Navio Balizador “santos porto”



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Navio Balizador “SANTOS PORTO”
Breve histórico do navio:
Navio de casco de madeira, construído no AMRJ, esteve muito tempo fundeado nas proximidades do CAMR e em agosto de 1951 começou a ser guarnecido e preparado para levar material para construção de novas casas

para faroleiros em Abrolhos.

Sua guarnição foi constituída de:

1 1o SG MR – Mestre

1 2o SG EF

1 2o SG MO

1 3o SG MA

1 CB SI


1 CB TL

1 CB EL


1 CB MR

1 MN SI


3 MN SC

3 MN SM


1 TA CO

O navio estava equipado com motor propulsor diesel marca “ENTERPRISE”,

1 gerador de energia elétrica, 1 compressor de ar, 1 bomba elétrica de esgoto e 1 bomba elétrica de incêndio e bomba manual portátil para esgoto.

Possuía um tanque de água potável e um tanque de óleo diesel.

Dispunha de um pau de carga na proa, com guincho acionado por motor diesel “Bolinder” tipo cabeça quente e um porão na proa, entre o castelo e a superestrutura.

Não possuía máquina de leme e a transmissão da roda do leme era mecânica, por meio de correntes e vergalhão, o que exigia um grande esforço dos timoneiros.

O alojamento de cabos e marinheiros ficava na proa e dispunha de beliches com pequenos armários.

Na superestrutura, no nível do convés principal a bombordo ficavam os camarotes do Mestre e do Enfermeiro e a cozinha. À boreste, ficavam os camarotes dos Sargentos de Máquinas e a entrada para a praça de máquinas. Na popa, o banheiro das praças e sanitário.

No convés superior, o passadiço, o camarote do Comandante e a estação rádio.

O navio não dispunha de frigorífico nem geladeira.

Esta descrição pode ter alguma pequena falha, pois foi feita a partir da lembrança dos fatos, 55 anos depois, sem ao menos uma foto do navio.

A viagem:


Finalmente em janeiro de 1952, o navio estava pronto para a viagem, abastecido de água, óleo e mantimentos. No porão foram colocados, vergalhões, cimento, carrinhos e baldes para obra, uma betoneira, duas bóias e no convés, um flutuante que serviria para transportar o material do navio para a ilha, uma vez que em Abrolhos não havia local para atracar.

No dia 31 de janeiro de 1952 o navio partiu do cais do CAMR com destino a Caravelas com escala em Vitória, sob o comando do então Primeiro Tenente

Maurício Lúcio Tarrisse da Fontoura e do Primeiro Tenente José Ribamar dos Reis Castelo Branco.

A viagem transcorreu normal e na estadia em Vitória o Comandante foi autorizado a comprar uma geladeira a querosene para o navio. Lamentavelmente a geladeira não funcionou com o navio balançando e por isso foi deixada em Abrolhos.

De Caravelas para Abrolhos, o Comandante teve a assessoria de um Prático da Agência da Capitania, que esteve também nas demais viagens feitas nos três meses que o navio esteve por lá.

Em Abrolhos, a primeira operação foi colocar bóias e passar um cabo de vai e vem para guiar o flutuante do navio até perto da praia, para o desembarque do material. A partir daí, foi um trabalho árduo para levar todo o material para terra.

Ao regressarmos a Caravelas, o Tenente Castelo Branco assumiu o Comando do navio e o Tenente Tarrisse regressou ao Rio.

Depois o navio ficou fazendo viagens periódicas de Caravelas a Abrolhos, transportando areia e terra para a construção das casas.

Nesta fase, a operação era bastante rudimentar e envolvia todo o pessoal do navio, inclusive o Comandante. O carregamento era mais simples, mas a descarga consistia em um grupo no porão jogando a areia no convés utilizando pás e do convés, outro grupo jogava a areia para o flutuante que depois era puxado até próximo da praia. Dali, os baldes eram cheios e transportados para a praia passando de um para outro, com água até a altura do peito para que o flutuante não encalhasse, para não atrasar a descarga.

Observou-se que a cada dia aumentava a quantidade de água a ser bombeada do porão da praça de máquinas. O fato foi comunicado ao CAMR/DHN que enviou um oficial para realizar uma perícia e, com o navio parcialmente encalhado verificou-se que a chapa de metal que forrava o casco estava bastante danificada pela ação do flutuante e a madeira do casco deteriorada. Ficou decidido que após a descarga da areia que estava a bordo o navio regressaria ao Rio com escala em Vitória, comboiado.

O NF “Felipe Camarão” chegou a Abrolhos com a missão de acompanhar o Santos Porto até o Rio e aguardava o término da descarga da areia, porém

devido ao mau tempo que se anunciava, o Comandante do NF resolveu iniciar imediatamente a viagem de regresso, mesmo sem ter concluído a descarga,

A viagem transcorria normalmente, com o Felipe Camarão à frente e o Santos Porto acompanhando, sempre com a bomba elétrica de esgoto funcionando e no convés, ao lado da entrada da Praça de Máquinas havia uma bomba manual de prontidão.

Cerca de 23h00min horas a bomba de esgoto elétrica começou a falhar em conseqüência de entupimento pela areia que se misturou com a água e rapidamente o nível do porão subiu e atingiu o volante do motor criando uma cortina de água que atingiu o gerador de energia elétrica provocando curto circuito que apagou todo o navio.

A esta altura todo o pessoal já estava guarnecendo baldes e em duas horas o nível da água baixou e a bomba manual entrou em ação com toalhas de feltro envolvendo o ralo.

Tão logo as luzes se apagaram o pessoal do NF começou a sinalizar para saber o que se passava. O sinaleiro, utilizando uma lanterna de antepara trocou mensagens informando nossa situação.

Enquanto isso, o eletricista restabeleceu as condições do gerador e ficou decidido que arribaríamos em Barra de São João, para melhor avaliação.

Ao amanhecer, fundeamos e foi feito o reparo na bomba elétrica que passou a funcionar com uma toalha de feltro no ralo, que seria trocada periodicamente e assim seguimos viagem até Vitória e posteriormente Rio, aonde chegamos em 29 de abril de 1952, e após breve período no cais da DHN o navio seguiu para o CAMR onde subiu à carreira. Lá se verificou que a madeira do casco abaixo da linha de água estava toda podre.

Consta que o navio foi desmontado e o motor principal, que era muito bom, foi instalado no Rebocador Mearim.

Todo o pessoal foi distribuído por navios da DHN, eu e o Tenente Castelo Branco embarcamos no NHi “Rio Branco”, que em 29 de maio de 1952, sob o comando do então Capitão-de-Corveta Maximiano Eduardo da Fonseca, suspendeu para Macapá para realizar o levantamento do Braço Norte do Rio Amazonas. Lamentavelmente nessa viagem, o Ten. Castelo Branco faleceu em acidente de serviço.



Eis a história da curta existência deste Santos Porto, que não é o mesmo descrito na página: http://www.naviosdeguerrabrasileiros.hpg.ig.com.br/S/S015/S015.htm
Narrativa de Salom Benguigui, que como MN SM, embarcou no navio em 11/08/1951 e desembarcou em 12/05/1952, tendo exercido as funções de serviços gerais de máquinas e encarregado do guincho.



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