6 29.Tg3 g5+ 30.Rf3 Cb6 31.hg5 hg5 32.Th3!
Neste ponto as brancas não se contentam em apenas ganhar material mediante 32.Td6, tendo em vista a situação altamente comprometida das peças pretas.
32...Td7
O cavalo preto não pode aspirar a um melhor posto via c4-e5, porque brancas dominariam também a coluna ``a´´, com o ponto de invasão a7 e o bispo comprometido de a8 caindo em suas mãos.
33.Rg3
Preparando o ``grand finale´´...
33...Re8 34.Tdh1 Bb7
35.e5!

O clímax de todo o plano das brancas. Mediante entrega do peão deliberadamente atrasado na fase inicial da partida, o cavalo de c3 irá ocupar a casa e4, dominando casas centrais críticas na posição das pretas.


35...de5 36.Ce4 Cd5 37.C6c5 Bc8 38.Cd7 Bd7 39.Th7 Tf8 40.Ta1!
Invasão pela coluna aberta pelo lado preto...
40...Rd8 41.Ta8+ Bc8 42.Cc5 1–0
E ante a derrota de Capablanca para Tarrasch na rodada seguinte, Lasker conseguiu seu intento de vencer o Torneio.

  1. Ruy Lopez – Câmbio – a Variante Barendregt-Fischer

As vitórias colhidas por Lasker e outros mestres com a variante original 5.d4 logo despertaram o interesse dos partidários da Defesa Morphy em encontrar linhas mais adequadas para as pretas. Inclusive, como ocorreu nas duas partidas anteriores, muitas das vitórias das brancas ocorreram por erros na condução do jogo adequado para o lado preto, sendo a posteriori estabelecidos planos defensivos mais consistentes, com o estado da teoria atual rotulando essa variante como empatativa ou até mesmo de leve vantagem para as pretas. E como ocorre frequentemente, ao não mais proporcionar os resultados esperados, a Variante do Câmbio desapareceu da prática magistral por mais de cinqüenta anos.


Entretanto, em meados do século XX, mais precisamente na década de 60, o mestre holandês Barendregt praticou o insólito lance 5.0-0!, obtendo expressivas vitórias sobre mestres como Portish, Sliwa e Litlewood.
Contudo, por se tratar de um mestre fora da lista dos mais ranqueados, ninguém prestou a devida atenção a esse lance. Ninguém... exceto Bobby Fischer! Compreendendo de pronto o alcance estratégico dessa linha, Fischer testou-a e logo passou a aplicá-la em suas partidas, conseguindo retumbantes vitórias sobre alguns dos mais destacados mestres daquele tempo, entre os quais se incluem Portish, Gligoric e Unzicker.
Para melhor compreensão das idéias estratégicas que fundamentam essa linha, é pertinente sua comparação com aquela derivada da antiga variante adotada por Lasker.
Desse modo, após 5.0-0, a forma mais econômica de defesa do peão e5 é mediante 5...f6, ao que segue de pronto a ruptura central 6.d4. Se as pretas jogam a seqüência natural 6...ed4 7.Cd4 c5 8.Cb3 Dd1 9.Td1, a posição resultante, comparada com aquela correspondente do lance 7.Cd4 da variante praticada por Lasker, apresenta as diferenças elencadas a seguir.





Primeiro, as brancas já rocaram, e a torre do Rei ocupa a importante coluna “d” aberta mediante as trocas anteriores de peões centrais e Damas.


Segundo, o cavalo em b3 ocupa posição bastante ativa, atacando o peão preto em c5 e podendo saltar a a5 para provocar debilidades na estrutura de peões pretos da ala da Dama.
Em razão desses fatores, pode-se dizer que as brancas ganharam pelo menos dois tempos em relação à antiga variante.
Quanto às pretas, nesse entretempo apenas realizaram os lances f6 e c5, limitando o desenvolvimento de seu cavalo e do bispo de f8, respectivamente.
E em relação às demais características da Variante do Câmbio, nada mudou substancialmente. As brancas mantiveram sua maioria quantitativa na ala do Rei, o controle da coluna “d” permanece firme em suas mãos, e suas peças menores possuem excelentes casas e diagonais para pressionarem a posição adversária.
Por seu turno, apesar do atraso de desenvolvimento relativo à posição da variante antiga, as pretas devem persistir em suas ações de minar o centro branco, ativando ao máximo suas peças pesadas e seu par de bispos, evitando trocas desnecessárias que só fazem pender o fiel da balança para o lado branco, no final resultante.
Para ilustrar todas essas alternativas, serão apresentadas duas partidas, uma de Fischer e outra mais recente.
Fischer, Robert James - Portisch, Lajos

Havana ol (Men) fin-A

1966.10.25

Eco C69
1.e4 e5 2.Cf3 Cc6 3.Bb5 a6 4.Bc6 dc6 5.0-0 f6


Outras defesas são possíveis neste momento, entre as quais se incluem 5...Bg4, 5...Dd6, 5...Bd6, 5...De7 e 5...Ce7, recaindo a escolha em questões de gosto pessoal preparação técnica e psicológica e outras. Por exemplo, para o jogador de pretas que deseja lutar pela vitória, uma das linhas que melhor poderiam responder a essa aspiração seria 5...Bg4, pois que a 6.h3 seguiria 6...h5!?, resultando uma luta aguda com reduzidas possibilidades de empate.
6.d4 ed4 7.Cd4 c5 8.Cb3 Dxd1 9.Txd1 Bd6?!
Esse é um lance natural, que obstrui a ação da torre branca na coluna “d”, controla a diagonal h2-b8 e defende o peão de c7 do ataque branco Bf4, tudo conforme os preceitos gerais de tratamento dessa posição pelas pretas, como já enunciado. Entretanto, todas essas razões são insuficientes para atestar a conveniência de 9...Bd6, em face da réplica branca a seguir. Melhor aqui são lances como 9...Bd7, 9...Be6 e 9...Bg4, que conferem razoáveis chances de equilíbrio para o lado preto.
10.Ca5!
Dificultando o desenvolvimento do prelado preto de c8, com ameaça simultânea de pressionar d6 mediante Ca5-c4.
10…b5
Nas atuais circunstâncias, constitui a melhor defesa, neutralizando as ameaças representadas pelo cavalo de a5. Entretanto, debilita a estática estrutura de peões pretos da ala da Dama, viabilizando a seguinte réplica:
11.c4!
Em relação à forma de tratamento da estrutura de peões, está consolidada na teoria e na prática, com as exceções que justificam a regra, de que para implementar a debilidade representada por peões dobrados é sempre desejável que se avance o peão adversário que se encontra em frente aos mesmos. E esse é justamente o caso dessa posição.
11...Ce7 12.Be3 f5
Procurando neutralizar a boa colocação das peças menores brancas, mediante ataque ao centro branco.
13.Cc3 f4 14.e5 Be5
A melhor continuação. Se 14...fe3 15.ed6 ef2 16.Rf2 0-0 17.Rg1 cd6 18.Td6 Bf5 19.Te1! o domínio das linhas centrais seria todo das brancas, e as debilidades das pretas na ala da Dama breve seriam objeto de ataque.



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