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Projeto Para a História do Português Brasileiro

Equipe de São Paulo

Edição da Cartas da Capitania de São Paulo

Aldeamento de Índios - Século XVIII e XIX

Edição e Revisão: José da Silva Simões e Verena Kewitz
(USP)

2005/2006



Cartas da Capitania de São Paulo

Aldeamento de Índios - Século XVIII

José da Silva Simões e Verena Kewitz (Org.)

(USP)


Os documentos editados neste volume pertencem ao fundo intitulado C00228 – Aldeamento de Índios - 1721-1810, depositado no Arquivo Histórico do Estado de São Paulo (AHESP). A íntegra destes documentos foi publicada em vários números do Boletim do Departamento do Arquivo do Estado de São Paulo entre 1945 e 1948. A edição que ali se apresentava era de caráter modernizador, com a separação dos vocábulos fonológicos, desenvolvimento indistinto das abreviações e correções ortográficas que não atendem ao objetivo do estudo lingüístico dos textos. Dessa forma, para além de escolher materiais que pudessem ser interessantes aos pesquisadores do Projeto Para a História do Português Brasileiro (PHPB), optamos por fazer uma edição conservadora desses documentos, de forma a oferecer aos estudiosos da diacronia do português brasileiro a possibilidade de depreender do próprio material as pistas sobre a evolução da língua no país.

A seleção destas cartas atende a critérios tanto relacionados à história social da língua portuguesa nos domínios da Capitania de São Paulo, tentando sempre identificar a genealogia dos missivistas, como a critérios discursivos, de forma a reunir um número suficiente de documentos que pudessem evidenciar uma oralidade concepcional. Assim, buscou-se identificar cartas que apresentassem menor grau de planejamento do texto e maior relaxamento da escrita. As cartas aqui transcritas tratam do cotidiano desses aldeamentos apenas da perspectiva dos seus administradores. No entanto, a escolha do material Aldeamento de Índios valida-se como fonte pertinente à socio-história de São Paulo, quer seja como vila que foi, quer seja como região no entorno da mesma:


Interessante mesmo em instituições privadas de reconhecimento público, como hospitais e irmandades laicas controladoras de algumas capelas coloniais, a possibilidade de encontrarem-se escritos de mão pouco hábeis ou inábeis tem sido grande. Contudo, nada impede que os diversos recortes aplicados nas pesquisas diacrônicas reúnam-nos nas categorias tradicionais. (...)

Verifica-se isso, por exemplo, no caso das irmandades religiosas de negros em Minas Gerais e na Bahia: dois dentre outros filões de especial valor abertos, respectivamente, para os séculos XVIII e XIX por diferentes equipes regionais do PHPB. De forma semelhante, ou seja, apresentando marcas de determinados segmentos sociais, existem documentos de caráter pessoal, por vezes trocados entre amigos ou parentes, que circularam em ambiente administrativo não institucionalizado que permaneciam submetidos a ritos e cerimônias de escritura ora mais próximos dos da máquina burocrática, ora dos da circulação pessoal.” (Barbosa, 2005:9-10)

Este trabalho está dividido da seguinte forma:



  1. Normas de edição dos manuscritos e modelo de identificação do documento;

  2. A história social dos aldeamentos paulistas e breve apresentação sobre as aldeias;

  3. Identificação parcial da genealogia dos remetentes

  4. Índice das cartas com ementas;

  5. As cartas;

  6. Referências bibliográficas.

1. Da edição das cartas



    1. Normas de transcrição das cartas

Baseadas nas Normas para transcrição de documentos manuscritos para a História do Português do Brasil (Mattos e Silva 2001), as normas para este conjunto de cartas são as seguintes:




  1. a transcrição é conservadora.

  2. as abreviaturas foram todas desdobradas, indicada em itálico a parte abreviada, salvo quando não foi possível identificar a abreviatura.

  3. os vocábulos escritos juntos ou com partes separadas não foram modificados: ex. osfilhos ou in cluza.

  4. os casos de dúvida de leitura foram em itálico marcados com [ ], o que identifica a dificuldade de leitura do editor: ex. marca[do].

  5. as partes apagadas ou deterioradas, mas de possível leitura, foram marcadas por [ ]: ex. h[e].

  6. as partes deterioradas de leitura impossível foram indicadas por [corroíro] ou [rasurado].

  7. as partes rasuradas pelo remetente foram marcadas por traço: ex. você.

  8. os trechos de palavras superpostos ou palavras acrescentadas foram marcados com < >: ex. confirda, vonde ou


  9. as marcas de nasalização e acento tônico foram reproduzidos como no manuscrito e podem variar de documento para documento: irmaõ, irmaô, hû, hu’.

  10. as letras C, Z, S e R escritas em maiúsculas foram mantidas, respeitando o original: caZar, aRecadar, peSso, peCar.

  11. a separação de linhas segue exatamente como o original, e não por barras ( | ), para facilitar a leitura, caso se queira cotejar com o original (cujas imagens encontram-se neste CD-ROM).

  12. as correções do remetente são sempre indicadas em nota de rodapé, pois aí encontram-se indícios do grau de planejamento do texto.

  13. também em nota de rodapé, foram colocadas observações sobre o papel – quando timbrado, a forma como o remetente grafou determinada palavra ou letra, o significado de alguma palavra pouco usual nos dias de hoje e outras observações paleográficas.

  14. indica-se por [sic] quando o remetente nitidamente esqueceu de escrever alguma palavra, sílaba ou letra, o que também indica o grau de planejamento do texto.



1.2 Identificação do documento
A identificação de cada documento é feita no cabeçalho da carta da seguinte forma:
Título do Conjuntos de Cartas – Neste caso, será sempre “Aldeamento de Índios” / Número da carta – numeração crescente por ordem de remetente e data

Autor

Data

Local – Lugar em que a carta foi escrita, com indicação do topônimo atual, caso haja alguma discreprância entre o nome do local identificado na carta e o nome atual.

Fonte – para este conjunto de documentos, será sempre AHESP (Arquivo Histórico do Estado de São Paulo)

Código – os números referem-se aos estabelecidos pelo AHESP; o primeiro número refere-se à caixa, o segundo à pasta e o terceiro, ao número do documento.

Imagem de CD-ROM – refere-se ao número da imagem feita do documento, que se encontra neste CD-ROM.

Edição – nome do editor e ano da edição

Revisão – nome do revisor e ano da revisão


2. A HISTÓRIA SOCIAL DOS ALDEAMENTOS

Durante as pesquisas no Arquivo Histórico do Estado de São Paulo, inicialmente este fundo interessou-nos pela temática envolvendo indígenas. Esperávamos encontrar, porventura, cartas escritas por algum índio ou seus descendentes as quais pudessem revelar alguns traços de língua geral em São Paulo. No entanto, encontramos grande número de cartas de religiosos que escreveram cartas a seus superiores ou a militares dando conta das listas de índios ou de episódios ocorridos nas aldeias próximas a cidade de São Paulo. Os documentos são provenientes de Aldeia da Conceição (Guarulhos), Aldeia de Barueri, Aldeia de São João (Peruíbe), Aldeinha de Nossa Senhora de Escada (Guararema), Aldeia de MBoy (Embu), São Paulo, Aldeia de S. João de Queluz (Queluz), N. S. da Ajuda (Itaquaquecetuba). Também foram encontrados documentos interessantes nesse fundo, oriundos de outras localidades e com temática diversa da que envolve a questão dos índios, provindas de V. Boa de Goyas (Goiás Velho), Itu, Araritaguaba (Porto Feliz) e Laranjeiras (Guararema). O mapa abaixo, retirado de Petrone (1995) dá conta do povoamento da região de São Paulo entre a primeira metade do século XVI e a segunda metade do século XVII, época de formação dos aldeamentos paulistas:



(Petrone, 1995:125)


Marilza Oliveira (2002) conta-nos o seguinte a respeito do surgimento desses aldeamentos:

Nos arredores da vila havia os aldeamentos dos jesuítas, que por serem originados da doação de grandes propriedades particulares eram considerados fazendas (S. José, Itaqua, Embu, Carapicuíba e Itapecerica) e havia as Aldeias do Padroado Real (Pinheiros, Barueri, S. Miguel e Guarulhos), inicialmente controladas pelos jesuítas. Com a sua primeira expulsão em 1640, essas aldeias passaram para o domínio da Câmara. Em fins do séc. XVII, a autoridade espiritual e temporal passou para as ordens religiosas: frades capuchos primeiro e franciscanos depois em S. Miguel, beneditinos em Pinheiros e carmelitas em Barueri.”

(Oliveira, 2002)

O estudo de Oliveira possibilita-nos identificar melhor esse corpus paulista do século XVIII:


convém fazer aqui a distinção entre os termos aldeia e aldeamento. O termo aldeia que, em princípio, corresponde ao italiano villaggio, passou a ser utilizado na colônia para indicar as tabas indígenas, ou seja, os núcleos espontâneos da população indígena (Petrone, 1995). Em contraposição, no processo da colonização cunhou-se o termo aldeamento para o núcleo de população indígena criado conscientemente, como fruto de uma intenção objetiva, a saber, o controle social e a exploração econômica dos indígenas (Monteiro, 1936).

Como já se disse, a constituição dos aldeamentos era uma forma de tornar possível a assimilação dos povos nativos e transformá-lo em trabalhador produtivo, estabelecendo o controle social e a exploração econômica dos indígenas. Além de ser um mecanismo de obtenção de mão-de-obra indígena, a formação dos aldeamentos era uma forma de delimitar as terras dos índios. (...) A partir da segunda metade do séc. XVIII, os aldeamentos paulistas passaram a recolher os bastardos e mulatos (Bando de 30/5/1733) e toda a população desajustada (19/7/1766), processo que se intensificou no alvorecer do século XIX. Como afirma Petrone (op.cit, p. 135.): “Num processo cujas fases não são simples de definir, os contingentes ameríndios foram se tornando gradativamente mais mamelucos, foram caboclizando-se, até adquirirem as características mais típicas de uma população caipira que, ainda na atualidade, marca com sua presença alguns ângulos dos arredores de São Paulo, especialmente em torno dos antigos aldeamentos.


No entanto, é necessário identificar uma certa dissociação desses aldeamentos do núcleo paulista, tomando em conta a incomunicabilidade entre índios e brancos, e por conseguinte, dos próprios religiosos, autores de “nossas” cartas. Dão prova disso os depoimentos dos religiosos nas cartas recolhidas e transcritas por nós.
Os jesuítas sempre procuraram evitar que os índios tivessem quaisquer contatos com o exterior. Um regimento organizado pelos franciscanos (1745) impunha rigorosas penas à comunicação entre índios e brancos (Oliveira, op.cit.: 215). O isolamento dos aldeados não foi uma diretriz apenas dos jesuítas. Em 1623, os moradores impediram a entrada dos indígenas em São Paulo (Sessão de 12/8/1623, Atas da Câmara de São Paulo, v. III, p.47). Nas Ordenações Filipinas (Livro I, Tít. XVI:8, apud Omegna p.21, nota 28), proibia-se, em São Paulo, a ida das pessoas de São Paulo para os bairros e aldeias” (Oliveira, op. cit.)
Assim como os muros delimitavam o espaço de ocupação das duas etnias, criando o dualismo cidade-aldeia e, por conseguinte, a consciência de marginalizados extra-muros, a manutenção da língua geral nos aldeamentos, inicialmente usada como instrumento de catequese, deve ter sido, ao longo do tempo, mais uma forma de discriminação em relação aos indígenas, constituindo mais um impedimento aos índios de adentrarem na sociedade dos que eram socialmente favorecidos” (Oliveira, op. cit.)
A incomunicabilidade entre as duas etnias foi quebrada, oficialmente 10 [sic], pela Ordenação de 4/4/1755 que passou a incentivar os casamentos entre colonos e índios, dando vantagens e prêmios aos brancos que casassem com índias e igualassem os filhos aos demais vassalos brancos. Além disso, a contínua solicitação de indígenas como mão-de-obra, a presença de moradores brancos nas proximidades dos aldeamentos e a liberdade de comércio e de bens individuais aos índios tornou os contatos mais rotineiros. Essa disposição coincide com a expulsão definitiva dos jesuítas do reino por ordem de Marquês de Pombal, em Lei de 3/9/1759.” (Oliveira, op. cit.)

2.1. Breve histórico das aldeias
Para que os leitores e pesquisadores possam ter uma visão mais detalhada dos locais onde estas cartas foram escritas, acrescentamos um breve histórico dessas aldeias, muitas vezes textos que se encontram publicados na internet.
As aldeias paulistas aqui representadas são as seguintes:


  1. Aldeia da Conceição (Guarulhos),

  2. Aldeia de Barueri,

  3. Aldeia de MBoy (Embu),

  4. Aldeia de Nossa Senhora da Ajuda (Itaquaquecetuba)

  5. Aldeia de São João de Queluz (Queluz)

  6. Aldeia de São João (Peruíbe),

  7. Aldeinha de Nossa Senhora de Escada e Laranjeiras (Guararema),

Outros documentos interessantes desse mesmo fundo tratam de outros assuntos e são originários de outras localidades, sendo um deles da própria vila de São Paulo. A carta de Maria de Lara Leite, brasileira, natural da vila de São Paulo, foi escrita em Vilas Boa de Goyas (Goiás Velho), uma vez que a família lá se encontrava por conta de seu marido, o então governador interino da Capitania de São Paulo ter sido enviado ao Cuyabá em 1727.


Apresentamos ainda assim, um breve comentário a respeito de


  1. Itu e Araritaguaba (Porto Feliz)


2.1.1. Aldeia de Nossa Senhora da Conceição (Guarulhos)



Guarulhos teve sua origem como elemento de defesa do povoado de São Paulo. Com a denominação de Nossa Senhora da Conceição é fundado em 8 de dezembro de 1560 o aldeamento dos índios Guarus da tribo dos Guaianases, integrantes da nação Tupi, pelo Padre Jesuíta Manuel de Paiva.

Seu crescimento econômico deu-se inicialmente em função da mineração de ouro. As minas foram descobertas em 1590 por Afonso Sardinha, localizada na atual região do Bairro dos Lavras, cujas antigas denominações eram Serra de Jaguamimbaba, Mantiqueira e Lavras-Velhas-do-Geraldo.

"Assim, pois, na altura de 1750, existiam mineiros extraindo ouro nas "Lavras Velhas do Geraldo". É possível que este tenha sido o período de maior atividade, tendo-se esgotado com ela as referidas lavras (...).

Aquelas "Lavras Velhas do Geraldo", hoje podem ser vistas na margem direita da estrada que se dirige de Cumbica para Nazaré. A parte mais lavrada do terreno acha-se no ângulo formado pela estrada que ali se bifurca, um rumo em direção a Nazaré, e outro para Bom Sucesso".
(Ferreira, 1958)


"Houve pelo menos seis lavras em território guarulhense que se localizam em pontos diferentes de uma vasta área, compreendendo algumas dezenas de quilômetros quadrados, onde se acham os bairros de Lavras, Catas Velhas, Monjolo de Ferro (esta deve ter sido a chamada 'Lavras Velhas do Geraldo'), Campo dos Ouros, Bananal e Tanque Grande". (Noronha & Romão, 1980)

Entre os séculos XVII e XVIII notamos momentos de grande interesse por Guarulhos haja vista a quantidade de número de ordens estabelecendo as sesmarias (responsáveis pela ocupação e assentamentos na época do Brasil Colônia) expedidas para a região.

Os sesmeiros se dedicaram à agricultura e à mineração e, como atividade de apoio, criavam gado vacum e cavalar. Ressaltamos que os engenhos de açúcar que se iniciaram nos anos seiscentistas estenderam-se até o início do século XX, com a produção de álcool e aguardente. A agricultura da região possivelmente sofreu com o clima úmido e frio que acarretou ferrugem ao trigo, mosaico a cana e curuquerê ao algodão.”

Fonte: http://www.guarulhos.sp.gov.br/05_cidade/historia/historia.htm



GUARULHOS

A despeito da inexistência de qualquer documento que determine a época da fundação de Guarulhos, os historiadores que se referem a sua origem, quer levados por elementos recolhidos da tradição, quer pelo confronto dos fatos históricos da cidade de S. Paulo, fixam o ano de 1560 como o início do aldeamento e colonização dos índios guarulhos, no lugar que ainda conserva esse nome. Assim o atesta o Padre Celestino Gomes d' Oliveira Figueiredo, em seu relatório de 1913, no terceiro livro do tombo da Paróquia de Guarulhos, existente nos arquivos da Cúria Metropolitana de S. Paulo. Esteia-se na autoridade de Azevedo Marques e na de João Mendes de Almeida. Completando o relatório do Padre Celestino, surgiu o esplêndido trabalho do Dr. João Ranali, baseado nos assentamentos existentes na Cúria Metropolitana, bem assim na autoridade de Teodoro Sampaio, Plínio Airosa, José Machado de Oliveira, Eugênio Egas, Pedro E. Vallin e outros.



O sacerdote, embora aceitando o ano de 1560 para a fundação de Guarulhos, refere-se ao ano de 1555, em que se teria erigido uma capela, antecessora da Igreja Matriz. Diz ele: "Consta que o primeiro livro do tombo, que se perdeu, dava notícias de uma outra igreja, que servia de Matriz, com a invocação de Nossa Senhora da Conceição de Guarulhos, sem que todavia precisasse o tempo de sua fundação. Parece que existia já em 1555, porque nessa época já aquela capela de Guarulhos era filial da Matriz de São Paulo."

Trata-se, confessadamente, de mera suposição, não ratificada pelos, historiadores. E apesar de tal pressuposto haver resultado de um equívoco, na interpretação de um documento antigo, guardamos a convicção de que, ao ser fundado o Colégio inaciano do planalto, uma tribo de índios guarulhos já dominava a margem direita do Rio Tietê, ao norte de S. Paulo de Piratininga.

Tendo alcançado tão elevado prestígio em 1560, ao receber o pelourinho, transformando-se em vila, São Paulo, certamente, já deveria ser um núcleo bem povoado e melhor protegido, sob a guarda daquelas aldeias periféricas, verdadeiros postos avançados. E segundo alguns historiadores, as aldeias de São Miguel e de Pinheiros nasceram concomitantemente com a dos Guarulhos, a qual, sem dúvida alguma, integrava os doze primitivos baluartes da segurança piratiningana.

E quando os jesuítas estabeleceram o controle dos índios guarulhos, ao norte e à direita do Anhembi, deram-lhe também uma capela e a proteção sobrenatural de uma padroeira, pois assim costumavam fazer. A suposição feita pelo Padre Celestino de que a ermida fora levantada em 1555, além de não encontrar base em qualquer dos velhos documentos, não é ratificada por qualquer dos nossos historiadores, nem tão pouco a lógica dos fatos conhecidos induz tal probabilidade. Esse pressuposto nasceu, aliás, de um equívoco no trabalho de interpretação de um velho registro paroquial. Este documento, referindo-se à primitiva capela dos Guarulhos, diz que era "filiada à Matriz ereta em 1555, no hoje Curado da Sé". Consequentemente, o ano de 1555 se refere à Matriz de S. Paulo, depois Curado da Sé, e não à capela dos índios guarulhos.

Observe-se, de resto, que, sendo um dos aldeamentos mais retirados de S. Paulo, não seria provável, logo no ano seguinte à fundação do Colégio, Guarulhos já existisse e, inclusive, tivesse uma capela. Entretanto, pela tradição recolhida por nossos historiadores e pelo confronto dos fatos históricos conhecidos, Guarulhos foi fundado em 1560 e nesse ano ganhou a sua ermida.

Os índios

Com agricultura rudimentar, os índio dependiam mais da caça e pesca. Quando estas escasseavam, transferiam-se para outras plagas. Tais fatos nos levam à certeza, de que várias tribos pisaram e provisoriamente se instalaram neste mesmo chão, antes dos guarus. Mas, tais ocorrências, evidentemente, não importam ao historiador. O que interessa conhecer é o primeiro grupo sedentário aqui precipitado sob a égide da civilização.

Nestas condições, uma das tribos guaianazes, a que chamavam guarus, foi a iniciadora da povoação que lhe tomou o nome, sujeita à ação civilizadora dos inacianos. Convém observar que havia outras tribos de índios guarulhos em pleno sertão paulista, parte dos quais, o Padre Manuel Nunes de Siqueira, vigário de S. Paulo, conduziu e localizou "no sítio chamado Atibaia", isso no ano de 1565 (Aureliano Leite). Para Serafim Leite que identificou os índios gesseraçus, mara-mimins ou guarumimins e guarulhos; Disse que "viviam numa Serra, entre o Rio de Janeiro e São Vicente e apareceram na Bertioga. Existia outro grupo de Maramomins, entre o Rio de Janeiro e o Espírito Santo."

Alberto Ribeiro Lamego, citado por Serafim Leite, diz ainda: "É possível sejam eles os mesmos Sarucus, aldeados em N. S.a das Neves (Couto Reis), na margem esquerda do Rio Macaé, onde Cornélio Fernandes coloca uma aldeia de Guarulhos."

Não há dúvida que uma tribo de índios guarulhos dominava a margem direita do Tietê, ao norte de São Paulo, bem como outras reduções de igual nome existiam no sertão paulista, a exemplo daquela que, em 1565, foi localizada em Atibaia pelo Padre Manuel Nunes de Siqueira. Consequentemente, os maramimins vieram do litoral pelas mãos de Manuel Viegas, em 1595, para constituir um outro núcleo selvático em terras guarulhenses, três léguas além do lugar onde os guarulhos, desde 1560, já se encontravam sob os cuidados cristalizadores dos jesuítas.

O nome da cidade

Para Teodoro Sampaio (O Tupi na Geografia Nacional) Guaru significa o indivíduo que come, o comedor, em alusão ao formato do peixe desse nome, cuja parte ventral é proeminente. Então, para Teodoro Sampaio, os índios guarus tinham esse nome por serem barrigudos. Não diz o escritor onde obteve o informe de que os guarus se notabilizaram por esse aspecto físico. Talvez fosse mera inferência daquele autor, mas o fato é que até hoje a imagem que ficou dos primitivos habitantes de Guarulhos é que tivessem tal característica morfológica, seja isso verdade ou não. Em contato com a língua do colonizador a palavra guaru foi aos poucos se alterando até resultar em Guarulhos.”

Fonte: http://www.citybrazil.com.br/sp/guarulhos/historia.htm




      1. Aldeia de Barueri

A história de Barueri remonta à época das missões jesuítas, 1560. Os historiadores afirmam que a aldeia foi fundada pelo padre José de Anchieta, juntamente com a Aldeia de São Miguel. O nome Barueri, em tupi-guarani, segundo alguns estudiosos, significa "Flor Vermelha que Encanta", numa alusão a algumas flores que margeavam o rio, atualmente chamado de Barueri-Mirim. Resistindo aos selvagens ataques de bandeirantes, como Antonio Raposo Tavares, capturando índios para mão-de-obra escrava para a lavoura, a aldeia de Barueri, protegida por jesuítas, com o decorrer dos anos, chegou a povoado. Em 1870 iniciou-se a construção da Estrada de Ferro Sorocabana e, em 1875 foi inaugurada a Estação de Barueri, servindo de rota para Santana de Parnaíba e Pirapora do Bom Jesus, incentivando o comércio local.



Barueri na História

Em 21/11/1560 o Padre José de Anchieta reza a primeira missa no aldeamento indígena de Barueri.

Em 1633 os jesuítas foram expulsos mas a Capela Nossa Senhora da Escada, no atual bairro da Aldeia, foi reaberta provocando violenta represália por parte de um grupamento de oficiais. A capela foi depredada, seus móveis e utensílios foram atirados ao rio e os índios feito escravos.

No ano de 1759 ocorre a expulsão definitiva da Companhia de Jesus do Brasil.

No ano de 1850, Barueri é elevado a categoria de povoado. Em 1875, é inaugurado o primeiro trecho da Estrada de Ferro Sorocabana e Barueri torna-se centro de distribuição de cargas. O povoado de tropeiros passa a ser chamado povoado da Estação. Próximo à estação ocorre a construção da Igreja São João Batista. Em 23/06/1898 ocorre a primeira procissão na única rua: a Campos Sales.

Fonte: http://www.citybrazil.com.br/sp/barueri/historia.htm







      1. Aldeia de Embu


  A cidade de Embu tem suas origens na antiga aldeia M'Boy, criada pelos padres da Companhia de Jesus na primeira metade do século XVII. M'Boy, Boy, Bohi, Bohu, Emboi, Alboy, Embohu. Diversas grafias foram registradas por Sérgio Buarque de Holanda para a palavra indígena que nomeava a extensa região onde surgiu a aldeia. Diz a lenda que o nome M'Boy - cobra em tupi-guarani - foi dado para homenagear um índio que salvara da morte o padre Belchior de Pontes, figura fundamental na história da aldeia. Pouco depois, o índio morreu picado e envolvido por uma grande serpente. Segundo Leonardo Arroyo, o termo M'Boy vem de Mbeîu, que significa cousa penhascosa, agrupamento de montes, coisa em cachos ou cacheados.




De qualquer modo, era nessas terras montanhosas, que ficava a fazenda de Fernão Dias Pais - tio do famoso bandeirante caçador de esmeraldas - e Catarina Camacho, sua mulher. Em 24 de janeiro de 1624, o casal doou a propriedade aos jesuítas, incluindo os muitos índios que aldeara em torno da sede. Duas condições foram impostas por Catarina Camacho para efetivar a doação: o culto ao Santo Crucifixo e a festa de Nossa Senhora do Rosário, a quem a pequena capela da fazenda era dedicada.

