O andarilho do amor



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O ANDARILHO DO AMOR

P R Ó L O G O


Prezados Leitores,

Sou filha orgulhosa de Aguinaldo José dos Santos, que escreveu esta história quando já estava com mais de oitenta anos, após ter sofrido um derrame cerebral que paralisou o lado esquerdo do seu corpo.

Eu e minha mãe resolvemos publicá-lo da forma em que foi feito, porque o meu pai era uma pessoa simples, e sua vida sempre pautou pela vontade de ajudar ao próximo, e nós acreditamos que tenha realizado tudo que aqui foi narrado: a vida em São Paulo até aposentar-se, as viagens para Belém do Pará, as praias do Nordeste, o acampamento dos sem terras e o hotel fazenda em Minas. Ele não falava muito dessas coisas conosco, e só conhecemos o que fez nos dois últimos empreendimentos.

A minha mãe ainda testemunhou o conceito que ele gozava no nordeste, porque ela esteve no Instituto Flávia Rodrigues, sendo que quando ficou doente, vieram algumas pessoas de lá para visitá-lo e tratavam-no com muito respeito e carinho.

O que nós vivificamos foi o seu esforço ao computador, escrevendo somente com a mão direita, mas o velho tinha uma garra admirável, e apesar de tudo, conseguiu o seu objetivo, levando mais de cinco anos para realizá-lo, trabalhando na medida do possível para as suas limitações.

Embora eu seja um fruto tardio, pois nasci quando ele tinha mais de setenta anos, cresci recebendo todo o seu carinho, e tudo que sou devo-o ao seu exemplo e incentivo, porque dedicou-me um amor sem limites, porém, sem deixar de corrigir-me energicamente nos momentos de deslizes, até que conseguiu ver-me formada aos 17 anos. Era daqueles que ajudava nas lições, levava à escola, incentivava a leitura, indicava filmes, acompanhava aos bailes e festas, enfim, era conselheiro e amigo, sem, contudo, ser daquelas pessoas que grudam na gente.

Claro, que às vezes implicava com os rapazes que se aproximavam de mim, mas, só quando percebia ou imaginava que não me servissem, segundo a sua avaliação! Porém, não era daqueles que fazia-se impor pela truculência verbal ou física: preferia o diálogo, e apontava as virtudes e defeitos das pessoas, calmamente, com tranqüilidade, sem alterar-se nunca. Eu gostava dessas coisas, apenas para ter a oportunidade de ficar conversando longamente com ele, e acabava acatando suas ponderações, mesmo que as achasse um pouco exageradas. Sabia que eram ciúmes de mim, embora dissesse o contrário.

Tenho a certeza absoluta de que a festa de minha formatura como normalista foi a principal causadora de sua morte, pois o velho não conseguia conter a emoção e chorou de alegria e orgulho durante todo o tempo, vindo a falecer poucos dias depois, feliz e realizado, aos 91 anos.

Que Deus o tenha, meu querido velho!
Flávia Rosa dos Santos

C A P I T U L O I


Eu, Aguinaldo José dos Santos, sempre tive um sonho: ser caminhoneiro. Desde os tempos em que morava em Limoeiro (PE), onde nasci, tudo o que planejava para a minha vida era ter um caminhão e rodar pelo país, transportando cargas. Mas, o destino levou-me para São Paulo aos 16 anos, primeiro, para trabalhar como ajudante de pedreiro, depois, como funcionário de uma grande metalúrgica, até a minha aposentadoria, aos 52 anos de idade.

A vida no agreste era dura, pois trabalhava no sítio da família, tinha muitos irmãos, a gente dependia de tudo para conseguir sobreviver, como do tempo, das chuvas escassas, a falta de técnicas de cultivo e muitos outros problemas. Meus irmãos mais velhos saíram de casa muito cedo, indo para os lados do sul, e quase sempre nem davam mais notícias, ficando somente as moças e a garotada, mas, apesar de ser muito jovem, eu nunca me conformei com aquela situação, e acabei fugindo de casa mal tinha completado 16 anos. Viajei conforme foi possível, ora à pé, de carona, ou de ônibus, quando conseguia arranjar algum trabalho que me permitisse juntar algum dinheiro para cobrir as despesas. Tanto é, que demorei mais de quatro meses para chegar à capital paulista.

