Metodologia de Ensino e Pesquisa em Ciência e Tecnologia



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ANALOGIAS E METÁFORAS NO COTIDIANO DO PROFESSOR



NAGEM, Ronaldo Luiz – CEFET MG

FIGUEROA, Ana Maria Senac – CEFET MG

SILVA, Cinthia Maria Gomes e – CEFET MG

CARVALHO, Ewaldo Melo de – UFMG
Resumo
O presente trabalho aborda algumas teorias e conceitos sobre analogias e metáforas, suas possibilidades como importantes ferramentas no processo educativo considerando uma perspectiva de aprendizagem de acordo com os princípios teóricos de Piaget, Vygotsky e Ausubel. Considera a diferença e as semelhanças entre os dois termos, propõe uma classificação, identifica e discute as vantagens e desvantagens do uso de analogias e metáforas no cotidiano do professor. Justifica-se, no contexto atual, em decorrência da realidade nacional e, possivelmente, internacional em que muitos docentes tanto da educação acadêmica quanto da tecnológica, apesar de possuírem qualificação específica, carecem, em sua formação, de reflexões e discussões sobre o uso e interpretação da linguagem utilizada, tanto no discurso de sala de aula quanto nos textos utilizados.

  1. Introdução


A relação humana seja qual for, se manifesta, ao nosso entendimento, por meio da expressão e da recepção do pensamento humano.

Das diversas formas de expressão do pensamento, podemos destacar a linguagem oral e a escrita que podem ser expressas em forma de textos, figuras, mapas, gráficos, desenhos, esquemas sistematizados, imagens, analogias e metáforas. Não abordaremos, no momento, a forma de expressão através dos gestos, tão importante quanto às demais e geralmente associada às outras. Limitar o campo de ação de uma forma ou de outra não é tarefa fácil.

É tão grande o número de ensaios, livros, teses, gramáticas de toda índole, dicionários especiais e variados escritos com tal finalidade que um só dos enunciados abarcaria volumes inteiros. Não obstante, imóveis e imperturbáveis como uma pirâmide, os problemas de fundo que a linguagem apresenta à ciência moderna - todos eles derivados de um mesmo insondável enigma - aguardam ainda uma solução.

Tem-se escrito, pois, e segue-se escrevendo copiosamente em matéria de lingüística, porém o antagonismo entre os autores prova que a essência da questão permanece sem resposta.

Em homenagem aos fatos há que reconhecer que os estudiosos chegaram a certas conclusões de verdadeiro mérito.

A linguagem, poderíamos afirmar, constitui uma autêntica criação do espírito mediante a qual o ser expressa a si mesmo.

Que papéis desempenham as formas de expressão do pensamento, no processo ensino-aprendizagem? Qual a contribuição de cada uma? Quais as vantagens e desvantagens de um e de outro procedimento? Quais os obstáculos que surgem no ato do conhecimento?

Há que considerar a questão do obstáculo epistemológico relacionado com as imagens, as analogias e as metáforas, entre outros, que podem ter grande implicação pedagógica.

Quando o objetivo é compreender, fazer-se compreender e comunicar algo se pode constatar sucesso na utilização de analogias, metáforas ou imagens. Embora não se conheça muito bem como as atividades que envolvem o uso delas se processam no pensamento, algumas pesquisas apontam essas atividades como instrumentos de valor na construção dos conceitos científicos.

Analogias e metáforas são constituintes do pensamento humano e não podemos negar que estão fortemente presentes em quase todas as atividades humanas: na pesquisa científica, no relato dos trabalhos científicos, nas atividades docentes, na expressão oral ou escrita, na divulgação e vulgarização de idéias e produtos (mídia), nos livros didáticos.


  1. Questões para reflexão


  • Qual é a contribuição das analogias, metáforas e imagens no processo de ensino-aprendizagem?

  • Como os educadores trabalham as analogias, metáforas e imagens presentes em livros-texto ou utilizadas no discurso pedagógico?

  • Qual é a função do conhecimento prévio ou concepções espontâneas no processo de ensino e de aprendizagem?

  • Como o conhecimento prévio do aluno interfere no processo de ensino e de aprendizagem?

  • Que relação pode ser estabelecida entre a construção dos conhecimentos científicos e a construção dos modelos para ensino?

  • Que papel desempenha o uso de modelos na construção do conhecimento?

  • Qual deve ser a nossa preocupação: Como ensinar? Ou, Como aprender?

  • As possibilidades humanas, como a reflexão, o raciocínio, a extrapolação e a crítica, entre outras, devem fazer parte do processo diário de ensino e de aprendizagem.