A doação era bem conveniente aos jesuítas, que, atacados por índios na aldeia de Maniçoba, próxima de Piratininga (vila que deu origem à cidade de São Paulo), procuravam um lugar mais seguro para prosseguir com sua missão de catequizar o gentio. A nova aldeia, além de estar mais afastada do núcleo de Piratininga, ficava na confluência dos caminhos que levavam ao mar e ao sertão, um ponto estratégico.

Uma vez instalados, os padres iniciaram o trabalho de catequese dentro dos moldes de outros aldeamentos jesuíticos. O princípio básico era fixar os índios em torno das igrejas e colégios, protegendo-os da escravidão. Em troca, o gentio tinha que se submeter à nova disciplina que, na maior parte das vezes, entrava em choque direto com a cultura indígena. Além de se adequar à moral religiosa católica, que permitia um único casamento, os índios transformavam-se em agricultores sedentários.

Talvez por problemas de adaptação dos indígenas ao novo modo de vida, no fim do século XVII e início do XVIII, o padre Belchior de Pontes, então diretor da aldeia, resolve mudá-la para outro lugar não muito distante. Segundo relata o padre Manuel Fonseca no livro 'A Vida do Venerável Padre Belchior de Pontes', a nova aldeia ficava assentada num plano cercado de riachos que produziam peixes miúdos em tal quantidade, que podiam ajudar muito a sustentação dos índios. No novo local, o padre Belchior de Pontes ergueu também uma nova igreja, maior que a anterior, conservando a invocação a Nossa Senhora do Rosário.

Em meados do século XVIII, a aldeia contava com 261 índios e apresentava sinais de prosperidade, destacando-se entre as demais. Já havia sido construída a residência dos jesuítas, com ajuda dos índios. Além da mandioca, trigo e legumes, produzia-se algodão, que era fiado e tecido ali mesmo pelas índias. Há registros de exportações para Rio de Janeiro e Bahia em 1757. Uma outra peculiaridade da aldeia era a existência de uma banda de música, bastante respeitada na região. Composta de índios guaranis, que dedicavam duas horas da manhã e duas horas da tarde aos ensaios, a corporação musical participava de missas e procissões, se apresentando em localidades próximas.

Em 1760, os jesuítas foram expulsos do Brasil por ordem do Marquês de Pombal e a igreja do Embu passou para os cuidados do clero diocesano. A população indígena começou a se dispersar e, em 1873, restavam apenas 75 índios e mestiços habitando o lugar.

Desde o início do século XIX, a aldeia já estava em franca decadência. Permaneceu na obscuridade até nos anos 20 deste século, quando Duarte Leopoldo e Silva determinou a primeira recuperação da igreja. Em 1939 e 1940, o conjunto jesuítico - que compreende a Igreja Nossa Senhora do Rosário e a residência dos jesuítas - foi considerado Patrimônio Nacional e restaurado pelo SPHAN (atual IPHAN - Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional).

Fonte: http://www.mboy.com.br/index.php?tit=historia



      1. Aldeia de Nossa Senhora da Ajuda (Itaquaquecetuba)






A origem do município de Itaquaquecetuba remonta a uma das 12 aldeias, fundadas pelo padre jesuíta, José de Anchieta, em sua longa permanência no Brasil. Sua criação se deve ao então presidente da província, Bernardo José Pinto Gavião Peixoto, com o nome de vila Nossa Senhora D'Ajuda, em 8 de setembro de 1560, sendo estabelecida na beira do rio Tietê, para catequizar os guaianase.

Nas décadas de 10 e 20 do século XVII, entretanto, a aldeia ficou quase deserta já que, por ordem de Fernão Dias Paes, desejoso de ter um maior controle dos índios catequisados, a maior parte de sua população foi transferida para aldeia de São Miguel, mais próxima a São Paulo, onde havia sido erguida uma nova capela. A população recomeçaria a crescer apenas em 1624, quando o padre João Álvares, construtor da capela da Conceição de Guarulhos e também da de São Miguel, decidiu levantar em sua propriedade, localizada bem ao lado da aldeia de Itaquaquecetuba, um oratório em louvor a Nossa Senhora d´Ajuda que, em seguida, tornar-se-ia capela. Este foi o marco inicial da povoação, que logo viria a se fixar em seu redor, com o nome, justamente, de Nossa Senhora da Conceição de Itaquaquecetuba, recuperando, assim, o topônimo do antigo aldeamento, elevado à freguesia pela lei Nº 17, de 28 de Fevereiro de 1838.

O primeiro Censo realizado na Aldeia de Nossa Senhora D'Ajuda, em 1765, apresentou os seguintes resultados: 59 "iogos" que eram habitados por 109 mulheres e 117 homens.

Pouco cresceu a aldeia que neste estado permaneceu quase 200 anos. Foi com a inauguração da Variante da EFCB, em 1925 que Itaquaquecetuba começou a crescer e a prosperar.”

Fonte: www.nossosaopaulo.com.br/ Reg_13/Reg13_Itaquaquecetuba.htm



      1. Aldeia de São João de Queluz (Queluz)


Queluz teve sua origem interligada ao papel de Lorena, no povoamento da região. Nasce a partir de um aldeamento de índios Puris (o mais recente da região). Em 1842, torna-se vila e em 1876, cidade.



O nome Queluz é homenagem ao solar português onde nasceu Dom Pedro I. O Município desenvolveu-se com a cultura do café e que deixou importantes marcos rurais, como as sedes, ainda existentes das fazendas do Sertão, São José, Restauração, Bela Aurora, Regato, Cascata e outros.

Conseqüentemente nos deixando uma grande contribuição para a história do Vale e do país, com a preservação da nossa cultura, através do patrimônio arquitetônico das fazendas do café.

Fonte: http://www.explorevale.com.br/cidades/queluz/index.htm






2.1.6. Aldeia de São João (Peruíbe)

desenho de José Custódio de Sá e Faria, 1776



A Aldeia dos Índios Peroíbe, já existia desde muito antes da chegada de Martin Afonso de Souza. Situava-se no Tapiarama (Tapui-Rama), região das Aldeias ou Pátria dos Tapuias. Eram as duas únicas Aldeias do Litoral.

As primeiras notícias, datam de 1532, quando Pero Corrêa pede a confirmação de suas terras a Martin Afonso de Souza, dizendo já estar há muito tempo nas terras que antes pertenciam a um Mestre Cosme, Bacharel de Cananeia e doava estas terras em 1553 à Companhia de Jesus, por descarrego de consciência, devido ao escravismo atuante nas praias do Guaraú. Doou, também, a Fazenda na Praia de Peruíbe, para a Confraria do Menino Jesus, que passou a ser o Segundo Colégio de Meninos Órfãos do Menino Jesus. O Primeiro Colégio foi em São Vicente. Peruíbe pertencia à Capitania de Martin Afonso de Souza, por encontrar-se a 12 léguas ao Sul de São Vicente.

Em 1549, chegava Padre Leonardo Nunes juntamente com outros padres para fazer a catequese dos indígenas. O Padre Leonardo Nunes passou a ser conhecido pelos indígenas por "Abarebebê" (Padre Santo ou Padre Voador) por estar em vários locais ao mesmo tempo.

Em 1554, chega na aldeia José de Anchieta, que havia entrado para a Companhia de Jesus, no auxílio à catequese.

Tendo notícias que o Convento de Itanhaém só começou sua construção em 1640, e seu padroeiro foi São Francisco de Assis, conforme apontamento de Azevedo Marques e sua Igreja Matriz, data de 1761 e sua Padroeira de Santa Ana, conforme Benedito Calixto, não resta dúvida sobre a veracidade dos fatos históricos de que a fundação da Vila da Conceição de Nossa Senhora, ocorreu na atual Ruínas do Abarebebê, conforme a afirmação de Frei Gaspar da Companhia de Madre de Deus, que diz na sua obra (Capitania de São Vicente), que até 1555, não existia nada no local chamado Itanhaém e sim Aldeias, onde Martin Afonso de Souza fez sua fundação. A aldeia perdeu o Foro de Vila, cedendo aos Portugueses que residiam em Itanhaém, por estarem os Jesuítas protegendo por demais os indígenas e no século XVII, em meados de 1648 foram expulsos. A aldeia passa a ser conhecida como aldeia de São João Batista, a partir de 1640.”

retirado de http://www.nossosaopaulo.com.br/Reg_11/Reg11_Peruibe.htm


2.1.7. Aldeinha de Nossa Senhora da Escada (Guararema)

Aldeia de Escada (Setubal, 2004)



Segundo Aureliano Leite em 1560 Braz Cubas se embrenha pelo sertão e descobre ouro em vasta sesmaria que chega quase à margem esquerda do Rio Anhembi (Tietê). A descoberta é comunicada ao Rei por carta datada de 25 de Abril de 1562. Em sua entrada pelo sertão, Braz Cubas desce a seguir pelo Rio Paraíba e, atravessando a Mantiqueira, esbarra no Rio São Francisco. (Isaac Grinderg- História de Mogi das Cruzes, 1961 p.19). Segundo o historiador este foi o primeiro homem a pisar em nosso solo.

1608- A 22 de setembro, Gaspar Vaz obtém uma sesmaria em Mogi. (Isaac Grinderg- História de Mogi das Cruzes, 1961 pg:18).

1611- O próprio Gaspar Vaz fundou o aldeamento da Escada, para onde foram levados índios já catequizados .

Já em 1625 o aldeamento havia sido entregue aos jesuítas que sobreviviam da lavoura. Em 1652 os padres jesuítas erigiram a primeira capela no arraial. Devido ao seu posicionamento geográfico, durante séculos a localidade constituiu-se como etapa obrigatória dos caminhantes que iam de São Paulo para o Rio de Janeiro e vice-versa.

Por dar proteção aos índios os jesuítas somaram muitos inimigos, inclusive Gaspar Vaz, que defendia a escravização dos índios. Os inimigos atacavam as aldeias e destruíam várias reduções jesuíticas ao sul do Brasil e Uruguai: tão freqüente se tornaram estes ataques, que os jesuítas foram reclamar ao Papa, o qual em 1640 declarou todos os índios da América livres. Com o acontecido os colonos decidiram pela expulsão dos jesuítas de toda a capitania.

Em 15/12/1732 o índio chamado a moda portuguesa de Sebastião Silva é nomeado capitão-mor dos índios do arraial da Escada, nesse mesmo ano, a primeira capela foi demolida em virtude de má conservação para dar lugar a outra capela.

Em 1734, com a vinda dos Franciscanos, ergueu-se um alojamento anexo que passou a funcionar como convento. Construído em taipa de pilão, o conjunto, representativo da Arquitetura Colonial Brasileira, foi tombado pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional no dia 25/01/1941.

A capela recebeu o nome da Nossa Senhora da Conceição e logo passou a chamar-se Nossa Senhora da Escada. Há várias hipóteses para a mudança do nome. O fato mais provável talvez seja este: "Reza a tradição popular que os indígenas tinham por hábito colocar sobre a sepultura de seus mortos um fardel cheio de alimentos e uma escada para que a subida da alma até o reino de Tupã se realizasse de maneira tranqüila. Conhecedores deste fato, os padres teriam tratado de esculpir degraus ao redor da Virgem, com o objetivo de estabelecer uma ligação entre as crenças pagãs e a religião adventícia, de modo a facilitar a catequisação.

Conhecedores dos fatos ocorridos no arraial da Escada. O padre vila de São Miguel, com o apoio do vigário da vara de São Paulo, André Baruel autoriza o supervisor da vila de São Miguel a levar para essa igreja "as imagens e alfaias" da igreja da Escada junto com 46 índios, que aqui viviam, com isso não concorda a Câmara de Mogi das Cruzes, que com povo reunido vai a São Miguel e trás de lá as imagens e os índios que haviam sidos tomados a Escada. (Leonardo Arroyo, " Igrejas de São Paulo."

Por João Augusto da Silva,

retirado de http://www.guararema.sp.gov.br/pages/historia.asp, acesso em 20.01.2006


A expedição de Martius e Spix pela Província de S. Paulo
Durante uma viagem que fizeram pela agora Província de S. Paulo, os naturalistas Martius e Spix observaram os estado de abandono em que se encontrava a região cerca de um século após a data de nossa primeira carta aqui transcrita. O historiador Afonso Taunay (1925) relata o que os dois encontraram:

Sahindo de Jacarehy [em 1817] detiveram-se os naturalistas algum tanto na velha Aldeia de Escada, num velho hospício de carmelitas, outróra de certa importancia e agora quase deserto. Ali encontraram um padre bastante inteligente, director de uma aldeia de indios, da visinhança.

Estava a missão em decadência, contou-lhes, circumstancia fatal desde a promulgação da carta régia que aos índios dera direitos civis aos dos demais brasileiros. Muitos bugres se haviam embrenhado pelas mattas e na aldeia restavam sessenta prochianos heterogeneos de raça, representantes das diversas tribus existentes em S. Paulo, antes da conquista portugueza.” (TAUNAY, 1925:240)
Grande disillusão trouxe a Martius o contacto com os degenerados descendentes dos aborigenes paulistas da Escada. Contava que lhe desse material para os seus estudos ethnographicos e logo de tal se disilludiu.

A indolencia taciturna, traço racial caracteristico, manifestado sobretudo pelo olhar atono e as maneiras timidas do americano, eleva-se ao primeiro degrau na escala da reflexão, e devido ao constrangimento desacostumado da civilização e no contacto com negros, mulatos e portuguezes até o quadro tristissimo do intimo descontentamento da perversidade.’ –” (TAUNAY, op. cit.:241)


A que tribu, a que tribus poderiam filiar-se? Os dados lingüísticos também muito falhos; [os índios de Escada, em 1817] pareciam falar uma mistura de linguas empregando comtudo muitas palavras guaranys.” (TAUNAY, op. cit.:241)


2.1.8. Araritaguaba (Porto Feliz) e Itu
No ano de 1693, nas terras de Antônio Cardoso Pimentel, um povoado começou a se formar junto à margem esquerda do Rio Anhemby (atual Tietê), num ponto distante pouco mais de 100 Km de São Paulo. O local era conhecido como “Araritaguaba” (que significa: “lugar onde as araras comem areia”) – nome dado pelos índios guaianazes que habitavam a região, em virtude da freqüência com que bandos dessas aves bicavam um salitroso paredão ali existente. O povoamento teve início quando o dono das terras resolveu habitá-las, juntamente com seus familiares e empregados, numa época em que vários sertanistas decidiram abandonar o Bandeirismo pela Agricultura. Era uma comunidade simples, que cultivava o solo apenas para a sua subsistência. No entanto, quando a notícia da descoberta de ouro em Mato Grosso (1719) e Goiás (1725) espalhou-se pelos quatro cantos, a movimentação no vilarejo e o seu conseqüente progresso foram inevitáveis. Por sorte, ele havia-se desenvolvido em torno de um estratégico porto natural junto ao primeiro trecho navegável do rio depois de Salto. Um local que serviria de ponto de partida, ainda no século XVII, de inúmeros bandeirantes, em busca das riquezas anunciadas. No século XVIII, partiriam também as famosas monções – expedições comerciais e científicas. Todos se aventuravam pelo grande manancial, repleto de perigosas corredeiras e obstáculos, rumo ao desconhecido oeste. As fronteiras do Brasil-Colônia, ainda bastante limitadas pelo Tratado de Tordesilhas, começaram desse modo a expandir-se, tendo início um processo de crescimento que, apoiado também sobre outros fatores ao longo da História, levou o País a chegar ao que é hoje territorialmente: o quinto maior do mundo. Daí se vê a importância do tal porto de Araritaguaba – que também era conhecido como o “porto feliz”, cujos moradores chamavam a atenção por sua alegria e hospitalidade, principalmente quando as expedições fluviais retornavam, ocasiões estas em que havia não pequena comemoração.

Referências Anteriores

Em 1628, antes do povoamento, o capitão general do Paraguai, D.Luiz de Céspedes Xeria, realizou uma viagem ao seu país utilizando-se do Rio Anhemby, conforme ele próprio explicou em relatório ao Rei Felipe IV. A expedição fez uma parada num certo local, abaixo do Salto de Itu, onde 50 escravos e mais alguns criados dedicaram um mês na construção de três canoas. Tudo indica que foi nesse local, à margem esquerda do Anhemby, que Antônio Cardoso Pimentel, natural de São Paulo, daria início ao povoamento de suas terras, para as quais se dirigiriam logo em seguida várias famílias, como a de Antônio Aranha Sardinha, natural de Santos.

Monções

De origem árabe, a palavra monção significa “estação do ano em que se dá determinado fato”. No Brasil, o termo deu nome às grandes expedições fluviais que se realizavam no século XVIII com destino às terras do Oeste, após a descoberta das minas em Cuiabá (MT). Eram organizadas entre os meses de abril e setembro, época considerada mais propícia.

Reiunas, ou Oficiais – eram organizadas pelo Governador, com o fim de transportar forças militares e autoridades administrativas. A mais célebre foi a do governador Rodrigo Cézar de Menezes. Partiu do porto de Araritaguaba para Cuiabá (MT) em 1726, com 308 canoas e cerca de 3 mil pessoas.

Expedições particulares – de iniciativa privada, objetivavam o comércio com as zonas de mineração. A última Monção particular de que se teve notícia em Porto Feliz foi a de Fermino Ferreira. Seu fim se deu frente à dificuldade das cachoeiras e corredeiras. Com o tempo, passaram-se a utilizar novos caminhos, à medida que o ouro de Cuiabá e Goiás ia-se tornando raro.

Partida e volta de uma monção

A Partida

O dia de partida de uma Monção era sinônimo de grande movimentação e festa em Araritaguaba. Desde o clarear do dia, canoas e batelões recebiam os carregamentos a serem utilizados durante a viagem e vendidos nas minas. Constituíam-se de alimentos não-perecíveis, como: farinha de milho e mandioca, feijão, toucinho, sal e carne salgada; barris de aguardente produzida na terra; armamentos e munições.

Tarefas cumpridas, piloto, proeiros, remadores, soldados, escravos e outros passageiros aguardavam em seus postos a chegada dos bandeirantes chefes e o momento de partir.

O desejo de enriquecimento rápido e o espírito de aventura pareciam lhes furtar, por alguns instantes, a distância a ser vencida, os rios a transpor, a ferocidade dos índios e tantos outros sofrimentos à sua espera. Antes da partida, todos recitavam uma ladainha, sucedida pela benção final do sacerdote.

Momento de partir: todo o povo concentrado no porto. Tiros eram dados, rufavam os tambores. Uma a uma, as canoas iam descendo o grande rio, tremulando bandeiras coloridas. À sua frente, 3500 Km de águas para superar, dos rios Tietê, Paraná, Pardo, Coxim, Taquari, Porrudos e Cuiabá, até atingirem a região das minas de ouro. O trecho mais difícil era a subida do Rio Pardo, onde se gastavam até dois meses. Nas cachoeiras, as canoas desciam seguras, amarradas por cordas, e as cargas, sobre os ombros dos tripulantes.

A Volta

Passavam-se meses... De repente, um tiro de arcabuz rompia o silêncio de um vilarejo aparentemente deserto. As casas de Araritaguaba davam sinal de vida. Todas as atenções voltavam-se para o grande rio. Era uma Monção que vinha chegando de Cuiabá. O povo se dirigia rapidamente ao Porto, com grande inquietação e expectativa pelo retorno ou, ao menos, notícias de entes queridos.

No dia seguinte, o povoado amanhecia movimentado. Com a descarga das canoas no Porto, Araritaguaba, pobre e quieta, tornava-se por alguns dias rica e agitada. O ouro corria como dinheiro e, com grande facilidade, eram gastas as riquezas adquiridas com tanto sofrimento.

 O Batelão



Batelão era a embarcação utilizada nas expedições (fundamentalmente, a piroga indígena), fabricada de um tronco só de Peroba ou Ximbúva, madeiras muito resistentes.

Esse canoões tinham 1,65 m de largura, 12 m de comprimento, 1,15 m de profundidade e sua espessura, 0,67 m. Acomodavam cerca de 90 sacos de mantimentos.

Os aperfeiçoamentos introduzidos se limitavam à utilização de juntas de ferro e cobertura de lona para proteção contra chuvas.

A tripulação era composta pelo piloto, contra-piloto, proeiro e 5 ou 6 remeiros. Esses canoões tinham extremidades na proa, para os remeiros, e outra na pôpa, para o piloto.

Numa Monção, a canoa maior servia de guarda e guia, levando na pôpa uma bandeira com as armas portuguesas.

Largo da Penha

A História do Largo da Penha começou com o povoamento do Porto de Araritaguaba em 1693 por Antonio Cardoso Pimentel, seus familiares e lavradores das terras de sua fazenda.

Com a chegada dos novos moradores, Pimentel construiu, no ano de 1700, uma Capela e, por ser devoto de Nossa Senhora da Penha, deu este nome a ela.

O Largo foi crescendo, surgiram novas habitações ao seu redor, tornando-se muito movimentado após a descoberta do ouro em Cuiabá .Era nesse ponto do povoado que os Bandeirantes se concentravam para organizar suas Monções. Também se reuniam nesse mesmo lugar os comerciantes, ora para abastecer as expedições, ora formar as suas próprias – denominadas Monções Mercantis.

Contudo, a classe predominante no povoado era a dos trabalhadores agrícolas, que só iam ao vilarejo nos domingos e dias santos, fazendo de tais ocasiões as únicas de algum movimento nas ruas.

As cargas vindas de Cuiabá eram depositadas no Largo da Penha, para conferência e pagamento do imposto ao reino.

Foi nesse Largo que o Reino de Portugal mandou construir um prédio para Alfândega (atualmente, Restaurante do Belini), para arrecadar o imposto do quinto devido sobre o ouro obtido em Cuiabá.

Já no tempo do Império, a mando do Presidente da Câmara, foram construídas diversas “casinhas” para os produtores comercializarem suas mercadorias. A última “casinha” funcionou até 1924.

Em 1905, uma estrada de ferro pertencente ao Engenho Central cortava o Largo. A ferrovia estendia-se até a Colônia Rodrigo e Silva e era utilizada para transportar até o Engenho a cana de açúcar dos Colonos Belgas. Essa Via-Férrea teve pouca duração, porque trazia alguns problemas à cidade.

Formação Jurídica

Inicialmente, Porto Feliz pertenceu à comarca de São Paulo. Depois, à de Itu, com a criação desta, em 02 de dezembro de 1811. Vinculou-se mais tarde à comarca de Piracicaba, criada em 30 de março de 1858. Anos depois, em 30 de março de 1871, ficou novamente subordinada à comarca ituana, por força da Lei nº 39. Em 1874, com a implantação da de Capivari, a esta subordinou-se até 1880. Neste ano, criou-se a comarca de Tietê, que passou a ser a responsável por Porto Feliz.  

Foi a Lei nº 8, de 07 de fevereiro de 1885, que finalmente criou a Comarca de PORTO FELIZ. A cidade, porém, continuou sem autonomia jurídica por mais cinco anos, período em que outra vez pertenceu à Comarca de Capivari. Somente em 1890 ganhou sua autonomia, com a nomeação do primeiro Juiz de Direito de Porto Feliz.

No século seguinte, pela Lei n º 2.456, de 31 de dezembro de 1.953, que instituiu o quadro territorial, administrativo e judiciário do Estado de São Paulo, o município ficou constituído por apenas um Distrito: o Distrito de Porto Feliz. Quanto à Comarca portofelicense, era formada pelos municípios de Porto Feliz,  Boituva e Iperó, respondendo também pelo Distrito de Bacaetava.
Datas Importantes
1693 = Os historiadores falam de um “Porto” à margem esquerda do Rio Tietê, de onde partiam as expedições para Cuiabá, no Mato Grosso; nessa data, também teve início o povoamento de Araritaguaba;
1700 = Torna-se  mais freqüente a passagem por esse Porto dos exploradores que se destinam aos Sertões de Mato Grosso e Goiás, a procura das Minas de Ouro;
1700 = Antonio Cardoso Pimentel edifica uma Capela em Homenagem a Nossa Senhora da Penha;
1720-1770 = Período das Monções mais importantes;
1728 = Desmembrada de Itu, foi criada a Paróquia de Nossa Senhora da Penha de Araritaguaba;
1744 = Por provisão de 27 de novembro, é concedida licença para se construir uma nova Matriz, sob a invocação de Nossa Senhora Mãe dos Homens;
1750 = Aos 9 de outubro é solenemente inaugurada a nova Matriz. A partir desta data a Paróquia passa a denominar-se “Freguesia de Nossa Senhora Mãe dos Homens de Araritaguaba”... ;
1797 = a freguesia passa a se chamar “Paróquia de Nossa Senhora Mãe dos Homens de Porto Feliz”; que por Portaria de 13 de outubro a freguesia de Araritaguaba passa a categoria de Vila, com o nome de Porto Feliz;
1780/1830 = Expansão da lavoura canavieira: Araritaguaba torna-se um dos grandes centros açucareiros da Província de São Paulo;
1858 = No dia 16 de abril a Vila de Porto Feliz foi elevada a categoria de cidade.

    Lei nº 8 de 07 de fevereiro de 1885, eleva Porto Feliz a Comarca;


1901/1907 = O Engenho Central torna-se propriedade da Societé de Sucreries Brésiliennes;
1906 = Circula “O Araritaguaba” , primeiro jornal de Porto Feliz;
1920/1924 = Inauguração do Monumento às Monções, Ramal Ferroviário, Gruta N. S. de Lourdes e implantação da fábrica de tecidos N. S. Mãe dos Homens;
1954  = Tem início grande reforma na Matriz;
Capitães-Mor de Porto Feliz
Os capitães-mor eram permanentes e exerciam as mesmas funções dos atuais delegados de polícia. No entanto, o seu poder era absoluto.

