Missão Salesiana de Mato Grosso animaçÃo missionária inspetorial



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Missão Salesiana de Mato Grosso

ANIMAÇÃO MISSIONÁRIA INSPETORIAL

CENTRO DE DOCUMENTAÇÃO INDÍGENA (CDI)

Av. Tamandaré, 6000 - Jd. Seminário

Caixa Postal 100 - UCDB

79.117-900 Campo Grande MS

Fone (067) 3312-3600 / 3731 Fax (067) 3312-6489

E-mail: lachnitt@ucdb.br


"BAKARU-ROWATSU'U-Notícias Missionárias"

é de Circulação Interna

Coordenação: Delegado Inspetorial de Animação Missionária:

Pe. Georg Lachnitt SDB

Digitação e Diagramação: Georg Lachnitt


Impressão: Mariza Etelvina Rosa Irala

Centro de Documentação Indígena

UCDB - Campo Grande MS




Capa:

BAKARU, palavra Bororo, significa: o que se conta, notícia

ROWATSU'U, palavra Xavante, significa: o que se conta amplamente, notícia

Apresentação

Desejo-lhes uma animada conclusão do MÊS DAS MISSÕES!

Neste número 16 de NM apresentamos os discursos conclusivos do Encontro de Missionários/as em Cumbayá, Ecuador. Deste Encontro importante, ainda é apresentada uma reflexão antropológica da antropóloga Gabriela Bernal, que contribuiu com observações valiosas neste encontro.

Como nem todos têm acesso ao DVD do Projeto Missionário Salesiano do SUDAN, apresentamos ainda o relato da história e realidade missionária onde os salesianos trabalham com enormes desafios.

Os artigos 5. e 7. continuam presentes, já publicados no número anterior de NM, devido à sua importância.

Como já foi praxe há quatro anos, quando do centenário da presença salesiana em Merúri, também A Missão de Sangradouro convida para uma peregrinação entre o Centenário de chegada dos missionários e os 50 anos da chegada dos Xavante a esta Missão.

Como o tema da inculturação já foi tratado sob diversos aspectos em NM, apresentamos desta vez um tema muito próximo da ação missionária: a Inculturação da Liturgia. É uma reflexão pontual que pode servir como orientação.

Diante de problemas que enfrentei e outros tantos que cada missionário pode encontrar no dia a dia, julgou-se oportuno citar por escrito os artigos 231 e 232 da Constituição da Repúbica Federativa do Brasil, para garantir que missionários e indígenas possam responder a afirmações e práticas discriminatórias dos nossos irmãos e irmãs indígenas.

Como teve assunto, voltou o número "PARA PENSAR", talvez para alguns óbvio, para outros um assunto ainda não resolvido.
Muita Animação Missionária!
Pe. Georg Lachnitt SDB

1. Observações Conclusivas do Pe. Francis Alencherry

Queridos irmãos e irmãs, chegamos ao fim do nosso encontro, no entanto é o início do nosso caminho de retorno com entusiasmo renovado, com a força do Espírito que nos chama a sermos testemunhas comprometidas da missão que o Senhor Ressuscitado nos entregou. Enriquecemo-nos de experiências e êxitos partilhados que são realizadas nas distintas missões indígenas do continente. Esperamos que este encontro a uma maior colaboração e sinergia entre nós no futuro.

1- Minha primeira palavra é de agradecimento às pessoas que levaram adiante este encontro: ao padre inspetor Pe. Paco Sánchez e à inspetoria Ir. Judith Chamorro que possibilitaram o processo de organização e por sua presença entre nós; à Ir. Mercedes Alvarez, Pe. Juan Bottasso, Ir. Maria Dolores Pesantez e a todos os que contribuíram para o êxito deste evento.

Um agradecimento a vocês participantes, aos que apresentaram intervenções e aos que escutaram atentamente. Pela participação ativa de todos, pela liturgia preparada de todos os grupos, enfim, aos técnicos e ao pessoal da casa.

Demos graças a Deus pelos irmãos e as irmãs missionárias e tantos agentes catequistas que estão trabalhando em vários países na evangelização dos indígenas. Sem dúvida, todos estão fazendo muito e estamos orgulhosos deles, reconhecemos os esforços que fazem apesar das dificuldades que enfrentam.

2 - Sem dúvida, temos alcançado muito nestes trinta anos e mais, por isso também agradecemos ao Senhor pelo compromisso dos missionários e das missionárias.

Também estamos conscientes que os desafios destes anos continuam ainda como atuais, talvez agora mais do que antes. Nas discussões partilhadas constatamos várias constantes, por exemplo: a inculturação, a verdadeira evangelização, a falta de vocações indígenas e a formação insuficiente dos missionários; penso que poderíamos sintetizar estes desafios em algumas palavras.

3 - Uma evangelização considerada do ponto de vista:

- Da Pessoa do missionário e de seus ajudantes.

- Do povo indígena como protagonista principal da evangelização inculturada.

4 - Temos consciência que para enfrentar estes desafios se requer uma mudança de mentalidade:

- De uma pastoral donde prevalece o sacramental a uma verda-deira evangelização baseada na palavra de Deus que seja a luz que ilumina e transforma a vida do povo como indivíduos e como comunidades.

- Do protagonismo do missionário ao protagonismo do povo indígena.

- Do paternalismo à animação que cria povos autônomos dependentes de si mesmos.

Tudo isto requer:

- A coragem de abandonar os preconceitos que temos em vários campos respeito ao povo indígena e a aquisição de uma mentalidade mais positiva que valoriza as capacidades de nossos irmãos indígenas;

- Crer que o Espírito Santo está presente continua atuando nos povos indígenas e que a nossa tarefa é de discernir como ELE faz deles um verdadeiro povo de Deus;

- A coragem de comprometer nossos irmãos indígenas em todas as decisões que têm a ver com o desenvolvimento e crescimento deles;

- Criar movimentos, redes e sinergias entre eles, mais do que prestar serviços distintos.

5 - Evangelização: Ela não é unidimensional, mas integral, como indicam os documentos da Igreja. Uma evangelização que têm em conta várias dimensões: o anúncio do Evangelho, a catequese, a inculturação da fé, a promoção humana e o desenvolvimento social: até a criação de uma sociedade baseada no Evangelho de Cristo. Ele é a cabeça de tudo e tudo está configurado nEle (Ef 3,9-10; Cl 1,12-20).

A evangelização e a promoção humana devem ir de mãos dadas. Por isso temos que animar e capacitar as pessoas a serem protagonista de seu próprio desenvolvimento, através da tomada de consciência e a capacitação para utilizar melhor os recursos de que dispõem; desta maneira evitamos o paternalismo de qualquer tipo. Estou convencido que, quando os povos indígenas tiverem melhores condições de vida, especialmente no aspecto econômico, conseguirão superar o complexo de inferioridade ao qual foram submetidos durante séculos.

No entanto, um desenvolvimento econômico que não se baseia nos valores do Evangelho pode fazer mas estrago que benefício e destruir a mesma sociedade indígena.

É necessário investir muito mais esforços e recursos para a promoção da mulher, ela é a chave para introduzir a verdadeira evangelização e desenvolvimento humano nas famílias, através da formação dos filhos. A mulher, em todas as etapas de seu crescimento, deve ser objeto de nossa atenção particular.

