Monitoria Psicoterapia Centrada na Pessoa: Teoria e Prática



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Monitoria Psicoterapia Centrada na Pessoa: Teoria e Prática

Raphaela Priscilla Santos Lins (Monitor Voluntário), Profª Drª Sandra Souza da Silva (Orientador, professor da disciplina), Departamento de Psicologia, Projeto de Monitoria do Departamento de Psicologia



Introdução

Este projeto referiu-se à proposta de renovação do projeto de monitoria, o qual vem sendo desenvolvido desde 2009, sob a coordenação da Profª Drª Sandra Souza da Silva, tendo como objetivo principal continuar no encaminhamento de atividades de ensino e orientação na disciplina Psicologia Fenomenológica e Existencial I para o período 2012.1. Enquanto disciplina obrigatória, com carga de 60 horas/aula cada, apresenta um encadeamento de conteúdos programáticos, visando proporcionar aos alunos o conhecimento filosófico (Existencialismo e Fenomenologia) e teórico/prático das abordagens humanistas. Essa disciplina é oferecida pelo Departamento de Psicologia desta universidade e é ministrada pela professora autora do Projeto, fazendo parte de uma grade curricular do Curso de Psicologia tanto em sua versão antiga quanto a do novo Projeto Político Pedagógico. Seus conteúdos abrangem os fundamentos e pré-requisitos necessários à formação do aluno de psicologia em uma prática e atuação fenomenológica.



Aspectos teóricos

Os conteúdos da disciplina em questão contemplam os fundamentos teóricos e práticos relativos à Abordagem Humanista, a qual se insere na perspectiva existencial e fenomenológica de se estar com o cliente e de se fazer pesquisa.

A base do pensamento existencialista é “ser-no-mundo e com os outros”. Assim, a experiência subjetiva ocorre eminentemente na relação com o mundo. O ser humano sempre está em relação no mundo e sua existência acontece a partir dessa relação. Então “existir” indica que o homem não é simplesmente uma “coisa” no mundo, no meio de tantas outras, pois o homem não se valoriza se não fizer o movimento de sair de si mesmo para estar com os outros e com outras coisas. Estar com os outros nos faz remeter a Martin Buber quando este dá primazia ao encontro humano como um componente existencial, principalmente na relação autêntica onde se estabelece o Eu-Tu (Scheeffer, 1979).

Enquanto condição de ser-no-mundo, o homem está em uma luta constante consigo mesmo para vivenciar sua dignidade existencial e suas peculiaridades. Tal condição culmina na angústia do aqui-e-agora. Ademais, ser-no-mundo evidencia a característica do homem se configurar como o único ser que constrói seu ambiente de vida (Camon, 1993).

O olhar fenomenológico se dá a partir de um movimento que se opõe à aceitação ingênua ou não-crítica de especulações e de questões teóricas embasadas em premissas hipotéticas. Se opõe, sobretudo, ao objetivismo e ao positivismo, muito forte no início da ciência psicológica, tendo ainda hoje um grande espaço de investigação. Contudo, é importante ressaltar que a fenomenologia não se opõe ao desenvolvimento da ciência natural ou da tecnologia. De forma contrária, ela é uma forma sofisticada e refinada para trabalhar com a evidência e contribuir para o aperfeiçoamento técnico e ético da ciência, da filosofia, e da existência (Gomes; Holanda & Gauer, 2004).

Os aspectos filosóficos que unem o existencialismo à fenomenologia estão diretamente vinculados à filosofia de Heidegger, o qual se utilizou da fenomenologia de Husserl, enquanto um método para estudar os temas da existência sinalizados por Kierkegaard, como é o caso, da ansiedade, angústia, morte, etc. Gomes, Holanda e Gauer (2004) apontam que os termos existencialismo e fenomenologia se integram de forma equilibrada quando o assunto é psicoterapia. Afirmam que o existencialismo é uma filosofia que evidencia as questões da expressão autêntica da subjetividade e a fenomenologia é uma filosofia e um método envolvido com as condições técnicas para a reflexão rigorosa, objetivando descrever os fenômenos estudados, melhor dizendo, a essência das coisas. De um modo geral, Bruns e Holanda (2007) afirmam que o pensamento clássico da Fenomenologia tanto se expressa no campo de atuação, de visão de homem e mundo, de agir psicológico, como em um modelo de pesquisa em ciências humanas e sociais.

Na psicologia, as influências do pensamento existencialista e fenomenológico se deram de modo bastante amplo nas abordagens ditas humanistas, como, Gestalt terapia, Logoterapia e Abordagem Centrada na Pessoa. Ambas as influências podem ser percebidas na forma de estar com o outro na relação e também no modo como são tratadas as idiossincrasias e o comportamento humano.

Na Psicologia, o nascimento do humanismo ocorreu na efervescência do clima cultural da década de 1960 como uma resposta ao movimento cultural da época nos Estados Unidos. Especificamente é possível situá-lo no final da década de 1950 e início de 1960 como uma reação ao modelo da psicologia norte-americana que dominava na época: o behaviorismo e a psicanálise (Boainain, 1998). A crítica era a de que esta ciência deveria se voltar mais para o humano, para os problemas do homem. O behaviorismo fazia do ser humano algo mecanizado, que apenas respondia aos estímulos apresentados. Com isso a psicologia humanista desenvolveu uma visão positiva do homem, não só dentro da psicologia, mas se buscava o compromisso de ajudar o homem a se modificar, de ser mais humano (Campos, 2006).

