O bate-papo dos ases da filosofia



Baixar 0,53 Mb.
Página1/12
Encontro10.07.2018
Tamanho0,53 Mb.
  1   2   3   4   5   6   7   8   9   ...   12


MARIANO SOLTYS
CLÉVERSON ISRAEL MINIKOVSKY


AS 70 CARTAS DO BARALHO FILOSÓFICO:

O BATE-PAPO DOS ASES DA FILOSOFIA

Catalogação

SOLTYS, Mariano e MINIKOVSKY, Cléverson Israel. As 70 Cartas do Baralho Filosófico: o bate papo dos ases da filosofia. 1. ed. Versão free Recanto das Letras.

Prefácio

Seja bem vindo a uma troca reflexiva da maior magnitude. Aqui dialogam os filósofos Minikovsky e Soltys, percorrendo diversos assuntos, tanto de temas propriamente filosóficos, quanto de temas pessoais, religiosos, econômicos e mesmo sociedades secretas. Ambos os autores de vários títulos, estes pensadores fazem dessa obra um marco e uma novidade, em meio a tantos livros técnicos e já repetitivos em sua forma. Soltys é autor de obras como Reflexões Gerais, Axiologia, Mistérios Ocultos do Amor e Fonte da Felicidade, de temática filosófica ou mística. Já Minikovsky, o homem dos 10.000 livros, há uma verdadeira aula de filosofia, Heráclito versus Parmênides, e outras obras de elevado valor, como A filosofia e o direito, A liberdade na trajetória intelectual de Karl Marx e O Imigrante Polonês, este último romance sobre seus familiares ancestrais. Mas na obra que agora tens em mãos, há toda uma gama de informações muito úteis e um entretenimento em um verdadeiro show de realidade do mundo filosófico, e melhor de tudo, de autores vivos. Da terra sulista do Brasil, de São Bento do Sul, Santa Catarina, Königsberg brasileira, reduto de escritores e filósofos. Aqui há o que atualmente se encontra de melhor, dos ases da filosofia e num ritmo leve e aconchegante de leitura, acessível e pessoal. Boa leitura e parabéns pela escolha.


