Notas para os cursos sobre Escritos Joaninos Lucia Weiler Porto Alegre / rs sinais em João



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Notas para os cursos sobre Escritos Joaninos

Lucia Weiler

Porto Alegre / RS
Sinais em João
1. Introdução Geral ao livro dos Sinais
A primeira parte do Quarto Evangelho é chamado de Livro dos Sinais. São seis ou sete sinais.


SEIS SINAIS SETE SINAIS
Jo 2,1-12 Jo 2,1-12 - Bodas em Caná da Galiléia

Jo 4,46-54 Jo 4,46-54 - O segundo sinal em Caná

Jo 5,1-18 Jo 5,1-18 - Cura de paralítico em Jerusalém

Jo 6,-1-15 Jo 6,-1-15 - O Sinal dos pães no mar da Galiléia

Jo 6, 16-21 - Sinal da travessia do mar

(cf. Mt 14,22-27; Mc 6,45-52) - Adaptação sinótica?

Jo 9,1-4l Jo 9,1-4l - Cura do Cego de nascimento

Jo 11, 1-53 Jo 11, 1-53 - Morte - Ressurreição de Lázaro

Os sinais em João são um eco pedagógico do Antigo Testamento: cumprimento das profecias. Em João eles recebem um nova qualificação. São a revelação da Obra de Jesus que é a instauração do Reino de Deus. Um programa pedagógico de seguimento: „Vinde e Vede“

João usa o termo semeia para expressar o messianismo, a obra de Jesus confirmada pelo Pai.

Os Sinóticos usam o termo dynamis para manifestar a força de Jesus como Taumaturgo.
2. A origem da terminologia dos Sinais e sua introdução na Tradição Bíblica
Sinais no âmbito judaico (Monoteísmo)


  • Sinais teofânicos - manifestação de Deus provoca temor

  • Sinais proféticos - confirmam a veracidade e dão testemunho de Deus

  • Sinais messiânicos - reconhecimento do Messias

Sinais no âmbito grego (Politeísmo)

  • possibilidades de encarnações de divindades, grandes heróis, mitos, semideuses


3. Os Sinais em João

O quarto Evangelho apresenta-se como um livro de sinais. (cf. Jo 20, 30-31)




A origem de todos os Sinais está na unidade de Jesus com o Pai e não na sua força poderosa: dynamis.

A finalidade dos sinais é suscitar a fé, mas paradoxalmente era preciso ter fé para entender os sinais. Por isso os sinais se tornam incompreensão, (Jo usa para isso o recurso literário do mal-entendido), motivo de rejeição para uns e início da fé e seguimento para outros. O fenômeno da compreensão ou incompreensão se explica pelo fato de que a Morte-Ressurreição de Jesus é a chave de compreensão do Sinal no Evangelho de João. Por isso o aviso em Jo 2, 4: „Que queres de mim mulher, a minha hora ainda não chegou“.

Outra finalidade dos Sinais é dar glória a Deus.


  • Caráter simbólico dos Sinais

Os sinais em João tem um forte teor simbólico. Por exemplo os 38 anos de paralisia significam os 38 anos de espera no deserto para entrar na terra prometida ( Jo 5,1-18)
Há os que não compreendem e insistem: Que sinal fazes? (Jo 2,18)

Jesus passa imediatamente à linguagem simbólica: „Vocês podem destruir este templo e eu em três dias o levantarei“

Os Judeus (alvos do mal-entendido joanino) acham isso ridículo. Há 46 anos estão reformando o templo e as reformas ainda não estão concluídas.

Jesus, porém está falando do templo/santuário que é ele mesmo - seu corpo - Os três dias significam sua morte e ressurreição.




  • Conflitos e crise diante dos Sinais - Reação diante dos sinais:

É certo que os judeus (seus chefes e magistrados) intervieram na morte de Jesus - sua crucificação - seu assassinato. Houve o processo de julgamento e condenação de Jesus e conseguiram a confirmação da sentença pelo poder romano.

Cada redator do Novo Testamento, em sua obra literária, procura dar uma razão teológica ao fato, como causa da morte de Jesus. Esta é uma das questões mais controvertidas na hermenêutica neotestamentária.