Eram oficiais da milícia, mas exerciam funções civis, sem outras restrições que não fossem os seus caprichos, limitados unicamente pelos dos capitães-generais, supremos governadores das capitanias, dos quais eram representantes nas vilas e povoações e aos quais estavam diretamente subordinados.

Indicados pelas Câmaras Municipais, os capitães-mor recebiam dos Capitães-generais a investidura do cargo por tempo ilimitado.

Foram três os capitães-mores de Porto Feliz:

1º Francisco Côrrea de Moraes Leite, de 1797 a 1820; *

2º Antônio José Leite da Silva, de 1820 a 1823;

3º Joaquim Vieira de Moraes, de 1825 até a extinção do posto.

(*) O capitão-mor Francisco Côrrea de Moraes Leite nasceu em Araritaguaba. Foi senhor de considerável fortuna e proprietário de importante fazenda de cana em terras de Porto Feliz. Gozou de grande prestígio, não só devido a seu cargo e haveres, como também pela retidão do seu caráter e generosidade de seu coração.”

FONTE: http://www.portofeliz.sp.gov.br/modules/xt_conteudo/index.php?id=3


2.1.9. O Caminho Velho dos Paulistas

Um dos motivos que nos levou a selecionar cartas dos’ entornos da atual cidade de São Paulo refere-se ao fato de que esta região representava uma área de grande movimentação dos paulistas a partir da segunda metade do século XVI. O descobrimento de novas rotas para as Minas fez com que surgissem novos caminhos. Incluímos o texto abaixo de Francisco Sodero Toledo, por julgarmos que se trata de informação relevante para a identificação da região de origem das cartas aqui transcritas.



O Caminho Velho dos Paulistas ou Estrada Geral foi o primeiro caminho utilizado pelos paulistas para penetrar e conquistar a região do Vale do Paraíba. Durante o período colonial transformou-se na mais importante via de povoamento e de colonização da região, em território paulista. Ele partia de São Paulo, passava pela Penha, Itaquaquecetuba, Mogi das Cruzes, Guararema, atingindo o Vale do Paraíba em Jacareí. Se estendia até Taubaté onde acompanhava o trajeto do Caminho Velho de Parati, até atingir a garganta do Embaú.

Sua origem está ligada à fundação da Vila de São Paulo, no planalto de Piratininga, em 1554. A partir de então tiveram início as penetrações para várias partes do interior da colônia. Uma das direções tomadas foi a do Vale do Paraíba, onde o rio se apresentava como "uma via de penetração natural," diminuindo os perigos, facilitando as jornadas dos desbravadores.

Por ele teve início a ocupação da região pela Coroa Portuguesa. Em 1628 foram doadas as primeiras sesmarias. Em 1645 funda-se a Vila de São Francisco das Chagas de Taubaté, que passou ser o "centro irradiador de povoamento". Em 1651 fundou-se a Vila de Santo Antônio de Guaratinguetá, em 1653 a Vila de Jacarei e depois outras vilas, beneficiadas pela proximidade do Caminho Geral.

No final do século XVII ficou conhecido também pelo nome de "Caminho Geral do Sertão". Por ele entravam os bandeirantes cortando os vastos desertos que medeiam as Vilas de São Paulo, Taubaté e Guaratinguetá em busca dos sertões. A sua utilização levou a descobertas das primeiras minas de ouro na região de Cataguas. No roteiro das minas de ouro que descobriu o padre João de Faria Fialho, vigário de São Francisco das Chagas de Taubaté, e seus parentes, em 1693, descreve que "descendo de Taubaté para a Villa de Guaratingetá, tomando a Estrada Real do Sertão 10 dias de jornada com cargas para a parte do norte sobre o monte de Amantiqueira." (in Pasin, 2004, 52)

A descoberta do ouro impulsionou o povoamento da região de tal forma que os moradores de Taubaté consideraram-se competidores dos de São Paulo. Orientada, em grande parte, em direção ao interior e à região de Minas Gerais, facilitada pela presença do rio e de vários outras trilhas, todo este espaço tende a se constituir em uma unidade a parte, com fisionomia própria.



Uma das mais antigas descrições do Caminho Velho dos Paulistas nos é dada por Antonil, superior dos jesuítas, que por aqui passou no início do século XVIII. No seu famoso livro, Cultura e Opulência do Brasil, escrito entre os anos de 1708 a 1710, publicado em 1711, fornece preciosíssimas informações sobre este período da História do Brasil. Nele Antonil registra a técnica de viajar elaborada pelos paulistas desde o século XVII, com o aproveitamento da experiência indígena, admiravelmente adaptada às condições do meio natural. A experiência indígena aparecia em vários momentos como a fila indiana, o modo de aprisionamento de víveres, a sinalização, e na própria diretriz das rotas de penetrações utilizadas, desde o início, pelos paulistas. O resultado é que o modo de vencer as distâncias e penetrar os sertões resultou na expressão: " marcha à paulista", consagrada naquela época. Ela tinha como unidade de distância os dias de viagem, identificando-se pelo tempo que diariamente se consagrava à caminhada: até o meio dia apenas, no máximo até as 13 ou 14 horas da tarde, para poder se arranchar, para descansar e buscar alguma caça ou peixe e outros mantimentos.

A viagem da cidade de São Paulo para às gerais durava dois meses, dos quais se gastavam em torno de 15 dias para percorrer o caminho de Jacareí até a garganta do Embaú. Assim escreveu Antonil:

" Roteiro do caminho da vila de S. Paulo para as Minas Gerais, e para o Rio das Velhas

Gastam comumente os paulistas desde a vila de S. Paulo até as Minas Gerais dos Cataguás pelo menos. Dois meses; porque não marcham de sol a sol, mas até o meio dia; e quando muito até uma, ou duas horas da tarde: assim para se arrancharem, como para terem tempo de descansar, e de buscar alguma caça, ou peixe, aonde o há, mel de pau, e outro qualquer mantimento. E desta sorte aturam com tão grande trabalho.

O roteiro do caminho desde a vila de S. Paulo, até a Serra de Itatiaia, aonde se divide em dois; um para as minas do Caeté, ou ribeirão de Nossa Senhora do Carmo, e do Ouro Preto; e outro para as minas do Rio das Velhas; é o seguinte, em que apontam os pousos, e paragens do dito caminho, com as distâncias que tem, e os dias que pouco mais ou menos se gastam de uma estalagem para outra, em que os ministros pousam, se é necessário descansam, e se refazem do que hão mister, e hoje se acha em tais paragens.

No primeiro dia saindo da vila de S. Paulo vão ordinariamente pousar em Nossa Senhora da Penha, por ser (como eles dizem) o primeiro arranco de casa: e não são mais que duas léguas.

Daí vão à aldeia de Tacuaquisetuba, caminho de um dia.

Gastam da dita aldeia até a vila de Mogi, dois dias.

De Mogi vão as Laranjeiras, caminhando, quatro ou cinco dias até o jantar.

Das Laranjeiras até a vila de Jacareí, um dia até as três horas.

De Jacareí até a vila de Taubaté, dois dias até ao jantar.

De Taubaté a Pindamonhangaba, freguezia de Nossa Senhora da Conceição, dia e meio.

De Pindamonhangaba até a vila de Guaratinguetá, cinco ou seis dias até o jantar.

De Guaratinguetá até o porto de Guaipacaré, aonde ficam as roças de Bento Rodrigues, dois dias até ao jantar.

Destas roças até ao pé da serra afamada de Amantiquira, pelas cinco serras muito altas, que parecem os primeiros morros, que o ouro tem no caminha, para que não cheguem lá os mineiros, gastam-se três dias até ao jantar.

Daqui começam a passar o ribeiro, que chamam Passa Vinte, porque vinte vezes se passa; e se sobe as serras sobreditas; para passar as quais se descarregam as cavalgaduras, pelos grandes riscos dos despenhadeiros, que se encontram: e assim gastam dois dias em passar com grande dificuldade estas serras; e daí se descobrem muitas, e aprazíveis árvores de pinhões, que a seu tempo dão abundância deles para o sustento dos mineiros, como também porcos monteses, araras, e papagaios" (Antonil, 1955, 213-214)”

Francisco Sodero Toledo

Fonte: http://www.valedoparaiba.com/enciclopedia/verbetes/c/caminhogeral.htm

2.1.10 Uma última palavra sobre a edição Aldeamentos de Índios

Ainda permanece o nosso desejo de encontrar documentos que possam ter sido escritos por índios ou seus descendentes e, assim, tentar resgatar os primórdios do que foi o português caipira da Vila de São Paulo, que pouco a pouco foi sendo substituído por uma nova variante do português paulista, advinda do contato lingüístico com novas correntes de imigração para o país, tais como as dos italianos, novos portugueses, alemães, japoneses, relegando o sotaque caipira aos entornos da atual cidade de São Paulo, como é o caso de alguns bairros como São Miguel Paulista e Guarulhos, redutos de alguns dos primeiros aldeamentos da cidade, onde ainda hoje se pode “ouvir” um falar caipira que não é originário senão do próprio local. ' (Setubal, 2004:27)

São Paulo / Tübingen, janeiro de 2006

3. Genealogia dos remetentes
Em relação a este conjunto de documentos procurou-se identificar a nacionalidade dos missivistas, mas o sucesso aí não foi tão grande em relação a grande parte dos autores, pois tratam-se em sua maioria de religiosos que ao entrarem para as respectivas ordens, adotaram outros nomes, como é de costume. As identidades faltantes talvez pudessem ser pesquisadas nas ordens religiosas (capuchinos, carmelitas, franciscanos e beneditinos) a que perteceram os autores das cartas. No entanto, na altura da edição desta cartas, não pudemos fazê-lo. Abaixo segue um levantamento prévio feito a partir de buscas na internet. Utilizamos primordialmente a Genealogia Paulistana de Luiz Gonzaga da Silva Leme, editada em 9 volumes, integralmente disponibilizados na internet pela pesquisadora Lia Camargo.


Genealogia dos Remententes das Cartas da Capitania de São Paulo

Aldeamento de Ìndios1

  1. Joseph de Frias e Vasconcellos, naturalidade não encontrada

  1. Rafael Machado, naturalidade não encontrada

  1. Fr. Sebastião dos Anjos , brasileiro natural de Santos

  1. “2-2 Maria Bueno, f.ª do § 8.º, casou-se com Manoel Lobo Franco, natural de Portugal, primo de Lourenço e João Franco Viegas, f.º do licetnciado Francisco Franco e Catharina Nunes. Foi morador em Santos, onde teve o governo da terra. Teve:

3-1 Frei Francisco Lobo, franciscano

3-2 Frei Sebastião dos Anjos, franciscano “

[GP, http://www.geocities.com/lscamargo/gp/Buenos_1.htm]


  1. e a seguinte entrada “1-1 João Thomé Adorno de Sampaio, foi natural de Santos, casou-se primeiro com Maria da Silva (1) e segunda vez com Theresa de Oliveira, f.ª de Antonio Furtado e de Domingas de Oliveira.

____________________

(1) O assento do casamento do neto Manoel Adorno da Silva em 1760 em Mogi das Cruzes diz ser neto paterno de João Thomé Adorno e de Anna Tavares Pinto (e não Maria da Silva).

Foi homem de prestígio, que ocupou os cargos do governo, e abastado em cabedais, sendo senhor do sítio das Canaveiras na praia da Bertioga com grande escravatura e terras, e foi proprietário de casas de sobrado. Teve

Da 1.ª mulher 4 f.ºs:

2-1 Diogo Adorno de Sampaio (1) que casou em Mogi das Cruzes com Anna Antunes de Abreu (...)

2-2 Helena da Silva, f.ª do § 1.º, faleceu sem descendência.

____________________



(1) Diz Taques que Diogo Adorno n.º 2-1 foi casado com Ignez Monteiro de Alvarenga em Mogi das Cruzes, f.ª de Antonio Monteiro de Alvarenga e de Violante de Siqueira; seria este o seu primeiro casamento, e teve o f.º:(...)

2-3 Frei Sebastião dos Anjos, religioso do Carmo. “

[GP, http://www.geocities.com/lscamargo/gp/Gayas.htm]


  1. Nobiliarquia Paulistana Histórica e Genealógica de Pedro Taques de Almeida Paes Leme, Vol. I, p. 103, (4-2)




  1. Fr. Constantino de Santa Maria, naturalidade não encontrada

  1. Francisco Lins do Rego, brasileiro, natural de São Paulo

  2. Fr. Angelo da Encarnação, naturalidade não encontrada

Genealogia de Francisco Pinto do Rego:

  1. “3-4 João Pinto Pimentel foi casado com Anna da Silva de Moraes e teve q. d.:

4-1 Francisco Pinto do Rego.

4-1 Francisco Pinto do Rego que foi casado com Anna Pires de Moraes f.ª do Pedro de Moraes Moniz e de Maria Mendes Paes, Tit. Rodrigues Lopes; faleceu em 1785 e teve 11 f.ºs:”

[GP,http://www.geocities.com/lscamargo/gp/Pretos_1.htm]


  1. ou ainda “3-1 Ana Pinto da Silva. Casada com o Capitão de Infantaria André Cursino de Matos, natural de Cascais. Filho de José Monteiro de Mattos, Cavaleiro Fidalgo da Casa Real, Mestre de Campo, Governador da Praça de Santos em 1703. Tiveram :

1 - Francisco Pinto do Rego, Coronel. Casado com Escolástica Jacinta Ribeiro de Góes, filha do Sargento-Mor José de Góes e Moraes.

2 - Diogo Pinto do Rego. Mestre de Campo.

3 - Maria Pinto da Silva.

4 - Maria Monteiro de Mattos

5 - Domingos Pinto do Rego c.c. Maria Ferreira do Vale . Aqui entram os dados da Genealogia Paranaense de Francisco Negrão.” [informação retira de correspondência eletrônica entre genealogistas;

http://archiver.rootsweb.com/th/read/BRAZIL/2000-06/0961634928]



  1. Pouco provável que seja o Francisco Pinto do Rego dessa entrada, por conta da data do casamento “3-2 Anna Maria Leite, casada em 1797 nessa vila com Francisco Pinto do Rego, f.° de Thomaz Pinto do Rego e de Catharina Maria.” [GP, V. 8.º pág. 271, http://www.geocities.com/lscamargo/gp/PAvila.htm]



  1. Sebastião de Siqueira Caldeira, brasileiro

  1. 2-6 Sebastião de Siqueira Caldeira casou em 1676 em Mogi das Cruzes com Izabel da Silva Pinto, f.ª de Manoel Delgado da Silva e de Ursula da Cunha Pinto. Com geração no V. 2.º pág. 375.

[GP, http://www.geocities.com/lscamargo/gp/Siqueiras_2.htm]



  1. João de Mello do Rego, capitão mor da vila de Itu, talvez português, pois registra-se apenas a sua descendência na GP de Silva Leme:

  1. 1-10 Bernarda de Arruda, falecida em 1767 em Itu com 91 anos, casou-se em 1704 nesse lugar com o capitão João de Mello Rego, falecido em 1771 em Itu com 94 anos, irmão direto de Pedro de Mello e Sousa, que casou-se com Maria de Arruda de Siqueira [GP, http://www.geocities.com/lscamargo/gp/ABotelhos_4.htm ]

  2. João de Mello Rego supra exerceu em Itu os honrosos cargos da república e foi coronel do regimento de auxiliares dessa vila, provedor dos reais quintos e comissário dos direitos da fazenda real a que estavam sujeitas as bestas saídas das campanhas do Rio Grande do Sul. Teve os 7 f.ºs [GP, idem].

  3. Há inventário não publicado pelo DAESP de João de Mello Rego, 1779 – Itu.



  1. Fr. Thomas de Sto. Antonio, naturalidade não encontrada

  1. Antonio Pereira da Silva, talvez português

  1. (O autor talvez seja portugues, uma vez que o documento parece ser de Jacareí, local de origem da esposa do homônimo ou do próprio como consta na Genealogia Paulistana de Luiz Gonzaga da Silva Leme (vol. VIII, p. 285) encontra-se a seguinte entrada: “Domingos Dias da Silva foi casado com Mecia Rodrigues f.ª de Antonio Pereira da Silva, natural de Braga, e de Maria Rodrigues, de Jacareí. Teve q. d.:”

em http://www.geocities.com/lscamargo/gp/Pretos_1.htm )

ou ainda, quem sabe, é português por ser encontrado em outro vol da Genealogia Paulistana “3-8 Joanna de Almeida, casada em 1723 em Itu com Antonio Pereira da Silva, f.º do alferes Manoel José




  1. Fr. Callisto de Santa Helena, naturalidade não encontrada

  1. Fr. José da Vizitação, naturalidade não encontrada

  1. Maria de Lara Leite, brasileira, natural de São Paulo

  1. Nobiliarquia Paulistana Histórica e Genealógica de Pedro Taques de Almeida Paes Leme: Tomo I, p. 192. “3-1. D. Maria de Lara foi uma das matronas do maior respeito, que veneraram a patria: teve claro juízo, excellente advertência e affavel genio. Tolerou os contratempos da adversa fortuna nos ultimos annos da sua avançada idade com virtuosa resignação e soffrimento; porque, tendo sido a sua casa uma das maiores na abundância dos cabedaes de muito ouro, de muita prata, de muita escravatura, a falta dos bens em prazos, como na Europa, lhe roubou a grandeza em que se viu tão opulenta; porque o mesmo tempo lhe foi consumindo os cabedaes na opulencia do tratamento. Foi casada com João Raposo da Fonseca Leme, irmão inteiro de Domingos Rodrigues da Fonseca Leme, que na ausencia de Rodrigo Cesar de Menezes, governador e general de S. Paulo, para o Cuyabá em 1727, ficou governador interino da mesma capitania de S. Paulo: Em título de Raposos Tavares § 4.º João Raposo da Fonseca falleceu em 1703. (Cartório de orphãos de Parnahyba, inventario n.421.)” ou

  2. 3-8 Mestre de campo José de Góes e Siqueira, falecido em 1784, f.º de Maximiano de Góes n.º 2-2, casou em 1753 em S. Paulo com sua prima Maria de Lara Leite, f.ª do capitão-mor José de Góes e Moraes e de Anna de Ribeira Leite. No Cap. 3.º § 3.º deste Tit. Teve (C. O. de Itu) f.º único: em

GP: http://www.geocities.com/lscamargo/gp/Taques_1.htm

  1. Maria de Lara, nascida por 1672 aos 13-5-1691 era era casada com João Raposo da Fonseca http://geocities.yahoo.com.br/projetocompartilhar2/antoniodealmeidalara1680.htm

  1. Vicente Pedrozo de Camargo, brasileiro

      1. “5-1 Alferes Vicente Pedroso de Camargo casado em 1775 em Santo Amaro com Rita de Moraes Camargo, viúva de Antonio de Oliveira Lima, f.ª de Fernando de Figueiró e de Izabel de Moraes. Com geração em Moraes Cap 2.º § 5.º, 2-1, 3-3, 4-4, 5-1” [GP, http://www.geocities.com/lscamargo/gp/Camrg_1.htm]

      2. “6-5 Rita de Moraes de Camargo foi 1.º casada com Antonio de Oliveira Lima, falecido em 1775, natural de Itu, f.º de Manoel Ribeiro de Lima, do mesmo lugar, e de Joanna do Prado, de Parnaíba; 2.ª vez casou em 1775 em Santo Amaro com o alferes Vicente Pedroso de Camargo f.º de Francisco Pedroso da Costa e de Ignacia Maria de Camargo. V. 1.º pág. 203.” [GP, http://www.geocities.com/lscamargo/gp/Moraes_2.htm]




  1. Francisco da Cunha Lobo, brasileiro

  1. “5-3 Francisco da Cunha Lobo, casado em 1756 na Conceição dos Guarulhos com Maria Bueno de Moraes, f.ª do capitão Rodrigo de Moraes Fajardo e de Rosa Bueno da Silveira. Neste Tit. adiante.”

[GP, http://www.geocities.com/lscamargo/gp/CGagos_3.htm]

  1. Há um inventário não publicado do DAESP em nome de Francisco da Cunha Lobo, 1789 - São Paulo - 1º oficio.

[http://geocities.yahoo.com.br/projetocompartilhar/inventariosSPineditosindice.htm]

  1. Observe-se o comentário de Petrone (1995:194) a respeito do conteúdo desta carta.




  1. Cel. Jozé Joaquim Mariano da Silva Cezar, talvez brasileiro

  1. “6-3 Coronel José Joaquim Mariano da Silva Cesar casou-se em 1776 em S. Paulo com Maria Francisca da Annunciação, f.ª do tenente Francisco Rodrigues da Silva, que ocupou honrosos cargos em S. Paulo, e de Maria Clara da Annunciação. V. 3.º pág. 316. Teve (por informações) 5 f.ºs”

[GP, http://www.geocities.com/lscamargo/gp/Garcias_1.htm]

  1. E descendência em http://www.geocities.com/lscamargo/gp/Macieis_1.htm




  1. Pe. Francisco das Chagas Lima, brasileiro

  1. “198- Sargento-Mor Miguel Gonçalves de Lima. Nascido na Freguesia de Labruja (orago: São Cristóvão), Concelho de Ponte de Lima, Distrito de Viana do Castelo, Portugal. Foi homem abastado e de grande valor, tendo pertencido à governança de Curitiba (PR). Colocou na carreira eclesiástica três de seus filhos. Residiu em Ambrosios, São José dos Pinhais (PR), onde possuiu terras de criação. C. em 26-SET-1740 em Curitiba c. Maria Paes dos Santos, com quem teve os seguintes filhos: Cônego Manoel da Cruz Lima, Padre João Gonçalves de Lima (vulto de notável valor na política nacional, tomou sua responsabilidade a criação do Padre Diogo Antônio Feijó, futuro Regente do Império do Brasil, filho natural de Félix Antônio Feijó e de Maria Gertrudes de Camargo, que o haviam enjeitado), Padre Francisco das Chagas Lima, José dos Santos Lima, Ana Maria dos Santos, Gertrudes Maria Gonçalves dos Santos, Maria Francisca de Lima, Joana Maria de Jesus e Antônia de Pádua. Fal. em 27-ABR-1766.” retirado de

http://www.usinadeletras.com.br/exibelotexto.phtml?cod=3316&cat=Ensaios&vinda=S

  1. - Primeiro capelão de Aparecida, Padre Francisco das Chagas Lima, nomeado em 1780. retirado de http://www.cidadeaparecida.com.br/aparecida/municipio/historias/aconteceu.htm

  2. “A cidade [de Queluz] originou-se de uma aldeia de índios Puris, no ano de 1800. Cresceu em torno de uma capela construída pelos índios e escravos sob o comando do Padre Francisco das Chagas Lima, que foi enviado para catequizar os índios Puris, onde hoje se ergue a Igreja Matriz. Passou à cidade em 1876 e seu padroeiro é São João Batista.” retirado de

http://www.ecoturecia.com.br/site%20ecoturecia/regioes/queluz.htm

d) Aos doze dias do mes de Março do anno de mil setecentos e oitenta e tres nesta Igreja Matris de Nossa Senhora da Lus da Villa de Coritiba. Baptizou e pos os santos oleos o Reverendo coadjutor Francisco das Chagas Lima a Bartolomeu innocente filho de Escolastica Maria Solteira e de pay incognito. Forão padrinhos Manoel solteiro filho de Pedro de Lima e Luzia Barbosa mulher de Antonio Dias, todos moradores desta mesma villa. E para constar fis este assento no mesmo dia chera uz supra. http://www.abep.nepo.unicamp.br/docs/anais/pdf/2000/Todos/hist13_2.pdf




  1. Pe. Joaquim Mariano da Costa Amaral Gurgel, talvez brasileiro

  1. Em um livro a folha 378v. acha-se o seguinte:

Aos vinte e quatro de Fevereiro de mil oitocentos e sete foi sepulto dentro desta Matriz o Capitão José Alves Preto casado com Joaquina Narcisa de Bitancourt, e recebeu na enfermidade todos os sacramentos e foi acompanhado com o acompanhamento solene e sua alma encomendada.

O Coadjutor Manoel Antonio de Castro.

Por ser verdadeiro o assento extraido juro aos Santos Evangelhos.

São João del Rei, 05 de Março de 1807.

O Vigário Joaquim Mariano da Costa Amaral Gurgel.

[http://geocities.yahoo.com.br/projetocompartilhar3/josealvespreto1807.htm]



  1. Consta um inventário de Joaquim Mariano da Costa do Amaral GURGEL, pe.-1839, com testamenteiro de nome PINTO, João Batista, junto ao Museu Regional de São João del Rei, MG

[http://geocities.yahoo.com.br/projetocompartilhar4/sjdrindtestinf.htm

  1. Ten. Cel. José Arouche de Toledo Rendon, brasileiro, natural de São Paulo

  1. “O pai do heróico Ten Cel Diogo foi o ilustre paulista paulistano Tenente General José Arouche de Toledo Rendon, comandante das Armas de São Paulo, que formara-se em Direito em Coimbra e foi o organizador primeiro reitor da famosa Escola de Direito de São Paulo.”

