Networks – forma híbrida ou nova forma



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publicado na Revista portuguesa e brasileira de gestão, v.1 n 3, out./dez., 2002.

REDE – forma híbrida ou nova forma?
Mariana Baldi

Mestre em Administração e Doutoranda em Administração na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, UFRGS/EA/PPGA

Rua Jorge Pedro Abelin, n.º 225/ apto.201 Santa Maria -RS

Fernando Dias Lopes

Mestre em Administração e Doutorando em Administração na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, UFRGS/EA/PPGA

Rua Jorge Pedro Abelin, n.º 225/ apto.201 Santa Maria -RS

Resumo
Este artigo tem como questão central ampliar a compreensão sobre redes como estrutura social e econômica de governança. Para isso são comparadas duas posições teóricas sobre a natureza desses arranjos: redes como formas intermediárias entre mercado e hierarquia (Williamson, 1985) e redes como nova forma (Powell, 1987;1990). Os autores deste artigo apresentam uma perspectiva integrada ao conceberem ambas as abordagens como focando em dimensões distintas (unidade de análise – transações e relações sociais) e parciais (econômica e sociocultural) do fenômeno. O texto apresenta uma revisão teórica sobre novas formas, redes e seus mecanismos de coordenação, uma análise comparativa da abordagem econômica de Williamson e da abordagem social de Powell, além de sugerir um conjunto de proposições para investigação empírica.

Palavras-chave: redes, mecanismos de coordenação, novas formas e hierarquias.



Abstract
The central question of this article is to expand the comprehension of networks as a social and economic structure of governance. For reaching this objective are compared two theoretical approaches about the nature of theses arrangements: networks as intermediary form between market and hierarchy (Williamson, 1985) and networks as a new form of governance (Powell, 1987; 1990). It will be presented an integrated perspective where the two prior approaches are considered as focusing on different dimensions of the phenomena (the unit of analysis – transactions and social relations) and incomplete (economic or social cultural). The authors develop a theoretical review about new organizational forms, networks and coordination mechanisms; a comparative analysis of Williamson`s and Powell`s approaches. Finally, it is presented a set of propositions to futures empirical investigation.

Key words: networks, mechanisms of coordination, new forms and hierarchy.


Introdução

A literatura sobre novas formas organizacionais teve sua proliferação principalmente na década de 90 (Fenton e Pettigrew, 2000). Ainda que significativamente dispersa, esta literatura tem como ênfase os aspectos estruturais e processuais que diferenciam formas organizacionais atuais das formas ditas tradicionais. Entre os argumentos para salientar a presença de novas formas organizacionais está o de que a globalização e a busca por novos mercados intensificaram a competição e impuseram a necessidade de reformulação das estruturas organizacionais e dos processos de produção.

Novas formas organizacionais estão interrelacionadas com novos padrões de organização da produção, diferentes mecanismos de coordenação e controle, bem como sistemas de informação e produção e disseminação de conhecimento nas organizações. Nesse sentido, o novo estaria relacionado ao uso de novos elementos organizacionais e a recombinação de elementos tradicionalmente usados (por exemplo, formalização e divisão do trabalho). O novo nos estudos organizacionais não tem como significado, necessariamente, uma completa mudança em termos de substância (por exemplo, a racionalidade que informa os processos organizacionais) podendo referir-se às alterações na forma como se apresentam os conteúdos e os processos organizacionais.

Nas últimas décadas não somente as formas organizacionais sofreram alterações, mas também novas abordagens passaram a ilustrar elementos passados despercebidos por teorias dominantes. A década de 70 foi proeminente pelo debate sobre a influência dos aspectos institucionais na determinação de estruturas e processos organizacionais (Meyer e Rowan, 1977); da análise da forma organizacional como determinada ao nível populacional – escolha, seleção e retenção (Hannan e Freeman, 1977); análise de formas como conseqüência das interdependências de recursos (Pfeffer e Salancik, 1978) e como dirigida pela busca da redução dos custos de transação (Williamson, 1975). Nas décadas de 80 e 90, outras abordagens evidenciaram elementos culturais (Ouchi, 1980, Grandori, 1993) e relacionais (Powell, 1987, 1990; Granovetter, 1985; Gulati, 1998) na determinação das formas organizacionais, principalmente no caso de redes. Esses novos estudos mostraram a fluidez das estruturas organizacionais, ou o desaparecimento de fronteiras claramente delimitadas. Esses estudos passaram a evidenciar o papel de mecanismos de coordenação, desconsiderados nas pesquisas conduzidas pelos teóricos contingencialistas na década de 60/70 e pelos economistas defensores da abordagem dos custos de transação.

