Marshall a original 11



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II – ATAQUE Marshall - A Variante Original 11... Cf6 (ECO C89)



1.e4 e5 2.Cf3 Cc6 3.Bb5 a6 4.Ba4 Cf6 5.0–0 Be7 6.Te1 b5 7.Bb3 0–0 8.c3 d5!?
Este é o lance constitutivo do famoso Ataque Marshall, de autoria do mestre americano Frank JAMES Marshall (1877 – 1944), célebre por seu brilhante jogo combinativo.

Exemplo perfeito e acabado de seu fantástico poder tático é a famosa partida Levitsky – Marshall, Breslau, 1912:


1.e4 e6 2.d4 d5 3.Cc3 c5 4.Cf3 Cc6 5.exd5 exd5 6.Be2 Cf6 7.0–0 Be7 8.Bg5 0–0 9.dxc5 Be6 10.Cd4 Bxc5 11.Cxe6 fxe6 12.Bg4 Dd6 13.Bh3 Tae8 14.Dd2 Bb4 15.Bxf6 Txf6 16.Tad1 Dc5 17.De2 Bxc3! 18.bxc3 Dxc3! 19.Txd5 Cd4! 20.Dh5 Tef8 21.Te5 Th6! 22.Dg5 Txh3 23.Tc5

E nesta posição, seguiu-se o espetacular:


23...Dg3!! [23...Dg3 24.Dxg3 (24.fxg3 Ce2+ 25.Rh1 Txf1#; 24.hxg3 Ce2#) 24...Ce2+ 25.Rh1 Cxg3+] 0–1

Em relação ao Ataque Marshall, para aqueles que apreciam o estudo da História do Xadrez, é recomendado a pesquisa das origens do lance 8...d5!?, ao que dizem mantido em segredo por muitos anos até a célebre partida Capablanca-Marshall, New York, 1918.


A partir daquele momento, o Ataque Marshall, com o correr do tempo, mais e mais tornou-se popular, a ponto de atualmente ser incluída no repertório de muitos jogadores fortes, como Adams, Anand, Sokolov, Leko, Grischuck, Short, Khalifman, e outros.

Linhas Anti-Marshall a partir do oitavo lance das brancas:
Muitos condutores das brancas procuram evitar o Ataque Marshall, adotando linhas de jogo a partir do oitavo lance denominadas pela teoria como Anti-Marshall”. Exemplos dessa opção são lances como 8.a4, 8.d4, 8.d3, 8.a3, etc. A linha mais freqüente é 8.a4, que em algumas variantes também leva a interessantes complicações de ordem tática, o que somente atesta a riqueza de idéias que permeiam o jogo da Ruy Lopez. A seguir, citamos o seguinte exemplo:
Após o lance 8.a4, o condutor das pretas, entre outras continuações dispõe da seguinte linha de jogo:

8...Bb7 9.c3?!
Variante A: 9.Cc3 Cd4!? 10.Cxd4
(10.Ba2 b4 11.Cxd4 exd4 12.Cd5 Cxd5 13.Bxd5 Bxd5 14.exd5 d3! 15.Te3 Bc5 16.Txd3 Te8µ Botvinnik - Bondarevsky SSSR/1941)
10...exd4 11.Cd5 Cxd5 12.Bxd5 Bxd5 13.exd5 d3 14.axb5! Bc5 15.Txa6 Dh4! 16.Tf1 Tab8 17.c3 De4 18.Ta4 Dxd5 19.c4 Df5 20.b4 Bd4 21.Ta3 d5 22.Db3 Tfe8=;
Variante B): 9.d3 d6 10.c3!?
a)10.Bd2 b4 11.c3
(a)11.a5 Tb8!? 12.c3 d5 13.exd5 Cxd5 14.Cxe5 Cxe5 15.Txe5 Bf6 16.Te1 c5 17.Bc4 Dd7 18.h3 Tfe8³)
11...d5!? 12.cxb4
(a)12.exd5?! Cxd5 13.Cxe5 Cxe5 14.Txe5 Bf6 15.Te1 c5 16.Dc2 Dd6 17.Be3 Be5 18.h3 Cxe3 19.fxe3 Bh2+µ)
12...Te8!? 13.Cc3 Cxb4 14.Cxe5 Bd6 15.d4 c5 16.Bg5 cxd4 17.Cg4! Be7! 18.Bxf6 Bxf6 19.e5!? dxc3 20.bxc3 Be7 21.Tb1!? h5 22.Ce3 Bf8 23.cxb4 Txe5 24.Cc2 Txe1+ 25.Dxe1 d4 26.Td1 Dg5 27.g3 Df6 28.Cxd4 Td8µ Geller - Jansa, Budapest 1970;
b)10.Cc3 Ca5! 11.Ba2
(b)11.axb5 Cxb3 12.cxb3 axb5 13.Txa8 Dxa8! 14.Cxb5 Tb8!