A psicologia humanista prioriza temas e experiências humanas costumeiramente negligenciadas (potencialidade, alegria, virtudes, etc.), assim como prima pelas inovações metodológicas de estudo. Os métodos de pesquisas são voltados aos procedimentos da fenomenologia, como exemplo, as pesquisas qualitativas, a aceitação de que a pessoa do pesquisador influencia nos experimentos, e também o caráter de ecletismo nos procedimentos tradicionais de pesquisa. Ademais, é nas psicoterapias e nas técnicas de crescimento pessoal que a psicologia humanista contribuiu sobremaneira. O tratamento sob a perspectiva humanista é tornar a pessoa ela mesma, isenta de máscaras, de jogos ou de couraças. A ênfase é dada à saúde e não à doença. Desse modo, o processo psicoterapêutico estimula mais a aprendizagem e o desenvolvimento do que o tratamento de enfermidades. Por se compreender que o ser humano tem uma tendência inata ao crescimento, especificamente na ACP - a tendência atualizante - a função do terapeuta é a de facilitador do processo. Segundo Kinget e Rogers (1977a), em todo organismo existe um fluxo subjacente de movimento para uma realização construtiva de seus recursos intrínsecos. Acrescenta ainda que esta tendência pode ser impedida, mas não pode ser destruída sem que se destrua o organismo. O objetivo da psicoterapia será a ativação dos próprios recursos do cliente, no sentido de sua autonomia, por meio da utilização das respostas-reflexo do terapeuta (Kinget & Rogers, 1977b), proporcionando uma escuta profunda e transformadora. Por fim, além de toda essa repercussão a respeito da natureza humana, o movimento dos Grupos de Encontro foi também de grande repercussão nesse período (Boainain, 1998).

A psicologia humanista enfatiza aspectos positivos da vida do ser como a saúde, o bem-estar e o potencial humano de crescimento e de auto-realização. Maslow propôs o desenvolvimento de uma psicologia da saúde, inclusive direcionando o foco para o estudo dos melhores exemplares da espécie, os quais ele chamou de personalidades auto-atualizadoras na tentativa de se buscar definir as características do pleno e saudável exercício da condição humana. Essa perspectiva busca também privilegiar capacidades e potencialidades exclusivas da espécie humana, contrapondo-se ao behaviorismo que tira suas conclusões a partir de experimentos realizados em pesquisa animal, observando também que a psicologia experimental se centra em demasia nos aspectos fisiológicos. Em outras palavras, a bandeira do movimento é o retorno ao humano (Boainain, 1998).

Carl Rogers deu origem a Abordagem Centrada na Pessoa nos EUA, na década de 1940. Sua base teórica consiste na crença nas potencialidades de desenvolvimento e crescimento psicológico em uma relação profunda nos moldes filosóficos do encontro EU-TU de Buber. Por fim, é interessante observar que a ACP tem um papel de destaque na história da psicologia, pois possibilitou o trabalho psicoterapêutico aos psicólogos, uma vez que anterior a Rogers, tal trabalho era uma atividade apenas dos médicos. Outra grande importância é que este autor contribuiu para o desenvolvimento desse campo de atuação por meio de pesquisa rigorosa e quantitativa ao se estudar o processo da psicoterapia (Gomes; Holanda & Gauer, 2004).

Considerações finais

A experiência de monitoria foi bastante enriquecedora e proporcionou um maior contato com a temática da disciplina, com a dinâmica de sala-de-aula, bem como a possibilidade de mediar a relação professor-aluno-conteúdo de maneira a beneficiar todas essas esferas. A monitoria apresenta-se como veículo através do qual o aluno tem um contato durante a graduação com a prática de docência. Nesse sentido, este processo proporcionou uma aproximação com este campo através do auxílio das atividades desenvolvidas em sala.

Também foi um aspecto positivo para a experiência de monitoria a relação com a docente da disciplina, de modo a desenvolver e potencializar habilidades pessoais e teóricas. Dessa forma, pode-se concluir que a monitoria e o aprendizado adquirido com a mesma desenvolveram-se de forma positiva e construtiva contribuindo para a boa formação do aluno.

Referências

BOAINAIN, JR., E. Tornar-se transpessoal: transcendência e espiritualidade



na obra de Carl Rogers. São Paulo: Summus, 1998.
BRUNS, M. A. T. & Holanda, A. F. (Orgs.) Psicologia e Fenomenologia: Reflexões e Perspectivas. Campinas: Alínea EditorA, 2007.
CAMPOS, R. F. (2006). Ética Contemporânea: os anos 60 e o projeto de psicologia

humanista. Epistemo-somática, III (2), pp. 242-260.
CAMON, V. A. A. Psicoterapia Existencial. São Paulo: Livraria Pioneira Editora, 1993.

GOMES, W.; HOLANDA, A.; GAUER, Gustavo. Psicologia humanista no Brasil. História da psicologia no Brasil do século XX. São Paulo: EPU, 2004.

ROGERS, CARL. Liberdade de Aprender em Nossa Década. 2ª. Edição, Porto Alegre, Artes Médicas, 1986.



SCHEEFFER, R. Teorias de aconselhamento. Atlas, 1979.



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