No prefácio que escrevi para o conjunto de conferências promovidas em comemoração do Sesquicentenário da Independência, agora



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Jornal A Tarde, sexta-feira, 30/06/1978

Assunto:


UM ÊMULO BAIANO DE ROSSEAU


No prefácio que escrevi para o conjunto de conferências promovidas em comemoração do Sesquicentenário da Independência, agora enfeixadas em volume pela Universidade Católica do Salvador, tive oportunidade de sublinhar a oportunidade da publicação de tais estudos. Estes, realmente, são uma contribuição à atualização do conhecimento da Bahia, tão carente, na verdade, de melhor entendimento por parte dos brasileiros de outras províncias e mesmo de melhor percepção dos baianos, tais as nossas peculiaridades culturais e as mudanças que começam a operar em nosso meio. Na mesma série, a Universidade, Católica havia lançado em 77 a obra “Cartas sobre a Educação de Cora, do Dr. José Lino Coutinho”, comentadas pela Prof. Dinorah d'Araujo Berbert de Castro. Essa é uma monografia a mais, das que tem escrito essa pesquisadora nos últimos anos em torno da formação do pensamento na Bahia. Sua tese de 1973 para o mestrado em Ciências Humanas, “Idéias filosóficas nas teses Inaugurais de Faculdade de Medicina da Bahia, 1838-1889”, é um precioso acervo, indispensável à história intelectual brasileira, desde quando empreende um minucioso levantamento das doutrinas e teorias que inspiraram os candidatos ao doutoramento em Medicina ou que estes defenderam durante o século passado na velha Faculdade do Terreiro.

A ordenação do material segundo correntes filosóficas e biológicas predominantes empresta ao conjunto uma atualidade condizente com o surto de interesse, no Brasil, pela história das idéias.

Na mesma ordem de temas inserem-se as notas e comentários com que acaba de trazer novamente a lume a obra que José Lino Coutinho publicou em 1849, junto com seu “Catecismo Moral, Político e Religioso” por intermédio da editora de Carlos Poggetti, da Bahia. Inspirado no estilo e no pensamento liberal de Jean Jacques Rousseau em “Candide”, o eminente baiano - médico, parlamentar, estadista proeminente, um dos fundadores do primeiro Instituto Histórico da Bahia - Lino Coutinho foi um defensor do galicanismo que informava o Padroado real no Brasil e um dos pregoeiros de idéias “progressistas” em religião, em história, em política.

A análise da Prof. Dinorah Berbert de Castro, em azada hora, concorre para recapitular o curso do pensamento nesse intelectual, buscando-lhe as origens e revelando as repercussões que suas idéias tiveram em nosso meio, notadamente da parte da Igreja.



Essas repercussões, por sinal, são um testemunho da vivacidade das reações que provocavam no século passado, um tempo de acesas polêmicas nos círculos pensantes que tinham um de seus centros mais destacados na Faculdade de Medicina. E que reverberavam nos púlpitos ilustres e na imprensa periódica da Arquidiocese, sempre atenta às correntes filosóficas e teológicas, aos movimentos eclesiásticos europeus, como o Concílio Vaticano I em 1870, e aos acontecimentos nacionais, características, essa, de tais jornais e dos púlpitos a merecer exames críticos idênticos.

É confortador verificar que estudos como os que registramos se desenvolvem em nossa Universidade Federal, designadamente no Departamento de Filosofia (Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas), sob a orientação do Prof. Francisco Pinheiro Lima, a quem somos devedores, entre outros trabalhos, uns publicados em revistas, outros inéditos devido aos acanhados programas editoriais de nossa terra, a monografia “Idéias filosóficas nas teses de verificação de titulo na Faculdade de Medicina da Bahia, Século XIX”, de idêntica valia para a história da Bahia. Esses estudos, apesar de permanecerem não publicados e muito menos divulgados, vão, felizmente, encontrado acolhida, tomados na merecida consideração por especialistas na Filosofia, na Medicina, na História política.



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