(14...d5!?; 14...Da5!? com idéia de 15...Ba6; 16...Tb8)


15.Cc3 Bc8 16.d4 Bg4 17.dxe5 dxe5 18.h3 Bxf3!=)
11...b4 12.Ce2
(b)12.Cb1 Cd7 13.Cbd2 Cb6³)
12...d5!? 13.exd5 b3 14.Bd2!?
(b)14.cxb3 Cxd5 15.Cxe5 Bb4!©)
14...bxa2 15.Bxa5 Dxd5 16.Bd2 e4 17.Cc3 Df5 18.Ch4!? De5 19.Txa2 Bd6 20.g3 De6 21.Ta1 Dh3 22.Cxe4 Cg4 23.Cf3 h6÷ Lukin - Fedorov, Leningrado/1975;

10...Cd7 11.Bc2 Bf6 12.Ca3 Cb6 13.axb5 axb5 14.b4 Ce7 15.Be3 c6 16.d4 Cg6 17.Bb3 exd4! 18.Bxd4 Ca4 19.c4 Cb2! 20.Dc2 bxc4 21.Cxc4 Txa1 22.Txa1 Cxc4 23.Dxc4 c5 24.Bxf6 Hubner - Kuzmin, Leningrado 1973]


9...d5! 10.exd5
[10.axb5 axb5 11.Txa8 Bxa8 12.d3 dxe4 13.dxe4 Dxd1 14.Txd1 Ca5µ]
10...Cxd5 11.axb5
[11.Cxe5 Cxe5 12.Txe5 Cf4µ]
11...axb5 12.Txa8 Bxa8 13.d4
[13.Cxe5 Cxe5 14.Txe5 Cf4µ;
13.Ca3! Bxa3 14.bxa3 Dd6 15.Dc2 h6 16.d4 exd4 17.cxd4 Cf6 18.Dg6 Ce7 19.Dd3 Bxf3 20.Dxf3 Cc6 21.Bf4 Cxd4 22.Bxd6 Cxf3+ 23.gxf3 cxd6 24.Te7 d5 25.Tb7 Ta8³ Korensky - Krogius, 1/2]
13...exd4 14.Cxd4 Cxd4 15.Dxd4 Bd6 16.Cd2 c5³
Outras linhas (como por exemplo 8.d4) também oferecem ricas possibilidades táticas, e são recomendadas ao estudo para aumentar a capacidade combinatória e de cálculo de variantes.
Devido às limitações de tema e espaço desse trabalho, deixaremos aos interessados e estudiosos a tarefa de pesquisa e conhecimento das linhas Anti-Marshall.

Voltando ao Ataque Marshall, a partir do oitavo lance das pretas (diagrama a seguir) a continuação usual das brancas é:

9.exd5 Cxd5 10.Cxe5 Cxe5 11.Txe5


Neste momento, a teoria recomenda um lance que mais tarde (depois da partida com Capablanca), foi introduzida pelo próprio Marshall:
11...c6
Na atualidade, este lance é o mais praticado, havendo enorme quantidade de análises sobre o mesmo.
Por não se constituir no tema central aqui tratado, deixaremos aos interessados e estudiosos a tarefa de pesquisa e conhecimento das linhas a base de 11...c6.
São muito raras outras continuações como 11...Cb6, 11...Cf4 e o interessante 11...Bb7!?, recomendado por Karpov.
Entretanto, o tema de nosso trabalho versa sobre o movimento:
11...Cf6!?

Este foi o lance originalmente jogado por Marshall contra Capablanca, em New York,1918. Mais tarde, foi considerado inferior a 11...c6, quase que exclusivamente jogado em nossos dias.
Contudo, nossa opinião é que o lance 11...Cf6!? não é pior nem melhor que 11...c6, levando também a interessantíssimas complicações táticas, bem ao estilo do Ataque Marshall, como em frente procuraremos demonstrar.
12.d4 Bd6 13.Te1

O Cavalo na Parede: primeira ocorrência:
Em lugar de 13. Te1, também é possível: 13.Te2 Ch5!?.

E aqui já temos o famoso "Cavalo na Parede"!
Geralmente, este é um lance inferior, afastando uma peça que anseia por domínio de casas centrais para ser mais efetiva. Contudo, como em Xadrez tudo é relativo, aqui o lance merece muita atenção por parte das Brancas, pois que, em que pese seu aspecto desagradável, tem seus méritos: aproxima o Cavalo do ataque ao Rei branco, e abre caminho para a Dama e para o peão "f" das pretas, que irão se somar ao cenário de batalha.
O inesquecível GM PAUL KERES (Vierspringerspiel bis Spanish – página 239 – Sportverlag Berlin – 1979) opina que somente dessa forma as pretas alcançam contrachances na partida. Isto porque:
a)- Se 13...Bb7 14.Cd2 Dd7 15.Cf1 e não há compensação pelo peão preto sacrificado.
b)- Se 13...Cg4 14.h3 Dh4 15.Cd2 Bb7 (15...Ch2? 16.Ce4 dá vantagem às brancas) 16.Cf1Cf6 17.a4 g5 , Schmidt – Pfeiffer, Travemünde, 1951, com melhor jogo para as brancas.
Após 13... Ch5!?, o condutor das brancas deve permanecer atento, já que a qualquer lance menos preciso, sucumbe rapidamente sob ataque das pretas.
Parece que a melhor defesa é à base de 14.Dd3!, recomendada por KERES (obra citada – página 240) com plano de jogar o Bispo branco a c2 ou a d5, segundo as circunstâncias, este último com o objetivo de defesa das casas brancas da ala do Rei após o necessário g2-g3, conforme partida Tal – Witkowski, Riga 1959, mostrada em frente.
Um exemplo de como uma defesa menos acurada pode levar rapidamente à derrota, ocorreu na partida Hemar Barata (Clube Bahiano de Xadrez) - Ernesto Pereira (Coritiba Football Club), Campeonato Brasileiro por Equipes, Curitiba, 1988.
Nesta partida, as Brancas, apressando-se em defender a ala do Rei, colocam sua Dama em posição deveras passiva:
Após 13...Ch5!?, seguiu:
14.Df1?! Bb7 15.Be3 Dh4 16.g3?!
Neste ponto, aproveitando o domínio que exercem nas casas brancas, as pretas irrompem contra a posição do Rei branco:
16...Bxg3! 17.fxg3 Cxg3 18.Df2
(18.hxg3 Dxg3+ 19.Tg2 Dxe3+ 20.Df2 Dc1+ 21.Df1 Dxf1+ 22.Rxf1 Bxg2+ 23.Rxg2 Tae8 com boas perspectivas.)
18...Cxe2+ 19.Dxe2 Tae8³ 20.Cd2 Dh3
(Era melhor 20...Te7µ com idéia de Tfe8, com muita pressão sobre a posição branca.)
21.Cf1 Te4 22.Df2 Tg4+ 23.Cg3 h5! 24.Bd1 Tg6 25.Bc2 h4 26.Bf5 Txg3+ 27.Dxg3 Dxf5 28.De5?!
Perde de imediato, mas a posição branca já era insustentável.
(Se 28.Df2 De4 29.Rf1 Te8 30.Te1 Te6–+)
28...Df3 0–1]
(Após a partida, o condutor das brancas argumentou que jogou muito mal, não entendendo como pôde perder para um cavalo na parede! (daí o termo...)