Nos primeiros dias, fiquei completamente perdido na selva de pedra da grande metrópole, mas, aos poucos fui me ajustando, quando consegui um emprego como auxiliar do servente de pedreiro, ou seja, carregava latas de reboque e fazia todos os trabalhos mais pesados. Antes disso, dormia em qualquer lugar, principalmente nas obras, comia pão com mortadela durante a semana inteira, ou, quando os companheiros repartiam suas marmitas comigo, até que recebesse o meu primeiro salário. Aí, economizando tudo o que podia, melhorei de vida, indo morar numa pensão dessas que fornecem refeições, onde tinha direito à cama, café da manhã e jantar.

Quase não saía nos fins de semana, a não ser para andar atoa pelas ruas da cidade, ou assistir aos artistas que se apresentavam em praças públicas, cantando, declamando, tocando instrumentos, fazendo acrobacias, e até cultos religiosos eu via, porque não podia gastar nada, sob pena de passar por sérias dificuldades. Inclusive, economizava até nas passagens de ônibus, saindo de casa bem mais cedo e indo à pé para o local de trabalho; às vezes, andava por duas ou três horas, conforme fosse a distância. Isto durou quase três anos, com constantes mudanças de emprego.

O maior problema eram as mulheres, porque eu não conseguia conquistar nenhuma que fosse “boazinha” e aceitasse sair comigo somente pelo meu charme, embora fosse um rapaz de boa aparência e na força da minha juventude. Ao contrário do que ocorria na minha terra, onde comecei a freqüentar as casas de tolerância muito novo, por volta dos treze anos, e era afamado pelo tamanho do “negócio”, além da competência sexual. Ganhei fama e era disputado pelas mesmas, e agora, todas queriam dinheiro, e nada mais. Eu não podia pagar-lhes.

Assim, comecei a arranjar namoradas no meio das empregadas domésticas, e a primeira foi a Lenita, uma conterrânea do Nordeste, morena bonita e apetitosa, porém, só falava de casamento e família, padres e igrejas, com a qual não consegui passar dos abraços e beijos, o que só fazia aumentar o meu apetite. Fui mal sucedido com várias, porque aquele assunto não estava em meus planos, já que o meu objetivo estava traçado: ser caminhoneiro. Aquilo, sim, era a principal razão que me fazia trabalhar com afinco, guardando tudo que fosse possível.

Depois da primeira vez, outras ocorreram, cada vez mais constantes, por causa dos comentários que se espalharam, dando-me como um macho “arretado”, o que me propiciava grandes momentos de prazer. No entanto, casamento estava fora de programa até que conseguisse juntar dinheiro para comprar o meu próprio caminhão, nem que levasse a vida inteira, conforme eu tinha estabelecido.

Mal tinha completado dezoito anos, consegui uma vaga numa metalúrgica, ganhava bem mais do que antes, mas, mantive os objetivos, e só gastava o essencial para comprar os meus livros usados, discos de MPB, Bossa Nova e Forró, além de ir ao futebol aos domingos para ver o meu time do coração, o Corínthians. Fora disso, tudo que ganhava era aplicado em caderneta de poupança, até que, após alguns anos, consegui comprar a minha casa própria, embora financiada pelo BNH em quinze anos.

A casa era pequena: sala, cozinha, dois dormitórios e banheiro, porém, o terreno era espaçoso, ficava num bairro popular, e havia condições de ser ampliada. Então, foi o que fiz, ao longo de vários anos, até conseguir um excelente imóvel. Para tal, passei a alugar quartos aos colegas de trabalho, cobrando-lhes somente pela ocupação dos cômodos, já que não fornecia nem o café da manhã aos meus inquilinos, pois não tinha empregada. Isto, permitia-me pagar as prestações, as contas de água e luz, fazer reformas e manutenção, e o principal, que era formar um sólido patrimônio.