  • Diante das questões e da necessidade de se introduzir uma variante no proceder, o presente trabalho constitui uma proposta alternativa para o professor.



  1. Desenvolvimento




    1. Ensino de ciências e o uso de analogias e metáforas


O uso de analogias e de metáforas, como mediadores no processo de ensino e de aprendizagem, foi muito criticado nas últimas décadas. Alguns educadores as consideram frívolas, desnecessárias e apenas servem como muletas para mentes preguiçosas. Entretanto, essa visão radical está sendo revista e considerada equivocada por pesquisas e teorizações realizadas nos últimos 20 anos.

Observa-se que muitos de nossos conceitos são construídos a partir da metáfora e outros emergem diretamente da experiência.

O uso da metáfora “calor” foi trabalhado entre povos sul-africanos. Para eles, talvez em decorrência de viverem em ambiente quente e inóspito, a imagem “quente” se projeta em vários conceitos, como raiva, impaciência e doença. Assim uma pessoa que está doente, está “quente”, e “fresca” está com saúde.

Esta mesma pesquisa mostrou que essa metáfora permite que os membros da tribo aprendam o modelo cinético do calor com mais facilidade do que os ocidentais, que associam calor a uma metáfora diferente.

A visão que se tinha do coração e do pulmão até o século XVI era bem diferente da visão de hoje e que provavelmente será diferente nos próximos anos.

O coração era comparado a uma fornalha que aquecia o sangue, e o pulmão funcionava como um fole que mantinha a fornalha aquecida. Hoje os dois órgãos foram separados e o coração foi comparado a uma bomba d’água.

Não há uma ligação entre a bomba d’água e outro mecanismo para o pulmão, como a apresentada pela metáfora da fornalha e fole para o coração e pulmão.

    1. Analogias e Metáforas nas Ciências


Tem sido apontado, freqüentemente, por psicólogos que estudam a criatividade, que as analogias e metáforas são constantemente utilizadas por cientistas em suas descobertas. A origem dessa conclusão é o fato de muitos cientistas terem dito que obtiveram o “insight” ou a iluminação com a ajuda de uma analogia. Entretanto, os estudos nessa área são escassos.

É importante, também considerar, que a leitura em outros campos de estudo como fator importante na formação ou elaboração de analogias.

Em astronomia, a descoberta de que a “faixa luminosa”, chamada Via Láctea é uma galáxia na qual estamos situados foi feita pela analogia com um cata-vento ou disco gigantesco o que explica o aspecto observado.

Exemplos de analogias na Ciência:

1. Na teoria equivalência da gravidade e da inércia, Einstein imaginou um edifício com um elevador em queda livre. Dentro do elevador, físicos, sem perceberem que sua descida poderia terminar em desastre, realizam alguns experimentos. Quando soltam no ar moedas ou chaves, elas permanecem flutuando, porque elas estão caindo junto com o elevador e com os homens a uma mesma velocidade.

Eles podem explicar esses eventos pela suposição de que foram transportados para fora do campo gravitacional da terra e estão em algum lugar do espaço onde tudo obedece à Lei da Inércia de Newton e continua em seu estado de repouso ou uniformemente em linha reta. O elevador se tornou um sistema inercial, e não há como os homens em seu interior dizerem se estão caindo em um campo gravitacional ou flutuando no espaço, livres de todas as forças externas.

Einstein então mudou a cena. O elevador está agora realmente no espaço e está sendo puxado por um cabo em seu topo e a velocidade aumenta de maneira constante.

Desta vez, os homens notam que seus pés estão pressionando o chão, e que, se eles pulam, eles não flutuam em direção ao teto porque o chão vem ao seu encontro. Se eles soltam objetos como chaves, eles parecem “cair”. Se eles atiram objetos através do elevador, eles não se movem de maneira uniforme em uma linha reta, mas seguem uma curva parabólica em direção ao chão.

Como os cientistas não imaginam que seu veículo está sendo puxado para cima através do espaço, eles podem concluir que estão dentro de um cômodo estacionário na Terra que é afetado pela força da gravidade. Não é possível para eles dizerem se eles estão em repouso ou em um campo gravitacional ou se estão subindo com aceleração constante através do espaço onde não existe gravidade.

Esses eventos imaginários parecem análogos a eventos reais e Einstein os utilizou para elaborar seu Princípio de Equivalência da Gravidade e da Inércia ‑ não há maneira de se distinguir o movimento produzido pela inércia daquele produzido pela gravidade.