A Inculturação é ainda um grande desafio e continuará sê-lo por muito tempo. Se em séculos passados foi cometido o erro e a injustiça de desprezar e tentar destruir as culturas indígenas, por parte de alguns agentes; agora devemos evitar cair na tentação de absolutizar estas culturas e considerá-las como algo estático. Depois de Darwin é impossível pensar na realidade humana como algo estático; cada cultura está numa situação de evolução, desenvolvimento e enriquecimento no contato com outras culturas, este processo é mais rápido em nossos dias por causa dos meios de comunicação, a globalização do comércio e o fenômeno da migração. Oxalá que o câmbio e o desenvolvimento das culturas indígenas não provenham somente do contato com a política, o comércio e outras coisas; pelo contrário, que venha guiado sobretudo pelo Evangelho de Cristo e a fraternidade da comunidade cristã universal.

Como evangelizadores comprometemo-nos a proclamar o Evangelho aos verdadeiros protagonistas da inculturação: os indígenas que assumem a fé; então, com o estudo mais profundo da língua de nossos povos e a inserção mais profunda em suas culturas temos que proclamar o Evangelho e discernir junto com eles o como encarná-lo nas mesmas culturas.

6 - Promover vocações ao sacerdócio, à vida religiosa e aos distintos ministérios na Igreja. Isto requer:

- Estarmos convictos da capacidade dos jovens indígenas e a idoneidade deles para isto. Se Deus pode falar através da burra de Balaão, porque não através de nossos irmãos sacerdotes e religiosas indígenas?

- Semear as sementes das vocações nos filos, através da catequese, o acompanhamento das famílias e o seguimento dos jovens.

- Organizar uma pastoral vocacional em cada paróquia e presença como parte integral da nossa pastoral juvenil. Onde falta a proposta vocacional, faltam também as vocações.

- Criar estruturas onde os e as jovens indígenas possam crescer em sua vocação e possam aproveitar de uma formação que lhes permita adquirir confiança em si mesmos, facilidade no idioma e crescimento cultural, sem perder o contato com sua cultura; deste modo se sentirão seguros de si mesmos ao entrar em contato com os demais companheiros no pré-noviciado ou no seminário.

7 - A formação de missionários e missionários é importante e urgente, e mesmo que uma boa preparação para a missão necessita também uma atualização contínua, todos nós sentimos a necessidade de uma formação mais adequada para enfrentar os problemas e os desafios de hoje. Penso que seria desejável:

- Cursos de formação permanente para missionários e missionárias e nível americano, o que pode ser: cursos “on line”via internet ou cursos presenciais em determinados tempos com participação internacional.

- Uma publicação para partilhar e criar sinergia entre nós o que evitaria o isolamento em nossas próprias experiências.

- Sobretudo, há necessidade de uma mentalidade de formação permanente em todos os missionários e missionárias.

Irmãos e irmãs, nossa tarefa não é fácil, mas o Espírito nos dará a força de sermos verdadeiros missionários e missionárias para criar esta nova sociedade indígena. Saímos deste encontro animados em nossos corações com o fogo do amor a Deus e ao próximo para criar esta nova sociedade que tem como fundamento a Boa Nova de Cristo.

Que a Virgem Santíssima Auxiliadora dos Cristãos nos acompanhe neste caminho. Dom Bosco nos assegure que, se promovermos a devoção a Maria Auxiliadora, veremos o que são milagres. Então entreguemos em suas mãos a renovação de nossos povos indígenas na fé e na criação de comunidade cristãs verdadeiramente inculturadas, com seus próprios sacerdotes e outros ministros, religiosos e religiosas.


2. Palavras Conclusivas de Ir. Hernández

A 40 anos do Vaticano II que colocou a missão no coração da Igreja, hoje, num mundo plural, complexo e sempre mais globalizado, encontramo-nos frente a novos desafios para o anúncio missionário do Evangelho inculturado.

Vemos como a Igreja, a partir das missões, lugar geográfico, sociológico e virtual, de onde se realiza a opção pela evangelização-humanização dos pobres, descobre sua única missão no mundo.

A Igreja, as igrejas locais se experimentam, sempre mais, missionárias em si mesmas, responsáveis dessa nova humanidade que dignifica a pessoas, povos e culturas. Igrejas locais, sempre mais dialogantes e humildes que se sentem povo de Deus a caminho, com uma mis são política, histórica e profética: O anúncio da Palavra, testemunhada em Cristo Jesus, e a realização do Reino em diálogo intercultural e interreligioso.



Nosso carisma educativo/evangelizador para os/as jovens, se sente chamado a renovar-se e atualizar-se para ser, também hoje entre as comunidades indígenas, proposta de salvação/libertação, a partir da situação real em que se encontram. Nossa vocação missionária lança-nos até as fronteiras de jovens mais marginalizados e com menos possibilidades.

1. A resposta de nossos Capítulos gerais a estes desafios passa por uma renovada proposta de vida comunitária, comunidades em missão ou comunidades para o Reino, nas quais os jovens a partir de suas próprias culturas e cosmovisões possam experimentar, tocar com as mãos, estilos de vida alternativos evangelizados e evangelizadores. Comunidades no meio de pessoas que evocam com o testemunho de sua própria vida, n o sem precariedades e debilidades, o estilo de vida de Jesus, a esperança profética de uma humanidade reconciliada, de uma fraternidade universal sinal da nova Jerusalém que já começou. Somos novamente chamados a ser comunidade como sal, luz efermento.

2. A missão de anúncio e diálogo, de testemunho e profecia, de mística e contemplação, de libertação e transformação, exige de nós uma específica formação permanente. Formação que é, antes de tudo, experiência de vida nas fronteira da missão, que renova constantemente seus parâmetros bíblico/teológicos a partir da missão de Jesus e como fruto de um constante discernimento evangélico realizado em comunidade.

3. Formação missionária e a partir da missão, nas comunidades SDB-FMA, nas comunidades educativas, nas casas de formação, nos movimentos de jovens, nas comunidades cristãs. Optando pela experiência missionária, grupos e voluntariado missionário.

Em uma entrevista ao Reitor-Mor por ocasião do congresso de Vida Consagrada, celebrado em Roma em novembro do ano 2004, ele manifestava a exigência de renovação ou refundação da Vida Consagrada para que seja sempre mais significativa e profética. E acrescentava ..também é verdade que, atualmente, temos muitos irmãos nossos que estão dando a sua vida em fronteira de marginalização, sem poupar sacrifícios até dar a vida em defesa dos últimos.

Não posso terminar estas palavras sem dar graças a Deus pela vida missionária de cada um/uma de vocês. Estão realizando a utopia da missão da Igreja.

O da mihi animas, cetera tolle de Dom Bosco constitui, para cada um de vocês, o motor místico que brota de dentro e leva a dar a vida pelos/as jovens também no contexto das realidades indígenas. A partir daí e em cada um de vocês e de suas comunidades, se realiza o: Prometi ao Senhor que até o meu último suspiro será para meus pobres jovens.

Maria, Estrela da Evangelização, continua guiando a nossa vida missionária, conduzindo-a pelo caminho da esperança com os povos indígenas.

Muito Obrigada!

Ir. Ciri Hernández

3. Povos Indígenas de América Latina - Coincidências para a Discussão

Ms. Gabriela Bernal, antropóloga

• Terra / Território

• Invisibilização

• Participação Política

• Etnicidade versus Classe

• Instrumentalização dos/as intelectuais indígenas

• “Oenegización”

• Aprendizagens por parte dos estados

• Temas pendentes


Terra/Território

Este continua sendo um dos pontos principais de conflito entre os povos indígenas e os estados/nação. Umm dos pontos centrais do conflito tem suas raízes não somente na não-legalização da aposse das terras (já que na maior parte dos países existem códigos legais a respeito), mas no não reconhecimento do direito daquelas que já estão legalizadas.



