O centro e a natureza da luta no xadrez



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1.e4 Cf6 2.e5 Cd5 3.c4 Cb3 4. d4 d6 5.f4 de4 6.fe4 Cc6 7.Be3 Bf5 8.Cc3 e6 9.Cf3 Cb4.
Observa-se que, enquanto o lado branco avançou seus peões centrais, conquistando território, reforçando a defesa dos mesmos e preparando a cena para violento ataque à posição do bando preto, este preocupou-se em desenvolver suas peças rapidamente, mantendo intacta sua estrutura de peões visando um melhor final, ao mesmo tempo que, com manobras ativas, está empreendendo ação de minar o centro branco, pulverizando sua estrutura distendida. Continuando cada lado com seus planos, tem-se agora: 10.Tc1 (defendendo-se do xeque em c2 e reforçando casas centrais) 10...c5 (minando o controle da casa d4), etc.

c)- Controle do centro a distância pelos dois bandos, por exemplo, mediante 1.Cf3 Cf6 2.g3 g6 3.Bg2 Bg7, etc. Em algumas linhas, chega-se ao extremo de desenvolver cavalos via a3 ou h3 (a6 ou h6), e até mesmo pressionar o centro via dispositivo Da1-Bb2. Neste último caso inserem-se as partidas de Reti, entre as quais sua vitória ante F. Fischer, no Match de Viena 1923:


1.Cf3 Cf6 2.c4 e6 3.g3 d5 4.Bg2 c6 5.b3 Cbd7 6.Bb2 Be7 7.0–0 0–0 8.d3 b6 9.Cbd2 Bb7 10.Tc1 Tc8 11.Tc2 c5 12.Da1 Bd6 13.cd5 ed5 14.Ch4 Te8 15.Cf5 Bf8 16.Cc4 Dc7 17.Cce3 Db8

18.Bf6 Cf6 19.Ch6+ gh6 20.Df6 d4 21.Bb7 Db7 22.Cf5 Tc6 23.Dh4 Tg6 24.e4 b5 25.Df4 Dd7 26.Ta1 Tc8 27.a4 Ta6 28.Tac1 ba4 29.ba4 Ta4 30.Tc5 Tc5 31.Dg4+ Rh8 32.Tc5 Tb4 33.Td5 Dc8 34.Dh4 Dc1+ 35.Rg2 Tb1 36.Td8 Df1+ 37.Rf3 Dd3+ 38.Rf4 Dd2+ 39.Rg4 1–0

  1. Abertura e controle de linhas centrais

Em relação às linhas centrais abertas, estas ocorrerão mediante trocas de peões e posicionamento de bispos, torres e damas ao longo das diagonais, colunas e fileiras cujas casas restaram totalmente ou parcialmente livres de peões e peças. Portanto, esse cenário ocorre logo após os lances iniciais da abertura, ou até mesmo durante essa fase.


É o caso, por exemplo, da seguinte variante na Partida Escocesa:
1.e4 e5 2.Cf3 CC6 3.d4 ed4 4.Cd4 Bc5 5.Be3 Df6 6.c3 Cge7 7.g3

Esta variante é bastante conhecida da GM feminina polonesa Joanna Dworakowska (2441), com a qual vem colhendo importantes resultados. Sua partida com Alexander Onischuk (2655) no Open de Skopje 2002 seguiu assim:


7...d5 8.Bg2 Bd4 9.cd4 de4 10 Cc3 Bf5 11.d5 0-0-0 12.Db3 Cd4 13.Da4 Cf3 14.Bf3 ef3 15.Da7 Da6 16.Da6 ba6 17.0-0-0

Mediante sacrifício temporário do peão e4 (10.Cc3), Joanna optou pelo controle acelerado das casas centrais d4 e d5, abrindo a diagonal g1-a7 para seu Bispo e controlando firmemente a coluna “d” (0-0-0), reforçando seu posto avançado em d5.


17…Bg6 18.Bc5 Cf5 19.The1 f6 20.Td3! Cg3 21.Tf3 Cf5 22.Tf4! Rd7 23.h4! Cd6 24.Tg1 Thg8 25.Tfg4! Rc8 26.Ta4!

Assegurado assim o domínio das linhas centrais, Joanna empreendeu pressão sobre as debilidades das pretas na ala da Dama, primeiro mediante manobra diversionista para criação de fraquezas alternativas na ala oposta (lances 20.Td3!, 22.Tf4!, 23.h4!, 24.Tg1 e 25.Tfg4!, para então entrar em final superior mediante trocas em b5, d8 e d6 com posterior invasão e ganho de material na ala da Dama, ante a posição passiva das pretas resultante do plano adotado.


É ainda digno de nota a eficiente colocação do peão em h4. Com apenas um lance, brancas cumprem três objetivos importantes para obtenção de posição superior: a)- ameaça direta e instantânea sobre o cavalo de f5; b)- ameaça de ganho dos peões de g7 e h7, mediante o avanço h4-h5; c)- retardo de ação da torre preta remanescente, que teve de permanecer na defesa do peão “g” (primeiro em g7 e depois em g5), somente sendo possível sua liberação após o lance 34...g4, quando então o lado branco já havia invadido e ganho material na ala da Dama.

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