A minha intenção era vendê-la quando me aposentasse, para realizar o meu sonho, e já faltavam poucos anos para consegui-lo, não devia mais nada, sobrava dinheiro em minha conta, no entanto, sempre existe o imprevisível, pois, certo dia apareceu-me um dos irmãos mais novos, o Agenor, que deixei ainda garoto com meus pais. Raramente eu lhes escrevia, nunca comentava sobre a minha boa situação financeira, ou seja, limitava-me aos fatos corriqueiros, apenas para constar que ainda estivesse vivo, e bem. Em contrapartida, também recebia notícias de lá, principalmente as ruins, como a morte de meus pais, um após o outro, com pequena diferença.

Agenor estava em situação difícil, havia se casado e tinha dois filhos pequenos, a seca acabou com sua colheita de mantimentos em nosso pequeno sítio, fazendo com que migrasse à procura de melhores condições de vida. Ficou alguns dias parado, sustentado por mim, e logo conseguiu trabalho numa empreiteira do metrô, como operário, ganhando o suficiente para cobrir suas principais despesas, morando em um dos cômodos de minha casa. Passados quatro meses começou a queixar-se de saudades da esposa e dos filhos, bebia todas as tardes, perturbava a ordem de todos, enfim, estava tornando-se indesejável.

Foi então, que ajudei-o a trazer a família, cedendo-lhes o meu próprio quarto, que era o melhor e maior, indo para um outro, coletivo, até construir uma quitinete para o meu uso, com algum luxo, mas, sem nada de extraordinário, o que já era uma necessidade premente, visando maior privacidade. Aí, mandei fazer armários embutidos, cama de alvenaria, comprei fogão e geladeira, aparelhos de som e televisão preto e branco, uma bela estante para os meus livros e discos, de tal forma que acabei consumindo quase todas as minhas economias. Apesar disso, gostei muito do meu cantinho, porque era a primeira vez que tinha algo de pessoal. Eu mesmo arrumava e limpava tudo e não deixava ninguém invadir o meu espaço.

Minha cunhada, Zilda, tinha pouco mais de vinte anos, era morena jambo daquelas com olhos redondos e pretos, altura aproximada de 1,60 mts., 60 quilos, rosto bonito e corpo atraente, e principalmente, uma ótima criatura: alegre, trabalhadeira e séria. Aos poucos, foi tomando conta de tudo, lavando e passando as roupas dos inquilinos e as minhas, limpando a casa inteira, cozinhava para quem quisesse e pedisse, de maneira que acabou ganhando a estima de todo mundo, todos a respeitavam, enquanto o marido continuava aprontando todas. Antes, bebia por sentir saudades dela e dos filhos, agora, o fazia mesmo por farra com os colegas, e não raro chegava embriagado, brigava com ela e os outros, criava casos comigo quando lhe chamava a atenção, dizendo que eu era um homem frustrado, além de outras ofensas pessoais. Com o tempo, foi afastando-se de casa, envolveu-se com outras mulheres e com as drogas, não ligava a mínima para ninguém, até que perdeu o emprego e passou a viver nas ruas, sem eira nem beira.

Os dois sobrinhos, Wilson e William, eram crianças adoráveis, que preencheram todos os meus momentos de folga. Eu os levava à escola todas as manhãs, íamos passear nos fins de semana, ensinava-lhes as lições de casa, jogávamos futebol e brincávamos, enfim, acabei tornando-me um segundo pai, a quem eles adoravam, retribuindo-me tudo com muito carinho e respeito. Também, comprava-lhes roupas e calçados, brinquedos, materiais escolares e livros, além de presenteá-los, sempre, nas datas especiais, de aniversário, dia da criança, natal, páscoa, etc.

Certo dia, aconteceu o inevitável: Agenor envolveu-se numa briga de bar e acabou levando a pior, ao receber uma facada que levou-o à morte. Não se sabe como, fomos avisados pela polícia numa madrugada, dando conta do fato, que nem chegou a ser muito lamentado, porque o infeliz tinha perdido qualquer contato conosco há muito tempo, só aparecendo para causar problemas, e mesmo assim, raramente. Providenciei o seu enterro da melhor forma possível e com alguma dignidade cristã, amparei sua família como se fosse minha, e tocamos a vida para frente.

