Nosso Deus é Maravilhoso!



Baixar 0,87 Mb.
Página5/6
Encontro12.07.2018
Tamanho0,87 Mb.
1   2   3   4   5   6
PARTE III

A MARAVILHOSA REDENÇÃO DE DEUS


Pertencemos a Deus e fomos redimidos por Ele. Portanto, todo cristão deveria usar uma placa no coração dizendo: Não está a venda! (Anónimo)

A MARAVILHOSA REDENÇÃO DE DEUS1

Que maravilhosa redenção!

Um mortal nunca saberá

Como meu pecado, embora vermelho como escarlate,

Pode ficar mais alvo que a neve.

(Thoro Harris)

Deus é maravilhoso na criação.

Ele é maravilhoso na providência.

E Ele é maravilhoso na redenção.

O Grande Criador e Provedor é também o Salvador.

Em todas as Suas obras, ei-IO grandioso,

Antes, Poderoso para criar,

Agora Poderoso para salvar.

(T. Kelly)

Disse Spurgeon: "A criação e a providência são apenas o sussurro do poder de Deus, mas a redenção é Sua música, e o louvor é o eco que ainda encherá o Seu templo". Nas histórias que seguem, ouvimos a música de Seu poder e respondemos com louvor ao nosso Grande Redentor.

Onde o pecado abundou2

Miguel3 era um fanfarrão, um alcoólatra, um frequentador de festas, com moral de gato do beco. Mas quando ele passe­ava na cidade, as pessoas o respeitavam como um homem de negócios perspicaz e endinheirado. Ele veio de uma família

- NOSSO DEUS É MARAVILHOSO! ­

que possuía propriedades e gado; eles eram mais prósperos que seus vizinhos agricultores. Eles pertenciam à igreja que dominava a cidade e, portanto, pressupunham ser cristãos. Eles tinham aprendido que não deveriam ler a Bíblia e que deveriam evitar as pessoas que a lessem.

Miguel nunca perdia uma celebração religiosa ou nacional, que geralmente se transformavam em uma noite inteira de festa. A medida que o rum fluía gratuitamente, a música tocava cada vez mais alto e as danças ficavam mais indecentes. A bebedeira levava a discussões, brigas e a um ocasional homicídio.

Foi em uma dessas festas que Miguel ficou conhecendo uma jovem atraente a quem chamarei de Maria. Tão imper­ceptivelmente quanto possível, eles se afastaram da festa para passar a noite em um motel de má reputação.

Pela manhã, fortes pancadas na porta os acordaram. Eram seus pais emocionalmente transtornados censurando publica­mente a vergonha que eles haviam causado a ambas as famí­lias. Havia apenas uma coisa a fazer: Miguel e Maria teriam que ir ao Juiz de Paz e se casar. Quando a breve cerimónia terminou, as duas famílias se separaram. Miguel nunca mais viu sua esposa. Ele argumentava que um rápido divórcio re­solveria o problema, mas de certa forma ele nunca se dispôs a arranjar essa solução. Em vez disso, ele construiu uma casa, trouxe uma amante e começou uma família.

Agora ele tinha terras, gado, uma casa, dinheiro e uma fa­mília - tudo, exceto satisfação. Então, ele construiu uma outra casa e levou uma outra amante para lá. Durante esse tempo ele nunca sentia falta de uma noite inteira de festa.

Pensando que lhe daria ainda mais status na comunidade ru­ral, ele construiu uma terceira casa e levou para lá uma terceira amante. Uma fazenda próspera, três casas, três esposas de co­mum acordo, bastantes filhos - mas ainda não estava satisfeito.

Certa vez, depois de uma bebedeira, ele estava cavalgan­do para casa, tentando manter-se firme na sela. Quando ele começou a descer a montanha, ele ouviu pessoas cantando em uma das casas. Só poderiam ser os desprezíveis evan­

108

gélicos. Eles eram os únicos que cantavam juntos daquela maneira. Chegando mais perto, ele pode perceber que eles estavam cantando sobre Jesus.



Ele decidiu interromper a reunião, então, com um berro selvagem. Passou com o cavalo pela porta da casinha de um só cómodo e coberta de sapé. O cântico parou, mas, em vez de brigarem com ele, ele foi cumprimentado com alegria e singe­leza. Um homem o convidou para se sentar com eles e sugeriu que um dos jovens fosse amarrar o cavalo lá fora.

Totalmente constrangido e confuso, Miguel virou o ca­valo e saiu da casa. Ele passou a noite sem dormir. Ele nunca havia conhecido pessoas como aquelas. Eles eram diferen­tes. Eles pagaram o mal com o bem. Eles não lhe mostraram nenhum sinal de ressentimento.

Na manhã seguinte, ele não teve paz enquanto não caval­gou de volta e pediu perdão pela perturbação que havia causa­do. A família que morava ali, pessoas simples, convidaram-no para se sentar e tomar uma xícara de café com eles. Depois de lhe darem certeza de que ele estava perdoado, eles lhe contaram como tinham nascido de novo através da fé no Senhor Jesus e que seu grande desejo era agradar o Senhor em todas as coisas. Quando Miguel saiu, eles lhe deram um Novo Testamento.

Agora com 40 anos de idade, Miguel começou a ler o Livro sobre o qual sempre lhe disseram para não ler nem es­tudar. O Livro parecia atraí-lo. Ele o leu vez após vez até que

o livro parecia fazer parte de Miguel. E ele continuou a visitar a família na montanha, aprendendo de pessoas que eram, edu­cacional e financeiramente, de situação muito inferior à dele.

Finalmente aconteceu. Ele percebeu que a Bíblia é a Pa­lavra de Deus. Sozinho em casa, ele se ajoelhou, se arrepen­deu de sua vida pecadora e sem Deus, e reconheceu a Jesus como seu Senhor e Salvador.

Grande regozijo explodiu no meio dos evangélicos. Eles se puseram ombro a ombro com ele, ensinando-o paciente­mente, encorajando-o e o aconselhando. Agora ele era irmão em Cristo para eles. As distinções de classe desapareceram.

109


Mas ainda havia a emaranhada vida matrimonial de Mi­guel. Ele tinha uma esposa legal a quem ele não via desde

o dia do casamento. Se ele se divorciasse dela, ela pode­ria requerer metade de tudo o que ele possuía. Havia as três amantes e um monte de filhos.

Depois de muita oração, estudo da palavra e consulta, ele decidiu que deveria ficar com a primeira e mais velha de suas esposas, de comum acordo. Nessa época ele havia se tornado um verdadeiro crente. Mas ele também se comprometeu a sus­tentar as outras duas famílias. Os detalhes foram tratados com uma admirável harmonia de todos os lados. Mesmo assim, ele ainda não estava divorciado de sua esposa legal, portanto, não poderia ser legalmente casado com outra.

Um dia, a caminho da cidade para se encontrar com seu ad­vogado, ele encontrou um mensageiro com um telegrama. As notícias o chocaram. Sua esposa legal tinha acabado de morrer.

No mesmo dia, ele e sua companheira cavalgaram até a ladeira da montanha, em direção à cidadezinha para se casa­rem diante do Juiz de Paz.

Conforme ele crescia em graça e no conhecimento do Senhor Jesus, Miguel se tornou um pilar espiritual na sua comunidade. Agora ele era conhecido e respeitado como um homem de Deus; ele viajava extensivamente, divulgando as excelências d'Aquele que o havia chamado das trevas para Sua maravilhosa luz. Muitos foram salvos e edificados na ver­dade através do ministério dele.

Deus prevaleceu sobre aquele caos matrimonial de ma­neira fantástica. As duas amantes de quem ele se separou de­pois da conversão se tornaram cristãs e se casaram com cris­tãos. Uma filha de uma delas se tornou ativa no serviço cristão juntamente com seu marido. A maior parte das crianças das três famílias foram finalmente salvas; algumas entraram para trabalhar para o Senhor em período integral.

Miguel nunca oscilou em suas convicções espirituais. Ele conhecia bem sua Bíblia e amava falar sobre o Senhor. Ele mor­reu com mais de 80 anos, forte na fé e dando glória a Deus.

110

Dr. Livingstone, eu presumo?4

Henry Martin Stanley é popularmente lembrado como ojornalista que procurou por David Livingstone na África, e que, quando elefinalmente viu a face branca do missionário, cumprimentou-o com as famosas palavras: "Dr. Livingsto­ne, eu presumo?"

Na verdade, o nome de nascimento de Stanley era John Rowlands. Quando sua mãe galesa o rejeitou, ele foi man­dado para lá e para cá entre parentes relutantes, até que finalmente aterrissou em um albergue para pessoas pobres. Ele fugiu quando tinha 15 anos, apenas para passar mais tempo miseravelmente com os parentes de sua mãe. Isso terminou quando ele viajou em um navio, como camarei­ro, de Liverpool a Nova Orleans.

Ali, esse jovem do País de Gales conheceu um rico mer­cador, Henry Morton Stanley, que o adotou, deu-lhe seu pró­prio nome, e prometeu cuidar delefinanceiramente. Embora seu benfeitor tenha morrido logo depois disso, a vida do jo­vem Henry agora tinha uma nova direção. Foi a primeira vez que ele se sentiu amado e respeitado.

Subsequentemente, ele serviu como soldado, mari­nheiro e jornalista. Em seu último trabalho, ele conheceu James Gordon Bennett, do jornal New York Herald, que, em 1869, o encarregou de encontrar Livingstone. O pa­radeiro do missionário na África tinha sido virtualmente desconhecido há vários anos. No dia 21 de março de 1871, aconteceu o famoso encontro.

"Dr. Livingstone, eu presumo?"

"Sim, senhor",

"Dr. Livingstone, sou repórter, com a incumbência de es­crever a história de sua vida. Mas quero que o senhor saiba de duas coisas sobre mim. Número um: sou o maior ateu da face da terra e me vanglorio disso. Por favor, não tente me conver­ter. Número dois: alguém mandou remédios para o senhor".

"Por favor, dê-me os medicamentos".

Com o tempo, à medida que os dois iam juntos a safaris, Stanley ficava impressionado com a vida de David Livingstone. Mais tarde ele escreveu o seguinte:

Fui à África com tanto preconceito contra religião quanto

o homem mais infiel de Londres. Para um jornalista como eu, que havia apenas lidado com guerras, encontros em massa e reuniões políticas, assuntos sentimentais estavam bem fora dos meus territórios. Mas eu tive um bom tempo para refletir. Eu estava lá de qualquer forma, fora de um ambiente mundano. Vi aquele senhor já idoso, David Livingstone, e me perguntei: "Por que ele fica aqui neste lugar? O que é que o inspira?"

Durante meses depois que nos conhecemos, eu me pe­gava ouvindo as palavras dele, e me lembrando do velhinho dizendo as palavras: "Deixe tudo e siga-Me!" Mas, pouco a pouco, vendo sua maneira piedosa, sua gentileza, seu zelo, sua seriedade e como ele fazia seu trabalho sem alardes, fui convertido por influência dele, embora ele não tivesse de nenhuma forma tentado me convencer.