Para o Quarto Evangelho a morte de Jesus é consequência dos „Sinais“. No Sinédrio se perguntam: „Que faremos...? (Jo 11,47).

Há uma ambivalência radical do sinal: meio para crer no Revelador e receber dele a Vida ou meio para matá-lo e ser condenado.

Os sinais provocam crise: Uns o aceitaram como enviado de Deus e outros o mataram - fundamentados nas mesmas realidades dos Sinais.

A chave de leitura do Sinal se encontra em Jo 2,19. É o sinal culminante da obra de Jesus que os judeus pedem e que os discípulos e as discípulas necessitam para chegar à conversão plena (2,18.22) é a Ressurreição de Jesus de Nazaré.
Jesus supera a concepção judaica ou grega dos sinais. De nada valem os sinais sem a palavra reveladora de Deus. Por isso os Discursos como Palavra de Jesus inseridos entre os Sinais.
Há os que não creram apesar dos muitos sinais (Jo 12,37). Há os que creram, mas por causa dos fariseus não o confessam, com medo de serem expulsos da Sinagoga (Jo 12,42)... „amaram mais a glória dos homens do que a glória de Deus“.


  • SINAIS OBRAS

Semeion érgon
Existe uma estreita relação entre os sinais e as obras de Jesus. A cura do paralítico (cf. interpretação de Jesus Jo 5,20-36) é uma obra.

Os Sinais situam-se na perspectiva global da atuação, da prática de Jesus.

As obras de Jesus estão dentro da grande obra, do projeto que Ele há de consumar em cumprimento da vontade do Pai.

Sinais e obras de Jesus revelam a união no ser e no agir de Jesus com o Pai (5,32).

ESTEF

Evangelho de João



Curso de Teologia

Professora: Lucia Weiler

Porto Alegre - 2005


Trabalho de pesquisa exegética-hermenêutica
Os Sinais no Evangelho de João:
Jo 2,1-12

Jo 4,46-54

Jo 5,1-18

Jo 6,-1-15

Jo 9,1-4l

Jo 11, 1-53


1. Delimitar a perícope: (justificar o seu início e fim)

2. Situar o texto no seu contexto amplo e restrito do conjunto do Evangelho

3. Descrever a situação, lugar geográfico, contexto histórico social

4. Análise estrutural da perícope: Divisão do texto em partes

5. Agentes principais e secundários: o que dizem e o que fazem, como agem ou reagem, como se relacionam entre si?

6. Que conflitos transparecem no texto? Há um conflito central? Qual? (Os conflitos são percebidos através de oposições, por exemplo „dia - luz x noite - trevas“).

7. Palavras ou expressões chave

- Análise literária, semântica e exegese das palavras, frases -

8. Há outros textos da Bíblia que se relacionam com esta perícope?

9. Qual é o sinal, sua mensagem e qual sua interpretação para nós hoje?

10. Quem compreende o Sinal e que outras reações contrárias há?
Análise literária

Análise sociológica

Análise teológica

Sugestão de Método
1. Pré-compreensão exegético-hermenêutico do texto

a) Ler o texto, familiarizar-se „apropriação“, levantar algumas impressões, intuições

b) Fazer leitura comunitária e socializar as intuições

c) Ter presente que nossa leitura está condicionada pelo nosso lugar social, pelas nossas opções e experiências.



2. Análise literária (estrutural)

a) Buscar uma boa tradução: comparar as traduções existente, conferir com o texto original, (grego ou hebraico), se puder.

b) Situar o texto no seu contexto literário amplo e restrito.

c) Delimitar o texto: ver onde começa e termina. Para isso: observar as mudanças: cenário, personagens, ação, vocabulário, etc

d) Dentro da delimitação global, ver a delimitação interna, ou pequenas unidades que tecem o texto. Para isso: Detectar a estrutura do texto, ou seja, a divisão do texto em sub-unidades.

e) Verificar o gênero literário do texto: novela? parábola? discurso? etc.

f) Buscar as palavras-chave. Para entender melhor o sentido de cada palavra chave, verificar os textos paralelos e as citações

g) Ver as personagens principais e secundárias: o que fazem, o que dizem, como reagem, como se relacionam entre si?



