Morganville vampire glass house rachel caine



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MORGANVILLE VAMPIRE – GLASS HOUSE

RACHEL CAINE




UM

No dia em que Claire se tornou um membro da Glass House, alguém roubou suas roupas.


Quando ela chegou na lavanderia, com surradas máquinas de lavar-roupa, ela não encontrou nada mais que o piso molhado, escorregadio como os tambores da máquina, e - como uma brincadeira de mau gosto - a pior calcinha que ela tinha e uma meia. Ela estava frustrada, naturalmente, havia apenas duas máquinas sobre este último piso no Howard Hall, o menos valorizado e mais rodado dos dormitórios, a maioria dos dormitórios estava em condições precária. Duas máquinas de lavar-roupa, dois secadores e, com sorte, se você fosse um destes que trabalham em qualquer dia e não come nos seus aposentos. Ela nunca tinha visto nada deste tipo, não nas últimas seis semanas desde que tinha chegado à faculdade.
"Não", ela disse em voz alta e se equilibrando, na beirada da máquina, enquanto olhava para baixo, um lugar escuro, o interior parcialmente enferrujado. Ele cheirava a mofo e detergente barato. Um olhar mais atento não iria ajudar.

Um par de calcinhas desgastadas na costura. Uma meia.

Ela estava dando falta de cada peça de roupa desgastada pelas ultimas duas semanas. Cada peça que ela atualmente desejava usar.

"Não!" Ela gritou para a máquina, onde sua voz em eco voltou para ela, e escorregou para baixo, em seguida, chutou a lavadora violentamente na mossa feita por outros alunos desapontados antes dela. Ela não podia


respirar. Ela tinha algumas outras roupas – poucas – mas elas eram as roupas de última hora, Oh-meu-Deus-não gostaria-de-ser-pega-com roupas fora de moda. Calças que eram muito curtas e faziam ela ficar parecida com um lavrador, camisetas que eram muito grandes e bastante estúpidas, e parecia que sua mãe quem as havia escolhido. E tinha sido.

Claire possuía cerca de trezentos dólares esquecidos por ela, bem por meses, depois da última rodada de pizzas entregue e compra de outro livro para o Professor Clueless Euliss, o qual ainda não tinha sido visto na matéria que estava ensinando.

Ela supõe que pudesse encontrar alguma roupa, se ela procurasse em volta, algo que não explodisse seu orçamento totalmente. Afinal de contas, o centro de Morganville, Texas, era a fugaz capital de lojas do mundo. Supondo que ela poderia achar algo que pudesse vestir.
A mãe dizia que isso iria acontecer, ela pensou.Eu só precisava pensar. Me manter bem.
Claire se jogou em uma cadeira de plástico laranja, despejado sua mochila sobre o piso de linóleo arranhado, e
colocando suas mãos na cabeça. Sua face estava vermelha, ela sentia o rosto quente, e ela estava tremendo, e ela sabia, apenas sabia, que estava prestes a chorar. Chorar como um bebe, todos diziam isso dela, que era muito nova para estar aqui, muito nova para ficar longe da Mamãe.
É preciso ficar esperta, porque isso é o que vão fazer com você. Ela respirou fundo, úmidas respirações e sentou direito, esperando que ela mesma não gritasse (porque eles desejariam ouvir), e imaginando se podia ligar para o pai e a mãe para receber um adiantamento, ou usar o cartão de crédito que era "só para emergências."
Depois, ela viu a nota. Não era bem uma "nota" eram pichações, mas foi dirigida a ela, pintada na parede de cima das máquinas.

CARO TROUXA, ela leu, NÓS ACHAMOS LIXO NAS MÁQUINAS E JOGAMOS PELO CANO ABAIXO. SE VOCÊ QUISER DE VOLTA, MERGULHE NELE.

"Merda", ela respirou, e havia lágrimas de volta, por uma razão completamente diferente. Cega, estúpido furor. Monica. Bem, Monica e as Monickettes, de qualquer maneira. Porque ser ela “a” garota significa meninas sempre andando em bandos, como hienas? E por que, com todo aquele cabelo escovado e pernas torneadas e longas e mais o dinheiro do seu pai da sua empresa de contabilidade, elas haviam se focado nela? Não, ela sabia a resposta para isso.
Ela fez com que Monica passasse como idiota na frente de seus amigos, e alguns caras gostosos da alta classe. Não que isso tivesse sido duro; ela apenas estava andando quando ouviu Monica dizendo algo sobre a Segunda Guerra Mundial, algo como “Cretina Coisa de Guerra Chinesa”.

E por simples reflexo, ela disse, “Não foi.” Todos eles, mesmo os que estavam jogados desmazelados nos sofás do lobby do Dormitório, olharam para ela com surpresa como se uma máquina de Coca-Cola estivesse falando. Monica, suas amigas, três rapazes mais velhos de fraternidade.

"Segunda Guerra Mundial", Claire tinha começado a falar, em pânico e não muito certa de como dizer aos outros o que ela sabia, “Eu só quis dizer – bem, não era a Guerra Coreana. Isso foi depois. A Segunda Guerra Mundial foi com os Alemãs e os Japoneses. Você sabe, Pearl Harbor?”
E os caras olharam para Monica e sorriram, e Monica estava começando a chorar – não muito, mas estava começando a arruinar sua perfeita maquiagem. “Me lembre de não pegar nenhuma cola de Historia de você”, um dos rapazes havia dito. “Que tipo de idiota não sabe isso?” Embora Claire soubesse, ela tinha certeza que nenhum deles ali sabia na verdade. “Chinesa. Ceeerrrtttooo.”
Claire tinha visto a fúria nos olhos de Mônica, de forma rápida encoberta com sorrisos e gargalhadas e flerte. Claire tinha deixado de existir de novo, para os rapazes.

Para as meninas, ela era como uma folha de papel nova, e indesejável como o inferno. Ela tinha lidado com isso toda a sua vida. Inteligente e pequena e com aparência mediana não exatamente a vencedora na loteria da vida; você tinha que lutar por ela, como tudo. Alguém sempre rindo, ou batendo ou ignorando você, ou a combinação das duas primeiras. Ela pensou que quando era criança, ficar rindo era a pior coisa e, em seguida – depois dos primeiros anos de escola – bater subiu para o número um. Mas para a maior parte de sua (breve, dois anos) experiência no Segundo Grau, ser ignorada era muito pior. Ela entrou um ano na frente de todos, e deixou a escola um ano à frente deles. Ninguém gostou disso.

Ninguém além de professores, de qualquer maneira. O problema era que Claire realmente amava a escola. Amava livros e leitura, e aprender coisas – ok, não Cálculos, mas praticamente todo o resto. Física. Que garota normal ama Física? Anormal apenas. Aquelas que nunca seriam legais.

E além do mais, ser gostosa? Isso era tudo sobre a vida. Com Monica provando, quando o mundo balançou fora do seu eixo por alguns segundos para notarem Claire, e depois balançou de volta para girar em torno das bonitas e queridas.

Não era justo.
Ela mergulhara de cabeça e estudava em casa. Formada com um perfeito 4.0, pontuação alta o suficiente para satisfazer os critérios de admissão para as grandes escolas, as lendárias escolas, aquelas onde ser uma menina nerd-mutante não era necessariamente uma desvantagem. (Exeto que, evidentemente, nessas escolas, houvesse alguma nerd-mutante gostosa e alta).

Não importava. Mamãe e Papai olharam com pouco entusiasmo as pilhas de respostas das Universidades Yale e MIT e Caltech. De jeito nenhum eles deixariam sua filha de dezesseis anos (cerca de dezessete, ela insistia nisso, apesar de não ser verdade) ir para alguma escola à milhas de distância deles. Pelo menos não na primeira. (Claire tinha tentado, sem sucesso, mudar o conceito que se alguma coisa iria matar sua carreira acadêmica não seria ser uma aluna transferida de um desses lugares, e sim ela ser transferida da Universidade Praire Texas. Conhecida como TPEwwwwwww.)


Então ela estava aqui, presa numa droga de piso superior de uma droga de dormitório dentro de uma droga de escola onde 80% dos estudantes eram transferidos antes dos primeiros dois anos – ou abandonavam – e as Monickettes estavam roubando suas roupas da lavanderia e jogando-as no lixo, tudo porque ela não poderia ser incomodada a saber nada sobre uma das guerras mundiais grande o suficiente para classificar um algarismo romano.
Mas não é justo! Alguma coisa acontecia. Eu tenho um plano! Um plano concreto! Monica dormia tarde, e Claire tinha levantado cedo só para lavar roupa enquanto todos estavam voltando de suas festas e os estudiosos estavam saindo para suas aulas. Ela pensou se poderia ter alguns minutos para pega-la no chuveiro – outra assustadora experiência – e ela nunca pensou em fazer algo tão inacreditável.
Como uma parte de suas lágrimas voltaram a cair, ela verificou – de novo - como era calmo estar ali. Arrepiantemente deserto, com metade das garotas dormindo e a outra metade fora. Era sempre movimentado e barulhento, os dormitórios eram assustadores, pensou. Velho, decrépito, cheios de sombras e cantos e lugares onde as garotas poderiam se esconder. Na verdade, isso resumia toda a cidade. Morganville era pequena e velha e suja, cheia de sombras e pequenas curiosidades assustadoras. Como o fato de os postes de luz trabalharem apenas metade do tempo, e eles eram muito divergente quando o faziam. Como o jeito das pessoas nas lojas do Campus parecendo muito felizes. Desesperadamente felizes. Como o fato de toda a cidade, apesar da poeira, era limpa – sem lixo, sem grafiti, ninguém pedindo pelas ruas.
Estranho.

Ela quase podia ouvir sua mãe dizendo, querida, é apenas porque você está em um lugar estranho. Tudo vai melhorar.


Você só tem que tentar mais.
Mamãe costumava dizer coisas como essa, e Claire sempre tinha feito seu melhor para se esconder, como era difícil seguir esse conselho.
Bem. Nada a fazer ao não ser tentar pegar suas coisas de volta.
Claire engoliu algumas vezes, limpou os olhos, e pegando a pesada mochila no braço e depois jogando em seu ombro. Ela começou por um molhado par de calças e meias rejeitadas colocando-os em sua mão direita, enquanto apressadamente abria o bolso da frente da mochila e jogava tudo dentro. Cara, ela mataria qualquer um, então ela se encaminhou para fora com suas coisas.
"Bem", disse uma voz baixa, uma voz satisfeita que vinha da porta aberta em frente às escadas,"olha só quem é. A mergulhadora."
Claire parou, uma das mãos estava na grade de ferro enferrujada. Algo estava dizendo que ela devia correr, mas tinha algo em mente como: lutar ou voar – Ela tinha lido os livros didáticos. E ela estava cansada do escuro. Ela se virou lentamente, como Monica Morrell estava parada fora do dormitório – não ela, então poderia flagrar os cadeados de Erica novamente. Monica correu com Jennifer e Gina posicionadas lado a lado. Soldados em sandálias e calças jeans e francesinha nas mãos.

Monica manteve a pose. Era algo em que ela era boa, Claire teve que admitir. Quase um metro e oitenta de altura,


Monica tinha presença, um cabelo preto brilhante, e grandes olhos azuis acentuados com a quantidade certa de cílios e rímel. Pele perfeita. Uma dessas modelos de rostos, bochechas ossudas e lábios cheios. E se ela tivesse um
corpo do modelo, seria modelo da Victoria’s Secret, cheia de curvas, mas não anjo.

Ela era rica, bonita, e alta como Claire gostaria de dizer, mas isso não a fazia feliz. O que fazia, pensava – seus grandes olhos azuis estavam brilhando agora – E Claire não tinha a menor idéia dos tipos de tormentos que iria enfrentar, imaginava apenas um pouco mais.


"Você não deveria estar começando o primeiro período agora? Perguntou Monica. "Ou recebendo os horários dele?”

"Talvez ela esteja procurando as roupas que ela esqueceu por ai”, Gina gracejou, e riu. Jennifer riu com ela. Claire olhou seus olhos, seus olhos de cor de jóia rara, com apenas o brilho da alegria de fazer com que ela se sinta péssima. “Pequeno Inseto!”


"Roupa?" Monica dobrou os braços e fingiu pensar. "Quer dizer, aqueles trapos que jogamos fora? Aqueles que estavam jogados dentro da máquina de lavar?"
"Sim, aquelas".

"Eu não usaria aquelas roupas suadas.”


"Eu não vestira nem se fosse para ir até o banheiro masculino,” Jennifer bufou.

Monica, irritada, virou-se e provocou-a. "Ahh, você sabe tudo sobre o banheiro masculino, não é? Não foi onde você esteve com Steve Gillespie na nona série?" Ela fez um barulho estranho, lembrando sons de sucção, e todas elas riram novamente, no entanto Jennifer parecia desconfortável. Claire sentiu suas bochechas vermelhas, mesmo que não fosse dela que estivessem falando – por um momento – todos se esqueceram dela. “Jesus, Jen, Steven Gillespie? Mantenha sua boca fechada se você não pode pensar em algo que vai te envergonhar."