A analogia original aqui deve ter sido relacionada à entrada em um elevador. A experiência de leveza que se contrapõe à gravidade quando o elevador desce e a sensação de aumento da gravidade (peso) quando o elevador sobe.

A partir disso, deve ter suposto que a inércia e a gravidade são equivalentes e aperfeiçoou a analogia para demonstrar melhor esse princípio. Se isso está correto, a analogia básica de sua experiência ao andar de elevador, é, na realidade uma analogia pessoal;

2. Mendeleev descobriu a lei periódica e construiu a tabela periódica em 1869. Com ela corrigiu alguns pesos atômicos de alguns elementos e previu três novos elementos a partir de espaços vazios em sua tabela e que, mais tarde, foram descobertos. Pegou 63 cartões, escreveu os nomes e as propriedades dos elementos. Fixou-os nas paredes de seu laboratório. Reexaminou cuidadosamente os dados, procurando elementos similares e agrupou‑os. Uma relação surpreendente, então, tornou‑se clara.

Descobriu que as propriedades “eram funções periódicas de seus pesos atômicos” que repetiam periodicamente a cada sete elementos.

Parece provável, já que ele anotou os elementos sobre cartões separados, que ele tenha usado o jogo de baralho como uma analogia.

Newlands, um químico inglês, antecipou por cerca de três anos a idéia da lei periódica. Em 1866, John Newlands apresentou à Sociedade Química Inglesa um artigo no qual ele comparou o arranjo dos elementos ao teclado de um piano com suas notas divididas em períodos ou oitavas. Ele disse que os elementos deveriam ser divididos em grupos de oito, porque cada oitavo elemento aparece, nesse arranjo, como uma espécie de repetição do primeiro, como a oitava nota na escala musical. Essa conclusão é conhecida como a lei das oitavas da química. O uso dessa analogia foi recebido com escárnio, o que quase encerrou sua carreira como cientista.

3. Darwin usou “a metáfora da árvore da vida”, sendo essa a principal metáfora de “A Origem das Espécies”.

As afinidades de todos os seres de uma classe têm sido freqüentemente representadas por uma árvore. Acredita-se que essa representação reproduza a verdade. Os galhos verdes e jovens podem representar as espécies atuais. Aqueles produzidos nos anos anteriores podem representar a longa sucessão de espécies extintas. A cada período de crescimento, todos os galhos tentaram se expandir em todas as direções, cobrir e matar os outros galhos.

Da mesma maneira, as espécies e os grupos de espécies se sobrepuseram a outras na grande batalha da vida.

Os troncos divididos em grandes ramos, e esses, em galhos cada vez menores, foram, quando jovens, galhos com brotos, e a ligação entre os galhos iniciais e os atuais pode representar, de uma maneira adequada, a classificação de todas as espécies.

Dos muitos galhos que emergiram quando a árvore era apenas um arbusto, apenas dois ou três, agora crescidos em galhos grossos, sobreviveram e sustentaram os outros galhos; da mesma forma, das espécies que viveram durante períodos geológicos passados, muito poucas deixaram descendentes vivos.

Do período inicial de crescimento da árvore, muitos galhos morreram e caíram. Esses galhos caídos, de vários tamanhos, podem representar aquelas ordens, famílias e gêneros que não têm atualmente nenhum representante vivo, e que são conhecidos por nós no estado fóssil.

Assim, quando observamos um galho novo caído da árvore e outro que foi favorecido e ainda está vivo, podemos ver animais como um ornitorrinco ou pirambóia, que, de alguma forma, conectam dois grandes ramos da vida, e que foram recentemente salvos da competição fatal por terem habitado um local protegido.

Da mesma maneira que um broto origina novos brotos, e, se estes se vigoram, desenvolvem e se sobrepõem a ramos mais frágeis, é de se acreditar que, por gerações, isso tenha ocorrido com a grande Árvore da Vida, que preenche com seus galhos partidos e mortos, a crosta da terra e cobre a sua superfície com os ramos novos.

Na primeira sentença dessa interessante e elaborada analogia, pode‑se ler que a metáfora da árvore já era utilizada pelos biólogos. O “insight” de Darwin foi ver na analogia mais do que eles viam.



    1. O papel das analogias e das metáforas no ensino


Freqüentemente argumenta-se que as analogias podem ser ferramentas valiosas para o ensino e a aprendizagem de conceitos científicos complexos, mas existem posições mais cépticas. As analogias podem originar tanto monstros quanto bebês saudáveis. As analogias podem ser ferramentas valiosas na aprendizagem com modificação conceitual, se seus aspectos metafóricos são preservados.