O foco deste artigo dar-se-á especificamente sobre redes, a qual será assumida como uma estrutura social e econômica de governança. Redes são formas organizacionais pautadas em diferentes aspectos relacionais – sociais e econômicos, os quais têm sido objeto de análise de diversos autores (Grandori, 1997; Grandori e Soda, 1995; Ebers, 1997; Jarillo, 1988; Powell, 1987, 1990; Powell et al, 1996; Porras, 2001, Pettigrew e Fenton, 2000).

Redes têm recebido crescente atenção na literatura organizacional, como uma decorrência, dentre outros motivos, de sua aplicação nas mais diversas esferas da sociedade. Redes têm sido empregadas como alternativa de expansão por empresas em setores competitivos (farmacêuticas, biotecnologia, automobilística), bem como por organizações não econômicas, tais como ONGs, universidades e centros de pesquisa.

Este artigo objetiva ampliar o debate sobre a natureza das redes em relação aos dois tipos dominantes de estruturas de governança - mercado e hierarquia. Partindo do debate em torno da questão se rede é uma nova forma (Powell, 1990; Borys e Jemison, 1989; Poldony e Page, 1998) ou uma forma intermediária entre mercado e hierarquia (Williamson, 1985; Jarillo, 1988; Contractor e Lorange, 1988; Gomes-Casseres, 1996), este artigo apresenta uma terceira posição. Ou seja, entende-se que rede envolve formas tão variadas que podem englobar tanto formas efetivamente novas – com elementos qualitativamente diferentes – quanto formas alternativas muito próximas de mercado (putting-out systems) ou de hierarquia (joint ventures). Assim, entende-se que nem Williamson (1985) nem Powell (1990) estavam equivocados, mas simplesmente desenvolveram visões parciais sobre redes.

Enquanto Williamson (1985) assumiu redes apenas como uma forma intermediária entre as duas estruturas principais de governança (mercado e hierarquia), Powell (1990) colocou uma ênfase exagerada nas relações sociais em detrimento das dimensões de preço e autoridade hierárquica, como mecanismos de coordenação nos diferentes tipos de redes.

Este artigo está estruturado como segue. Inicia com uma revisão teórica sobre o que são novas formas e quais são as principais formas organizacionais referenciadas na literatura em voga. O segundo tópico abordará os diferentes conceitos e mecanismos de coordenação empregados em redes. O terceiro tópico foca o argumento de Powell (1987, 1990) sobre redes como nova forma ou forma intermediária entre mercado e hierarquia. Finalmente, o quarto tópico apresenta a posição dos autores do artigo, além de um conjunto de hipóteses para serem investigadas empiricamente.

O artigo tem um caráter eminentemente teórico e objetiva elucidar aspectos obscuros sobre redes. Objetiva também gerar elementos para investigação empírica sobre a natureza das redes, utilizando-se para isso de uma combinação de diferentes abordagens teóricas.



Aspectos Teóricos sobre Novas Formas Organizacionais


Parker (1992) aponta que a transformação da sociedade atual levou ao surgimento de novas formas de atores sociais que têm pouca relação com o sistema industrial do século passado. Tais formas são estruturas fragmentadas em pequenas unidades de produção e gestão integradas por tecnologias de informação, com elevada autonomia dos membros da organização, no que concerne à atividade produtiva.

Galbraith e Lawler III (1995a) afirmam que as mudanças na década de 90, enfatizando aspectos tais como os hábitos das pessoas e o perfil da força de trabalho, impuseram mudanças na estruturas organizacionais e nos modelos de gestão. Essas mudanças, segundo os autores, atualizaram as organizações para às necessidades dos trabalhadores por mais autonomia, flexibilidade temporal e maiores desafios nas atividades a serem desenvolvidas.

A visão dos autores deixa saliente a idéia de que os arranjos organizacionais são contingentes às circunstâncias do momento. As forças da competição (custo, qualidade, velocidade de resposta às demandas, poder de compra, tecnologia, dentre outras) estabelecem as iniciativas estratégicas organizacionais. Esses argumentos, em certo sentido, vão ao encontro da teoria da dependência de recurso e da teoria da contingência. A força dos mercados, levando a um domínio da complexidade e variabilidade dos contextos organizacionais, faz com que a hierarquia, até então encarada como forma natural, perca força.

Galbraith e Lawler III (1995b) salientam ainda que, organizações eficientes no futuro devem apresentar as seguintes características: descentralização, organização distribuída, tamanho da organização, estruturas não-hierárquicas ou menos hierárquicas, fluidez e configuração transitória.



  • Descentralização: novas configurações – organizações em rede, por equipes, organizações horizontalizadas ou achatadas – pressupõem processos de tomada de decisão mais próximos do cliente.

  • Organização distribuída: a descentralização das atividades anteriormente exercidas pela matriz passam a ser executadas por uma divisão ou unidade de negócios, velocidade e redução de custos.