A Invisibilização

Um segundo problema geral tem a ver com processos de invizibilização instaurados por diversas entidades estatais. Os censos servem em muitos casos para ocultar a verdadeira realidade das presença indígena. Por outro lado, os mesmos indígenas, devido à sua situaçào de marginalização, escondem sua identidade, pelo que é difícil ter uma idéia real de quantos indígenas realmente existem em cada país. Este fato tem conseqüências concretas como as políticas estatais que pretendem trabalhar com minorias, que na realidade são panos quentes para os problemas das verdadeiras maiorias desconhecidas.



Participação Política

Um outro dos temas que atualmente estão ligados às discussões indígenas tem a ver com sua crescente participação política nos cenários da política formal. Depois de séculos de marginalização e ausência dos ambientes da política nacional, especialmente naqueles países com maior concetração indígena (Bolívia e Ecuador! O caso de Peru deve ser analizado à parte) a participação eleitoral bem sucedida é cada vez maior, mesmo que isto se tenha convertido em dor de cabeça para os mesmos indígenas.



Etnicidade versus classes

Um dos pontos mais conflitivos nos países com maior concentração de população indígena é o da etnicidade frente às questões de classe. O discurso etnicista de algumas organizações indígenas passou por cima das fortes divisões de classe entre os mesmos indígenas, assim como no interior dos países. Na Guatemala, o tema tem um aspecto particular: O discurso político etnicista não levou em conta as fortes divisões de classe que existe nesse país, unificando o sujeito perito, que não se distingue entre aqueles que detêm o poder e a sociedade urbana, sendo todos eles "peritos".

Em países como o Ecuador ou Bolívia o discurso unitário de alguma organizações indígena passou por cima também das fortes divisões de classe no interior dos mesmos povos indígenas, de que resulta no final que a almejada unidade se esfacele pelos interesses rais e imediatos que cada grupo defende no interior das organizações que convocam à unidade.

Instrumentalização dos/as intelectuais indígenas

Depois da década dos povos indígena, as mobilizações por ocasião do 500 anos e diversos cenários nacionais, muitos dirigentes e intelectuais indígenas adquiriram grande protagonismo.

Este fato resultou em que que muitos deles/as foram chamados tanto por organizações estatais como não-governamentais. Isto tem conseqüências concretas, como um alienamento das bases que os projetaram na scena e um tipo de foclorização de certos valores indígena, que são rapidamento comericalizados.

Oenegización”

O esgotamento e a crise dos discursos de esquerda baseados no proletariado, levaram a um vazio referencial para boa parte da população latino-americana que vinha das lutas dos anos 70 e 80. Este vazio foi logo aproveitado por discursos gerados por organizações não-governamentais de mais diferentes tipos. As debilidades dos estados/nação, se traduziram numa boa medida de "deixar fazer" para estas instituições que se vincularam principalmente a setores "desprotegidos". Entre eles principalmente os indígenas. Mesmo que tenha uma imensa variedade de ONGs, muitas deleas se encarregaram de "comprar" com salários, veículos, viagens, uma boa parte da liderança indígena.

Aprendizagens por parte dos estados

No contexto das lutas indígenas de anos 90, os estados aprenderam a movimentar-se com mais suavidade entre os temas espinhosos ligados aos povos iindígenas. O uso de uma série de terminologias como "interculturalidade" e "diversidade", entre outros, se converteram em passaporte para ingressar no mundo do politicamente correto, que representa não necessariamente uma vontade política séria para efetivar as conseqüências destes temas.

Por outro lado, os estados também aprenderam que certos temas devem ser incluídos, pelo menos de nome, os povos indígenas, mesmo que sua presença seja mais decorativa do que reflexiva. Em muitos sentidos, os governos assumiram a "moda" de incluir os indígenas com o objetivo de conseguir recursos e garantir boa relações a nível internacional, mesmo que na prática somente o dinheiro seja do seu interesse, que por eles pode entrar. Partindo da experiência concreta de Evo Morales no governo, não há somente uma aprendizagem de como trabalhar instrumentalisticamente o tema indígena por parte do estado, mas inclusive como conseguir que sejam os mesmos indígenas (em distintos níveis e setores) que administram o Estado: por exemplo, Evo Morales, Awki Tituaña e outros.

Temas pendentes

Em todos os estados continuam pedentes os temas fundamentais: educação intercultural, bilíngüe, indígena, ou como os distintos pvos se decidam a chamá-lo, saúde, acesso a recursos. Em termos de recursos naturais, isto está estreitamente relacionado com a temática da terra e o território mencionado no primeiro ponto: a propriedade coletiva da terra também tende a exercer um controle sobre os recursos presentes em seu território.


4. Projeto Missionário Salesiano: SUDAN

Ambiente e Território AMBIENTE E TERRIT RIO

Pode-se subdividir o território do Sudão em três regiões físicas: no norte, uma área desértica saariana, que cobre cerca de 30% do país; no centro, a região semi-árida do Sahel, caracterizada por estepes, e os baixos relevos; na parte meridional, uma ampla região, o Sudd, ocupada por pântanos e florestas pluviais.

O Nilo Azul e o Nilo Branco, que confluem em Cartum, caracterizam de forma determinante, junto com seus afluentes, a morfologia do país.

O Nilo Branco corre da fronteira ugandense até a confluência com o outro braço, formando, assim, o verdadeiro Nilo.

O Nilo Azul, o maior pelo caudal de águas, nasce no planalto etiópico e atravessa a parte centro-oriental do país. Entre os afluentes do Nilo, o mais importante é o Atbara, que nasce, por sua vez, no planalto etiópico.

Uma planície chata constitui a maior parte do território sudanês. Os poucos planaltos se encontram ao longo da costa (Colinas do Mar Vermelho) e na área centro-ocidental (Montes Nuba); os cumes mais altos do país são o Kinyeti, no sul junto da fronteira ugandense (3187 m) e o vulcão extinto Gebel Marra (3088 m), no extremo oeste.



Clima C L I M A

O Sudão tem um clima tropical continental, com mínimas variações na costa causadas pelo influxo do mar Vermelho.

Variações de estação e amplitudes térmicas diárias são extremas nas zonas desérticas, com temperaturas no inverno que podem descer até a 4,4 °C e temperaturas no verão que ultrapassam 43,3 °C.

Tempestades de areia, chamadas haboob, ocorrem com freqüência nos meses mais quentes antes das chuvas. Altas temperaturas e baixas taxas de umidade prevalecem também nas planícies centro-meridionais, causando seca e carestias que, repetidamente, flagelam o país (de notável gravidade, a seca de 1998).

Ao contrário, no extremo sul, o clima equatorial causa excessos de umidade e precipitações abundantes.

Flora e Fauna FLORA E FAUNA

A vegetação, escassa nas áreas desérticas, cobre as regiões centrais e os vales fluviais com extensas florestas equatoriais nos relevos. São muitos os tipos de acácia, baobá, mogno, ébano e outras variedades de madeira valiosa; também são muito difusos o papiro, a mamona e as figueiras.

A fauna habita predominantemente as planícies e as regiões equatoriais, com abundância de girafas, leopardos, macacos, babuínos, répteis venenosos e várias espécies de aves, muitas das quais encontram no Nilo um ponto de parada em suas migrações.

Houve um tempo em que, nas florestas meridionais, eram difusos os elefantes, dizimados agora pela guerra civil. Os cursos fluviais são o reino de hipopótamos e crocodilos.

A faixa equatorial está infestada por insetos, dentre os quais a temível mosca tsé-tsé, e, na maior parte do território, há, em abundância, mosquitos portadores de malária.