Banco de Dados do ChessBase

Para aqueles que desejarem aprofundar os conhecimentos em relação à linha 13. Te2 Ch5!?, apresentamos a seguir um “merge” de partidas colhidas da Base de Dados do ChessBase (http://www.chesslive.de/).


Como já mencionado, a resposta branca que ocasiona maior dificuldade para as pretas é 14.Dd3.
Em nossa opinião, o modelo de estudo com essa resposta é a partida Tal,M-Witkowski,S/Riga 1959: após os lances 14... Dh4 15.g3 Dh3, o imortal mestre letão continuou com 16.Bd5 Bf5 17.De3 (17.Dd2 Tae8 18.Bg2 Dg4 19.f3 Dg6 20.Ca3 Bd3 21.Te3 Cf4 22.Bf1 Bxf1 23.Rxf1 Dh6 24.Cc2 Dh3+ 25.Rg1 Cd5 26.Txe8 Txe8 27.Df2 Te6 28.Bd2 Tg6 29.Te1 h6 30.Dg2 Df5 31.Ce3 Cxe3 32.Bxe3 De6 33.a3 f5 34.Df2 Df7 35.f4 h5 36.De2 h4 37.Rf2 hxg3+ 38.hxg3 Th6 39.Tg1 Dd5 40.Re1 Da2 41.Rf2 Dd5 ½–½ Paresishvili,G-Federic,P/Bratislava 1993 (41)) 17...Tad8 (17...Tae8 18.Dxe8 Txe8 19.Txe8+ Bf8 20.Bg2 Dg4 21.Te1 Bd7 22.Cd2 Dg6 23.Cf3 f6 24.Be3 Df7 25.d5 g5 26.Cd4 Bd6 27.Ce6 Cg7 28.Bc5 Cxe6 29.dxe6 Bxe6 30.Bxd6 cxd6 31.Tad1 Bxa2 32.Txd6 Rg7 33.Bc6 Df8 34.Td7+ Rh6 35.Be4 f5 36.Bb1 Bg8 37.g4 Rg6 38.Te5 1–0 Zecha,G-Zaiser,P/FRG-5Cup corr 1964 (38)) 18.Bg2 Dg4 19.Cd2 Dg6 20.Cf3 Bg4 21.Dg5 Tde8 22.Dxg6 hxg6 23.Txe8 Txe8 24.Be3 f5 25.Ce5 Bxe5 26.dxe5 f4 27.gxf4 Be6 28.a4 b4 29.cxb4 Tb8 30.b5 axb5 31.a5 1–0 Tal,M-Witkowski,S/Riga 1959.
Contudo, como se conclui pelas partidas apresentadas, mesmo essa forte resposta branca também proporcionou resultados positivos para as pretas.
Analisando-se as estatísticas, verifica-se que, em 29 partidas colhidas do Banco de Dados do ChessBase, as pretas lograram 9 vitórias e 11 empates, com derrotas em 11 jogos. Esses resultados demonstram claramente a viabilidade da variante, já que encontram-se dentro da normalidade estatística atinente ao desempenho das pretas.
Eis aqui o “merge”:
Uhlenbrock,E - Heemsoth,Hermann [C89]

