Ministério da Cultura



Baixar 75,49 Kb.
Encontro09.09.2017
Tamanho75,49 Kb.


Ministério da Cultura



Fundação Casa de Rui Barbosa

Conhecendo um

pouco do Museu



1 – O MUSEU CASA DE RUI BARBOSA
Após a morte de Rui Barbosa em 1923, o Governo Federal decidiu incorporar ao Patrimônio Público sua casa com seus pertences. Mas, somente a 13 de agosto de 1930 o Museu Casa de Rui Barbosa foi inaugurado, sendo o primeiro museu brasileiro no gênero – um Museu Casa.

2 – O PRÉDIO
A casa foi construída entre 1849 e 1850, para o Barão da Lagoa – Bernardo Casimiro de Freitas. Trata-se de mansão em estilo neoclássico, característica da arquitetura brasileira do século XIX.

Em 1879, a casa foi vendida ao Comendador Albino de Oliveira Guimarães e, em 1890, a John Roscoe Allen, capitalista inglês estabelecido no Rio de Janeiro.

Rui Barbosa adquiriu a casa em 1893 (pelo valor de 130 contos de réis, sob garantia hipotecária da Companhia Mercantil Hipotecária) e, pelo que se depreende da leitura da escritura, o prédio tinha a estrutura semelhante à da época em que foi construído. As modificações que porventura possam ter ocorrido afetaram talvez a divisão interior, mas não o conjunto mandado construir pelo Barão da Lagoa.

Antes de exilar-se na Inglaterra, ainda em 1893, Rui Barbosa havia feito contatos com Antônio Jannuzzi para a realização de reformas na casa, tais como pintura em geral e colocação de baias na cocheira. O acréscimo de uma escada de acesso ao salão da biblioteca e a transformação de um cômodo (instalando-se no local um toalete junto ao quarto de dormir do casal) parecem ter sido determinados quando já se encontrava na Inglaterra.

De volta do exílio, em 1895, Rui e a família vieram diretamente para a Vila Maria Augusta (nome dado por Rui Barbosa à Casa, em homenagem a sua mulher).

Novas obras foram contratadas em 1901 e 1905, mas foram serviços de conservação, e não de modificação na estrutura. Durante o tempo em que Rui Barbosa residiu na Casa (seus últimos 28 anos de vida), foi ela recebendo melhorias que denotam também os progressos tecnológicos do período: a iluminação a gás foi substituída pela luz elétrica (Rui manteve em alguns cômodos os bicos de gás), telefone, água encanada (inclusive quente e fria).



3 – O ACERVO
O acervo que pertenceu a Rui Barbosa compreende, além de imensa e preciosa biblioteca (cerca de 37.000 volumes), seu arquivo documental, peças de mobiliário, objetos decorativos e de uso pessoal, e, ainda, viaturas.

Os ambientes do Museu permanecem quase fiéis ao original, com as pinturas, os lustres, tapetes e móveis, oferecendo ao visitante uma visão da residência à época em que era ocupada por seu último proprietário - representante de um segmento da sociedade brasileira. A decoração interior traduz o ecletismo que dominou as artes no Brasil, no final do século XIX e início do XX, como reflexo de uma sociedade em transformação.

Ao inaugurar o Museu, o Presidente Washington Luís denominou cada uma das dependências da Casa de acordo com a atuação de Rui Barbosa na Política, no Direito, no Jornalismo e, ainda, homenageando sua vida familiar.



  1. -SALA DE HAIA

Lembra a atuação de Rui como Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário e Delegado do Brasil na Segunda Conferência Internacional da Paz, em Haia, Holanda, em 1907, quando defendeu o princípio da igualdade das nações.

Era o quarto de dormir de Maria Luísa Vitória (Baby), filha caçula do casal Rui Barbosa, ao voltar do colégio interno, na Tijuca.

Baby nasceu na Inglaterra, durante o exílio do pai (1894 – 1895), e seu nome é uma homenagem a Rainha Vitória.

Hoje, o ambiente reproduz o escritório de Rui em sua casa de veraneio em Petrópolis e que ele chamava de “gabinete holandês”, uma vez que seus móveis foram adquiridos na Holanda e usados durante a 2ª Conferência da Paz, em Haia

Nas paredes estão expostas fotografias do plenário da conferência, das delegações brasileira e portuguesa, além do Palácio Binnenhof, onde se realizou a conferência.