Passaram-se cinco meses depois desse encontro históri­co, no qual o maior ateu do mundo, e que se gabava disso, se ajoelhou no solo africano e deu sua vida a Jesus Cristo. Ele disse: "O poder da vida com Jesus era tremendo, e eu tinha que me agarrar a ela. Já não conseguia mais evitá-la".



O dinheiro fala

Um dia, um colega de trabalho perguntou a Cathie: "Você é uma daquelas nascidas de novo?" Ela acenou que sim, mas não se sentia a fim de dar continuidade ao assunto. Ela sabia que de­veria estar pronta a tempo e fora de tempo, mas ela queria que o Senhor fizesse uma exceção naquele dia. Ela simplesmente não queria testemunhar para o homem. Ela estava ocupada pensando em seu casamento mal sucedido e pela ação que seu ex-marido estava movendo para poder ficar mais tempo com os filhos.

112

Mac, entretanto, não parava de falar no assunto. Ele estava procurando algo para preencher o terrível vácuo de sua vida. Portanto, ele, sem saber, continuou a deixar maravilhosas por­tas abertas para que ela pudesse entrar com o Evangelho. Mas Cathie não agarrou a oportunidade. Finalmente, ela disse a ele, quase em desespero: "Olha aqui, se você quiser conhecer Deus, por que você não diz isso a Ele?" Eles encontraram um lugarzinho calmo, onde oraram juntos pedindo ao Senhor que se revelasse ao Mac de forma inquestionável.



No dia seguinte, Mac foi a um bar e pediu uma cerveja de 3,50 dólares. Pagou por ela com uma nota de cinco dólares. Como troco, o caixa lhe deu uma nota de um dólar e duas de vinte e cinco centavos cada. Antes de colocar a nota na car­teira, ele observou que alguém havia escrito João 20.29 nela.

Naquela noite, ele encontrou um Novo Testamento e procu­rou João 20.29. Ficou maravilhado ao ler: "[Tomé,] Porque me viste, creste? Bem-aventurados os que não viram e creram ".

Mac sabia que Deus havia falado. Aquelas palavras foram talhadas para ele. O Senhor havia respondido sua oração. Ele também sabia que não havia nada que ele pudesse fazer a não ser confiar no Salvador. E foi isso que fez. Sozinho em seu quarto, ele abaixou a cabeça e disse: "Pai, da melhor maneira que eu sei, recebo Jesus Cristo como meu Salvador. Purifica-me de meus pecados e faz de mim a pessoa que Você quer que eu seja".

Ali então a grande transação foi feita. Mac foi adiante ser­vir o Senhor que cuidou dele o suficiente para usar uma nota de cinco dólares para lhe chamar a atenção.



Por quê?5

Glenn Chambers tomou seu voo em Nova Iorque, com destino a Quito, no Equador, para servir na estação de rádio cristã HCJB, A Voz dos Andes. Sem dúvida que seu coração estava cheio de uma sensação de euforia e expectativa. Afinal, poucas coisas causam mais satisfação do que entrar para o serviço d'Aquele que morreu por nós na cruz do Calvário.

Glenn teve que mudar de avião em Miami, então usou o tempo de espera para escrever uma mensagem a sua mãe. Ele não tinha papel de carta, mas usou um papel de propaganda e escreveu nele. No topo da página estava uma única expressão: "Por Quê?" Nos espaços em branco, ele rabiscou um rápido relato de seu voo até aquele momento.

Ele nunca chegou a Quito. Não muito longe do aeroporto, uma montanha chamada El Tablazo se eleva a mais de 4.000 metros de altura. O avião de Chambers se chocou inexplica­velmente com a montanha e os destroços em chamas caíram na ravina abaixo. Logicamente que todos a bordo morreram.

A notícia de sua morte chegou rapidamente até sua mãe, e depois, alguns dias mais tarde, ela recebeu a mensagem que ele havia posto no correio no aeroporto de Miami. Em letras garrafais estava a expressão: "Por Quê?" Uma boa pergunta. Por que ele teve que morrer quando ainda tão jovem, quando estava ansioso por servir ao Senhor? Seria isso uma vitória a ser registrada na conta de Satanás? Que bem poderia advir de tamanha tragédia? Naquele momento, a única resposta confor­tadora foi encontrada nas palavras do Salvador "O que eu faço não o sabes agora; compreendê-lo-ás depois " (Jo 13.7).

Vinte e sete anos e meio mais tarde, uma destemida mis­sionária estava fazendo o reconhecimento de territórios não alcançados do Equador. Para sua surpresa, ela se deparou com uma tribo que era bilíngue. Eles sabiam falar espanhol e sua língua tribal. Pareciam ter uma inteligência incomum. E o melhor de tudo é que o chefe e muitos outros da tribo disseram que eram cristãos.

Como poderiam ser cristãos? Tanto quanto ela soubesse, ninguém havia jamais chegado tanto para o interior da selva com o Evangelho. Quando ela perguntou como eles vieram a conhecer o Senhor Jesus, o chefe entrou em sua cabana e retornou com uma maleta. Dentro dela havia uma Bíblia em espanhol. Quando a missionária abriu, leu o seguinte: "Pre­senteada ao nosso amado irmão, D. Glenn Chambers". Ami­gos cristãos de Long Island, Nova Iorque, assinavam.

- A MARAVILHOSA REDENÇÃO DE DEUS ­

O chefe explicou que, em uma viagem pela selva, eles encontraram a maleta e, através da leitura da Bíblia, eles tive­ram um encontro com o Senhor. Eles obviamente estiveram onde o avião de Glenn havia caído.

A vida de Glenn não havia sido desperdiçada. Através de sua velha Bíblia, a luz do Evangelho havia sido canali­zada aos corações de pessoas da selva e feito delas novas criaturas em Cristo Jesus.



Tex Watson da família Manson6

A Família Manson era uma gangue de hippies drogados até a loucura que aterrorizavam os outros com seus crimes violentos e depravados. O líder, Charles Manson, exercia poder hipnótico sobre suas jovens admiradoras, até ao ponto de que elas se ale­gravam em cometer um assassinato se a ordem viesse dele. Sua influência sobre todos os membros da Família era completa e totalmente nociva. O assassinato brutal da atriz Sharon Tate, na idade de 26 anos, e grávida de oito meses e meio, causou pânico em Hollywood. Ninguém sabe quantos assassinatos a Família maquinou; Manson se orgulhava de que fossem 35. A história de seus feitos não é uma leitura agradável.

Tex Watson era um dos mais de 40 discípulos de Manson. Aos 23 anos, ele havia partido de Coperville, no Texas, em busca do brilho e do glamour do sul da Califórnia. Antes que a viagem terminasse, ele deu carona para um jovem chama­do Dennis Wilson. Foi na casa de Dennis que ele ficou co­nhecendo Charles Manson. Ele imediatamente enfeitiçou, até mesmo magnetizou Tex. Tão incrível quanto possa parecer, Tex tomou Manson por Jesus Cristo. Sua dedicação era tão grande que ele estava disposto não apenas a matar pessoas, mas também a dar a sua vida pelo chefe. Em certo momento, ele veio a ser um dos principais seguidores fiéis de Manson. Finalmente, ele foi capturado, processado e condenado por sete acusações de assassinato em primeiro grau e conspiração. Sua sentença de morte foi mudada para prisão perpétua.

Durante seis anos na prisão, Tex sentia as hostes celes­tiais o perseguindo. Sua mãe lhe enviou uma Bíblia, que ele de fato lia às vezes. Ele ouviu um visitante testemunhar de Cristo a outro interno. Os capelães e outros lhe levavam o Evangelho. Ele começou a sentir compaixão daqueles que ele havia matado, e culpa pelos crimes que cometera. Foram anos de busca para encontrar paz.

Durante a última semana de maio de 1975, uma série es­pecial de encontros foi realizada na capela da prisão. Na noite final do reavivamento, Tex decidiu que tinha que ser ali.

Eu não conseguia mais continuar brincando. Entendi cla­ramente o que estava sendo oferecido; o Deus que nos fez, o Deus a Quem nós viramos as costas para seguir nosso próprio egoísmo, o Deus que nos queria de volta como Seus filhos e filhas, me buscava. Para fazer a ponte entre nós, Ele enviou Seu próprio Filho para levar nossa morte - a inevitável conse­quência do nosso pecado - sobre Si mesmo. Estava aberta uma eternidade de comunhão com nosso Criador não apenas nesta vida, mas também na próxima. Isso fez mudanças posi­tivas e tornou o avivamento possível agora em nossa vida, em minha vida exatamente agora. Ali começou o processo de se tornar a pessoa íntegra que cada um nasceu para ser, de se tomar cada vez mais parecido com o próprio Cristo. Não era apenas uma escada de incêndio por onde escapar - aliás, não tinha nada a ver com isso - era nos permitir ser participantes de uma vitória total contra o mal e a morte, que já havia sido vencida porque Cristo ressuscitou dos mortos. Era decidir que Seu reino e Sua vontade para nós eram as únicas coisas que realmente interessavam. Após ter decidido entregar a Ele a nossa vida, agora deveríamos permitir que o poderoso Espírito de Deus entrasse em nosso espírito para dar início à edifica­ção da vida de Cristo em nós, e para nos capacitar a fazer aquilo para o que fomos chamados a fazer.

É isso que interessa, pensei quando me sentei no fundo da capela naquela última noite, percebendo que [o prega­

- A MARAVILHOSA REDENÇÃO DE DEUS ­

dor] estava chegando ao final de seu sermão. Ocorreu-me que dar esse passo significaria desistir até mesmo das coi­sas mais preciosas que eu tinha: a determinação de algum modo encontrar a maneira legal que me tirasse da prisão e me devolvesse ao mundo. Significaria, se fosse a vontade de Deus, aceitar uma vida natural que nunca se estenderia além dos muros da Colónia [prisão]; significaria não pedir nada além do que fosse para ser usado ou separado para a glória de Deus. Significaria tudo isso e mais ainda. Quando o convite foi feito, corri para frente.

Tex foi batizado 15 dias mais tarde em uma grande ba­cia de plástico da lavanderia no quintal do lado de fora da capela. Ele escreveu o seguinte:

Não importa quão tolo possa ter parecido a alguém que estivesse olhando de fora, alguém que não entendes­se tudo o que estava acontecendo naquele momento, mas para mim foi tão glorioso quanto o Rio Jordão, onde João batizava as pessoas, em preparação para a vinda do Mes­sias. O meu Messias havia vindo, finalmente; Ele havia vin­do para mim e eu era d'Ele. (...) Naquela noite duas sema­nas antes, quando fui tropeçando lá para frente, finalmente tive uma noção completa do que eu tinha feito, uma noção tão arrasadora que tudo que fui capaz de fazer foi chorar novamente, muitas vezes, por aqueles que eu havia ferido - os mortos e os vivos - mas de agora em diante seriam lá­grimas derramadas na certeza de que a punição por aquela dor havia sido retirada e a dívida havia sido paga - não por mim, mas pelo próprio Deus. (...) Para Deus o preço pago foi imensurável.

Tex ainda está na prisão. Casado e com quatro filhos, ele desenvolve um ministério pastoral para o Senhor Jesus na Co­lónia Penal Masculina da Califórnia.