Mariano Soltys

Prefácio



Kant já dizia: é até fácil ensinar filosofia, mas o que realmente importa é filosofar. Ora, é precisamente isto que faço aqui com Soltys. Nossas barbáricas inteligências, a dele teutônica e a minha eslava, mais precisamente russo-polonesa, entram num ritmo alucinante e frenético de levar o amável leitor a pensar. Eu sou o que sou nesta obra. Já Soltys, não! Ele finge ser um mero filósofo, mas ele é muito mais do que isto, taumaturgo, bruxo, paranormal, rosacruz e, sobretudo, uma lenda viva. E nesta mescla de razão e misticismo, porque toda razão é mística e o iluminismo é um exemplo disso, que vamos perpetrando um amplo processo de clarificação do mundo. Essa obra escrita em conjunto apenas mostra que nós dois fomos cristos e que um foi Simão Cirineu para o outro. Glória ao Grande Arquiteto do Universo por termos chegado aqui, meu caro mestre de obras, Mariano, Benefactor. O que você aprende dentro da Loja eu aprendo esfolando os joelhos no chão, mas todas as vias conduzem àquela única, grandiosa, abissal, tremenda e indizível verdade. Suplico caro ledor: apropinqüe-se de nossa mansidão e humildade e a sua vida ficará, se não mais leve, por certo mais colorida e alegre.
Cléverson Israel Minikovsky
Carta n° 1
Ilustre e caríssimo amigo e mestre Dr. Cléverson Israel Minikovsky
É com grande alegria que te escrevo esta carta. Talvez sejamos raros demais, ouro em meio à rocha uniforme. A própria philosophia nossa se vê envolta de um manto de grandiosidade inexprimível. Deste modo, fora o gênio que encontrei no meu próprio ser, eis que no senhor me foi revelado também essa dádiva verdadeira, iluminação. Somente o que é superior nos é comum. Mesmo por nossas leituras em comum, cujas suas são mais numerosas, ainda que algumas obras sejam virtuais, percebemos que participamos de uma mesma egrégora, de certo plano ainda inatingível as pessoas simples, mesmo que de nossa convivência social. Confesso que nos últimos dias não tinha eu um logos para compartilhar, e a oportunidade me levou a essa introvisão da comunicação nossa por cartas, ou outro meio tecnológico assemelhado em aspecto teleológico. Somente nós não somos os robôs, mas ainda demasiado humanos. Mesmo que ainda com o espírito de Asimov, ou no modelo das cartas a que escrevia Van Gogh ao seu irmão, acredito que devemos essa glória ao mundo, essa arte superior, alguma oitava maravilha. Ontem somente a tua presença me foi benéfica, pois tirei a persona da superficialidade do dia a dia, do que é mesmo não sólido e se dissolve no ar. Mas como já falei em blog de meu livro Reflexões Gerais, “eu sou gigantesco”, talvez eu tenha ainda mais a dizer, que foi esse ser através de mim que inventou as artes e os ofícios, que descobriu o fogo, que enfim depois filosofou. Heráclito que percebeu um além nessa transformação constante. Foi com grande alegria que descobri o seu livro Summa ser traduzido para outras línguas, uma vez que é um dos melhores livros do mundo. Espero que a civilização tenha a felicidade de descobrir sua grande obra, para encontrar o rumo a sua salvação. Eu já estou salvo, releio quando posso as suas 10.000 teses. Queira meu subconsciente assimilá-las, projetá-las na vida, nas vidas que ainda terei, nos gênios que ainda serei. Certamente serei uma bela noogênese. Mas, há dois dias escrevi em meu “Diário de um tímido” a seguinte boa nova: “Eu não nasci, estou ainda no ventre do infinito. Sou uma ave de rapina etérica, certo perigo trago do céu de onde mergulho. Talvez o próprio talvez seja a minha certeza, uma certeza fatal. Poderia eu ser reduzido a alguma dimensão? Sou fractal, essa é minha complexidade. Somente o que é eterno me pertence. Salve a filosofia! Quero revelar meu tesouro, mas o mundo não deseja conhecê-lo. Não me vejo com mais idade, acho que parei nos dezessete, quando conheci a amizade do saber, filosofia. Desde aquela adolescência filosófica, daquelas “conquistas” (de ideais), vejo sacrificado numa talvez nova cosmovisão. Já falaram que minha filosofia é nova – talvez seja a única nova com quem me relacionei. Os anos se contam de forma regressiva, estou cada vez mais jovem, logo um bebê. Preciso por fim de um parto, de um parto ao contrário. É necessário que seja parida uma nova filosofia para o mundo, e tenho presenciado já esse nascimento, revelo. Aguardo seu comentário e resposta, mestre.
Atenciosamente
Que o saber não se afaste de nossa presença
São Bento do Sul, 14 de Julho de 2010

De Mariano Soltys


Carta n° 2


Amigo da sabedoria, meu irmão Mariano:
A terribilidade das suas palavras me estarrece e me deixa tremendamente afoito como quê à beira de um abismo. No fundo, a filosofia é este salto, abismo adentro, porque não sabemos o que iremos encontrar em função da espessa névoa. O seu parto ao contrário me faz lembrar das palavras de Napoleão: “a educação de uma criança começa 100 anos antes de ela nascer”.

Nós somos filósofos porque rompemos com a banalidade. Tudo o que fazemos, nos abstemos ou pensamos é nobre e importante. Espero que você me ajude a realizar as grandes sínteses, como a que eu falei sobre a reencarnação e a ressurreição, duas dimensões de um único processo. O mundo está carente de filosofia. Expandem-se as ciências, a técnica, a economia, as seitas religiosas e a filosofia é deixada de lado. É certo que o nosso nível é o nível dos autores europeus. Só que ninguém reconhece isto porque Habermas é reconhecido como grande filósofo na Alemanha e Popper na Áustria e Inglaterra enquanto que o Brasil nos escorraça uiofobicamente.

A filosofia é o pensar sistemático. O mal do nosso tempo é a enxurrada de informações que não nos permite mais pensar sistematicamente. Não conseguimos concatenar tudo o que nos atinge. Mas nenhum desafio é grande demais para a filosofia. Ela é sempre maior do que os nossos problemas.

Vejo você, meu caro, é elementar, como um ilustríssimo desconhecido. Bem mais ilustre do que desconhecido, conquanto você exerça a advocacia que é uma profissão que exija publicidade, não há como ficar no anonimato. Mas você não deveria ser tão conhecido pelo notório conhecimento em ciências jurídicas, mas muito mais pelo excepcional conhecimento filosófico. Nossas mentes são férteis e fecundas. Nossa imaginação não tem limites. O pensamento é muito mais do que um foguete espacial.