Jennifer – é claro – transferiu sua raiva para um alvo mais seguro. Claire. Ela avançou e Claire deu um passo para trás, na direção da escada. "Vai buscar suas estúpidas roupas já! Estou cansada de olhar para você, com seu pastoso tom de pele"

"Sim, os calouros, já ouviram falar de sol?" Gina rolando seus olhos.


"Veja isso," rebatia Monica, que era estranho, porque todas elas tinham o melhor que o dinheiro poderia comprar.


Claire não estava confortável. A pesada mochila estava caindo, fazendo ela ficar sem equilíbrio, e ela se agarrou no balaustre. Jen riu para ela novamente e apertou a clavícula de Claire com sua mão dolorosamente. "Não!" gritou Claire, e bateu na mão de Jen. Duro.
Houve um segundo de silêncio e, então Monica disse, muito calmamente, "Você acabou de bater na minha amiga, sua estúpida vadia? Onde você pensa que está para fazer coisas como essa por aqui?"

E ela caminhou para perto e bateu em Claire no rosto, forte o suficiente para tirar sangue, forte o suficiente


para fazer com que Claire visse luzes e riscos, forte o suficiente para fazer tudo ficar vermelho e fervente.
Claire largou do balaustre e empurrou Monica para trás, com toda a sua força, e por apenas um momento, uns poucos segundo ela se sentiu bem sobre isso, mas Monica começou a miar como um gato, e Claire nem teve tempo para pensar, Oh droga, realmente não devia ter feito isso.

Ela nem viu o soco vir. Nem sequer realmente sentiu o impacto, exceto como uma sensação e confusão, mas depois o peso de sua mochila no ombro dela estava puxando-a para um dos lados e ela ficou sem equilíbrio.


Ela estava quase se recuperando, e então Gina, sorrindo estupidamente, chegou por trás e empurrou escada abaixo, e não havia nada do que ar atrás dela.
Ela bateu na ponta de cada degrau, todo o caminho até o final. O fecho de sua mochila quebrou abrindo-a e deixando todos os seus livros espalhados como ela, e no topo da escada Monica e as Monickettes riam e vaiavam e apontavam para ela, mas ela viu apenas uns poucos idiotas desligados do movimento, estátuas congeladas.
Parecia ter levado uma eternidade até que ela parasse de quicar e terminasse no fim da escada, e sua cabeça batesse na parede, um som metálico e tudo ficasse preto.
A ultima coisa que ela se lembra, antes de tudo ficar escuro; a voz de Monica, baixa e maligna como um suspiro: Hoje a noite. Você vai ver o que te espera, sua aberração.
Eu me encarregarei disso."

Parecia segundos, mas quando ela acordou novamente havia alguém ajoelhado ao lado dela, e não era Monica ou sua máfia; era Erica, que possuía um quarto no topo das escadas, quatro portas depois de Claire. Erica parecia pálida e tensa e assustada, e Claire tentou sorrir, porque era isso que fazia quando alguém estava assustado. Ela não sabia se estava machucada até que se mexeu e sua cabeça começou a pulsar. Existia um calombo vermelho no topo, e quando ela o tocou sentiu uma enorme dor. Sem sangue, apesar de tudo. Era pior do que ela pensava, mas não era nada do tipo Oh-Meu-Deus-estou-com-os-ossos-quebrados, ou pelo menos era isso que ela esperava.


"Você está bem?" Erica perguntou, acenando com as mãos como uma espécie de ajuda para que Claire pudesse se sentar com as costas contra a parede. Claire se arriscou a olhar para cima das escadas. Monica não estava lá. Ninguém saiu para ver o que se passava, entretanto – a maioria deles tinha medo de ficar em desgraça, e o resto apenas não se importavam.
"Sim", disse ela, e rindo pouco firme. "Acho que tropecei."

"Você precisa de ir ao barracão charlatão?" Esse era o código para a Clínica Universitária. "Ou, Deus, uma


ambulância, ou qualquer coisa assim?"
"Não. Não, estou bem." Utopia, mas, embora basicamente tudo no seu corpo estivesse doendo como o inferno, não sentia nada quebrado. Claire tentou ficar de pé, ela tinha um tornozelo dolorido, e pegou sua mochila. Todos os livros estavam jogados no chão. Erica agarrou alguns deles e os colocou de volta, e depois correu levemente poucos passos para reunir mais livros dispersos. "Droga, Claire, você realmente precisa de toda essa porcaria? Quantas aulas você tem por dia?”

"Seis".
"Você é louca." Erica, com sua boa ação feita, reverteu para a neutralidade das meninas não legais que todas as meninas no dormitório tinha mostrado à ela. "É melhor ir ao barracão, é sério. Você está parecendo mal"


Claire deu um sorriso e se manteve até lá até Erica subir as escadas e se trancar em seu quarto.

Esta noite, Monica tinha inclinado e sussurrado. Você vai ver o que te espera, sua aberração. Ela não tinha


chamado ninguém, nem tentou descobrir se Claire tinha um braço quebrado. Ela não se importava se Claire havia morrido.
Não, isso era errado. O problema era, ela precisava se cuidar.

Claire estava sangrando. Seus lábios estavam divididos, e estavam sangrando. Ela limpou o sangue com as costas das mãos, em seguida, com a borda da camiseta antes de perceber que esta era literalmente a única coisa que ela tinha para vestir. Ela precisava ir até a lavanderia e pegar suas roupas da lixeira. A idéia de ir lá – ir à qualquer lugar sozinha pelo dormitório – soava terrivelmente para ela. Monica estaria esperando. E as outras meninas não fariam nada. Nem mesmo Erica, que era provavelmente uma das mais legais de todo o lugar, tinha medo de ser vista do seu lado. Inferno, Erica tinha medo, também, ela provavelmente era tão bem tratada ali quanto Claire era ou pior. Não era tão ruim quanto no ensino médio, onde ela tinha sido tratada com desprezo e uma casual crueldade – isso era pior, muito pior. E ela nem sequer tinha nenhum amigo aqui. Erica era a mais perto de amiga que ela tinha, mas ela estava mais preocupada com sua porta quebrada do que com a cabeça de Claire.


Ela estava sozinha. Não que ela nunca estivesse ficado antes, estava com medo agora. Realmente, realmente assustada. O que ela havia visto nos olhos de Monica hoje não era uma ameaça habitual de meninas legais versus as aberrações; isto era pior. Ela tinha recebido esbarrões casuais ou brincadeiras antes, trotes, alguns risos, mas esta foi mais como leões vindo para matar.
Eles estão vindo para me matar.

Ela começou descer os lances de escadas, a cada passo uma terrível dor passava através de seu corpo, e lembrou que Monica havia batido com força para deixar uma marca.

Yeah. Eles estão vindo para me matar.

Se Monica acabou ficando com uma contusão no rosto perfeito, não havia qualquer dúvida sobre isso.



DOIS

Erica estava certa sobre o barracão ser a primeira parada lógica; Claire tinha que cuidar do seu tornozelo torcido, pegar uma bolsa de gelo e ver como as manchas roxas estavam ficando. Nada estava quebrado, mas estava em vias de ficar preto e azul dali a alguns dias. O médico perguntou formalmente sobre namorados e outras coisas, mas


uma vez que ela disse verdadeiramente que não tinha sido o namorado dela quem havia batido, ele só assentiu e começou a examinar seu tornozelo.

Ele lhe escreveu uma despensa, também, e deu alguns analgésicos e disse a ela para ir para casa.


De jeito nenhum ela voltaria ao dormitório. A verdade era, que ela não tinha muito no dormitório - alguns livros, umas
poucas fotos da casa, alguns cartazes... Ela não tinha tido a chance de ligar para casa, e seja qual for a
razão, ela nunca realmente se sentia segura lá. Sempre sentia como... um orfanato. Um orfanato para crianças que ia embora, de uma maneira ou de outra, elas iam embora.

Ela se limpou ante de voltar para o pátio, que era um grande espaço vazio de concreto com alguns bancos decrépitos e mesas de piquinique, cercados por todos os lados, edifícios que na maioria dos casos se pareciam com caixas com janelas. Projetos de estudantes de Arquitetura, provavelmente. Ela ouviu um rumor de que um deles tinha caído uns anos atrás mas também, tinha ouvido rumores sobre sobre o faxineiro decapitado no laboratório de Química e que assombrava o edifício, e os Zombies andavam pela noite, então ela não estava pondo muita fé nisso tudo.

Era meio da tarde já, e não existia tantos estudantes em volta do pátio, devido a sua falta de sombra - grande design, considerando que o clima era muito quente em setembro. Claire pegou um jornal do campus no stand, colocando-o cuidadosamente em cima dos bancos quentes, e abriu na seção "Habitação". Quartos nos dormitórios estavam fora de questão; Howard Hall e Lansdale Hall eram os únicos que tinham meninas abaixo dos vinte anos. Ela não era velha o bastante para se qualificar no Coed. Regras estúpidas que provavelmente foram escritas por líderes de torcida, ela pensou, e pulado os dormitórios até que ela chegou à seção “Fora do Campus”. Não que ela pretendesse viver fora do campus; Mamãe e Papai teriam um ataque sobre isso, sem dúvida. Mas... ela estava entre Monica e a proteção de seus pais, ela não iria se importar muito com este último. Afinal de contas, a coisa mais importante era conseguir um lugar onde ela pudesse se sentir segura, onde ela pudesse estudar.

Certo?


Ela procurou na mochila, achou o celular, e verificou o sinal. Era uma espécie de loucura em Morganville, sinceramente, no meio da pradaria, no meio do Texas, onde era quase no meio do nada não tinha onde chegar a menos que você desejasse ir para a Mongólia, ou algo assim. Duas barras. Não era ótimo, mas o que se podia fazer.

Claire digitou os números. A primeira pessoa que ela ligou disse que eles já tinham encontrado alguém, e desligaram até mesmo antes que ela pudesse dizer, "Obrigado." O segundo, uma voz soou como um velho esquisito. O terceiro era uma estranha velhinha. O quarto... bem, o quarto estava um pouco estranho.

O quinto ela parou para ler com mais calma,
TRÊS COMPANHEIROS DE QUARTO BUSCAM O QUARTO, enorme casa antiga, privacidade assegurada, aluguel razoável e mobiliários.
Hum... ok, ela não tinha certeza se poderia arcar com o “razoável” – ela estava procurando algo no estilo “bonito e barato” - mas pelo menos pareceu menos estranho que os outros. Três colegas de quarto. Isso significava mais três
pessoas que talvez pudessem ajudá-la se Monica e companhia voltassem a se meter com ela... ou pelo menos ter a casa para se esconder. Hmmmmm.
Ela ligou, e caiu na secretária eletrônica com uma voz forte, voz masculina e jovem.

"Olá, você ligou para a Glass House. Se você estiver procurando por Michael, ele dorme de dia. Se você está procurando por Shane, boa sorte com isso, porque nós nunca sabemos onde diabos ele está” – distante se ouvia o riso de duas pessoas – “e se você estiver procurando por Eve, você provavelmente vai encontrá-la no celular ou na loja. Mas, hey. Deixe uma mensagem. E se você estiver procurando a respeito do quarto, venha aqui. É a rua West Lot, nº716.” Uma voz completamente diferente, uma voz feminina cantando ginggles com bolhas na soda, disse: "Sim, basta olhar para a mansão." E então uma terceira voz, masculina novamente. "Venha com os caça-fantasmas e anti-monstros.” Mais risos, e um bep. Claire piscou, limpou a garganta, e finalmente disse: "Hum... oi. Meu nome é Claire? Claire Danvers? Eu estou, hum, ligando sobre, hum, o quarto. Desculpe." E desligou em pânico. Essas três pessoas pareciam... normais. Mas eles pareciam bem perto, também. E na sua experiência, grupos de amigos como aqueles simplesmente não abrem espaço para menores, menores nerds como ela. Eles não haviam dito nada a respeito, eles apenas eram auto-confiantes. Algo que ela não era.


Ela verificou o resto da lista, e sentiu seu coração realmente afundar um pouco. Talvez um centímetro e meio, com uma ligeira dor aguda. Deus, estou morta. Ela não podia dormir aqui fora como os desabrigados, perdedores e ela não poderia voltar para o dormitório, tinha de fazer alguma coisa.

Ótimo, ela pensou, e pegando o telefone da calça, ligou novamente, desta vez para uma empresa de taxis.

Rua West Lot, nº 716. Vamos enfrentar os monstros. Certo.


Talvez eles tenham pena dela o suficiente para colocá-la para cima depois de uma péssima noite.

O taxista – Ela o imaginou como o único taxista em Morganvillle, porém além do dormitório do Campus na TPU para dentro da cidade, umas dez mil de pessoas começaram a aparecer. Claire não tinha visto um carro em seis semanas, já que seus pais haviam trazido ela à cidade. Ela não tinha saído muito além de um bloco do campus, e então só para comprar livros usados para a classe.

"Você vai encontrar alguém?" Perguntou o taxista. Ela olhava pela janela afora, as frentes das lojas: lojas de roupas usadas, livros usados, lojas de computadores, lojas que vendiam nada mas tinham letras gregas em madeira. Tudo restaurado para a faculdade.
"Não", disse ela. "Porquê?"