A graça de Deus a Tex Watson - e a nós - é maravilhosa.

Salvo, com certeza!

Milton Haack tinha 18 anos e estava cansado da vida na fazenda no Estado de Minnesota. O irromper da Segunda Guerra Mundial deu a ele a oportunidade de sair de casa, en­tão ele se alistou na Marinha. O primeiro dia em Boot Camp foi um choque cultural para ele. Milt vinha de um lar reli­gioso. Havia sido batizado, crismado, se tornado membro da igreja e levado uma vida razoavelmente decente. Com o res­tante de sua família, ele havia observado fielmente os sacra­mentos da igreja. Agora ele estava num poço de palavrões, linguagem imunda e piadas obscenas. Mas ele se consolava com o fato de que, se todos fossem mortos na batalha, pelo menos ele teria uma boa chance de ir para o céu.

De Boot Camp ele foi enviado por navio até Boston, Massachusetts, antes de ser designado para uma escola de treinamento. Um dia, no alojamento, ele viu um marinheiro sentado na ponta de seu beliche, lendo um livro. Milt ficou curioso. O livro se parecia com uma Bíblia, mas Milt sabia que não poderia ser. Ninguém teria coragem de ler a Bíblia em um ambiente tão perdido. Caminhando pelo corredor entre asfileiras de beliches, ele deu uma olhada com o canto dos olhos. Sim, de fato, era uma Bíblia.

Milt conversou com o companheiro, esperando entrar em uma discussão teológica com ele. Mas o companheiro o fez baixar a guarda contando-lhe como ele havia se convertido a Deus. Ele sabia que seus pecados tinham sido perdoados e tinha certeza do céu. Ridículo! Como alguém poderia saber disso antes de morrer e comparecer diante de Deus?

Finalmente Milt disse: Olhe, estamos aqui discutindo so­bre salvação há 45 minutos e você não mencionou o requisito mais importante.

"E qual é?"

"O batismo. A Bíblia ensina que se você precisa ser batizado para ser salvo, e você não falou nenhuma palavra sobre o batismo".

O marinheiro cristão suavemente lhe passou às mãos uma Bíblia e disse: "Por favor, me mostre onde a Bíblia diz isso".

Coitado do Milt. Ele não sabia nem a diferença entre Gé­nesis e Apocalipse. Frustrado, ele colocou a Bíblia sobre o beliche e disse: "Tem um padre em Minnesota que me disse isso, e isso está bom para mim".

Aquela noite Milt pediu a Deus que o tirasse daquele alo­jamento o mais depressa possível. O lugar não era grande o suficiente para os dois. A oração pareceu ser respondida quan­do ele foi enviado à escola de treinamento em Rhode Island. Agora ele poderia respirar mais livremente. Aquele cristão estava fora de sua vida, para sempre, de preferência.

Em uma folga de fim de semana, ele foi a um parque perto do centro de treinamento. Observou duas moças entregando folhetos. Quando uma delas se aproximou dele e lhe deu um, ele percebeu imediatamente que era algo religioso. Ela pergun­tou: "Você é salvo?" Gr-r-r-r-r, ele tinha acabado de se livrar de alguém daquele jeitinho. Agora lá estava outra pessoa igual.

Ele respondeu com a lorota: "Sim, sou salvo", depois mu­dou logo de assunto. Mas ela não foi facilmente dissuadida, "Gostaria de ouvi­lo contar como foi salvo".

Em desespero, ele papagueou o testemunho do marinhei­ro que ele tinha deixado para trás em Boston. Ela não pros­seguiu com o assunto, mas convidou-o para ir à capela local no domingo à noite, onde ele ouviria homens contarem como se converteram a Deus. Ele prometeu ir e cumpriu a promes­sa. O que o impressionou foi que quatro homens contaram acerca de uma experiência específica na vida deles quando se arrependeram de seus pecados, receberam Jesus pela fé como Senhor e Salvador, e souberam imediatamente que estavam salvos. Ele disse a si mesmo: "Se esses homens estiverem cer­tos, então estou a caminho do inferno".

Milt começou a ler um Novo Testamento de bolso que ele havia ganhado em Boot Camp. O Evangelho de João foi o mais fácil de entender, e o versículo 24 do capítulo 5, foi de especial

interesse: "Em verdade, em verdade vos digo: quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna, não entra emjuízo, mas passou da morte para a vida".

Agora era chegada a hora desse marinheiro agitado ser en­viado para as Filipinas, para onde a verdadeira guerra estava acontecendo. À medida que seu barco torpedeiro [comumente chamado por barco PT] ancorou perto da ilha de Samar, ele se perguntou: "Se eu morrer, onde passarei a eternidade?"

Um dia, um anúncio foi proclamado em alta voz através do sistema de som público: "Agora ouçam isto. O estudo bí­blico na capela da base será hoje à noite, às 20h". Como se tivesse sido dirigido por uma força invisível, Milt tomou o barco inflável até a praia e foi para a capela. Apenas umas quatro ou cinco pessoas aparecerem para o estudo. O rapaz que falou sobre Efésios parecia fazer um esforço extra para explicar o Evangelho com clareza. No encerramento, eles convidaram Milt para vir a um devocional que eles tinham todas as manhãs após o café, às 7h.

Nas devocionais matinais, um rapaz novamente falou so­bre o caminho da salvação tão claramente que até um tolo po­deria entender. Depois, todos se ajoelharam e oraram. Quando Milt foi o último que restou para orar, ele se sentiu contra a parede. E o que fazer agora? Ele ainda se lembrava de um coro que havia sido cantado na noite anterior; então, das pro­fundezas de seu coração, ele disse:

Obrigado, Senhor, por salvar minha alma.

Obrigado, Senhor, por me restaurar.

Obrigado, Senhor, por me dar Tua grande salvação,

Tão plena, e gratuitamente.

Ele realmente falou de coração, e quando se levantou, ele era um novo homem em Cristo Jesus.

Correu a notícia dentre os tripulantes do barco PT que Haack tinha religião. Era previsível que seus companheiros de navio começassem a escarnecer dele por causa de sua fé.

120

Uma noite, quando Milt ia saindo para seu estudo bíblico, ele encontrou o capitão e a tripulação tendo uma festa. A cerveja corria livremente. O capitão gritou: "Ei, pessoal, es­condam suas latinhas de cerveja; o Reverendo Haack está chegando". Todo mundo riu.



Alguém mais gritou: "Ei, Haack, ore para não ficarmos tão bêbados esta noite". Novamente todos riram.

Milt sentiu que bastava. Em pé na popa do barco, ele disse: "Homens, a menos que vocês se arrependam e creiam no Senhor Jesus Cristo como seu Salvador, vocês estão a ca­minho do inferno". Daí, ao desembarcar, ele falou novamen­te: "E, Capitão, isso serve para o senhor também". Aquele foi um lance errado. Na Marinha, você não fala assim com um oficial, e especialmente com o Capitão. Milt sabia que teria problemas. Logicamente, quando ele voltou do estudo bíblico, o homem em guarda lhe disse que o Capitão queria vê-lo às 8h no dia seguinte.

Depois de uma noite sem dormir, o jovem marinheiro compareceu diante do Capitão e ouviu as seguintes palavras graves: "Quero lhe falar a respeito do que aconteceu na noite passada".

Milt respondeu: "Sim, senhor, eu compreendo".

O Capitão prosseguiu:

"Quando eu tinha 16 anos, fui a um acampamento cristão de verão e recebi o Senhor Jesus como meu Salvador. Durante muitos anos fui a pessoa mais feliz deste mundo, mas quando me alistei na Marinha, algo aconteceu. Você nunca imagina­ria que eu era cristão, não é? Bem, quero lhe dizer que sinto muito pelo que eu lhefiz ontem à noite. E quero lhe dizer que estou feliz por ter um cristão em meu barco, alguém que não tem medo de se levantar por Jesus".

Depois, ele acrescentou:

"Estive olhando seus registros e notei que faz tempo que você não ganha uma promoção. Pois bem, vou recomendar a você uma nova categoria. Em cerca de um mês você rece­berá mais um galão".

Milt agradeceu e saiu, humildemente grato a Deus por usá-lo a despeito de suas falhas.

Agora vamos voltar atrás com o calendário, para quan­do Milt escreveu a seus pais sobre sua mudança de vida. Ele aguardou ansiosamente por uma resposta, expressando a reação deles. Embora seus pais lhe tenham escrito, eles nunca mencio­naram nada sobre sua nova fé. Mas, quando ele voltou para casa depois da guerra, o silêncio foi interrompido um tanto violenta­mente. Seu pai disse: "Ou você desiste dessa religião estranha que diz que você pode ter certeza de ir para o céu, ou você terá que sair da minha casa".

O veterano recém-chegado respondeu: "Eu irei, mas le­varei meu Salvador comigo". Seis anos se passaram e um dia Milt viu seus pais novamente. Eles se correspondiam por cartas, porém sem nenhuma menção sobre coisas espirituais. Entretanto, um casal em Minnesota mantinha um relaciona­mento de amizade com os pais de Milt e, 20 anos após esta­rem separados de Milt, os pais foram salvos.

Novamente voltamos o calendário para o tempo em que Milt esteve alojado em Rhode Island. Um romance começou no dia em que Marjorie Simpson lhe entregou uma porção bíblica e lhe perguntou se ele era salvo. Milt e Marge se ca­saram quando ele voltou da guerra e, 12 anos mais tarde, eles partiram com dois filhos para servirem o Senhor como mis­sionários nas Filipinas.

Milt foi um dentre as centenas de homens que foram para nações estrangeiras na época da guerra a serviço de seu país e que, subsequentemente, retornaram nos tempos de paz para servirem ao Capitão de sua salvação.

A página da Bíblia com apenas duas palavras

Desde criança que Michael ouvia versículos bíblicos, tanto em casa quanto na comunidade cristã local. Um versículo que lhe

122

chamou muito a atenção foi Romanos 3.23: "Porque todos pe­caram e carecem da glória de Deus ". Michael não negava que era pecador. Ele era sempre mesquinho com seus amigos e queria egoisticamente as coisas à sua maneira. Seus pensamentos eram impuros, mas não havia uma convicção profunda de sua pecami­nosidade. Ele conseguia viver confortavelmente com ela.



Quando criança, para ganhar balinhas e outras recompen­sas, ele memorizava um número considerável de versículos bíblicos, às vezes até um capítulo inteiro, e certa vez decorou todo o livro de Filipenses. O fato de que o inferno é o desti­no eterno dos não salvos começou a consumi-lo. Ele discutia com Deus sobre isso. Por acaso, a punição não era excessi­vamente fora de proporção com relação ao crime? Como um Deus de amor poderia tratá-lo assim?

Quando ele tinha 13 anos, Michael sabia todas as respostas certas, portanto ele falava aos seus pais que ele cria, pensando que tudo estaria bem. Isso iria livrá-lo de problemas. Mas era uma profissão de fé falsa. Ele não havia confiado realmente em Cristo como seu Senhor e Salvador. Era apenas uma questão de palavras. Foi apenas alguns anos mais tarde que ele ficou horro­rizado com o entendimento de que ele realmente merecia ir para

o inferno. Além disso, havia a consciência de que Cristo poderia voltar a qualquer momento e Michael não iria para o céu com sua família e seus amigos salvos. Era hora de ficar desesperado. Então, ele pegou sua Bíblia e pediu a Deus que o guiasse ao lugar que ele deveria ler, ao lugar onde ele encontraria as respostas.