História e culturasHist ria e culturas

O Sudão é um país povoado por duas culturas principais: a árabe muçulmana e a negra cristã-animista. É necessário sublinhar, porém, que as etnias são em número bem maior: na realidade, estas são centenas, organizadas conforme esquemas tribais e caracterizadas por diferenças de tradição, língua, religião que tornam muito difícil uma sua amalgamação.

No norte, a grande maioria das pessoas tem origem árabe e vive nos grandes centros urbanos. A população permanece, em todo caso, pouco compacta, pois está subdividida em inúmeras comunidades de origens diferentes entre si. Nas regiões do sul, vivem principalmente cristãos e animistas distribuídos nas áreas rurais e organizados de acordo com um esquema social tribal e econômico de subsistência. Além disso, a fragmentação étnica e cultural aqui é muito maior do que no norte.

A grande divisão existente no Sudão é decorrente do fato que antes da conquista egípcia (1820-1821), a área era uma constelação de pequenos reinos e principados. A autoridade estrangeira se impôs com uma certa eficácia somente no norte, culturalmente mais próximo dos árabes conquistadores, enquanto o sul, defendido por um terreno pantanoso e insalubre bastante inóspito, pôde manter uma ampla autonomia de fato, mesmo permanecendo formalmente sob o controle do Cairo.

Antigamente, a parte setentrional do atual Sudão fazia parte da região conhecida como Núbia, terra de conquista do vizinho Egito que já a partir do Antigo Reino começou a se fixar ali, principalmente para explorar as minas de ouro. A região entre o deserto nubiano e o Nilo contém numerosos achados e ruínas que remontam ao período do domínio egípcio, que terminou após uma revolta da Núbia por volta do século VIII a.C. Os templos de Naga e de Mussawarat e as 20 pirâmides da necrópole de Meroe são alguns testemunhos das antigas cidades dos reis núbios. Posteriormente, a região foi conquistada por uma série de reinos independentes dos quais o mais potente foi o reino de Maqurra, um estado cristão fundado por volta do século VI d.C., que durou até a invasão dos Mamelucos egípcios no século XIV. Um outro reino, o de Alwa, com capital em Soba, nas proximidades da atual Cartum, foi subjugado por volta de 1500 pelos Fungs, negros, muçulmanos de obscuras origens que estabeleceram o próprio sultanato em Sennar, fazendo da localidade um dos principais centros de cultura islâmica. Em 1820, a região foi invadida pelo exército egípcio. A guerra que decorreu terminou em 1822 com a vitória do Egito (na época província do império otomano). Grande parte da Núbia se tornou uma província egípcia, conhecida como Sudão egípcio. O domínio turco-egípcio, marcado pela expansão a sul do território, perdurou por mais de sessenta anos, enquanto no ocidente o sultanato de Darfur manteve a própria independência até o período do domínio britânico.

Parece que o modelo histórico do conflito sudanês tenha as suas raízes na época pré-colonial, quando os Estados que se sucederam no norte, árabe e islâmico, tratavam o sul (uma região com muitas línguas e etnias, dentre as quais as maiores são os Dinkas e os Nuers) como uma fonte de matérias-primas e de escravos. Entre 1877 e 1880, quando o general inglês Charles George Gordon exerceu o cargo de governador do Sudão egípcio sob a soberania do império otomano, tentou-se suprimir o comércio dos escravos e outros abusos sobre a população autóctone que, há muitos anos, eram causa de graves conflitos internos.

Por volta do final do século XIX, o líder religioso Muhammad ibn Abdalla se autoproclamou “al-Mahadi” (“o Esperado”, uma espécie de “eleito”) e guiou uma sublevação nacionalista, que tirou vantagens do mau governo do decadente Império Otomano. Em 1885, Cartum caiu nas mãos dos sequazes de Abdalla (é famoso o episódio da batalha de Cartum, com a morte de Gordon Paxá). Também o Madhi continuou a fazer incursões no sul, saqueando em busca de comida e de escravos.

A independência durou poucos anos, pois já em 98, forças combinadas anglo-egípcias ocuparam o país, iniciando uma administração conjunta que, no entanto, se revelou logo uma escolha de fachada, visto que ordens e quadros administrativos provinham praticamente só de Londres.

Tudo permaneceu quase que sem variações até 1953, quando a Grã-Bretanha e o Egito concederam o governo autônomo ao Sudão, inaugurando efetivamente um período de transição para a independência, alcançada formalmente em 1° de janeiro de 1956. Mas o governo central, de matriz árabe, violou suas próprias promessas, retirando o projeto de federalização do Estado garantido às forças políticas do sul. Através de um processo de ཁsudanizaçãoཁ, teve-se como objetivo a substituição de todos os estrangeiros responsáveis a nível governamental e militar por pessoal sudanês. O programa acentuou as diferenças geográficas, econômicas e sociais existentes entre o Sudão meridional e o setentrional.

Após a instituição do Islã como religião de estado e a escolha do árabe como língua nacional, o Sudão pôde receber a nomeação de membro da Liga Árabe e das Nações Unidas, mas o Sul continuou a ser cada vez mais excluído da vida política do país.

Reagindo a isso, o exército dividiu-se segundo critérios substancialmente étnico-religiosos: de um lado, os partidários árabes muçulmanos, do outro, os rebeldes negros de outra fé.
Era o início de uma guerra civil que durou 17 anos, na qual ex-oficiais das forças armadas e suas divisões se transformaram em guerrilheiros, conduzindo uma luta sem trégua contra Cartum, toda vez reivindicando autonomia ou secessão.

Em 1972, depois de 500.000 mortos, o estado de crônica insurreição do Sudão meridional, que sobreviveu graças aos contatos que os rebeldes tinham estabelecido com Israel, Congo e outros países da região, terminou com os “Acordos de Addis Abeba”, pacto que reconheceu aos rebeldes o direito a uma administração autônoma para muitos assuntos importantes. Assim, iniciaram dez anos de trégua, no decorrer dos quais o governo central interferiu repetidamente nas eleições para o Governo Regional do Sul.

Em 1973, foi promulgada uma nova Constituição que instituía a República democrática do Sudão. Inicialmente, o governo de Nimeiry buscou o apoio da União Soviética e da Líbia, mas depois de repetidas tentativas de golpe de estado que o prejudicou, aproximou-se do Egito, dos estados árabes conservadores e do Ocidente, aos quais pediu auxílio político e econômico. O assassínio de Sadat em 1981 deixou o Sudão à mercê da Líbia, gerando no país uma situação de instabilidade agravada pelo afluxo de numerosos refugiados da Eritréia, da Uganda e do Chade.

Os partidos islâmicos que tinham entrado no governo há pouco tempo exigiram a reforma do sistema legal e a instituição dos bancos islâmicos; além disso, tentaram enfraquecer os acordos de Addis Abeba, que viam como um obstáculo à instauração de um estado islâmico.

Os bancos islâmicos começaram a financiar investimentos para sustentar uma maciça mecanização da agricultura, que teria de passar da auto-subsistência à produção para a exportação. Nas áreas envolvidas nestes enormes projetos foi dado, então, um incentivo à evacuação das populações que lá viviam. Outras matérias-primas e outros projetos se tornaram outras fontes de conflito. Os gasodutos e as refinarias da Chevron estavam no norte, causando o ressentimento do sul. A água também era uma questão fundamental: a proposta de construção do canal Jonglei, que desviava recursos hídricos do sul para o norte, foi fortemente hostilizada pelos sulistas e se tornou um dos objetivos mais atingidos pela guerrilha meridional quando a guerra civil estourou novamente.

