Nasci em Pernambuco, mas perdi meu pai muito cedo e vim para o Rio morar



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Encontro12.09.2017
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O SR. INOCÊNCIO OLIVEIRA (PR/PE pronuncia o seguinte discurso) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados: Dando continuidade ao trabalho de divulgação dos melhores artistas pernambucanos, hoje farei algumas considerações sobre o grande compositor, poeta, músico, jornalista e radialista Fernando Lobo. O Rio de Janeiro exercia um misto de fascínio e de esperança sobre os artistas que estavam em início de carreira. A procura pela capital da república era uma constante nos idos de 30 e 40. Uns iam à busca de aventuras. Outros, forçados pela sobrevivência, perderam-se no caminho. Os talentos, por outro lado, conseguiram enviar seu recado e se tornaram – se não ricos -, mas famosos e ganharam notoriedade.

Vários pernambucanos fizeram nome na cidade maravilhosa. Nestor de Holanda, Luiz Gonzaga, Luiz Bandeira, Mario Filho (emprestou seu nome ao Maracanã e era irmão de Nelson Rodrigues), Nelson Rodrigues, Antonio Maria, Lupércio Miranda, João Pernambuco e tantos outros.

Fernando de Castro Lobo ou, simplesmente, Fernando Lobo, deixou também suas pegadas no Rio. Nasceu no Recife em 26 de julho de 1915. Passou uma fase de sua vida em Campina Grande, para onde a família se mudou. Ali, iniciou-se na música pelas mãos do professor Capiba, pai do famoso compositor de frevo do mesmo nome. Tal qual Nestor de Holanda, herdara da mãe, que tocava bandolim, o gosto pela música.

Retornou ao Recife e ingressou na faculdade de direito, sem, no entanto, distanciar-se da música. Pelo contrário, aproximou-se mais ainda, tendo, neste período, assistido a aulas de violino, atuado como crooner e violonista da Orquestra Jazz Band Acadêmica de Pernambuco.

Em 1938, conclui o curso de direito e no ano seguinte começa a trabalhar na imprensa pernambucana, mas, neste mesmo ano, transfere-se de vez para a capital do Brasil com o objetivo de dar continuidade à carreira jornalística. No Rio, trabalhou na redação das revistas, “Carioca”, “O Cruzeiro” e “A Cigarra”. Além de ser diretor da Rádio Tamoio, foi produtor e apresentador de programas da MPB na TV E, bem como entrevistador do projeto “O som do meio dia”, no Teatro Cândido Mendes, no centro histórico daquela capital.

Em 1942, foi redator da Tupi. Nesse mesmo ano casou-se e no ano seguinte nasceu seu filho Edu Lobo, que em 1967 venceu o III Festival da Música Popular Brasileira com a composição “Ponteio”.

Em 1943, foi para os Estados Unidos. Lá, trabalhou na CBS e NBC. Voltou ao Brasil em 1947 e em 1951 tornou-se redator da Rádio Nacional, onde foi companheiro de trabalho de Haroldo Barbosa e Evaldo Rui, parceiros em várias composições.

Como compositor, Fernando Lobo nos legou inúmeras páginas musicais que são verdadeiros hinos da MPB.

Assim como “Chão de Estrelas” bastaria a Orestes Barbosa e “As rosas não falam” sobraria a Cartola, o clássico “Chuvas de Verão” somente, imortalizaria Fernando Lobo:
Podemos ser amigos simplesmente

Coisas do amor nunca mais

Amores do passado no presente

Repetem velhos temas tão banais

Ressentimentos passam como o vento

São coisas de momento

São chuvas de verão

Trazer uma aflição dentro do peito

É dar vida a um defeito

Que se extingue com a razão


Estranha no meu peito

Estranha na minh’alma

Agora eu tenho calma

Não te desejo mais

Podemos ser amigos simplesmente

Amigos simplesmente, nada mais.


A gravação original de “Chuvas de Verão” é de 1949, pelo “Rei da Voz”, Francisco Alves e, posteriormente, foi regravada pelo grande cantor baiano Caetano Veloso. São ainda do renomado compositor: O samba canção “Ninguém me ama” parceria com Antonio Maria; a rumba “Nasci para bailar” com Joel de Almeida; o baião "Conceição do Piancó", com Manezinho Araújo e “Chofer de Praça” com Evaldo Rui, na voz do inesquecível de Luiz Gonzaga. Por estes exemplos, pode-se notar o ecletismo do artista e com que desenvoltura navegava entre ritmos e assuntos, os mais diversos possíveis.

O Compositor, jornalista, radialista, poeta e pesquisador da MPB, Fernando Lobo, deixou a nossa convivência no dia 22 de dezembro de 1996, aos 81 anos de idade muito bem vividos.

Essas são minhas sinceras homenagens a mais um pernambucano ilustre que contribuiu, em vários aspectos, para o engrandecimento da nossa cultura, em especial, a música popular brasileira.

ISSO É PERNAMBUCO IMORTAL!

Obrigado a todos!
Sala das Sessões, 1º de outubro de 2009.

Deputado INOCÊNCIO OLIVEIRA



Segundo - Secretário



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