Ele abriu a Bíblia. Ali ele viu uma página com apenas duas palavras: Novo Testamento. Era a página que fica entre



  1. o Antigo e o Novo Testamento.

Depois de um desapontamento momentâneo, ele concluiu que Deus queria que ele lesse o Novo Testamento. Nos dias que seguiram leu Mateus e Marcos. Assim que chegou a Lucas, ele percebeu que aqueles que crêem em Jesus nunca serão destina­dos ao inferno. Era a resposta que ele estava buscando.

Por meio de um simples ato de fé, ele confessou que era realmente um pecador, que cria que Jesus morreu para pagar

- NOSSO DEUS E MARAVILHOSO! ­

a penalidade dos nossos pecados, e que ele recebia a Cristo

como sua única esperança para o céu.

Depois disso, ele experimentou o que chamou de uma sensação incrível de alívio. Seus pecados haviam sido leva­dos. Seu futuro estava assegurado. Ele acolheu com alegria a perspectiva da volta do Salvador.

Podemos apenas nos maravilhar com a engenhosidade de Deus em levar Michael à única página da Bíblia em que estão escritas apenas duas palavras.



Piliaski

O que era mais extraordinário em Piliaski era seu tamanho; ele tinha em torno de 1 metro e 40 centímetros de altura. Quan­do esse zambiano viu seus vizinhos voltando de Copper Belt, cheios de posses materiais que haviam ganhado lá, ele decidiu que também iria a Copper Belt, arrumaria um emprego, com­praria uma bicicleta, um relógio, cobertores e boas roupas. Ele sentia que, enquanto vivesse nas matas, não teria um futuro.

Seu primeiro emprego foi em uma mina. Como ele era confiável e trabalhador sério, foi colocado como chefe de um esquadrão de homens. Depois de um mês, ele tinha mais dinheiro do que ele jamais havia visto em sua vida. Mas, o que comprar com ele?

Ele foi à cidade vizinha chamada Kitwe e ficou horas olhando as vitrines. Uma loja que o impressionou era a que vendia livros. Na vitrine ele viu um Novo Testamento em sua própria língua tribal. Ele entrou e disse ao vendedor: "Há um livro na vitrine que fala comigo".

"Ah, então você deve ser um mumemba. Aquele é o Novo Testamento em bemba. Vou pegar um para você. Ele custa apenas três shillings ".

Piliaski comprou imediatamente o livro, o primeiro que ele tinha e, triunfantemente, levou-o de volta a sua cabana no campo de mineração. Ali ele tinha eletricidade pela primeira vez em sua vida, portanto podia ler o Novo Testamento todas as noites

124

após as horas de trabalho. A história prendeu sua atenção. Ele queria ler mais e mais. Logo a mensagem lhe revelou seu próprio coração. Percebeu que, à vista de Deus, ele era um pecador cul­pado e, portanto, não era adequado para ir para o céu. Eleja não aguentava mais. Pediu ao Senhor que o perdoasse por ser aquele pecador e por ter se revelado contra a vontade de Deus.



Agora ele já tinha Jesus como seu Senhor e Salvador e Amigo. O pequeno Piliaski conversava com Jesus como seu melhor amigo.

Uma noite, depois de ler o Novo Testamento durante uma hora, ele apagou a luz e meditou sobre o que havia lido. Nesse instante ele teve consciência da presença do Senhor em seu quarto.

"Piliaski".

"Sim, Senhor".

"Quero que você volte para o meio do seu povo e conte a eles sobre Mim".

O homenzinho obedeceu e tornou-se um tremendo pre­gador do Evangelho. Muitos foram salvos. Mas, então, Pi­liaski leu na Palavra que os crentes deveriam ser batizados por imersão. Ele nunca havia sido batizado, por isso como ele poderia dizer aos seus convertidos para seguirem ao Se­nhor daquela maneira? Ele juntou todos os crentes num rio e falou ao primeiro convertido para batizá-lo e, depois, ele batizaria os outros. Com esse grupo de crentes batizados, uma congregação foi iniciada.

Anos mais tarde, quando as guerras de Bush começaram, os terroristas reuniram os líderes religiosos e disseram que eles iriam pregar seu último sermão. Alguns ficaram tão ter­rificados que nem conseguiram falar. Um desmaiou. Mas Pi­liaski levantou-se de pronto e disse:

"Como este vai ser meu último sermão, vou pregar do meu coração para o coração de vocês. Eu sei para onde irei e vocês precisam saber para onde irão, então vou pregar sobre céu e inferno". À medida que ele continuava, destemidamen­

- NOSSO DEUS É MARAVILHOSO! ­

te, alguns dos homens armados começaram a tremer. Eles disseram: "Olhe aqui, suma deste lugar. Vá embora daqui deste vilarejo e desta área e não apareça mais".

Piliaski foi o único posto em liberdade. Ele ainda con­tinua pregando o Evangelho e ainda continua plantando novas congregações.

É um homem pequeno, mas possui uma sombra enorme.



A busca por descanso7

Quando criança na Alemanha, Alois era alegre e oti­mista, mas era também guiado por seus sentimentos de in­quietude. O caminho aberto acenou para ele com sua pro­messa de satisfação e realizações. O pote de ouro no final do arco-íris estava chamando.

Sua paixão pela leitura abriu-lhe visões de grandeza no mundo de fora. Isso fez com que sua vida de vilarejo pare­cesse monótona e descorada. Outros poderiam achar que era charmosa, mas para ele era uma verdadeira monotonia.

Os pais de Alois o enviaram para um internato em uma es­cola paroquial. Talvez isso lhe desse alguma medida de satisfa­ção. Mas seus sonhos não foram satisfeitos. O tempo todo seu espírito continuava a dizer: "Não me aprisione aqui dentro".

Na escola pública de ensino médio, aos 17 anos, ele esta­va em uma aula de biologia e falou consigo mesmo: "O que é que eu estou fazendo sentado aqui? Por que não estou lá fora, no mundo da realidade, onde as pessoas vivem, amam, so­frem e lutam? Tudo o que se faz aqui é palestra e teoria. Não quero apenas pensar sobre a vida. Quero experimentá-la".

Antes do final do ano letivo, ele encheu sua mochila e saiu pelas estradas pedindo carona em direção à França e à Espanha; ele era o grande aventureiro, um hippie, um andarilho. Mas suas viagens tiveram vida curta. Quando ele tentou ir para a Holanda, ele foi parado na fronteira e reco­nhecido como uma pessoa desaparecida, e foi enviado de

126

volta a seus pais. Que corte em seus sonhos. Ele voltou para a escola, uma tremenda perda de tempo. A seguir, ele decidiu tentar o rock, que significava: "Viva rápido. Ame muito. Morra jovem". Mas desta vez o Exército



  1. o convocou para o serviço militar. Para evitar aquele horror, ele entrou para o seminário e se tornou um padre. Durante

  2. o segundo semestre, ele conseguiu um voo barato para São Francisco e morou com outros hippies no distrito Haight-Ashbury. Mas a vida sem sentido e sem direcionamento dos outros o decepcionou, então ele voou de volta para o seminá­rio, determinado a passar sua vida servindo aos outros.

Não durou muito. A agitação voltou; então ele foi de ca­rona a Amsterdam, onde ganhou algum dinheiro fazendo uns biscates e como músico de calçada. Com aquele dinheiro ele voou para Nova Iorque; ali seu dinheiro foi roubado logo após sua chegada. Nada a fazer a não ser pedir carona pelo país até a Califórnia. Ele ficou lá até que seu visto de turista expirou. Daí ele teve que se mudar para o sul, para o México.

No México, visitava com frequência uma banca de suco de frutas. Ali conheceu duas moças, Laura e Tammy, que eram diferentes. Elas irradiavam uma harmonia interior, embora fossem relativamente sem muita instrução formal. Quando ele lhes perguntou por que elas eram diferentes, elas responde­ram simplesmente que eram cristãs. Alois tentou argumentar com elas sobre o Cristianismo, mas elas apenas diziam: "Cre­mos em Jesus Cristo, confessamos nossos pecados a Ele e Lhe entregamos nossa vida. O Salvador pagou a penalidade dos nossos pecados na Cruz e agora temos paz com Deus".

À medida que o tempo foi passando, Alois começou a ler o Novo Testamento, que resultou em um aprofundamento de cons­ciência a respeito de sua condição pecaminosa diante de Deus.

Naquela ocasião, ele estava trabalhando com as garotas na banca de suco de frutas e participava das reuniões dos jovens cristãos.

Um dia ele prometeu a elas que não mais acompanharia Don Lorenzo às reuniões pagãs com um xamã. Mas ele foi, as garotas descobriram e ele foi exposto como mentiroso. Ficou envergonhado e confuso, pois ele havia decepcionado aquelas que ele mais amava.

A vergonha tornou-se intolerável. Finalmente ele se que­brantou. Trouxe a carga de pecados adiante do Cristo crucifica­do. A luz resplandeceu em seu coração em trevas. Durante 20 anos desperdiçados ele havia buscado satisfação; agora ele a encontrava no Salvador. Ele chorou por causa dos anos que ha-via passado sem Deus. Chorou de alegria porque seus pecados haviam sido perdoados. Ele havia encontrado significado, satis­fação e realizações no Senhor Jesus. Aquilo que havia procura­do no mundo, ele agora encontrava em seu Redentor. O vácuo com a forma de Deus em seu coração fora agora preenchido.

Alois ainda está viajando, não como hippie, mas como um embaixador de Jesus Cristo. Proficiente em oito línguas, ele anuncia as boas novas da salvação gratuita através da fé no Salvador dos pecados.



Adoniram Judson, missionário em Burma8

Alguns habitantes da Nova Inglaterra podem ter pensando que o jovem Adoniram Judson era sábio demais aos seus pró­prios olhos. Outras pessoas mais indulgentes ficaram impressio­nadas por ver um menino de 12 anos dando aulas do livro de Apocalipse para uma turma de adultos usando o original em gre­go. Ainda outras ficaram intimidadas por sua mente brilhante.

Na época em que ele chegou à faculdade, se conside­rava mais sábio que Deus. Seus colegas de classe cristãos tinham medo de debater com ele; eles poderiam perder a fé. Seu pai tentava cautelosamente raciocinar com ele. Sua mãe orava por ele.

Seu colega de quarto, Jacob Eames, veio para a faculdade professando ser cristão, mas, sob a influência de Judson, se tor­nou um ateu ostensivo. Adoniram havia conquistado seu apoio.

128

• A MARAVILHOSA REDENÇÃO DE DEUS -



Anos mais tarde, Judson foi para Nova Iorque ser en­trevistado para trabalhar no teatro. Em sua longa viagem de volta para Boston, ele parou em um hotel para ter uma boa noite de descanso. O gerente disse que sentia muito, mas todos os quartos estavam ocupados; Judson estava exaus­to. Ele se ofereceu para pagar o preço de um quarto se ao menos pudesse dormir no saguão e sair antes que os outros hóspedes acordassem pela manhã.

