Mesmo com todas as dificuldades e descriminações muitas mulheres conseguiram, com o passar dos anos, se destacarem no campo da Matemática



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Ministério da Educação


Universidade Tecnológica Federal do Paraná

Campus Pato Branco



Coordenação de Matemática

Acadêmica: Dianara G. R. Klim

Disciplina: História da Matemática

Professora: Dra.Tina Andreola



MULHERES NA HISTÓRIA DA MATEMÁTICA
Mesmo com todas as dificuldades e discriminações muitas mulheres conseguiram, com o passar dos anos, se destacarem no campo da Matemática. A seguir consta um breve comentário e algumas das principais contribuições de algumas mulheres mais relevantes da história da Matemática.

Na Antigüidade, a primeira mulher que se têm registros de escrito sobre Matemática foi Hipatia. Grega, nascida em Alexandria, em meados do ano de 370. Filha de matemático acredita-se que ela tenha escrito sobre o Almagesto de Ptolomeu, sobre a Aritmética de Diofanto, sobre as Secções Cônicas de Apolônio e também escreveu comentários sobre os matemáticos clássicos. Além de tornar-se uma conhecida filósofa, inventou uma tábua de astronomia e aparelhos mecânicos. Entretanto, o patriarca de Alexandria começou a reprimir filósofos, cientistas e matemáticos, os considerado de hereges, por ser assim considerada, Hipatia foi morta e esquartejada no ano de 415.

Após sua morte, somente depois de doze séculos é que outra mulher teve seu nome registrado na história da Matemática. Porém, vale salientar que muitas mulheres tiveram importantes contribuições em cálculos astronômicos para diversos matemáticos famosos, tais como Viète, Descartes e Leibniz.

    Do Século V ao século XVIII algumas mulheres tiveram a oportunidade de ter aulas com ilustres professores: Viète ensinou a princesa Catarina de Partheanay - Princesa de Rohan - Soubise; Descartes foi professor particular de filosofia da Rainha Cristina da Suécia; Leibniz, foi professor de Sofia Carlota – Rainha da Prússia e mãe de Frederico, O Grande.

No século XVIII, nasceu Gabrielle - Émile Le Tonnelier de Breteuil, em 17 de Dezembro de 1706, posteriormente, passou a ser conhecida com Marquesa de Châtelet. Ela contribuiu não só na divulgação, mas também nos desenvolvimentos do Cálculo Newtoniano, uma vez que ela foi a única a traduzir do latim para o francês, a obra “Philosophiae Naturalis Principia Mathematica” de Newton, que foi publicada pouco depois de sua morte, em 1759. Começou a tradução no ano de 1745, no seu trabalho, ela faz comentários que facilitavam a compreensão da obra.

Em 1740 escreveu “As instituições da Física”, obra que contém um capítulo sobre cálculo infinitesimal. Além de Newton, a marquesa estudou Descartes, Leibniz e dessa forma ela conseguiu juntar o principal das teorias dos três sem estar totalmente de acordo com qualquer delas, pois sempre encontrava algo numa delas de que discordava.

Por ser uma pessoa famosa, não era segredo que possuía amantes, dentre eles, o celebre Voltaire (com quem ficou o resto de sua vida). Um fato interessante, além de cômico é que seu marido, o Marquês de Châtelet-Lamon, tinha muito orgulho em ter uma pessoa importante como sendo amante oficial de sua esposa. Gabrielle morre em 1749, provavelmente devido ao parto de uma filha.  

No século XVIII aparece Maria Gaetana Agnesi, nascida em Milão, em 1718. Foi orientada por seu pai, professor de Matemática na Universidade de Bolonha. Já aos onze anos, falava latim e grego perfeitamente, além de hebraico, francês, alemão e espanhol. Estudou os trabalhos de Newton, Leibniz, Euler, dos irmãos Bernoulli, de Fermat e de Descartes.

Aos 20 anos publica um tratado escrito em latim, Propositiones Philosophicae, no qual insere várias de suas teses e defende a educação superior para mulheres. Nesse período ela decide dedicar-se à vida religiosa, contra a vontade de seu pai. Mais tarde, após a morte dele, Agnesi deixa a Ciência e passa a viver como uma freira. Porém, antes disso, ela passa uma década se dedicando-se a Matemática, escreveu sua principal obra: “Instituzioni Analitiche ad uso della Gioventú”. Este trabalho foi o primeiro a abordar o conhecimento matemático especificamente com o intuito de ensinar, uma vez que os textos foram escritos de forma didática.

Tornou-se a primeira mulher matemática professora. Porém, é apenas conhecida devida uma curva de terceiro grau, a “Curva de Agnesi”.

Morre em 1799.

Outra mulher que se destacou foi Sophie Germain. Francesa, nasceu em abril de 1776. Seu pai possuía uma grande biblioteca que lhe possibilitou uma boa educação. Durante a Revolução Francesa, aos treze anos, ficava lá estudando.

Mesmo contra a vontade de seu pai, ela usou de sua determinação para ter acesso aos livros de Matemática da família. Mais tarde estudou os trabalhos de Newton e de Euler. Como não podia estudar em uma escola de renome, por ser mulher, ela fingiu ser um aluno. Escreveu um artigo que surpreendeu Lagrange (supervisor da escola), este quis conhecer o autor, e ao deparar-se com Sophie, virou seu mentor na área da Matemática.

Dentre suas contribuições, pode-se citar:



  • Sophie resolveu alguns casos particulares do ‘Último Teorema de Fermat’, dando origem a definição de “números primos de Sophie Germain”;

  • De algumas de suas pesquisas, surge o conceito de curvatura média de superfícies, que atualmente é objeto de pesquisa de diversos matemáticos na área de Geometria Diferencial.