[http://www.resenet.com.br/ahimtb/guarara42.htm]

  1. “Nasceu na cidade de São Paulo, aos 14 de março de 1756, filho do mestre-de-campo Agostinho Delgado Arouche e de D. Maria Thereza de Araújo Lara.Fez o curso de direito civil em Coimbra, onde recebeu o grau de doutor em leis em 14 de julho de 1779. De volta ao Brasil, após ter-se dedicado à advocacia em São Paulo, exerceu os cargos de juiz de medições, de juiz ordinário, de juiz de órfãos e de procurador da Coroa. E os exerceu com proficiência e honradez.” [http://www.usp.br/fd/Diretores/Dir_01.htm]

  2. “3-10 Doutor José Arouche de Toledo Rendon, formado em direito pela universidade de Coimbra † em 1834, foi deputado por S. Paulo à constituinte em 1823 e na legislatura de 1826 a 1829. Nascido em 1756, casou em 1791 em S. Paulo com Maria Theresa Rodrigues de Moraes, viúva do ajudante Victorino Pinto Guedes, f.ª do cirurgião Jeronimo Rodrigues e de Maria Potencia Leite de Moraes. Tit. Moraes. Sem geração.”

[GP, http://www.geocities.com/lscamargo/gp/Chassins.htm]


  1. Ignácio Albuquerque de Toledo, naturalidade não encontrada

  1. Jozé Joaquim do Nascimento, naturalidade não encontrada



4. Índice das cartas



Índice da Edição Diplomático-Interpretativa das

Cartas da Capitania de São Paulo do séc. XVIII e do séc. XIX
C00228 - ALDEAMENTO DE ÍNDIOS - 1721-1810

(Arquivo Histórico do Estado de São Paulo)

Edição: José S. Simões e Verena Kewitz (2005)


N.º da CARTA e ORIGEM

AUTOR

DATA

MAÇO/

PASTA/


DOC

IMAGEM DE CD

EMENTA

  1. Aldeia da Conceição (Guarulhos)

Joseph de Frias e Vasconcellos

26.02.1722

2-1-4

85-86

CARTA com lista de índios da aldeia de Conceição dos Guarulhos [não transcrita aqui], informando sobre os índios que se encontram em outras aldeias.

  1. São Paulo

Rafael Machado

12.03.1722

2-1-9

89-90

CARTA com listas de índios de diversas aldeias [não transcritas aqui], informando sobre o status dessas aldeias como sendo administradas ou não pelos jesuítas. Fala ainda de como os religiosos do Colégio da Companhia de Jesus as administram, como organizam a plantação, a colheita e a venda de gêneros. Informa ainda sobre o grande número de índios fugidos.

  1. Barueri

Fr. Sebastião dos Anjos

06.03.1722

2-1-5

87

CARTA com lista de índios da aldeia de Barueri [não transcrita aqui]. Informa como o religioso que há quatro meses está no local tem dificuldade em manter os índios na aldeia, tendo alguns ido para as minas. Pede que se proíba aos vigários de casarem as índias com escravos, o que faz com que se afastem das mesmas aldeias.

  1. Barueri

Fr. Sebastião dos Anjos

12.04.1722

2-1-11

92

CARTA sobre lista de índios da aldeia de Barueri [não transcrita aqui]. O religioso relata a dificuldade de fazer as mesmas listas por desconhecimento do parentesco e da dispersão dos índios. Cita o episódio em quem mandou chamar uma índia de Embú que tinha uma grande família e que poderia dar-lhe maiores informações sobre os índios, e que esta não pode atender ao seu pedido, pois tinha sido ameaçada de castigos pelo religioso daquela aldeia se acasso saísse dali para ter com ele.

  1. Barueri

Fr. Sebastião dos Anjos

30.06.1722

2-1-11a

93

CARTA informando sobre o desejo do relegioso de manter os índios nas aldeias. A exemplo disso, relata o episódio do índio portador desta carta que viera àquela aldeia de Barueri para informar-se sobre sua descendência e de como conseguiu fazê-lo, tendo o religioso reunido os índios mais antigos da aldeia. Estes lhe contaram sobre um homem que levara uma índia dali para dar leite a uma criança em outro local. A mesma casara-se com um escravo e tivera filhos dele, mas nunca mais voltou à aldeia até sua morte. Seus descendentes permaneceram escravos de Anna Maria de Camargo.

  1. Barueri

Fr. Sebastiam dos Anjos

27.04.1723

2-2-10

69

CARTA denunciando o episódio de uma índia casada, cujo marido estava trabalhando em Cuiabá, a qual vivia em pecado com outro índio também casado. Os dois fugiram para Jacareí levando consigo um outro rapaz. O religioso pede que se repasse esta carta pelos cabos ou oficiais de justiça a fim de encontrar a índia fugitiva.

  1. Aldeia de São João (Peruíbe)

Fr. Constantino de Santa Maria

10.03.1722

2-1-6

88

CARTA com lista de índios da aldeia de S. João (Peruíbe) [não transcrita aqui], relatando o número reduzido de homens que há na aldeia por conta de terem sido levados para as minas e que por esse motivo, por exemplo, não há quem lhe vá pescar um peixe. Fala ainda do estado de pobreza em que se encontram as mulheres da aldeia. O religioso pede que sejam devolvidos à aldeia os homens que dali foram tirados, tanto para as minas como para Santos. Explica que manda alguns índios como lhe fora pedido.

  1. Aldeia de São João (Peruíbe)

Fr. Constantino de Santa Maria

08.04.1722

2-1-10

91

CARTA acusando o recebimento das cartas que lhe foram enviadas através dos índios que foram à presença do general. O religioso acata a ordem de enviar os índios para a aldeia de Manoel Gonçalvez de Aguiar quando este retorne de viagem. O frei relata o estado miserável das mulheres da aldeia por conta da ausência de seus maridos. Informa sobre o envio de dez índios como lhe fora pedido, denunciando que lhe ficam apenas quatro velhos na aldeia. Culpa os seus antecessores por não terem mandado listas completas e fala da sua preocupação em manter os índios na doutrina da fé e que só os manda ao convento para conduzirem as esmolas.

  1. Aldeia de São João (Peruíbe)

Fr. Constantino de Santa Maria

22.01.1723

2-1-17

94-95

CARTA acusando o conhecimento que teve dos despachos trazidos por João Lenta onde se ordena que a ele seja entregue uma rapariga. O religioso relata a situação confusa em que se encontra, pois afirma ter recebido uma carta do mesmo onde se diz que conservasse a índia na aldeia. Pede que o oriente a respeito do caso, por estarem fora da aldeia tanto o marido da mãe da índia como o tio, que é o capitão-mór da aldeia e que já levou algumas facadas do João por conta do mesmo assunto.O religioso lamenta a retirada da moça do seio de sua família e da aldeia onde recebe a doutrina cristã.

  1. Aldeia de São João (Peruíbe)

Fr. Constantino de Santa Maria

21.09.1723

2-1-18

96

CARTA relatando sobre a dedicação do religioso em atender às necessidade espirituais e corporais dos índios da aldeia de São João há 26 meses. Lamenta que até agora não recebeu a ordinária de 25.000 réis para a igreja, cera, vinho, hóstia e para alguma coisa necessária aos missionários. Pede que lhe paguem a quantia de 50.000 réis das duas ordinárias devidas como se tem pago no Rio de Janeiro. Enfatiza o pedido, pois está penando e “os pobres índios fazem o que podem”.

  1. Laranjeiras (Guararema)

Francisco Lins do Rego e Fr. Angelo da Encarnação

30.06.1726

2-2-15

70-71

CARTA informando que soube através do sargento-mór da aldeia de Escada que o administrador fizera fugir três índios que julgava muito violentos para irem com ele para as minas. O mesmo também teria deixado um homem de Guaratinguetá levar uma índia. Pede que seja feita uma diligência e diz também saber a respeito da ida do destinatário da carta a Cuiabá. Discorre a respeito do desejo de D. Maria que deseja ver sua sesmaria confirmada.

  1. Laranjeiras (Guararema)

Sebastião de Siqueira Caldeira

12.12.1732

2-3-8

63-64

CARTA do coronel Sebastião relatando seu empenho em restaurar à sua custa a igreja da aldeia de Escada, a qual encontrava-se para cair ao chão. Relata o episódio da visita do padre visitador que não achara nela os ornamentos necessários e a quisera fechar e derrubar. O coronel teria pedido que lhe deixasse restaurar a igreja e o padre visitador fez publicar um edital para que a mesma fosse restaurada no prazo de um ano. Fala da dificuldade de juntar os ornamentos e de como foi preciso emprestar alguns de Mogi. Conta que são limitadas as esmolas que os moradores podem dar. Informa sobre a carta do Gen. Antonio da Silva Caldeira que recebeu e diz enviar anexa [não transcrita aqui]. Solicita uma determinação para a compra dos ornamentos da igreja. Pede ainda que se encontre um religioso carmelita que possa administrar a doutrina cristã, pois os índios da aldeia vivem e morrem sem confissão e sacramentos.

  1. Itu

Joam de Mello do Rego

02.03.1733

2-3-15

65-67

CARTA informando sobre a lista de homens da comitiva de guerra para Cuibá [não transcrita aqui]. João de Mello do Rego relata da dificuldade de encontrar quem se aliste para a comitiva, pois é grande a pobreza das pessoas da vila e poucos recursos têm para conduzir-se. Diz ter conhecimento das canoas disponibilizadas pelo Rei para conduzir os homens, mas que são poucas e pede que se determine aos moradores das várias vilas acima da serra para que produzam suas canoas. O autor relata ainda o fato de o alferes Manoel não ter recebido pelo seu trabalho por falta de dinheiro e que agora voltou à vila por estar muito doente, pedindo amparo. Pede que este seja pago. Fala da petição de Francisco Azevedo Curduvil para reocupar o cargo de escrivão.

  1. Ararita-guaba (Porto Feliz)

Joam de Mello do Rego

30.07.1733

2-3-31

VERIFICAR

CARTA relantando a dificuldade do autor em resgatar o garoto que tinha sido enviado por engano a Cuiabá, filho do destinatário. Conta como conseguiu que o tirassem da canoa aonde iria embarcar. Informa que o garoto encontra-se na casa do capitão-mór Manoel de Sampaio e sugere que o menino deva ser criado com a doutrina, pois não tem mãe e carece de tratos. Pede ainda que venha logo buscá-lo.

  1. Aldeinha de Nossa Senhora de Escada (Guararema)

Fr. Thomas de Sto. Antonio

23.04.1735

2-6-18

74-75

CARTA denunciando o escândalo envolvendo os filhos do tenente coronel Sebastião Siqueira [Carta 16]. Um deles está amancebado com duas irmãs, uma solteira e outra casada, das quais tem tido filhos. O marido de Monica ausentou-se da aldeia por conta do desaforo de sua mulher e por medo das ameças do filho do tenente. Relata que por ter pedido à irmã solteira que se casasse para sair do pecado, o filho do tenente o ameaça também. O outro irmão também se amancebou com uma bastarda e como o religoso foi declarar tudo isto ao pai dos dois, estes induzem aos outros índios que lhe façam descortesias, o que poderá levá-lo a sair da aldeia.

  1. Aldeinha de Nossa Senhora de Escada (Guararema)

Fr. Thomas de Sto. Antonio

24.08.1735

2-6-28

76-77

CARTA denunciando o pouco caso que se fez em relação ao índio João que se amancebara com duas irmãs [carta 15]. O religioso relata um episódio recente em que ele, depois de pedir ao índio que lhe buscasse um pouco de milho, foi desobedecido, ao que respondeu o religioso com duas bengaladas. O índio avançou sobre o frade e se não fosse três homens a acudi-lo certamente teria ocorrido uma desgraça. Pede ao coronel que tome providências em relação ao fato.

  1. Aldeinha de Nossa Senhora de Escada (Guararema)

Fr. Thomas de Sto. Antonio

21.07.1735

2-6-29

78-80

CARTA informando sobre o recebimento da portaria que se escreveu sobre o ocorrido na aldeia de Escada [cartas 15, 16 e 18]. O religioso lamenta a má interpretação que foi feita do episódio envolvendo os filhos do tenente coronel e apresenta suas explicações com base em testemunhas que viram o acontecimento. Explica ainda as circunstâncias em que um outro índio, chamado Salvador, fora castigado a seu pedido.

  1. Aldeinha de Nossa Senhora de Escada (Guararema)

Antonio Pereira da Silva

03.07.1735

2-6-29

81-82

PETIÇÃO de Frei Thomas de Santo Antonio para que os oficiais da câmara do senado passem uma certidão jurada sobre o episódio ocorrido na aldeida de Escada envolvendo dois índios, filhos do tenente coronel [cartas 15, 16 e 17].

Anexo: uma CERTIDÃO emitida pelos oficiais da câmara do senado relatando sobre o trabalho religioso feito pelo Frei Thomas de Santo Antonio e seu companheiro e de como vêm sendo ameaçados pelos filhos do tenente coronel daquela aldeia.

  1. Aldeinha de Nossa Senhora de Escada (Guararema)

Fr. Callisto de Santa Helena

12.04.1736

2-7-4

59-60

REPRESENTAÇÃO de Frei Callisto de Santa Elena queixando-se dos filhos do tenente coronel Sebastião de Siqueira e dos demais índios da aldeia que por eles são influenciados a não cozinharem para ele, dar-lhe água ou lenha. Informa sobre sua intenção de fechar a igreja e ir-se embora dali. Relata sua versão para o episódio envolvendo o Frei Thomas de Santa Maria quando este deu duas pancadas no índio João com sua bengala e de como este foi buscar uma faca para ameaçar o padre.

  1. Aldeia [?]

Fr. José da Vizitação

22.[...].[18..]

2-7-14

57-58

CARTA denunciando o fato de que os índios não querem mais fazer a sua obrigação de trabalharem na roça de milho, feijão e arroz, buscar água e lenha e dispor uma cozinheira e um rapaz para ajudar durante a missa. Relata que os superiores não cobram nada dos índios e que por este motivo os religiosos não podem subsistir naquela aldeia. Pede que o padre mestre o represente ou lhe dê meios de subsistência ou licença para retirar-se da aldeia. O religioso transcreve a ordem do Ten. Cel. José Arouche de Toledo Rendon em 5 itens que assim reza: que ele, religioso, fica isento da diretoria dos índios, devendo explicar-lhes pessoalmente esta situação, que os índios podem viver onde quiserem, que ele poderá arrecadar os dízimos somente até o final do ano de 1804 e que deverá entregar os papéis dos arquivos da aldeia. Pede providências a respeito desta situação.

  1. V. Boa de Goyas (Goiás Velho)

Maria de Lara Leite

29.01.1740

2-7-16

54-56

CARTA de Maria de Lara Leite relatando o recebimento das peças, as escravas negras, que tinham sido mandadas para sua neta, sua prima e sua sobrinha e de como não pode desfazer-se das escravas como lhe havia ordenado o tenente general com quem não tem correlação alguma.

Anexos: um ATESTADO justificando a veracidade do que é relatado na carta e um ATESTADO reconhecendo as assinaturas do atestado anterior.

  1. MBoy (Embu)

Vicente Pedrozo de Camargo

23.10.1783

2-7-27

53

CARTA do diretor da aldeia de Embu denunciando a fuga de vários índios da aldeia e pedindo providências a respeito dessa situação.

  1. MBoy (Embu)

Francisco da Cunha Lobo

13.07.1788

2-7-31

52

REPRESENTAÇÃO de Francisco da Cunha Lobo relatando que mantinha um índio em sua casa com base na permissão do Diretório. O mesmo denuncia a fuga desse seu índio e requer a conservação dele em seu poder.

Anexo: um DESPACHO recusando o pedido feito na representação e dizendo que os índios são livres e que por este motivo podem viver onde bem entenderem.

  1. São Paulo

Cel. Jozé Joaquim Mariano da Silva Cezar

15.09.1799

2-7-39

49-51

CARTA informando sobre o estado de três aldeias de índios – Carapicuíba, Embu e Itapacerica -. A carta fala sobre as lavouras, o gado e o estado da igreja e das casas de Carapicuíba em função da prática de fogos lavoureiros que as colocam em risco. Sobre Embu e Itapecerica, diz que os diretores atuais fazem o possível para mover os índios a que trabalhem.

  1. Aldeia de S. João de Queluz (Queluz)

Pe. Francisco das Chagas Lima

14.12.1800

2-8-7

84

CARTA sobre lista de índios da aldeia de Queluz, referindo-se ao ensinamento e batizado de índios apesar da dificuldade do religioso em falar o idioma dos índios.

  1. N. S. da Ajuda (Itaquaque-cetuba)

Pe. Joaquim Mariano da Costa Amaral Gurgel

09.03.1801

2-7-40

48

CARTA informando sobre Salvador Pereira Pontes, indicado para ser o diretor dos índios da aldeia de Conceição dos Guarulhos. O capelão diz concordar com o requerimento e representação dos índios onde dizem que o capitão-mór João Lima é um índio “tibio frouxo e inepto a governar”. Quanto aos outros dois índios indicados para capitães-mores, ressalta que um é bêbado e o outro deu pancadas no atual capitão-mór, mas que não é dos piores, embora propenso à embriaguez.

  1. São Paulo

Ten. Cel. José Arouche de Toledo Rendon

18.04.1801

2-7-40

43

INFORMAÇÃO reconhecendo a indicação de Salvador Pereira Pontes recomendando Salvador Pereira de Pontes para diretor da aldeia de Nossa S. da Ajuda (Itaquaquecetuba?) por informação do capitão Matheus da Silva Bueno e do vigário da aldea [v. carta 26]. Diz que deve ser mantido o atual capitão-mór da aldeia, apesar das restrições apontadas pelo vigário, “pois é muito dificultuso achar um indio sem defeitos capitais.”

  1. São Paulo

Ignácio Albuquerque de Toledo

17.03.1804

2-7-42

44-45

INFORMAÇÃO de Ignácio Albuquerque de Toledo ao Gov. Antonio José da Franca e Horta sobre os índios desertados das aldeias de Goiás que, por serem violentos e conhecerem as armas de fogo, contaminam as campanhas da capitania. Por este motivo, informa que entregou a Hipolito Antonio Pinheiro pólvora suficente para que se defendesse durante entrada pelo Rio Sapucaí até o Rio Grande. Relata sobre como encarregou a outros capitães a expulsão do gentio na trilha do Rio Grande. Lembra da necessidade de que se criem os cargos de capitão de ordenanças e um alferes para a região do Rio Pardo até o Rio Grande.

  1. Queluz

Jozé Joaquim do Nascimento

14.08.1809

2-7-44

46-47

CARTA de Jozé Joaquim do Nascimento ao Gov. Antonio José da Franca e Horta informando sobre o estado de decadência da aldeia de Queluz por conta da dispersão dos índios, por falta de provisões ou por serem “inertes e preguiçosos e pouco amantes de sujeição, se subtraíram ao trabalho”. Relata que tem procurado reunir os índios, fazendo com aprendam as mulheres a fiar e tecer algodão e tornando homens em oficiais fabris para assim diminuir a despesa da Real Fazenda. Pede que lhe seja pago um ordenado como professor das primeiras letras aos meninos.



5. As cartas


PHPB - SP - século XVIII - Carta 1 - Imagem de CD-ROM: 85-86

Local: Aldeia da Conceição (Guarulhos)2

Data: 26 de fevereiro de 1722.

Autor: Joseph de Frias e Vasconcellos

Genealogia: ?

Fonte: Arquivo do Estado de São Paulo –

Referência: Aldeamento de índios – C00228 - 2-1-4 [Publicado no Boletim n.º 5 de 1945, p. 46-47] edição comparada

Edição: Simões, José (2005)


AldeadaConceiçaõ3


Excelentissimo Senhor
Meu Senhor Remeto aVossaExcelencia a Lista dos Indios que

memandou fizeSse, o que não fiz Com mais brevidade porque

andei proCurando notiCias por fora, pois os Indios da Aldea

naõ Sabem de todos; vam as idades de Cada hum, eotempo que

faltam da Aldea pouCo mais, ou menos, pois naõ pude

saberisto Com Certeza; tambem digo na Lista que hum mu

lato por nome SimpliCio que Levou o Padre Antonio Lopes esta

em Santos porem agora me diSseram que fora para a Ilha

de SSebastiaõ, eoPadre que omandou está neSta Cidade que heo

dito Antonio Lopes; da mesma Lista vera Vossa Excelencia que dei huã

India Com huã Cria para Caza do Senhor Tenente General Antonio Car

dozo dos Santos, por entender, que dali estava prompta

para o ServiSso de Sua Magestade que Deos Guarde, e Se Vossa Excelencia Al

guns destes homens quetem em Caza as Suas filhas perten

centes aesta Aldea naõ hande folgar que lhas tirem, pois

astem Com outra CriaÇam que ellas aqui naõ hande

ter, eexpostas a menores perigos, porem Vossa Excelencia fará

nesta materia o que for Servido.

A nobilliSsima PeSsoa de VossaExcelencia Guarde

Deos pellos annos de seu dezejo para que me mande muitas

Couzas de Seu ServiSso, que ComSumo4 gosto heide fazer, alem

da obrigaÇam quetenho de osexeCutar. ConCeiCam 26 de

Fevereiro de 1722
De Vossa Excelencia

Maishumilde Cappellam

Jozeph de Frias e Vasconcelos


PHPB - SP - século XVIII - Carta 2 - Imagem de CD-ROM: 89-90

Local: São Paulo

Data: 12 de Março de 1722

Autor: Rafael Machado

Genealogia: ?

Fonte: Arquivo do Estado de São Paulo

Referência: Aldeamento de índios – C00228 - 2-1-9 [Copiado – B/M – Publ.º no Boletim n.º 5/1945, p. 42-43], edição comparada

Edição: Simões, José (2005)


DaCompanhia5


ExcellentissimoSenhor
Foi VossaExcellencia servido ordenar aos Padres Superiores das

aldeas subordinadas a este Collegio deSPaulo fi=

zeSsem huâ Lista exacta de toda agente que a

ellas pertence com distinçaõ de suas idades,

estados, dos que andaõ fogidos, e em que lugares. E

por que seria fazer duvidoza a obediencia dos Re=

ligiozos da Companhia se o Reitor deste Collegio naõ foSse

oque puzeSse em execuçaõ oque VossaExcelencia ordena

dando nisto exemplo aseos subditos, eu por

me achar com eSsa occupaçaõ tomei o cuidado

deque se fizeSsem as Listas com a distinçaõ so=

bredita. Eporque ao serviço deDeos, e deSuaMagestade

e boa admninistraçaõ dos mesmos indios he

conveniente dar aVossaExcelencia plena informaçaõ

destas aldeas sou obrigado a manifestar que

das aldeas que actualmente administramos nenhuâ

he das que se chamaõ nesta terra aldeas deSuaMagestade

por que estas sendo antigamente de gente innume=

ravel fundadas pellos Religiozos da Companhia

fomos obrigados a dimitilas de noSso governo

cançados de as naõ podermos defender dos in=

justos cativeiros de homês poderozos; faltando

neSse tempo ao6 [manchado] temor do Rey, edo mesmoDeos.

Pello que as aldeas, que actualmente adminis=

tramos saõ indios que servindo aos brancos como

cativos ao modo da [t]erra, os ditos brancos por

descargo de sua conciencia os deixaraõ com suas

t[er]ras encapellados para serem administrados co=

mo forros sem injustiça. Entre os taes indios

ficaraõ muitos mulatos filhos de negros d’Angola

que por terem servido bem a seos Senhores ficaraõ

forros. Saõ quatro estas aldeas; a de menos


[p. 2] Numero quehe a capella deNossaSenhorad’Ajuda con=

trataraõ com os Reitores deste Collegio plantar oman=

timento de que nos sustentamos, e saõ noSsos colonos

a quem pagamos o seo jornal. Dos deMboy, e Yta=

picirica nos servimos para as conduçoês dos ge=

neros que se conduzem do mar, pagandolhe tambê

o seo trabalho, e faltandonos esta convenien=

cia naõ nos podemos conservar nêSustentar.

Destes indios andaõ bastantes fogidos

que vaõ notados nas listas os deque se lembraõ

os Padres Superiores Nem podemos sab[er o] lugar

a onde andaõ pella extençaõ das mi[na]s geraes

por onde ordinariamente morrem sem sacramentos

sem que valha deligencia alguâ noSsa para evitar

tal perda. Esperamos agora no Zelo deVossaExcelencia

e do muito que attende ao Serviço deDeos, e deSua

Magestade nos sejaõ restituidos os deque avizare=

mos tanto que soubermos o lugar e onde estaõ.

E dezejamos que cresça o numero delles para

termos mais que empregar no serviço de

Sua Magestade, e deVossaExcelencia cuja peSsoa, e

governo Deos queira prosperar Collegio de

SPaulo 12 de Março de 1722
De V. Excellenncia7

obedientiSsimo Servo


Rafael Machado


PHPB - SP - século XVIII - Carta 3 - Imagem de CD-ROM: 87

Local: Aldeia de Barueri

Data: 26 de fevereiro de 1722.

Autor: Frei Sebastião dos Anjos

Genealogia: brasileiro, talvez natural de São Paulo.