3. Análise sociológica (Macroestrutura)

Ajuda a descobrir o contexto onde nasceu e viveu a comunidade, suas preocupações, seus conflitos, suas crenças religiosas e sua mensagem de vida.

a) Economia: como viviam? O que produziam? Quais os instrumentos de trabalho? Quem eram os donos? Qual o problema ou conflito econômico básico?

b) Sociedade. quem aparece no texto? Quais as classes sociais que representam? Como são as relações entre os grupos? Qual o problema ou conflito social básico?

c) Política: quem e como exerce o poder? Quais são as leis que regem o povo? Quais são os conflitos de poder?

d) Ideologia: Como aparece a influência da religião? Qual ou quais as imagens de Deus que aparecem no texto? De que lado está Deus? A quem o discurso ideológico-religioso justifica? A quem questiona?

Esses elementos são como que a casa onde habitam as personagens. No próximo passo é preciso entrar na casa e conversar com elas a partir do seu cotidiano.

4. Análise do cotidiano (Microestrutura)

A mensagem principal do texto deve ser compreendida a partir da vida concreta da comunidade. Como as pessoas, presentes ou ausentes no texto viviam o seu dia-a-dia? De quem é o corpo que aparece no texto? Quais seus condicionamentos: raça, seco, idade, classe social? Como se dão no texto as relações entre os gêneros? Como são construídas as identidades dos homens e das mulheres? Que atribuições recebem? Que modelos de relacionamento estão presentes no texto? Quais são as pessoas denominadas no texto? Quem não é identificado pelo nome, permanecendo no anonimato?

Dialogando com as pessoas a partir de seu cotidiano vamos descobrir qual é o grito e a mensagem de todo o povo. Esse grito nos revela sua experiência da presença do Deus daVida, suas esperanças e seus esforços na construção de uma história mais humana, justa e solidária.
5. Recriação da mensagem : ligação entre a vida ontem e hoje.

Buscar caminhos de encontro com o Deus da Vida presente na história do povo da Bíblia e continua a fazer história com o povo de hoje. Perguntar: Qual a mensagem para nós hoje? A que compromisso essa mensagem me leva? ou: qual é minha resposta concreta?


(Proposta de metologia elaborada pelo Centro Bíblico Verbo, São Paulo,

com algumas adaptações feitas por Lucia Weiler).


E S T E F

Curso Básico de Teologia

Ano 2005 – Segundo Semestre

Professora: Lucia Weiler

Os Sinais no Evangelho de João:

Jo 2,1-12

Jo 4,46-54

Jo 5,1-18

Jo 6,-1-15

Jo 9,1-4l

Jo 11, 1-53

1. Qual é o cenário histórico – geográfico e simbólico deste sinal?

2. Em quantas partes podemos dividir este texto - sinal?

3. Agentes principais e secundários: o que dizem e o que fazem, como agem ou reagem, como se relacionam entre si?

4. Que conflitos transparecem no texto? Há um conflito central? Qual?

5. Quais são as palavras ou expressões chave do texto?

6. Qual é o sinal e como ele acontece?

7. Quem compreende e acolhe o Sinal e que outras reações contrárias há?

8. Qual a mensagem deste sinal para nós hoje?

E S T E F

Curso Básico de Teologia

Ano 2005 – Segundo Semestre

Professora: Lucia Weiler

Os Sinais no Evangelho de João:

Jo 2,1-12

Jo 4,46-54

Jo 5,1-18

Jo 6,-1-15

Jo 9,1-4l

Jo 11, 1-53


1. Qual é o cenário histórico – geográfico e simbólico deste sinal?

2. Em quantas partes podemos dividir este texto - sinal?

3. Agentes principais e secundários: o que dizem e o que fazem, como agem ou reagem, como se relacionam entre si?

4. Que conflitos transparecem no texto? Há um conflito central? Qual?

5. Quais são as palavras ou expressões chave do texto?

6. Qual é o sinal e como ele acontece?



7. Quem compreende e acolhe o Sinal e que outras reações contrárias há?

8. Qual a mensagem deste sinal para nós hoje?



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