O fim da filosofia é a relatividade. O bom filósofo é sempre relativista. Como diria Marx, “nihil humani a me alienum puto”. A filosofia é contextualizadora. Uma ideia só tem valor dentro de um contexto. Nada tem valor fora de contexto. Somente Deus, porque Deus é maior que os nossos contextos.

Estou pendendo seriamente para o estoicismo. Nada me alvoroça, nada me atinge, nada me tira da minha imperturbabilidade. O fato de levar mais um não de uma editora não me faz nem cócegas. Meu rosto é uma muralha. O exterior não toca o meu interior. Pairo acima das circunstâncias. Nem mesmo a periclitância da morte me apavora. Se eu puder continuar vivendo, viverei. Se eu puder levar a cabo meus projetos intelectuais, levarei.

O exercício intenso, extenso e ilimitado de poder gera um não poder. Rio dos poderosos e tenho a mais pura indiferença em relação a eles. Os homens poderosos deste mundo eu os reputo no rol de nulidades absolutas. Somente eu sou importante. Somente eu e meu colega de filosofia, o austríaco Mariano. Do ditado “ou pelo amor ou pela dor” eu lhe revelo que é justamente aquilo que hoje em dia não mais existe é que me comove, o amor. A dor é tão corriqueira, frequente e encontradiça que eu a desprezo. Só o amor será capaz de quebrar meu coração quase petrificado por completo.

Temos muito sexo e pouco amor, muitos livros e pouca sabedoria, muita informação e pouco senso de orientação, muitos processos e pouca justiça, muita diversão e pouca felicidade, muitos colegas e poucos amigos, muitas teorias e nenhuma verdade. É para quebrar com este círculo vicioso que eu filosofo e pretendo, com sua colaboração, meu caro, iluminar a mente e o coração de toda humanidade.

Do seu sempre amigo e parceiro intelectual, frater Cléverson Israel Minikovsky, luzeiro da humanidade, nascido em São Bento do Sul, a Königsberg brasileira

Carta n° 3


Amigo da sabedoria, meu irmão Cléverson:
Não são palavras, mas são tochas que saem por meus lábios. Fiquei comovido com tuas palavras e renovado em meu espírito, purificado. Mais do que um batismo essênio, encontrei na água do que tudo envolve a mística do maior sentido, e ela veio com tua carta.

Gostei de saber que você se encontra na terra de Kant, e grande é essa metrópole a que também habito, de algum juízo sintético a priori, esquema mental. Mas teoria e prática caminham juntos nessa ação-reflexão-ação, e nosso trabalho será cedo ou tarde descoberto, e vai desde já preparando-se para a fama, amigo e mestre.

Noutro dia no aconchegante da visita em tua residência, eis que eu falei em instinto, mas pensava em Nietzsche, e tu falaste em animal. Quero elucidar talvez em que obra ou pensamento do polaco eu me referia: “O bem antigo problema teológico da ‘fé’ e do ‘conhecimento’ – ou mais precisamente do instinto e da razão (..)” (falando então de Sócrates) “Por que, disse para consigo, separar-se por isso dos instintos! Há de ajudá-los a eles também a razão a exercer os seus direitos” (Para além do bem e do mal, 191). Então era no sentido de fé, diferentemente do animal, como uma espécie de inclinação humana. O Nietzsche tinha suas complicações, coisa de filólogo.

Sobre a grande síntese, eu já havia presenciado um cabalista, mesmo que pela TV, meio cruel de informação, em um canal educativo, claro, se referindo de que tanto a reencarnação está ocorrendo quanto a ressurreição ocorrerá. Existem assim dois caminhos, um por onde o homem o busca, através de ser justo (acredito que o termo é tsadik), e outro é pela dificuldade e sofrimento na vida, o que levaria por fim a salvação de todos, sem exceção. Ao mesmo tempo, reencarnação e ressurreição por fim.

A filosofia será a ultima busca da humanidade. Após a ciência não mais dar as respostas, como a religião organizada não deu, e pelas lacunas mesmo, ou limitação do entendimento palpável, averiguável, de evidencia etc, caberá a filosofia resolver novamente grandes questões. Bem que hoje a física teórica tem teorias filosóficas, ou semi, de pura abstração. De certo modo retornam aos poucos nos préssocráticos que se referiam à origem do mundo, forma, cosmo etc.