A fronteira entre norte e sul foi, por sua vez, origem de contendas, causadas por criadores árabes do norte que, nos anos Setenta, impelidos pela seca, levaram seus rebanhos para pastar nas proximidades da fronteira. Os criadores atacaram as aldeias dinkas e muitos pensaram que os partidos islamitas do norte, junto com a polícia e o exército, tivessem armado e encorajado os ataques.

Quando o petróleo, que se encontra em grande parte no sul, se tornou um problema, o governo central tentou redefinir a fronteira de maneira que os poços e as áreas agrícolas mais produtivas viessem a se encontrar encostados na fronteira com o norte.

Em 1983, Nimeiry, com um ato inconstitucional, fez desaparecer a região sul, dividindo-a em três áreas distintas e dissolvendo o Governo Regional do Sul. No mesmo ano, foi imposta a lei islâmica, a chamada sharia.

Havia todos os motivos para que estourasse de novo uma guerra civil.
5. Cursos para Missionários/as

Universidade Politécnica Salesiana (UPS) --- IUS



Antecedentes

Comprometer-se com o ação missionária da Igreja hoje exige, além de uma sólida preparação específica, uma atualização permanente, uma vez que as ciências teológicas e antropológicas enfrentam desafios e enfoques sempre novos.

O difícil diálogo das culturas entre si e a exigência da inculturação constituem o grande desafio do século que iniciamos.

Missão

A Universidad Politécnica Salesiana (UPS), fiel à sua inspiração e missão, procura dar uma contribuição para a formação de agentes de pastoral que devem exercer seu ministério em contextos culturais diferentes do próprio.



Visão

Proporcionar a oportunidade de preparar os jovens que iniciam sua atividade missionária e renovar a quem tem trabalhado neste campo. Tudo isso deve ser enfrentado sem distanciar-se de sua área de trabalho.



Objetivos

1 Formar os agentes de pastoral por cursos abertos de missiologia aplicada.

2 Criar espaço de reflexão, aprofundamento e acompanhamento da atividade missionária numa perspectiva teológica, antropológica e histórica.

Modalidades do Estudo 

Os cursos são oferecidos na modalidade à distância, como suporte virtual através da internet. A relação estudante-docente se realiza pelo correio eletrônico.



Orientação

Os cursos são teoórico-práticos (missiologia aplicada): a observação, a pesquisas e o trabalho de campo são fundamentais.



Cursos

A UPS oferece dois cursos cujas matérias têm homogeneidade, e seqüência, todavia, se o estudante com suas ocupações quiser inscrever-se somente em uma matéria, há possibilidade de fazê-lo.

Cada curso de desenvolve durante cinco meses.

Curso I

Fundamentos antropológicos - históricos e missão

1. Antropologia Cultural

Introduzir ao conceito de cultura: sua origem, sua transmissão, suas mudanças. A antropologia como ciência, seu método, estruturas culturais etc.



2. Fenomenologia da Religião

O fato religioso: como se manifesta? O sagrado, o espaço, o tempo, o rito, o mito, o símbolo.



3. Teologia das Culturais

Com o Vaticano II começa-se e ver as culturas com um olhar positivo: Deus já está nelas (sementes do Verbo). O anúncio do Evangelho comça com a descoberta de Jesus Cristo em cada cultura.



4. História da Conquista e Evangelização da América Latina

O que hoje somos, é o produto de um processo histórico: entender a religiosidade latino-americana a partir do cristianismo que foi transferido e implantado.



Curso II

5. Metodologia da investigação antropológica

A aprendizagem de uma metodologia genérica e a maneira de se proximar das pessoas, recolher dados, classificá-los etc., para elaborar uma etnografia.



6. Fundamentos da educação intercultural e bilíngüe

O bilingüismo será o grande desafio do século XXI. Todos somos chamados a praticar pelo menos dois idiomas: o próprio, expressão e veículo da própria cultura e o do contato, para relacionar-nos com o mundo.



7. Antropologia do desenvolvimento

Para que o desenvolvimento não resulte numa imposição colonialista, deverá respeitar valores, ritmos e padrões culturais dos diferentes povos.



8. Elaboração e aviação de projetos

Metodologias aplicáveis à conceituação e execução de projetos missionários em contextos pluriculturais.



Destinatários

Missionários/as, tanto de comunidades religiosas, como de organizações laicais: voluntários/as, agentes de pastoral etc.



Reconhecimento acadêmico

A Universidade outorga um certificado por cada curso aprovado, que servirá como documento para o processo de convalidação interna nos diversos cursos da UPS, para aquelesõestudantes que desejma continuar os estudos regulares.



Custos

O Curso completo: U$ 208 (quatro matérias).

Somente uma matéria: U$ 52,00.

Matrículas: A partir de 3 de abril de 2006

Pre-requisitos

1 foto tamanho carnê e Cópia da cédula de identidade.



Informação

Campus el Girón A, Av. 12 de Octubre N24-22 e Wilson PBX 223-7159 - Telf. 2236175/2236899. Ext. 228, Correos electrônicos: curso_misioneros@uio.ups.edu.ec, curso.animadores @uio.ups.edu.ec



Observações do CDI

Este curso, valioso em seu conjunto e muito adequado para missionários em áreas indígenas, não é reconhecido academicamente no Brasil. Ele mantém porém seu valor formativo, contanto que o estudioso tenha certo domínio da língua espanhola. Pelo Centro de Documentação Indígena começamos a tradução dos textos para oferecê-lo a estudiosos no Brasil. Tanto na versão original quanto na futura tradução, cada apostila pode ser solicitada para estudo pessoal, a preço de custo. Pode-se futuramente também avaliar a possibilidade de oferecer o mesmo curso no Brasil na forma de Curso de Extensão, se houver interessados em número suficiente.



6. Peregrinação à Missão de Sangradouro

No dia 24 de maio de 2006 foi comemorado o Centenário da chegada dos Missionários e das Missionárias com leigos a este lugar, naquele tempo muito afastado de Cuiabá. Assim os missionário tiveram um lugar de apoio em sua viagem à Missão dos Tachos, mais tarde Missão de Merúri.

No próximo dia 24 de fevereiro de 2007 ocorre o cinqüentenário da chegada dos Xavante a Sangradouro. Eles muito tempo antes já vinham em suas caçadas até Sangradouro, onde foram vistos ocasionalmente pelos Bororo e e missionários. Quando porém as condições de sobrevivência diante do avanço dos conquistadores se tornaram inviáveis, procuraram os missionários, já há tempo observados às escondidas.

Recordando a longa viagem nas costas de um animal de Cuiabá até Sangradouro (280 km) cem anos atrás e a longa caminhada dos Xavante até àa Missão há cinqüenta anos, a Família Salesiana está convidada a fazer UMA PEREGRINAÇÃO até Sangradouro, entre a data do seu Centenário (24.05.2006) e a data do conqüentenário (24.02.2007) chegada dos Xavante.



7. V. Encontro Latino-Americano de Teologia Índia

Carta final do encontro que reuniu 180 indígenas, missionários e agentes de pastoral em Manaus, Amazonas, de 21 1 26 de abril de 2006:

A todas as comunidades indígenas

a todas as nações e governos do mundo

a todas as Igrejas

do coração da maloca da Amazônia

anunciamos que

a força dos pequenos é vida do mundo.

Como os córregos e mananciais que se encontram no grande rio Amazonas, assim também nós, povos que nascemos nos quatro ventos, viemos unir nossos corações e nossas palavras às margens deste rio sagrado.