O taxista estranhou. "Normalmente crianças como você estão procurando algo com amigos. Se você estiver procurando por um bom de tempo."


Ela tremia. "Não estou. Eu estou - sim, eu estou indo ver algumas pessoas. Se você pudesse ir mais depressa, por favor...?"
Ele grunhiu e fez uma curva à direita, e o taxi foi de Collegetown para Creepytown era apenas um quarteirão. Ela não podia definir exatamente como aconteceu - os edifícios eram exatamente iguais, mas eles pareciam obscuros e antigos, e algumas poucas pessoas que se movimentavam pela rua estavam de cabeça baixa e andavam rápido. E essas pessoas estavam caminhando em grupos de dois ou três, eles não conversavam. Quando o táxi passou, as pessoas olharam para cima e voltaram à vista para baixo novamente, como se eles estivessem esperando um outro tipo de carro.

Uma garotinha estava caminhando com sua mão na de sua mãe, e quando o taxi parou num sinal, a garota acenou de leve. Claire retribuiu.


A mãe da menina olhou para cima, alarmada, e manteve a filha junta indo em direção a uma área escura de uma loja que vendia produtos eletrônicos usados. Uau, Claire pensou. Eu pareço assustadora? Talvez ela tivesse feito algo estranho. Ou talvez as mães de Morganville eram muito cuidadosas com seus filhos.
Engraçado, agora que ela pensava nisso, não havia qualquer coisa que faltasse nesta cidade. Cartazes. Ela tinha visto eles durante toda a sua vida grampeados aos postes telefônicos... propagandas de cães perdidos, crianças ou adultos desaparecidos.
Nada aqui. Nada.

"Rua West Lot", anunciou o taxista, e gritou enquanto estacionava. "Dez e cinqüenta."


Para cinco minutos de uma carona? Claire pensou, espantada, surpresa, mas ela pagou. Ela pensou em lhe tirar o dedo devido ao jeito que ele havia dirigido, mas ele deu um olhar do tipo perigoso, e contudo, ela realmente não era o tipo de garota que fazia esse tipo de coisa. Habitualmente. Foi um dia ruim, pensou.
Ela içou a sua mochila de novo, batendo na contusão do ombro, e quase caiu sobre o seu pé. Lágrimas escorriam de seus olhos. De repente ela sentiu cansada e confusa novamente, com medo.... Pelo menos no campus
ela estava em um terreno relativamente familiar, mas aqui fora, na cidade era como se sentir uma estranha, tudo de novo.
Morganville era marrom. Castanho queimado pelo sol, espancado lentamente pelo vento e condições meteorológicas. O verão quente estava começando a dar forma ao outono quente, e as folhas estavam caindo das árvores – o que existia de árvore ali – parecia cinza-palha e seca, e elas balançavam como papel no vento. A rua West Lot era o que seria o centro da cidade, o distrito da cidade, provavelmente um antigo bairro residencial. Nada de especial sobre os lares que ela pudesse ver... casas de fazenda, a maioria delas descascando, pintura desbotada.

Ela contou números das casas, e percebeu que ela estava de pé em frente ao 716. Ela virou-se e olhou em volta, e suspirou, porque o que o cara estivesse fazendo no telefone, ele parecia morto por alguma razão. O 716 parecia um set de filmagem, alguma coisa da Guerra Civil. Grandes colunas acinzentadas. Uma ampla varanda. Duas linhas de janelas.

O lugar era enorme. Bem, não gigante – mas maior do que Claire havia imaginado. Tipo, grande o suficiente para ser uma casa de fraternidade e, provavelmente, perfeitamente adaptadas a ela. Ela só precisava imaginar letras gregas em frente à porta.

Ela parecia deserta, mas para ser justo em todas as casas do quarteirão pareciam desertas. Fim da tarde, ninguém


saindo do trabalho para casa ainda. Poucos carros estacionados no sol quente, suavizadas por terminar uma camada de terra batida. Nenhum carro em frente ao 716, pensou.
Esta foi uma má idéia, ela pensou, e lá estavam aquelas lágrimas novamente, aparecendo que ela estava perto do pânico. O que ela tinha ido fazer? Andar até a porta e implorar para ser um companheiro de quarto? Quão estúpida ela era? Eles iram pensar que ela era patética, na melhor das hipóteses. Não, tinha sido uma idéia estúpida e ela nem mesmo tinha caído no golpe do dinheiro do táxi.

Estava quente, e ela estava cansada e machucada e tinha dever de casa para fazer, e nenhum lugar para dormir, e de todos, uma súbita sensação que era apenas demasiado.

Claire deixou cair sua mochila, enterrou o rosto em suas mãos machucadas, e começou a soluçar como um bebe. Chorar feito um bebe-aberração, ela imaginou Monica dizendo, mas o que ela acabou fazendo foi soluçar mais forte, e de repente a idéia de ir para casa, ir para casa com o pai e a mãe, seu quarto, ela sabia que eles estariam de braços aberto para ela, parecia melhor, melhor do que qualquer coisa assustadora aqui fora, mundo maluco....

"Hei," A voz de uma menina disse, e alguém tocou-lhe o cotovelo. "Hei, você está bem?"


Claire se assustou e pulou, machucando novamente o tornozelo, e quase derrubou a mochila. A menina que a assustou olhou confusa enquanto agarrava o braço dela. "Me desculpe! Deus, eu sou uma klutz. Olha, você está bem? "

(* nota: klutz é uma pessoa desajeitada, não enturmada)
A menina não era Monica, ou Jen, ou Gina, ou qualquer outra pessoa que tinha visto em torno do campus na TPU; esta menina era uma espécie de gótica. Não de um jeito ruim - ela não tinha a atitude mal-humorada no estilo Eu-não-sou-legal ou Eu-sou-legal que a maioria dos góticos que Claire havia conhecido na escola - mas os cabelos pintados de preto curtos parecendo pelúcia, a maquiagem pálida,o rímel e a mascara, o collant com listras vermelho e preto, sapatos pretos estranhos e uma mini saia preta... definitivamente ela era fã do lado negro.
"Meu nome é Eve", a garota disse, e sorriu. Era um doce, engraçada com uma espécie de sorriso, algo que convidou
Claire a compartilhar uma piada privada. "Sim, os meus pais realmente me chamaram disso, vá zoe. É como se eles soubessem o que eu passaria.” Deu um sorriso desbotado, e ela deu um bom olhar para a cara da Claire. "Uau.Eita, belo olho roxo. Quem bateu em você?"

"Ninguém". Claire disse instantaneamente, sem sequer pensar porque, embora ela soubesse no fundo dos seus ossos que Eve não era uma patricinha como Monica. "Eu tive um acidente."

"Sim," Eve concordou com suavidade. "Eu costumava ter esses tipos de acidentes, batendo com os punhos e coisas assim. Como eu disse, eu sou uma klutz. Você está bem? Você precisa de um médico ou algo parecido? Eu posso dirigir se você quiser."
Ela sinalizou para a rua ao lado delas, e Claire percebeu que enquanto ela soluçava, um antigo e preto Cadillac – completo com cauda barbatana – estava estacionado junto ao meio-fio. Tinha um pendente em formato de crânio no retrovisor, e Claire não teve dúvidas de que o pára-choques já havia sido colado com adesivos de bandas emos que ninguém nunca tinha ouvido falar.
Ela já estava gostando de Eve. "Não", disse ela, e limpando as lágrimas com as costas da mão. "Eu, uh – olha, eu sinto muito. Tem sido um dia realmente horrível. Eu estava vindo para perguntar sobre o quarto, mas-"
"Exatamente, o quarto!" Eve bateu os dedos, como se ela tinha esquecido tudo sobre isso, e pulou umas duas ou três vezes de empolgação. "Ótimo! Estou em casa apenas porque estou em horário de folga – eu trabalho no Common Grounds, você conhece, o café? - e Michael não está acordado ainda, mas você pode entrar e ver a casa se quiser. Não sei sobre o Shane, mas-"
"Não sei se devo-"

"Você deveria. Você deveria completamente." Eve rolou seus olhos. "Você não iria acreditar nos perdedores que vimos tentando forçar a porta. Quer dizer, com seriedade. Aberrações. Você é o primeiro normal que vejo até agora. Michael chutaria meu traseiro se eu deixar você ir embora sem tentar, pelo menos, tentar com que visse a casa."


Claire piscou. De alguma maneira, ela estava pensando que ela era uma das que eles tinham consideração... e normal? Eve pensava que ela era normal?

"Claro", ela própria disse. "Sim. Eu gostaria disso."


Eve pegou sua mochila e a colocou sobre seu próprio ombro, em cima de sua bolsa preta e prata em formato de caixão. "Sigam-me." E ela começou a tomar distância, caminhando para a graciosa porta Sulista e Gótica para destranca-la.


De perto, a casa parecia velha, mas realmente não é degradada como tal; resistia, Claire decidiu. Poderia ter algumas tintas aqui e ali, e as cadeiras em ferro fundido, precisavam de uma tinta, também. A porta da frente estava realmente com seu tamanho duplicado, com um grande painel de vidro colorido no alto.
"Yo!" Eve gritou, e despejou a mochila de Claire em uma mesa no corredor, ao lado de sua bolsa, suas chaves em antigo cinzeiro com um macaco em ferro fundido, na alça. "Colegas! Nós temos um vivo!"
Ocorreu a Claire, que a porta atrás dela tinha ficado aberta, e isso tinha duas maneiras de interpretar, e em uma delas – a maneira do Massacre da Serra Elétrica – não era uma bom sinal. Ela parou de se mover, congelada e apenas olhou em volta.
Nada realmente assustador no interior da casa, pelo menos. Pilhas de madeira, limpa e simples. Cavaletes de pinturas encostados nos cantos, como se tivesse visto um monte de vida. A casa cheirava a limão polonês e - chili?
"Yo!" Eve gritou novamente, e caminhou aos fundos do corredor. Ele abria para um espaço de maior dimensão; a partir de que Claire podia ver, havia grandes sofás de couro e estantes, como um verdadeiro lar. Talvez esta seria como uma habitação fora do campus parecia. Se assim for, foi um grande passo desde um quarto de dormitório. "Shane, eu sinto cheiro de chili. Eu sei que você está aqui! Tira os fones de suas orelhas!"
Ela não poderia imaginar o Massacre da Serra Elétrica parecido com uma sala como aquela, de qualquer modo. Essa foi um mais. Ou, já agora, o colega de quarto serial-killer estaria fazendo algo tão familiar como fazer com chili. Bom chili, de qualquer forma era como cheirava. Com... alho?
Ela deu uma dúzia de passos hesitantes para o corredor. Os passos de Eve seguiam para outro cômodo, talvez a cozinha. A casa estava muito quieta. Nada havia pulado para assustá-la, então Claire caminhou, passo a passo, durante todo o caminho ate o grande cômodo.
E um cara estava jogado no sofá – da maneira que só os garotos conseguem se espalhar – bocejou e levantou sua cabeça. Quando Claire abriu sua boca – para dizer oi ou gritar por socorro, ela não o fez – ele ficou surpreso por seu silencio com sorrisos e colocou o dedo na boca para fazê-la ficar quieta. “Hei”, ele sussurrou. “Eu sou Shane. E ai?” Ele piscou algumas vezes, e sem mudar sua expressão, disse. “Cara, isso é mauzão. Dói, né?”
Ela corou ligeiramente. Shane tinha colocado suas pernas fora do sofá e sentado, vendo-a, cotovelos em seus joelhos e mãos pendente folgadamente. Ele tinha cabelo castanho, corte irregular em camadas que não o faziam parecer um punk. Ele era um menino mais velho, mais velho que ela, de qualquer maneira. Dezoito? Um cara grande, e alto demais para ela poder se igualar. Grande o suficiente para fazê-la sentir-se menor do que o habitual. Ela pensou que seus olhos eram castanhos, mas ela não ousaria encontrá-los mais do que alguns momentos.
"Então eu acho que você estava dizendo que a outra garota parecia pior”, disse Shane.
Ela balançou a cabeça, um movimento mais forte fez sua cabeça doer ainda mais. “não, eu – hum – porque você acha que foi - ?
"Uma garota? Fácil. Do tamanho que você é, um cara a teria colocado no hospital com um soco forte o suficiente para
deixar uma marca como essa. Então o que é que isso ai? Você não parece que procura por encrenca."
Ela sentiu que deveria assumir isso como ofensa, mas honestamente, essa coisa toda estava começando a parecer algo como um sonho estranho de qualquer forma. Talvez ela nunca despertasse de todo. Talvez ela estivesse deitada em coma em uma cama hospitalar, e Shane era apenas seu ajudante, o equivalente do gato risonho (o gato da Alice no Páis das maravilhas). "Eu sou a Claire", disse ela, e acenou amigavelmente. "Olá".
Ele caminhou em direção a uma cadeira de couro alta. Ela deslizou junto, sentindo algo, e sentiu uma estranha sensação de alívio ao longo dela. Parecia como um lar, embora obviamente não era, e ela estava começando a pensar que realmente não podia ser. Ela não cabe aqui. Ela não podia imaginar que ela caberia.
"Você quer alguma coisa?" Shane perguntou repentinamente. "Coca, talvez? Chili? Um bilhete de ônibus de volta para casa?"

