Índices climáticos e infestaçÃo predial por larvas de aedes aegypti



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ÍNDICES CLIMÁTICOS E INFESTAÇÃO PREDIAL POR LARVAS DE Aedes aegypti (LINNAEUS, 1762) E Aedes albopictus (SKUSE, 1894) EM ARAÇATUBA- SP BRASIL

CLIMATE INDICES AND INFESTATION BY LARVAE OF Aedes aegypti (Linnaeus, 1762) AND Aedes albopictus (Skuse, 1894) IN ARAÇATUBA CITY - BRAZIL

Prof.Dr. Luiz Gustavo Ferraz Lima – gustalima@hotmail.com

Elba Camila Peccin Silva - elka-pec@hotmail.com  

Tamiris Eugênio Rodrigues - tamy_rodrigues2@hotmail.com   

Profa. Dra. Silvia Helena Venturoli Perri - silvia@fmva.unesp.br

Ms. Lilian Aparecida Colebrusco Rodas - colerodas@gmail.com

Neusa Madalena Bertani de Freitas - neusamada@yahoo.com.br

RESUMO

Aedes é sinantrópico; está associado às condições climáticas e do ambiente urbano. O presente estudo realizou uma avaliação retrospectiva dos índices climáticos e dos índices de infestação predial (IP), de larvas dos vetores A. aeypti e A. albopictus, referentes ao mês de outubro de 2005 a 2009, no município de Araçatuba-SP. Os resultados não demonstraram variação significativa da temperatura, comparada à média dos cinco anos (26,3°C). As chuvas foram maiores em 2005 (133,5mm), diminuiu em 2006, 2007 e 2008 (55,0 mm, 78,5 mm, e 79,0 mm) e aumentou em 2009 (104,0mm). A Infestação Predial foi 1,10; 1,39; 0,36; 0,28 e 3,30 respectivamente em 2005, 2006, 2007, 2008 e 2009, nenhuma delas causada por A. albopictus. Não foi observada associação entre IP e temperatura, contudo houve diferença significativa (P<0,001) entre o IP de 2009 com os IP de 2007 e 2008. Por meio desse estudo pode-se concluir que durante no mês de outubro dos cinco anos, a chuva foi o único fator climático que influenciou na variação dos índices de infestação predial, cometida unicamente por A. aegypti. Contudo, provavelmente outros fatores ambientais estão associados aos resultados observados.

Palavras-chave: Aedes aegypti, A. albopictus, Dengue, Condições climáticas.



ABSTRACT

Aedes is synanthropic; associated with climatic conditions and urban environment. This study performed a retrospective evaluation of the climatic indices and the A. aeypti and A. albopictus infestation larvae rates (IP), registered from the month of October, 2005 to 2009, in the Araçatuba city, São Paulo State. There was no variation in the average temperature in the period (26.3°C). The rain falls were high in 2005 (133.5 mm3) fell in 2006, 2007 and 2008 (55.0 mm3, 78.5 mm3 and 79.0 mm3, respectively) and increased in 2009 (104.0 mm3). The infestation IP was 1.10, 1.39, 0.36, 0.28 and 3.30, respectively in 2005, 2006, 2007, 2008 and 2009, none of them were A. albopictus larvae. There was no association between IP and temperature, but there was significant difference (P <0.001) between the IP of 2009, with the IP of 2007 and 2008. This study it was concluded that among the environmental factors just rain influenced the rate of larvae, "infestation", committed only by A. aegypti.

Keywords: Aedes aegypti, A. albopictus, Dengue, Climate conditions.



INTRODUÇÃO
O ciclo biológico do Aedes aegypti (LINNAEUS, 1762), vetor da Dengue, inicia-se com a postura dos ovos na superfície da água, seguido da incubação, entre dois a três dias, terminando com a eclosão do mosquito. Contudo, os ovos podem se manter viáveis por seis a oito meses. A duração da fase larval, em condições favoráveis de temperatura (25ºC a 29ºC) é entre cinco a dez dias, podendo se prolongar por algumas semanas em ambiente desfavorável. Durante a fase de pupa, ela não se alimenta, apenas respira, em média dois dias. Na fase adulta, macho e fêmea alimenta-se de néctar e sucos vegetais, depois do acasalamento a fêmea necessita de sangue para a maturação dos ovos (FORATTINI, 2002).

Os fatores climáticos, quando favoráveis estão diretamente relacionados com a produção, dispersão e o aumento da ocorrência do mosquito.

A água de boa qualidade é indispensável para o desenvolvimento do ciclo biológico desse díptero, porém já se constatou que mesmo em condições desfavoráveis a fase larval se completa, como por exemplo, em águas com elevado grau de poluição (BESERRA et al., 2009). Nos países tropicais e subtropicais, onde as chuvas são frequentes e volumosas é possível relacionar com maior evidência, a relação do aumento da população do número de vetores com o aumento do volume de chuva (LINDOSO e LINDOSO, 2009; MIYASAKI, et al., 2009).

Da mesma forma, a temperatura ambiental é um importante fator na transmissão da dengue, principalmente quando for superior a 25ºC, e raramente observada em temperaturas abaixo de 16ºC. Contudo a melhor temperatura para a proliferação é entre 30ºC a 32ºC.



A. aegypti é um dos principais problemas em saúde pública, por ser o transmissor da dengue e da febre amarela. Devido ao seu comportamento sinantrópico possui alto grau de associação e dependência ao ambiente urbano e do domicílio humano, (NATAL, 2003). A urbanização sem planejamento é do mesmo modo um importante fator de influência na ocorrência do A. aegypti nas cidades, principalmente nos países onde o serviço de saneamento básico é deficitário (GOMES, 1998), associado ao armazenamento indevido de água em recipientes artificiais, que servem como criadouros para o vetor (TAUIL, 2002). Muitas vezes esse panorama é agravado pelo acúmulo de lixo jogado pela população (SILVA et al. 2003).