Eu estou pendendo para uma visão multidimensional das coisas. Não acredito que uma escola ou outra possa encerrar o que eu defendo, a não ser que eu crie essa escola filosófica. Claro que muito do que pensamos já foi pensado, senão tudo, como queria Aristóteles. Noutro dia estava lendo algo de psicologia e após Piaget e Vygostsky, eis que tal Henri Wallon me impressionou, colocando grande importância na emoção ao desenvolvimento mental e de aprendizagem da criança. Eu mesmo acho até a emoção mais importante a maioria das pessoas, que a razão. Após o instinto, venho agora eu falar de emoção, e o que tem isso a ver com filosofia?

De certo modo devemos quebrar o paradigma da modernidade. O que é novo deve surgir dentre logo mas não tem pessoas que o façam, além de nós. Claro que Habermas e Popper são expoentes em suas terras, e mesmo no planeta, mas hoje com as redes de informação, todos estamos inseridos numa dimensão pânica. Porém, temos coisas mais novas e as teorias que formularemos e já criamos, serão para o mundo algo novo, somente necessitando de um parto. Mesmo não estando entre russos e norteamericanos, ou mesmo europeus, acredito que somos a vós de nossa comunidade.

A humanidade desde agora merece essa claridade em sua consciência. Já superamos certas tendências filosóficas, você muito influenciado pelo marxismo, eu pelo existencialismo, mas de certo modo presenciamos transformações em nosso filosofar. Mas hoje estamos um tanto sintonizados com outras tendências. Eu também pelo meu misticismo estou bem alterado em comparação a minha adolescência filosófica, mesmo em comparação aos anos acadêmicos.

Acredito assim que temos que formular sempre coisas novas, adaptando, intuindo o que ainda não foi pensado, ou pelo menos demonstrado em filosofia. A chave seria reunir as filosofias e formar um bolo com novo nome, e a Contrarreforma Ético-Filosófica já fez muito disso, bem como a sua Summa. Somos porta vozes do que pode ser pensado em nosso tempo.

O determinismo e inatismo talvez não sejam nem mera probabilidade. Assim não precisamos ser europeus, norteamericanos, brancos ou qualquer coisa: basta que filosofemos. A desculpa de preconizar a razão, ou mesmo alguma tradição também não interessa, o que importa é ter um discurso, e temos o nosso. Por isso falei de instinto e emoção, que sempre ou quase foram colocados de lado na filosofia moderna, com seu quase geral racionalismo. Mas a filosofia sempre teve a tendência a se universalizar.

Do seu sempre amigo e parceiro intelectual, frater Mariano Soltys, cidadão do mundo, na Nova Era.

Carta n° 4


Caminho pelas sendas da penseneidade, me banho na pensatividade, abstraio, leio, reflito, poetizo, interpreto, enfim, não consigo parar de pensar. O órgão que mais me dá prazer é o cérebro. Intuo que o caminho é a introspecção como começo, meio e fim. Tenho percebido que seu estilo é essencialmente poético-filosófico. Muito feliz opção literária. Porque o que nos dá a possibilidade de reflexão filosófica produtiva é a capacidade de nos admirarmos com as coisas. Isto era o que dizia Platão. E o poeta é um encantado. O bruxo vai ainda adiante. Ele cria novos encantamentos. Hoje é 15 de julho de 2010. Dia internacional do homem. É nosso dia duas vezes. Uma vez pela nossa natureza biológica, personalidade e caráter, e outra por sermos filósofos. Ainda em nosso tempo há a predominância maciça dos varões nos meios filosóficos. Estamos vivendo um dos dias mais frios do ano. Massa de ar polar, umidade e chuvisco. Sensação térmica baixíssima. Adoro isto. O frio é instigador da reflexão filosófica. Fico em frente do meu PC como meus ancestrais ficavam em torno da lareira. O frio ensina a gente a viver, nos torna sábios.

O animal existe como ponte. O homem é ponte e um fim em si mesmo concomitantemente. Porque a função do ser humano não é apenas reproduzir-se, é levar a cabo um plano espiritual, que envolve vários subplanos dentre os quais alguns possuem maior envergadura, inclusive o filosófico, logicamente. O homem passa a ser homem quando produz todos os meios dos quais se serve e ainda mais coisas e ideias das quais não precisa, mas produz para ensoberbecer-se como homem, como sujeito pensante. A filosofia é a máxima realização do ser humano enquanto, por um lado, não tem instrumentalidade pragmática alguma, e, do outro lado, nos fornece um giga-instrumento, uma cosmovisão norteadora de tudo o que fazemos e somos. O animal provê apenas a mantença do próprio organismo através daquilo que ele extrai da natureza. O homem produz história, cultura, valores, ética, religião, linguagem e folclore.