"Coca", disse ela, e se surpreendeu ", e chili"


"Boa escolha. Eu mesmo fiz." Ele deslizou para fora do sofá, seus grandes ossos para seu tamanho, e caminhou descalço para cozinha onde Eve tinha ido. Claire ouviu a voz dos dois conversando, e relaxou, um músculo por vez, para abraçar o macio da cadeira. Ela não tinha notado até agora, mas a casa foi mantida fria, e os preguiçosos círculos do ventilador de teto varriam para baixo o ar frio sobre ela que estava quente, vento contínuo sobre seu rosto. A sensação era agradável.
Ela abriu os olhos no momento que o som dos passos de Eve rumavam de volta. Eve estava carregando uma bandeja
com uma lata vermelho e branca, uma tigela, uma colher, e um saco de gelo. Ela colocou a bandeja sobre uma mesa de centro e colocou na direção de Claire puxando seu joelho. "Saco de gelo primeiro", disse ela. "Nunca se pode dizer o que Shane coloca no chili. Ficaria com medo."
Shane se jogou de volta para o sofá e ficou observando, tomando sua própria lata de refrigerante. Eve deu a ele um olhar exasperado. "Sim, cara, obrigado por me trazer uma, também." Os olhos de guaxinim com maquiagem exagerada rolavam. "Trouxa".

"Não sei se você queria algo polvilhado com sujeira de zumbi ou qualquer coisa assim. Se você está comendo esta semana."


"Idiota! Vá em frente e coma, Claire - eu irei buscar o meu.”

Claire pegou a colher e fez uma tentativa de morder o chili, que era espesso e carnudo e picante, regado a alho. Delicioso, na verdade. Ela geralmente só comia na cafeteria, e isso era... uau. Delicioso. Shane a assistia, de sobrancelhas levantadas, ela começou lamber os dedos. "Bom", ela murmurou. Ele deu a ela uma preguiçosa saudação. Enquanto ela estava no meio da tigela, Eve estava de volta com o seu próprio prato, que ela empurrada guela abaixo na outra metade da mesa de café. Eve sentou no chão, cruzou as pernas, e estalou os dedos.

"Nada mal", ela disse finalmente. "Pelo menos você saiu do molho sem graça desta vez."


"Eu mesmo o fiz", disse Shane. "Tem as adesivo biológicos colados na geladeira, então cachorra volte a morar com seus pais. Ou algum lugar onde você não pareça estranha.”


"Fora. Ela veio para ver o quarto."

"Você quer vencê-la primeiro, só para ter certeza que ela é dura o suficiente?"


"Me morda, chili-boy."


"Não se importe com Eve", disse Shane a Claire. "Ela odeia trabalhar de dia. Ela tem medo que possa queimar a pele."


"Sim, e Shane só odeia trabalhar. Então, qual é seu nome?"

Claire abriu a sua boca, mas Shane deu um empurrão no braço, claramente feliz em tê-la como sua colega de quarto. "Claire. Que, você não quer falar? Uma garota bate, também. Provavelmente nas aberrações dos dormitórios. Você sabe como são esses lugares."
Eles trocaram um olhar. Um longo olhar. Eve voltou a olhar para Claire. "Isso é verdade? Você apanhou de alguém no dormitório?" Ela ficou envergonhada, apressadamente engoliu mais comida para manter a boca fechada e não ter muito mais a dizer. "Bem, eu diria mais golpes. Não admira que você esteja olhando o quarto." Outro suspiro. "Você não trouxe muito com você."

"Eu não tenho muito", disse ela. "Só uns livros, e talvez um par de coisas perdidas no meu quarto. Mas - eu não quero voltar lá e pegar as coisas. Não esta noite."


"Por que não?" Shane tinha um olhar raivoso e agarrou um taco de beisebol do chão e jogou-o para cima em direção ao
limite máximo de altura, faltando por milímetros bater nas pás do ventilador. Apanhou sem esforço. "Alguém ainda quer bater em você?"

"Sim", disse Claire, e ela olhou para baixo em direção ao chili. "Suponho que sim. Não é só ela, são – ela tem uns amigos. E... eu não sei. O lugar parece muito – bem, é assustador.”

"Já estive lá", Eve disse. "Oh, espere, ainda existe."

Shane jogou o taco de baseball para ela. Ela simplesmente o deixou cair.


"Que horas Michael levanta?"
Shane falou outra ironia. "O droga, Eve, eu não sei. Eu adoro o cara, mas eu não amo o cara. Acho que vou bater na sua porta e perguntar. Bem, eu estou já estou pronto."

"Pronto para quê?" Eve perguntou. "Você não está pensando seriamente em sair novamente, está?"


"Sinceramente, sim. Boliche. O nome dela é Laura. Se você quiser mais detalhes, você vai ter que baixar o vídeo como todo o resto." Shane jogou os pés para fora do sofá, se levantou, e se encaminhou para as amplas escadas que levam até o segundo andar. "Até mais tarde, Claire."


Eve fez um som frustrado. "Espere um minuto! Então, o que você diz? Você acha que ela iria estar bem aqui, ou não?"

Shane acenou com a mão. "Qualquer que seja, cara. Tanto quanto eu estou interessado, ela é legal." Ele deu uma rápida olhada em Claire e deu estranho e doce sorriso, e subiu as escadas. Ele se moveu como um atleta, mas sem a aquela euforia que ela estava acostumada. Uma espécie de gato, na verdade.


"Rapazes," Eve suspirou. "Puxa,seria bom ter outra menina aqui. Eles são todos semelhantes, sim, que seja, e em seguida, quando se trata de limpar o lugar ou lavar pratos, eles se transformam em fantasmas. Não que você tem que, assim, ser uma empregada ou outra coisa, quero dizer ... você só tem que gritar até que eles façam a parte deles ou andem atrás de você."

Claire sorriu, ou tentou, mas o lábio estava machucado, e ela sentia eles se abrirem novamente. O sangue escorreu para do queixo, e ela pegou o guardanapo que Eve tinha colocado no tabuleiro e fez pressão no lábio. Eve observava em silêncio, analisando e, em seguida, se levantou do chão, pegou o gelo, e gentilmente colocou o saco contra o galo na cabeça da Claire. "Como está?" Ela perguntou.


"Melhor”. Era. O gelo começou a entorpecer a dor imediatamente, e a comida quente formava um simpático calor no seu estômago. "Hum, acho que eu deveria perguntar... sobre o quarto ..."
"Bem, você tem de ver com Michael, e ele tem que dizer sim, mas Michael é um doce, realmente. Ah, e ele é dono desse lugar. A família dele que é, de qualquer maneira. Eu acho que eles se afastaram e deixaram a casa há uns anos atrás. Ele é cerca de seis meses mais velho que eu. Todos temos aproximadamente dezoito. Michael é o tipo o mais velho."

"Ele dorme de dia?"


"Sim. Quer dizer, eu gosto de dormir de dia, mas ele tem uma coisa sobre isso. Eu o chamei de vampiro uma vez, porque ele realmente não gosta de ser visto de dia. Tipo, nunca. Ele não achou engraçado."

"Você está certa de que ele não é um vampiro?" Disse Claire. "Eu tenho visto filmes. Eles são sorrateiros." Ela estava brincando. Eve, não sorriu.


"Ah, tenho certeza. Por uma coisa, ele come o chili do Shane, que, sabe Deus, tem de alho o suficiente para explodir uma dúzia da mais alta qualidade de Dráculas. E eu fiz ele tocar numa cruz uma vez." Eve deu uma grande golada de Coca.
"Você - o quê? Ele fez?"

"Bem, com certeza, sim. Quer dizer, uma menina deve ser muito cuidadosa, especialmente por aqui." Claire deve ter olhado estranho, pois Eve fez aquela coisa de rolar os olhos de novo. Era sua expressão favorita, Claire estava certa. "Em Morganville? Você sabe?"


"O que tem?"

"Quer dizer que você não sabe? Como é que não sabe?" Eve colocou sua lata na mesa e sentou de tal forma que seus cotovelos estavam apoiados nos joelhos encostando na mesa de centro. Ela parecia fervorosa sob a espessa maquiagem. Seus olhos eram escuros castanho, brilhantes como ouro. "Morganville é cheio de vampiros."

Claire riu.

Eve, não. Ela só ficou observando.

"Um ... você está brincando?"

"Quantas pessoas se graduam na TPU todos os anos?"

"Eu não sei .... É uma droga de colégio, com toda essa transferência..."

"Todo mundo vai embora. Ou pelo menos, quem eles deixam ir, certo? Eu não posso acreditar que você não sabe disto. Ninguém te contou do placar antes de você mudar para cá? Olha, os vampiros são os donos da cidade. Eles estão no comando. E quer que você esteja dentro, ou fora. Se você trabalha para eles, se você fingir que eles não estão aqui e eles não existem, e você olhar para o outro lado quando as coisas acontecem, então você e sua família obtêm um passe gratuito. Você ganha Proteção. Caso contrário ..." Eve puxou um dedo pela garganta e fez os olhos se esbugalharem.


Certo, Claire pensou,e abaixou sua colher. Ninguém alugaria um quarto com essas pessoas. Eles são loucos. Isso é muito ruim. Exceto pela parte louca, ela realmente gostava deles.
"Você pensa que eu sou maluca", disse Eve, e suspirou. "Sim, eu entendo. Eu acho que eu sou, também, exceto que eu cresci numa Casa Protegida. Meu pai trabalha para a Cia de Águas. Minha mãe é professora. Mas todos nós usamos isto.”

Ela estendeu o seu punho. Era uma pulseira de couro preto, com um símbolo vermelho sobre os nós, nada que Claire


reconhecesse. Era uma espécie de caracteres chineses. "Vê como a minha é vermelho? Expirado. É como um Seguro Saúde. As crianças só estão livres até os dezoito anos. A minha acabou há seis meses." Ela olhou para ele pesarosamente, e o tirou para largá-la na mesa de centro. "É o momento de parar de usar isso, eu acho. É certo que eu não enganaria ninguém."

Claire apenas olhava para ela, indefesa, se perguntando se ela foi vítima de uma brincadeira, e há qualquer segundo


Eve começaria a rir e chamá-la de idiota por estar caindo numa dessa, e Shane passar de doce/preguiçoso para cruel e jogá-la porta a fora, zoando por todo caminho. Porque esta não era a maneira como o mundo trabalhava. Você não gostou das pessoas, e então vai para cima delas como um doido, né? Não era possível apenas falar? A alternativa – que Eve não era louca completamente – era algo que Claire não queria pensar. Ela lembrava das pessoas na rua, andando rápido, cabeça para baixo. A forma como a mãe tinha tirado a garotinha da rua como uma onda amistosa.
"Ok. Vá em frente, acho que sou louca", disse Eve, e sentou sob os calcanhares."Quero dizer, por que eu não iria ser? E
Não vou tentar convencê-la nem nada. Apenas – não saia no escuro a menos que você esteja acompanhada. Alguém Protegido, se você puder encontrá-los. Procure pela pulseira. "Ela apontou a dela com um dedo. "O símbolo na cor branca significa que está ativo." "Mas eu -" engasgou Claire, tentando encontrar algo para dizer. Não podendo dizer nada simpático ... "Ok. Obrigada. Hum, o Shane é - ?
"Shane? Protegido? "Eve suspirou. "Antes fosse! Mesmo que ele fosse, o que eu duvido, ele nunca ia admitir isso, e ele não usa o bracelete ou nada. Michael - Michael não é, também, mas há uma espécie de norma para Proteção das casas. Estamos numa espécie de neutralidade aqui. Eles estão seguro em números, também."
Era uma conversa muito esquisita que estávamos tendo entre chili e Coca, com um saco de gelo na cabeça. Claire, nem mesmo sabia o que estava indo fazer, suspirou. Eve riu.
"Chame de história de dormir", disse ela. "Ouça, deixe-me mostrar o quarto. Em todo caso, você pode se deitar e deixar o saco de gelo funcionar, então decidir o que fazer. Ou hey, você acorda e decide que você quer falar com Michael antes de ir embora. Sua escolha."
Outra brisa fria abateu sobre ela, e ela tremia. Provavelmente tinha a ver com o estrondo na cabeça, ela
imaginou, e como estava cansada. Ela procurou no bolso, encontrando o pacote de pílulas que o médico tinha prescrito para ela, e as engoliu com um gole de Coca-cola. Depois, ajudou Eve a transportar os pratos para a
cozinha, que era enorme, com as bancadas em pedra antiga e polida, contando com duas modernas conveniências - o fogão e a geladeira – que estavam nos cantos. O chili estava em potes, o que o mantinha quente.