  • Tamanho: o desafio da organização passa a ser que, de acordo com as contingências do momento, ela necessita ser grande e pequena ao mesmo tempo.

  • Estruturas não-hierárquicas ou menos hierárquicas: defende-se a idéia de que as organizações devem reduzir o número de níveis hierárquicos.

Quinn, Anderson e Finkelstein (2001) apontam a existência de um certo deterioramento de bases tradicionais de competitividade, tais como custos e qualidade, muito dinheiro, know-how e tempo. Num ambiente hipercompetitivo, a única vantagem duradoura é a habilidade de gerar novas vantagens, ou seja, o desenvolvimento e a disseminação do intelecto. Também dentro de uma perspectiva contingencialista, os autores consideram que as novas formas de organização são uma resposta ao ambiente, isto é, à globalização da economia, às mudanças tecnológicas e à desregulamentação, dentre outras.

Anterior ao trabalho de Quinn, Anderson e Finkelstein (2001) esta o trabalho de Grandori (1993), a qual buscou sistematizar um conjunto de novas formas organizacionais. Construindo o conceito de novas formas numa perspectiva mais analítica que os autores anteriores, Grandori tomou como referência os mecanismos de coordenação e controle empregados em tipos específicos de modelos organizacionais. A autora criticou o trabalho de Mintzberg, afirmando que os formatos organizacionais não podem ser concebidos apenas como um arranjo interno, mas também externo. As formas tidas como novas pela autora são aquelas que fazem uso de mecanismos de coordenação que não são típicos de burocracias mas associados aos aspectos de mercado, cultura e tecnologia. Estes novos formatos aceitam a descentralização de direitos de decisão e de propriedade. Dentre as formas analisadas pela autora estão as M-fomas, N-formas, P-formas, FS-formas e J-formas.



  • M-formas: conhecidas como formas multidivisionais, estas têm como aspecto inovador a utilização de mecanismos de mercado para coordenar e controlar a ação interna da organização.

  • N-formas: são usualmente definidas como organizações redes. A coordenação inter-firmas dá-se, crescentemente, através de mecanismos como direitos de propriedade. Outro mecanismo de coordenação utilizado pelas redes é a incidência de informação tecnológica.

  • P-formas: neste tipo de arranjo estão as parcerias e a participação institucional. A democracia é evidenciada pela autora como principal mecanismo de coordenação.

  • FS-formas: são caracterizadas por serem gerenciadas para possuir um alto grau de especialização e, conjuntamente, alto grau de flexibilidade.

  • J-formas: finalmente, estes arranjos referem-se àqueles que utilizam mecanismos normativos de coordenação e controle. As formas japonesas de organização podem ser concebidas como exemplos típicos.

Os arranjos descritos por Grandori (1993) são bastante reconhecidos na literatura e na década de 70/80 já eram apresentados como novos. A autora merece destaque por apresentá-los sob um novo prisma – os diferentes mecanismos de coordenação empregados interna e externamente. Nesse sentido, faz-se pertinente lembrar o trabalho de Ouchi (1980) o qual apresenta os aspectos normativos como inovadores em relação aos arranjos hierárquicos tradicionais e o mercado. Ouchi (1980) evidencia nas práticas japonesas de gestão, mecanismos relacionais de coordenação que alcançam efetividade superior àqueles empregados em burocracias e trocas de mercado. Também merece destaque os trabalhos de Thoreli (1988), Powell (1987, 1990) e Gulati (1998) sobre redes, os quais, ainda que possuindo posições teóricas diferenciadas, mostram como esses arranjos diferenciam-se dos arranjos tradicionais em função dos mecanismos de coordenação e controle empregados, pela desmaterialização das fronteiras organizacionais e pela lógica de ação empregada (cooperação ao invés de competição, ainda que esta última não desapareça).

Fenton e Pettigrew (2000), objetivando compreender novas formas organizacionais, desenvolveram um programa de pesquisa denominado Innovative Forms of Organization (INNFORM). Diferentemente dos trabalhos citados anteriormente, a preocupação dos autores foi de sistematizar as várias abordagens empregadas sobre novas formas para tornar mais claro o conceito, bem como verificar sua associação com desempenho. Os artigos que compõem o livro “The inovating organization”, organizado pelos dois autores, têm como foco diferentes estudos de caso sobre diferentes formas organizacionais concebidas como novas na literatura vigente.



Os autores estabeleceram uma relação entre novas formas e inovação. Assumindo uma concepção Schumpeteriana, eles conceberam inovação como mudança radical, podendo estar associada à novas combinações radicais de elementos. Mais uma vez, percebe-se que o novo não necessariamente refere-se à alteração na lógica de ação adotada pela organização, mas pode referir-se aos aspectos estruturais e processuais de mesma natureza. Inovação para os autores pode assumir quatro diferentes instâncias:

  • Inovação pode referir-se a uma genuína disseminação de uma inovação organizacional. Os autores citam o desenvolvimento das formas Multidivisionais na década de 30 ou a possibilidade da sua equivalência na década de 90.