Aspecto de uma Sessão da 2ªConferência da Paz, na sala dos Cavaleiros( Rui é o sexto da 2ª fila)



  1. - BANHEIRO

Mandado construir por Rui, provavelmente durante o exílio na Inglaterra. Este é o único cômodo não original da primitiva construção.

As louças são de procedência inglesa.

Destaca-se o toalheiro térmico, por onde a água quente circulava.

Ainda no banheiro, pode-se ver um exemplar de bico de gás em opalina branca.



  1. - SALA “HABEAS-CORPUS”

O nome origina-se da atuação do advogado Rui Barbosa ao impetrar, em 1892, junto ao Supremo Tribunal Federal da República, o primeiro habeas-corpus sobre matéria política em favor dos militares, poetas, jornalistas e membros do Congresso, então reformados, demitidos e desterrados pela ditadura do governo de Floriano Peixoto.

Antigo quarto de dormir do casal. A cama de metal é de origem inglesa. Acima dela, um quadro a óleo representando a Virgem com o Menino Jesus, cópia de um original de Murillo, que se encontra no Museu do Prado, onde foi adquirida por Rui Barbosa, a caminho do exílio na Inglaterra.

Ao lado da cama, um pequeno divã que servia para a sesta.

Sobre o toalete, jarro e bacia de prata francesa do século XIX. Nas laterais, bicos de gás.

Sobre a penteadeira, abajur de metal prateado, em estilo art-nouveau, de origem alemã. Forma inspirada na bailarina norte-americana Loie Fuller.





  1. SALA MARIA AUGUSTA

Uma homenagem a sua companheira de 46 anos de existência.

Comum a todas as abastadas da época, o quarto de vestir ficava sempre próximo ao de dormir.

Este quarto, que pertencia a D. Maria Augusta, tem os móveis fabricados pela Casa Leandro Martins, famosa no Rio de Janeiro, no princípio do século, pela técnica de efeitos e desenhos conseguidos pela alternância de madeiras nobres.

O retrato de D. Maria Augusta, assinado pelo francês Gustave Brisgand, mostra o leque de penas de avestruz que se encontra exposto em um dos móveis desta sala.

D. Maria Augusta Viana Bandeira e Rui Barbosa casaram-se em 1876 e tiveram cinco filhos: Maria Adélia, Alfredo Rui, Francisca, João Rui e Maria Luísa.





  1. SALA PRÓ-ALIADOS

Lembra a participação de Rui no movimento em favor dos Aliados da 1º Guerra Mundial Rui, presidente da Liga Brasileira pelos Aliados, condenou as atrocidades da Alemanha sobre a Bélgica e Luxemburgo e reclamou a solidariedade e a revogação da neutralidade do Brasil.

Sala de visitas, nela eram recebidos os visitantes menos íntimos.

Aí encontra-se um grupo de cadeiras escuras, estilo D. José (séc. XVIII), que pertenceram à antiga Sé de São Paulo.

Entre os quadros, destaca-se o que mostra a Ilha Fiscal, de Francisco Ribeiro, por retratar um cenário carioca, que pouco mudou.

Bronzes e porcelanas complementam a decoração e, entre eles, destaca-se um perfumador de ambientes de porcelana, de Meissen, Alemanha (séc. XIX), decorado com flores e cenas de caça. Funcionava com carvão em brasa e ervas aromáticas.


9 - SALA FEDERAÇÃO
Lembra a campanha de Rui pela maior autonomia das províncias. No Congresso do partido Liberal, em 1º de maio de 1889, Rui apresentou proposta de uma Monarquia Federativa – idéia não aceita - e que motivou sua recusa à pasta do Império oferecida pelo Primeiro-Ministro Visconde de Ouro Preto.

Destinada aos bailes e recepções, como os casamentos das filhas Chiquita, em 1900, e de Dedélia, em 1908. É decorada em toda a sua volta por espelhos à moda veneziana.

O tapete, trazido da Argentina pelo próprio Rui, é o único original da casa.

De frente para a porta principal, tapeçaria do século XVIII, manufatura Gobelin (França), segundo o desenho de François Boucher. Nas laterais, pares de jarrões japoneses.

Os bronzes alegóricos, quase sempre oferecidos a Rui por associações e grupos de admiradores, eram comuns no interior das residências abastadas.

O lustre de bronze dourado, primitivamente a gás, foi adaptado, ainda na época de Rui, para funcionar à eletricidade.