Wilhelm Gregor mem corr5961, 1959



1.e4 e5 2.Cf3 Cc6 3.Bb5 a6 4.Ba4 Cf6 5.0–0 Be7 6.Te1 b5 7.Bb3 0–0 8.c3 d5 9.exd5 Cxd5 10.Cxe5 Cxe5 11.Txe5 Cf6 12.d4 Bd6 13.Te2 Ch5 14.Dd3 [14.Be3 Bb7 a)14...a5 15.a4 bxa4 16.Txa4 Bg4 17.f3 Bd7 18.Ta1 a4 19.Bc4 Rh8 20.Ca3 Ta5 21.De1 Df6 22.Df2 Bf4 23.Tee1 Tg5 24.Bf1 Bc6 25.Cc4 Dh6 26.Bxf4 Cxf4 27.g3 f5 28.Ce5 Be8 29.c4 Rg8 30.Ta3 Bc6 31.Cxc6 Dxc6 32.De3 1–0 Sanakoev,G-Dragunov,V/URS-ch6 sf corr 1960 (32); b)14...Bg4 15.f3 Bf5 16.Cd2 Bd3 17.Te1 Dh4 18.f4 Bc4 19.Cf3 Bxb3 20.axb3 Dg4 21.Ce5 Dxd1 22.Taxd1 a5 23.Bc1 f6 24.Cd3 f5 25.Rf2 Cf6 26.h3 a4 27.bxa4 Txa4 28.Rf3 h6 29.Te2 Taa8 30.g4 fxg4+ 31.hxg4 Cd5 32.Bd2 Tf6 33.Ce5 Cxf4 34.Bxf4 g5 35.Re4 Txf4+ 36.Rd5 Bxe5 37.Txe5 Txg4 38.Rc6 Ta6+ 39.Rxc7 Tf4 40.Tde1 Tf7+ 41.Te7 Ta7+ 42.Rd6 Taxe7 43.Txe7 g4 44.Te8+ Rg7 45.b3 g3 46.Te1 h5 47.Tg1 h4 0–1 Skara,M-Gilde,G/FRG jub40 qg23 corr8687 1986 (47); c)14...Rh8 15.Cd2 (c)15.d5 f5 16.Cd2 f4 17.Bd4 f3 18.Te1 Bxh2+ 19.Rxh2 Dh4+ 20.Rg1 fxg2 21.f3 Cf4 22.Ce4 Ch3+ 23.Rxg2 Cf4+ 24.Rg1 Tf5 25.Dd2 Th5 26.Ted1 Bf5 27.Be5 Ch3+ 28.Rf1 Bxe4 29.Bxg7+ Rxg7 30.Dd4+ Rh6 0–1 Coimbra Paiva,H-Torres,F/corr 1994 (30)) 15...f5 16.Te1 Cf6 17.f3 c6 18.Cf1 Cd5 19.Bf2 Ta7 20.a4 Bb8 21.axb5 axb5 22.Txa7 1–0 Oakes,B-Martin,V/ICCF-Cup8/9 V098 corr 1990 (22); 15.Cd2 Rh8 (15...Dh4 16.Cf1 Tae8 17.f3 Df6 18.Dd3 Bf4 19.Tae1 Te7 20.Bd2 Tfe8 21.Bc2 g6 22.Txe7 Txe7 23.Txe7 Dxe7 24.Bxf4 Cxf4 25.De3 Dd6 ½–½ Krupanszki,K-Freyer,D/EU-ch GT8 corr 1964 (25)) 16.Cf1 f5 17.f3 f4 18.Bf2 Dg5 19.Cd2 Cg3 20.hxg3 fxg3 21.Be3 Dh5 22.Rf1 Bf4 23.Bg1 Bxd2 24.Txd2 Txf3+ 25.gxf3 Bxf3 26.Te2 Tf8 27.Re1 Bxe2 28.Dxe2 Te8 29.Be6 Dh6 30.d5 c6 31.Td1 cxd5 32.Txd5 Dh4 33.Rf1 h6 34.Tf5 Dh3+ 35.Re1 Dh1 36.De3 Dc6 37.Te5 Dd6 38.Te4 Tf8 39.Dc5 Db8 40.Bd7 g2 1–0 Shagalovich,A-Luik,H/Minsk 1957 (40); 14.De1 Bb7 15.Be3 (15.d5 c6 16.f3 cxd5 17.Be3 Df6 18.Cd2 Cf4 19.Bxf4 Dxf4 20.Cf1 d4 21.cxd4 Dxd4+ 22.Rh1 ½–½ Kristjansson,B-Perecz,L/Harrachov 1967 (22)) 15...Cf4 16.Bxf4 Bxf4 17.Cd2 h5 18.Ce4 g6 19.g3 Bh6 20.Cc5 Bd5 21.Bxd5 Dxd5 22.Te7 Dc6 23.De4 Dd6 24.Te1 c6 25.Cd7 Bg5 26.Cxf8 Rxf8 27.Te8+ 1–0 Johansson,A-Peltonen,U/FIN-ch corr 1962 (27); 14.h3 Dh4 15.De1 Bxh3 16.gxh3 Dxh3 17.f4 Bxf4 18.Bd5 Tae8 19.Txe8 Bh2+ 20.Rf2 Dg3+ 0–1 Sidow,B-Zaiser,P/corr 1963 (20); 14.Cd2 Cf4 15.Te3 Dg5 (15...Bb7 16.Cf3 Cxg2 17.Rxg2 Dg5+ 18.Rf1 Dh5 19.d5 Bc8 20.Cg1 Bg4 21.f3 Bh3+ 22.Cxh3 Dxh3+ 23.Re2 Tae8 24.Rd3 Bc5 25.Txe8 Txe8 26.Rc2 Dxh2+ 27.Rb1 Bd6 28.Bc2 Df2 29.a3 Te1 30.Dd3 Dg1 31.Dxh7+ Rf8 32.Dh8+ Re7 33.Dh4+ f6 34.Ra2 Txc1 35.Txc1 Dxc1 36.De4+ Rd8 37.Dh7 Rc8 38.Bf5+ Rb7 39.Dg8 Df1 40.Bc2 Dxf3 41.Dxg7 Dxd5+ 42.Bb3 De5 43.Dg2+ c6 44.Dg8 f5 45.Be6 f4 46.Dc8+ Rb6 47.Bd7 Dd5+ 48.Rb1 f3 49.Bh3 f2 50.Dd8+ Bc7 51.Dxd5 cxd5 52.Rc2 a5 53.Bf1 a4 54.b4 axb3+ 55.Rxb3 Ra5 56.Be2 Be5 57.Bf1 d4 