Megatendencias



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MEGATENDÊNCIAS
Síntese de Megatrends - John Naisbit

New York, Warner Books Inc., 1982
Em 1982, o futurólogo John Naisbit publicou Megatrends. Um livro que fala das tendências para os anos vindouros. Este livro se tornou um bestseller, e uma fonte obrigatória para se conhecer os novos rumos para o mundo nos próximos 20 anos. Uma das teses de Naisbitt é a de que a melhor maneira de antecipar o futuro é entendendo o presente. Ele descreve o que considera as dez maiores transformações que surgiriam em nossa sociedade. Eis a síntese de seu pensamento.


  1. De uma sociedade Industrial para uma sociedade de informação – A era industrial está no fim. Em 1956, pela primeira vez, os trabalhadores White collar que são ligados ao gerencialmente, área mais filosófica e técnica, superaram os trabalhadores blue collar na história. Desde então, a maioria tem trabalhado com informação, mais do que em produzir bens.

O sociólogo Daniel Bell cunhou a expressão era pós-industrial. A maioria dos trabalhadores atualmente está engajada na criação, processamento e distribuição de informações. Em 1950, apenas 17% dos trabalhadores no Japão estavam em áreas de informação. Atualmente, 65% trabalham como programadores, secretários, contabilidade, gerência, seguro, burocracia, advocacia e área técnica. A maioria dos americanos gasta seu tempo criando, processando ou distribuindo informações. Em Maio de 1983, apenas 12% da força de trabalho americana estava envolvida em trabalhos relacionados ao manufaturamento.


Já em 1979, a ocupação número 1 da América era de secretaria, que substituiu o trabalhador, que por sua vez substituíra o trabalhador da zona rural. Analisar estas profissões, segundo ele é analisar a própria história da América:
Fazendeiro---Trabalhador---Secretaria.
No inicio do séc. XX, os fazendeiros eram cerca de 30%, hoje são 3%. Mais pessoas trabalham tempo integral nas universidades atualmente que nas fazendas.
O segundo maior grupo é de trabalhadores especializados, onde o conhecimento é um ingrediente fundamental – advogados, engenheiros, programadores, analistas, médicos, arquitetos, bibliotecários, enfermeiros, etc. Mesmo trabalhadores técnicos precisam hoje de grande quantidade de informações.
A Intel Corp., fundada por Roberto Noyce & Gordn Morre tinha em 1968, 2.5 milhões de capital, em 1982 seu capital de giro era em 900 milhões. O brain power: conhecimento e tecnologia é que foram importantes para a expansão tão significativa desta empresa..
O recurso estratégico e a informação, pesquisa e educação (brain intensive industry). fizeram os USA explodirem. O novo recurso não é o dinheiro na mão de poucos, mas informação nas mãos de muitos. Conhecimento pode ser criado e destruído – é sinergético (o todo é maior que a soma das partes).
Um exemplo simples para nossa realidade é a explosão da agricultura do Brasil (tecnologia), que só começou a surgir em torno do ano 2000. Mas o que fez a diferença em produtividade e competição foi a tecnologia.
Naisbitt sugere que temos que criar uma teoria do valor do conhecimento, para repor a teoria marxista do valor do trabalho. O que se vende hoje é know-how, habilidade administrativa e informação. Edward Denílson (US Dpto of commerce) diz que este foi o fator que mais contribuiu para o crescimento da economia americana de 1948-1973. Dois terços vieram do aumento da educação e pesquisa.
Hoje não se vendem manufaturados, mas idéias (e são caras).
Cerca de 7000 artigos são escritos diariamente, informações técnicas e cientificas aumentam 13% ao ano, e dobram 5.5 anos e meio, podendo aumentar em 40% por causa dos novos sistemas de comunicação. Indústria de biologia, biotecnologia, robótica e novas energias serão o novo boom mundial.


  1. Da sociedade do Poder para a sociedade High tech-high touch

High tech (tecnologia), que precisa contrabalançar com High touch (interação humana) é a grande exigência do momento. A alienação que a Era Industrial gerou nos seres humanos agora é vista com mais prudência. Existe uma tendência de valorizar o valor pessoal para compensar a natureza impessoal da tecnologia.
O resultado:

  • Novo movimento de auto-ajuda e de crescimento pessoal- Fala-se muito do potencial humano de suas possibilidades.