  • Na área da física, desenvolveu a teoria da elasticidade dos materiais.

  • Deixou importantes trabalhos sobre a Teoria da Elasticidade dos Metais. Tais estudos foram aplicados por engenheiros construtores da torre Eifel. O fato curioso é logo após a construção desta obra, foi fixada uma placa com o nome de 72 cientistas que colaboraram com este trabalho, porém o nome de Sophie, não estava entre eles, mesmo sabendo que possivelmente ela tenha sido a mais importante deles.

Pouco antes de ela morrer, Gauss convenceu a Universidade de Goettingen a dar um título a Sophie Germain, seria um caso inédito, pois nenhuma outra mulher, na história da Matemática, conseguira isto. Porém, quando a instituição iria homenageá-la, acabara morrendo de câncer.

Mary Fairfax Greig Somerville, foi outra matemática importante, nascida na Escócia, em 1780. Até seus dez anos de idade não tinha ido à escola, mais tarde estudou apenas um ano. Em contrapartida, brotaram nela uma disposição e uma vontade enorme de aprender. Porém, ela apresentava muita vontade de aprender, por isso tornou-se uma autodidata, estudando Latim e Grego, que algum tempo depois possibilitou a leitura de clássicos da ciência.

Também não teve apoio de seu pai, para reprimi-la, seus pais retiravam a luz do seu quarto para impedi-la de estudar à noite. Mesmo assim ela decidiu dedicar-se totalmente à Ciência. Estudou o Principia de Newton, Astronomia física e Matemática superior. Publicou artigos sobre Física experimental, além de traduzir, para o Inglês, e explicar o tratado de Laplace “Mécanique Céleste”.   

   Somerville é considerada a primeira mulher a ser admitida na Sociedade Real Inglesa de Astronomia. Esta sociedade mandou fazer um busto para homenageá-la e expô-lo no hall do prédio, porém, nunca chegou a ver, uma vez que era proibida a entrada de mulheres naquele prédio.

      Poucos anos após sua morte, ela escreveu suas memórias, reviu um manuscrito sobre seu trabalho "Diferenças finitas". Aos 92 anos, quando morreu, em 1872,  ela estava analisando um trabalho que aparece na Álgebra Abstrata.



Sonya Kovalevskaya, nascida em 1850 na Rússia, como outras mulheres matemáticas, estudava sozinha. Ela possuía muitas habilidades para solucionar problemas matemáticos. Casou-se de fachada, para sair do país e poder estudar. Na Alemanha, ainda que surpreendendo professores, devido sua capacidade, ela não foi aceita nas universidades. Então, passou a ter aulas particulares com o respeitado matemático Karl Weierstrass (1815-1897).

Seu trabalho mais respeitável foi a continuação que dera a alguns estudos de matemáticos. Entre eles está a continuação do estudo de equações diferenciais parciais, do matemático francês Augustin-Louis Cauchy (1789-1857). O outro era sobre o teorema de Cauchy-Kovalevskaya, que é aplicado ao estudo de fenômenos físicos que precisam de mais de uma variável.

Após algum tempo, contando com o auxílio de seus mestres e ex-colegas, conseguiu ser professora na Universidade de Estocolmo, na Suécia. Depois de receber premiações importantes, em paises como França e Suécia, Sonya foi, em 1889, reconhecida pela Academia Russa de Ciências, aceitando mulheres como membros. Morrera no ano de 1891.

    Emmy Noether nasceu em Erlangen-Alemanha no dia 23 de março de 1880. Estudou francês e inglês.  Em 13 de dezembro de 1907, ela doutorou-se em Matemática com o grau de Ph.D, expondo sua tese que abordava o tema “Sistemas Completos de Invariantes para Formas Biquadráticas Ternárias”. 

Emmy foi um (a) dos maiores matemáticos do século XX, é considerada “mãe” da álgebra moderna que se destacou ainda pelo seu trabalho na teoria dos invariantes, fundamental a Einstein para formular a relatividade geral.

Publicou diversos trabalhos, dentre eles, destacam-se:



  • Módulos em domínios não comutativos;

  • Teoria dos Ideais nos anéis comutativos;

  • Álgebra não comutativa;

  • Utilizou conceitos da aritmética no estudo de determinadas álgebras lineares.

Por ser descendente de judeus, em 1933 (pouco tempo antes da 2º Guerra Mundial) foi expulsa de seu país. Mudou-se para os EUA, onde atuou como professora no College Bryn Mawr e no Instituto para Estudos Avançados. Morrera dois anos depois, em 14 de abril de 1935. 

Com toda isso, pode-se dizer que apesar da discriminação e preconceito que estas mulheres matemáticas sofreram no decorrer dos séculos, não foi suficiente para impedir suas pesquisas. Graças à força de vontade e determinação cada uma delas, conseguiram gravar seu nome na história da Matemática. 



Referências

http://www.rpm.org.br/novo/conheca/30/2/mulheres.htm acesso em 23 de outubro de 2007.

http://www.csus.edu/indiv/o/oreyd/sylabi/mulheres.doc acesso em 11 de Novembro de 2007.

http://www.pr.gov.br/batebyte/edicoes/2000/bb97/mulheres.htm acesso em 11 de Novembro de 2007.

http://matedanse.no.sapo.pt/pagina11.htm acesso em 12 de Novembro de 2007.

http://dererummundi.blogspot.com/2007/07/mulheres-em-cincia-emmy-noether.html acesso em 13 de Novembro de 2007.
           



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