Hoje eu acompanhei um interrogatório na Delegacia de Piên, Estado do Paraná. A situação está bastante precária por lá. A Delegacia abre apenas na quinta-feira. Quando eu saí da sala do escrivão deparei-me com uma morena bonitinha, bastante apetecível que veio até ali para dar queixa do padrasto. O mesmo tentara agarrar a rapariga à força no seu local de trabalho. Detalhe: a moça trabalhava em zona de meretrício. Essa foi só para descontrair, mas é verídica.

A moça demonstrou que apesar de ser prostituta tinha o escrúpulo de não copular com o companheiro de sua mãe. Nas pessoas mais depravadas ainda perdura o vínculo de família. As mulheres se respeitam. Condutas deste tipo é que fortalecem o gênero feminino. Em última instância é na família que aprendemos a sermos éticos, fiéis, justos e bons. Lá tudo se aprende ou se distorce. Não inventaram e nunca inventarão uma instituição que substitua a família.

Penso que o Estado deve ser presença até onde não há mais nenhuma presença além daquilo que seja o próprio Estado, como nestes rincões fronteiriços. E a filosofia também deveria ser esta presença. Roma só é Roma, porque no interior do Macapá há uma capela de santo lá ao lado da aldeia indígena. A filosofia tem de parar de ser pensamento de metrópole. E nós, Mariano, estamos fazendo isto. Duas potencias cerebrais estelares num continente marginalizado, num país dividido por discrepâncias de toda ordem, num Estado do interior, num Município do interior, discutindo ideias globais e propostas para a condução das nações e da humanidade como um todo.

Nós não apenas ousamos saber, ousamos assumir que sabemos, e mais que saber, pensamos, temos o poder de imaginar, conjecturar, construir esquemas mentais. Nossas ondas mentais não têm limites. O desafio agora, para o cidadão do século XXI “ousa amar”.


Respeitosamente, Cléverson Israel Minikovsky, o civilizado de origem barbárica, meio eslavo, meio germânico, cem por cento amigo das letras.

Carta n° 5


Uma filosofia tem a sua identidade. De tal modo, vemos muito por aí de comentários e comentários, de saladas sem sua própria cosmovisão. A visão macro terá um grande papel quando o complexo homem-máquina-arte perceber que não passa de marionete de poderes, inclinado à ignorância e vícios, e que perde a sua individualidade, a sua consciência. A filosofia será a sua arma contra esses poderes da escuridão.

Já no que superou o animal, o homem quer um dia ainda superar a si mesmo, os seus erros. De certo modo isso antes estava restrito a sacerdotes, xamãs, feiticeiros, magos etc, mas com a informação e com certa evolução em massa, seja pela educação obrigatória, seja por uma sociedade mais centrada na razão, e até informação enlatada, vemos na filosofia o acesso a quem assim queira, sem votos de castidade ou conversões, ou mesmo sem crença em Deus.

Desde meus primeiros ensaios filosóficos eu pensava em teorias próprias, e muitas vezes descobria que já teriam sido pensadas, mas de forma diferente. De certo modo, eu procurava o arquétipo de minha filosofia. Dei “nomes aos bois”. Assim, observando o aspecto fenomênico das coisas, percebi algumas alterações sociais e mesmo humanas, atribuindo a estas, nomes como: inteligência carnal, amor em equilíbrio, mutação de gênero, triplo equilíbrio, adestramento do humano, simbólico da realidade, consciência da sexualidade universal, amor a priori, carinho primordial, para-pragmatismo, padrão estético anoréxico-anabolizado, ser eletrônico, homem e mulher em si, direito cósmico etc etc. Muitos desses ensaios e ideias ainda não foram publicados, mas outros estão presentes nas obras que já circulam, das quais leste todas caro mestre.

Com a Contrarreforma Ético-Filosófica foi dado mais um passo, e que passo, o meu maior. Junto contigo, aprendi muito e que devemos sim levar em frente essa utopia de vingar como filósofos, independente de comerciais editoras ou de qualquer dificuldade inicial, que vem por interesses financeiros, e que se nossa obra ou pessoa tivesse fama, certamente seriam diferentes.