Atualmente, epidemias da dengue atingem frequentemente centenas de países, em vários continentes, colocando 20 milhões de pessoas em risco de contraírem a doença, causando grande impacto de morbimortalidade na população mundial (GUBLER, 2002; TAUIL, 2002)

A pobreza está diretamente relacionada com a ocorrência de doenças tropicais negligenciadas (DTNs). Os principais países com os menores índices de desenvolvimento humano (IDH) e o número elevado de DTNs concentram-se nas regiões tropicais e subtropicais do globo terrestre. No Brasil, entre as principais doenças tropicais negligenciadas, nove delas são registradas no país. A ausência de desenvolvimento de vacinas e de novos medicamentos eficientes na cura, programas específicos no controle de vetores (LINDOSO e LINDOSO, 2009), bem como os ambientes poluídos com recipientes que acumulam água (GUBLER, 2002) favorecem o surgimento e a distribuição dessas doenças no país.

Apesar das conhecidas limitações do índice de infestação predial, para estimar a infestação vetorial e predizer a ocorrência de epidemias da dengue, acredita-se que índices elevados do vetor estão associados ao maior risco de transmissão da doença (CORRÊA; FRANÇA; BOGUTCHI, 2005), entretanto, não foi observado um padrão de distribuição único, ao longo do ano (MIYASAKI, et al., 2009).

Considerando que o aumento do índice populacional do Aedes pode estabelecer o surgimento de casos de dengue (SLIVEIRA, 1998; REBÊLO et al., 1999), podendo variar conforme o clima de cada região, torna-se imprescindível o conhecimento desses valores nos municípios.

O presente estudo foi delineado com o propósito de realizar uma avaliação retrospectiva, dos índices de infestação predial (IP) de larvas dos mosquitos A. aegypti e A. albopictus, entre 2005 a 2009, bem como verificar a influência dos índices pluviométricos e da temperatura, no município de Araçatuba, SP.


DESENVOLVIMENTO

  1. Localização da área de estudo e período

O trabalho foi desenvolvido no município de Araçatuba, localizado a 528 km da capital paulista, São Paulo, Brasil, a 50º26', longitude Oeste e 21º12', latitude Sul, e 398 metros de altitude.

Foram considerados os dados obtidos referentes a outubro de 2005, 2006, 2007, 2008 e 2009, por ter sido o único mês com os valores de infestação predial, registrado nesses anos.



  1. Dados meteorológicos

Os dados meteorológicos de temperatura e de precipitação pluviométrica mensal foram obtidos na Coordenadoria de Assistência Técnica Integral – CATI.

  1. Infestação Predial (IP)

A coleta dos dados relativos à infestação Predial, por larvas de Aedes aegypti e Aedes albopictus foram conseguidos na Superintendência de Controle de Endemias de Araçatuba-SP (SUCEN).

Para análise da infestação vetorial no município, foram utilizados os resultados dos levantamentos do índice de infestação predial (IP) de larvas, de oito áreas sorteadas, do perímetro urbano do município de Araçatuba. Esses dados foram obtidos do Serviço de controle de vetores da SUCEN.



  1. Análise estatística

A análise estatística constituiu da análise descritiva da média diária e da média mensal da temperatura. O valor dos índices pluviométricos foi obtido da soma dos valores acumulativos do mês de outubro, para cada ano. Foram calculadas as médias, desvio padrão, mediana, mínimo e máximo dos índices de infestação predial. Para avaliar a diferença do IP entre os anos, foram usados os testes de comparação de Friedman e o teste de comparação múltipla de Dunn’s. A análise estatística foi realizada pelo programa SAS, versão 9.2 e o nível de significância adotado de 5%.

  1. Resultados

Dados climáticos: A temperatura apresentou pequena variação, os valores demonstraram média mínima de 25,0ºC em 2009, média máxima de 27,7ºC em 2007 e média de 26,3ºC para os cinco anos (Figura 1). Os índices pluviométricos demonstraram maior variação, as chuvas foram maiores em 2005 (133,5 mm3), diminuiu em 2006, 2007 e 2008 (55,0 mm3, 78,5 mm3, e 79,0 mm3) e aumentou em 2009 (104,0 mm3) (Tabela 1) (Figura 2).

TABELA 1: Temperatura Média e Índice Pluviométrico em Outubro, do período de 2005 a 2009, em Araçatuba, SP.




Ano

Temperatura ºC

Chuva ᵐᵐ3

2005

26,7

133,5

2006

26,1

55,0

2007

27,7

78,5

2008

26,2

79,0

2009

25,0

104,0

Media

26,3

90,0

Fonte: elaborada pelos autores

Figura 1. Temperatura Média em Outubro, do período de 2005 a 2009, em Araçatuba, SP.


Figura 2. Índice Pluviométrico em Outubro, do período de 2005 a 2009, em Araçatuba, SP.



Número de imóveis Pesquisados: Foi pesquisado entre 2005 a 2009, o total de 20.230 imóveis, para a verificação de larvas do mosquito, sendo 4.078 em 2005, 5.289 em 2006, 3.632 em 2007, 3.412 em 2008 e 3.819 em 2009 (Figura 3).

Figura 3. Número de Imóveis pesquisados em Outubro, do período de 2005 a 2009, para pesquisa dos índices de infestação Predial (IP), em Araçatuba, SP.





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