Tanto analogias quanto metáforas expressam comparações e salientam similaridades, mas o fazem de diferentes maneiras. Uma analogia compara, explicitamente, as estruturas de dois domínios, indica a identidade e as partes das estruturas. Uma metáfora compara implicitamente, salientando características ou qualidades relativas que não são coincidentes em dois domínios.

Pode‑se dizer que uma metáfora aponta algumas dissimilaridades gritantes para incitar a mente a procurar por similaridades. As analogias e metáforas podem então ser vista como pólos e, em princípio, ser transformadas uma na outra, isto é, as analogias podem ser vistas como metáforas, e as metáforas podem ser vistas como analogias.

Parece haver alguma concordância de que os modelos, assim como analogias, têm relação com a estrutura de diferentes domínios. Eles usualmente representam partes de estruturas do domínio-alvo. É por isso que a relação analógica faz do modelo um modelo. Não é surpreendente, portanto, que modelo e analogia sejam freqüentemente utilizados de maneira intercambiável. O modelo de encanamento da água para o circuito elétrico é freqüentemente chamado de analogia da água. O mesmo ocorre com muitos outros.

Na perspectiva da teoria de esquemas, há distinção, em pelo menos três tipos de aprendizagem. A primeira é chamada adição, o enquadramento de uma nova informação nos termos do esquema já existente. Não são desenvolvidos novos esquemas nesse tipo de aprendizagem. Parece ser muito similar ao processo de assimilação de Piaget.

A geração de novos esquemas ocorre somente nos outros tipos de aprendizagem, chamados de afinação ou evolução de esquemas e reestruturação ou criação de esquemas. Aqui as analogias entram no jogo. Novos esquemas são gerados por analogias, através da transferência de estruturas dos domínios-fonte para os domínios-alvo. Esses tipos de aprendizagem aparentemente se assemelham mais com o processo de acomodação de Piaget

De acordo com a visão construtivista, a aprendizagem é um processo ativo de construção e só é possível com base em conhecimentos previamente adquiridos. De acordo com isso, o aprendizado não é a ingestão de “bolos de conhecimento”, mas um processo em que se emprega ativamente o já familiar para compreender o que não é. A aprendizagem, portanto, fundamentalmente se relaciona com a construção de similaridade entre o novo e o ainda desconhecido. É precisamente esse aspecto que enfatiza o significado das analogias em uma abordagem construtivista da aprendizagem.

A visão construtivista da aprendizagem admite que muito da aprendizagem pode ser vista em termos do conhecimento conceitual, mas a diferença básica entre as visões “tradicionais” e construtivistas, é que a aprendizagem freqüentemente não é simplesmente uma cadeia em contínua expansão, mas uma construção totalmente nova do que já e conhecido.

As analogias são estratégias de ensino que contribuem no processo de ensino e de aprendizagem com modificação conceitual, na qual podem ajudar a reestruturar a memória já existente e prepará‑la para novas informações. O emprego de uma analogia não apenas ajuda ou facilita a aprendizagem de um novo domínio, mas também abre novas perspectivas de visão e, então, reestrutura o análogo. O uso de uma analogia é, portanto, um processo de “mão dupla”, que envolve o desenvolvimento tanto do análogo quanto o do alvo.

É o aspecto de “surpresa” ou “anomalia” das metáforas que as tornam significativas no processo de aprendizagem. As metáforas podem abrir novas perspectivas e nos ajudar a ver o familiar de maneira totalmente nova.

As metáforas nos levam a pensar e nos convidam a construir relações analógicas que dêem algum significado à afirmativa.

Esse “poder gerador” das metáforas as torna ferramentas potencialmente valiosas na aprendizagem com modificação conceitual. Elas fornecem o que é essencial para este aspecto da aprendizagem, tornando mais fácil a reestruturação do que já é conhecido e familiar.

Usualmente as metáforas fornecem um certo grau de imaginação e nos ajudam a visualizar idéias abstratas. Elas também parecem associar o pensar ao sentir. Logo, elas podem fazer a intercessão entre os domínios cognitivo e afetivo da aprendizagem.

Há algumas pesquisas que mostram, também, que nem sempre os estudantes estão cientes de que as imagens colocadas à sua frente os ajudaram ou facilitaram na resolução de problemas.

A familiaridade com o análogo e o acesso às analogias são necessários para que o raciocínio seja bem sucedido. É bom ressaltar que os estudantes freqüentemente mantêm concepções equivocadas em áreas com as quais os professores e os autores de livros didáticos pressupõem que os estudantes estejam familiarizados.