O Estado é um “grande irmão”, um big brother que controla e vigia. Longe de ser um Leviatã, ele serve de sustento e pai para muitas pessoas, educa e castiga, ou na linguagem de direito penal, ressocializa. Mas uma moça que trabalha em bar de meretrício, já afastada pelo preconceito da sociedade, também tem o direito de buscar proteção contra investidas de padrasto ou qualquer outro. Outrossim, tem o direito de fazer o que quiser com seu corpo, e de cobrar qualquer bagatela por uma transa.

Mudando de assunto, vejo que a filosofia tem de ter certo fim, sistema, que também deve buscar o espírito de seu tempo e de acordo com a evolução de consciência de determinada humanidade, uma vez que sabemos haver melhores no oriente, mas impraticáveis ao homem ocidental, assim como vice-versa. Um nome tem de aparecer, talvez não sejamos nós a dá-lo. Talvez a fama venha do que é diferente, e, temos que buscar isso, uma vez que somos os únicos que em nossa terra temos capacidade, ou pelo menos oportunidade. Somos máquinas de filosofar, mas também artistas.

Muitas religiões se tornaram verdadeiros mercados, devendo ser respeitados apenas os crentes ou fiéis. A ciência também busca muitas vezes não a verdade, mas algo que sirva a interesses seja de grandes organizações ou mesmo militares. Porém, a filosofia muitas vezes não está adstrita a academia, sendo produto muitas vezes de uma mente brilhante, no seu quarto escuro, como Spinoza e suas lentes, ou de um místico e humilde dono de uma mercearia, como Jacob Boehme, ou mesmo no castelo de Montaigne, com seu sino que tocava pela madrugada e frases filosóficas escritas no forro. Devemos além de ter um parto ao contrário, dar nome a essa criança, caro amigo e mestre. Devemos também ensinar gestos, símbolos, linguagem (dar nomes as teorias), para que esse bebê tenha desenvolvimento. Não servimos a nada, a não ser a nossa luz interior.

Saberemos sim influir ao amar, nem que seja um amor incondicional, ainda onírico as pessoas no geral. E certamente estão carentes de uma linguagem filosófica de seu tempo, a algo novo, diferente do que seja impraticável, mas que leve a uma verdade que possa ser vivida, mesmo que após certa evolução. Essa noogênese não mais será de hábitos alimentares ou meramente postura corporal, será de pura penseneidade. Nós somos por fim esse luzeiro.

Respeitosamente, Mariano Soltys, o gênio que arvora se comunicar com a humanidade, para uma evolução volitiva.

Carta n° 6


Vejo você como um tímido e dócil leão. Mas todo leão tem sua realeza. Por certo é bem mais negócio a mansidão na força do que a irritação e o nervosismo na fraqueza. De minha parte sou filho da nobreza polonesa. Meus ancestrais lutaram com cátaros, hereges e turcos. Expulsaram os turcos da Europa. Uma das guerras mais importantes do continente europeu. A casa dos Minikovsky sempre foi amiga da coroa. Chegados do famoso Jan Sobieski. A nobreza está no coração, na retidão de caráter. O nobre é generoso, magnânimo, todos dele querem se aproximar. É rico do ponto de vista ôntico. Não precisa ser rico, necessariamente, do ponto de vista financeiro. Quando se é rico patrimonialmente, no caso dos nobres, - porque também há plebeus ricos, - a riqueza externa somente reflete a riqueza interna. A filosofia é uma atividade de nobres, ainda que quem a ela se dedique não seja de estirpe famosa ou de patronímico festejado. Ainda que um miserável se dedique à filosofia, logo tornar-se-á nobre. A filosofia é altamente enobrecedora. Filosofia é humanismo e a nobreza traduz o amor ao humano.

A filosofia exige dos seus asseclas linguagem polida, urbanidade, elevação de atitudes, espírito de desprendimento e desinteresse. A filosofia é para quem de nada mais precisa além do próprio filosofar. A filosofia basta a si mesma. A filosofia é muito curiosa: porque quem a ela se dedica já superou uma infinidade de situações que ainda atingem a vida das pessoas menos buriladas, mas a partir do momento que você se torna o cultor dela, cresce mais e mais, de modo que a diferença entre uma filósofo experiente e um homem do senso comum é maior do que entre um gravador e um graduado.



  1   2   3   4   5   6   7   8   9   ...   12


©livred.info 2017
enviar mensagem

    Página principal