Então, o gerente mencionou que ele tinha sim um quar­to vago, mas que era ao lado de um quarto no qual o ocu­pante estava extremamente enfermo. O lamento do homem que estava à morte, seus xingamentos e suas convulsões não eram um convite ao sono. Judson, entretanto, estava tão exausto que tinha certeza que o barulho do quarto ao lado não o incomodaria.

Estava enganado. Ficou acordado, virando para lá e para cá, ouvindo os lamentos de dor. Finalmente o barulho cessou e Judson caiu no sono.

Quando ele estava pagando a conta na manhã seguinte, ele perguntou sobre o homem doente e foi informado que ele havia morrido nas primeiras horas da madrugada.

Judson achou esquisito que um homem tivesse morrido em um quarto de hotel desse jeito, então fez perguntas ao ge­rente a respeito daquele homem. O gerente disse as seguintes palavras: "Parece mesmo estranho. Tentei contatar seu parente mais próximo, mas ele morreu sozinho - um homem de gran­de inteligência e status. Ele foi um dos laureados da Faculdade Providence em Rhode Island. Seu nome era Jacob Eames".

Mais tarde Judson disse o que segue:

Quando comecei a viagem de volta para casa, não con­seguia nem enxergar de tanto que chorava. Duas palavras estavam martelando em meu coração: morte, inferno, morte, inferno. Eu tive que parar, descer do carro na estrada poei­renta e me arrepender amargamente por ter traído meu Deus e destruído a fé que meu amigo Jacob Eames tinha n'Ele.

- NOSSO DEUS É MARAVILHOSO! -

Esta experiência mudou completamente a direção da vida de Adoniram Judson. Foi enviado à índia como missionário, foi expulso de lá e se mudou para Burma. Em seu entusiasmo, ele chegou a um birmanês um dia e lhe deu um grande abraço. O homem foi para casa e contou a sua família que havia visto um anjo. A alegria caracterizava de tal forma a vida de Judson que o povo de Burma o chamava de Sr. Rosto de Glória.

Duas esposas que ele teve morreram. Três filhos morre­ram. Colegas missionários morreram. Judson trabalhou sete anos antes que o primeiro birmanês se convertesse a Jesus. Depois, tantos vieram ao Salvador que ele foi lançado em prisão pelas autoridades locais. Após 18 meses, ele foi colo­cado em um navio e deportado para os Estados Unidos. Ele morreu durante a viagem. Em sua lápide em Malden, Massa­chusetts, está a inscrição: "O oceano é seu sepulcro; a Bíblia birmanesa é seu monumento. Seu registro está no céu".

Adoniram havia traduzido a Bíblia para o idioma birma­nês. No folclore birmanês, havia uma crença que algum dia um homem viria com um livro que conteria a verdade. Judson foi esse homem e a Bíblia em birmanês é esse livro.

Da sarjeta para Deus9

No dia 17 de junho de 1998, o maior jornal da Alema­nha publicou um artigo de página inteira, na página 3, com uma manchete de 2.5 centímetros: "Um Viciado em Drogas a Serviço de Jesus Cristo". O subtítulo era: "Franz Huber: da Sarjeta para Deus". A história era extraordinária por várias razões. Era sobre um dos rejeitados pela sociedade. Era num jornal secular. Mostrava simpatia pelo Cristianismo.

Franz Huber era filho ilegítimo, não desejado desde seu nascimento. Sua família era disfuncional. Seu pai biológico havia sumido, deixando-o com uma mãe que tinha outros in­teresses (um namorado que morava com ela e que o odiava), e uma avó que morreu quando ele tinha nove anos. Ele era um típico garoto chave de cadeia.

- A MARAVILHOSA REDENÇÃO DE DEUS -

Por si só, com 15 anos, ele começou a ser aprendiz de açougueiro, mas aquilo durou apenas um ano. Franz se vol­tou para a maconha para superar a rejeição, a solidão e as crueldades da vida. Aquele foi o primeiro passo para 20 anos de vício em cocaína e heroína. Os lugares onde ele dormia também eram casa de prostitutas, cafetões, criminosos, vicia­dos e os desprezados da sociedade.

Ele e sua namorada tomavam LSD, consumiam haxixe, ópio, e morfina. Se eles não conseguissem a droga, eles pas­savam pelos terrores do período de abstinência, ou seja, a remoção das drogas. Em uma unidade de psiquiatria, Franz foi trancado com assassinos, viciados, fanáticos e lunáticos. A vida estava insuportável.

Então, a bússola apontou para Amsterdam. Lá ele plane­java tomar sua última dose de heroína, a chamada injeção de ouro, que poria fim em tudo. Mas um amigo, no distrito da luz vermelha, contou-lhe a respeito de alguns cristãos que tinham uma casa que ministrava a viciados. Embora aquilo significasse remissão, (e Franz não queria isso), ele sabia que esses cristãos eram sua última esperança. Ele foi atraído pelo amor.

Os cristãos o levaram ao Senhor. Sua vida foi totalmente mudada. Durante um ano ele trabalhou na casa, buscando aju­dar outros que eram escravos das drogas.

Quando finalmente voltou a Munique, ele foi trabalhar em uma pizzaria, tirava a neve com uma pá, e fazia outros biscates. A maior parte do dinheiro que ele ganhava ia para reembolsar as farmácias das quais ele havia roubado coisas e para pagar por propriedades que ele havia danificado.

Tendo um grupo de cristãos em Munique como base, Franz realizou um ministério cristão que se estendeu por mui­tas partes, ministério esse junto a viciados e outras pessoas carentes. Como relatou o jornal Bild-Zeitung:

A casa dele se tornou um lugar para todos os tipos de pessoas com problemas. Constantemente Franz tentava trazer as Boas Novas do Evangelho- para os desesperan­

NOSSO DEUS É MARAVILHOSO!

çados. Ele orava com eles, ajudava-os, e sua vida era um testemunho da graça de Deus.

Franz morreu de hemorragia cerebral no dia 8 de junho de 1998. Trezentas pessoas foram ao seu funeral, a maioria das quais haviam sido viciados, punks e andarilhos. Foi o tributo que eles prestaram ao homem que havia dado a eles ajuda, esperança e amor.



Ó, Senhor, salve o meu pai

Billy Stevenson nasceu na Irlanda do Norte quando o conflito entre os protestantes e os católicos era a notícia cor­rente do dia. Ele tinha uma avó cristã, uma mulher de oração, mas ela era a única influência espiritual na casa. Nem seu pai nem sua mãe eram crentes. Isso mudou, todavia, quando Billy tinha oito ou nove anos. Primeiro, sua mãe foi salva; e depois, seu pai. Daquele momento em diante, seu pai lia a Bíblia e orava com a família todos os dias. Os Stevenson participavam de encontros no Gospel Hall local sempre que as portas eram abertas. Fiéis professores de Escola Dominical plantavam um depósito sagrado da Palavra de Deus na vida de seus alunos, e fiéis pregadores proclamavam o Evangelho tão claramente que mesmo um tolo poderia entender bem.

O jovem Stevenson deixou a escola tão logo quanto possível para assumir um trabalho em uma grande indústria metalúrgica. Ele gostou desse contato com o mundo lá fora e começou a ado­tar o estilo de vida de seus companheiros de trabalho. Antes que muito tempo se passasse, eleja bebia, se rebelando contra Deus e tentando escapar da presença d'Ele. Houve brigas inevitáveis do lado de fora do bar. Uma vez ele perdeu alguns de seus dentes na calçada; em outra ocasião, ele fraturou o crânio. De volta ao traba­lho, ele sempre contava aos homens como ele havia se divertido.

Depois de tentativas frustradas de se alistar na Aeronáu­tica e na Marinha, ele se alistou para servir no Exército. Seus amados pais foram ao píer para vê-lo navegar para Londres.

132

Quando ele estava partindo, seu pai lhe disse: "Filho, você não pode tirar de nós o poder e o privilégio da oração. Você está deixando para trás um pai e uma mãe que oram".



A vida em Londres era uma farra, uma bebedeira e uma jogatina sem fim. Finalmente ele foi enviado à Alemanha. De lá escreveu à sua namorada pedindo-a em casamento. Ela concordou; então ele voltou à Irlanda do Norte para o casa­mento e não voltou mais para a Alemanha. A Polícia Militar Real finalmente o encontrou caído bêbado numa calçada de Belfast. Depois de ter sido preso, ele foi enviado de volta para a Alemanha para fazer serviços da mais baixa natureza. De­pois disso, o Exército o dispensou.

De volta à Irlanda, ele tinha uma esposa, mas nenhum emprego. Nasceram-lhe dois filhos, um menino e uma meni­na. Não era bem um lar porque Stevenson gastava todo seu dinheiro em bebidas e em corridas de cavalo.

Os problemas entre católicos e protestantes, como eram chamados, estavam aumentando muito na Irlanda do Norte, e Billy juntou-se ao combate - do lado protestante, logica­mente. Diversas vezes ele quase não escapou dos tiroteios e dos bombardeios.

Depois de uma bebedeira nos dias do Natal de 1970, ele foi levado ao hospital. Lá, o Sr. Jim Leckie veio visitá-lo para lhe dizer sobre sua necessidade de salvação. Billy não estava pronto ainda, mas o Sr. Leckie não ficou facilmente desani­mado. Nas semanas que seguiram à hospitalização, ele con­seguiu levar os Stevenson a encontros de evangelização. A esposa de Billy disse: "Eu gostaria de ser salva". E foi. Como disse seu marido mais tarde: "Ela obteve o que eu queria".

No dia 18 de abril de 1971, Stevenson veio bêbado para casa. O Sr. Leckie estava esperando por ele ali. Sob a gentil persuasão de Leckie, Billy foi ouvir Derek Bingham pregar. O encontro ficou obscuro em sua mente. Tudo de que ele se lembra é que o pregador falou: "Não se demore".

Em casa, com sua esposa e filhos, ele sentiu que era tarde demais, que eleja havia passado do ponto da redenção. A Sra.

- NOSSO DEUS É MARAVILHOSO! -

Stevenson sugeriu que ele fosse ao andar de cima e lesse João 14.1-6. À medida que ele passava pela porta do quarto de seu filho, viu o rapazinho de joelhos ao lado da cama e o ouviu orar: "Deus, salva meu pai. Ele é bêbado. Não permita que meu pai vá para o inferno". Quando o menino ouviu os passos do pai, chamou-o e disse: "Pai, estou orando por você".

Billy correu para o seu quarto, caiu prostrado no chão e clamou a Deus, chorando em alta voz, dizendo as seguintes palavras de um hino:

Jesus, em Ti confiarei,

Confiarei em Ti com toda a minha alma;

Sou culpado, perdido e sem esperança,

Mas Tu podes me transformar.

Não há ninguém no céu,

Nem na terra como Tu:

Morreste pelos pecadores,

Portanto, morreste por mim.