  • Precisamos equilibrar tecnologia e demandas espirituais. Naisbitt afirma que o movimento da terapia de grupo foi introduzido na era da TV, bem como os movimento espiritualistas: Yoga, zen, esoterismo são muito preocupados com bem estar humano.




  • A ordem é humanizar a tecnologia.




  • Bancos tornando-se mais pessoais, apesar das transferências serem eletrônicas, tem sido uma grande chamada para o momento de nossa economia.




  • Naisbitt pergunta por que as pessoas vão continuar indo ao cinema, mesmo com todo o conforto dos sofisticados aparelhos que podem ser trazidos para casa? Sua explicação é que precisamos ver os outros, tocar, trocar olhares, dialogar, etc.

Muitos trabalhos poderiam hoje ser feitos em casa, mas as pessoas ainda querem escritores, querem estar com os outros. TELECONFERÊNCIAS jamais substituirão reuniões pessoais.

Por que a energia nuclear ainda tem sido questionada? Quanto mais tecnologia tivermos mais vamos precisar de toque humano.


  1. Da economia local para uma economia mundial – o autor faz um balanço da supremacia americana até 1970 demonstrando que esta supremacia está acabando. A ordem do momento é "Pense globalmente, aja localmente". A nova onda do momento é a economia global.

O autor chama a atenção para países de 3o mundo. A previsão e que no ano 2000, 30% dos produtos manufaturados saiam do 3o mundo. Destaques:




    • A globalização da indústria automotiva




    • Produção compartilhada: partes de um todo vem de diferentes partes do mundo (eg pg,. 67)




    • Economia global - investimentos globais




    • Para sermos bem sucedidos precisamos conhecer 3 línguas; inglês;espanhol e computador.



  1. Do curto para o longo prazo – A grande questão: em que negócio você está envolvido?

Quando o contexto dos negócios muda, companhias e organizações devem reconceituar seus propósitos à luz de um mundo em transformação. Agora com o fato das coisas mudarem constantemente, precisamos estar reinterpretando rapidamente os novos fenômenos.
Instituições, como pessoas, não gostam de mudanças. Você não pode mudar a menos que você repense o que está fazendo. Poder econômico muda assim como mercados e tecnologia mudam.
A capacidade de prever as mudanças de mercado é muito importante. Dinheiro é informação em movimento.
Por que a energia nuclear é questionada: O que fazer com seu lixo atômico dentro de cem anos...Sua energia responde nossas necessidades apenas no momento.
Duas pistas:

a)- Reconceitue em que tipo de business você se encontra.


b)- Reavalie que tipo de business poderia ser útil para você pensar nele.
A palavra processo precisa ser enfatizada. Naisbitt sugere algumas linhas de ação:
Plano estratégico é sem valor algum, a menos que você primeiramente tenha uma visão estratégica. Uma visão estratégica é uma visão clara do que queremos alcançar. Quando nos organizamos numa direção, passamos a lutar em cada etapa para alcançarmos aquele alvo. A visão estratégica traz a visão magnética para toda organização. Se queremos mudar uma instituição para uma nova direção, as pessoas daquela instituição deverão compartilhar o mesmo sentido. As pessoas precisam ter um senso de que fazem parte daquele projeto ou daquele sonho (ownership).
Muitas companhias e instituições são como dinossauros, esperando o tempo para melhorarem. O tempo não vai mudar. O que precisamos é reconceituar nossas regras. O Conceito de curto prazo para longo prazo transformará a forma como veremos a educação e o trabalho. Esteja certo que as companhias com as quais vocês estarão envolvidos tem uma visão de longo prazo. Habilidades para pensar a longo prazo serão extremamente valiosas.


  1. Da centralização para a descentralização – estruturas centralizadores estão morrendo. Na medida em que isto acontece, a ênfase recai nas diferenças e não nas similaridades. Não existem mais instituições homogêneas. Thomas Jefferson: "Menos governo, melhor".