Fonte: Arquivo do Estado de São Paulo

Referência: Aldeamento de índios – C00228 - 2-1-5 – [copiada Boletim n.º 5 de 1945, p. 71-72], edição comparada

Edição: Simões, José (2005)


Aldea deBarueri8


Excelencia9
Vai aLista dosindios desta aldea de Barueri; donde aCisto, Con-

forme mepede Vossa exÇelenCia, dos Casais, familias, solteiros, eviuvas,

que nela aÇistem; Como taõbem dosque aÇistem pelas minas; epor

Cazas de alguñs homêis; deZejava foÇe aogosto de Vossa exÇelenÇia.

por Ser quem SSo10 neste negoÇio pode por Remedio. pois eu SSo vivo –

Com odeZejo, emagoa deonaõ poder faZer por Ser Limitado omeu –

poder. eaSSi por mais que os queira ReduZir ao gremio deSSua igre

ja por velos taõ derramados: ConSsigo poCo fruto aSSim por alguñs

fugirem deSSua aldea; Como outros Sonegados de quem ostem. [os]

quais pelos disCurSSo dotempo vaõ fiCando Cativos. aSSi SSo vaõ a

SSentados osque hinda Suponho sejaõ vivos; enaõ os que já por aver paSSa

do tempo largo SSo seraõ vivos Seus deSSendentes; os quais Senaõ Sa

be quem Sejaõ por estarem taõ espalhados; ieu Ser aminha aÇisten[dilacerado]

Ca detaõ breve tempo pois naõ Saõ hinda quatro meZes Razão por

donde tenho desses poCo ConheÇimento. ogovernador Artus11 deSSa

achando as aldeas muito faltas dejente mando publiCar hua exComu

nhaõ do Bispo por todas estas vilas edeste modo tornou aincher as

as12 aldeas dejente vindas deCaza deSiCulares. e por isto estar em[t]aõs13

Sem ReligioZo Com Sua pa[r]tida Se[tor]naraõ14 para Suas moradas dond[e] –

tinham vindo. tenho notiÇia de que vossa exÇelentia publiCara hum –

bando, dequem tiveSSe indios ostornaÇe aSSuas aldeas; mas athe opre

Zente naõ tem ACudido nemhum. muitos que nesta aldea fataõ Se

deicharaõ fiCar pelas minas ConduZindo para elas aos SSenhores Generais pa

SSados. Taõbem he ServiSSo que vossa exÇelentia faz a el Rei meu SSenhor

mandar prohibir aos vigarios naõ CaZarem indias Com esCravos

Cativos. porque aSSim vaõ fiCando no esqueÇimento; Como taõbem –

Com eSSa ConfianSSa fogem deSSuasaldeas. dandome vossa exÇelenÇia

dupliCadas oCaZioins, emque poSSa darlhe Repetidos Gostos. pois Sempre

me achara Com hua vontade prompta em obedeSSelo. Deos Guarde avossa

exCeLenCia por muitos annos. Barueri 6 de Março de1722.

domais humilde Servo deVossaexÇeLenÇia

ExÇelentiÇimo Senhor15



Frei Sebastiam dosAnjos



PHPB - SP - século XVIII - Carta 4 - Imagem de CD-ROM: 0092

Local: Barueri

Data: 12 de abril de 1722

Autor: Frei Sebastiam dos Anjos

Genealogia: brasileiro, talvez natural de São Paulo.

Fonte: Arquivo do Estado de São Paulo

Referência: Aldeamento de índios – C00228 - 2-1-11 – [Copiado B/M Publicado no Boletim nº 5/1945 fls. 86/87], edição comparada

Edição: Simões, José (2005)


[Respondido]16


Excelencia17
Dezejando Satisfazer aminha obrigaÇaõ bus-

quei aVossaexÇelenÇia para lhebejar ospes; mas –

sempre em oCazioins taõ oCupadas, que por emten

der Sendo Contumas Serviriâ aVossaexÇelenÇia –

mais de emfado, que degosto; dezisti do deze

jo, efaltei aobrigaÇaõ que tinha, por alguâ pre

Ssa que meoCorria.

Vai aLista que pude faZer dosIndios desta

aldea que estaõ pelas aldeas dos padres daCompanhia

naõ vay ameu gosto Como deZejava por quanto nesta

Aldea naõ tenho quem ConheSsa atodos quantos por elas

estaõ. eaSsim Sso vaõ em aLista osque tem pa –

rentes nesta aldea, epor parentes osConheÇem.

einda Si pela poCa ComuniCaÇaõ que tem huns.

Com outros; naõ tem verdadeiro ConheÇimento

dos filhos que vaõ havendo. eaSi So vaõ aÇen

tados osque tive deles notiÇia serta desenden

tes por parte materna. epara Com mayor Serte

Za querendo faZer esta Lista dosque Senaõ tem

deles ConheÇimento mandava chamar hua india

AÇistente em hua deSSas aldeas, obrigada aesta,

por Ser ela demayor familia, emais parentella;

Cuja memandou por Resposta que oReligioZo que ago

verna por nem hum modo adeichava vir, eque

bem ConheÇia ela Ser desta aldea, eosmais que ne

la estavaõ, Cuja he o de Bohy por SeCom por des

ta amayor parte dagente. mas oReligioZo

que lá aCiste diZia denem hua Sorte ashavia

deixar vir por quanto em taõs naõ fiCaria quem lhes

trabalhaÇe, atemoriZandos Com promeSSas

deCastigos. esta he aResposta que memandou

esta india. fiCando Sempre esperando muitas

aCazioins deSeus. mayores Gostos. aCuja ex

ÇelSsa peSsoa Deos Guarde Como deZeja Ba

rueri 12 de Abril de 1722 annos
menor Servo deVossaexÇelenÇia

Frei Sebastiam dosAnjos





PHPB - SP - século XVIII - Carta 5 - Imagem de CD-ROM: 93

Local: Barueri

Data: 30 de junho de 1722

Autor: Frei Sebastião dos Anjos

Genealogia: brasileiro, talvez natural de São Paulo.

Fonte: Arquivo do Estado de São Paulo

Referência: Aldeamento de índios – C00228 - 2-1-11[a?] – [publicado no Boletim nº 5/1945 p. 87-88], edição comparada

Edição: Simões, José (2005)


Excelencia18


Como odeZejo devossa exÇelenÇia, eomeu he a-

juntar aesta aldea os indios que dela andaõ

exparÇidos portantas partes, chamandoos –

aoforo deCativos, pela ContinuaÇaõ dosan

nos paSSa dos, Como este que agora mando –

apreZenSSa devossa exÇelenÇia Como quem lhe

pode por oRemedio. que tenho notiCia deque

deÇendia deindia desta aldea chegou ater

Com migo para Saber daSerteZa. para oque ajun

tando alguñs indios mais Antigos que o

ConheÇeÇem [a]chei muitos que oConheÇiaõ aSSeus

paSSados; diZendo que antiga mente viera –

a esta aldea hum homeim Cujo Sechamava

Sebastiam Fernandez elevara hua india para dar

leite ahua creanSsa; Cuja Sechamava Faus

tina, esta depois seCaZara Com hum esCra

vo dotal homeim donde tivera alguâs

filhas dedonde ele proÇede. eCom amorte

da india que daqui fora, e do homeim quea

levou, os erdeiros Cativaraõ asditas in

dias filhas damorta que da qui tinha ido,

diZendo que eraõ filhas deSseu esCravo.

osquais oje Seachaõ. em poder de An

na Maria deCamargo, eme dis Sereim 14

almas. vossa exÇelenÇia obrara oque for

Servido aCuja nobiliÇima peSSoa Deos

Guarde Como deZeja. Barueri 30 dejunho

de 1722


do mais humilde Servo devossaexÇelenÇia

Frei Sebastiam dosAnjos

ExcelentiSSimo SSenhor19


PHPB - SP - século XVIII – Carta 6 - Imagem de CD-ROM: 69

Local: Barueri

Data: 27 de abril de 1723

Autor: Frei Sebastião dos Anjos

Genealogia: brasileiro, talvez natural de São Paulo.

Fonte: Arquivo do Estado de São Paulo

Referência: Aldeamento de índios – C00228 - 2-2-10

Edição: Simões, José (2005)


Sem favor de vossa excelencia em aoCupaÇaõ em que

aCisto naõ he poÇivel Satisfazer Como de

zejo em obem, eaumento deS[ta] Aldea. –

tendo notiÇia de que hua jndia CaZada

que tem omarido emoCaminho doCu[y]aba por

ordem de vossa excelencia, andava empeCadoCom

outro jndio CaZado, Com jndiCios de que

tinhaõ tenÇaõ defugirem; equerendo eu

por Remedio ahisto, SemeauZentou odi

to jndio. etendo eu feito exaltas d[ili]

genCias por ela [p]or todas estas partes, Sem

fruto algum, prendi aos parentes para efei

to deComfeÇarem averdade; osquais Com

feÇaõ Ser hido para aspartes davila de

JaCarehy, em Companhia dehum homem, ehua

molher exComungados desta quaresma

dobairro deSaõ Joaõ. Cujos nomes Saõ

Francisco Rodriguez, e Maria Thomas; eComo naõ

Seja Sso ojndio Cujo nome he Se[bastiam]

Como taõ bem hum Rapas que ConCigo levo[u]

por nome Francisco ejunta mente ojndio Se

guira ospaSSos deSSua dama, eSe alonga

raõ para mais Lonje; fiCando Caminho

amplio para osque quiZerem Seguir omesmo

norte; mando aLguns jndios emais hum

Cabo em [Segui]mento deLa, para oque peSSo avossa

excelencia: RepaÇe Carta para os Cabos, ou ofi

Ciais dejustiCa deSSas viLas prinCipal

adeJaCarehy para faZerem apriZão eintre

gaLa aos jindios; por que eLes perSsi onaõ

podem faZer. aCuja NobiLiSSiLima

PeSSoa Deos Guarde Como deZeja Baru

eri 27 deAbril de 1723.

humiLde Servo devossa excelencia

Frei Sebastiam dos Anjos

exÇelentissimo Senhor20


PHPB - SP - século XVIII - Carta 7 - Imagem de CD-ROM: 88

Local: Aldeia de São João (Peruíbe) [Aldea da Conceição da Praya]

Data: 10 de março de 1722

Autor: Frei Constantino de Santa Maria

Genealogia: ?

Fonte: Arquivo do Estado de São Paulo

Referência: Aldeamento de índios – C00228 - 2-1-6 [copiado – B/M – Publicado no Boletim n.º 5 / 1945, p. 31-32], edição comparada

Edição: Simões, José (2005)


[?] AldeadaConceiçaõdapRaya21


Excelencia22
Fui entregue da Carta que VossaExcelenCa me fes onRa esCrever;

Elogo mepus a fazer aLista, que meordena, lha mande

Suponho vai tudo de Clarado, Como VossaExcelenCa quer. E vam

todos Sem fiCar Criansa depeito, pera que Saiba oque tem

a Aldea, eas idades de todos, nella verá VossaExcelenCa oquam di –

minuta esta degente, para poderem aCudir, aos ServiSSos

de ElRey meu Senhor, Segundo as ordeñs dos seus ministros,

que estas minas tem destruida, as Aldeas porque quem

osleva. os naõ trazem mais e porCa ficam ella moRem

e as Pobres molheres, aqui fiCam aodezemparo. Agora

fiCa a Aldea Sem ter quem mevâ pesCar hum peixe

para paSar Commeu Companhero; So me fiCam Sinco velhos

que para levar aSargento Mayor Manoel golçalvez de Aguiar, os des

que VossaExcelenCa ordena, mal ospude prefazer, Com hum Ra-

pas ja Capas; oSenhor Governador desantos la tem Sinco

adous mezes, que osmandou pidir para oserviSSo ne-

Sesario, ememanda dizer que Cada dous mezes os man-

de Revezar Eu os naõ tenho que já la lhe es Crevi

pella falta Conque estam as Aldeas, emais esta que

detudo he Pobre muitas CrianSas verâ VossaExcelenCa na Lis

ta porem quem Sirva Sam esses [espaço]
VossaExcelenCa ponha seus olhos depiedade aque venham para Suas

Aldeas os que por La23 andam Segundo lhe Relato na Lista

os que aqui faltam emuitos porLa Sam mortos. Vam os -

tres indios Segundo aordem que VossaExcelenCa ordena ao-

Cappitam da ordenanÇa que hum delles chamado Hje-

ronimo dias he o Cappitam mayor desta Aldea feitura24

demeu Padre Provincial porser indio de Conta e naõ a ver

outro Capas elle dará Conta a VossaExcelenCa oporque para Ca veyo

junto. Com os mais todos tem Suas mu lheres eamulher

dojorge naõ vai por es tar enCapas edoente vam obe-

deSer a VossaExcelenCa e darlhe toda anotiCia eoCappitam em forma-

râ tudo eoestado da Aldea que Eu So tomara ter

muitas oCazioiñs deobedeSer a VossaExcelenCa entudo oque meordenar

edarlhe muitos gostos eaosmeus perlados efazer aquela

obrigaSam que devo et[e]nho ameu Cargo. Deos guarde por –

muitos annos a VossaExcelenCa para emparo dos pobres Aldeya de

Sjoa[õ] 10 demarÇo de1722 annos

de VossaExcelenCa Seu humilde vaSsallo

Frei Constantino deSanta Maria

Meu Governador general.25




PHPB - SP - século XVIII - Carta 8 - Imagem de CD-ROM: 91

Local: Aldeia de São João (Peruíbe)

Data: 8 de abril de 1722

Autor: Frei Constantino de Santa Maria

Genealogia: ?

Fonte: Arquivo do Estado de São Paulo –

Referência: Aldeamento de índios – C00228 - 2-1-10 [publicado no Boletim n.º 5/1945, p. 32 a 34], edição comparada

Edição: Simões, José (2005)



Fui entregue das Cartas que VossaExcelenCa mefes onRa

esCrever huâ pelos indios que foram aSua pre

Zensa onde meordena que vindo oSargento maior

Manoel gonçalvez de Aguiar daSua viagem os Remeta para Sua

aldea. aSim o farei etudo omais que VossaExcelenCa me-

ordenar emeordena NaLista que mandei aVossaExcelenCa

lhe deClarei osindios que me faltam nesta aldea

que Sabe Deos ane CeSidade que passa esta aldea

pela falta delles porque as mulheres vivem Ca

neSeCitadas eSem ter que vistirem pela falta de

Seus maridos eagora vam estes dês por ordem

deVossaExcelenCa eoSenhor Governador deSantos mepede indios pera

apraÇa emenaõ ficam na aldea mais do que

Coatro velhos que me pede que Cada dous mezes os-

mande Revezar e Eu os naõ tenho que na Lista vera

VossaExcelenCa os jndios que ha. Agora nesta que resebi de –

VossaExcelenCa vejo oque meordena Naõ he Culpa dos meus

anteSesores porquanto os Superiores osnaõ man-

dam e nem alugam mais doque ate essa Cidade

osque levam para longe Sam enduzidos destes

homeñs que os levam e Eu estou muito de a Cordo diSso

porque depois que para aqui vim omeu Cuidado

edesvelo he trazelos para adoutrina emiSSa ou nes-

ta praia aSeus ganhos eSo ao Convento osmando pera

ir[em] aeSsa Cidade a Conduzire[m] [a]s esmolas e o Padre

g[eral] lhespaga atodos e Eu os tenho todos em Rol. ene-

nhum mefalta dosque tomei poSse epubliCarei aor-

dem de VossaExcelenCa enhum diaSanto na igreja para que ve-

nha anotiCia de todos e Eu estimo muito aSua ordem

por menaõ perSeguirem que estes Senhores aqui he

que batem e Com aordem de VossaExcelenCa SuSegarei e quando

aja alguâ oCaziam que me faSam algûa darei

logo parte aVossaExcelenCa EComo vier de volta oSargento

major Manoel gonçalvez eide dar parte aVossaExcelenCa para me-

prover a Aldea deCabos que estes Sam bizonh[os]26

para oque lheseid mandar nomeados os CapaZes

[eEu] muito obediente asSuas ordeñs Como Seu humil-

de vaSsalo eapeSsoa deVossaExcelenCa guarde Deos pormuitos annos

Aldeia deSjoam 8 deabril de 1722annos

domais umilde Servo deVossaExcelenCa

Frei Constantino deSanta Maria

ExCelentiSsimo Senhor general27



PHPB - SP - século XVIII - Carta 9 - Imagem de CD-ROM: 0094-0095

Local: Aldeia de São João (Peruíbe)

Data: 22 de janeiro de 1723

Autor: Frei Constantino de Santa Maria

Genealogia: ?

Fonte: Arquivo do Estado de São Paulo

Referência: Aldeamento de índios – C00228 - 2-1-17 – [publicado no Boletim nº 5/1945, p. 39], edição comparada

Edição: Simões, José (2005)


Resposta28


Dou parte aVossaexcelencia [en]Como aqui me –

vejo joam Lenta aprezentar os despa –

xos que Vossaexcelencia foi Servido mandarlhe

aoque naõ ponho duvida pois Vossaexcelencia aSim

oordena entregue aRapariga porem

Como Vossaexcelencia foi Servido esCreverme que

denhuâ maneira lha entregaSe antes

aConServaSe Como ate aqui Como o faSso

vejome Com fuzo Sobre isto ter hu aCarta

de Vossaexcelencia aque naõ entregue eos despaxos

meordena que entregue Com esta minha

Com fuzam mando eSse proprio Somente

alevar esta aVossaexcelencia para que meordene oque

eide obrar eComo ja esCrevi aVossaexcelencia o que

neste partiCular ha tenho dezenCaRegado

aminha ConCienCia das ConSequenCias

que podem Rezultar Comaentrega desta

minina porque omarido da may anda

en Companhia doSargento major Manoel gonçalvez deaguiar

eothio29 dela tambem que he o Cappitam [maj]or

desta Aldea evindo averâm disgostos

que ja poreSsa Cauza odito Cappitam levou

alguâs faCadas dejoam Lenta Como Vossaexcelencia

o verâ quando vier eagora chegando o Ma-

rido eo thio30 vendo estar aminina

enCaza dejoam Lenta naõSei o Como

levarâm. ehe desgostar amajor parte

da Aldea que todos Sam parentes eCo –

mo Seja isto verdade he minha obri

gaSam dar parte aVossaexcelencia doque ha que

he lastima tirar huâ minina dogre -

mio daIgreja onde SeCria para alevar

para Sua Caza quem nunCa ensina dou –

trina tenho dado parte aVossaexcelencia doque

ha edezenCaRegado aConCienCia eeSpero

logo Repo[st]a deVossaexcelencia para obrar oque me –

mandar Como meu Senhor general –

oSenhor guarde aVossaExcelencia por m[uitos] annos Aldea

2[2] [rasurado] dejaneiro de1723 annos

Servidor deVossaexcelencia

Frei [Con]stantino deSantaMaria

ExCelentiSsimo Senhor31




PHPB - SP - século XVIII – Carta 10 - Imagem de CD-ROM: 0096

Local: Aldeia de São João (Peruíbe)

Data: 21 de setembro de 1723

Autor: Frei Constantino de Santa Maria

Genealogia: ?

Fonte: Arquivo do Estado de São Paulo

Referência: Aldeamento de índios – C00228 - 2-1-18 – [publicado no Boletim nº 5/1945, p. 40-41], edição comparada.

Edição: Simões, José (2005)


Respondida32


Excelencia33
Mando eSse Indio adar parte aVossaexcelencia

enComo a 26 mezes que [a]Sisto em –

esta Aldea de ElRey meuSenhor por Suprior

destes indios por obedienCia dos meus

perllados enella tenho aSistido Com todo o –

zelo e Cuidado Sem aRedar pe della aa Cu –

dir lhes aSuas neSeSidades tanto Corporais

como spirictuais Como Deus meajuda Como

Consta ehe patente atodos emandando

ElRey meuSenhor dar todos os annos no f[im]

de agosto deordinaria 25000 para aigreja

ter Sera, Vinho, e ostia, Como tam bem

para alguâ Couza neSesaria para osSeus Mi

Cionarios Semenaõ tem dado nada at[e]34

agora en todo o tempo que aqui aSisto

que vim para ella quando Vossexcelencia tambe[m]

vejo para eSsa Cidade eestou paSando mi

nhas neSeSidades Como tambem naõter o

Conque aSista aigreja eComo fazia ten

Sam falar a Vossaexcelencia peSoalmente pois mediz

vinha abaixo lhenaõ tenho amuito dado Con

ta enque Semenaõ paga nada que agor[a]

no fim deste agosto fez aConta de 5000[0]

deduas ordinarias que Como esta Sepaga

noRio dejaneiro Tenho esCrito muitas vezes tan

to ao Provedor Como aos meus Perllados

ninguem meResponde ea[te] [dilacerado] aoSindico35 deS[antos]

o Cappitam Thome Teixeira omeu bem feitor a quem

tenho ReComendado e fas amesma deligenCa

enão poSso aver vinteim eComo Vossaexcelencia Com o

meu general he oSenhor destas Aldeas

meboto aSeus Pes elhe ComuniCo as minhas

neSeSidades e[daigr]eja para que Com oSeu

poder mande pa[g]ar esta ordinaria para

Sepagar enSantos Como Sepaga adeSa Al –

dea de S Miguel que os meus Perlados

Como andam ConSuas bul[h]as naõ Selembram

dequem Ca está penando porem Como tenho

aVossaexcelencia por meu administrador me mand[a]

rá satisfazer as duas ordinarias que Se[me]

devem que os Pobres Indios fazem oque po

dem muito am de mister para Suas mulheres

efilhos he oque por o[ra] SemeofereSe dar

parte aVossaExcelenCa tudo omais está empas eEu

muito para oenComendar aDeos eobedeSerlhe

Como meu minist[ro] Deos guarde aVossaexcelenca Aldea

21 deSetembro de1723. Servidor deVossaexcelenca

[Frei] Constantino deSantaMaria

ExCelenStiSsimo Senhor General36


PHPB - SP - século XVIII - Carta 11 - Imagem de CD-ROM: 70-71

Local: Laranjeiras (Guararema37 ?)

Data: 30 de junho de 1726

Autores: Francisco Pinto do Rego e Frei Angelo da Encarnação.

Genealogia: Francisco Pinto do Rego é brasileiro, natural de São Paulo.

Fonte: Arquivo do Estado de São Paulo

Referência: Aldeamento de índios – C00228 - 2-2-15 [Publicado no Boletim n.º 5 de 1945, p. 27-28], edição comparada.

Edição: Simões, José (2005)


ExellentiSsimoSenhor


Por mevir dizer oSargento da Aldea deNossa Senhora

daescada que oadmninistrador della tin

ha feito fugir a 3 Indios porque os queria

violentos alevar Comçigo para as minas de

paranapanema, Como juntamentes deixara

mais levar ahuã India por hu’ homem

de goratingueta, esCrevy ao Religiozo doCa

margo que aSiste nadita Aldea, tive por

Respposta aque vay incluza

Eoutro Ssim por que hay huãs profeçias

de Como vossaexelencia naõ hade hir a Cujaba SenoSso

Senhor ouvir osRogos dospeccadores aSsim mesmo

hadeSer por que me parece naõ ha’ quem

Sedescuide Com esta deligençia inda que

Seria Com muito dispendio de vossaexelencia Seadita pro

feçia sahir Certo eu Sobre todos devo Ser

o mais Contante38 por ficar Soçegado mas Su

ponho indo vossaexelencia Sempre ficarei aSombra

dos Criados devossaexelencia

Donna Maria dis que vive muito obrigado avossaexelencia

mais que o naõ tenha por inportuna Com a Sua

S[i]smaria deterras que ia adezeja ver

Comfirma, eeu Sõ appeteco muy tas

occazioens emque Seiustifique a minha vonde

eobediencia emtudo que puder Ser doagrado

de vossaexelencia ApeSsoa de vossaexelencia magestade me guarde Deos muitos

annos Larangeiras Junho 301726

ospés devossaexelencia beja o mais omilde [C]ri[a]do devossaexelencia

Francisco Pinto doRego
[p. 2, parte 1] Senhor Capitam Major39

Aoque devem mais aten40

der os administradores daS

AldeaS he ozelo, A[s] Conserva

çaõ eaumento daS mesmas aldeas;

Recolher Com Cartas, e Com

executivas ordens dos Senhores

[Gove]rnadores, e ouvidores, aos

Indios que vivem fora das Su=

as Aldeas por Cazas de alguns

moradores, e esta diligencia [he] [rasurado]41

mais aesta Aldea que aoutra que

qualquer era pricizamente neS

seçaria, por estar destituida

e muito falta de indios, [devendo]42

mais Curalos em suas enfer

midades: e nesta Aldea tratar

com excelencia, de fazer or

denado Como as mais Aldeas

de 25000 para vinho cera e

hostias, que por esta falta [me] [rasurado]43

he penozo naõter coque com

prar muitas vezes oneSseçario
[p. 2, parte 2] para lhes dizer miSsa, a tudo oReferido [rasurado] o administrador desta

Aldea, naõ sei se por pobre, ou menos advertido; emquanto indios, e

Indias que Se dezemCaminhaSsem por Sua Culpa naõ sei diSso, depois que

para aqui vim, que vay por 4 mezes, oque Sei he aver hu’ homem

Cazado em huã dasVillas dorio abaixo deixado huã India desta

Aldea por lhe impedir oprocurador anaõlevasse para SPaulo, e naõ ha

muitos dias, eveyo otal home’, elevou naõ So os 4 filhos mas

tambem a India, dizem Com ordem doSenhor General; isto he sooque sei

Deus avossaexcelencia guarde. Amante, servo devossaexcelencia Frei Angelo da EnCarnaçaõ


PHPB-SP - século XVIII - Carta 12 - Imagem de CD-ROM: 63-64

Local: Laranjeiras (Guararema ?)

Data: 12 de dezembro de 1732

Autor: Sebastião de Siqueira Caldeira, coronel

Genealogia: brasileiro, talvez natural de Mogi das Cruzes

Fonte: Arquivo do Estado de São Paulo

Referência: Aldeamento de índios C00228 – 2-3-8 [publicado no Boletim n.º 5/1945 p. 109-110] – edição comparada.