Convocados pelo Criador das águas e das florestas, o Deus Grande Pai e Mãe, o Deus de quatrocentos nomes, Tupâ, Tuminkier, Koamakë, Tamacco, Kohamacu, Elchen, (Ngenechen) Tuminkary, Nguluvi, Nyasaye, Mungu, Kanobo, Paapa, Karagabi, Tupo, Katata, Acha Diosï, Tata Kuerajpiri, Trindade, Tupana, Ñande ru, Metion, Wanadi, Ngai, Nungungulu, Palob, Encânticos da mata e do mar, Ngai, Nana-Tata, Kaa’ti, Pachacamac, Apunchic, Ajaw, Qatata’ Qate’, Sabaseba, Onoruame, Yumtsil, Jmanojel, Waxacamen, Paba, Nana, Zalita, Qart’a, Tata Fitsocoyich, Dsara, Ndiose, Kinpaxkatsikan, Kinpuchinakan, Teótzin, Ometeótzin, Tonántzin, Totátzin, Pacha-Camac, Pachamama, Tata, Apunchiy, Viya, Jeiñ, Het, Maimuná, Wirak’ocha, Tata Viya, Moxeno, Ngurá, Mañusi, Omama, Karosakaybu, Tupagâ, Bôdje, Kaa’t, Viya, Jeiñ, Mejión, Akoré, Ngöbö, Nun Run, Bôdjé Dev, Eidjadwlha’, Bhagvan,, Ye’paô’âktht, Co’amact, Ishwak, Jangoiko, Aijimarihi, Yumahi, T^sorá, Wainikaxiri, Ko Mam, N’diose, Ajuä, Pita’o, Achillik, Kausayuk viemos participar do V Encontro Latino Americano de Teologia Índia, em Manaus.

O Brasil nos recebeu com imensa ternura, com palavras floridas e danças incentivadas por maracás, flautas, violões e corações dispostos a partilhar esperanças e sonhos de um outro mundo possível, onde a força dos pequenos é alternativa de vida.

Desde os primeiros momentos, saboreamos as riquezas culturais de nossos povos que manifestam a grande sabedoria e o imenso amor de nossa Mãe e de nosso Pai geradores de vida. Sabedoria simbolizada pelo fogo, por sementes e frutos, bebida, incenso e orações.

Jesus Cristo ressuscitado fez-se presente nesse encontro, fortificando a luta dos povos e dando sentido à morte de nossos mártires. No mais íntimo de nós mesmos, escutamos o quanto a vida triunfa sobre a morte. O testemunho de uma mulher indígena nos ensinou que não se morre jamais quando se morre lutando pela vida. Nossos mártires não são enterrados, eles são plantados para que nasçam novos guerreiros. A experiência de nossos mortos fortalece o coração de nossos povos. Vivemos e queremos continuar vivendo e por isso oferecemos nossa própria vida.

Trouxe-nos grande alegria e esperança a palavra de irmãos e irmãs que caminham conosco nessa experiência teológica quando afirmaram que a Luz, dom do Espírito da Terra e da Água já se encontrava em todos os povos indígenas, em todas as culturas e religiões e que, nenhuma delas é superior às outras porque cada uma tem em suas mãos uma fagulha do Fogo divino.

Mas escutamos com dor e preocupação que foi freado o processo que permitia a nossos irmãos indígenas receberem o diaconato na Diocese de S. Cristóvão de las Casas e que também se impuseram medidas disciplinares a irmãos indígenas, teólogos, do México. Pedimos ao Espírito que abra os corações e as mentes daqueles que nos conduzem à autêntica universalidade, para que, como em Pentecostes, nossa assembléia cristã manifeste todos os rostos e todas as línguas do mundo.

Constatamos que nossos mitos, nossos ritos e experiências históricas são, para nós, expressão do sagrado. As orações e danças desses dias nos convidaram a uma contínua purificação dos males e das pragas que o sistema neoliberal nos impôs. A maioria dessas pragas vem de fora, embora, infelizmente, também as produzimos entre nós: divisões, perda de identidade, abandono de nossas terras, violência intrafamiliar...

Nós, os participantes desse Encontro, queremos denunciar que a praga que mais ameaça esse momento da História é aquela que a Amazônia sofre em seu imenso manancial aquático, na riqueza de sua biodiversidade, em seus povos e culturas milenares, pela cobiça dos poderosos que pretendem apossar-se desse eco-sistema imprescindível para a vida de todos os seres da terra. Frente ao sistema neoliberal avassalador e destrutivo, queremos então oferecer a todos os povos do mundo, como alternativa, a sabedoria com que cultivamos nossa terra e cuidamos da natureza. O mundo de hoje necessita do saber tradicional que nos cura e da força espiritual que nos impele adiante na construção da História.

Convocamos a todos os povos indígenas a continuar sendo os defensores dos mares e dos rios, dos peixes e das aves, das sementes e dos frutos, das árvores e dos animais, dos rios e das montanhas, das matas e do cerrado, porque o Coração do Céu e o Coração da Terra nos introduziram na História para oferecermos ao mundo alegria e plenitude, ao invés de maltratá-lo e destruí-lo.

E convocamos também a continuar lutando e exigindo dos governos, da sociedade e das Igrejas respeito e apoio pelos direitos indígenas.

A partir da palavra milenar de nossos antepassados, percebemos nossa pequenez e tomamos consciência de que, sozinhos e isolados não podemos enfrentar as ameaças do sistema de morte. Guardamos no coração essa lição que aprendemos das experiências históricas e dos relatos de mitos em que os animais mais pequeninos como formigas e rãs são os vencedores do mal.

Quando nossos irmãos e irmãs indígenas de Manaus nos convidaram para visitar as águas sagradas do Amazonas, lugar onde se juntam as águas brancas e as águas negras, aprendemos que é possível a união dos diferentes em uma única caudal geradora de vida para a humanidade e de fertilidade para o mundo.

Ao longo desses dias surgiram diversos desafios: defender a vida de tantos de nossos irmãos e irmãs indígenas ameaçados, propiciar um autêntico diálogo entre índios e instituições nacionais e eclesiais, comprometer-nos profeticamente como missionários e missionárias para que, longe de impormos uma ideologia, testemunhemos e anunciemos o Evangelho de Jesus.

Em profunda contemplação, constatamos que a força dos pequenos está em sua união e organização, em suas assembléias e consensos comunitários, no saber complementar-se, na responsabilidade e no serviço, no abrir seus corações para somar com outros e multiplicar sonhos e utopias. Essa força está na identidade e cosmovisão próprias, na ética e na autenticidade de sua palavra.

Força que vem de seu vínculo com a Terra e com a Água, de sua profunda solidariedade, de seu parentesco com toda a criação e da fraternidade que os une a todos os povos.

Sua força está na dança e na festa, na espiritualidade que os vincula com Deus Pai e Mãe da vida.

Ao terminase Encontro, queremos manifestar nossa gratidão a todos aqueles que se solidarizam com as causas indígenas e com elas se comprometem até as últimas conseqüências em cada um dos países da América Latina: o levante de Chiapas, no México, o Movimento Indígena do Equador, o empoderamento indígena de Bolívia, as luta por demarcação da terra no Brasil, o reconhecimento constitucional no Paraguai.

E, somos especialmente agradecidos àqueles e àquelas que, como Jesus, estão conosco no dia-a-dia, nos momentos de dor ou de festa, no plantio e na colheita, nos altos e baixos da vida, a todos os que trabalham e sonham conosco, a todos e todas que, por nós, são capazes de morrer e que, em nós, ressuscitam.