Na época, conversei com Zilda:

-Olha, cunhada, você pode continuar aqui, se quiser, viu! No que depender de mim, ajudarei na medida do possível, cuidando dos garotos e educando-os como tenho feito até hoje, mas, se preferir retornar para junto dos seus, quero que fique à vontade, tá! Tem uma coisa: espero que continue como até agora, mantendo o respeito com o pessoal daqui, tá bom? Lá fora, você cuida de sua vida, e ninguém tem nada com isso ...

-Credo, Aguinaldo, eu sei do meu lugar! A última coisa que eu faria na vida, seria cuspir no prato que comi, imagine! Você tem sido a melhor coisa que encontrei nesta vida, por cuidar de nós deste jeito, como um verdadeiro pai, não é? Mesmo com o Agenor fazendo tudo o que fez conosco, eu sempre me cuidei, porque não quero perder nunca a sua estima; pode ficar tranqüilo.

-Quer dizer, que vocês ficam, então? Não tenho nada contra, mesmo ...

-Obrigada! ... aliás, mesmo que voltasse para lá, nada mais tenho, porque os outros irmãos também vieram para o sul, e nem sei por onde andam. Mas, pode ficar sossegado, pois prometo-lhe que continuarei sendo a mesma Zilda de sempre. Se acontecer alguma coisa fora do esquema, dou-lhe o direito de corrigir-me, certo? Posso até me casar novamente, se aparecer um homem digno, porém, não quero saber de rolos, não! Deus me livre e guarde, porque a minha experiência de casada foi muito dura, viu!

-Bem, eu sei que o meu irmão não foi um bom marido, mas, você ainda é muito jovem para enterrar-se com ele, pois continua cada vez mais bonita e bastante experiente, o suficiente para conseguir outro companheiro que possa fazê-la feliz! Nunca diga, nunca, pois só o tempo é capaz de decidir essas coisas. Todo mundo precisa de alguém para compartilhar os bons e maus momentos, não é mesmo?

-Ah, é? ... então, por que você nunca teve ninguém em sua vida, heim? Por falta de oportunidades é que não foi, pois eu mesma sei de uma meia dúzia de mulheres que correm atrás de você, como possessas! O que este telefone toca o dia inteiro, é uma festa, e já encontrei bilhetes em seus bolsos, sempre de mulheres apaixonadas, né! Também, bom como é, além de bonitão e honesto, ainda por cima, é um partido de primeira, cunhado! Até eu, que sou mais bobinha ...

-Verdade? ... são apenas amigas, boba! Sabe por que não me casei até hoje? Em primeiro lugar, nunca encontrei uma pessoa que lesse na minha cartilha; depois, conto para todo mundo que o meu único sonho é ser caminhoneiro, e além disso, tenho fama de pão duro, o que é verdade, pois nunca levei uma mulher para jantar comigo, nem ao teatro ou cinema, sequer. Dar presentes, então, nem pensar! A maioria só quer curtir essas coisas, concorda?

-Nem todas, meu caro! ... eu, por exemplo, trocaria tudo isso por um bom companheiro, sabe? Daqueles que gostam de coisas simples, como dançar, curtir a natureza, conversar ... não gosto de luxo, nem de frescuras, detesto os metidos `a besta, que se acham os bons em tudo na vida, mas, no fundo, são todos uns idiotas. Você conhece alguém com esse perfil?

-Os bons estão ocupados, minha cara! Os que estão sobrando no mercado, ou são egoístas e só pensam em si, como eu, ou são frustrados e decepcionados com as experiências que tiveram, como você, por exemplo.

-Nossa, quanta amargura, moço! Parece que não acredita na humanidade, ora!

-Acredito, sim, nos meus sonhos, que serão realizados um dia, se Deus quiser! Por falar nisso, você sabe que um dia vou vender esta casa, quando aposentar-me e tiver conseguido formar os moleques, que agora são as minhas prioridades; quero vê-los bem encaminhados. Até lá, e ainda faltam quase dez anos, pode ficar tranqüila, porque terão um teto; depois, bem...

-Isto é, o passarinho ganhará o mundo, como se fosse um preso que espera a data da liberdade, mas, podem acontecer tantas coisas, ainda, Aguinaldo! Dez anos são uma vida ...