Edição: Simões, José (2005)


Excelentissimo Senhor


Quando fui para hesasidade beiar os pes de vossa excelenca naõ

tive Lugar dedar Contas pelamuita oCopasam

emque vossa excelenca SeaChava naocaziam sobre

aIgreia da Aldea denosasenhora daesCada, aqual

tenho Reetificado aminha CuSta por servir

anosasenhora easuamagestade que deos guarde para que asim

SeaumentaSeasua Aldea que estava iaqua

ge44 para cair noxam por Ser feita deparede deman

em aLgû tempo eantes deterRetificado a

dita Igreia pasando o muito reverendo padre e vigitador45 odoutor

aLeixandre marques dovaLe ovigitou e naõaChan

do os ornamentos que opadre bispo ordenava e estar so

mente empoder dos indios oquis fexar e deRubar epelo

muito Rogo que lhe fis odeixou ficar mas deixando

hû edital para que dentro de hû anno sefizese

todos os ornamentos nesesarios enaõ se fazendo no

dito tenpo que ninhu saserdote poderia dizer

misa neLa Com pena desuspensam epara os

quais ornamentos naõ Com Corendo os indios seti

rari[a] esmola no destrito para seCompRarem os

ditos ornamentos que faltam que só tem hû daver

melho e branco sem frontal eomais nesesario

comque sedis misa hu do Convento davila de mogi que

tenho em prestado eC[o]m[o] as esmolas que os mo

radores poderam dar sera’ tam Lemitado [o]clamor

da muita pobreza me foi nesesario dar Contas

ao General Antonio dasilva Caldeira pimentel antes sesor

de vossa excelenca oque me Respondeu emandou huã

ordem cuio vai iunto Com aCarta inCLuza

para vossa excelenca ver para que sendo servido me posacon

firmar para comseguir equando naõ farei oque vossa excelenca
[p. 2] me ordenar eComo atheaopRezente estive

oCupado Com a f[eic]tura daIgreia, naõ tive Lugar

detratar para os ornamentos esó tenho Comprado hû

frontaL ehû misaL e aLguã miudeza faLta

CaLis epedra edous ornamentos de verde eRoxo

eque sepodera fazer Com forme vossa excelenca mede

treminar.

Tam bem mepareseu dizer a vossa excelenca que

he muito nesesario que vossa excelenca Mande dar ademe

nistrasam aos ReLigiozos doCarmo do Convento de

mogi por estar nodestrito ou a outro quaLquer

que vossa excelenca for servido, para que posam por hú

ReLigiozo Capaz para o ademenistrar eodoutrinar

por que de pRezente estam moRendo semCom

fisam esaCramentos por ser distantes dehuã viLa

eoutra eComo tem faLesido o Cappitam mor da

dita ALdea hé nesesario que vossa excelenca sendoser

vido mande prover outro eomais Capaz que ha

hé hû por nome Sebastiaõ dasiLva que he opor

tador desta eser muito zeLozo para as Couzas daAL

dea vossa excelenca fará oque for servido que eu naõ faLtarei

Como tenho deobRigasaõ em obedeser eservir a

vossa excelenca guarde deos apesoa devossa excelenca por muitos annos

para em paro desta Capitania Larangeras 12 de de

zembro de 1732 devossa excelenca

omais hû miLde sudito.

Sebastiaõ deSiqueiRa CaLdeira


PHPB - SP - século XVIII - Carta 13 - Imagem de CD-ROM: 65-67

Local: Itu

Data: 2 de março de 1733

Autor: João de Mello do Rego, 38 anos, capitão mor da vila de Itu

Genealogia: talvez português, faleceu em Itu em 1771 aos 94 anos de idade, com inventário (1779) não publicado pelo AHESP.

Fonte: Arquivo do Estado de São Paulo

Referência: Aldeamento de índios - C00228 – 2-3-15 [publicado no Boletim n.º 5/1945 fls. 117-119], edição comparada.

Edição: Simões, José (2005)


Excelentissimo Senhor


Remetto a Vossa Excelencia a lista das pessoas que assignaraõ termo deirem a Guer=

ra, ea Sua Cometiva de cada hum, e inda naõ sabe’46 Com Certeza, porque pertende’

pro Curarem Camaradas para Levarem, oque sô Com individuaçaõ Se Saberâ

no tempo do embarque, einda estam bastantes Com detreminaçaõ deirem a

Cuyabâ, Sepuderem desCobrir algum negoCio, eintrarem Com os mais adita

Guerra, eComo a pobreZa hê muita nesta villa, e noSeodestriCto, SenaõaLis=

ta agente que dez[ej]a, por lhefaLtar todo oneCeSsario preCizo para poderem Condu=

zirse, edesde aentrada da Coresmâ atê o dia prezente naõ tenho tido o minimo

SoCego emproCurar que SeaListe para adita Guerra atimidando-os em tudo

Com as Ordens de Sua Magestade que Deos guarde, e Com as deVossa ExCeLenCia, epreCuran=

do Sempre amesma diLigencia.

Como VossaExcelencia mediz que Sua Magestade aSsiste Com as Canoas

para aConduçaõ dosque forem, Saõ muy poucas as que hâ; porque as que vieram

nesta munçaõ paSsada doCuyabâ Saõ muy poucas asCapazes, ea=

mayor parte dellas tornaõ air Com os mesmos donos, eSerâ precizo or=

denar a VossaExcelencia aque Sefaçaõ Canoas Capazes, Sedas mais villas da Serra

aSsima forem, detreminar a Cada hum as façaõ, eSua Real Magestade

ou aSua Realfazenda aspague aquellas peSsoas que quizerem porque

achaõ notempo prezente poucas peSsoas, e Com pouca poSse, eporfalta de=

paos ComCapacidade deSefazer aquantidade que Serâ neceSsario para

poderem Conduzir toda a Cometiva dadita Guerra.

Hua pobre viuva Grave mepedio RemetteSse aVossaExcelencia eSsa

petiçaõ parecemdolhe que aSsim terâ milhor despacho, e todoConteudo nella

hê verdade.

Manoel Soares deSouza aSsim que Seacabou a-

primeira L[icenç]a que VossaExcelencia for Servido darlhe Logo SeRetirou do termo desta

villa Sem Cobrar Couza algua pellafalta dedinheiro, eComo VossaExcelencia foy Servido

detreminarlhe mais hum mêz porSua portaria, ena auZencia dodito

aespera da merce deVossaExcelencia, hoie dous doCorrente tornou para esta villa Com hua

grave moLestia in Capaz depoder tratar deprocurar oSeu Remedio.


[p.2] EComtoda aSua moLestia Seveyo botar aos meus pez pedindo pelo amor deDe=

os oamparaSse para Com VossaExcelencia aque lhedeSse tempo detomar algua Cura,

para poder Recadar oque Selhedeve Com mais Socego, evagar; promettendo em

tudo Ser promptiSsimo emtodas as Ordens que VossaExcelencia ordenar, eaSsim af-

firmo aVossaExcelencia me Compadeci tanto delle nomizeravel estado emque o-

vi, que lhepeSso aVossaExcelencia pellas muitas honras que me faz lhedem mais Socego,

para que Com este poSsa ir pago desta villa, que nunca foy Ruim homem

Segundo omeu parecer, eSe em algua parte Sedesmandou nunca Seria t[a]n=

to, quanto SeaCresCenta dealgua falta que temfeyto, pello averem deSo=

Licitadores para asCauzas, pois Sô Seacha nesta villa meo Compadre Ignacio

Pereira, deproximo pella merCe, e honra que VossaExcelencia foy Servido Conceder[me] por

orar porelle, deque noSso Senhor lhe hade pagar Com aSuagloria.

Francisco deAzevedoCurduvil aqui Seveyo vaLer taõ bem de=

mim para oprovimento que novamente precura de EsCrivaõ das No=

tas, por Selheir aCabando otempo porlheparecer que aSsim oalcanÇarâ,

eComo hoi seacha cazado, eSua molher Sevaleo demim para Padrinho doSeu

Cazamento, taõ bem meveyo Com adita petiçaõ, eComo odito Francisco deAze=

vedo hoi lheacho muita Capacidade Com milhor modo etermo deSrvir; peSso

aVossaExcelencia obre oque for Servido neste particular, ebem Conheço odezamaziado do-

meu atrevimento empedir aVossaExcelencia por todos osque Sevem vaLer demim,

mas Como omeu genio Seia Compassivo, dev[o] favorecellos Com amerCe,

honra deVossaExcelencia.

As trez Cartas para avilla de Sorocaba Logo as Remetti as-

peSsoas aquem tocava.

Naõ Semeofferece mais que ficar Comprompta vontade

para dar gosto aVossaExcelencia emtudo oque for Servido mandarme pedindoaDeos

lheAssista Com aSaude muy perfeyta para que todas as Suas determin=

naÇoens tenha nellas bom SucceSso.

O Ceoguarde aVossaExcelencia para meu Senhor. Itû
[p.3] Em 2 de Março de1733 annos
DeVossaExcelencia

Excelentissimo Senhor Antonio Luis deTavora Governador eCappittam General

Muito humilde Servidor

Joam deMellodoRego




PHPB - SP - século XVIII - Carta 14 - Imagem de CD-ROM: 034

Local: Araritaguaba (Porto Feliz)

Data: 30 de setembro de 1733

Autor: João de Mello do Rego, 38 anos, capitão mor da vila de Itu

Genealogia: talvez português, faleceu em Itu em 1771 aos 94 anos de idade, com inventário (1779) não publicado pelo AHESP.

Destinatário: Guilherme da Silva

Fonte: Arquivo do Estado de São Paulo

Referência: Aldeamento de índios – C00228 - 2-3-31 – [publicado no Boletim nº 5/1945, p. 162-163], edição comparada.

Edição: Simões, José (2005)

[Senhor]47 Guilherme daSilva

[Excelentissimo]
Nunca cuydey que os passatempos, dos divertimentos devossamerce meocazionace moles

tias, enaõ ha duvida que fazendome todas as Cabeleyras de graSa

inda naõ mepaguava, oque t[enho o]zado. Sobre oSeofilho levado do

emguano, dequem naõ esperava.

OFrancisco Pacheco EmbarCandose comtoda aSua gente, estan

doSeo Pay navilla memandou dizer, emararitaguava, donde meacha

va Com oexcelentissimo Senhor Conde adespedir atropa, que ofilho devossamerce vinha na

Canoa, eotiraçe, Como odito naõ chegou atempo deeu opoder fazer

deichey ordem para otirarem elevarpara avilla; epara mais seguranSa

Recomendey aAntonio Joseph que Seachava, pRezente, o tiraçe; RecolhendoSe

para avilla mediSe já Setinha tirado omenino, eque logo chegava; d[isto]48

dey parte aSua exçelenca eComo naõ cheguaçe, odito mefoy pReçizo [mandar]49

a Antonio Joseph Eoutra peSoa, atraS [doSugeito]50 eabacho dabarra deSo

roCa[ba], m[ei]o dia deviage alcansaraõ omoSso, etrouxeraõ odito

menino, que Seacha emCaza doCapitam Mor Manoel deSam Payo. antes que tenha

outra, Como eSta, fora de pareSer, pediSe, aoexçelentissimo Senhor Conde lhemandaçe

dar para oCriar, queComo não tem May CareSe detertrato, e eSte

S[êr]51 quem lhedoy. eobom he crialo depequeno Comadoutrina emque hade

ficar. eordenando odito Senhor que oReColha, venha logo buscar que nenhu

aduvida hâ emSeentregar, e devame vossamerce eSte trabalho, porlhedizer

que atal crianSa naõ hia, para oCuyava, fico paraServir avossamerce aquem Deos

guarde araritaguava 30 de Setembro de1733 annoz


Servidor devossamerce

Joam de Mello do Rego52

Em virtude do despacho de V. ex.ª enformo q. Fran.co Pacheco está alistado no 1.º da lista g.l p.ª ir a conquista e está fazendo canôas e mais necessarios p.ª a sua cometiva hé oq. posso enforma.r a V. Ex.ª e ordenará oq. for servido. Ytú, Agosto 28 de 1733.

Joam de Mello do Rego




PHPB - SP - século XVIII - Carta 15 - Imagem de CD-ROM: 74

Local: Aldeinha de Nossa Senhora da Escada (Guararema)

Data: 26 de abril de 1735.

Autor: Frei Thomas de Santo Antonio

Genealogia: ?

Fonte: Arquivo do Estado de São Paulo

Referência: Aldeamento de índios - C00228 - 2-6-18 [publicado no Boletim nº 7/1947, p. 134-135], edição comparada.

Edição: Simões, José (2005)


Senhor Coronel


Como quer que tenha o Recurso do Senhor Conde Longe ea[mat]eria ser hû=

tanto escandeloza merecorro aVossamerce como vizinho demais perto elhes pe

Sso pello amor de Deos ponha algû Cobro nos dezaforos quefazem

nessa Aldea os filhos do Tinente Coronel Sebastiam de Siqueira que he

Lastima somente oConcideralos; pois hû por nome Jozeph anda amance-

bado âbastantes annos comduas Irmans aSaber Thereza Solteira

e Monica Cazada, das coais ten tido filhos, e estan emcaza do Tinen-

te Coronel Seu avô eomarido daMonica porver odezaforo de Sua molher

comoditto filho doSobreditto aSima nomeado ôJozeph, seauzentou âSeis

me[Zes] desta Aldea, meConsta naõ ãde tornar aAldea por respeito

dota[l]moSso; pois oameaçou; eu Suponho, que Vossamerce disto Sabera milhor,

doque eu; eComo obrigeiâesta âCaZar por âtirar desta mâ oCaziam.

mequer oditto muito mal, enaõ sô SeContenta Comestas como também

havera dous meZes Seamacebou coma Luzia bastarda, eoutro por

nome Sebastiam comAnna filha daditta aSima declarada, que he hum-

dezaforo actual; pois dedia, enoute naõ falham nesta Aldea e

metendoce emSua CaZa, que nos fichamos asnoSSas portas pellos naõ

vermos, efazendo [eu ja]53 aVizo detudo isto aSeu pâi, Suponho,

foi pior; pois agora Commais frequencia, eporeste respeito in-

duzindo aos indios, aque menaõ obedeçam, eque mefaçam algumas

descortezias afim denosdesgostarmos, [e]Sairmos para elles ficarem

mais aSua vontade, que he oque Suponho havemos defazer cedo etc.54

Deos guarde aVossamerce ComSaude eVida para o Seu emprego. Aldeinha

23 deAbril de 1735.

DeVossamerce amante Servo

Frei Thomas de Santo Antonio

AoSenhor Francisco Pintodo55

RegoCoronel Regente de Moyi iJaca

rahy guarde Deos muitos annos

em

SuafaZenda




PHPB - SP - século XVIII - Carta 16 - Imagem de CD-ROM: 76-77

Local: Aldeinha de Nossa Senhora da Escada (Guararema)

Data: 24 de agosto de 1735.

Autor: Frei Thomas de Santo Antonio

Genealogia: ?

Fonte: Arquivo do Estado de São Paulo

Referência: Aldeamento de índios – C00228 - 2-6-28 [publicado no Boletim nº 7/1947, p. 212-213], edição comparada.

Edição: Simões, José (2005)


Senhor Coronel SeVossamerce tivece posto ocobro, que lhepedi ostempos paSsados nes

tes deZaforos, naõ meSocedera agora huma perturbaçam Comoindio

Joaõ Irmaõ, ealcoviteiro dasduas Irmans amig[a]s [rasurado] do Jozeph filho do

Tenente Coronel que por oreprehender algumas VeZes por concentir osa

deZaforos deSuas Irmans emSua CaZa medezobeceo [h]û [rasurado] dia

destes mandandoô buscar hû pouCo de milho detal sorte, que memo

veo adarlhe duas panc[qu – rasurado]adas Com huma bangala, que namaõ tinha

eelletam soberbo, que travancou a mim, que senaõ estivecem tres homéns

brancos sertamente [? - rasurado]mehavia soceder alguma desgraÇa finalmente anda

isto muito deZaforado tanto asindias Com[o es]tes moSsos eRogo aVossamerce

de[d]56 parte detudo, que sober narelidade ao Senhor Conde paraque ponha os

Seus olhos nesta Aldea, [que]57 Sua exSelencia naõ puZer cobro nisto

mais Conta nostem recolhermos anoSsa Religiam, que nella aVemos

deaChar Refeitorio, Coro Sela, ealtar Comtodo oneSeS[r – rasurado]ario; oque aqui

nada temos; pois nos naõ dam oSustento, nem devestir, nem Sera,

vinho, eostias, etodo onêceSsario para oornato doaltar, eVossamerce bem

SabeoComo aChamos Coando della tomamos poce, eagora oComo

SeaCha, enoquetoC[qu – rasurado]a aosindios naõ digo aVossamerce nada, pois detudo

tem noticia que Veviam e[rasurado]morriam Como ereges58, eagora ja pa-

recem emparte Chr[rasurado]istaos, enaõ digo mais porque Vossamerce como vezinho

Sabera detudo melhor dequeeu Somente lhepeço Rogue a Deos por

mim para que mede[d]59 paciencia para Suportar, estes infieis, que eunaõ

Seço derogar aDeos porVossamerce que oguarde ComSaude eVida para oSeu

Santo Serviço etc60 Aldeinha edeAgosto 24 de1735

DeVossamerce Cappellam eServo

Frei Thomas deSanto Antonio
AoSenhor Francisco PintodoRego61

Coronel Regente de Moyi iJaCarahy

guarde Deos muitos annos

em

SuafaZenda




PHPB - SP - século XVIII - Carta 17 - Imagem de CD-ROM: 81-82

Local: Aldeinha de Nossa Senhora da Escada (Guararema)

Data: 21 de setembro de 1735

Autor: Thomaz de Santo Antonio

Genealogia: ?

Fonte: Arquivo do Estado de São Paulo

Referência: Aldeamento de índios – C00228 - 2-6-29 [publicado no Boletim n.º 7/1947, p. 215-216], edição comparada.

Edição: Simões, José (2005)


Excelentisimo Senhor

Recebi huma portaria deVossaexcellencia, aqual apus naCoroa dami

nha Cabeça; [e]ainda que nella vy omao enforme que aVossaExce

Lencia sedeô doCazo sucedido nesta Aldea Com o Indio

Joam, eaSsim havia deSer pello enformador naõ fazer oque

devia que era enformarce das peSsoas que pRezenciaraõ o-

ditto Cazo, oque memotivou atirar esta justificaçaõ Ju

dicial, pera que pRostrada aospes deVossa Excellencia seya

servida eaCreditada equando esta naõ baste mandarei tirar

outra aTa[u]baté deôutro homem branCo Irmaõ doCappitam Joaõ

Ferreira Torres que taõ bem seachou namesma oCCaziaõ; fizes-

ta deligencia Somente para que VossaExcellencia menaõ expulSe

de Sua graÇa, pois debaixo deSua pRotecçaõ hé que aqui

estamos, detal Sorte, que quando mevejo Com algua molestiaene

cessidade Concidero, epublico que VossaExcelencia héoque áquy

mepós. Noque toca ao Ser Rigurozo eu no Castigo, VossaExce

llencia Sepode mandar informar porpeSsoa que neste parti

cullar falle dezentreSado, que lhe afirmo aVossaExcelen

Cia que há hum anno, ehum mes que estamos aqui, Somente

ahum Indio por nome Salvador, pedy ao Coronoel Francisco

Pintto omandasse Castigar, paSsando, eSofrendo tantas

desCortezias que mefazem. pois chegaraõ aroubar aCaza

emque moramos, efurtar della bastante milho, eoutras

couzas Comestives. Como taõ bem daSachristia Cortarem

dois panos dehua Sobrepelly nova, edetudo isto dey parte,

emequeixei ao Tenente Coronel Sebastiam deSiqueira, anada

poz Remedio, nen RepReenSaõ alguma Como taõ bem

mequeixei ao ditto demuitos deZaforos que Seus filhos fazem

nesta Aldea Com as Imdias, efoy omesmo, enaõ sei

Sedija62 aVossaExcellencia que foi pior; etudo isto esta-

mos sofrendo, Só por Servirmos a Deus, eagradarmos

aVossaExcelencia que Deos guarde por muitos annos Com Saude evida

par[a]que chegue avistarçe Com aExcellentissima PeSsoa


[p. 2] Daminha SenhoraCondessa aquem tomo por minha pRotectora

nagraça deVossaExcellencia etc.63 Aldeinha deNossaSe

nhora daEscada 21 deSeptembro de1735 annos

[?]


DeVossaexcelencia Seu Perpetuo orador, eServo

Frei Thomas deSanto Antonio




PHPB - SP - século XVIII - Carta 18 - Imagem de CD-ROM: 78-80

Local: Jacareí - Aldeinha de Nossa Senhora da Escada (Guararema)

Data: 3 de setembro de 1735

Autor: Antonio Pereira da Silva, escrivão

Genealogia: talvez português

Fonte: Arquivo do Estado de São Paulo

Referência: Aldeamento de índios – C00228 - 2-6-29 [publicado no Boletim n.º 7/1947, p. 217-218], edição comparada.

Edição: Simões, José (2005)


Senhores officiais doSenado daCamera


Dis Frei Thomas do Santo Antonio Religiozo SeRa fico, e Supe

rior da Aldeya de Nossa Senhora da Escada, que para bem de sua Jus

tiça ejustificaçam deSua verdade perante o Excelentissimo Senhor Conde

lhe hê neceSsario hua’ Certidam devossasmerCes em que ConSte a

forma emque eStava adita Aldeya anteS que elle, e seu

companheiro focem aSistir nella, por mandado do seu

Provincial, eordem do Excelentissimo Senhor, eômodo em que de prezente

seacha adita Aldeya SeCom menos; ou mais aumento

tanto no temporal, Como no Espiritual, outro Sim

se he’ Rigorozo no Castigo, e se lhes Consta avossasmerces ter casti[ga]

do algû Indio ahu’ anno fizico queahiesta, sendo elles

mereCedores de muito por seus Latrocinios, amâcebament[os],

emao proçeder. finalmente sehe’ uttil aaSistencia

de Sa Cerdotes nadita Aldeya.

P.D.

P[eço] avossasmerCes lhe façam merCe paSsar adita



Certidam Jurada doque naverdade Soub[e]

rem.


Espera Receber Merce
oescrivaõ denoSa Camera paSe64

aSerttidaõ que oSupplicante EReligi

oso pede. pello noSo Imforme

Jacarahy; emnoSo Segnado da

Ca[mera] deSettembro3de1735 Annos

eEu An[t]onio pereira daSilva

escrivaõ daCamera que oescrevy

Saa Moreira Nunes Ssã Coelho65

[p. 2] Sertificamos66 Nos; os oficiais do Segnado

daCamera nestta Villa de NoSa Senhora da Com

Sei[p]çaõ deJacarahy eSeu termo. este prezente

Anno; pellas ordenasoinis deSua Magestade; que

Deos guarde; etcetera em como pella petiçaõ que perante

nos nos foi apRezentada do Reverendo Supli

cante o Padre Frey Thomas deSancto Anto

nio; Religioso do Sarafico Saõ Francisco

doque nella alega Sertificamos de Baixo do

Juramentto denoSos Cargos, que no tempo em

que odito Suplicante Religioso adeJunto

Com Seu Companheiro tomaraõ poSe. Com

aSistencia daldeya deNoSa Senhora daesCada

destrito da Villa de Mogy por ordem que ti

vemos nutiSia do ESelentissimo Senhor Conde e

Capitaõ general. acharaõ adita aldeya fei

ta tapera echeya deMatto. o queoye esta

descuberta eCommais augmen[to - manchado] enos

Consta por Serteza que os Indios della

por Severem oye Coregidos. Com a doutrina

Cristam emque ospadres os eizercitaõ

que de Antes anão tiveraõ Sequixaõ; mas

doCastigo que lhe fazem naõ Sabemos

So Sim; que estando os ditos Religiosos

naditta aldeya! naõ taõ Sô he Serviço de

Deos; pera os Indios Como pera aCudirem
[p.3] Aqudirem atodas asneSeçidades dos mora

dores que vezinhão nadita aldeya; epor aSim

paSar na verdade; paSamos; apRezentte Ser

tidaõ Jurada Como nopRinçipio Sedeclara

por nos aSignada com os noSos Signais

Sô mentes. neste noSo Segnado daCamera

aos tres dias do mes de setembro demil esete

centos etrinta eSinco Annos; eEu An

tonio pereira daSilva escrivaõ daCame

ra que oescrevy

desta 160reis

David deSaa67

Jozeph Alvares moreira

Domingos Nunes Paes

AmaroCorreadeSsã

Sebastiam Marques Coelho


PHPB - SP - século XVIII - Carta 19 - Imagem de CD-ROM: 0059 e 0060

Local: Aldeinha de Nossa Senhora da Escada (Guararema)

Data: 12 de maio de 1736

Autor: Frei Callisto de Santa Elena

Genealogia: ?

Fonte: Arquivo do Estado de São Paulo

Referência: Aldeamento de índios – C00228 - 2-7-4 [publicado no Boletim n.º 8/1948, p. 10-13], edição comparada.