Quando os pratos tinham sido lavados, louças sobrepostas, lixo descartado, Eve tirou a mochila de Claire do chão e a deixou na sala de estar, perto do início das escadas. Na terceira tentativa de levantá-la, Eve virou, alarmada,


e disse: "Hei, você pode subir as escadas? Porque, você sabe-"

"Estou bem", Claire mentiu. O tornozelo machucado doía como o inferno, mas ela queria ver o quarto. E se eles eram susceptíveis para fazê-la sair mais tarde, ela queria dormir, pelo menos, mais uma vez em uma cama, mesmo que rugosa e velha. Havia treze degraus até o topo. Ela subiu cada um deles, embora ela deixado impressões digitais no corrimão onde Shane não tinha sequer incomodado a tocar em seu caminho mais cedo.


Os passos de Eve foram abafados por um velho tapete, todo em cores e redemoinhos, que corria no centro do piso de madeira polida. Havia seis portas no corredor. Conforme elas passaram, Eve apontadas e nomeavas. "Quarto do Shane." A primeira porta. "do Michael". A segunda porta. "O dele – é um quarto-duplo." Terceira porta. "Banheiro Principal." Quarta porta. "O banheiro de baixo das escadas – banheiro de emergência para quando o Shane esta passando mousse no cabelo por mais ou menos uma hora ou algo assim...”

"Me Morda!" Shane gritou por detrás da porta fechada. Eve deu um soco na porta e levou Claire as duas últimas portas do corredor. "Esta é uma mina. A sua é a ultima."


Quando ela abriu a porta, Claire – se preparou para o desapontamento – estava errada. Uma coisa, o quarto era enorme. Três vezes maior que o do dormitório. Outra coisa, em um dos cantos, tinha três – três! – janelas, todas com bloqueador e persianas. A cama não era de algum dormitório em miniatura, mas sim de tamanho de uma king-size e com enormes colunas de madeira nos cantos, escuras e sólidas. Havia uma cômoda ao longo grande o suficiente para manter, bem, quatro ou cinco vezes as roupas que Claire tinha. Acrescido de um closet. Mais...

"Isso é uma TV?" Ela perguntou, em uma voz fantasmagórica.
"Sim. Por satélite. Você pode deixá-la no canto, a menos que você queira levá-lo para fora do quarto. Ah, e tem internet, também. Banda larga, bem ali. Eu provavelmente devo adverti-la, eles monitoram a Internet por aqui, apesar de tudo. Você tem que ter cuidado com o que escreve em suas mensagens e coisas assim." Eve colocou a mochila em cima da cômoda. "Você não tem de decidir agora. Você provavelmente deveria descansar primeiro. Aqui, aqui está o gelo". Ela seguiu Claire até a cama e a ajudou a puxar para trás o cobertor, e uma vez que Claire havia tirado os sapatos e deitado, Eve estava aninhando-a, como uma mãe, e colocando o saco de gelo sobre cabeça. "Quando você se levantar, Michael provavelmente já vai estar acordado. Tenho que voltar ao trabalho, mas tudo vai ficar bem. Sério."
Claire sorriu para ela, um pouco forçado, os analgésicos estavam começando a fazer efeito. Ela teve outro calafrio.

"Obrigado, Eve", disse ela. "Isso é – uau”.

"Sim, bem, você esta precisando de um pouco de uau hoje." Eve disse, e deu um deslumbrante sorriso de volta. "Durma bem. E não se preocupe, os vampiros não vão entrar aqui. Esta casa tem Proteção, mesmo que a gente não tenha.”

Claire fechou os olhos por alguns segundos enquanto Eve deixava o quarto e fechava a porta, e em seguida que transformou ao longo de sua mente por alguns segundos como Eve deixou o quarto e fechou a porta e, em seguida, sua mente feliz estava analisando a maciez do travesseiro e de como a cama era boa, e como eram boas as cobertas...


Ela sonhou com alguma coisa estranha: uma sala silenciosa, com alguém pálido e quieto sentado num sofá de veludo, virando páginas de um livro e chorando. Ela não a assustava, exatamente, mas ela sentia frio, de vez em quando, e a casa ... a casa parecia que estava cheia de sussurros.

Eventualmente, ela caiu em um profundo e num lugar escuro, e não num sonho como todo.

Nem mesmo sobre Monica.

Nem mesmo sobre vampiros.



TRÊS
Ela acordou no escuro apavorada, sentou no saco de gelo – que agora só continha água – tirando o travesseiro e deixando-o cair no chão. A casa estava quieta, exceto pelo creck, os barulhos arrepiantes que as casas fazem durante a noite. Lá fora, o vento balançava as folhas secas sobre as árvores, e ela ouviu música proveniente do outro lado da porta do quarto.

Claire deslizou fora da cama, procurando por uma lâmpada, e encontrando uma ao lado da cama – estilo Tiffany de vidro,


muito legal – e resplandecente colorida e afugentando qualquer pesadelo que ela tivesse tentando pensar. A música que ouvia era lenta, morna e contemplativa, espécie de guitarra alternativa. Ela calçou seus sapatos, deu uma olhada no espelho, e teve um choque desagradável. Seu rosto ainda estava machucado e a razão do porque era óbvia – seu olho direito estava inchado, a pele em torno dele roxo. Seus lábios estavam desagradavelmente brilhantes e espessos, também. Seu rosto – sempre pálido – estava mais do que o normal. Seu cabelo preto curto estava num estado crítico de desarrumado devido ao tempo que estava na cama, mas ela mexeu nos cabelos colocando-os em ordem. Ela nunca ligou muito para maquiagem, mesmo quando a sua mãe tinha tentando ajudá-la, mas agora um pouco poderia ajudá-la e não faria mal... Ela parecia áspera, espancada e sem-teto.

Bem. Isto não era a verdade apesar de tudo.


Claire deu um suspiro profundo e abriu a porta do quarto. Luzes estavam no hall de entrada, quente e brilhante como
ouro; a música estava vindo de baixo, da sala de estar. Ela verificou um relógio pendurado na parede na extremidade final, eram mais de meia-noite - ela dormiu durante mais de doze horas.

E perdeu todas as suas aulas. Não que ela queria pensar em algo assim no momento, mesmo se ela não tivesse sido tão paranóica sobre Monica estando ao redor dela... mas ela ia ter de ler os livros depois. Pelo menos os livros não podiam bater.


Suas contusões estavam melhores e na verdade a cabeça só doía um pouquinho. Seu tornozelo ainda era o pior de tudo, enviando uma dor desafiadora até sua perna com cada degrau que descia pelas escadas.

Ela estava no meio quando ela viu um rapaz sentado no sofá, onde Shane estava jogado antes. Ele tinha uma guitarra em suas mãos.

Ah. A musica. Ela havia pensando que era uma gravação, mas não, isto era real, era vivo e ele estava tocando. Ela nunca tinha ouvido música ao vivo antes – não tocando de verdade, não como isso. Ele era... uau. Ele era maravilhoso.

Ela o assistiu, congelada, porque ele nem sequer sabia que ela existia ainda, era só ele e a guitarra e a música, e ela teve de colocar um nome para o que ela podia ver na cara dele, era algo poético, algo duradouro. Ele era loiro, seu cabelo era cortado como o do Shane, em um tipo descuidado. Não era tão grande como Shane, e não muito musculoso, pensava se ele era alto. Ele estava vestindo uma camiseta preta, um logo de cerveja. Calça jeans. Sem sapatos.

Ele parou de tocar, cabeça baixa e chegou para abrir a cerveja em cima da mesa na frente dele. Ele falou para o
vazio. "Parabéns a você, cara." Ele deu três goles, suspirou e colocou a garrafa na mesa. "E estamos aqui em prisão domiciliária. Que diabos. Ser eu mesmo ou ficar detido."
Claire suspirou. Ele se virou, assustado e a viu ali de pé na escada; seu rosto clareou após um segundo ou dois. "Ah. Você deve ser quem Shane disse que queria falar sobre o quarto.Hey. Venha até aqui embaixo."

Ela começou a descer, tentando não vacilar e então ela começou a ter a plena consciência do seu rápido e inteligentes olhos azuis examinando a contusões.


Ele não disse uma palavra sobre elas. "Eu sou Michael", disse ele. "E você não tem dezoito, por isso vai ser uma conversa muito curta."


Ela sentou, rápido, coração batendo. "Estou na faculdade", disse ela. "Sou uma caloura. Meu nome é -"

"Não diga besteira e não me importa o seu nome. Você não tem dezoito. E aposto que nem perto dos dezessete. Nós não podemos ter alguém nesta casa que não é legal." Ele tinha uma voz grossa, quente mas - pelo menos neste momento -dura. "Não que você seria assassinada em Orgy Central, mas desculpe, eu e Shane temos de nos preocupar com coisas desse tipo. Basta apenas você viver aqui e alguém começar a insinuar algo -"
"Espera", ela disse rapidamente. "Eu não faria isso. Não estou procurando colocar vocês em apuros. Eu apenas preciso -"

"Não", disse ele. Ele colocou a guitarra de lado, dentro do estojo. "Desculpe, mas você não pode ficar aqui. Regras da casa."

Ela soube que estava chegando, com certeza, mas depois ela deixou de pensar assim – Eve tinha sido simpática e Shane não foi horrível e o quarto era tão legal – mas o olhar dos olhos de Michael foram tão definitivos. Completa e absoluta rejeição.
Ela sentiu tremores nos lábios e ela mesma se odiava por isso. Porque não poderia ela ser uma malvada, uma cadela fria? Porque ela não poderia levantar-se quando necessário, sem se derramar em lágrimas como um bebê? Monica não estaria chorando. Monica teria gritado algumas coisas a ele, dizendo-lhe que suas coisas já estavam na sala. Monica iria colocar um pacote de dinheiro sobre a mesa e ele que se atrevesse a olhar para baixo.
Claire procurou no bolso de sua mochila e tirou sua carteira. "Quanto?" Ela perguntou e começou a contar as notas. Ela faria como se tivesse vinte anos ou então pareceria. "Trezentos é suficiente? Eu tenho mais se for pouco."

Michael sentou de costas, surpreso, uma expressão estranha passou pelo seu rosto. Ele pegou sua cerveja e deu mais um gole enquanto ele pensava sobre isso. "Como?", Indagou.

"O quê?"

"Como você vai arranjar mais?"

"Arranjarei um emprego. Venderei coisas." Não é que ela tivesse muito para vender, mas em caso de emergência havia sempre a possibilidade de ligar para mãe. "Eu quero ficar aqui, Michael. Quero de verdade." Ela estava surpresa com a convicção na sua voz. "Sim, eu tenho menos de dezoito, mas eu juro, você não terá nenhum problema da minha parte. Vou ficar fora do seu caminho. Eu vou para a faculdade e estudo. Isso é tudo o que faço. Não estou do tipo festeira, eu não sou uma pessoa indolente. Eu sou útil. Eu posso – Eu posso ajudar a limpar e cozinhar."

Ele pensou nisso, olhando para ela; ele era o tipo de pessoa que você realmente pode ver enquanto pensa. Foi um


pouco assustador, embora provavelmente não significava que ele fosse. Havia alguma coisa tão... adulto sobre ele. Tão certo de si mesmo.

"Não", disse ele. "Sinto muito, garota. Mas é um risco muito grande."

"Eve é apenas um pouco mais velha do que eu!"

"Eve tem dezoito. E você tem o que, dezesseis?"

"Quase dezessete!" Se você fosse um pouco menos rígido na definição de quase. "Eu realmente estou na faculdade. Eu sou uma caloura - olha, aqui está a minha identificação estudantil...".

Ele ignorou-a. "Volte em um ano. Iremos falar sobre isso", disse ele. "Olha, eu sinto muito. E sobre o dormitório?"


"Eles vão me matar se eu ficar lá", disse ela e olhou para baixo, para as mãos machucadas. "Eles tentaram me matar hoje."

"O quê?"

"As outras garotas. Elas me bateram e me empurram escada abaixo."


Silêncio. Realmente um momento constrangedor. Ela ouviu o rangido de couro e em seguida Michael estava de joelho, ao lado da cadeira. Antes que ela pudesse detê-lo, ele estava verificando o galo na cabeça dela, empurrando-a para trás de modo que ele pudesse obter um bom, um olhar impessoal para verificar as contusões e cortes. "O que mais?", perguntou.

"O quê?"

"Além do que eu posso ver? Você não está para cair morta em cima de mim, está?"

Uau, sensível. "Estou bem. Eu fui no médico e tudo. São apenas - contusões. E um tornozelo torcido.”


“Mas elas me empurraram escada abaixo, e elas fizeram isso, e ela me disse -" De repente,as palavras de Eve sobre
vampiros voltaram para ela e de repente ela começou a associar tudo. "A garota em questão, ela me disse que
hoje à noite, algo estava vindo até mim. Eu não posso voltar para o dormitório, Michael. Se você me mandar para o fora daquela porta, eles vão me matar, porque eu não tenho nenhum amigo e eu não tenho nenhum lugar para ir!"
Ele ficou lá por mais alguns segundos, olhando-la bem nos olhos e em seguida voltou para o sofá. Ele retirou a guitarra da caixa novamente e ajeitou o instrumento; ela achava que era sua zona de conforto, ali, com a guitarra nos braços. "Essas garotas. Eles saem à luz do dia?"