10 - SALA BUENOS AIRES
Em 1916, Rui Barbosa foi nomeado Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário para representar o Brasil nas comemorações do primeiro centenário da independência argentina. Na ocasião, pronunciou a conferência conhecida como O Dever dos Neutros, de repercussão internacional, na qual protestava contra a neutralidade impassível entre o direito e o crime, e erigia como princípio verdadeiro o da neutralidade vigilante e judicativa.

Sala onde se realizavam os saraus. Rui apreciava a música. Freqüentava os espetáculos de temporada lírica. D. Maria Augusta tocava piano.

Nesta sala apresentaram-se diversos cantores líricos

Catulo da Paixão Cearense era freqüentador assíduo da Casa.

Nas paredes, estão expostos retratos de Rui e D. Maria Augusta, de João José Barbosa de Oliveira e D. Maria Adélia, pais de Rui, e entre esses, o de Caetano Vicente de Almeida, avô materno de Rui.

O conjunto de sofá e cadeiras de mogno são de origem inglesa e alguns ainda possuem o estofamento original.

O pequeno móvel, à esquerda de quem sai da sala, serve para guardar partituras musicais.

Os dois jarrões, de procedência francesa,da Manufatura Imperial de Sèvres, mostram, com requintes de técnica de fabricação, cenas de batalhas de Napoleão.



11 - SALA CIVILISTA
Lembra a Campanha Civilista (1909-1910), ocasião em que Rui Barbosa disputou com o Marechal Hermes da Fonseca a Presidência da República, e foi derrotado.

Chamado por Rui de “gabinete gótico” em razão da decoração superior das estantes.

Era o seu ambiente preferido de trabalho.

Na cadeira da escrivaninha, uma almofada de couro trabalhado, feita por sua filha Baby.



12 - SALA CONSTITUIÇÃO
Homenagem à atuação de Rui na primeira Constituição Republicana, de 24 de fevereiro de 1891. Ministro da Fazenda do Governo Provisório foi encarregado de rever o projeto constitucional. Modificou-lhe, então, a redação e a estrutura.

As estantes monumentais, tendo na maior delas afixadas as iniciais RB, guardam grande parte da biblioteca de Rui. A possibilidade de vê-la instalada foi um dos motivos que atraíram para a compra da casa. Ao longo dos 28 anos em que nela viveu, a biblioteca aumentou e ocupou outros cômodos.

Nesta sala destacam-se a mesa onde Rui redigiu o projeto da Constituição e, no cavalete, a aquarela de Gustave Hastoy, mostrando o ato de assinatura da mesma.

A mesa junto à janela era usada por Rui para a leitura diária dos jornais. Sobre ela, uma lâmpada em metal dourado e um conjunto

Tiffany’s Studio, composto por pasta mata-borrão e tinteiro.
No centro da sala, mesa inglesa chamada gate-leg e, próxima a ela, uma cadeira-escada.

13 - SALA CASAMENTO CIVIL
Faz alusão à campanha de Rui pela obrigatoriedade do casamento civil.

Era o quarto de vestir de Rui Barbosa.

Ao fundo, armário com roupas e objetos pessoais.

Rui trajava sempre fraque, camisas da Casa Raunier ou da Torre Eiffel com punhos e colarinho postiços e gravatas brancas de laço. Calçava botinas brancas ou marrons da Casa Clarck e usava chapéus de feltro cinza, feitos sob medida, bengala ou guarda-chuva.

Atrás do biombo, banheiro portátil: vaso sanitário importado por Amaral Guimarães & Cia., Rio de Janeiro, e bidê de louça branca, rajada, montado em estrutura de madeira (século XIX).

14 - SALA CÓDIGO CIVIL
O nome tem origem na designação de Rui para relator da Comissão Especial do Senado do projeto do Código Civil. Apresentou um parecer com mais de mil emendas à linguagem do texto, que fora revisto por seu antigo professor, Ernesto Carneiro Ribeiro. Da polêmica resultou um trabalho de Rui, denominado Réplica.

A grande mesa desta sala, aposento particular de Rui, foi usada na execução desse trabalho.

Sobre ela, uma cópia do diploma da Faculdade de Direito de São Paulo, uma caixa-estojo em formato de livro, feita com a madeira da porta do quarto em que nasceu Rui. Presente do governo da Bahia a Rui em 1918.

No divã, Rui costumava repousar. Sofria de enxaquecas fortes.