Edição: Kewitz, Verena (2005)


Excellentissimo Senhor


Reprezenta aVossa Excellencia oSeo humilde Subprior daAldeia de Nossa Senhora daEscada

Frei Callisto deSanta Elena ogrande desturbio emque seacha adita aldeia motivado dos filhos do Tenente Coronel

Sebastiaõ68 deSiqueira, Sendo aCauza, deter admoestado ao dito Tenente puseSse69 cobro nosSeos filhos eescravos

por Serem estes perturbadores das Almas da dita aldeia, vindo aella de noute ededia; efazendo as In-

dias hirem aSua fazenda, como mediceraõ duas, que as achey de noute fora hindo correr adita Aldeia com

oCapitam della, mais outro Indio. Vendo pois osditos moSsos queixavame Eu destes desturbios, enaõ

Menos apartava70 as Indias na doutrina sobre amesma materia, tendo hido odito Seo Pay para a

Villa cómeSsaraõ aendusir aos Indios, eIndias para menaõ obedecerem; deSorte que nem quem mecozin=

haSse quiseraõ tiveSse, enem hu’ Indio que tinha vindo defora, eRecolhido ácozinha athê eSse momandaraõ

indusir pello Cappitam, emepuseraõ deSomana sem ter quem medê nada, esperando por algu’ paSageiro

para medar alguã agoa elenha. [espaço] Com estas desatençoens’, edescortesias estou aquy por naõ dar a

minima molestia ao Tenente. Sendo que naõ sey deixaria alguâ couza dita aos Seos filhos porlheter ad=

vertido, oque aSsima digo. [espaço] Nestes termos posto oque fas admirar atodos, tenho feito tençaó feichar

aIgreja, emehir para omeo Convento; porem como obediente Subdito naõ oquero fazer Sem dar parte aVossa

Excellencia. [espaço] As Minhas Culpas saõ oquerer fazer aminha obrigaçaó attendendo para oServiço de

Deos, ede Sua Magestade, que Deosguarde No zello que tenho da aldeia, eCulto Divino, naó digo nada;

porque tudo deixo ao exame de Vossa Excellencia. [espaço] Equal odo administrador, preguntese atodos, e

ainda aos mesmos Indios. [espaço] Dia da Ascençaó de Chri[st]o [dilacerado]71 estando detarde na Igreja emcómendandome a

Deos, que Sabe Deos quem Seemcómenda, vy ao Padre Companheiro comvozes alteradas naporta da Caza, aoque

acodindo pregunteilhe oque tinha ou oque hera Socedido ? DiSseme odito Padre, Padre Subprior, vamonos embora

feichemos aporta pois aquy nosnaó querem; Etornandolhe apreguntar acauza ? MediSse, agora mediSse

hua India, que o Capitam da aldeia tinhá ordem do Senhor Joseph para vegiar as Indias, que entraSsem dentro

desta Casa alevar alguâ couza, compena de Serem a Soutadas, / Sendo que athê agora, meo Senhor, Sempre

foi uzo, ehê em[tod]as72 as Aldeias /. Acómodei ao Padre dizendo: tiveSse paciencia athê avisar aVossa Exce-

lencia; eComo acolera do Padre ainda estava alterada, cómeSsou agritar contra o Cappitam e achamarlhe

alguns’ nomes, que hê odezafogo, que podemos ter, por nesta aldeia nem tronco, nem prizaó hav[er] eSer

oque mais metem des obedecido semfazer cazo algum doque lhedezia acerca da Aldeia . Neste cómenos

appareceo elle dito Capitam comdous paos delenha por d[es]farce, ecom huá faca deponta boa na maõ pis73 jun

to doPadre oque vendo Eu griteilhe eoPadre entrou aSella [a]buscar hu’ faconete sem ponta, como setem vis

to para Sedefender; eapegando tambem noPadre, naõ para que imaginaSse Eu offend[e]ria ao Indio como se

colhe daboa Rezaõ, Senaó para que naó chegaSse o Indio aofendello; ainda contudo isto, Seavançou ahu

pao dehu’ paSageiro dizendo hera para Sedefender. [espaço] Vendo elle isto, eoque lhediSse havia dar Cont[a]

aVossa Excelencia, pois já metinha entrado em caza com amesmafaca entre hu’ gibaõ74, tendo mandado

apegar emhuá India para [ac]astig[a]r, efoi visto do Companheiro, Eeu pello vi[sto] achei Ser arma defez[a]

vestido, eCom agineta na[m]aõ, pReguntandolhe oque queria, foise sahindo; Ecomo detudo isto contando

ao Tenente Coronel para o C[a]stigar, fes taó pouco Cazo, que imaginando Eu inquiriSse o Cazo, oque lhefez75 fo[y]


[p. 2] Dizerme naó ser posivel; tendo experiencia delle ser taó dezatento que nesta Aldeia diante do

vezitador da Companhia, eoSubprior da Aldeia de S Joseph atirou a hu’ homem, que por lhenaõ apegar fogo

aespingarda, o naó matou; Eagora a[p]ar[s]eo com ella para Seconhecer averdade detudo. [espaço] ASsim que logo

Sepos asalvo hindo queixarse aVossa Excellencia antes que Eu ofizeSse . [espaço] Esta, Meo Senhor excellentiSsimo

Conde hê aSumma verdade; eSepode Vossa Excellencia informar doque digo, tendo em S Paulo

o Padre Domingos Machado, que entaõ hera Subprior e na occaziaõ oqueria o Padre Vezitador mandar casti -

gar, epr[e]nder, naõ obstante naõ Ser Indio dosSeos, pello atrevimento que entaõ uzou. [espaço] Demim, edoque

Relato Socedido naõ digo mande Vossa Excellencia Saber, porque ninguem vio, eSó Eu que me achara na occa

ziaõ com oPadre Mas entenda Vossa Excellencia hê amesma verdade. [espaço] Epara meo abono basta dizerem

todos oque Saõ estes Indios, eeste principalmente. [espaço] Edaquy podemos fielmente crer, que tendo esta Al=

deia hu’ Cappellaõ por nome Salvador Correa, detal Sorte ocorreraõ, que vendo Deos asdezatençoens

que lhefizeraõ detal Sorte os castigou, que cómeSsaraõ amorrer daly por diante Sem confiçaõ tantos, que Se

acabou adita Aldeia: Eestes que aquy estao, Saõ vindo denovo. Isto dizem os moradores; [espaço] Eelles

dizem agora, como diSse hu’ morador ouvira dizer ahu’, que naõ queriaõ aquy Religiosos. [espaço] Isto hê

oque querem para viverem como Gentio. [espaço] Eu naõ espero Senaó aordem de Vossa Excellencia, aquem venero

Como peSsoa deSua Magestade, eCatholico, que alias já metinha posto acaminho ; Enaõ Sem

pouca cauza, pois naõ Só doque aquy ex perimentamos, Senaó ainda Sem nosdarem decomer, enem

quererem fazer nada; que SepaSsamos hê com bem median[i]a76 pellos vezinhos noLodarem por Respeito

de MiSsa, eConfiçaó, eestarem 6 Legoas dasFreiguezias. [espaço] Naõ Semeofferece mais, que ficar as

ordens de Vossa Excellencia, epor entanto pedir aDeos pRospere huá Saude perfeita para que chegue aver aSenhora

Condesa com aquelles jubilos, que Vossa Excellencia dezeja. Deosguarde aVossa Excellencia etc.77 Aldeinha 12 de

Maio de1736


DeVossaExcellencia

ExcellentiSsimo Senhor Conde dasGalveas

HumildeSubdito eServo muito obediente

Frei Callisto deSanta Elena



PHPB - SP - século XVIII - Carta 20- Imagem de CD-ROM: 0057 e 0058

Local: Aldeia de Nossa Senhora de Escada – (Guararema)?

Data: 22.[...].[18..]?78

Autor: Frei Joze da Vizitação, religioso franciscano.

Genealogia: ?

Fonte: Arquivo do Estado de São Paulo

Referência: Aldeamento de índios - C00228 - 2-7-14 [publicado no Boletim n.º8/1948, p. 29-30]

Edição: Kewitz, Verena (2005)


Reverendo Senhor Padre Mestre Guardião


Nodia Sexta-feira 22 do Corrente veio aesta

Aldeya oTenente Francisco Leite Director fazer pa-

tente [?] huma Ordem do Illustrissimo e Excelentissimo Senhor General Cu -

ja Copia vay in clusa avista do que nam querem

mais os Indios fazer, ao brigacoins deque Sam em Carre-

gados pelo Directorio, que he fazerem Roça demilho, fejaõ,

e Arros, dar em agua e Lenha, huma CoSinheira, e

hum Rapas para lheajudar a Missa; Os Supriores na

da Cobram dellez, epor iSso he impocivel Sacerdoteal-

gum aqui Subycistir por nam ter com que Sealimen-

tar. Rasoins todas estas que me movem por meyo desta Visto

Ou nam poder fazer peSsoas por nam ter aquem deixe Su-

prindo as minhas Veses. Suplicando a Vossa Reverendissima queira falar-

aSua Excelencia para que haja deprovidencias; oudando-me meyoz

para aqui Subsistir; Ou Concedendo-me Licenca para Reti-

rar-me. Otheor da Ordem he O Seguinte = dado em adata

de des deste mes e Cuja Substancia Se Comprende79 = 1.o Que

fica Vossamerce izento da Diretoria. 2.o Que Comvocará aos Indios

e lhe esplicara isto mesmo de Clarando ao Capitam-mor e mais Of

ficiaes da Aldeya que espira aSUa Jurisdicam porque agora ficaõ

todos unicamente Sugeito a Corpo da Ordenaça e as Justi-

cas. 3.o Que os Indios podem Viver ondemuinto quiserem

na emteligencia de que aqueles que forem Vadios hiram para

apovoacam do Cubatam. 4.o Que vossamerce Continura a Recadar

os DiSimos dessa Aldeya athe ofissio de anno de 1804 por que
[p. 2] Porque dahi emdiante Seram Cobrados pellos Seus

Respectivos DeSimeiros. 5. Finalmente que vossamerce me

emtregara os Livros epapeis que tiver deSsa Aldeya para

eu osfazer Recolher aSecretaria do Governo eEsta heaOrdem

que o Coronel Tenente Arouxe Director das Aldeyas mandou ao

Tenente Francisco Leite eavista disso peSso aVossa Reverendissima

faça o esforço pocivel em Relatar isto aSua Excelencia ofim [sic] delle

providenciar. e Com isto nam emfado mais a Vossa Reverendissima

deste Seu Irmam e Subdito que lhe deseja todas as Suas fe

lescidades

De Vossa Reverendissima

Frei Joze daVizitação




PHPB - SP - século XVIII - Carta 21 - Imagem de CD-ROM: 0054/5580 e 0056

Local: Vila Boa de Goyas (Goiás Velho).

Data: 29 de janeiro de 1740.

Autor: D. Maria de Lara Leite

Genealogia: brasileira, natural de São Paulo, 68 anos [nascida em 1672, filha do paulistano Antonio de Almeida Lara]

Fonte: Arquivo do Estado de São Paulo

Referência: Aldeamento de índios – C00228 - 2-7-16 [publicado no Boletim n.º8/1948, p. 33-35], edição comparada.

Edição: Kewitz, Verena (2005)


Meu Primo eSenhor;


Recebi huâ devossamerce, estimando ver Regras suas; eaomesmo

tempo; sinti oque nela me espom; dizem em que em huâ. -

tarde chegaram aspeças de vossamerce aemtregar ao ten -

nente gene[r]al e namesm[rasurado]a hora mandou este se-

nhor aMariana de mimo Aminha Neta; dona Leonor

Tereza Maria Gois; Namesma forma mandou, a-

Serafina aminha Prima dona Leonor de Siqueira mulher

que foÿ de Meu Primo Bertolomeu Pais que Deos aja; a

Vitoria mandou aminha Sobrinha dona Izabel Maria

Caetana de Araujo Mulher do Mestre de Campos

Diogo Pinto do Rego; easmais para aAldeÿa dos

Pinheros; e como estas Senhoras Receberam as di-

tas negras por mimo, eastrazem Muÿto estimadas, não

mefica lugar, depoder falar emnenhuma delas

coanto mais como o Senhor tenentegeneral, peçoa com

quem naô tenho tido, amenor corelaçaõ.; easim mefica a-

des confiança deque por Meu Respeÿto naõ. obrara

Couza alguã.; em coalquer materia, que lhe pedice [espaço]


Permite Noço Senhor; acresantarme vossamerce as penas que

padeço empedirme Couza, emque onaõ. poço servir: [espaço]


Acompanho a Senhora minha Prima naspenas que padece de-

selhe tirar as suas [Pajis81 ?]; dascoas se a Custumava[m] a

seruirse; tive tanto gosto coando semme dise que vossamerce tra-

zia sento e tantas peças; estegosto semedobra oje -

empenas ponderando as que vossamerce ea Senhora minha Prima pade-

se; Deos nos asista com suagraça, para com ela poder

mos louvar aDeos noço Senhor; em todas as suas dis

posiçoinš. [espaço] O mesmo Senhor guarde aPeço[a] de vossamerce fe-


[p. 2] Felises annos oje 29 de janeiro de 1740 annos

de vossa merce

Seu82 Cappitam Salvador Martins’

Prima e serva.

Dona Maria de Lara Leite

Nos abaixo aSgnados juramos aos Santos, evangelhos

eofaremos emjuizo SeneceSario for emComo heverdade o que

dis aCarta aSima por Ser aSim publico, enotorio na

Cidade deSaõ Paulo donde chegamos hapouco tempo. Vila

Boa deGoyas 23 deMayo de1740 |

Joaõ Martinz Pimenta [espaço] Joaõ deSouza Ga[fraq?]83
Reconheço os Signaes e Letrado[spos ?] abayxoasig

nados Serem dapropria maõ dos Contheudos

nelle oque Reconhello84 por ter visto fazellos de

que dou fe eeu Joaõ Alvres daCunha Taba

liaõ que oescrevi easigney em publico eRazo Vilaboa

Vitenove deMayode mil sete centos equarentaannos

[espaço] emtestemunho de Verdades

Joaõ Aferes da Cunha85


Cunha86>


PHPB - SP - século XVIII - Carta 22 - Imagem de CD-ROM: 0053

Local: Mboy (Embu)87

Data: 23 de outubro de 1783

Autor: Vicente Pedrozo de Camargo, alferes

Genealogia: brasileiro, nascido em Cotia ou Embú.

Fonte: Arquivo do Estado de São Paulo

Referência: Aldeamento de índios – C00228 - 2-7-27 [publicado no Boletim n.º8/1948, p. 70-71], edição comparada.

Edição: Kewitz, Verena (2005)


Illustrissimo Excelentissimo Senhor


Como diretor Sou obrigado ahir aos pes de Vossa Excelencia qui =

hemeu lugar. dar parte doque Susede nas aldeyas qui =

heosiguinte, hú Indio por nome Antonio de Camargo

Com Sua Mulher, edous filhos - hú por nome Juaquim

eoutro por nome Simáo. dezertarão desta aldeya e

seaxão aSituados aope de São Roque, segundo me-

dizem nas teras doCapitam José de Camargo, . em 4 de a-

gosto deste prezente anno, dezertarão 3 Raparigas

Sorteiras. mandando eu dous Indios atras destas para astra-

zer; foraõ topar Com as ditas 3 Raparigas em Caza

destedito Antonio de Camargo, antes Sim esteindio ouCu-

rtou. Ronpeu Com Vozes ativa epitulante. contra

os meus portadores queforão bus car asditas Rapari

gas. que sieles não vortasem. efosem prudentes

sertamente averia algua deszordemis, Como taõ

bem nodia 20 deste Prizente més fugirão 3 in-

dios hú capatas dos animais - por nome dumingos

dias. eoutro JuaquimdeSouza. eoutro Bonifasio

Dias. esegundo di[z]em forão. para as partes deViamão

Vosa eExcelencia Como Juramento88 dara aprovidencia quelhe

pareser. do Contrario dezertarão aAldeya. Como

tão bem ordenão oque seade fazer aos que sai fora

ganhar. Sem license de Vossa eExcelencia nem minha. Deos

Guarde aVossa Excelencia por di latados efelizes an nos oge [Bo - borrado]

y[G – borrado]89 23 de outubro de1783.

DE Vossa Excelencia

Umilde Sudito eobediente

Vicente Pedrozo de Camargo





PHPB - SP - século XVIII - Carta 23 - Imagem de CD-ROM: 0052

Local: Aldea de Mboy (Embu) ?90

Data: 13 de setembro de 1788, data do despacho registrado na carta.

Autor: Francisco da Cunha Lobo

Genealogia: brasileiro, com inventário não publicado [de 1789] no AHESP.

Fonte: Arquivo do Estado de São Paulo

Referência: Aldeamento de índios – C00228 - 2-7-31 [publicado no Boletim n.º 8, p. 79-80], edição comparada.

Edição: Kewitz, Verena (2005)


Illustrissimo Excelentissimo Senhor

Os Indios saó livres, por estaRazaó, quando

naó saó criminozos, nem vadios, ese empregaó

no servo de alguem, para ganharem asua vida,

devem servir aquem muito quizerem. Só os Va=

dios, e que naó tiverem ocupaçaó, fasendo dezordês

por fora, devem Ser logo recolhidos ás Suas res=

pectivas Aldeyas. [espaço] São Paulo 13 de setembro de 1788./91

B.

Com amais reverente Submissam, erespeito, reprezenta aVossa Excelencia



Francisco daCunha Lobo, Director daAldea deBoú, que permetindo

lheSua Magestade peloSeuReal directorio, oter em SuaCaza hú Indio daSua

respectivaAldea, para as dispoziçoens damesma, Avizos, [espaço] remeSsas deCartas

e mais destribuiçoens das Ordens deVossa Excelencia, concervava o Suplicante para oreferido,

hú rapas deNome Francisco, oqual induzido por Francisco de Figueiró ta-

verneiro destaCidade, fugio do Suplicante edezertou aAldea sem que bastacem as

deligencas doSuplicante edos mais Officiaes damesma, para aSua reconduçáo [espaço] Excelentissimo Senhor

agora aprezentace aoSuplicante o requerimento junto, feito Em nome dehú Irmáo

doSuplicado prezo naCadeadestaCidade com despaxodeVossa Excelencia para aconcervaçao do

dito rapaz Em Seupoder, ao qual dá oSuplicante proptissimaExecução como

tem obidiente Subdito deVossa Excelencia, em cuja prezença poem ao mesmo tempo

om[ey]o92 tam ilicito, e impraticavel comque fortiva eviolentamente foi tirado

daAldea, edaCazadoSuplicante odito rapaz. Seguindoce daSuaConcervação na

C[o]mpanhia dos Suplicados, pécimas concequencias pelo Máo Exemplo aos mais en

prejuizo daboa diciplina, educação e obediencia, emquedevem concervar-ce

portanto./

Para Vossa Excelencia seja Servido permetir

ao Suplicante, para Saptisfação delle, e detoda

a Aldea orecolher odito rapas Francisco, epórEm

Seulugar outro Indio, a eleiçáo doSuplicante como Vossa Excelencia lheconcede por

Seudespaxo, precedendo o ajuste doSelá[rio]93

quedeve vencer, na prozenca [sic] do Suplicante como Seu

Director, na forma do Custume
Espera Receber Merce


PHPB - SP - século XVIII – Carta 24 - Imagem de CD-ROM: 0049 a 0051

Local: São Paulo

Data: 15 de setembro de 1799

Autor: Pe. Jozé Joaquim Mariano da Silva Cezar

Genealogia: talvez brasileiro

Fonte: Arquivo do Estado de São Paulo

Referência: Aldeamento de índios – C00228 - 2-7-39 [publicado no Boletim n.º 8/1948, p. 88-91), edição comparada.

Edição: Kewitz, Verena (2005)


Illustrissimo Excelentissimo Senhor


Emcumprimento da Ordem de Vossa Excelencia arespeito do estado

das tres Aldeas informo, que os Indios de Crapocouva94 vi

vem , muita parte deles, e seconserva aSsua Ireja95 nosen

tro de hum grande quintal, que este he attacado -

com valos noqual notempo dos extintos Jezuitas -

faziaó suas lavoras, assim como plantavaõ dilatados

mandiocaes, deque extrahiaó a farinha para assua sus

tentaSsaõ, eigoal mente algodoaes deque sevestiaó por

ser aquele terraó de reconheSsida produSsaõ para estez dous

generos: deannos porem aesta parte sevem privados

daquele meyo, com oqual mais suavelmente sere

mediavaó das necessidades, que neles he trevial res=

peito afome, e desnudes, por quanto os valos por an=

tigos seachaó aruinados impartes, alem dodano, que

os fogos de cada anno, lanssados por pessoas depouca

cautela , vezinhas, nos campos contiguos aodito

quintal, que apenas sedevide pelos valos, ajudados os

referidos fogos dos ventos passaó alinha dos feixos,

e insendiaó osobre dito, que o mesmo a Conteseria

ao proprio Templo se este fora Cuberto depalha po

is consta, que algumas cazas dos mesmos Indioz -

amuito custo se tem defendido daquele fogo lavo=

rante nas ocazioens que tem oCorrido.

O dito quintal seacha imaberto, por que se

lhefazem algum concerto, como ja vi praticado peloz

Indios, para vedar as criaSsoens dediferentes vezinhos, que

aly entraó apastar todo anno, vem o fogo Com so

me o mato, ou feital, que antes estava cobrindo as

ruinas, ou fraqueza dos valos, reconhessem as cri

aSsoens as partes por onde podem fazer assua en=

trada, e por estes passaó quando emcontraõ segu

ranSsa nas partes retificadas, oque naó aconte

se hoje ou há annos, por que todo seacha fran

co e se conserva, como campo comum; ese

algums Indios tem algums retalhinhos do mesmo

quintal atacados com sercas saó taó lemitados

osterrenos, que nomeo conseito so daó para pouco

mais que huma orta de repolhos, ficando assim

mesmo parte da Aldeâ, eaIreja [sic] sem defeza
[p. 2] das criaSsoens, onde tambem asparedes, daneficamSse es

tas, emuitas vezes debaixo do terreiro da mesma serres=

goardaó dosol, e xuva.

Havendo aprovidencia de serem obrigados

os Indios, que sequizerem izentar dotrabalho aque

unidos com osmais zelozos verifiquem os desman

xos dos valos, eaque os vezinhos confinantes, que

tiverem direito naqueles campos de fora por pro=

prios ou foreiros os naó queimem sem fazer sa

bedor ao Director dodia para os Indios aserarem, ede

fenderem oseo quintal noato dofogo, he sem

duvida, que naó entraraó mais criaSsoens, nem

deixaraó deplantar querendo trabalhar, para se

remirem das suas necessidades

O Director Antonio Bicudo he de Reconhe

cida probidade, esó perde nomeo paresser por

abitar hum tanto distante atempo, que o Inspector

Sargento-Mor Martinho Alves de Figueiredo desta

Aldea he ovezinho mais proximo, que comodamente

pode derigir as necessarias providencias emcum

primento das Ordens, que de Vossa Excelencia obtiver.

Oz Directores actuaes de Imbou, eIta

peserica he constante, que Com Zelo, eactividades

seimpregaó nas deligencias uteis, e consernen

tes para oaumento, econservassaó das Respecti

vas Aldeas, movendo juntamente aos Indios, quan=

do neles reconheSsem tibieza, aque trabalhem,

efassaó as suas plantassoens vantajozas; a

sim como naó perdem devista oevitarlhes to

das asocazioens deque podem sugerir algumas

des ordens, eomesmo seve praticado pelo res-

pectivo Director de Imbou arrespeito das cria

soens, que aly se conservaó pertenSsentes a

Sua Magestade; noque igoalmente setem intereSsado

o Inspector Conforme96 as contas, que tem aprezen

tado notribunal daReal Junta.

Dasmencionadaz
[p. 3] Aldeas consta acharemSse algums Indios dezertados por di

ferentes districtos: hé oquanto alcansso eposso por na

respeitavel prezenssa de Vossa Excelencia; que mandará o

que for servido. [espaço] Saõ Paulo a 15 de setembro -

de 1799
Coronel97 Jozé Joaquim Mariano de SilvaCezar

Capitam r[e]formado98





PHPB - SP - século XVIII - Carta 25 - Imagem de CD-ROM: 84

Local: Queluz

Data: 14 de dezembro de 1800

Autor: Padre Francisco das Chagas Lima

Genealogia: brasileiro, talvez natural de Curitiba.

Fonte: Arquivo do Estado de São Paulo

Referência: Aldeamento de índios – C00228 - 2-8-7

Edição: Simões, José (2005)


Illustrissimo eExcelentissimo Senhor


Pelo Director que vai informar a VossaExcelencia do estado tempo=

ral dezta Aldea, naõ poSso deixar de dar parte a VossaExcelencia

que vou continuando na instrucçaõ aos Indioz, a qual

por naõ ter eu intelligencia doSeo Idioma sefas difficul

toza, mas naõ tanto, que brevemente naõ haja de baptizar al

guns adultoz, alem dos infantes.

A esta vai junta hua

relaçaõ por mim feita, que a VossaExcelencia naõ desagradará Ler,

tolerando-me a groSseria do papel e escrita, por que o Lu

gar e occaziaõ naõ permittio outra couza.

A respeitavel

PeSsoa de VossaExcelencia guarde Deos muitos annos. Aldea de Saõ Joaõ de

Queluz aos 14 deDezembro de 1800.
De VossaExcelencia
Illustrissimo eExcelentissimo Senhor Dom Antonio Manuel deMello Castro e

Mendoça
o mais humilde Subdito


Francisco das Chagas Lima


PHPB - SP - século XIX - Carta 26 - Imagem de CD-ROM: 0048

Local: Nossa Senhora da Ajuda (Itaquaquecetuba )

Data: 09 de março de 1801

Autor: Joaquim Mariano da Costa Amaral Gurgel, capelão

Genealogia: ?

Fonte: Arquivo do Estado de São Paulo

Referência: Aldeamento de índios – C00228 - 2-7-40 [publicado no Boletim n.º 8/1948, p. 92-93], edição comparada.