Naquele momento, Billy Stevenson, alcoólatra, jogador e briguento, tornou-se um novo homem em Cristo. Ele se apressou em ir abraçar sua esposa e filhos e a lhes dizer que acabara de passar da morte para a vida. Ele seria um novo marido e um novo pai.

Três anos mais tarde, ele foi com sua família servir como missionário na Coreia. Desde então, por onde quer que viaje, ele conta o caminho da salvação que Deus provê a todos que ouvem a Sua voz.

Mark Pease encontra paz

Mark veio de uma família católica. O início de sua vida seguiu um padrão comum - batizado quando bebé, crismado, primeira comunhão, e escola paroquial - em seu caso até a sétima série. Mas sua infância foi problemática. Ele teve que ser duramente disciplinado pelas freiras. Depois que ele se

134

- A MARAVILHOSA REDENÇÃO DE DEUS ­



mudou para a escola pública, sua vida veio abaixo como em um espiral.

Logo que ele se livrou da escola, decidiu trabalhar com estruturas metálicas, subindo às maiores alturas nos esquele­tos de aço dos prédios em construção. Era um trabalho peri­goso, mesmo com o cinto de segurança.

Em seus 20 anos, Mark de certa forma renovou sua ami­zade com Joe, um amigo que afirmava ser cristão. Uma noite, Joe explicou o Evangelho ao Mark, sobre como Jesus morreu pelos seus pecados, e falou que tudo o que Mark teria que fa­zer seria recebê-lO como seu Senhor e Salvador. Eles oraram juntos e Joe anunciou: "É isso aí. Agora você é cristão". Mas não houvera arrependimento. Ambos continuavam em um es­tilo de vida pecaminoso.

Na noite de 24 de novembro, algo extraordinário aconte­ceu. Joe telefonou e perguntou se Mark poderia vir conversar com ele. Era algo muito importante, disse ele. Quando Mark chegou a casa, Joe estava obviamente agitado. Mark nunca o havia visto tão preocupado. Ele, que professava ser cristão, foi falando qual era sua profunda preocupação. Ele disse que se eles morressem sem se arrepender e sem confiar em Cristo, ambos iriam para o inferno. A cena era totalmente sinistra. Por que Joe estava em tamanha confusão? Até o presente momento, Mark não estava pensando em morrer. Mas a mensagem de Joe bateu forte. De repente ele ficou com medo de morrer. Ficou preocu­pado durante todo o caminho de volta a sua casa. Na segurança de seu lar, o medo cedeu, pelo menos temporariamente.

A razão para esse incidente desagradável foi esclarecida no dia seguinte. Mark estava trabalhando em uma estrutura de aço a 13 metros acima do piso. Para se mover ao longo daque­la passarela do lado de fora do prédio, ele teve que desengatar seu cinto de segurança. Durante aquele breve momento, seu pé escorregou e ele caiu lá de cima sem que nada pudesse amortecer sua queda. Logo ele percebeu que não sentia nada da cintura para baixo. No hospital, o médico confirmou que ele havia fraturado a coluna e teria que passar o restante de

sua vida em uma cadeira de rodas. Mark ficou muito bravo

com Deus. "Por que Você fez isso comigo?"

Durante sua reabilitação, ele conheceu uma jovem cristã que era radiante a despeito de sua esclerose múltipla. Mark contou a ela que ele também era cristão, mas ele percebia que havia uma diferença entre eles. Ela conversava livremente so­bre o Senhor, enquanto que ele estava mais interessado no dinheiro que iria receber do seguro.

Quando Mark estava com 32 anos, ele retrocedeu a uma vida tão pecaminosa quanto sua paralisia permitia. Mas algo ou Alguém o levou a participar de uma igreja perto de sua casa. Isso era estranho porque não era uma igreja católica. O que um cara legal, católico como ele estava fazendo em uma igreja protestante? O pastor logo fez amizade com ele e começou a compartilhar o Evangelho com Mark. Ele disse a Mark que ele era pecador e que deveria se arrepender e receber Cristo como

o Salvador de seus pecados. Mark ficou tão ofendido quanto embaraçado. Como o pastor Jack sabia tanto a seu respeito?

Durante todo esse tempo, sua irmã e seu cunhado, que moravam em Jasper, no estado de Alabama, estavam orando por sua salvação. De fato, eles se encontravam para orar todas as manhãs com seus empregados em sua pequena empresa de poda de árvores.

Por três ou quatro dias Mark experimentou profunda con­vicção de pecado, mesmo a ponto de chorar intensamente. Então Veio a entrega. Completamente quebrantado, reconheceu diante de Deus que era pecador e pediu ao Senhor que o perdoasse. A paz o invadiu imediatamente. A guerra estava terminada.

Nos dias que seguiram, Deus trouxe uma maravilhosa es­posa para ele, e amigos da Capela da Bíblia que, "com mais exatidão, lhe expuseram o caminho de Deus " (At 18.26).

Hoje Mark aceita sua paralisia com submissão ao Senhor. Ele diz:

Creio que minha queda de 13 metros de altura foi inter­venção de Deus em minha vida. Um pastor às vezes tem que

A MARAVILHOSA REDENÇÃO DE DEUS ­

quebrar a perna de uma ovelhinha fujona para que ela pare de se afastar. O Senhor teve que quebrar minha coluna para me impedir de ficar vagueando por aí e me trazer de volta para Ele mesmo. Naquela época, fiquei com raiva de Deus, mas agora tenho paz a respeito das minhas circunstâncias. Essa paz tem que vir da percepção de que Cristo morreu para me salvar de iminente destruição. Quando entendi que um preço teve que ser pago para expiar meus pecados, e que Jesus pagou aquele preço por mim,'minha paralisia pa­receu ser muito insignificante. Quando eu podia andar e vivia no pecado, era difícil para Deus atrair minha atenção. Ele teve que tomar medidas drásticas para me alcançar.

Sempre penso em Mateus 18.8, quando Jesus diz: "Por­tanto, se a tua mão ou o teu pé te faz tropeçar, corta-o e lança-o fora de ti; melhor é entrares na vida manco ou alei­jado do que, tendo duas mãos ou dois pés, seres lançado no fogo eterno". A coisa mais importante é a vida eterna. O pouco tempo que passamos aqui é como a flor do campo comparada com a eternidade. Agradeço ao Pai todos os dias pelo dom de Deus que é a vida eterna através de Jesus Cris­to, nosso Senhor.



Chame a polícia

Foi um chamado de rotina e, como tudo estava quieto na área da ronda policial do Oficial Tom Rodrigues, ele decidiu atender ao chamado, mesmo que não fosse em seu território. Ele não podia imaginar as consequências eternas que advi­riam daquela decisão casual.

Ele partiu em seu carro patrulha para o endereço que havia recebido. Ali encontrou Rick e Irene. O aparelho de som estéreo havia sido roubado do carro deles. Eles tinham razão de estar chateados e acharam que a polícia deveria saber disso. Rick já havia explicado a Irene que ele sabia algo sobre o trabalho da polícia e que propriedades roubadas nunca eram devolvidas aos

proprietários, portanto, não adiantava chorar sobre o leite derra­mado. A melhor coisa a fazer seria esquecer o episódio.

Tom foi até a cozinha para fazer o registro do acontecido. Ele notou que Irene falou aos dois meninos para agradecerem a Jesus antes de comerem sua refeição, logo, ela deveria ser cristã. Sua intuição estava certa. Mas ele não detectou nada em Rick que fizesse pensar que ele era cristão - um tipo de­cente de pessoa, mas provavelmente não era convertido.

Assim que Tom terminou o relatório, ele partiu para dar uma vistoria na vizinhança. Ele conhecia bem aquele lugar. Logo viu uma jovem mulher e tinha motivos para achar que ela poderia ajudá-lo. Ela poderia saber se alguém tivesse roubado um aparelho de som? Ela sugeriu que o policial deveria conta­tar Pancho (não é esse seu nome real), e lhe deu o endereço.

Uma senhora de idade atendeu à porta. Ela ficou extre­mamente agitada quando o policial quis ver seu neto, mas chamou Pancho para vir até a porta. Tom pediu-lhe que o se­guisse para fora da casa para que a avó não ficasse histérica. Nessa hora, o pai de Pancho veio do quintal dos fundos para ver o que estava acontecendo. Tom explicou que ele estava tentando encontrar um aparelho de som estéreo que havia sido roubado e tinha razões para crer que Pancho estava envolvi­do. Ele explicou seus motivos em detalhes.

A princípio, o suspeito negou tudo. Seu pai ficava dizendo: "É melhor você dizer a verdade para o Oficial Rodrigues. Co­nheço esse policial e é melhor você estar limpo". Finalmente Pancho não aguentou e confessou. Quando o pai ouviu isso, ficou emocionalmente descontrolado. "Foi esse o aparelho de som que você me vendeu por 50 dólares?" O filho admitiu que sim. Nesse momento o pai estava realmente chateado.

Tom escreveu seu relatório, recuperou o aparelho de som, e foi de volta à casa de Rick e Irene levando o aparelho. Duas horas depois da primeira visita do oficial, eles tinham o apa­relho de som de volta. Quando conversavam dentro da casa, Tom disse a Rick: "Olhe, eu vou pregar em nossa igreja no domingo que vem. Você gostaria de ir?"

138


- A MARAVILHOSA REDENÇÃO DE DEUS -

Eles foram, e foram, e foram novamente. Um crente cha­mado John começou a se encontrar com Rick semanalmen­te, falando sobre o Evangelho com muitos detalhes. Durante um certo tempo, Rick tinha dificuldade para entender o que significava ser salvo. Noite após noite, ele acordava agitado. Havia algum bloqueio, mas ele não tinha certeza do que era. Havia uma lacuna que ele não conseguia preencher.

Finalmente ele entendeu. Como católico, havia apren­dido que Cristo morreu pelos pecados do mundo. Ele sabia disso há muito tempo. Mas agora o enfoque era nele: "Cristo morreu por mim". A medida que a verdade penetrou em sua alma, ele entendeu o que deveria fazer. Confessou sua situ­ação de pecador, que ele não tinha direito ao céu, e que, se recebesse o que merecia, certamente iria para o inferno. De­pois, por meio de um ato definitivo de fé, ele recebeu Jesus Cristo como seu Senhor e Salvador. Logo a seguir, ele con­fessou sua fé publicamente nas águas do batismo. Ele e Irene agora eram um em Cristo.

Deus pode usar até um aparelho de som roubado como meio de encontrar uma ovelha perdida. E um crente que teste­munha como o Oficial Tom Rodrigues pode alcançar pessoas que um pregador profissional jamais poderia. "Quão inson­dáveis são os juízos [de Deus], e quão inescrutáveis, os seus caminhos!" (km 11.33).



Fora de controle

Quong Wing foi criado em uma típica família chinesa­americana, com pais que fizeram o melhor que podiam para ver se ele se tornaria um cidadão decente e honrado. Logi­camente, havia sempre o choque das duas culturas, e Quong Wing escolheu dançar conforme a música - isto é, a músi­ca americana. Ele se deu bem até a sétima série, mas então alguns de seus colegas de classe começaram a intimidá-lo constantemente. Ele era uma pessoa insignificante, não era bom no atletismo, e raramente estava em um time nos espor­

- NOSSO DEUS É MARAVILHOSO! ­

tes organizados. Para evitar apanhar diariamente, ele decidiu aprender artes marciais, mas a vida só piorava. Ele roubava, mentia, se drogava e virou um delinquente violento. Várias vezes pensou em suicídio.