Porém, vale lembrar que a familiaridade com o análogo por si só não é suficiente para a resolução de problemas ou como meio facilitador, pois é necessário que o estudante tenha condições de fazer uma conexão entre o análogo e o alvo na resolução de problemas.

Parece legítimo concluir que o uso espontâneo de analogias é muito comum no dia-a-dia assim como na resolução de problemas. Mas o uso de boas analogias, por professores e na mídia do ensino, requer um direcionamento que atue como guia.

Estudos mostram que um conceito já ensinado não pode ser usado como um análogo, porque os estudantes freqüentemente conservam concepções equivocadas que os tornam incapazes de compreender a analogia. Por isso não parece haver dúvida de que o raciocínio analógico freqüentemente não será capaz de remediar as concepções equivocadas dos estudantes, mas, ao contrário, poderá sustentá‑las.



    1. Analogias e metáforas nos livros didáticos e em sala de aula


Uma observação interessante é que, embora os livros didáticos contenham uma introdução com informações de como usá-lo de maneira eficaz, não há menções sobre o uso de analogias, nem mesmo nos livros com amplo uso de analogias. Identificar e classificar analogias e metáforas em livro didático e em sala de aula constitui um vasto campo de pesquisa que precisa ser estudado. Pouco se sabe sobre como as analogias são usadas na sala de aula.

Os professores parecem não possuir um repertório de boas analogias e não estão confiantes no uso eficaz delas (mesmo revelando estarem cientes dos benefícios e das limitações das analogias). No que se refere ao contexto mais amplo do uso da analogia dentro de uma perspectiva de aprendizado construtivista, o estudo aponta que muitos dos professores carregam visões tradicionais do processo de aprendizagem, pois o uso de analogias, quando ocorreu, não foi baseado em uma abordagem construtivista da aprendizagem.

É notável que, muitas vezes, simplesmente se parte do princípio de que as analogias são usadas pelos estudantes da maneira pretendida sem qualquer indicação de como fazê‑lo. São necessárias instruções com relação ao uso da analogia para que se faça de maneira proveitosa.

Outro aspecto interessante é que o repertório de boas analogias, de alguns autores de livros didáticos, parece ser limitado. As estratégias concernentes ao uso eficaz de analogias não parecem ser conhecidas por muitos deles.



    1. Pontos de vista a considerar


A literatura tem mostrado que o uso de analogias e metáforas constitui elemento presente em todo o discurso humano. Pode-se remontar a Aristóteles a discussão do uso de tal recurso para facilitar o estudo e a compreensão de assuntos complexos.

Registra-se para o termo analogia dois significados fundamentais: primeiro, o sentido próprio e restrito, extraído do uso matemático (equivalente à proporção) de igualdade de relações; o segundo é o sentido de extensão provável do conhecimento mediante o uso de semelhanças genéricas que se podem aduzir entre situações diversas. No presente trabalho, o termo equivale ao segundo significado e consideramos sinônimos de analogia: veículos, pontes ou modelos.

Há várias explicações e conceitos sobre analogias, imagens, metáforas, modelos e destacamos:


  • Analogias: processo pelo qual o espírito, observando as relações e semelhanças das coisas, se eleva ao descobrimento da razão dessas relações e semelhanças. A analogia, em vez de estabelecer uma banal relação de semelhança, estabelece uma imaginativa semelhança de relação, e tem, por isso, uma grande eficácia no desenvolvimento e na extensão do pensamento.

  • Imagem: semelhança entre dois objetos, figura, símbolo, desenhos, frases escritas.

  • Metáforas: característica pela qual se dá a uma pessoa ou coisa uma qualificação que ela não tem e que só por analogia se pode admitir. Para outros:

  • Metáforas são analogias condensadas.

  • Metáfora “é um erro calculado”.

  • Metáforas são expressões que enganariam os outros, artifícios embusteiros indutores de erros, e são percebidas como algo secundário, frívolo, perigoso pela ambigüidade e subjetividade nocivas ao ideal de neutralidade e objetividade da ciência.

  • Modelos são criados para um contexto, mas devem ser produzidos para serem usados em outros contextos. O modelo é um produto científico. Ex: modelo de DNA é usado para o estudo do DNA, mas contém ou fornece muito mais informações. Pode ser usado no estudo do código genético, no estudo dos cromossomos, no da síntese protéica, etc.

Os modelos podem ser divididos em:



  • Modelo mental: idealização mental de uma informação;

  • Modelo expresso: modelo verbal;

  • Modelo consensual: usado pela comunidade científica;

  • Modelo de ensino: usado por professores no ensino.