Ao final desses dias, em volta do fogo e da comida que nos unem, assumimos o compromisso de continuar a construir juntos nossa História, defender nossos territórios tradicionais, fortalecer nossas culturas e religiões, solidarizar-nos com as lutas políticas de nossos povos e prosseguir incentivando o surgimento de Igrejas autóctones.

Da grande maloca indígena da Amazônia, em Manaus, Brasil

26 de abril de 2006.



8. Inculturação da Liturgia - reflexões pontuais

Georg Lachnitt

Depois de várias reflexões sobre a inculturação em geral, termo em analogia com a encarnação do Evangelho em cada uma das culturas, queremos agora aprofundar seu significado e suas conseqüências na liturgia, uma vez que atinge, de modos diferentes, todos os setores da vida da Igreja.

As definições sobre a inculturação em geral são igualmente aplicáveis à liturgia. Não é estranho não encontrar uma definição específica da inculturação da liturgia.

Chupungco descreve a inculturação da liturgia como o processo pelo qual os textos e ritos usados no culto pela igreja local estão de tal modo inseridos na estrutura da cultura, que absorvem seu pensamento, sua linguagem e seu modelos rituais. A inculturação litúrgica opera de acordo com a dinâmica de inserção em determinada cultura e assimilação interior de elementos culturais. De um ponto de vista puramente antropológico, podemos dizer que a inculturação permite às pessoas de um povo experimentarem em celebrações litúrgicas um 'evento cultural' cuja linguagem e cujas formas rituais são capazes serem identificadas como elementos de sua cultura.1

A CDBB, refletindo sobre a origem da liturgia cristã, nos apresenta uma definição: A inculturação já é processo mais pro­fundo: simplesmente incorpora ritos sociais ou religiosos, dan­do-lhes sentido cristão, sem desfigurar sua natureza. A pró­pria liturgia romana assim se formou, incorporando, por exemplo, a festa pagã do Sol invicto na celebração do Natal.2

Para chegarmos a este objetivo final há um longo caminho a percorrer, uma vez que a inculturação, também da liturgia, requer um tempo longo (...), é um processo profundo e globalizante (...), é um caminho lento, que acompanha toda a vida missionária (...).3

Em sua concretização, a inculturação requer gradualidade, para que seja verdadeiramente uma expressão da experiência cristã da comunidade.4

Podemos falar de uma gradualidade, em primeiro lugar, quanto à concepção da necessidade da inculturação também da liturgia, e em segundo lugar, quanto à sua realização em cada comunidade local com sua cultura.

1. A Igreja se vê envolvida no processo de inculturação

A consciência da nessidade do processo da inculturação foi-se delineando aos poucos, a partir do Concílio Vaticano II, embora a inculturação da liturgia tenha sido um fato permanente da história da Igreja desde suas origens.5

Antes do Concílio Vaticano II, o termo inculturação qual neologismo6 ainda não existia nos discursos teológicos, nem tampouco na reflexão litúrgica. A SC fala de legítimas variações e adaptações para os diversos grupos, regiões e povos, principalmente nas Missões, também quando forem reformados os livros litúrgicos; e isso ter-se-á oportunamente diante dos olhos na estruturação dos ritos e na confecção das rubricas (SC 38). Este princípio bastante amplo e profundo justifica a procura de uma celebração em que os fiéis participem dela com conhecimento de causa, ativa e frutuosamente (SC 11). E no número 14, a SC expressa a mesma motivação de outra maneira: Deseja ardentemente a Mãe Igreja que todos os fiéis sejam levados àquela plena, cônscia e ativa participação. A adaptação da liturgia é motivada basicamente por razões pastorais.

Como a adaptação em terra de missões pode-se mostrar de pouco alcance, a SC 40 urge a uma atenção particular para Adaptações mais Profundas, critérios que hoje colocaríamos entre os de inculturação da liturgia: Mas, como urge em alguns lugares e circunstâncias especiais fazer uma adaptação mais profunda da liturgia, é que se torna por isso mesmo mais difícil:



1) A competente autoridade eclesiástica territorial, a que se refere o art. 22 § 2, considere, com muita prudência e atenção, o que, neste aspecto, poderá oportunamente ser aceito no culto divino das tradições e índole de cada povo. Proponham-se à Sé Apostólica as adaptações julgadas úteis ou necessárias, para serem introduzidas com seu consentimento.

2) Para se fazer a adaptação com a devida cautela, a Sé Apostólica poderá dar, se for necessário, à mesma autoridade eclesiástica territorial a faculdade de permitir e dirigir as experiências prévias que forem precisas, com grupos aptos para isso e por tempo determinado.

3) Como as leis litúrgicas, sobretudo nas missões, costumam trazer dificuldades especiais, quanto à adaptação, ao elaborá-las, recorra-se a pessoas competentes nesta matéria.

Publicados esses princípios em 04 de dezembro de 1963, que urgem a uma adaptação mais profunda da liturgia, a uma inculturação dela, vemos nos anos seguintes uma fervilhar de esforços para inverter isso na prática. Para isso o aprofundamento dos princípios da inculturação, por parte do Magistério e de teólogos foram importantíssimos para superar alguns equívocos iniciais, que fazem parte da caminhada, para pautar uma nova prática de uma liturgia cada vez mais autêntica.

No decorrer do processo da inculturação da liturgia urge, pois, manter em andamento um aprofundamento da Teologia Litúrgica, da História da Liturgia e do diálogo aprimorado com a respectiva cultura, uma vez que cada um desses elementos precisa ser mantido com sua respectiva competência.7 Quanto a este terceiro elemento, do diálogo com a cultura, podemos afirmar que a inculturação litúrgica (...) é um processo de natureza antropológica e pastoral.8

Sobre cada uma destas referências deve-se promover minuciosa reflexão ao promover o processo de inculturação de determinado rito litúrgico, uma vez que cada rito cristão tem sua origem histórica até mesmo em Jesus Cristo, tem seu significado teológico para os celebrantes HOJE e é celebrado numa cultura que conta com um repertório rico de prestar culto à divindade.


2. O processo de inculturação tem sua caminhada própria em cada comunidade eclesial.

A inculturação não pode nascer adulta, mas segue o critério de todo o desenvolvimento humano: nasce, cresce, torna-se adolescente onde há desvios como parte do amadurecimento, se torna adulta e faz parte permanente da agenda litúrgica de cada comunidade.

Podemos então verificar uma gradualidade do processo da inculturação, não de maneira rígida e matemática, mas dinâmica. Cada um dos momentos citados a seguir, podem coexistir com os demais.

Como encontro de duas culturas, a da liturgia na qual a liturgia se expressa e daquela do povo de quem os missionários-anunciadores do Evangelho se aproximam, há um processo de intercâmbios iniciais de ambas as partes, posto que nenhuma das culturas se arrogue o privilégio de ser melhor, mais progredida, mais poderosa etc. O melhor processo é aquele em que ambas as culturas se encontram em nível de igualdade, uma vez que qualquer cultura é apta para receber o Evangelho e expressá-lo em sua originalidade.9

1. Adaptação

O primeiro encontro do Evangelho com outra cultura exige adaptações, por parte da liturgia, para torná-la compreensível e assim comunicar à humanidade a vida de Cristo e apresentar ao Pai seu culto de glorificação.10

A tradução dos textos litúrgicos e a adaptação de sinais, gestos, símbolos à índole do povo são uma exigência11. Devemos trabalhar com o que a comunidade tem de disponível em sua cultura. Se introduzirmos elementos "inventados", ainda a liturgia não é compreensível.