Durante seus primeiros dias no ensino médio, ele partici­pou da Escola Bíblica Chinesa com sua irmã e seus irmãos, mas aquilo não durou muito. Logo ele estava usando drogas diariamente. Como muitos de seu pares, ele achava difícil se submeter a autoridade. Tinha discussões frequentes com seus pais. Ele queria fazer as coisas a seu modo.

Sua família tinha pouca importância para ele e a vida gi­rava em torno de seus amigos. No que lhe dizia respeito, to­dos os companheiros chineses eram ou nerds ou gangsters. Ele escolheu os últimos. Isso significava levar uma faca, fazer papel de poderoso e entrar em brigas. Quando ele ameaçou

o vice-diretor com um revólver, a polícia o levou para casa e seu pai o castigou. A vida estava fora de controle.

Depois de ter sido expulso da escola de ensino médio ele decidiu frequentar uma escola particular em que teria que pa­gar $1.500 dólares, dinheiro que estava guardando para com­prar um carro. Mesmo assim, ele faltava muito às aulas.

Seus amigos o buscavam todas as noites e saíam pelas ruas procurando confusão. Uma vez, quando um carro cortou a frente deles, saíram atrás do veículo por vários quilómetros até que o motorista entrou em um beco sem saída; então, es­premeram o carro contra uma barreira.

Eles tinham frequentes atritos com a lei, mas Quong Wing de certa forma escapava sem mais do que ter que passar umas duas horas na cadeia.

Em uma virada curiosa e irónica, ele decidiu participar da faculdade Merritt e se formar em Administração de Justiça com opção em Reforço Legal. Ele e seus amigos se separaram. Ele passou cinco anos em Merritt, depois se transferiu para duas outras Universidades. A única coisa que o mantinha na faculda­de era seu interesse no sexo oposto. Finalmente se graduou, aos 25 anos. A vida era vazia; o suicídio ainda era uma opção.

- A MARAVILHOSA REDENÇÃO DE DEUS ­

Um ano mais tarde ele arrumou um emprego como Con­selheiro de Grupo no Departamento de Custódia do distrito. Se ele pensava que esta seria a resposta para sua busca, estava enganado. Algumas pessoas do corpo de funcionários eram a escória da sociedade, que tinham mais problemas que os in­ternos. Alguns eram viciados em drogas, e suspeitos de terem molestado crianças. Durante três anos os piores problemas que Quong Wing teve foram com os funcionários.

Sua posição seguinte foi como Representante de Oficial de Custódia, designado para trabalhar com pessoas que esta­vam em liberdade provisória em período probatório. Dali ele foi transferido para um acampamento da Divisão de Juvenis. Onde quer que ele fosse, enfrentava problema em cima de problema. A engrenagem parecia nunca'funcionar. Tudo pa­recia estar fora do lugar. Será que não havia nenhum lugar onde ele pudesse encontrar satisfação? Mesmo seu casamen­to com Cíntia, em 1992, não lhe trouxe a paz nem a satisfa­ção que estava buscando. As condições não poderiam piorar; mas pioraram.

Quong Wing foi transferido para a unidade de Entrada/ Em Custódia da Ala dos Juvenis e designado para trabalhar com um supervisor que obviamente se sentia chamado para tornar a vida de seus funcionários tão intolerável quanto pos­sível. Quong Wing tinha frequentes embates com ele. Tinha tanto pavor de vir trabalhar e muitas vezes ficava em casa doente. O estresse finalmente irrompeu como herpes-zóster.

A melhor coisa que aconteceu no meio dessa saraivada de fogo foi que um amigo chamado Dan sugeriu que Quong Wing buscasse o real significado da vida. Isso o fez começar a busca pela verdade. Estudou zen-budismo, taoísmo, emoções anónimas, psicoterapia, manejo da raiva - e, sim, a Palavra de Deus. Quong Wing se lembra de que "o Senhor enviou mi­lhares de crentes ao meu caminho", mas ele ainda não estava pronto para eles. Participou de um estudo bíblico no trabalho e foi a uma enorme cruzada evangelística na capital do estado. O Espírito de Deus estava fazendo Seu maravilhoso trabalho.

Sua crise de salvação ocorreu no dia Io de novembro de 1995. Naquele domingo, na igreja onde estava participando, foi dada oportunidade para as pessoas contarem como tinham vindo a conhecer o Senhor e como Ele havia mudado a vida delas. Quong Wing pensou que ele fosse salvo. Como ele havia feito profissão de fé alguns anos atrás quando participava da Igreja Bíblica Chinesa, ele se ofereceu para dar seu testemunho. De­pois do encontro, alguns dos cristãos vieram a ele e lhe disseram que tudo o que ele havia feito fora contar os problemas que tinha tido. Ele não mencionou nenhuma vez o nome do Senhor. Eles temiam que ele nunca tivesse realmente dado seu coração a Je­sus. Um deles sugeriu que ele deveria ir para casa e receber o Senhor Jesus Cristo como seu Senhor e Salvador.

Sozinho, naquela noite ele percebeu sua necessidade do Salvador. Ele sabia que era pecador e deveria se arrepender. Ele estava determinado a buscar a verdade e agora Cristo esta­va se apresentando a Quong Wing como o caminho, a verdade e a vida. Ele entendeu que o Senhor Jesus havia morrido na cruz para pagar a penalidade dos seus pecados, os de Quong Wing. Sem mais delongas, ele fez um compromisso definitivo com o Salvador. A paz inundou sua alma.

Cristo faz a diferença quando Ele entra em uma vida.

Quong Wing gosta de recontar algumas das maravilhosas mudanças que ele experimentou. O Senhor lhe deu poder para quebrar seus vícios sem precisar de tratamento. Deus lhe trou­xe outros pecados à mente para que ele pudesse confessá-los e abandoná-los. Quando Satanás trabalhava horas extras para colocar medo e dúvida em sua mente, o Senhor o fortalecia através da Palavra. Ele desenvolveu um novo amor pelas pes­soas e um novo desejo de compartilhar Cristo com elas. Seu casamento teve uma mudança dramática, para melhor. Hoje ele e Cíntia têm um filhinho.

Quong Wing ainda não deixou de ser pecador, logicamen­te, mas ele peca muito menos. Ele não está livre das tenta­ções, mas Deus lhe dá poder para resistir a elas. A vida ainda apresenta problemas, mas ele tem Alguém a quem levar esses problemas. Ele tem um novo amor pela santidade e um novo desprezo pelo pecado. Está realizando um estudo bíblico no trabalho e outro numa escola de ensino médio.

Ele fala de si mesmo como um servo que está disposto e disponível que espera continuar tendo um coração ensinável. Quong Wing é um exemplo do que Deus pode fazer com

uma vida que estava fora de controle.

A história de Ginger10

O verdadeiro nome de Ginger é Virgínia Hearn. Uma das características marcantes de sua peregrinação espiritual foi a quantidade e a variedade de contatos que o Senhor usou para movê-la pouco a pouco a crer em Cristo.Toram igrejas com um amplo espectro de variações doutrinárias. Foram escolas dominicais, retiros e acampamentos. Pais, amigos, pessoas e livros tiveram um papel importante. Estava claro que ela era objeto de um amor divino que não a abandonaria. Vamos ouvi-la contar sua própria história:

Como tantas crianças, aprendi com meu pai a fazer todas as noites a oração que o Senhor nos ensinou. Mas me lembro de apenas rezá-la mecanicamente, tão rápido quanto possí­vel, sem pensar em nada do que as palavras significavam, ou de falar com um Pai no céu que não estava escutando. Também me lembro de ocasionalmente dar umas respostas ríspidas aos professores da Escola Dominical achando que era engraçado fazer aquilo.

A Escola Dominical era algo aceito, mas não relacionado à vida de minha família, fora da porta da igreja. Algo me dava uma sensibilidade para nomes divinos, e eu me recusava a cantar as palavras Deus e Jesus quando apareciam nos cânticos. Minha irmã e eu sempre ganhávamos os prémios de assiduidade na Escola Dominical. Um desses prémios foi um livro católico para garotas. Fiquei pensando por que a professora o teria escolhi­do, porque era diferente de nossa própria religião.

143

- NOSSO DEUS É MARAVILHOSO! ­



Um amigo de meu pai da Primeira Guerra Mundial se con­verteu e veio nos visitar. Eu já havia visto esse tipo de con­versão acontecer no filme Sargeant York [Sargento Iorque], e sabia que significava uma vida transformada e boa. Meus pais ficaram constrangidos pelo fanatismo religioso desse homem, mas não reagiram. Ele nos forneceu livros e jornais funda­mentalistas estranhos, os quais li sem nenhuma convicção. Estava indiferente com relação às premissas do livro.

Uma das experiências mistificadoras de minha infância foi quando fomos a um acampamento de verão realizado por evangelistas itinerantes. Eles eram barulhentos e estranhos. Algumas pessoas choraram e foram à frente, mas meus pais não. Com o encorajamento de um amigo de família, fomos a reuniões especiais da Assembleia de Deus na cidade. Algu­mas pessoas queriam ser curadas, mas não foram.

Durante o verão, houve escola bíblica de férias diaria­mente, realizada em uma igreja bem rígida em nossa vizi­nhança, e ninguém teve que me forçar a ir. Aprendi todos os livros da Bíblia e havia um longo poema apresentando um resumo de todos os conteúdos dos 66 livros:

"Em Génesis, o mundo foi feito pelas mãos criativas de Deus; Em Êxodo, os hebreus marcharam para chegar à Terra Prometida (...) O Apocalipse profetiza sobre aquele dia tremendo em que Cristo, e somente Cristo, será o esteio dos pecadores".

Aprendi canções e jogos e mapas das terras da Bíblia e provavelmente alguns versículos bíblicos também - e era excelente aos olhos da minha professora - mas, em meu co­ração, eu nunca havia sido tocada por tudo aquilo. Em nosso oitavo aniversário, minha mãe nos deu uma Bíblia com nosso nome em letras de ouro e nos mostrou o Salmo 23. Eu tinha a Bíblia em alta conta, mas não a lia.

Minha chegada pessoal à idade da responsabilidade foi um fato bem claro para mim. Na segunda série, íamos ter um teste de ortografia e fíeld [campo] era uma das palavras para

- A MARAVILHOSA REDENÇÃO DE DEUS ­

decorar. Tentei o quanto pude, mas não conseguia me lem­brar se era ie ou ei. Então, escrevi a palavra corretamente em cima de minha carteira para uma referência rápida na hora do teste. Sabia que isso era errado, mas fiz mesmo assim.

Com o passar dos anos, o entendimento de minha per­dição crescia, embora eu não a pudesse ter descrito naquela época. Aos 13 anos de idade, fiz profissão de fé. Juntos, todos recitamos a aliança da profissão de fé, que diz o seguinte:

"Senhor Jesus, toma o meu coração,

Faça-o puro e completamente Teu.

