Mulheres são a chave ignorada para erradicar a pobreza



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Mulheres são a chave ignorada para erradicar a pobreza

Por Anita Petry, da IPS
Nações Unidas, 17/10/2007 – As mulheres são a chave para superar a pobreza, e por isso a igualdade de gênero terá especial atenção nas atividades programadas para hoje, Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza. Entre estas se destacam as deliberações do Tribunal Internacional de Mulheres sobre a Pobreza, nas quais se ressaltará a “feminização” deste problema. Haverá quatro tribunais, nos quais serão apresentados depoimentos sobre a deterioração das condições de vida das mulheres no mundo e se discutirá estratégias para analisar as raízes políticas e econômicas do problema. Os tribunais se reunirão na sede da Organização das Nações Unidas, em Nova Iorque, no Cairo, em Lima e Nova Délhi.
“Sabemos que a idéia desses tribunais teve muito sucesso, e esperamos que uma grande aliança de grupos de mulheres e organizações não-governamentais da Índia se uma a nos nesta quarta-feira em Nova Délhi, para discutir as respostas que o governo pode dar este ano, especialmente para as mulheres”, disse à IPS Ciara O’Sullivan, do Chamado Mundial à Ação contra a Pobreza (GCAP). Este movimento, criado há três anos, diz como membros mais de duas mil organizações e milhões de seguidores em todo o mundo. “Trezentas mulheres de 20 províncias participarão desta atividade sem precedentes”, disse O’Sullivan.
O grande número de mulheres que vivem na pobreza as converte em um fator-chave, embora freqüentemente ignorado, na hora de revertê-la. Estatísticas do Banco Mundial mostram que 1,1 bilhão de pessoas estão em estado de “extrema pobreza”, sobrevivendo com menos de um dólar por dia. Setenta por cento dos pobres do planeta são mulheres. O Fundo de População das Nações Unidas destaca que, em média, as mulheres ganham pouco mais da metade do que recebe um homem pelo mesmo trabalho. Em diveras partes do mundo elas e as meninas são as últimas a comerem em suas casas, já que os homens se sentam primeiro à mesa, e seus problemas de saúde são considerados menos importantes do que outros assuntos familiares.
O grande número de mulheres afetadas indica que potencializar seu papel é chave no esforço para reduzir a pobreza extrema pela metade até 2015, um dos oito Objetivos de Desenvolvimento do Milênio adotados pela ONU em 2000. Essas metas também incluem igualdade de gênero, redução da mortalidade infantil em dois terços e a materna em 75%. Entretanto, a maioria dos países está atrasada em seu caminho rumo a concretização desses objetivos.
As atividades desta semana estão organizadas por diferentes instituições, mas uma das maiores campanhas é a “Stand up and speak out” (Levante-se e se faça ouvir), que conta com apoio do GCAP e da Campanha do Milênio. Trata-se de um chamado à ação contra a pobreza e a desigualdade, bem como para a concretização dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. O Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher (Unifem) e a Women’s Funding Network (Rede de Financiamento para a Mulher) criaram uma associação destinada a atrair a atenção internacional para sua situação dentro da campanha “Stand Up”, com um chamado aos governos e aos doadores internacionais para que invistam mais em projetos destinados às mulheres.
A Unifem alerta que um dos fatores que as colocam em situação de risco frente à pobreza é o acesso desigual aos recursos e às possibilidades, como educação, habilidades, terra e outras propriedades, a discriminação no mercado de trabalho e sua escassa influência no campo político. Além disso, as mulheres realizam a maior parte do trabalho e dos cuidados com a casa, não recompensado, mas não se considera que essas tarefas contribuam para a economia. Esta associação também coloca especial ênfase na mobilização de uma ampla comunidade na Internet, que apóia a idéia de que a igualdade de gênero é essencial na luta contra a pobreza.
A revista britânica Teh Economist estimou que “na última década o trabalho das mulheres contribuiu mais para o crescimento da economia mundial do que a impressionante taxa de crescimento do produto interno bruto da China”, disse a diretora-executiva interina da Unifem, Joanne Sandler. “Estamos conscientes de tudo o que se pode conseguir quando as mulheres são reconhecidas como agentes da mudança. Para concretizar esta visão devem ser removidos obstáculos como a discriminação para ter acesso à propriedade e nas leis sobre herança, para ajudá-las a gerar ativos”, disse Sandler.
“As mulheres são a peça que falta no quebra-cabeça da pobreza”, afirmou Christine Grumm, presidente da Women’s Funding Network, com sede nos Estados Unidos, que mobiliza fundações e doadores privados para financiar projetos voltados à mulher e às meninas: iniciar um negócio, fugir da violência doméstica, ter acesso à saúde, elevar sua autoestima e reclamar políticas públicas justas. Embora a rede tenha arrecadado mais deUS$ 400 milhões os últimos 15 anos, apenas 7% foram destinados a programas dirigidos especificamente a elas.
“Nossa experiência nos convenceu de que as políticas que potencializam as mulheres no campo econômico – educação, capacitação profissional, cuidado com as crianças, conhecimentos sobre microfinanças – levam até elas o potencial para grandes e rápidas mudanças”, destacou Grumm. “Em nossa atividade conjunta com a Unifem vamos reclamar de quem tem o poder de decisão política o reconhecimento do potencial não explorado das mulheres para erradicar a pobreza extrema”, acrescentou.
Mais de 720 atividades diferentes estão agendadas em mais de cem países por ocasião do Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza. Incluem concentrações públicas, concertos, reuniões em escolas, câmaras municipais e acampamentos de refugiados. Essas atividades foram projetadas com a intenção de ajudar as pessoas mais pobres a marginalizadas do mundo a se somarem ativamente às campanhas que estão sendo desenvolvidas, para que se conscientizem do trabalho que realiza e se convertam em agentes da mudança.
Segundo o GCAP, no ano passado 23,5 milhões de pessoas literalmente se “levantaram contra a pobreza, estabelecendo um novo recordo mundial do Guinness. A intenção é superar essa marca, embora não fique claro se terá um impacto duradouro. As organizações e os grupos comunitários cobrarão dos líderes políticos maior e melhor assistência aos países pobres, que adotem práticas mais eqüitativas no comércio internacional, cancelem dívidas e garantam a igualdade de gênero.

Fonte: Envolverde/ IPS (http://www.envolverde.com.br/?materia=38890)
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