O estilo de liderança que mantém todas as coisas sob seu domínio tende a desaparecer. O modelo de igreja da universal é interessante: Envolver liderados, dando-lhes senso de que fazem parte de um sonho. A estrutura sacerdotal muito forte pode ser um problema na vida da igreja local.
O que a igreja nacional está fazendo pouco interessa a maioria de nossas igrejas. Soluções locais são resistentes as intervenções federais. Descentralização cria mais centros, isto significa maiores poderes e possibilidade de escolhas para indivíduos. Traz poder para pequenos grupos e criam novos desafios num nível local. O poder político tende a se descentralizar cada vez mais. E isto e um grande facilitador de mudanças sociais.
Um exemplo claro disto é nossa Educação Teológica que tem sido cada vez mais descentralizada. Seminários tem se dividido na esperança de que haja uma Educação mais Regional, que atenda melhor às necessidades de grupos locais.


  1. Da Ajuda institucional para a auto-ajuda - Durante anos, muitas pessoas confiavam nas suas instituições, agora estão mais confiantes na sua própria capacitação e descoberta. Membros de igreja perdem o senso de institucionalismo, optam por serem "Believers but not belongers". Em quem podemos confiar além de nós mesmos? auto ajuda significa grupos comunitários agindo para prevenir crimes, fortalecer a vizinhança, reconstruir casas, sem que isto passe pela assistência governamental.

Pessoas estavam muito interessadas em um emprego federal, hoje em serem donas de seu próprio negócio. Autonomia é a palavra da ordem, Não são as grandes companhias que são responsáveis pela grande quantidade de trabalhadores, mas pequenas companhias familiares.

Auto-ajuda pessoal e comunitária: As pessoas buscam livros, conselhos de grupos, gente com problemas comuns tem se assentado para tentar encontrar solução, não depender do governo. Na saúde, a mesma coisa - quem espera do governo...Os gupos de auto ajuda surgem como uma tentativa de elaboração e de encontro de respostas mais efetivas e ágeis. Mesmo a nível de segurança isto tem acontecido.
Um exemplo simples disto é que não esperamos mais o estado para cuidar dos carros da igreja, dos nossos bens, e de nossas casas.


  1. Da democracia representativa para a democracia participativa – A ética da participação tem se tornado mais presente. As pessoas querem mais poder de falar, de articular. Procom surgiu como uma necessidade nacional, e outros órgãos vão surgir em defesa do consumidor.

Pessoas cujas vidas são afetadas por uma decisão, devem ser parte do processo de chegar ate aquela decisão. A ética participativa é outra necessidade sentida.
No campo Político, observa-se o desejo das pessoas de participarem: Nada de eleições indiretas para presidentes, elas querem escolher seus próprios representantes.
No campo Eclesiástico: Outrora, os presbitérios tinham um poder quase que absoluto. As igrejas eram muitas vezes marginalizadas na escolha de seus pastores. Hoje esta situação é quase impensável.
Mudanças ocorrem na confluência de mudanças de valores e necessidades econômicas. Quando valores pessoas e econômicos são alinhados, mudanças sociais são instituídas. O novo líder é um facilitador, não aquele que ordem.


  1. Da Hierarquia para o Network – (redes de contatos).

Por séculos, a estrutura piramidal era organizada e dava ordens as pessoas: Da igreja Católica ao Exército Romano, General Motors e IBM. Mas um novo estilo de gerenciamento tem sido apresentado, desde a teoria Y até a Z. A economia industrial da América, nos anos 60 caiu em grande problema, e chegou à conclusão que um de seus problemas era o estilo de liderança que estava fora do tom. Numa sociedade de informação, hierarquias rígidas caem muito facilmente.
Uma das razões do crescimento das fábricas japonesas foi a descentralização. Eles criaram grupos descentralizados que recebiam estímulos por produção. Sentiram a necessidade de mais interação na medida em que traziam mais tecnologia para a sociedade. Profissionais mais educados e jovens começaram a ocupar o espaço de trabalho com uma filosofia nova de trabalho. Embora as hierarquias permaneçam, sua eficácia está desaparecendo. A falência delas força pessoas a falarem umas com as outras, e aí se inicia as redes de contacto.
O que é uma rede de contacto? (Network)

De forma simples, são pessoas falando com outras pessoas, compartilhando idéias, informações e recursos. Network é um verbo, não um substantivo. Network não é o alvo final, mas o processo para se atingir alvos.



Network oferece o que a burocracia não pode dar – contactos horizontais. Instituições se parecem com esquemas gráficos, e são impessoais. Apenas números. Network surge quando pessoas estão pensando em mudar a sociedade. Mesmo grandes organizações têm se questionado se elas poderão alcançar seus alvos. Muitos têm descoberto que o método antigo e hierárquico tem perdido o fôlego. O que está envolvido aqui é o estilo de liderança.