Edição: Kewitz, Verena (2005)


Illustrissimo Excelentissimo Senhor Antonio Manoel de Melo Castro e Mendoça


Satisfazendo aCarta que por Ordem deVossa Excelenca escreveome

o Sargento-mor ajudante de Ordens, Joaquim Joze Pinto de Morais Leme,

respondo que nos suburbios desta Aldeia CirCunstanciado Com

al gumas99 qualidades eactividade para Director dos Indios pareceme

suficiente Salvador Pereira de Pontes, do destricto da Com

CeiCam dos Guarulhos. [espaço] Quanto ao requerimento dos In

dios he verdadeiro naparte que dis ser oactual Capitam Mor Joaõ

de Lima, tibio frouxo, einneto para governar, pois alem dele

ver estes defeitos gerais nos Indios do Brazil, creio que

nele reina mais a priguica, arespeito dos dois nomeados no re

querimento para Capitains Mores o Felis daCunha ja eser

ceo odito posto e teve baixa infame por intrigante, beba

do, emais vicios abominaveis, o Joaquim Correa he o Soldado men

cionado neste requerimento que deo pancadas noactual Capitam

Mor, naõ he dos peiores Indios desta Aldeia, he rapas

agil, so oaxo algum tanto propenso aenbriages, defeito

geral dos Indios. [espaço] He quanto poso informar aVossa Excelenca

Nossa Senhora da Ajuda 9 de Março de1801.

De Vossa Excelenca

Illustrissimo e Excelentissimo Senhor

Capelam obrigado e Creado.

Joaquim Mariano daCosta Amaral Gurgel.





PHPB - SP - século XIX - Carta 27 - Imagem de CD-ROM: 0043

Local: São Paulo

Data: 18 de abril de 1801

Autor: Jozé Arouche de Toledo Rendon, tenente e coronel, 45 anos.

Genealogia: brasileiro, natural de São Paulo.

Fonte: Arquivo do Estado de São Paulo

Referência: Aldeamento de índios – C00228 - 2-7-40 [publicado no Boletim n.º 8/1948, pl. 91], edição comparada

Edição: Kewitz, Verena (2005)



Illustrissimo eExcelentissimo Senhor


OCapitam Matheus da Silva Bueno, dequem Confio, me

informou particularmente, que Salvador Pereira de Pontes he homem

bom, eque no descricto daAldea naó ha outro que tenha

iguaes qualidades para Director: Ecomo igual informa

çaó dá o Vigario, parece justo, que Vossa Excelencia o haja de

promover a Director.

Quanto ao Capitam-mor, naó obstante Ser fro-

xo einepto para governar, como dis o Vigario, comtu-

do melhor doque elle naó há naAldea; e por tanto

deve ser conservado. Alem doque, pela experiencia

que tenho do dito Capitam-mor, o qual muitas vezes metem vindo repre-

zentar Coizas tocantes aAldea, afirmo aVossa Excelencia

que em outras Aldeas os ha piores doque este; porque he

muito difficultozo achar hum Indio Sem deffeitos

Capitaes. He oque posso informar aVossa Excelencia que

mandará oque for Serventia100. São Paulo 18. de Abril



de 1801

Jozé Arouche deToledo101

Director geral das Aldeas.



PHPB - SP - século XIX - Carta 28 - Imagem de CD-ROM: 0044 e 0045

Local: São Paulo

Data: 17 de março de 1804

Autor: Ignácio Albuquerque de Toledo

Genealogia: ?

Fonte: Arquivo do Estado de São Paulo

Referência: Aldeamento de índios – C00228 - 2-7-42 [publicado no Boletim n.º 8/1948, p. 95-96], edição comparada.

Edição: Kewitz, Verena (2005)


Illustrissimo e Excelentissimo Senhor


Alem deque jâ pus na Prezença de Vossa Excelencia aRespeito da ComiSsão deque foi

Vossa Excelença Servido encarregarme em Moji Guassu, tenho em beneficio pú-

blico departicipar a Vossa Excelencia que tendo desertado muitas das Aldeas de-

Guoyases de Gentios Comquistados na Capitania, grassaõ agora portodas

aquelas Campanhas, epassando o Rio grande, vem Contaminar as fertis

Campanhas desta Capitania entre omencionado Rio grande, e Rio Pardo:

Gentio este ainda mais terrivel eperigozo, poriSso mesmo que ja tem Conhe-

cimento dos noSsos Costumes, e das noSsas Armas: oque nâo aConteçee Com

o Gentio bruto, que Suppoem que as noSsas espingardas offendem Sem

a necessidade de primeiro serem carregadas.

Este motivo meobrigou aentregar

Como de facto entreguey102 meya aRoba de polvora Com Seo xumbo a

Hipolito Antonio Pinheiro, homem que naquele Sertaõ enContrey Com as

melhores qualidades para Se lhe Cometer qualquer Coisa; enCarregando lhe de-

entrar pelo Rio Sapucay the o Rio grande emdistancia de 15 legoas; e enca-

rregando igualmente amesma deligencia a Joâo de Campos e a Manuel Vâs,

aquelle para entrar pelos Batataes athe alagôa Rica, aeste descendo pe-

las margens do Rio Pardo the a Sua Barra. [espaço] E para melhor SeConcegui[r]103

a empresa da expulsaõ do Gentio tam bem in Comby aô Capitam do Ma-

tto Thomas da Silva entraSse Com a Sua gente abeirando o Rio grande

the dar Com atrilha dos Bugres, e Seguilos. [espaço] Penso, que Surtirã bom

fruto destas muitas deligencias Mas para que ellas para o futuro Se Continuem

a fazer Com felicidade para que o Povo daquele Sertaõ viva em Socego,

em hûa palavra para que Sepovoem aquellas vastas Campanhas taõ

ferteis, que podem para o futuro fazer frente a Riqueza deViamaô, he pre

cizo que de antemaõ sevaõ aplicando todos aquelles meyos que poSsaõ Con

vidar Povoadores, expecialmente das duas Capitanias da Gerais, e Guoyazes

de onde muitos Seteriaõ paSsado para aquele continente Se lhes não obstara

ojusto temor do Gentio. [espaço] Lembrome que hûa das Coizas mais neceSsa

rias ao prezente he CrearSe hum Capitam de Ordenanças e hum Alfferes para todo

aquele Continente desde o Rio Pardo the o Rio Grande, pois o Povo que abita to

da esta vasta Campanha naõ te ali official algum aquem

esteja Subordinado, Resultando daqui alem de outros grandes males o

de faltas de Povoadores. [espaço] Depois sera precizo aproporSsão do Povo


[p.2] do Povo, e daneceSsidade Crear mais Capitaens, e mesmo Crear Companhias de

Meleciannos, taõ neceSsarios para Civilizar o Povo egradualmente Sugeitar a

Subordinacaõ aquelles homens creados / posso dizer assim / sem Ley nem

Religiaõ.

Julguey que tinha obrigaSsaõ de levar a Respeitavel Prezenca

de Vossa Excelenca estas muitas obscervacoins para Vossa Excelenca providencear Como for

Servido, ejulgar melhor em beneficio do Estado. [espaço] Deus Guarde aVossa Excelenca

muitos annos [espaço] S. Paulo 17 de MarSso anno 1804


Illustrissimo e Excelentissimo Senhor “Antonio Joze da Franca e Horta
Ignacio Alvarez de Toledo104

[deteriorado - 1 palavra/abreviatura]



PHPB - SP - século XIX - Carta 29 - Imagem de CD-ROM: 0046-0047

Local: Queluz

Data: 14 de agosto de 1809

Autor: Jozé Joaquim do Nascimento

Genealogia: talvez brasileiro

Fonte: Arquivo do Estado de São Paulo – Aldeamento de índios

Referência: Aldeamento de índios - C00228 - 2-7-44

Edição: Simões, José (2005)


Illustrissimo e Excelentissimo Senhor


Emconsequencia da Directoria dos Indios eno

va Aldea de Quelúz deque VossaExcelencia fesme ahonra encarregar por

Portaria de28 de outubro de 1808, vou por narespeitavel prezenca

de VossaExcelencia o estado de decadencia em que axei amesma Aldea pel

la disperçaõ de alguns Indios que por faltas deprovisoens para asua

subsistensia, ou mesmo por inertes, epreguiçozos, epouco amantes de

sugeiçaõ sesubtrahiraõ aotrabalho, des empararaão aPovoaçaõ, mas

entretanto pro curei todos osmeios suaves, egrangeantes para os reu

nir, eempregallos nostrabalhos deque necescitaõ senão por tudo quanto

he precizo para sua mantença aomennos para hua boa parte dassuas

precizoens, para aque tenho projectado mandar alguas Mulheres, em

Cazas particulares dePeçoas capazes, e conducta irreprehensivel a

fim deaprenderem a fiar, etecer Algudoens, edeste modo suavizar, e

fazer mennos gravoza adespeza dareal Fazenda relativa aconser

vaçaõ daquelle Estabelecimento, e alguns Homens em Officiaes

fabris aomesmo intento do augmento dassuas comodidades.

Outro sim sefor daaprova-

de VossaExcelencia oaplicaremse os Meninos asprimeiras Letras, sendo eu

emqualidade deDirector omesmo Professor comalgum Ordena

do como osmais Professores Regios percebem daReal Fazenda

para suavizar odito trabalho.

Resta finalmente ponde

rar aVossaExcelencia que nao ccaziaõ emque fiz reconduzir parte daquelles que anda

vaõ disperços para aspartes deRezende aestes acompanhou hû In

dio chamado pelo seu idioma Mariquita, Capitam de hua Nassaõ

chamada dos Araris, a companhado demais seis oqual suplicam e

omesmo agazalho, comprometendome que no cazo deeu assim o con

sentir, elle sepropounha ahir Cathequizar quantos existem naquelles

C[er]
[p. 2] Certoens para com elle sesugeitarem amesma Aldea, onde logo

foraõ Baptizados anada meexponho sem obeneplacito de VossaExcelencia

por serem estes daquelles Certoens de Rezende, exigindo eu acom

petente authoridade para proseguir esta Deligencia por meio de Ordem

de VossaExcelencia para obom exito visto queremse reunir volluntariamente

aesta Aldea.

Tambem pertendem os

Povos desta, eoutras Villas circunvezinhas pella repartiçaõ de

glebas de terras, dasque axaõ-se inda devollutas neste Certaõ

para o fim de as Povoarem, epromoverem os seus interesses, cujas

Dattas naõ posso fazer, nem conseder sem expressa Ordem –

de VossaExcelencia.

Para os fins dassobreditas

conservaçoens he prezente a VossaExcelencia o Zello, eatividade comque eu me

tenho proposto des empenhar o lugar que VossaExcelencia dignouse con

ferir me, eo gosto que meacompanha como fiel Vaçallo deser

vir ao Principe Regente Nosso Senhor, e ao Estado.

Deos guarde a VossaExcelencia muitos Annos com Saude, efel

licidades para amparo desta Capitania Freguezia e Aldea de

Quelluz 14 de Agosto de 1809.


Illustrissimo e Excelentissimo Senhor Antonio Joze da Franca e Horta

De Vossa Excelencia

Omais fiel, eobdiente Sudito

Jozé Joaquim do Nascimento



Referências bibliográficas
Antonil, André João. (1955). Cultura e Opulência do Brasil. Salvador: Livraria Progresso Editora, 1955.

Barbosa, Afranio. (2005). Normas cultas e normas vernáculas: a encruzilhada histórico-diacrônica nos estudos sobre português brasileiro. Rio de Janeiro, UFRJ/FAPESP, mimeo.

Leme, Luis Gonzaga Silva (1903-1905). Genealogia Paulistana. 9 vols. São Paulo: Ed. Duprat. versã o eletrônica http://www.geocities.com/lscamargo/gp/genpaulistana.htm, acesso em 21.01.2006.

Leme, Pedro Taques de A. Paes. (1980). Nobiliarquia Paulistana Histórica e Genealógica. Belo Horizonte / São Paulo: Editora Itatiaia / Editora da Universidade de São Paulo.

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Setubal, Maria Alice (2004). Terra Paulista. Vol. I. São Paulo: CENPEC / Imprensa Oficial do Estado de São Paulo.

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http://www.portofeliz.sp.gov.br/modules/xt_conteudo/index.php?id=3

http://www.valedoparaiba.com/enciclopedia/verbetes/c/caminhogeral.htm

http://www.geocities.com/lscamargo/gp/genpaulistana.htm



http://geocities.yahoo.com.br/projetocompartilhar/

1 A maior parte das informações foi encontrada na versão eletrônica da Genealogia Paulistana [GP] de Silva Leme disponibilizada por Lia Camargo. Como complemento, utilizamos também as informações constantes da página eletrônica do Projeto Compartilhar coordenado por Bartyra Sette e Regina Moraes Junqueira o qual contém informações que complementam GP de Silva Leme através da edição dos inventários depositados no AHESP. Sempre que possível, indicamos a fonte eletrônica da informação em cada uma das letras. Também foi utilizada a versão impressa da Nobiliarquia Paulistana Histórica e Genealógica de Pedro Taques de Almeida Paes Leme. Os grifos constantes das citações são nossos.





2 Origem anotada a lápis pelo funcionário do Arquivo.

3 Indicação da origem registrada no canto superior esquerdo da página com punho, tinta e grafia distintas da carta: [Conceiçaõ] por [ConCeiCam]

4 Sugestão do paleógrafo do AHESP para este vocábulo rasurado.

5 Indicação da origem registrada no canto superior esquerdo da página com punho, tinta e grafia distintas da carta.

6 Sugestão do paleógrafo para o trecho manchado

7 Desfecho da carta parece ter sido escrito e assinado por outro punho, [verificar].

8 Indicação da origem registrada no canto superior esquerdo da página com punho, tinta e grafia distintas da carta.

9 Sugestão do paleógrafo para a inicial que está registrada na primeira linha.

10 Optamos por não registrar alguns vocábulos que aparecem sublinhados no texto desta forma. Suspeitamos que sejam intervenções do paleógrafo do AHESP em função, talvez, da grafia pouco usual para estas palavras. No manuscrito há a indicação [Copiado BM] escrita com lápis de cor preta igual à cor da tinta usada pelo autor da carta.

11 O paleógrafo do AHESP sugere a palavra [atual] para este vocábulo, mas não reconhecemos a letra [l] final, e sim a letra [s]. Além disso, o [A] inicial é está em letra maiúscula, o que dá margem a interpretar o vocábulo como sendo um nome próprio.

12 O autor repete o vocábulos [as].

13 O paleógrafo sugeriu [emCaos] mas a letra [t] foi grafada da mesma forma em outros vocábulos.

14 O paleógrafo sugeriu [subornarão], mas reconhecemos a letre [t] com a mesma grafia de outros vocábulos.

15 Registrado no canto inferior esquerdo da página ao lado do corpo da carta.

16 A abreviação [Respondido] está registrada no canto superior esquerdo da página e tinta de cor distinta da letra da carta.

17 Sugestão do paleógrafo para a inicial que está registrada na primeira linha.

18 Sugestão do paleógrafo do AHESP.

19 Endereçamento escrito no canto inferior esquerdo da página, abaixo do corpo da carta e da assinatura.

20 Registrado no canto inferior esquerdo à margem do texto.

21 Indicação da origem registrada no canto superior esquerdo da página com punho, tinta e grafia distintas da carta.

22 Sugestão do paleógrafo para a letra inicial que aparece na primeira linha da carta.

23 Sugestão do paleógrafo para o vocábulo que pode também ser lido como [ca].

24 Sugestão do paleógrafo do AHESP.

25 Endereçamento registrado no canto inferior esquerdo abaixo do corpo da carta, ao lado da assinatura.

26 O termo [bizonho] denuncia um autor talvez de origem italiana.

27 Endereçamento escrito no canto inferior esquerdo da página, abaixo do corpo da carta, ao lado da assinatura.

28 Vocábulo registrado por outro punho e tinta diferentes da carta, pode ser lido também como [Respondida].

29 A palavra [thio] aparece sublinhada a lápis, talvez por algum pesquisador.

30 A palavra [thio] aparece novamente sublinhada a lápis.

31 Endereçamento escrito no canto inferior esquerdo da página, ao lado do corpo da carta.

32 Anotação feita por outro punho com tinta distinta da encontrada na carta.

33 Sugestão do paleógrafo para a letra inicial registrada na primeira linha da carta.

34 Sugestão do paleógrafo.

35 A palavra [Sindico] está sublinhada a lápis, talvez por algum pesquisador.

36 Endereçamento anotado no canto inferior esquerdo da página, à margem do texto. Também pode ser lido como [ExCelentiSSimo Governador general]

37 A referência à aldeia de Nossa Senhora de Escada leva a crer que esta carta seja da mesma região. Além disso, encontramos em André João Antonil (1649-1716) em seu livro “Cultura e Opulência do Brasil” a seguinte referência ao caminho velho dos paulistas: “Gastam da dita aldeia até a vila de Mogi, dois dias. De Mogi vão as Laranjeiras, caminhando, quatro ou cinco dias até o jantar. Das Laranjeiras até a vila de Jacareí, um dia até as três horas” (ANTONIL, 1982) [grifo nosso].

38 Talvez [contante] por [constante] como registra o paleógrafo do AHESP.

39 Segue no verso da folha o que talvez seja o rascunho da resposta escrita por Frei Angelo da Encarnação, dados o punho e a tinta distintos daqueles da primeira página dessa folha.

40 O paleógrafo do AHESP sugere uma ordenação distinta dos dois trechos constantes do verso da folha. No entanto, a julgar pela posição do endereçamento feito ao capitão, deve seguir-lhe o trecho que aparece com o mesmo alinhamento e direção. Além disso, a coesão estabelecida entre o final da primeira parte do texto e o início da segunda parte permite essa leitura: “he penozo naõter coque comprar muitas vezes oneSseçario para lhes dizer miSsa”. Acrescente-se a isso o desfecho e assinatura da parte final do texto: “Deus avossaexcelencia guarde. Amante, servo devossaexcelencia Frei Angelo da EnCarnaçaõ”. Por estes três motivos, optamos por outra ordenação desses trechos.

41 A sugestão do paleógrafo do AHESP para esta rasura é a palavra [he], mas a altura da mancha não deixa entrever o laço da letra [h].

42 Sugestão do paleógrafo do AHESP.

43 A sugestão do paleógrafo do AHESP para esta rasura é a palavra [me].

44 O autor da carta parece registrar a letra [z] como [g]

45 idem.

46 Em algumas palavras o sinal de nasalização da conjugação da 3.a pessoa do plural aparece no texto sob forma de um apóstrofe.

47 Antece o nome do destinatário uma letra que pode ser lida como [S] ou [&], optamos pelo desdobramento em [Senhor] uma vez que o paleógrafo sugere a leitura como [Excellentissimo] para o sinal que aparece na primeira linha das cartas até aqui transcritas.

48 Sugestão do paleógrafo do AHESP.

49 O trecho está dilecerado no origianl. Este vocábulo é uma sugestão do paleógrafo do AHESP. Talvez a transcrição tenha sido feita a partir de outra cópia do documento.

50 Sugestão do paleógrafo do AHESP.

51 Sugestão do paleógrafo do AHESP.

52 Segue um despacho transcrito pelo arquivo do estado no Boletim n.º 5/1945, p. 162.

53 Sugestão do paleógrafo.

54 No manuscrito aparece grafado da seguinte forma [&r.a].

55 Endereçamento no verso da carta.

56 Este [d] aparece jambado ao final do verbo. Suspeitamos que sua ocorrência se dê em consequência da escolha do pronome de tratamento de respeito [Vossamerce], como ocorre em outro verbo mais abaixo. Também pode ser lido como uma palavra acentuada [dê].

57 Sugestão do paleógrafo.

58 O [s] final da palavra aparece jambado e pode também ser lido como [z]. Optamos por registrar como [s] pela variação do uso de palavras jambadas.

59 Também pode ser lido como uma palavra acentuada [dê].

60 No manuscrito está grafado assim [&r.a]

61 Endereçamento no verso da carta.

62 [dija] por [diga]

63 No original: [&r.a].

64 Esta nota do escrivão está escrita à margem esquerda inferior do documento e tem outro punho. Foi assinada por outro autor.

65 Cinco assinaturas diferentes.

66 Nesta página do manuscritos encontram-se grafadas em dobro letras [tt] e [ff]. Optamos por transcrever apenas umas das letras, uma vez que o recurso parece ser uma escolha estética de grafia das mesmas letras. Da mesma forma, optamos por registrar sempre como [s], as variações gráficas que poderiam ser lidas como [z], uma vez que o escrevente não aumenta essa letra como o fez quando quis registrar um [Z], como em [pReZente].

67 Além desta, seguem-se outras quatro assinaturas diferentes.

68 Neste documento, a nasalização final das palavras é marcada por uma espécie de apóstrofe, ou seguido ou sobre as letras [o], [a], [u] e [s]. Optamos por grafar este sinal com um til sobre as letras [a] e [o], como em [naõ], [tençaõ], [mediceraõ], [alguã] etc. Mantivemos a grafia do apóstrofe posposto às letra [u’] e [s’], por ausência destes grafemas nos editores de texto.

69 Como não há muita uniformidade na caligrafia de cada letra neste documento, algumas letras se assemelham. A primeira letra desta palavra pode ser lida como um “p” ou um “q”. Desta forma, pode-se ter as seguintes leituras: “pusesse” e “quesesse”.

70 Também pode ser lido como [apertava].

71 Talvez uma letra

72 A jambagem da letra ‘g’ (alguâ) na linha superior impede a leitura de aproximadamente 3 letras desta palavra.

73 O autor fez a correção de [pis] para [pos].

74 gibão = antiga vestidura, que cobria o corpo dos homens desde o pescoço à cintura; espécie de colete; veste de couro usada pelos vaqueiros nordestinos para se protegerem contra os espinhos das caatingas. (Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa, 1980, Mirador Internacional)

75 Pode também ser lido como [fiz] como sugere o paleógrafo.

76 O paleógrafo sugeriu a letra [i] para a reconstituir o trecho dilacerado.

77 No original está grafado assim: [&r.a].

78 Este documento deve ser do final do séc. XVIII ou início do séc. XIX, pois o mesmo autor escreveu uma carta da Aldeia de Escada em 4 de setembro de 1803. Esta carta deve suceder a visita do Gen. José Arouche de Toledo Rendon em 1798, pois refere-se às ordens emitidas pelo mesmo general naquela altura (apud RENDON:1978:37-75) e além disso, cita no corpo da carta o ano de 1804.

79 O [e] final desta palavra está jambado, o que induz a uma leitura errônea como [compreender].

80 As imagens 0054 e 0055 correspondem ao mesmo documento.

81 O paleógrafo sugere [Casis], no entando, não há registro desta palavra em dicionários e, pelo contexto, pareceu-nos mais provável a opção por esta versão plural de [pagem].

82 Esta abreviatura “S.” - se de fato a letra corresponde a um ‘s’ - pode significar “seu”, “senhor”, “servo” ou ainda “sargento”. Talvez ainda possa ser lida como um [T.], por [Tenente].

83 Trecho escrito por outra pessoa, pois a caligrafia e a tinta são dstintas das da carta em si.

84 A rasura indica que o autor quis escrever [reconheço]

85 Trecho escrito por outra pessoa, pois a caligrafia e a tinta são dstintas das da carta em si.

86 O autor corrige a grafia da data.

87 A origem do documento está registrada a lápis no manuscrito, feita talvez por um funcionário do Arquivo.

88 Esta abreviatura também pode ser lida como [Senhor], como é a sugestão do paleógrafo.

89 Este trecho borrado permite a leitura de [MBoy], que é a origem do documento.

90 Ver referência ao local no conteúdo da carta.

91 No original, esta parte apresenta caligrafia e tinta diferentes do restante do documento. Mantive a disposição do texto tal como no original. Este despacho está associado às constantes críticas efetuadas por José Arouche de Toledo Rendon (apud RENDON, 1978:35-75) acerca da escridão dos índios.

92 Sugestão do paleógrafo.

93 Adotamos esta opção em concordância com a sugestão do paleógrafo [salário].

94 Talvez [Crapocouva] por [Carapicuiba].

95 Talvez [Ireja] por [Igreja], a jambagem do [I] permite este leitura.

96 Este termo também permite a leitura [confere].

97 O paleógrafo sugere a leitura [A Jozé Joaquim Mariano], mas acreditamos que esta carta foi escrita pelo próprio. O mesmo era coronel.

98 Estas duas últimas linhas encontram-se no pé da página do original.

99 Sugestão do paleógrafo para a palavra que também pode ser lida como [as gumas]

100 A abreviatura pode ser lida “Serv.a” (=serventia) ou “Serv.o” (=servido).

101 Estas duas linhas aparecem no canto inferior direito da página. Como não aparece o sobrenome [Rendon], pode crer-se que seja esta carta dirigida ao mesmo José Arouche. Por outro lado, como é originária de São Paulo, pode ser dele mesmo a carta. Observe-se o diálogo desta carta com a carta [26] de 17.03.1801 enviada por Joaquim Mariano da Costa Amaral Gurgel.

102 A letra [y] aparece sempre acentuada com trema neste documento.

103 a letra “r” não aparece no manuscrito pois o escritor usou o papel até a margem direita do papel. Por isso, suponho que ele intencionou escrever “conseguir” mas estava já no fim da linha, encostando na margem do papel.

104 Estas duas linhas situam-se ao pé da folha (original). O sobrenome abrevia [Alz] ou [Abr] e pode ser desdobrado em [Alvarez] ou [Ambrosio]. Ainda não foi idenficado o autor desta carta.






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