  • Inovação pode ser uma nova combinação de processos e/ou estruturas organizacionais que não foram previamente associadas.

  • Inovação pode referir-se à alguma nova combinação de processos e/ou estruturas organizacionais que já tenham sido previamente associados.

  • Finalmente, inovação pode referir-se à alguma iniciativa organizacional a qual é nova especificamente para um setor mas que, no entanto, já tenha sido empregada em outros setores.

Esses critérios apresentados pelos autores trazem para o debate o papel da percepção dos atores organizacionais – entendido aqui como os dirigentes – na definição daquilo que é novo ou não. Nesse sentido, torna-se relevante observar que o novo pode estar associado ao contexto social e cultural em que se desenvolve determinada forma organizacional. Assim, por exemplo, formas organizacionais pautadas na convergência de valores entre os diferentes grupos dentro da organização, como mecanismo de coordenação e controle, não eram novas no oriente, mas radicalmente novas no ocidente. Nessa mesma linha, estruturas matriciais ou por projetos, empregadas em setores da administração pública representaram significativas inovações para o setor, ainda que bastante utilizada em setores competitivos da economia.
Figura 1: Perspectivas teóricas sobre desenho organizacional 1950-2000

Fonte: Pettigrew e Fenton (2000, p. 2)
A figura 1 reúne o conjunto de abordagens teóricas, que caracterizam o campo de estudo do desenho organizacional entre o início dos anos 50 e início de 2000. Segundo os autores, as diversas perspectivas, ainda que pautadas em diferentes pressupostos, concordam que a forma, os processos e os papéis organizacionais no século XXI, têm mudado profundamente e parecem manter-se em transformação.

O programa INNFORM, desenvolvido por Fenton e Pettigrew (2000), tem como ponto central a natureza das novas formas organizacionais. Esse programa identificou três temas que permeiam os estudos sobre desenhos organizacionais.



  • A firma globalizada e a mudança de suas fronteiras: os autores comentam que a globalização tem produzido rápidas mudanças tecnológicas e tem intensificado a competição. Com isso a ênfase dos objetivos organizacionais tem mudado de economizar para adicionar valor. Em conseqüência, a verticalização passa a ceder espaço para novas formas de organizar. Entre essas formas pode-se destacar as redes (Alter e Hage, 1993; Gulati, 1998; Powell, 1987, 1990; Powell, Koput e Smith-Doerr, 1996) e as alianças estratégicas (Contractor e Lorange, 1988; Rodrigues, 1999; Gomes-Casseres, 1996; Child e Faulkner, 1998).

  • A firma do conhecimento em uma economia do conhecimento: a abordagem teórica knowledge-based view é central neste aspecto. Para seus representantes, novas formas organizacionais precisam ser desenvolvidas caso organizações pretendam elevar seu capital intelectual. Ainda sobre este aspecto, são feitas referências sobre o gerenciamento de ativos intangíveis, sua aquisição e integração, dentro e entre firmas. Assim, novas perspectivas sobre desenho organizacional estão baseadas em novos princípios tais como, multiplicação e combinação, integração e interdependência.

  • Redes e a organização socialmente embebida (socially embedded firm): Fenton e

Pettigrew(2000) explicam que as redes intra e inter organizacionais representam uma

perspectiva alternativa àquela defendida pela abordagem dos custos de transação, a qual

tem a hierarquia como forma superior para economizar nas transações. O tema das relações organizacionais tem sido dominante na literatura sobre redes interorganizacionais como um mecanismo-chave de coesão e controle. Nesta perspectiva, a interdependência com outras instituições políticas e sociais é entendida como vital para sobrevivência organizacional. Percebe-se nessa afirmação a proximidade da abordagem de redes com a abordagem institucionalista (Powell e DiMaggio, 1991) e com a perspectiva de embededdness (Granoveter, 1985; Uzzi, 1996,1997).
Os temas apontados pelos autores acima englobam a essência do debate sobre novas formas. Os autores afirmam ainda que a literatura sobre novas formas tem envolvido, fundamentalmente, aspectos de estrutura e processo. Para esses autores, e também de acordo com este artigo, as evidência parecem ser de que a organização hierárquica formal está ainda presente como uma referência institucional, ainda que nem sempre crucial para determinar atividades e competências organizacionais. Atualmente, a menor ênfase à organização formal pode ser explicada pela forte ênfase recebida pelos aspectos relacionais das organizações ou pelos mecanismos não estruturais de coordenação em evidência, os quais permitem maior flexibilidade para atender as demandas da modernidade.



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