  1. Do Norte para o Sul – Este tópico não é muito aplicável à nossa realidade, porque trata da questão americana. Em 1980 pela primeira vez, segundo o Censo daquele país, mais americanos estavam vivendo no Sul e no Oeste, (118 milhões) que no Leste e no Norte (108 milhões). Isto certamente marca uma tendência que tem a ver com a geografia de um país e pode determinar os rumos dos investimentos. Talvez a tendência de nosso país seja do Sul para o Norte, uma tendência inversa. Exemplo disto é o Estado de Goiás, que já tem o 5o. Melhor IDH (Índice de Desenvolvimento Humano do Brasil), e que tem apresentado os maiores índices de crescimento do PIB (Dados de 2004).




  1. Deste ou daquele para as múltiplas opções – O autor aponta para o fato que, após a segunda guerra, o padrão normal da família americana era: os pais vão para o trabalho, as mães mantém as casas. Poucas decisões eram tomadas, o padrão era este/ou aquele. Era uma sociedade homogeneizada com poucas opções de escolha.

O padrão atual é de uma diversidade sem precedentes. Num período de tempo muito pequeno, nossa sociedade fracionou em diferentes valores e sabores. Em 1982 existiam 752 modelos de carros e caminhões vendidos nos Estados Unidos, sem considerar as cores. Em Manhattam existe uma loja chamada bulbs, que tem 2.500 tipos de lâmpadas. Isto reflete o nível de opções de nossa sociedade. Existe uma variedade imensa de escolhas. As escolhas definidas não mais norteiam a forma de ser da família onde surgem novos estilos e situações e penetrando em diferentes e importantes áreas de nossa vida: Religião, Música, comida, entretenimento.


Família: Uma nova definição.

O paradigma da família nuclear foi quebrado, hoje existem modelos familiares de formas e cores diferenciadas. O bloco básico da sociedade esta mudando da família para o individuo. Mais do que nunca as pessoas vivem sós. Solteiros, idosos, divorciados.



  • Famílias com apenas o pai trabalhando – 14%. (43% em 1960)




  • Mulheres contribuirão com 40% do orçamento doméstico (atualmente 25%).




  • Mais de um terço dos casais casados em 1970 divorciaram.




  • Famílias com duas pessoas trabalhando impactam o recrutamento de funcionários, regras de trabalho e produtividade, além de serem mais difíceis de serem relocadas.




  • O cuidado com os filhos também – quem deve cuidar?



Religião: Uma avivamento nacional


Outro ponto que o autor considera é o fato de que as pessoas estão cada vez mais interessadas em questões espirituais. Apesar disto ser um fato constatável, entre as religiões tradicionais, em 1980 apenas os Batistas do Sul estavam crescendo, os demais grupos históricos estavam tendo uma diminuição no número de membros por duas décadas. O novo interesse em religião é a múltipla opção. As igrejas mais restritas crescem, enquanto as mais liberais declinam. Explicação: durante tempos turbulentos, pessoas precisam de estrutura, não de ambigüidade em suas vidas. De algo que possa sustentá-los, não algo para ser objeto de debate. Por esta razão existe uma grande veia que são os movimentos radicais e as religiões nativas e fundamentalistas. Igrejas independentes e movimentos orientais têm ganho espaço. Publicações evangélicas eram em 1982, 1/3 de todos os livros vendidos na América. O autor acredita que esta atração religiosa que ele chama de "avivamento" iria continuar crescendo porque em épocas de transição, as pessoas precisam de estrutura interna para suportá-las.
Alimentação alternativa:

A mesma coisa se dá com comida. É possível encontrar uma dúzia de mostardas, com diferentes gostos, bolachas, batatas fritas, óleo, face, comidas étnicas, etc. Existe também uma diversidade de pães e produtos exóticos nas prateleiras dos supermercados. Os gostos podem ser usados de forma alternativa.


Entretenimento:

TV a cabo. Revistas especializadas Esportes. Muitas de nossas múltiplas escolhas são endereçadas para nossa própria individualidade, temos mais e mais espaços para a expressão individual, em educação, religião, artes, trabalho bem como no mercado.



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