-Que passa depressa, como os mais de vinte em que estou vivendo aqui; falta só um terço, portanto. Como disse, eu não vou mudar os meus propósitos, pois ser caminhoneiro, para mim, é como se fosse uma missão a cumprir, quase igual ao estudante que espera se formar para médico, advogado, ou engenheiro, entende? Estou me preparando para isso.

-Pois, tudo bem, conte comigo.

-Quando acontecer, prometo-lhe que será a primeira a quem darei uma carona, OK?

-Obrigada pela deferência ... promessa é dívida, viu?

O tempo foi passando, nossos papos continuavam amistosos e respeitosos, porém, eu já notava uma aproximação mais direta entre nós dois. A gente sempre jantava juntos, eu, ela e os garotos; saíamos aos domingos para passear, ver um filme no cinema, já não me interessava tanto por futebol, preferindo ficar com eles. Nas minhas férias, fomos para o Rio de Janeiro, onde morava um de seus irmãos, que tinha escrito; enfim, fazíamos quase tudo juntos, exceto dormir na mesma cama, mas faltava pouco para que isso acontecesse.

Às vezes, eu percebia que ela se arrumava para mim, porque os seus olhos brilhavam de contentamento com a minha chegada, e procurava usar os modelos de roupas que eu gostava. Estava cada dia mais bonita, com o seu sorriso franco e aberto, dava-me beijos na face quando saía e chegava, como se fosse uma esposa que acompanhasse o marido até a porta, nessas idas e vindas. Porém, permanecia aquela barreira que nos bloqueava: a lembrança de meu finado irmão. Isto durou quase um ano, até que as cortinas se abriram.

Certa noite, numa de minhas costumeiras saídas semanais, ao chegar, encontrei-a sentada no sofá da sala a folhear uma revista qualquer. Já era tarde e ela não tinha dormido, ainda. Pensei: será que está me esperando? Deu-me o costumeiro beijo no rosto, mas, percebi que tentava ocultar a tal revista de mim, e daí, para querer ver o que era foi um pulo. Primeiro, pedi que mostrasse, mas ela sentou-se em cima; aí, brincando, tentei levantá-la, toquei-lhe nas pernas “sem querer”, como se fosse forçar alguma coisa, e o contato em sua pele durinha, mesmo que sobre o roble de seda que usava, fez o sangue ferver em minhas veias; fui em frente.

Ela tentou resistir, não podíamos fazer barulho ali, pois havia vários quartos com gente que davam para a sala, mas continuei insistindo, agora, com mais cuidado. De repente, Zilda levantou-se e meteu a revista dentro do roble, dando-me as costas como se fosse sair correndo; agarrei-a por trás, já na copa, sendo arrastado até a cozinha, onde enlacei-a pela cintura. Foi então, que encostou as nádegas no meu colo, enquanto se jogava para frente, sem qualquer preocupação com o que viesse a acontecer, e aconteceu. O meu membro reagiu instantaneamente, formando um grosso volume, esfregando-lhe a bunda gostosa e sedenta. Que sensação deliciosa, gente! Nesta altura, nem me lembrava mais de revista nenhuma, e já estava mais preocupado em fazer-lhe carinhos cada vez mais audaciosos.

-Pára, Guina! ... eu morro lutando, mas a revista você não vê, de jeito nenhum, nem que eu tenha de comê-la inteirinha! – disse ela, porém, segurando minhas mãos entrelaçadas em sua barriga. – Também, não precisa usar arma, né!

-O que tem na revista, Zilda, para que eu não possa vê-la?

-Nada demais, mas agora eu não deixo, nem que me mate! Pode tentar à vontade, com arma, sem arma, como preferir, tá bom?

-Por que?

-Porquê eu quero que tente, ora!

-Como, assim?

-Do jeito que quiser ...

-Olha, lá, heim! ... posso ser meio rude, até ...

-Hum, eu adoro homens decididos ... quero ver!

-Tudo bem, quero que a revista pegue fogo e os bombeiros estejam de folga, tá!

-Quem está com “fogo”, agora? Acho que não são os bombeiros, com certeza!

-Estou incomodando-a, assim?

-Nem um pouco, seu bobo! ... aliás, estou adorando a brincadeira!

