Memorial do convento



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Encontro01.08.2017
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MEMORIAL DO CONVENTO

Romance histórico, social e de espaço que articula o plano da história com o plano do fantástico e da ficção.


O título sugere memórias de um passado delimitado pela construção do convento de Mafra e memórias do que de grandioso e trágico tem o símbolo do país.

Intriga  Blimunda imprime à ação uma dinâmica com espiritualidade, ternura e amor.


A relação entre Baltasar e Blimunda transgride todos os códigos.
Narrador + Personagens  análise crítica

Contextualização: D.João V é aclamado rei em 1707, durante a Guerra da Sucessão de Espanha. A obra passa-se no Reinado de D. João V, séc. XVIII, época de luxo e grandeza. D. João V é influenciado pelos diplomatas, intelectuais e estrangeirados. Constrói o convento em Mafra por querer ultrapassar a grandeza do escorial de Madrid e para celebrar o nascimento do seu primeiro filho ( a princesa Maria Bárbara). A Inquisição ocupa-se com a ordem religiosa e moral e as suas vítimas são: cristãos-novos, judeus, hereges, feiticeiros, intelectuais.

Memorial do Convento  narrativa histórica (30 anos da história portuguesa) entrelaçando acontecimentos e personagens verídicos com seres fictícios.

Como ROMANCE HISTÓRICO, oferece-nos: uma minuciosa descrição da sociedade portuguesa da época, a sumptuosidade da corte, a exploração dos operários, referências à Guerra da Sucessão, autos de fé, construção do convento, construção da passarola pelo Padre Bartolomeu de Gusmão.
Como ROMANCE SOCIAL, é crónica de costumes.
Como ROMANCE DE INTERVENÇÃO, pois apresenta-nos a história repressiva portuguesa.

Saramago propõe um repensar da história portuguesa, através da ficção e com a sua palavra reveladora  mensagem ética.


2 linhas condutoras da ação: construção do convento de Mafra e relação entre Baltasar e Blimunda.

AÇÃO PRINCIPAL  Construção do convento de Mafra: reinvenção da história pela ficção; entrelaçamento de dados históricos com a promessa de D. João V e o sofrimento do povo que trabalhou no convento; situação económica do País; autos de fé; construção da passarola.

ESPAÇOS PRIVILEGIADOS: Lisboa  Terreiro do Paço, S. Sebastião da Pedreira, Rossio; Mafra  Pero Pinheiro, Vela, Torres Vedras, Monte Junto.
OUTROS ESPAÇOS: Jerez de los Caballeros, Montemor, Évora, Elvas, Coimbra, Holanda, Áustria.
Lisboa  cidade que contém em si ricos e pobres

Alentejo  permite conhecer a miséria que o povo passava

Mafra  deu trabalho a muita gente, mas socialmente, destruiu famílias e criou marginalização

TEMPO: as referências temporais são escassas, ou apresentam-se por dedução. As analepses são pouco significativas. A data de 1711, tempo cronológico do início da ação, não surge explícita na obra, mas facilmente se deduz.

NARRAÇÃO: Saramago rejeita a omnipotência do narrador, voz crítica. A voz narrativa controla a ação, as motivações e pensamentos das personagens, mas faz também as suas reflexões e juízos de valor. Os discursos facilmente passam da história à ficção. (Segundo Sartre, estamos perante um narrador privilegiado, com poder de ubiquidade (está dentro da consciência de cada personagem, mas também sabe o antes e o depois)).

CARGA SIMBÓLICA: sugere as memórias evocativas do passado e, além disso, remete para o mítico e misterioso  ao lado da história da construção do convento, surge o fantástico erudito e popular.

MEMORIAL (memórias de uma época – construção do convento, inquisição, passarola, ...) do CONVENTO (construção do convento de Mafra)



PERSONAGENS:
D. João VRei de Portugal, rico e poderoso, preocupado com a falta de descendentes, promete levantar convento em Mafra se tiver filhos da rainha
Baltasar Sete-Sóis – maneta, chega a Lx como pedinte, conhece Blimunda, ajuda na construção da passarola, morre num auto de fé
Blimunda Sete-Luas – capacidades de vidente, vê entranhas e vontades, ajuda na construção da passarola, partilha a sua vida com Baltasar, o seu poder permite curar ou criar. Saramago consegue dotá-la de forças latentes e extraordinárias, que permitem ao povo a sobrevivência, mesmo quando as forças da repressão atingem requintes de sadismo.
Padre Bartolomeu de Gusmão – evita a Inquisição devido à amizade com o Rei, apoiado por Baltasar, Blimunda e Scarlatti, morre em Toledo.
O Povoconstruiu o convento em Mafra, à custa de muitos sacrifícios e até mesmo algumas mortes. Definido pelo seu trabalho e miséria física e moral, surge como o verdadeiro obreiro da realização do sonho de D. João V.

CRITICA: ironia e sarcasmo à opulência do rei e alguns nobres, ao adultério e corrupção, à Inquisição.



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