15 - SOBRADO ,SALAS INSTRUÇÃO PÚBLICA,

ESTADO DE SÍTIO E ABOLIÇÃO
A primeira sala evoca a causa do ensino, que foi objeto de preocupação de Rui. Redator da Comissão de Instrução Pública, apresentou, na Câmara dos Deputados, pareceres e projetos de reforma dos ensinos primário, secundário e superior. Em retribuição aos serviços prestados, recebeu do Imperador D. Pedro II o título de Conselheiro.

A segunda, diz respeito à doutrina do estado de sítio, fartamente estudada por Rui.

A terceira sala evoca a campanha de Rui contra a escravatura, desde os tempos acadêmicos até quando foi encarregado da redação do projeto da Lei dos Sexagenários.

O Sobrado foi ocupado por sua filha Maria Adélia e Antônio Batista Pereira, após o casamento. Na Sala Abolição, a mobília de quarto do casal.

Na Sala Estado de Sítio, que foi quarto de dormir dos filhos do casal Batista Pereira, uma escrivaninha que pertenceu a Rui e que ficava em seu escritório, na Rua da Assembléia.

Na Sala Instrução Pública, fotos de Rui com os netos e de seus cinco filhos.



16 - SALA JOÃO BARBOSA
Homenagem ao pai de Rui Barbosa, que exerceu grande influência em sua vida. João José Barbosa de Oliveira, casado com Maria Adélia Barbosa de Oliveira, era médico, foi Diretor Geral do Ensino Provincial da Bahia e Deputado Geral pela Bahia.

Aqui a família e os amigos se reuniam para conversar após o jantar. Rui aproveitava essa hora para abrir, com uma espátula de marfim, as páginas dos livros que comprara no dia.

D. Maria Augusta recebia amigas para o chá, à tarde.

Por determinação de Rui, as paredes da sala foram decoradas com pinturas em estilo pompeano (cidade de Pompéia, Itália).



17 – SALA BAHIA
Homenageia a terra natal de Rui Barbosa, nascido no dia 5 de novembro de 1849, em Salvador.

Sala de jantar quando tinham convidados especiais ou se comemoravam aniversários.

A floreira sobre a mesa é de manufatura inglesa (Mappin & Webb), os vasos e colunas de porcelana, de procedência sueca (Rostränd), os vasos amarelos, que se encontram dentro do armário, de origem chinesa.

Sobre duas colunas de madeira, par de vasos verdes em porcelana, de fabricação francesa.

Sobre as cristaleiras, potiches japoneses.

18 – SALA QUESTÃO RELIGIOSA
A Questão Religiosa foi de interesse e discussão de Rui jornalista. Nas páginas do Diário da Bahia defendeu a liberdade de crença e lançou as sementes da separação da Igreja do Estado, que se transformaram em lei, durante a sua gestão no Ministério da Fazenda (1889-1891).

Esta era a sala íntima de refeições. Havia sempre além da família, alguns amigos.

Rui costumava ter, durante as refeições, um pedaço de queijo ao seu lado, do qual ia tirando fatias.

Após o almoço, Rui costumava sair para comprar livros na Livraria Briguiet e ir ao cinema.

A luminária, em estilo art – nouveau, pode ter sua altura regulada e é de procedência holandesa.

Também holandesas, de manufaturas da cidade de Delft, são as paisagens e a reprodução da tela “O Touro”, de Paul Potter, formadas por azulejos.

O papel de parede, de fabricação inglesa, imitação das tapeçarias Gobelin, da França, foi retirado de uma das paredes por causa da grande umidade nela encontrada.

O vaso de bronze é chinês e a escultura, de bronze pintado, é assinada pelo belga Van der Straeten.



19 – COPA
Na época de Rui havia na copa uma geladeira de madeira.

O quadro de números na parede, usado para chamar os empregados, corresponde às campainhas encontradas nas diversas dependências da casa

O relógio foi trazido de Haia, Holanda, por Rui, em 1907.

Quando havia recepções ou jantares especiais, o serviço era da Confeitaria Paschoal, que ficava na Rua do Ouvidor. O buffet ficava na copa e era servido através da varanda da sala de jantar.

Almoço e jantar diários eram sempre servidos à francesa, ou seja, sem deixar as travessas na mesa.

20 – BANHEIRO
As louças e ferragens são de procedência inglesa, importadas por Amaral e Guimarães e Cia. Os azulejos são franceses.Este banheiro já existia na Casa quando Rui a comprou. Era usado pela família.

