Musica na infância



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Encontro12.07.2018
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Música na Infância

Nana Toledo

Todos já foram crianças e guardam dentro de si impressões que ficaram para sempre. Quem lembra do primeiro livro? Do primeiro beijo?... Quem lembra do seu primeiro encontro com a música?

Alguns encontros e impressões que marcam nossas vidas passam despercebidos. Outros causam reações psíquicas tão fortes que recusamos ou perseguimos aquele desejo que foi instalado dentro de nós.

Às vezes muito tarde nos damos conta do que realmente deixamos de fazer ou do que realmente devemos fazer.

Muitos desejos que pulsam dentro de nós são reprimidos por alguma experiência frustrada.

Ouço muita gente adulta dizer: “minha maior frustração é não saber tocar um instrumento”, ou ainda: “não posso cantar, minha voz é péssima”.

Você já ouviu alguma criança dizer que não quer cantar porque não gosta da sua voz? É claro que nem todos podemos ser cantores, mas todos podemos cantar. Deixamos nossa musicalidade e nossos desejos adormecerem para dar lugar ao que um dia disseram que realmente interessa em nossas vidas.

O que interessa em nossas vidas?

Ora, interessa é ser feliz! E a felicidade existe hoje, agora, neste instante.

A música pode contribuir com estes momentos. Ouvir, cantar, bater palmas, dançar, brincar de roda, imitar sons...São coisas que surgem naturalmente em nós porque som e movimento são inerentes ao homem.

Desde os primórdios, o ser humano tem uma relação musical com o mundo. O universo é sonoro e o ritmo pulsa em nossos corações desde o ventre materno. Sons do vento, sons da chuva, dos bichos, das coisas.

Sons que nos cercam e provam que silêncio não existe.


Muitos sons são desagradáveis aos nossos ouvidos e nos perturbam afetando nosso sistema nervoso.

Algumas crianças não conseguem produzir ou aprender numa sala de aula barulhenta ou com ruídos externos constantes. Para algumas pessoas o som alto ou o latido de um cão passam despercebidos. Para outras estes ruídos são um castigo.

Tudo depende de como cada ser desenvolve seus sentidos. Aqueles que aguçam mais sua percepção auditiva certamente selecionam e preferem ambientes menos ruidosos.

É importante observarmos em nosso ambiente familiar ou de trabalho, como nos relacionamos com os sons e com a música. Podemos estar estressados por uma poluição sonora e não nos damos conta disto.

Assim também acontece com o gosto musical das pessoas. Uns gostam de rock, outros de mpb, outros de música erudita. Somos influenciados desde muito cedo por nosso meio social com alguma experiência e impressão positiva ou negativa como falei no início. A partir daí criamos uma IDENTIDADE SONORA MUSICAL.
Para quem quer trabalhar com música é preciso estar aberto a ouvir diversos gêneros musicais, pois, nossos alunos têm sua própria identidade sonora. Como educadores devemos levar músicas variadas e de qualidade, a fim de ampliar o conhecimento cultural e despertar o indivíduo para novas possibilidades em música. Mas nunca poderemos desprezar a preferência e identidade musical que cada um traz consigo.

Afinal, somos sujeitos histórico-sociais e, quando crianças, um universo sonoro e musical se abriu diante de nós em nosso lar, nosso meio social, nossas vivências e encontros. Encontros que mexeram com nosso emocional. E a emoção é dimensão do conhecimento. Aprendizagem, emoção, desejo, necessidade estão intimamente ligados.

Aí vem de novo a força da música que é um elo de comunicação e aproximação universal. Você pode nem entender uma música cantada em outro idioma, mas mesmo assim ela lhe toca e fala ao seu espírito.

E, como li num livro infantil do gaúcho Ricardo Silvestrin, “a música acalma os animais, faz dançar os vegetais, desacorda os minerais”. Quero lembrar com este trecho do livro que a música toca o espírito de tudo que é vivo.

Música é arte, é expressão e expressão é vida. Viva a Música!!
Viva pode estar a música na escola.

O pedagogo e educador musical Snyders, vê o papel da música na sala de aula como uma atividade criativa e integradora do currículo, ou seja, a música ou texto musical pode revelar muitas possibilidades de trabalhar determinados temas transversais. Como professora do ensino fundamental tenho verificado nas escolas que trabalhei e visitei que a música ainda está um tanto distante do currículo. Ela pode ser mais explorada no dia a dia.Dar uma aula com música não significa que só teremos que cantar. Desta forma as tarefas da aula de música passam a contemplar todas as dimensões do fazer musical desde ouvir, executar um instrumento ou cantar, compor, se informar sobre a história e a cultura musical além de integrar com outras áreas do conhecimento, explorar o ambiente sonoro, construir instrumentos, improvisar, criar coreografias, criar trilhas sonoras, fazer sonoplastias para peças de teatro, sonorizar um texto, brincar de novela no rádio criando efeitos, fazer paródias com melodias conhecidas, pintar o som da música, criar frases musicais com símbolos próprios, identificar instrumentos e gêneros musicais, usar a música como fundo e inspiração para trabalhos com pintura desenho e argila, promover festivais de cantigas e canções entre as turmas, ler histórias que falam da vida de grandes mestres da música, assistir filmes (musicais), trazer músicos para se apresentarem na escola, aliar música com informática e realizar jogos musicais a fim de trabalhar alguns elementos da música, como: melodia, ritmo e harmonia.


A música desenvolve a atenção, concentração, memória, percepção auditiva, ritmo, dicção, expressão corporal e verbal, raciocínio lógico, linguagem poética, auto-estima, espírito coletivo, criatividade, criticidade e desperta o indivíduo para o conhecimento da história cultural de seu povo.
É preciso estar disposto a trazer suas experiências musicais, expondo, criando, comentando, incentivando, refletindo e avaliando junto com as crianças as aulas com música.

Acredito que podemos experimentar e encontrar com a música em nosso cotidiano sem medo de cantar, dançar, tocar e descobrir o universo sonoro como fazíamos quando crianças. Assim termino com uma frase de Adélia Prado: “Meu Deus, me dá cinco anos, me cura de ser grande”.


Referências bibliográficas:
HOWARD, Walter. A música e a criança. Summus editorial.
JEANDOT, Nicole. Explorando o Universo da Música.Editora Scipione.
LOWEN, Alexander. Prazer - uma abordagem criativa da vida.
OAKALANDER, Violet. Descobrindo crianças.Summus editorial.
SNYDERS, Georges. A escola pode ensinar as alegrias da música.Ed. Cortez.
WEIGEL, Ana Maria. Brincando de música: ritmos, música e movimento na pré-escola. Ed. Kuarup.
ZAGONEL, Bernadete. O que é gesto musical.Editora Brasiliense.



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