-Que tal, se a gente continuá-la em meu quarto, heim?

-Boa idéia! ... eu vou ver se as crianças estão bem, e já vou, tá bom?

-OK, estarei esperando ...

Dentro de quinze minutos ela entrou no quarto, sorridente, dizendo-me que já tinha deixado a revista no seu, pois tinha prometido a si mesma que eu não a veria naquele momento; depois, sim, ela mostraria. Eu estava sentado na poltrona, quando chegou, e fiquei um pouco embaraçado, sem saber direito o que deveria fazer. Acabei perguntando se aceitava um drinque, e escolheu um whisky com guaraná; para mim, coloquei uma dose dupla, sem gelo, para liberar-me daquele constrangimento. Naquele momento, já não me lembrava mais que aquela mulher era viúva de meu irmão, que havíamos feito um pacto de respeito mútuo, nem nada ... queria somente possui-la em meus braços, embora não achasse um jeito de iniciar a “brincadeira”.

-Quer começar de onde paramos? – perguntei-lhe.

-Se achar melhor, nada contra, embora eu prefira um pouquinho mais de pimenta!

-Vamos namorar um pouquinho?

-Adoraria ... se não estiver com muita pressa, claro!

-Não, nenhuma ... sente-se aqui do meu lado, venha.

-No seu colo? ... só se for no braço da poltrona, safado!

-Você escolhe ...

Zilda veio devagar, como se estivesse desfilando para mim, sedutora e esfomeada, como uma gatinha manhosa, cheirosa e macia. Realmente, sentou-se no braço da poltrona, mas colocou ambas as pernas atravessadas por cima das minhas, apoiando-as do outro lado. Aquilo foi demais! Por baixo do roble de seda, reparei que não havia mais nada, a não ser aquelas pernas roliças e morenas, que sustentavam um corpo sedento de carinhos, que ela bem merecia. Comecei a tocá-la aos poucos, apalpando-a devagar, utilizando-me de toda a minha experiência e paciência, porque desejava e sabia que daquela noite dependeria muitas outras, de rei.

O que aconteceu depois, é muito difícil de traduzir em palavras; foi algo de sublime! Extravasamos toda a luxúria acumulada em nós, pelo longo tempo que durou aquela espera, porque iniciei o jogo com muita calma, passando-lhe uma das mãos pela nuca e costas, enquanto a outra explorava os seios e coxas, até que ela acabou por sentar-se completamente sobre o “bruto”, que estava indomável e doía de tão nervoso. Enquanto isto, sorvia-lhe os lábios com determinação, quase sufocando-a e impedindo que gritasse. Não demorou quase nada para que as nossas roupas fossem jogadas de lado, pelo chão, quando a minha “espada” levantou-se, livre e altaneira, vibrante e pronta para entrar na luta por aquele amor reprimido.

Apesar de meio assustada, por causa do tamanho do “instrumento”, Zilda foi valente, porque enfrentou o momento com muita dignidade, preparando-se para acolher-me entre as coxas, respirando enlouquecida. Fomos para a cama, onde ela colocou uma almofada sob as ancas, levantou as pernas, abrindo-as ao máximo. Eu introduzi dois dedos em sua gruta, manipulei-a até quase o clímax, e só então, comecei a penetração com cuidado, bem devagar, de forma que fosse se acostumando com o contato, enquanto ela remexia os quadris e mordia os lábios com força, agüentando firme. Quando já havia entrado a metade, iniciei o “vai-e-vem”, deixando-a maluca, apesar do misto de prazer e medo que sentia. Naquela primeira vez ficamos nisto, apenas.

Mesmo assim, tivemos uma relação bastante agradável, ela realizou-se por várias vezes seguidas, e no final, nos acabamos juntos, extenuados. Deixei-me cair de lado, permanecemos grudados por longos minutos, ofegantes e felizes, com os olhos fechados e revivendo aqueles momentos preciosos em nossas vidas. De minha parte, era a primeira vez que acontecia de ficar com uma mulher por vontade de ambas as partes, e ela disse-me depois, que nunca tinha sido tão explorada por um homem, e que estava plenamente realizada e satisfeita. Gostei muito disso.


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