Em seguida ao banheiro vem um pequeno cômodo, atualmente utilizado pelo Museu como reserva técnica.

Era a despensa da casa, onde havia um grande armário com os potes de mantimentos.

21 – SALA QUEDA DO IMPÉRIO
Rui, como jornalista do Diário de Notícias, escreveu, em 1889, artigos de críticas à Monarquia, reunidas em um livro sob o título Queda do Império.

Oginalmente o nome desta sala foi dado ao espaço que foi ocupado, ao tempo de Rui, pelo escritório de seu genro Batista pereira e, depois, como quarto de dormir de seu filho João.Quando da criação do Museu, era a sala de leitura da Biblioteca casa de Rui Barbosa.Hoje o espaço é ocupado por uma livraria, pelos técnicos do Museu e pela Biblioteca Infanto Juvenil Maria Mazzetti. Após a construção do prédio anexo da Fundação casa de Rui Barbosa, o nome foi transferido para esta sala, situada na Ala de Serviço da Casa.

Este cômodo segundo depoimento de D. Baby, filha caçula de Rui, era ocupado pelas crianças da família, acompanhadas de suas babás. Rui trouxe da Inglaterra, ao voltar do exílio, uma babá inglesa para Baby.

Atualmente, a sala expõe uma mobília laqueada que pertenceu à casa de Rui em Petrópolis, hoje pertencente a outra família.



22- SALA DREYFUS
Durante o exílio na Inglaterra Rui escrevia artigos para o Jornal do Comércio. Na primeira de suas Cartas de Inglaterra protestou veementemente contra a injustiça sofrida pelo oficial francês Alfred Dreyfus, de origem judaica, acusado de alta traição, condenado e deportado para a Ilha do Diabo. Foi uma das primeiras vozes a se levantar em seu favor.

O nome desta sala foi também dado originalmente a um espaço que ficava abaixo da cozinha e que abrigava o gabinete do Diretor do Centro de Pesquisas da Casa de Rui Barbosa.

A Sala Dreyfus também é utilizada pelo Museu como reserva técnica.

Na época de Rui era o refeitório dos criados, antes de ser transferido para o espaço situado abaixo da cozinha.



23 – COZINHA
O fogão a lenha, os tachos, o almofariz, as panelas e assadeiras em níquel, proporcionam uma visão dos serviços de cozinha da época. Reformada por D. Maria Augusta tem os pisos e azulejos da época da reforma.

A existência de uma pia cônica para limpeza das aves e peixes revela a preocupação com a higiene e o bem-estar da família.

A água quente, graças a um sistema de serpentina ligado ao fogão, chegava aos banheiros e copa.

O refeitório dos empregados que não faziam as refeições dentro da casa estava instalado embaixo da cozinha. Para eles a comida descia por um elevador (monta-carga) que não mais existe, mas que deixou sua marca em um dos cantos do piso.

Ao deixar a Ala de Serviço, chega-se ao Jardim.

24 – O JARDIM DA CASA DE RUI BARBOSA
A partir de 1830, o Rio de janeiro, e também as principais cidades brasileiras da época, receberam grande impulso no desenvolvimento de jardins particulares. Era um dos meios de afirmação da aristocracia imperial, cujo requinte social se impunha. Assim, esplêndidos jardins surgiram nos bairros de Laranjeiras, Botafogo, Glória, Santa Teresa, Catete, Rio Comprido e Tijuca.

O jardim da Casa de Rui Barbosa, como a maioria dos que datam de meados do século XIX, foi influenciado por forte ecletismo e incorporou diversos elementos estrangeiros:



  • nas aléias retas e na regularidade do traçado dos canteiros predominam as características francesas.

  • na presença das palmeiras e na profusão de flores e plantas, o gosto andaluz.

  • nos espelhos d’água, nos amontoados de pedras, bancos e pontes rústicas, o espírito romântico do jardim italiano.

No jardim da Casa de Rui Barbosa pode-se ver, do tempo em que Rui ocupou a Casa, os tanques, a garagem (anteriormente cocheira), o quarto de forno ao lado do galinheiro e um quiosque.

A pequena casa ao fundo, onde funciona hoje o Laboratório de Microfilmagem, foi construída em 1937, para abrigar o então zelador da Casa. O prédio maior, de três andares, foi construído em 1976, para abrigar os diversos setores da Fundação Casa de Rui Barbosa.