Ela piscou. "Quer dizer, lá fora? Certo. Elas vão às aulas. Bem, às vezes."

"Elas usam pulseiras?"
Ela piscou. "Quer dizer, como -" Eve havia deixado a dela sobre a mesa, então ela pegou a pulseira com o seu símbolo vermelho. "Como essa? Nunca reparei. Elas usam um monte de coisas." Ela pensou duro, e talvez ela pudesse lembrar de alguma coisa depois de tudo. As pulseiras não se pareciam com isto, apesar de tudo. As delas tinham algo de ouro e Monica e as Monickettes tinham em seu pulso direito. Ela nunca prestou muita atenção. "Talvez."
"Pulseiras com símbolos brancos?" Michael fez a pergunta casual; na verdade, ele curvara a cabeça e se concentrava em afinar sua guitarra, não que ele precisasse disso. Cada nota soava perfeita como quando ele sussurrou junto com as
cordas. "Você lembra?"

"Não." Ela sentiu um puro rebatimento, algo que não era pânico, não era empolgação. "Será que isso significa que elas têm Proteção?"


Ele hesitou cerca de um segundo, apenas o tempo suficiente para que ela soubesse que ele ficou surpreso. "Você quer dizer camisinha?" indagou. "Todo mundo não usa?"


"Você sabe o que quero dizer." Suas bochechas estavam queimando. Ela esperava que não fosse tão óbvio para ele o que ela estava sentindo.
"Não acho que não."

"Eve disse"

Ele olhou para cima bruscamente e aqueles olhos azuis estavam subitamente irritados. "Eve precisa manter sua boca fechada. Ela já está em perigo suficiente, metida lá fora em torno da arte gótica. Eles sempre pensam que ela está caçoando deles. Se eles a escutam falando..."

"Eles, quem?" Claire perguntou. Era a sua vez de olhar para o outro lado.

"As pessoas", disse ele sem graça. "Olha, eu não quero o seu sangue nas minhas mãos. Você pode ficar por uns dias. Mas só até encontrar um lugar, certo? E faça isso rápido –eu não vou correr atrás de um espancador de meninas. Eu tenho o suficiente com que me preocupar tentando manter Eve e Shane fora de encrenca. "

Para um cara que fez essa bela música, ele era amargo e um pouco assustador. Claire colocou o dinheiro hesitante em cima da mesa na frente dele. Ele percebeu isso, mandíbula tensa.

"O aluguel é cem por mês", disse ele. "Você compra os mantimentos uma vez por mês, também. Primeiro mês antecipado. Mas você não vai passar disso, por isso fique com o resto."
Ela engoliu e pegou duzentos dos trezentos que tinha colocado na mesa. "Obrigado", disse ela.

"Não me agradeça", disse ele. "Só não nos meta em apuros. Eu quero dizer isso."


Ela levantou-se, foi até a cozinha e despejou o chili em duas tigelas, adicionando copos na bandeja juntamente com
colheres e cocas, e trouxe tudo de volta para colocá-la sobre a mesa de café. Michael começou a contemplar tudo, depois ela. Ela sentou no chão – dolorosamente – e começou a comer. Após uma pausa, Michael tomou sua tigela e provou-o.

"Shane fez isso", disse Claire. "É muito bom."


"Sim. Chili e macarrão que é praticamente tudo que Shane pode cozinhar. Você pode fazer qualquer coisa?"


"Claro."

"Como?"

"Lasanha", disse ela. "E, hum, uma espécie de hambúrguer essas coisas, com macarrão. E tacos."

Michael olhou pensativo. "Poderia fazer tacos amanhã?"

"Claro", disse ela. "Tenho aulas de onze a cinco, mas vou parar e pegar as coisas."

Ele estava pensativo, comendo de forma constante, olhos em cima dela de vez em quando. "Desculpe", ele finalmente disse.

"Sobre o quê?"

"Ser um imbecil. Olha, é apenas que eu não posso – eu tenho de ter cuidado. Realmente ser cuidadoso."

"Você não estava sendo um idiota", disse ela. "Você está tentando proteger você e seus amigos.Tudo bem. Isso é o que você deveria fazer."

Michael sorriu e isto transformou o seu rosto, tornou-se subitamente angelical e maravilhoso. Droga, ela pensou com espanto. Ele está absolutamente lindo. Não admira que ele tinha se preocupado com ela ser menor. Um sorriso como aquele, ele estaria sendo cortejado pelas meninas de todos os lados.

"Se você está nesta casa, você é minha amiga", disse ele. "Qual é o seu nome, a propósito?"

"Claire. Claire Danvers."

"Bem-vinda à Glass House, Claire Danvers."

"Mas só temporariamente."

"Sim, temporariamente".

Partilharam um sorriso e Michael foi limpar os pratos desta vez e Claire voltou a subir para o quarto dela, para espalhar seus livros sobre a escrivania e começar o dia de estudo.
Ela o ouviu tocar lá embaixo, o macio e sincero acompanhando a noite, então ela caiu no mundo que ela amava.

QUATRO




A manhã começou cedo e brilhante,e Claire acordou com o cheiro de bacon frito. Ela caminhou para o banheiro ao fundo do corredor, bocejando, pouco consciente de que ela estava mal vestida em sua extra-longa camiseta até que ela se lembrou, Oh meu Deus, meninos vivem aqui, também. Felizmente, ninguém viu e o banheiro estava livre. Alguém já tinha estado por aqui esta manhã, os espelhos ainda estavam polvilhados com vapor, e os grandes azulejos pretos-e-brancos estavam com gotas de água. Ele cheirava limpo, apesar de tudo. Como um tipo de fruta.


O cheiro era de shampoo frutado, ela encontrou, enquanto ela estava se arrumando. Quando ela limpou o espelho, ela viu os padrões das contusões dos dois lados de sua pele pálida. Ela poderia ter morrido. Ela teve sorte.

Ela jogou a camiseta de volta, em seguida ela voltou ao seu quarto para resgatar as roupas que ela tinha tirado ontem da lavanderia. Elas ainda estavam úmidas, mas ela colocou-a assim mesmo, em seguida, vestiu o jeans azul por cima.

No impulso, ela abriu o armário e encontrou algumas coisas velhas entulhadas na parte de trás. Camisetas, principalmente, de bandas que ela nunca tinha ouvido falar e aos poucos lembrado-a como eram antigas. Um par de camisolas, também. Ela pegou uma delas, estilo sangrenta, um preto desbotado e depois de pensar nisso, ela pegou seus sapatos do chão.
Lá embaixo, Eve e Shane estavam discutindo na cozinha sobre a maneira certa de fazer ovos mexidos. Eve dizia que precisavam de leite. Shane dizia que leite era para maricas. Claire passava silenciosamente ao lado deles até a geladeira, e retirou uma caixa de suco de laranja. Ela despejou em um copo, depois silenciosamente colocou em mais dois. Eve pegou os copos, entregando um para Shane.
"Então," Shane perguntou, "Michael não te mandou embora."

"Não."


Shane bebia lentamente. Ele era maior e mais alto do que ela se lembrava, e sua pele era um dourado marrom, como se ele tivesse gasto muito tempo sob o sol durante o verão. Seu cabelo tinha era um acobreado brilhoso também. Um dourado ensolarado tanto quanto Michael era loiro. Ok, a verdade? Ambos eram gatos. Ela desejava que realmente não estivesse pensando sobre isso, mas pelo menos não estivesse falando em voz alta.

"Algo que você deve saber sobre Michael", disse ele. "Ele não gosta de dar chances. Eu não estava certo se ele ia deixar você ficar. Se ele fez, então ele tem uma boa vibe (vibração) vinda de você. Não desrespeite isso, porque se você fizer - Eu não vou ficar feliz, de qualquer modo. Entendeu?"


Eve estava silenciosamente assistindo eles, o que Claire imaginava como uma experiência nova para Eve, pelo menos a parte não-conversando. "Ele é seu amigo, certo?"

"Ele salvou minha vida", disse Shane. "Eu ia morrer por ele, mas ele acha que é uma coisa estúpida de fazer para agradecer-lhe por isso. Assim. Ele tem sido meu amigo toda a minha vida, e ele é mais como um irmão. Portanto, você não vai colocá-lo em encrencas."

"Não vou", disse ela. "Sem leite nos ovos."

"Viu?" Shane virou costas para o balcão e começou a quebrar os ovos em uma tigela. "Eu disse."

"Traidor", suspirou Eve, e colocou o bacon na fritura com um garfo.
"Ok. Então. Como foi a noite com Linda?"

"Laura."


"Seja o que for. Não gosto de lembrar que tenho um nome para mais de uma data, de qualquer jeito."

"Ela era uma chata, como se tivesse uns cinqüenta anos."

"Deus, você teve uma decepção. Compartilhe, já!"

Shane sorriu fortemente para os ovos. "Ei, não na frente da criança. Você tem uma nota."

"Criança?" Isso dói. Claire deixou cair os pratos sobre o balcão com um pouco demasiado de força. "Nota?”

Shane entregou um pedaço de papel dobrado. Foi curto e doce, e estava assinado "Michael"... e ele dizia que Claire era menor, e que os dois deviam prestar atenção nela, enquanto ela estava na casa.

Doce. Claire, não sabia se para ficar puta ou lisonjeada. Na sua reflexão ... chateada. "Eu não sou criança!" Ela disse para Shane com fervor. "Eu sou, tipo, um ano mais nova do que Eve!"

"E as meninas são muito mais maduras." Eve comentou sabiamente. "Então você é cerca de dez anos mais velha que Shane."

"Falando sério", insistiu Claire. "Eu não sou uma criança!"

"Como quiser, criança", disse Shane maliciosamente. "Anime-se. Só significa que você não tem que me aturar lhe dizendo o quanto eu não tive sexo."

"Estou falando sobre Michael," Eve advertiu.

"Sobre o quanto eu não tive sexo? Vá em frente."

"Sem bacon pra você."

"Então sem ovos para você. Igual para ambos."

Eve olhou para ele. "Prisioneiros de câmbio?"

Eles olharam um para o outro, então as panelas começaram a ser lavadas e limpas.
Claire estava apenas para falar quando a campainha tocou, um som estridente. Não era um som assustador, mas Eve e Shane congelaram e olharam um para o outro e ficaram assustados, de algum modo. Shane colocou seus pratos sobre o granito da bancada, raspado com seus dedos a graxa do bacon, e disse, "Tire ela de vista."

Eve concordou. Ela deixou cair o próprio prato no balcão, agarrou o braço de Claire, e a arrastou para um esconderijo, uma porta meio escondida na parede perto da geladeira. Era grande, escuro, e


empoeirado, com prateleiras apinhadas de antigas latas de batata doce e de espargos e frascos de vidro de antigas geléias. Havia uma
iluminação feita com uma corda, mas Eve não queria ligá-la. Ela chegou por trás de uma fileira de latas de aspecto lúgubre e acertar algum tipo de interruptor. Havia um rumor dissonante, em seguida, um clique, e de parte da parede traseira estava aberta.




Eve empurrou-a para trás, verificando tudo e pegou uma lanterna que entregou a Claire. "Dentro", disse ela. "Estou indo para ligar a luz aqui de fora, mas tente manter a lanterna desligada se você ouvir vozes. Poderia aparecer através das frestas". Claire compreendeu, um pouco chocada, e rastejou através da pequena abertura... uma grande sala vazia, piso de pedra, sem janelas. Varias aranhas nos cantos, e um monte de poeira, mas caso contrário não parece muito ruim.


Até Eve fechar a porta, e então as trevas apareceram, e Claire apressadamente apoiou-se sobre a lanterna, deslocado para o canto mais próximo, sentando, sua respiração era rápida e difícil.

Apenas um minuto atrás, eles estavam rindo sobre bacon e ovos, e de repente ... o que diabos acabou de acontecer? E porque há um compartimento secreto nesta casa? Um que - ela pudesse dizer – não tinha outras entradas ou saídas?


Ela ouviu vozes distantes, e apressadamente ela desligou a lanterna. Isso foi ruim. Ela nunca realmente teve medo do escuro, mas não estava escuro na maior parte do tempo .... Havia estrelas, luar, distante luzes das ruas.

Aqui estava muito escuro, algo como a solitária, e ela tinha o pensar gelado de que alguma coisa poderia estar bem próximo a ela, ou se aproximando, e ela nunca iria vê-lo chegando.

Claire mordeu os lábios com força, agarrando a lanterna com força, e deslizando com sua mão para baixo do muro até encontrar a porta de madeira que tinha passado. Um pouco de luz brilhava em torno dela, era apenas um lampejo, mas o suficiente para aliviar a bater no seu peito.

Vozes. Shane e de outra pessoa. A voz de um homem, mais profunda que a de Shane. "... Norma de Inventário."

"Senhor, não há ninguém morando aqui, apenas o que consta na lista. Só nós três." A voz de Shane soou forte e respeitosa, algo que não parecia dele. Não que ela soubesse tudo sobre ele, mas a voz dele era uma espécie de sarcasmo.