Tu nasceste e morreste por mim,

De hoje em diante viverei para Ti".

As longas semanas de aulas preparatórias para a profis­são de fé aos sábados de manhã em nossa igreja liberal não haviam explicado coisas religiosas ao longo daquelas linhas. Eu percebia a discrepância, mas não me preocupava em questionar. Mesmo assim, naquela manhã da profissão de fé eu estava consciente de cada palavra que falei e esperava que isso fizesse diferença.

No verão, após a oitava série, fui a um acampamento da Igreja Metodista com uma amiga. Lá ouvi falar sobre mis­sões cristãs em terras distantes e fiquei conhecendo missio­nários de verdade. No final do acampamento, foi solicitado a cada pessoa que escrevesse uma carta sobre o que havia significado aquela semana de acampamento. A carta seria enviada de volta para cada um daí a alguns meses. Eu havia recebido uma compreensão sobre Deus naquela semana e havia decidido viver para Ele. Então, fui de volta para casa e a inspiração acabou. Quando minha carta chegou, poucos dias antes do Natal, eu a rasguei sem a ler de novo. Estava envergonhada por quaisquer emoções que haviam evocado aquele verão passado e sabia que nada tinha sobrado dele.

Na aula de Ciências, do primeiro ano do ensino médio, le­mos como vários eventos cósmicos, envolvendo bolas de fogo e tremendas forças gravitacionais, haviam resultado em nosso sistema solar e como a vida em nosso planeta havia se desen­

- NOSSO DEUS É MARAVILHOSO! ­

volvido. Nada foi falado a respeito de Deus. Quando uma aluna impetuosa fez um estardalhaço porque Deus havia sido deixado de fora, o professor tentou explicar de uma forma ou de outra, mas ele ficou todo sem graça e a menina era inflexível.

Até meu último ano de ensino médio, a escola foi um tempo de espiritualidade estéril para mim. Uma menina da minha sala era cristã e eu a admirava. Ela era diferente ­quieta e serena, uma aluna excelente, mas não competitiva

- que participava daquela igreja bem rígida. Embora eu te­nha perguntado a ela uma vez sobre sua religião, ela não era capaz de articular sua fé no ambiente do ensino médio. Em um tema da minha aula sobre Problemas Americanos, es­crevi sobre a necessidade de as pessoas terem fé em algum grande Poder, sobre a fragilidade do homem, sobre o ideal de alguém dedicar sua vida a Deus. Foi um grande avanço espiritual - longe de interesses próprios apenas ou nas aqui­sições que eu poderia obter ou nas honrarias que poderia ga­nhar. Na faculdade, comecei a ler a Bíblia que minha mãe me havia dado 10 anos antes, mas não a entendia. Comecei a namorar um rapaz que tinha algum tipo de fé cristã, mas sua religião parecia infantil para mim. Depois de alguns meses, reconheci que meus alvos na vida eram diferentes dos dele e cruelmente desmanchei o namoro.

No ano seguinte, fiz uma grande amizade com Joy no início do ano letivo. Ela participava de um grupo religioso chamado uma assembleia. Ela cuidou de mim e gastou tempo comigo. Queria minha amizade. Mais adiante, ela me convidou para um estudo que ela e outra moça estavam ten­do no alojamento. Fui por causa de nossa amizade. Naquele estudo, o Evangelho resplandeceu em mim como as boas novas. Estávamos lendo o comentário de Newell sobre Ro­manos: Some Words About Grace [Algumas Palavras Sobre a Graça].

"Agraça não é causada pelo recipiente. (...) Não havendo razão na criatura pela qual a Graça deva ser ofertada, a cria­tura deve entender que não precisa haver uma razão para

- A MARAVILHOSA REDENÇÃO DE DEUS ­

Deus nos dar a Sua graça. O homem foi aceito em Cristo. (...)

Ele não está em período probatório".

Por meio dessas palavras, percebi o que não havia per­cebido antes: que para meu fracasso existe o perdão e a pu­rificação; que é na nossa fraqueza que a força de Cristo pode ser encontrada; que Deus é uma ajuda presente no momento de dificuldade. Comecei a ler a Bíblia sinceramente pela pri­meira vez, surpresa agora por entender o que ela dizia.

Três semanas mais tarde, fui para casa para o Dia de Ação de Graças. Minha irmã mais nova, agora no último ano do ensino médio, havia entrado em um grupo de discussão sobre a Bíblia para adolescentes que funcionava em uma ou­tra igreja de nossa cidade e havia tido um encontro pessoal de fé em Cristo.

"Ouça", eu disse a minha outra irmã, então no primeiro ano da faculdade, "você tem que começar a ler a Bíblia tam­bém". Dentro de poucos meses o Evangelho a tocou e nós três encontramos uma nova união em nossa fé comum em Cristo.



Um cabo ou Jesus

Em 1991, Ian visitou um primo mais velho na Califórnia. Embora tivesse sido criado em um lar piedoso, ele não era um cristão comprometido.

Seu primo tinha certeza que Ian gostaria de visitar o Parque Nacional Yosemite e escalar o Half Dome, então ele perguntou a dois jovens crentes (a quem chamaremos de Eric e Dan) se eles gostariam de ir fazer a escalada com Ian. Os quatro reservaram uma cabine no vale e levaram um suprimento de alimentos.

No dia marcado, eles tomaram café da manhã bem cedinho e os três jovens saíram. A tarefa do primo era ler e estudar duran­te o dia e fazer o jantar para quando os três retornassem à noite.

A última parte da escalada era sobre um granito liso, cur­vado como a metade de uma bola. É impossível caminhar so­bre ele com as costas eretas. Um alpinista deve se movimentar segurando em dois cabos, um de cada lado, protegendo sua própria vida. É melhor não olhar para trás.

Os três amigos chegaram ao topo com facilidade, apro­veitaram seu almoço e se maravilharam da grandiosidade da vista por um tempo; depois começaram a descer. Mais uma vez era necessário segurar firmemente os cabos para assegu­rar a sobrevivência.

Eric foi o primeiro, Dan foi o segundo e depois foi Ian. Um homem completamente estranho para eles estava subin­do segurando nos cabos enquanto eles estavam descendo. Ele passou por Eric, depois passou por Dan, mas quando chegou a Ian, ele perguntou: "Você está confiando nesse cabo ou em Jesus?" Foi um choque inesperado. Ian disse que confiava que Jesus sustentasse o cabo.

Mais tarde, quando o primo ouviu contar sobre esse inci­dente, pensou consigo mesmo: "Acho que o Senhor está ca­çando você, Ian, e não acho que você conseguirá escapar".

Quando Ian voltou para casa, a vida parecia mais vazia do que antes. Ele sentia que em sua vida faltava direção e propó­sito. Havia uma convicção profunda de que ele precisava fazer algo para mudar seu estilo de vida. Entretanto, essa compulsão para mudar gradativamente se desvaneceu e ele voltou a seu modo antigo de vida. A carga de culpa foi se avolumando.

Em 1996, ele ficou desesperado o suficiente para come­çar a participar de uma igreja evangélica. Ali três coisas o impressionaram. As pessoas faziam-no sentir-se bem-vindo. O Espírito Santo estava obviamente presente. A pregação era a verdade da Bíblia.

Quando ele observava os cristãos participando do culto da Ceia do Senhor, ele tinha fortes sentimentos de culpa e pesar. A culpa era a convicção do pecado e o pesar era saber que a salvação era gratuita para quem quisesse, mas ele não estava disposto a aceitá-la.

Finalmente, no dia 16 de novembro de 1997, ele con­fessou seus muitos pecados ao Senhor, reconheceu sua inca­pacidade para se salvar a si mesmo, pediu perdão a Deus e

A MARAVILHOSA REDENÇÃO DE DEUS ­

solicitou Sua graça salvadora. Ian colocou sua confiança no Senhor e confessou publicamente que, naquele dia, Cristo se tornava seu Senhor e Salvador.

E a vida mudou? Sim, Ian não é mais reticente em falar sobre o Senhor. Ele tem uma nova fome pelo estudo da Pala­vra. Tem uma nova alegria em ver outros virem a Cristo e em sua vida já não há falta de direção nem de propósito.

Conclusão

As maravilhas de Deus na criação excedem nossos po­deres de tabulação ou de compreensão. O Universo que Ele criou por meio de Sua palavra é maior do que qualquer um de nós pode imaginar. Ele desafia as dimensões. Ficamos atóni­tos com a quantidade de estrelas, sua magnitude e precisão.

Tudo em nosso planeta é adequado para sustentar a vida. Uma Providência altamente acurada projetou sua distância do sol e da lua, sua atmosfera, um abundante suprimento de água. Seu eixo de rotação e centenas de outras condições que

o fazem habitável. Ele é finamente sintonizado.

A obra-prima de Deus é o corpo humano. A célula sozi­nha já é um mundo de maravilhas. Trilhões delas fazem seu trabalho de formar o cérebro, os órgãos vitais, a pele, os ossos, as juntas, os ligamentos, os músculos, o sangue e os outros componentes necessários. E nada é acidental. Tudo deve acon­tecer na sequência adequada. O corpo é ainda mais espetacular quando percebemos que o produto final é cerca de 65% água.

Pense em bibliotecas devotadas ao estudo dos animais, das aves, dos peixes, dos insetos e das bactérias. Francamen­te, nós ainda não tocamos nem a superfície na descoberta das maravilhas escondidas. E o mesmo é verdadeiro sobre a vege­tação do mundo, essencial entre outras coisas para proporcio­nar o alimento, o oxigénio e a beleza para ser admirada.

O Criador é o Deus da Providência. Ele supre os desejos de todos os seres vivos (SI 145.16). Ele aproveita as circunstâncias para realizar Sua vontade, e faz com que todas as coisas coope­

- NOSSO DEUS É MARAVILHOSO! ­

rem para o bem daqueles que O amam. Nosso Senhor responde a orações de acordo com Sua infinita sabedoria, amor e poder. Nós O vemos em coincidências projetadas, na magnífica convergên­cia de circunstâncias, e em eventos que jamais aconteceriam de acordo com as leis da probabilidade ou do acaso.

Nosso maravilhoso Deus também é o Redentor, salvando e transformando os rejeitados humanos e os fariseus cheios de justiça própria. É Ele que ama os que não são amáveis e que redime os improváveis. Em Sua maravilhosa graça, Ele enche o céu com aqueles que mereceriam o contrário. Apenas Jesus pode dar beleza a cinzas, óleo de alegria aos enlutados e vestes de louvor aos de espírito pesado (Is 61.3). NEle os cansados encontram descanso, os cegos vêem e os escravizados encontram liberdade.

Mas a maior de todas as maravilhas é esta: O Criador e Sustentador do Universo é o mesmo que morreu na cruz do Calvário. Em amor infinito, Ele tomou o lugar dos pecadores e morreu para pagar a penalidade dos condenados. Nada jamais poderá superar a magnitude disto: "Cristo, o poderoso Criador, morreu pelo pecado do homem, Sua criatura" (Isaac Watts).

NOTAS




1   2   3   4   5   6


©livred.info 2017
enviar mensagem

    Página principal