Os tanques à entrada da garagem eram para os cavalos beberem água. Rui Barbosa possuía um cupê e um landau puxados por cavalos. A vitória, também puxada por animais e hoje exposta na garagem, era usada em Petrópolis.

No quarto de forno, uma cozinheira de Petrópolis fazia pães.


O quiosque, construído provavelmente no final do século XIX, possui no seu interior um chuveiro que era usado pelas crianças da família nos dias quentes de verão, mas também por Rui Barbosa, que gostava muito de banho frio.

As dependências da Casa anexas à garagem eram ocupadas por empregados, que eram em torno de onze pessoas: cozinheira com ajudante, copeiro, governanta, cocheiro (depois motorista), criada de quarto, babás e jardineiros.

O espaço hoje ocupado pela Chefia do Museu era um quarto de empregada e banheiro, onde os dois filhos mais novos de Rui (João e Baby) fizeram uma divisão para trabalhar com fotografias.

O espaço em frente, hoje ocupado pela livraria, corpo técnico do Museu e Biblioteca Infanto- Juvenil Maria Mazzetti, foi escritório do genro de Rui Barbosa, casado com Maria Adélia (batista Pereira) e quarto do filho João, que o chamava de Mon Chateau Misère.

No fundo do jardim havia uma estufa de vidro e metal que D. Maria Augusta, viúva de Rui Barbosa, desmanchou ao sair da Casa, dando toda a armação a uma amiga.

Rui gostava muito de rosas. Na casa em que morou no Flamengo, anteriormente, cultivava cerca de 300 variedades. Aqui, na casa da Rua São Clemente, teve um pouco menos. toda manhã, sempre que possível, podava as rosas.

O jardim tinha muitas frutas: sapoti, abiu, jambo, fruta-pão, carambola, nêspera. Algumas árvores frutíferas existem ainda hoje e dão frutos saborosos.

Entre as espécies existentes no jardim, destacam-se, por exemplo, o pau-brasil e a litchi ou lechieira, originária da China, e que Rui plantou no seu jardim ao vir morar na Casa, em 1895.

Rui nunca provou do seu fruto, pois a árvore só frutificou em dezembro do ano de sua morte que se deu em março de 1923.

25 – VIATURAS
A garagem da Casa de Rui Barbosa abriga quatro viaturas: três carros de tração animal – uma vitória, um Landau e um cupê, e um Benz, tração motor.

VITÓRIA - de origem inglesa, surgiu em meados do século XIX



  • capota que se abre

  • carro macio, leve

  • as mais elegantes eram pretas, sem decoração

  • o seu nome veio da rainha Vitória, que pôs na moda essa carruagem.

A vitória da família Rui Barbosa era utilizada na cidade de Petrópolis.
CUPÊ – de origem francesa, chegou ao Rio de Janeiro nas primeiras décadas do século XIX, em meados do mesmo século passou a ser fabricado na cidade.



  • utilizado pela alta burguesia.

O cupê foi oferecido a D. Maria Augusta por seu irmão Carlos Viana Bandeira.
LANDAU - de origem alemã, seu nome vem da cidade de Landau, Prússia, onde foram construídas as primeiras dessas viaturas.


  • muito usado nos séculos XVIII e XIX, principalmente pela alta burguesia e profissionais liberais.

  • identificado pela capota dupla, móvel, em sanfona, que se abre ao meio, descendo para os lados.

O landau de Rui é do século XIX e lhe foi oferecido pelo cunhado Carlos Viana Bandeira e pelos amigos Carlos Nunes de Aguiar e Antônio Barroso Fernandes.
. BENZ - de origem alemã, de 1913.

  • motor de 55HP, oito cilindros, velocidade máxima de 80km/h.

  • volante à direita

  • assento para duas pessoas, havendo dois pequenos bancos dobráveis, sobressalentes.

  • cabine da frente com lugar para motorista e ajudante, este, necessário para ajudar a dar a partida – por meio de manivela e aceleradores localizados no pedal, no volante e ao lado da manivela.

  • os passageiros, no compartimento interno, comunicavam-se com o motorista por meio de um rústico telefone de tubo.

  • acessórios requintados: floreiras de cristal, porta-cartões e pequena mesa desmontável.

O automóvel Benz foi oferecido ao casal por Joaquim Pereira Teixeira



©livred.info 2017
enviar mensagem

    Página principal