Podemos observar que as analogias tornam-se “perigosas” a partir do momento em que não se sabe quem as utiliza como recurso didático, quais metáforas e analogias são usadas. Se não forem utilizadas de maneira adequada, poderá ocorrer uma substituição ou desvio do real sentido do conteúdo ensinado, levando a um erro de entendimento e de compreensão. Ex: quando se usa a expressão “o sistema circulatório se compara a canais de uma cidade”, o aluno poderá tirar várias conclusões, pois eles apresentam formas diferentes de entendimento devido às diferenças individuais e poderá ter um entendimento errado do conteúdo, pois se atribuíram características ao sistema circulatório que ele não tem. Por ex.: O sistema circulatório do homem pode ser visto como um sistema aberto. (Entra e sai por algum lugar).
Deve-se tomar certos cuidados ao se utilizarem modelos, pois o aluno pode não ser capaz de, naquele momento, discriminar entre fenômeno e modelo, poderá achar que o modelo é o fenômeno, podendo provocar confusão ao invés de esclarecer as dúvidas. Ex.: o aluno pode entender o modelo do osmômetro e não conseguir entender como isso acontece na célula. A aprendizagem do conteúdo vai depender do que se formou na mente do aluno.

Quando o conteúdo é difícil, deve-se fazer o uso de modelos e analogias sem excessos. Muitos professores utilizam esses recursos a qualquer momento, sem notar que, às vezes, seu uso é desnecessário.



Alguns autores consideram que todo modelo faz uso de analogias e existem critérios para uma melhor escolha. Um bom modelo deve:

  1. Considerar a importância histórica;

  2. Explicar vários fenômenos;

  3. Oferecer uma explicação profunda para os alunos;

  4. Ser simples para que o aluno possa relembrá-lo;

  5. Haver um grande número de caracteres;

  6. Haver um alto grau de semelhança entre o consensual (Ciência) e o que foi usado para demonstração.

Dizer que o uso de analogias e metáforas é desnecessário seria errôneo também. Podemos analisar as vantagens, desvantagens e critérios:

1. Vantagens

  • Constitui um recurso didático. Ex.: quando você compara o olho humano funcionando como uma máquina fotográfica, você deve mostrar apenas as semelhanças entre as partes do olho e o mecanismo de funcionamento.

  • Possibilita a verificação da aprendizagem. Ex.: se, ao ensinar um conteúdo, o aluno conseguir fazer uma analogia, significa que alguma coisa ele aprendeu.

  • Usa termos mais simples e familiares ao aluno. Ex.: comparar o núcleo de um átomo com uma formiga no centro de um campo de futebol, fica mais fácil de imaginar a relação núcleo / átomo.

  • Estimula elaboração de hipóteses e solução de problemas. Ex: o sistema planetário usado para o estudo do átomo.

  • Promove mudança conceitual dos alunos. Ex: modelo do osmômetro com papel celofane. Se o aluno entender o processo, ele deverá entender o mecanismo da permeabilidade celular.

  • Torna as aulas mais variadas e motivadoras.

2. Desvantagens e cuidados

  • Diferença no entendimento entre o que se transmite e o que é recebido pelo aluno. Ex.: se eu uso a analogia das estrelas como luzinhas no céu, os alunos podem entender que, por isso elas não são vistas de dia, pois estão apagadas.

  • Não sendo o aluno quem gera a analogia, a aceitabilidade pode ser questionada.

  • Despidas de historicidade, funcionam na educação científica como verdadeiros obstáculos pedagógicos. Só serão compreendidas à luz do momento histórico de sua elaboração e da comunidade que dela se utiliza. Tomemos como exemplo a descrição da organização social das abelhas. Nela podemos identificar de forma clara a linguagem metafórica além do conteúdo ideológico. Eliminar esse conteúdo é, praticamente, impossível. A história torna-se necessária para podermos trabalhar através da metáfora em uma perspectiva de educação.

  • Conceitos equivocados podem ser fixados, por não haver discernimento das relações de diferenças entre o objeto estudado e o analógico.

  • Seleção de um domínio irrelevante em detrimento do principal;

  • Analogias similares podem evocar processos de raciocínio equivocados. Ex.: Célula, Célula-ovo e ovo.



    1. Classificação de analogias e de metáforas


Existem várias tentativas de classificação de analogias e metáforas. A seguir propomos uma classificação que, com certeza, não é definitiva.

Estrutural: quando o objeto analógico pode ser comparado com o objeto real na sua forma.