"Qual deles é você?" A voz perguntou.

"Shane Collins, senhor."

"Traga o terceiro aqui", disse a voz.

"Bem, eu iria, mas – Michael não está. Ele está fora até hoje. Você quer voltar, então? ..."

"Não importa." Claire, forçando os ouvidos, ouvindo um balançar de papel. "Você é Eve Rosse?"


"Sim, senhor." Eve soou respeitosa, mas ágil.


"Saiu da casa de seus pais - oito meses atrás?"

"Sim, senhor."

"Trabalhando"?

"No Common Grounds, você sabe, o café-"

O homem, quem ele era, interrompeu ela. "Você, Collins. Algum emprego?" É claro que ele falava com Shane.


"Estou vendo empregos, senhor. Você sabe como é."

"Continue procurando. Não gostamos de desempregados em Morganville. Todo mundo contribui."


"Sim, senhor. Vou manter isso em mente, senhor."

Uma breve pausa. Talvez tivesse um pouco mais do sarcástico Shane na resposta do que deveria existir. Claire deliberadamente desacelerou respiração dela, tentando ouvir mais.

"Você saiu da cidade por uns anos, rapaz. O que o traz de volta?"


"Saudades, senhor." Sim, isso foi definitivamente baixo em sua voz e imediatamente Claire soube que era uma coisa má. "Saudades dos meus velhos amigos."

Ela ouviu Eve limpar a garganta. "Senhor, eu sinto muito, mas eu tenho um trabalho em meia hora...?"

Mais papéis misturados. "Uma outra coisa. Aqui está uma foto da menina que desapareceu do dormitório noite passada. Você a viu? "

Ambos gritaram um "Não."

Ele não deve ter acreditado eles, porque ele não soou convincente. "O que tem aqui dentro?" Ele não esperou uma resposta, ele apenas abriu a porta exterior da despensa. Claire se encolheu e suspendeu sua respiração. "Você sempre deixar a luz acesa?"

"Eu estava pegando alguns potes de geléia quando você tocou, senhor. Eu provavelmente esqueci de desligá-la", disse Eve. Ela soou nervosa. "Desculpe".

Click. A luz se apagou na despensa, fazendo o último resquício dela correr enquanto a porta se fechava para ela. Claire mal controlava a respiração.Não se mexa. Não se mexa. Ela apenas sabia quem ele - quem quer que fosse - estava parado no escuro, olhando e ouvindo.

E então, finalmente, ela ouviu ele dizer: "Telefonem para a Polícia, se você virem essa garota. Ela se meteu em alguns problemas. Estamos tentando manter ela fora dessa situação."

"Sim, senhor", disse Eve, e a porta da despensa finalmente foi fechada. A conversa se afastara, se tornando mais suave e macia até que ela não podia ser mais ouvida.

Claire ligando a lanterna, cobrindo a luz com a mão, e apontou para o canto - só de um pouco de luz escapou, apenas o suficiente para convencê-la de que nenhum demônio zumbi estava tentando matá-la no escuro. E em seguida ela esperou. Pareceu uma eternidade, e então a porta começou a abrir e a luz se acendeu. Eve estava gritante em sua maquiagem preta e branca e seus olhos pretos pareciam mais assustadores do que antes.
"Tudo ok", disse ela, e ajudou Claire a sair da despensa. "Ele já foi."

"Ah, como que diabos está tudo ok", disse Shane atrás dela. Ele tinha os braços dobrados em torno do seu tórax, e embalados para frente e para trás, nervoso. "Esses idiotas tem uma foto sua. Eles estavam olhando para ela. O que você fez, Claire? Esfaqueou o Prefeito ou qualquer coisa assim?"

"Nada!" Ela gritou. "Eu - eu não sei porque - talvez apenas estão preocupados porque eu não apareci na noite passada?"

"Preocupados?" Shane riu amargamente. "Sim, é isso. Eles estão preocupados com você. Certo. Eu vou ter que falar sobre isto com o Michael. Se eles estão vindo para a cidade e vira-la de cabeça para baixo à sua procura, significava que você é uma “bomba” para ficar em Morganville ou teremos de arranjar algum tipo de proteção, rápido."

Ele disse que da mesma forma Eve tinha. "Mas – talvez a polícia -?"

"Essa era a polícia", disse Eve. "Eu te disse. Eles mandam na cidade. Esses caras trabalham para os vampiros – eles não são vampiros, mas são assustadores o suficiente. Olha, posso ligar para seus pais? Para que eles venham te tirar da escola e levar pra casa, ou algo assim?"

Certo. Essa seria a coisa mais fácil do mundo, somente falar algo disso e eles nunca acreditariam em uma palavra sequer, e então, se ela tentasse explicar isso, ela iria acabar tomando remédios e na terapia para o resto da vida. E qualquer chance – qualquer uma – de entrar em Yale ou MIT ou Caltech estariam arruinadas completamente. Ela teria de ser muito idiota para contar isso, mas essas coisas estavam sendo muito reais para ela.

Vampiros? Nem tanto.

"Mas – eu não fiz nada!" Disse ela e olhou de Eve para Shane. "Como é possível eles virem atrás de mim se eu não fiz nada?"

"A vida não é justa", disse Shane, com certeza ele possuía mais de dois anos de experiência no assunto. "Você tem que ter irritar as pessoas erradas, é tudo o que sei. Qual é o nome da menina? A qual você está com medo de voltar?


"M-Monica."

Eles olharam espantados para ela.

"Ah, merda", disse Eve, horrorizada. "Monica Morrell?"

O rosto de Shane estava... vazio. Completamente vazio, exceto para os olhos dele, e havia algo muito assustador a passar por eles. "Monica", ele repetiu. "Como é que ninguém me disse?"

Eve estava observando-o, mordendo o lábio. "Desculpa, Shane. Nós íamos dizer – Eu juro, eu pensei que ela tinha saído da cidade. Tinha ido fazer a faculdade em outro lugar."
Shane se abalou com isso, seja lá o que era, ele estava tentando não entrar em pânico, fazendo cara de quem não se importava. Era óbvio para Claire que ele estava, no entanto. "Ela provavelmente não continuaria sendo a rainha, e teria de pedir ao papai para comprar algumas qualidades para ela.”
"Shane"

"Estou bem. Não se preocupe comigo."


"Ela provavelmente nem sequer lembra de você," Eve comentou e, em seguida, olhou como se ela desejasse não ter dito. "Eu - isso não é o que eu quis dizer. Desculpe."


Ele riu, e pareceu errado e um pouco inseguro. Houve um curto, estranho silêncio e, em seguida, Eve mudando de assunto resolveu pegar o prato e continuar cozinhando os ovos e bacon.


E em seguida, correu os olhos. "Ah, merda", disse ela, e depois, cobriu a boca com as mãos.

"O quê?"

Ela apontou para os pratos na bancada. O de Shane, o dela... e o de Claire. "Três pratos. Ele sabia que algo estava estranho. Nós dissemos que Michael não estava. Não é de admirar que ele ficou procurando."


Shane não disse nada, mas Claire podia ver que ele estava – se fosse possível - ainda mais chateado. Ele não mostrou muito, mas ele pegou o seu prato e saiu para a sala, dando passos rápidos.


Sua porta bateu estrondosamente.

Eve mordeu o lábio, assistindo ele.

"Então... Shane e Monica ...?" Claire sugerindo.

Eve manteve os olhos na porta de entrada. "Não é o que você esta pensando", disse ela. "Ele não tocaria nela nem em um milhão de anos. Mas eles fizeram o segundo grau juntos, e Shane – assistiu o pior lado dela. Assim como aconteceu com você."

O apetite de Claire para o café da manhã de repente desapareceu. "O que aconteceu?"

"Ele se desentendeu com ela, e sua casa foi queimada. Ele quase morreu”, ela disse. “A irmã – a irmã dele não teve muita sorte. Michael mandou ele para fora da cidade, por sua própria conta, antes que ele fizesse alguma coisa maluca. Ele estava fora por algum tempo. Só voltou um pouco antes de eu me mudar para cá." Eve forçou um sorriso luminoso. "Vamos comer, sim? Estou morrendo de fome."


Elas sentaram na sala, conversando sobre nada, nem falaram sobre o que era a coisa mais importante: o que fazer.

Porque, Claire sentia, nem um deles tinha a menor idéia sobre isso.

CINCO

Claire vigiava o relógio – antigo, do estilo de parede, com mãos – rastejando lentamente, passando até, dar onze horas. Professor Hamms está começando a aula, ela pensou, e sentiu um estranho redemoinho no estomago. Este era o segundo dia que ela perdia as aulas. Em toda a sua vida, ela nunca havia perdido dois dias seguidos de aula.Claro, ela já tinha lido o livro - duas vezes - mas as aulas eram importantes. Assim era o jeito de se saber sobre algum assunto bom, especialmente em aulas como a de Física, onde eles faziam manifestações práticas. Aulas era a parte divertida.


Era quinta-feira. Isso significava que ela tinha um aula de laboratório mais tarde, também. Você não pode deixar de fazer uma aula de laboratório, não importa quão boa sua desculpa seja.


Ela suspirou, obrigou-se a olhar para longe do tempo, e abriu o seu livro de Cálculos II – ela já tinha visto tudo de Cálculo I, poderia estar em Cálculo II, mas pensou que poderia ter perdido algo entre as equações lineares que precisasse resolver depois, e isso era um problema para ela.


"Que diabos você está fazendo?" Shane. Ele estava na escada, olhando para ela. Ela não tinha ouvido ele chegar,


mas isso foi provavelmente porque ele estava descalço. Seu cabelo estava uma bagunça, também. Talvez ele tivesse acabado de acordar.


"Estudando", disse ela.
"Hum", disse ele, como se ele nunca tivesse visto algo deste tipo acontecer antes. "Interessante." Ele desceu os últimos três degraus e se jogou no sofá

de couro do lado dela, ligando a TV com o controle remoto que estava perto dele, alterando os canais. "Isso vai te incomodar?"

"Não", disse ela educadamente. Era uma mentira, mas ela não estava totalmente pronta para ser, você sabe, obtusa. Era seu primeiro dia.

"Ótimo. Quer dar uma folga?"

"Uma pausa?"

"É quando você para de estudar", ele inclinou a cabeça para o lado do

livro - "ok, qualquer inferno que isso seja, você realmente tem de fazer

algo divertido. É um costume de onde eu venho." Ele deixou uma coisa no

centro do seu livro aberto. Ela olhou e pegou o controle sem fio com dois dedos. "Ah, vamos lá. Você não pode me dizer que nunca jogou um vídeo game".
Sinceramente, ela tinha. Uma vez. Ela não tinha gostado muito. Ele deve

ter visto, na sua expressão, porque ele sacudiu a cabeça dele. "Isto é

tão triste. Agora, você vai ter uma pausa. Ok, você escolhe: horror, ação, corrida ou guerra."

Ela estava confusa, "Estas são minhas opções?"

Ele olhou ofendido. "O quê, você quer jogo de meninas? Não na minha casa. Esqueça, eu vou buscar algo para você. Aqui.
Tiro ao alvo em primeira pessoa. "Ele pegou uma caixa de uma pilha ao

lado do sofá e colocou um disco na maquina. "Fácil. Tudo que você tem que

fazer é puxar o gatilho. Confie em mim. Nada como um pouco de violência

virtual para fazer você se sentir melhor."


"Você está louco."

"Hey, prove que estou errado. A menos que você pense que não pode." Ele

não olhava para ela enquanto dizia isso, mas ela sentia que sim, de

qualquer maneira. "Talvez você apenas não queira fazer isso com ela."

Ela fechou seu livro de Cálculos II, pegou o controle, e viu os gráficos coloridos carregando na tela. "Mostre-me o que fazer."

Ele sorriu lentamente. "Ponto. Dispara. Tente não ficar no meu caminho."

Ele estava certo. Ela pensava que era uma espécie de arrepio, ficar na

frente da TV e matar monstros virtuais, mas droga, isso era... divertido. Durante um bom tempo, ela ficou atirando nas coisas que se mexiam para os cantos da tela, e de vez enquanto Shane lhe ajudava quando alguma coisa a colocava no canto querendo matá-la.
Quando o jogo acabou para ela, e de repente a tela mostrou um zumbi com o

rosto salpicado de vermelho, ela sentiu como um se tivesse um cubo de gelo

nas suas costas.
"Opa", disse Shane, enquanto disparava. "Desculpe. Alguns dias você é o

zumbi, em outros, você é a refeição. Boa tentativa, criança."

Ela colocou o controle nas almofadas do sofá, e o viu jogar por um tempo sozinho. "Shane?" Ela finalmente perguntou.

"Peguei você - droga, estava perto. Que foi?"


"O que você fez à Monica para entrar na - "

"Lista de merda dela?" Ele estava enfurecido, e mandou uma dúzia de balas

em um zumbi vestido como se tivesse indo a um baile. "Você não tem que

fazer muito, é só você não se rastejar toda vez que ela anda em um quarto."

O que, ela percebeu, não foi exatamente uma resposta. Exatamente. "E o que

você fez?"