58.cxd4 Bxd4 59.Be2 Bc5 60.Bf1 Rb6 ½–½ Dean,V-Vallangeon,H/APCT corr 1980 (60)) 16.Tg3 De7 17.Rh1 (17.Te3 Dh4 18.Ce4 Cxg2 19.Rxg2 Dxh2+ 20.Rf1 Bf4 21.Df3 Bxe3 22.Bxe3 Bh3+ 23.Re2 Bg2 24.Dg3 Dxg3 25.Cxg3 Rh8 26.f3 Bh3 27.Th1 Bd7 28.Ce4 h6 29.Rf2 Bf5 30.Cc5 Rh7 31.Bd5 Tad8 32.Be4 Bxe4 33.fxe4 Ta8 34.Bf4 c6 35.Cd7 Tfe8 36.Rf3 Te6 37.Th5 f6 38.Cc5 Tee8 39.Th2 g5 40.Bd6 Rg6 41.e5 f5 42.Te2 h5 43.e6 h4 44.e7 Ta7 45.Ce6 g4+ 46.Rf4 Taxe7 47.Bxe7 Txe7 48.Cf8+ Rf6 49.Txe7 Rxe7 50.Cg6+ Rd6 51.Cxh4 c5 52.Cxf5+ Re6 53.dxc5 Rd5 54.b4 a5 55.Ce3+ Re6 56.Cxg4 axb4 57.cxb4 Rd5 58.Cf6+ Rc6 59.Re5 Rb7 60.Rd6 Rb8 61.Rd7 Rb7 62.c6+ Ra7 63.c7 Rb7 64.Cd5 Ra7 65.Rc6 1–0 Cueto Aller,F-Muniz Mendez,R/Asturias 1986 (65)) 17...c5 18.Cf1 c4 19.Bc2 Cd3 20.Txd3 cxd3 21.Dxd3 f5 22.Be3 Dh4 23.Bb3+ Rh8 24.Bd5 Ta7 25.g3 Dh5 26.f4 Bb7 27.Bg2 Bxg2+ 28.Rxg2 Te7 29.Cd2 Tfe8 30.Te1 Dg6 31.Cf3 Bxf4 32.Ch4 Dg4 33.Dxf5 Dxf5 34.Cxf5 Txe3 35.Cxe3 Txe3 36.Txe3 Bxe3 37.b3 Rg8 38.Rf3 Bg5 39.Re4 Rf7 40.Rd5 Bf6 41.Rc6 Re7 42.Rb6 Rd6 43.Rxa6 Rc6 44.a4 bxa4 45.bxa4 h5 46.Ra5 g5 47.Rb4 Bd8 48.Rc4 Bc7 49.Rd3 Rb6 50.Re4 Ra5 51.Rd5 Rxa4 52.Rc5 g4 53.d5 Bxg3 54.hxg3 h4 55.d6 hxg3 56.d7 g2 57.d8D g1D+ 58.Dd4+ Dxd4+ 59.Rxd4 ½–½ Fodor-Heilmann,S/corr 1973 (59); 14.Bd5 Bxh2+ 15.Rxh2 Dxd5 16.Te5 Dd6 17.Rg1 (17.b3 Cf6 18.Ba3 Cg4+ 19.Dxg4 Dxe5+ 20.dxe5 Bxg4 21.Bxf8 Txf8 ½–½ Etchells,F-Beckett,P/ENG-chT corr 1994 (21)) 17...Cf6 18.Df3 Bg4 19.Dg3 Tae8 20.Bf4 Dd7 21.Cd2 Ch5 22.Dh2 Cxf4 23.Dxf4 Txe5 24.Dxe5 Te8 25.Df4 Te2 26.Cb3 h5 27.Cc5 De7 28.Cxa6 g5 29.Dg3 Bc8 30.Cxc7 h4 31.Df3 g4 32.Df4 g3 33.fxg3 h3 34.gxh3 Bb7 35.d5 Dc5+ 36.Rf1 Th2 37.Td1 b4 38.Td4 bxc3 39.Dg5+ Rf8 40.Dd8+ 1–0 Kokkila,T-Norri,J/FIN 1993 (40); 14.Te4 Bf5 15.Bd5 Bxe4 16.Bxa8 Dxa8 17.Dxh5 Bxg2 18.Dg4 Bf3 19.Dh3 Te8 20.Be3 Te6 21.Rf1 De4 22.Re1 Bg2 23.Dh5 Th6 24.Dd1 Txh2 25.Rd2 Bf3 26.Dc2 Txf2+ 0–1 Joao,C-Huettig,M/Ditzingen 2000 (26)] 14...Dh4 [14...Bg4 15.f3 (15.Te1 Df6 a)15...Dd7 16.Be3 Tae8 17.Cd2 Bf5 18.Df1 c5 19.g3 c4 20.Bd1 Bh3 21.De2 Cf6 22.Bc2 Te7 23.a4 Tfe8 24.axb5 axb5 25.Df3 Bg4 26.Dh1 Bb8 27.Ta6 Bf5 28.Bxf5 Dxf5 29.Tb6 Bc7 30.Tb7 Bd6 31.Txe7 Bxe7 32.Bf4 Dd7 33.Bg5 Tc8 34.Bxf6 Bxf6 35.De4 g6 36.Cf3 b4 37.Ce5 Bxe5 38.Dxe5 bxc3 39.bxc3 Ta8 40.h4 h5 41.d5 1–0 Osterman,R-Mollekens,J/BEL-JUG corr 1978 (41); b)15...Te8 16.Txe8+ Dxe8 17.Be3 Cf4 18.Bxf4 Bxf4 19.Cd2 c5 20.Bd1 (b)20.dxc5 Bxd2 21.Dxd2 De5 22.h3 1–0 Jirku,J-Absolon,V/CZE-chT 2A corr 1999 (22)) 20...Be6 21.Ce4 cxd4 22.Dxd4 De7 23.Cc5 Bf5 24.Bf3 Te8 25.g3 Bh3 26.Cd3 Bg5 27.Bc6 Td8 28.Te1 Be6 29.De4 g6 30.Ce5 Td2 31.Te2 Bf5 32.Df3 Txe2 33.Dxe2 f6 34.f4 fxe5 0–1 Maensivu,J-Rantanen,Y/FIN-ch I qual corr 1980 (34); 16.Be3 Dh4 17.h3 Bxh3 18.gxh3 Dxh3 19.De4 Bh2+ 20.Rh1 Cf4 21.Cd2 Tae8 22.Df3 Bg3+ 23.Rg1 Txe3 24.Txe3 ½–½ Denman,B-Rumens,D/Hastings 1975 (24)) 