2. Aculturação.

Por aculturação entendemos um nível mais profundo12 do que apenas uma adaptação inicial que normalmente fica na exterioridade ritual. A aculturação é um processo dinâ­mico que se desencadeia quando a fé se instala nas bases de uma cultura13. Continua a CNBB: Há elementos culturais próprios de cada povo que são compatíveis com a liturgia romana, primeiro porque são isen­tos de erro e superstição e assim, facilmente, podem ser in­corporados por ela; além disso, se a Igreja cultiva os valores das várias nações, não é apenas para atender ao desejo dos povos, mas para secundar as exigências da própria Liturgia.

3. Inculturação.

A inculturação é o objetivo final da adaptação inicial e da aculturação. Estas duass são iniciativas que devem conduzir mais adiante, são passagens necessárias. Pelo processo da inculturação a liturgia chega a tornar-se efetivamente um evento cultural de uma comunidade étnica, a tal ponto que seus membros considerem a celebração litúrgica como "nossa cultura", ao mesmo tempo que é realmente e em profundidade a celebração do mistério pascal de Cristo numa nova cultura, em suas diversas modalidades.

Para que isto aconteça, é necessário que a liturgia assuma a rica ritualidade já pre-existente no povo e construa o significado cristãos nesta rica ritualidade. O que não é assumido, não é redimido14.

Jesus Cristo assumiu plenamente a liturgia do seu povo e construiu o significado cristão a partir da ritualidade encontrada. Ele não criou nada do nada, não inventou nada: assumiu sua tradição religiosa e ritual.

Talvez é por esta radicalidade do Filho de Deus, que alguns ritos, como p. ex. o da Eucaristia, estão profundamente vinculados na tradição israelita de que hoje ainda é difícil desvincular-se.

Outro desafio ainda é hoje, na prática, como expressar a liturgia numa cultura não vinculada à matriz cultural do Rito Romano, que hoje para nós se torna normativo. É preciso de um novo impulso que provém do Espírito Santo.

Para o seu desenvolvimento e legitimação, o Concílio confiou à competência e ao zelo das Con­ferências Episcopais de todo o mundo a incumbência de estu­dar com seus peritos os elementos que oportunamente podem ser incorporados na Liturgia15.

4. Criatividade.

Pe. Arrupe incluiu o conceito de criatividade em sua definição geral de inculturação, quando diz que: A encarnação da vida e mensagem cristã numa área cultural concreta, de sorte que esta experiência não somente chegue a expressar-se com os elementos próprios da cultura em questão, mas se converta no princípio inspirador, normativo e unificador que transforme e recrie esta cultura, dando assim origem a "uma nova criação".16 Realmente toda a cultura está envolvida num processo dinâmico de re-elaboração permanente, pelo que num processo de inculturação da liturgia se deve prever semelhante fenômeno em todo o seu percurso e em todas as suas fases. A um novo conteúdo, o do Evangelho, correpondem também novas maneiras de expressá-lo numa área cultural concreta. É de se esperar e deve acontecer mesmo que sejam elaborados novos cantos, novas expressões simbólicas, novos gestos, novas disposições do ambiente celebrativo numa etnia.17

Como todo processo de inculturação é um processo eclesial, faz parte do seu calendário que, de acordo com o mesmo doc. 178, na medida em que este processo leva à elaboração de novos elementos nos ritos, é preciso aprovação da Conferên­cia Episcopal e da Sé Apostólica, pois cabe a essas instân­cias garantir o autêntico espírito litúrgico e preservar a unida­de substancial do rito romano.

3. Algumas considerações

a) Em qualquer processo de encontro de duas culturas, em clima de diálogo, não encontraremos termos, elementos sinais, símbolos etc. iguais. O estudo comparativo, por exemplo, das línguas nos aponta esta realidade. Encontraremos termos próximos e, ao mesmo tempo, bem distintos. Um mesmo objeto simbólico pode ter significados bem diferentes. Chupungco, para a questão da tradução dos textos litúrgicos, sugere o método da equivalência dinâmica.18 Este metodo também deve ser usado, com as devidas ressalvas, para a questão de gestos, símbolos etc. Se ficasse apenas nisso, a inculturação da liturgia significaria simplesmente aculturação. Na verdade, a inculturação é um processo de radicação do Evangelho e assim a partir de dentro, levar a novas manifestações e expressões da fé assumida.

b) É preciso afirmar uma questão metodológica, que é a distinção entre conteúdo teológico e forma litúrgica. Afirma Chupungco que o conteúdo teológico é constante e muitas vezes remonta à era patrística, quando não à apostólica. No caso dos sacramentos, o conteúdo teológico ou sentido essencial é de instituição divina. A forma litúrgica sofreu e continua sofrendo mudanças ou modificações no correr dos tempos por causa de fatores teológico e culturais prevalecentes. Embora os dois não possam ser separados, podem ser distinguidos e, portanto, estudados como unidades individuais.19 No decorrer da reflexão, que deve preceder e acompanhar a inculturação da liturgia, é preciso fazer sempre a distinção entre os dois elementos, para ter consciência do que deve continuar, isto é, a celebração do mistério pascal de Cristo, e o que pode e deve ser adequado à cultura da assembléia celebrante.

c) Outra distinção que Chupungco nos apresenta versa sobre o confronto entre a cultura dos destinatários e a liturgia cristã. A inculturação não é unilateral. Não consiste apenas em observar princípios teológicos e litúrgicos. Precisa haver reciprocidade e respeito mútuo entre liturgia e cultura. A cultura também possui categorias, sua dinâmica e suas leis intrínsecas. A liturgia não deve impor à cultura um sentido ou peso intrinsecamente estranhos à sua natureza. (...) tanto a liturgia quanto a cultura são capazes de evoluir através da mútua inserção e absorção sem uma prejudicar a identidade da outra.20

d) A longa história da Liturgia nos mostra como e quanto as adaptações lhe são co­naturais.21 Jesus Cristo não inventou ritos, nem seus apóstolos. Cristo escolheu do rico repertório litúrgico do Povo Eleito o que de melhor havia para expressar e celebrar a Boa-Nova. A Eucaristia teve seu precedente no BERAKÁ da tradição judaica. A tradição batismal do tempo de Jesus Cristo forneceu o rito de batizar e acrescentou o significado novo "em nome do Senhor Jesus" (At 2,38) ou "em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo" (Mt 28,19) e assim continuou através da história com detalhes interessantes.22

Bem! Estas são algumas idéias pontuais sobre um tema tão vital, urgente e irrenunciável como é o da inculturação da liturgia. Há riscos e perigo de erros neste desafio que porém não podem intimidar o esforço urgente de proceder a encaminhamentos. Há também limites que são traçados neste processo de uma liturgia mais autêntica em cada povo, limites estes que ora podem ser mais rigorosos e ora podem também ser traçados com mais generosidade sem abdicar ao verdadeira sentido pascal da liturgia.

Na proximidade da V Conferência Geral do CELAM, no ano vindouro em Aparecida, podemos recordar, a título de um pequeno balanço, se ainda vale a afirmação dos bispos do CELAM pronunciada há 14 anos: Ainda não se dá atenção ao processo de uma sã inculturação da liturgia. Isto faz com que as celebrações sejam ainda, para muitos, algo ritualista e privado a ponto de não se fazerem conscientes da presença transformadora de Cristo e de seu Espírito nem de traduzirem-na em um compromisso solidário para a trans­formação do mundo.23

9. CONSTITUIÇÃO da República Federativa do BRASIL

promulgada aos 5 de outubro de 1988

CAPÍTULO VIII - Dos Índios



Art. 231. São reconhecidos aos índios sua organização social, costumes, línguas, crenças e tradições, e os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam, competindo à União demarcá-las, proteger e fazer respeitar todos os seus bens.



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