"Eu, hum ... Eu fiz ela parecer estúpida."


Ele bateu o controle e congelou o jogo, e virou-se para olhar para ela.

"Você o quê?"

"Bem, ela disse que esta coisa sobre a Segunda Guerra Mundial ser sobre a China, e-"


Shane riu. Ele tinha uma boa risada, barulhenta e cheia de energia, e ela sorriu nervosamente em troca. "Já está melhor do que antes, C. Boa." Ele

pegou a mão dela. Ela a sacudia nervosamente. "Ah, cara, é triste essa coisa sobre o vídeo game. Mais uma vez."

Com algumas explicações depois, ela estava começando a dominar o jeito nos controles do vídeo game.

"Shane?" Ela perguntou.
Desta vez, ele suspirou. "Sim?"

"Desculpe - mas a sua irmã-"


Silêncio. Ele não olhava para ela, não deu qualquer indício que ele tinha ouvido uma palavra. Ele apenas continuou matando coisas.


Ele era bom nisso.


Os nervos de Claire falharam. Ela voltou para o seu livro de Cálculos. Ele

não parecia tão excitante, de algum modo. Depois de meia hora, ela os

colocou de volta na mochila, se ajeitou, se esticou e perguntou: "Quando

é que Michael levanta?"

"Quando ele quer." Shane resmungou. "Porquê?" Ele fez uma cara de forma

estrita e cruzou os braços sobre ele.
"Eu-eu pensei que poderia voltar para o dormitório e buscar minhas coisas."
Ele bateu em um botão, e o jogo estava em pausa novamente. "O quê?" Ele deu

à ela sua total atenção, o que fez o coração dela arfar. Caras como Shane

não davam muita atenção a meninas nerds como ela. Não desse modo.
"Minhas coisas. Do meu quarto na república."

"Sim, isso é o que eu pensei que você disse. Será que você perdeu a parte

onde os policiais estão procurando por você?"

"Bem, se eu checar antes", disse ela razoavelmente, "Não vou estar ausente mais. Eu posso dizer que eu dormi em alguns lugares. Em seguida, eles vão

parar de me procurar."


“Essa é a coisa mais estúpida que eu já ouvi."

"Não, não é. Se eles acharem que eu estou de volta ao dormitório, eles vão me levar até a Monica, certo? Poderia ser de poucos dias antes que ela perceba que eu não vou voltar. Ela podia esquecer-me até lá."


"Claire-" Ele a olhou com a cara amarrada por um segundo ou dois, em seguida, sacudiu a cabeça. "Não acredito que você está pensando em ir lá, ainda por cima sozinha."


"Mas, eles não sabem onde estou. Se você for comigo, eles vão saber."


"E se você não voltar do dormitório, eu sou o único que terei de explicar ao Michael como eu deixei você ir e eles te matarem como uma idiota. Primeira regra filmes de horror, C. nunca dividir-se."

"Não posso me esconder aqui. Tenho aulas!"


"Mate-as."


"De jeito nenhum!" Esse pensamento a horrorizou. Ela nunca pensaria em algo deste tipo.


"Claire! Talvez você não esteja entendendo isso,mas você está em apuros! Monica não estava brincando quando ela te empurrou nas escadas. Aquilo foi como um exercício fácil para ela. Da próxima vez, ela poderia realmente fazer algo ruim."


Ela se levantou e pegou a sua mochila. "Estou indo."

"Então você é estúpida. Não se pode salvar uma idiota", disse Shane com raiva, e virou-se para seu jogo. Ele não olhou para ela novamente, ele estava entretido nos controles, disparando com vingança. "Não lhe diga onde você estava ontem à noite. Não precisamos de aborrecimento".


Claire fechou seu maxilar raivosamente, engolindo as palavras. Então ela correu para a cozinha para pegar alguns sacos lixo. Ela os colocou em sua mochila, ela ouviu a porta da frente abrir e fechar.


"Uma praga sobre todas as nossas casas!" Eve gritou, e Claire ouviu o tilintar das suas chaves prata bater na mesa do. "Tem alguém vivo aqui?"


"Sim!" Shane respondeu. Ele soava tão louco como Claire se sentia.

"Droga," Eve respondeu alegremente. "Eu tinha tanta esperança."

Claire saiu da cozinha e encontrou Eve seguindo pelo corredor. Ela estava resplandecente hoje – uma saia xadrez vermelha e preta, sapatos de couro com caveiras sobre os dedos, uma camisa branca masculina, suspensórios. E um sobre-tudo preto de couro. Seus cabelos possuíam duas presilhas, elas eram caveiras temáticas de bandas. Ela cheirava a... café. Colhido, fresco. Tinha algumas manchas marrom em sua camisa.


"Oh, hey, Claire", disse ela, e piscou. "Aonde você vai?"

"Funeral", disse Shane. Na tela, um zumbi era aceertado e morreu despedaçadamente.


"Sim? Legal! Quem?", disse Eve.
"Dela". Shane disse.

Os olhos de Eve se ampliaram. "Claire – você vai voltar lá?"

"Só para buscar minhas coisa. Eu acho que se eu me mostrar por uns dias, deixar as pessoas me verem, talvez elas pensem que eu ainda estou por lá.... "

"Ei, ei, ei, idéia ruim, muito ruim. Sem cookie (expressão usada geralmente quando a idéia é ruim e quem a disse não merece nenhuma parabenização). Você não pode voltar. Não sozinha."


"Por que não?" Claire respondeu.


"Eles estão procurando por você!"


Shane colocar o jogo em pause."Você acha que eu já não falei isso para ela? Ela não escuta."


"E você estava deixando ela simplesmente ir?" Eve questionou.


"Eu não sou a mãe dela."


"Que tal o fato de você ser amigo dela?"


Ele olhou para Eve com uma aparência que dizia, Cale a boca. Eve devolveu o olhar, em seguida, olhou para Claire. "Sério, você não pode ir – é muito perigoso. Você não tem idéia. Se Mônica realmente falou com o Patrono dela e então você, você não pode apenas, você sabe, vaguear por aí."

"Não estou vagando", Claire salientou. "Estou indo para o meu dormitório, pegando algumas roupas, indo para as aulas, e voltando para casa."

"Indo as aulas?" Eve fez pouco caso enquanto agitava suas unhas pretas. "Nananinanão! Sem aulas, você está brincando?"
Shane levantou seus braços. "Eu disse."

"O que seja", disse Claire, e parou perto de Eve e andou até a porta de entrada. Ela ouviu Shane e o murmúrio Eve ferozmente por trás dela, mas não esperou.


Se ela esperasse, ela iria ficar nervosa.

Era só um pouco após meio-dia. Bastante tempo para ir para a escola, assistir o resto de suas aulas, pegar algumas
roupas e colocar em um saco do lixo, dizer alguns “Olás” para fazer tudo certo, e chegar a casa antes de escurecer. E apenas depois que escurecia era perigoso, certo? Se essa coisa toda sobre vampiros fosse verdadeira.

Que ela estava começando a acreditar, por enquanto era só um pouquinho.


Ela abriu a porta da frente, atravessou-a, fechou-a, e saiu para o alpendre. O ar estava afiado e quebradiço com calor. Eve deve ter ido cozinhar com seu casaco; houve ondulações no ar quente que subiam da rua para a calçada, e o sol estava um branco-pálido como um céu de inverno.

Ela estava na metade da calçada, onde o grande carro de Eve estava estacionado, quando a porta da casa abriu atrás dela.


"Espere!" Gritou Eve, e depois veio correndo enquanto seu casaco de couro agitava no vento quente. "Não posso deixar você fazer isso."





Claire continuou caminhando. O sol queimou sobre o local dolorido em sua cabeça, e sobre ela manchas negras. Seu tornozelo ainda estava doendo, mas não o suficiente para incomodá-la tanto assim. Ela só precisava ter cuidado.


Eve andou até ela, até estar face a face com Claire, então Eve continuava gesticulando e dançando, enquanto Claire apenas continuava caminhando. "Sério. Isto é idiota, Claire, e você não me parece alguém com vontade de morrer. Quero dizer, tenho vontade de morrer – isso é uma das coisas que eu desejo – ok, pare! Apenas pare!" Ela colocou a mão na frente de Claire e ela parou a poucos centímetros de distância. "Você está indo. Eu entendo. Pelo menos deixa eu levar você. Você não deveria estar caminhando.


Desta maneira eu posso chamar o Shane se algo acontecer. E pelo menos você tem alguém aguardando."
"Eu não quero trazer qualquer dificuldade para vocês." Michael foi bem específico quanto a isso.

"É por isso que Shane não vem. Ele é - bem, ele atrai problemas como televisões atraem poeira. Além do mais, é melhor não colocá-lo em nenhum lugar perto de Monica. Coisas ruins acontecem." Eve destravou portas. "Você tem a chamada espingarda."

"O quê?"

"Você tem que buscar a espingarda que fica embaixo do assento do passageiro."

"Mas ninguém mais está-"

"Estou avisando, é melhor se acostumar com a idéia, porque Shane estava aqui? Ele já sabe, e você seria uma parte...”


"Hum ..." Claire sentiu estúpida tentando dizer.


"Espingarda?"

"Pratique. Tem que ser rápido no gatilho por aqui."


O carro tinha um ardiloso banco de vinil, rachados e com fiapos soltos, cintos de segurança e de marcas de cinto de segurança que não eram nem um pouco seguro. Claire tentou não deslizar sobre o estofado de qualquer jeito para não piorar ainda mais a situação e aos poucos o carro ganhava as ruas. As lojas pareciam tão pouco convidativas como Claire se lembrava, e os pedestres eram apenas peões em um jogo.

"Eve?" Ela perguntou. "Porque é que as pessoas ficam aqui? Por que elas não vão embora? Se, você sabe... vampiros."


"Boa pergunta", disse Eve. "As pessoas são engraçadas. Adultos, de qualquer maneira. As crianças podem entrar e sair o tempo todo, mas os adultos ficam barrados. Casas. Automóveis. Emprego. Filhos. Uma vez que você tenha coisas, é fácil o suficiente para os vampiros para mantê-lo preso. Demora muito para as pessoas simplesmente deixar tudo para trás e ir embora. Especialmente quando se sabe que eles não poderiam viver muito pensando sobre isso. Oh droga, abaixe-se!"

Claire desafivelou seu cinto de segurança e entrou no espaço apertado na frente do assento de passageiros. Ela não hesitou, porque não porque a voz de Eve não teve esse tom de brincadeira - tinha sido puro pânico em sua voz. "O que foi?" Ela quase não se atreveu a sussurrar.


"Polícia", disse Eve, e ela quase não mexia os lábios. "Estão vindo pela direita. Fique abaixada."


Ela fez. Eve tocou unhas nervosamente sobre o volante de plástico duro, e em seguida soltou um suspiro. "Ok, eles já foram. Apenas fique abaixada, contudo. Eles podem voltar."

Claire fez, abraçada em si mesma sentindo os solavancos da estrada enquanto Eve ia em direção ao campus. Mais alguns minutos se passaram antes Eve dizer que estava tudo limpo, e ela pode voltar para o banco e prender o cinto.


"Essa foi por pouco", disse Eve.

"E se eles tivessem me visto?"
"Bem, para começar, eles iriam me rebocar para a delegacia para averiguação, confiscariam meu carro...". Eve bateu no volante energeticamente. "E você poderia simplesmente... desaparecer."

"Mas,"


"Confie em mim. Eles não são exatamente amadores por aqui e essas coisas acontecem. Portanto, vamos apenas fazer o que tem de ser feito e seguir com a droga do seu plano, está bem?"

Eve as leva lentamente através da multidão de estudantes na hora do almoço que andavam pelas ruas, ela fez a volta, e deixou Claire perto da entrada do seu dormitório.

Howard Hall não estava nada bonito hoje do que tinha sido ontem. O estacionamento estava pela metade, e Eve estacionou o grande Caddy perto das vagas de saída. Ela desligou a ignição e olhando para o sol deslumbrante que fazia, comentou "Direita". "Entre, pegue suas coisas, e esteja de volta em quinze minutos, ou eu vou começar a lançar Operação Resgate à Claire".

Claire ficou perdida. Ela não estava sentindo que esta era uma boa idéia, agora que ela estava olhando para a porta de


entrada.

"Aqui". Eve estava segurando alguma coisa. Um telefone celular, fino e elegante. O número do Shane esta em discagem automática – apenas aperte asterístico e dois. E lembre-se quinze minutos, e então eu perco o bom senso e começar a agir como sua mãe. Ok?"


Claire tomou o telefone e colocou no seu bolso. "Eu já volto."

Ela esperava que não tivesse feito nenhum som estranho. Nada assustador , ou qualquer coisa desse tipo. Havia alguma coisa sobre ter amigos -novinho em folha- mesmo aqueles que ajudavam a manter o tremor de sua voz, e balançar suas mãos para ela.Ela não estava sozinha. Tenho segurança. Foi uma espécie de nova sensação. Uma sensação boa, também.

Ela saiu do carro, acenei para Eve, que acenou em resposta, e virou-se para andar de volta ao inferno.




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