15...Bd7 16.g4 (16.Bc2 g6 17.Bh6 Dh4 18.g3 (18.h3 Tfe8 19.Cd2 Bf4 20.Bxf4 Cxf4 21.Txe8+ Txe8 22.Df1 Ce2+ 23.Rh2 Df4+ 24.g3 Dxg3+ 25.Rh1 Bxh3 0–1 Sigrist,R-Uhlig,A/CServe email 1996 (25)) 18...Cxg3 19.hxg3 Dxh6 20.f4 Tae8 21.Th2 Te1+ 0–1 Pagnutti-Fossati/corr 1987 (21)) 16...Cf4 17.Bxf4 Bxf4 18.Cd2 Dh4 19.Cf1 h5 20.Dg6 hxg4 21.fxg4 Dxg4+ 22.Dxg4 Bxg4 23.Te4 g5 24.Cg3 Bf3 25.Tee1 Tae8 26.Rf2 Bb7 27.h3 Bxg3+ 28.Rxg3 Rg7 29.h4 gxh4+ 30.Rxh4 f5 31.Rg5 Be4 32.a4 Te7 33.axb5 axb5 34.Ta7 Tf6 35.Ta8 Tg6+ 36.Rh4 Tg4+ 37.Rh5 Rh7 38.Ta6 Tg3 39.Te6 Txe6 40.Bxe6 Rg7 41.Bd7 c6 42.Rh4 Tg2 43.Ta1 f4 44.Tf1 Th2+ 45.Rg5 f3 46.Rf4 Bd5 47.Bg4 Txb2 ½–½ Statsenko-Sarsenbekov,T/URS-ch07 corr6566 1965 (47); 14...Df6 15.Bd5 Cf4 (15...Bf5 16.Be4 Bxe4 17.Dxe4 c5 18.Be3 Tae8 19.Dc2 Cf4 20.Te1 cxd4 21.cxd4 Dh4 22.g3 Dh3 23.f3 Te6 24.Cc3 Tfe8 25.Ce4 Dh5 26.gxf4 Tg6+ 27.Cg3 Dxf3 28.Df2 Dd5 29.Dg2 Dc4 30.Df3 h5 31.Rh1 h4 32.Cf5 Bb4 33.Tg1 Dd3 34.Tg5 Bd2 35.Td1 Txg5 36.fxg5 Txe3 37.Cxe3 Dxe3 38.Dxe3 Bxe3 39.d5 Bxg5 40.d6 1–0 Vidale,O-Balletti/ITA corr 1969 (40)) 16.Bxf4 Dxf4 17.g3 Dc1+ 18.Rg2 Dh6 19.Cd2 Tb8 20.Rg1 Rh8 21.Tae1 Bd7 22.Bg2 f5 23.f4 c5 24.Cf3 cxd4 25.Dxd4 Tbc8 26.Rh1 Tc4 27.Dd2 Te4 28.Txe4 fxe4 29.Cg5 Bg4 30.Txe4 Dg6 31.Te1 Bb8 32.Be4 Dh5 33.Bg2 h6 34.Ce4 Ba7 35.Cf2 Bc8 36.De2 Dxe2 37.Txe2 g5 38.Cd3 Td8 39.h3 Txd3 40.Te8+ Rg7 41.Te7+ Rf6 42.Txa7 Txg3 43.fxg5+ Rxg5 44.Rh2 Td3 45.Ta8 Bf5 46.Txa6 Td2 47.Rg3 Td3+ 48.Rh2 Td2 ½–½ Gaprindashvili,N-Westerinen,H/Beverwijk 1966 (48); 14...Bf4 15.Te1 Bxc1 16.Txc1 Cf4 17.Df3 Dg5 18.Te1 Bg4 19.De3 Bd7 20.Df3 Tae8 21.Txe8 Txe8 22.Ca3 Bg4 23.h4 Bxf3 24.hxg5 Bxg2 25.c4 Bc6 26.d5 bxc4 27.Bxc4 Bxd5 28.Bxa6 Tb8 29.b3 Ta8 30.Te1 g6 31.Cb5 Txa6 32.Cxc7 Txa2 33.Te8+ Rg7 34.Te3 Bc6 0–1 Raassina,T-Raty,S/FIN-ch UP7 corr 1974 (34)] 15.g3 Dh3 16.De4 [16.Bd5 Bf5 17.De3 (17.Dd2 Tae8 18.Bg2 Dg4 19.f3 Dg6 20.Ca3 Bd3 21.Te3 Cf4 22.Bf1 Bxf1 23.Rxf1 Dh6 24.Cc2 Dh3+ 25.Rg1 Cd5 26.Txe8 Txe8 27.Df2 Te6 28.Bd2 Tg6 29.Te1 h6 30.Dg2 Df5 31.Ce3 Cxe3 32.Bxe3 De6 33.a3 f5 34.Df2 Df7 35.f4 h5 36.De2 h4 37.Rf2 hxg3+ 38.hxg3 Th6 39.Tg1 Dd5 40.Re1 Da2 41.Rf2 Dd5 ½–½ Paresishvili,G-Federic,P/Bratislava 1993 (41)) 17...Tad8 (17...Tae8 18.Dxe8 Txe8 19.Txe8+ Bf8 20.Bg2 Dg4 21.Te1 Bd7 22.Cd2 Dg6 23.Cf3 f6 24.Be3 Df7 25.d5 g5 26.Cd4 Bd6 27.Ce6 Cg7 28.Bc5 Cxe6 29.dxe6 Bxe6 30.Bxd6 cxd6 31.Tad1 Bxa2 32.Txd6 Rg7 33.Bc6 Df8 34.Td7+ Rh6 35.Be4 f5 36.Bb1 Bg8 37.g4 Rg6 38.Te5 1–0 Zecha,G-Zaiser,P/FRG-5Cup corr 1964 (38)) 18.Bg2 Dg4 19.Cd2 Dg6 20.Cf3 Bg4 21.Dg5 Tde8 22.Dxg6 hxg6 23.Txe8 Txe8 24.Be3 f5 25.Ce5 Bxe5 26.dxe5 f4 27.gxf4 Be6 28.a4 b4 29.cxb4 Tb8 30.b5 axb5 31.a5 1–0 Tal,M-Witkowski,S/Riga 1959 (31)] 16...Bg4 17.Te1 Cf6 18.Dg2 Dh5 19.Cd2 Tae8 20.Te3 Txe3 21.fxe3 Te8 22.Df2 Bf5 23.Cf1 Ce4 24.De1 Cg5 25.Cd2 Be4 26.Bxf7+ Dxf7 27.Df1 Bf5 0–1