Funcional: quando o objeto analógico pode ser comparado ao objeto real no seu funcionamento.

Conceitual ou congelada: quando os termos já são utilizados há anos, não trazendo nenhuma surpresa ao leitor (congelada) ou quando os termos definem o fenômeno, ou seja, é considerado sinônimo.

Antrópica: quando a frase transmite uma idéia de racionalidade, egocentrismo, atribuindo aos objetos ou fenômenos característicos dos seres humanos.

Zootrópica: quando a frase transmite uma idéia de morfologia ou comportamento, atribuindo aos animais.

Fitotrópica: quando a frase transmite uma idéia de morfologia ou comportamento, atribuindo aos vegetais.

    1. Análise de algumas expressões utilizadas em livros didáticos ou por professores


Observa-se que, muitas vezes, os autores de livros didáticos não explicam realmente o tema proposto, mas apenas informam o conteúdo. Quando ensinamos ...as estrelas se parecem com seres vivos: nascem, crescem e morrem... Na verdade, ele não explica realmente se ela cresce e como ela cresce. Esse tipo de analogia fica muito longe da visão do aluno, pois uma estrela demora muito para desaparecer e na verdade ela não morre e, provavelmente, não cresce. Houve uma humanização, pois dá a idéia de que, para nascer, deve haver um progenitor e, na verdade, é uma reunião de elementos originando a estrela. Quando a estrela desaparece, foi porque parou de produzir energia no seu interior e começa a diminuir rapidamente o tamanho pela ação de sua própria gravidade, ficando pequena, sem luz, podendo explodir. Sugere-se explicar o aparecimento de uma estrela (união de poeira e gases) e como ela desaparece.

O outro: ...as raízes das plantas buscam alimentos em camadas diferentes do solo..., dá ao aluno a idéia de uma busca imaginária, que poderá ter dupla interpretação sobre buscar esse alimento. A frase não explica como a planta retira o alimento das camadas do solo e nem que tipo de alimento é esse. Sugere-se dizer que as raízes das plantas absorvem nutrientes (água, sais minerais, etc.) em camadas diferentes do solo.

A metáfora: ... fornalha solar... para demonstrar o calor do sol poderá trazer idéia diferente da realidade do aluno. Ele poderá conhecer um outro tipo de fornalha e aquela a que o autor se refere resulta da fusão nuclear em que os dois hidrogênios são convertidos em hélio, liberando energia, e não da queima de um combustível. Transmite também uma idéia diferente sobre o sol, comparando-o com um forno, o que poderá acarretar dificuldades no entendimento do assunto.

Alguns livros citam ...bactérias suicidas... . O que será que um aluno, ao ler sobre o assunto, pensará a respeito? Terá a bactéria a capacidade de cometer um suicídio? Trata-se de uma metáfora com significado amplo e até perigoso.

Existem muitas metáforas e analogias nos textos, mas o interessante é que, várias vezes, os dois autores citados utilizam metáforas de significados próximos, como o citado abaixo:

...os astros são luzinhas no céu...

...os astros são pontinhos luminosos que cobrem o céu...

Na primeira, temos a impressão de que todos os astros possuem luz. Além disso, eles se encontram no céu de dia e à noite, mas só podem ser vistos à noite. O aluno poderá entender que as luzes apagam-se ao amanhecer e acendem-se ao anoitecer. Também esconde a visão de que existem astros que não são vistos a olho nu, pois estão distantes.

Na segunda, a idéia ficou mais bem apresentada, pois o que enxergamos são pontinhos luminosos. Não podermos esquecer que os astros se encontram no céu, também, durante o dia.

Com a análise de algumas metáforas e analogias, percebe-se a utilidade ou não do seu emprego. Dizer que é totalmente inadequado seria radical demais, porém deve-se tomar cuidado no seu emprego.

Existem vantagens, e uma delas é ser um recurso didático. Muitas expressões obtêm o sucesso desejado e outras, não. O que o autor e o professor devem deixar claro para o aluno é que esta analogia ou metáfora só foi usada para facilitar o entendimento.

O aluno tem que ser capaz de distinguir entre uma analogia e o objeto proposto, assim como na metáfora. Se ele conseguir relacionar essas questões e visualizar o objeto proposto, poderá facilitar a verificação da aprendizagem.

As analogias e metáforas são importantes no processo ensino-aprendizagem porque podem tornar a aula mais interessante e motivadora. Se, ao utilizarmos metáforas e analogias, deixamos claro o objetivo e mostramos as diferenças, seguindo critérios, com certeza as aulas e as leituras poderão ser mais interessantes.