Voltando à variante principal (com 13 Te1):


13...Cg4 14.h3
Aqui, 14.g3 falha, pela continuação 14...Ch2! 15.Rh2 Dh4+, seguindo-se novo sacrifício de bispo em g3.
Neste ponto, a teoria recomenda 14... Dh4. Todavia, em que pese o fato de as pretas alcançarem, em muitas variantes, resultados satisfatórios, a teoria atual pende para o lado das brancas. Essa linha, que vem sendo jogada desde os tempos de F.J.Marshall, está analisada “a la muerte”, e muito embora as conclusões não sejam favoráveis às pretas, devem ser estudadas por aqueles que desejarem conhecer os temas combinatórios inerentes às posições e variantes aqui referidas.
Entretanto, dentro do espírito do tema que estamos tratando, na partida Eslon - Barczay, Kecskemet 1983, as pretas jogaram o surpreendente lance:
14...Bh2+!?.
E após o lance forçado
15.Rf1
sobreveio um outro lance mais inesperado ainda:
15...Cxf2!?

Em presença das concretas ameaças das pretas (por exemplo, 16... Df6 ou 16... Ch3), as brancas dispõem de duas fortes respostas:





  1. Primeira Variante:


16.Rxf2 Dh4+ 17.Rf1 Bxh3 18.Df3
[18.gxh3? Perde, pela continuação 18...Dxh3+ 19.Re2
(19.Rf2 Bg3+ 20.Re2 Tae8+ 21.Be3 Txe3+ 22.Rd2 Txe1 23.Dxe1 Bxe1+ 24.Rxe1 Te8+ 25.Rd2 Dg2+ 26.Rd1 Te2–+)
19...Tae8+ 20.Rd2 Dg2+ 21.De2 Txe2+ 22.Txe2 Df3–+]
18...Bg4 19.Te4!
É a única defesa plausível. Todas as demais são perdedoras:
a)19.De3 Tae8!–+;

b)19.Df2 Bg3 20.Bg5 Dh1+ 21.Dg1 Tae8 22.Cd2 Dxg1+ 23.Rxg1 Bxe1–+]

c)19.Bg5 Dxg5 20.Df2 Bf5 21.g4 Bd3+ 22.Rg2 Bd6 23.Df3 Bg6 24.Bd5 Tae8 25.Ca3 Dh6–+;
19...Tae8!
Também se constitui na única alternativa que permite manter as esperanças das pretas. Lances menos enérgicos são perdedores, porque possibilitam às brancas desenvolverem peças para rapidamente virem em socorro de seu Rei, conforme demonstrado a seguir:
Se 19...h5 20.Cd2 Bg3 21.De3 Tae8 22.Cf3 Dh1+ 23.Cg1 Te6 24.Dxg3 Txe4 25.Bf4±
20.Dxg4 Txe4 21.Dxh4 Txh4²

No meu entendimento, esta é a posição crítica dessa variante. As brancas estão em leve vantagem, entretanto é difícil convertê-la em algo mais concreto. É que, além da posição exposta do Rei, as brancas ainda tem problemas para desenvolver as peças da ala da Dama, sendo freqüente aqui o tema da cravada mediante invasão da primeira fila pelas torres pretas. Essa manobra, combinada com o avanço coordenado dos peões pretos da ala do Rei, constituem-se em alternativas viáveis para a tentativa de neutralizar a vantagem branca.




B – Segunda Variante:
16.Df3 Ch1!
E aqui temos, mais uma vez, o tema do "Cavalo na Parede"! Mais precisamente, "Cavalo no Canto", o que geralmente se constitui em lance ainda mais débil. Mais uma vez, contudo, aqui esse lance é correto, pois que, ao contrário do que aparenta, o Cavalo contribui ativamente para o ataque à posição do Rei Branco. Isso pode parecer contraditório, pois que duas das peças menores das pretas estão "amontoadas" no canto do tabuleiro, sujeitas a serem capturadas a qualquer instante. Ocorre que é justamente em decorrência dessa situação que, aliada à configuração dos peões brancos da ala do Rei, tais peças dominam as casas pretas desse setor, comprometendo a posição do monarca branco. Por seu turno, as brancas também estão com dificuldades de desenvolverem suas peças da ala da Dama, as quais devem o mais pronto possível vir em socorro da realeza.

Outra alternativa interessante e não menos complexa é a que foi jogada na seguinte partida:


Dudukin,Ilya - Trofimov,Vladimir

RUS-ch U18 Rybinsk (9), 02.2001


16...Cxh3!? 17.gxh3 Dh4 18.Te4 Bxh3+ 19.Re2 Dxe4+ 20.Dxe4 Tae8 21.Dxe8 Txe8+ 22.Rf2 h6 23.Cd2 g5 24.Cf3 Bd6 25.Bxg5 hxg5 26.Cxg5 Be6 27.Te1 Be7 28.Tg1 Bxb3 29.axb3 Bxg5 30.Txg5+ Rf8 1/2

Após o lance 16... Ch1!, as Brancas tem como uma das respostas mais fortes o lance:


17.Bf4

Diga-se, en passant, que a torre em a8 não pode ser capturada, conforme demonstrado na seguinte partida:


Kamphuis,Bart - Berkvens,Joost

Hengelo U16 Hengelo (3), 1996


17.Dxa8? Dh4 18.Df3 Cg3+ 19.Rf2 g5 20.Be3 g4 21.Dc6 gxh3 22.Dh6 Ce4+ 23.Re2 Bg4+ 24.Rd3 Dxe1 25.Cd2 Cf2+ 0–1

E é mais arriscada a alternativa:


17.g4 Bb7 18.d5 Dh4 19.Dxh1
(19.Te3 f5 20.Dxh1 (20.d6+?? Rh8–+) 20...fxg4+ 21.Re2 Bd6 mantendo a iniciativa.)
19...Tae8 20.Te2 Txe2 21.Rxe2 Te8+ 22.Rd1 Dxh3 23.Bd2 Dxg4+ 24.Rc1 Te2 25.Dd1 Dg2 26.Bc2 Bxd5 27.Bd3 Te5 28.b3 f5 com chances aproximadamente equivalentes.)
17...Bb7 18.d5 Bxf4 19.Dxf4 g5
É mais fraco:
19...Dd6 20.Dxd6 cxd6 21.g4 Tae8 22.Cd2 a5 23.a3 a4 24.Ba2 f5 25.Rg2 fxg4 26.Rxh1 gxh3 27.Ce4 com vantagem clara.
20.Df3
É mais débil:
20.De5 Te8 21.Dxe8+ Dxe8 22.Txe8+ Txe8³

Esta é a posição crítica da variante B. Embora pareça que o Cavalo preto está perdido, o ganho dessa peça não é tarefa fácil para as Brancas, conforme parece demonstrar a seguinte continuação
20...Dd6 21.Rg1
É inferior:
21.g3 Dxg3 22.Cd2
(Se 22.Dxh1 Tae8 23.Te2 Bc8–+)
22...Dh2 23.Dg2 Cg3+ 24.Rf2 Dxg2+ 25.Rxg2 Ch5
E o Cavalo escapa, e justamente por onde veio (pela "parede"..), com total domínio da casa f4 e ataque ao peão branco em d5.
21...Tae8 22.Cd2 Cg3 23.Rf2 Df4! ²
E o Cavalo Preto logra escapar.
Em nossa opinião, a partida modelo dessa segunda variante principal é a já citada Eslon - Barczay, Kecskemet 1983, cuja continuação foi a seguinte:
Eslon,Jaan - Barczay,Laszlo [C89]

Toth mem Kecskemet, 08.1983

24.Dxf4 gxf4 25.Rf3 Rg7 26.c4 bxc4 27.Bxc4 Cf5 28.Rxf4 Ce7 29.Cf3 Cxd5+ 30.Rg3 Ce3 31.Bb3 Te7 32.Rf2 Tfe8 33.Ba4 c6 34.Cd4 Rf8 35.Bxc6 Bxc6 36.Cxc6 Te4 37.Tac1 T8e6 38.Rg1 Cc4 39.Txe4 Txe4 40.Tc2 Ce5 41.Cxe5 Txe5 42.Rf2 Ta5 43.b3 Re7 44.Re3 Rd6 45.Rd4 Tf5 46.Re4 Tf1 47.Re3 f5 48.Tc4 Te1+ 49.Rf3 a5 50.Ta4 Te5 51.g3 Td5 52.Rf4 Re6 53.Tc4 Td2 54.Ta4 Td5 55.h4 h5 56.a3 1–0
Em que pese o fato de as pretas terem perdido, provavelmente em decorrência do excelente jogo das brancas, entendemos que muito ainda há que ser dito sobre essa posição e as possíveis continuações para melhorar o jogo do lado das pretas.


III - CONCLUSÃO

Por certo, as presentes análises não esgotam o assunto. Inclusive, poderão conter alguns equívocos e imprecisões, trazendo à discussão apenas algumas das infindáveis alternativas da variante 11... Cf6!?. Agradecemos quaisquer críticas ou observações sobre o conteúdo desse trabalho, o que por certo somente virão enriquecer o tema.


Finalmente, para aqueles que se interessarem em colocar em seu repertório de aberturas esta variante original do Ataque Marshall, recomenda-se estudo aprofundado e prática intensiva de suas linhas de ataque e defesa, devidamente complementadas pelas alternativas, não menos importantes, que derivam dos lances que recusam o gambito (linhas Anti-Marshall, tais como 8.a4 ou 8.d4 em lugar de c3). Por certo, tais estudos e práticas em muito contribuirão para o enxadrista desenvolver seus atributos combinatórios, ao mesmo tempo em que terá oportunidade de entender parte importante de uma das mais fantásticas aberturas já criadas – a Abertura Espanhola, ou Ruy Lopez!!
Curitiba, agosto de 2002.




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