H - Considerações finais


Há muito tempo, os educadores vêm buscando meios para facilitar a aprendizagem. O uso de imagens e analogias por parte de professores, pesquisadores, cientistas, desde tempos bem remotos, vem reafirmar essa busca incessante.

Se usarmos os livros didáticos tanto de ciências, física, química ou biologia é possível notar um número significativo de analogias. Em sala de aula, também é comum o educador lançar mão delas, para facilitar a compreensão de determinados conteúdos, principalmente, quando o educador julga ser um assunto de difícil aprendizagem.

Até mesmo os próprios alunos, sem saber avaliar o que estão fazendo, muitas vezes criam analogias para entender o conteúdo, e, sempre que o fazem, usam comparações do cotidiano, pois só é possível comparar algo a partir de nosso conhecimento.

É válido e necessário questionar como é feito o uso de imagens e analogias. Como são usadas? Consciente ou inconscientemente?

Será que, quando os autores dos livros didáticos usam analogias, eles conhecem os estudantes que as utilizarão? Será que os educadores que irão trabalhar com esses livros estão preparados para analisá-las e fazer uma comparação coerente com o conteúdo, adequada ao aluno que ele está assistindo?

No Brasil, encontramos uma mesma região com contextos bastante diversificados, embora os livros didáticos não sejam feitos especificamente para esta ou aquela. Daí a necessidade de o educador estar bem situado para auxiliar seu aluno.

Outro fato importante é a necessidade de substituir uma determinada analogia por outra, pois o conhecimento científico e tecnológico foi ampliado e novos conceitos surgiram.

É necessário que elas sejam substituídas por outras adequadas à realidade. Exemplo disso é se hoje o funcionamento do coração fosse comparado a uma fornalha que aquecia o sangue, essa analogia estaria totalmente ultrapassada e não seria entendida por grande parte de nossos alunos, e talvez, nem por parte de alguns educadores, por desconhecerem o que é uma fornalha. Isso mostra a necessidade de conhecer bem a analogia que será usada, e mais do que conhecer, evitar usá-la de maneira equivocada.

O educador deve ter certeza de que toda investigação ou comparação procede de recortes da realidade, sendo esta sempre maior e mais complexa do que qualquer quadro teórico. Por isso, o educador deve estar sempre atento a assimilações feitas pelos alunos, principalmente nas séries iniciais, pois as imagens formadas ou usadas como similares devem fazer parte do mundo do aluno. O educador deve respeitar as imagens e as analogias individuais, pois cada um vem de um “universo” diferente.

É muito importante analisar e comprovar se essas imagens e analogias realmente facilitam a aprendizagem. Além disso, é preciso que o professor tenha consciência e estratégia ao utilizá-las, pois é possível que, ao invés de serem meios facilitadores da aprendizagem, funcionem ao contrário, confundindo e dificultando a compreensão.

Este trabalho vem iniciar um estudo sobre questionamento do uso de imagens e analogias no campo da ciência e da tecnologia e não posso deixar de ressaltar que há uma grande necessidade de um estudo mais profundo sobre o assunto.

É fundamental levar essas reflexões a um número maior de professores, além de analisar o uso delas nos livros didáticos e em salas de aula, saber como os autores às utilizam e como elas são vistas pelos alunos.



  1. Bibliografia complementar


BACHELARD, G. (1938). Epistemologia - trechos escolhidos. Org. por Dominique Lecourt, Rio de Janeiro, Zahar.

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Outras referências
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NAGEM, R. L. & PADUA, I. C. A . Grupo de Estudos de Metáforas e Analogias na Educação, na Ciência e na Tecnologia. I EPOGRASS. Io. Encontro de Pesquisa e Pós-graduação dos CEFETs Rio de Janeiro, Paraná e Minas Gerais. Belo Horizonte – 2000

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Agradecimentos aos colegas do GEMATEC: M. Sc. Anderson D’arc Ferreira (Filósofo); M. Sc. Andréa Silva Gino (Pedagoga); M. Sc. Dulcinéia de Oliveira Carvalhaes (Letras e Pedagogia); M. Sc. Isabel Pádua de Araújo (Pedagoga); M. Sc. Vanilda Maria Gonçalves (Matemática); M. Sc. Maurício Silva Gino (Artes); Rita de Cássia Paiva (Letras); Mônica Combat (Psicóloga); Eliene Freire de Oliveira (Matemática) e Wilson Trindade (História)






Ronaldo Luiz Nagem – CEFET/MG




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