Marshall a original 11



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Abertura dos Quatro Cavalos – Variante Halloween



1.e4 e5 2.Cf3 Cc6 3.Cc3 Cf6 4.Cxe5?!


  1. Defesa Escandinava – Variante Portuguesa



1.e4 d5 2.exd5 Cf6 3.d4 Bg4?! 4.f3 Bf5

Evidentemente, os exemplos citados podem ser algo exagerados. Aqui, servem apenas para demonstrar o propósito de serem estudados e praticados como meio de aperfeiçoamento das capacidades combinatória e de cálculo de variantes.


Todavia, apesar de serem consideradas inferiores, essas variantes ocasionam muitas dificuldades ao lado defensor (entenda-se aqui como aquele que tem a vantagem material mas está sob ataque do oponente). Por seu turno, o lado que tem a iniciativa, pelo menos momentânea, terá de realizar seus planos de modo preciso e enérgico para manter de pé seus objetivos de ataque o maior tempo possível. Assim, com esse propósito, vale a pena estudá-las e até praticá-las.

Outras variantes de outras aberturas, mais consistentes, podem ser eleitas com o mesmo propósito aqui delineado, sendo de ocorrência freqüente no xadrez magistral. Exemplos disso, constituem-se a Variante do Peão Envenenado da Siciliana Najdorf e o Gambito Benko, onde mediante entrega de material, um dos lados obtém planos táticos e estratégicos consistentes e duradouros, sendo que a teoria enxadrística ainda não chegou a uma conclusão definitiva sobre a correção da entrega de material, nessas linhas.



Na Abertura Espanhola (Ruy Lopez), considerada uma das opções mais ricas em conteúdo estratégico e tático, três planos de ataque chamam a atenção em relação ao tema aqui tratado.
O primeiro é na Defesa Aberta – Variante Italiana. Após os lances:
1.e4 e5 2.Cf3 Cc6 3.Bb5 a6 4.Ba4 Cf6 5.0–0 Cxe4 6.d4 b5 7.Bb3 d5 8.dxe5 Be6 9.c3 Bc5 10.Cbd2 0–0 11.Bc2
As pretas realizam o sacrifício 11... Cxf2!?

Grandes nomes do xadrez mundial dedicaram-se ao estudo e prática dessa linha de ataque, entre os quais citamos Botvinnik (de pretas, na famosa partida contra Smyslov – Campeonato Soviético, Moscou, 1943), Jusupov, Leko e Ivanchuk.




O segundo também é na Defesa Aberta – Variante Italiana. Após os lances:
1.e4 e5 2.Cf3 Cc6 3.Bb5 a6 4.Ba4 Cf6 5.0–0 Cxe4 6.d4 b5 7.Bb3 d5 8.dxe5 Be6 9.c3 Bc5 10.Cbd2 0–0 11.Bc2 f5 12.Cb3 Ba7 13.Cbd4 Cxd4 14.Cxd4 Bxd4
Se as brancas seguirem agora com o natural 15.cxd4, segue a réplica:
15...f4 16.f3 (evitando f4-f3 das pretas)
E agora: 16...Cg3!?

A origem dessa posição remonta à partida Fleissig – Mackenzie, Torneio de Viena, 1882. Posteriormente, grandes nomes do xadrez soviético, entre os quais citamos Ragozin, Botvinnik, Tal e Estrin, além do Dr. Max Euwe, entre outros, estudaram-na e praticaram-na.


Na magnífica obra do GM DAVID BRONSTEIN (The Chess Struggle in Pratice – Lessons from the famous Zurich Candidates Tournament – 1953 – páginas 165/168 - B. T. Batsford Limited – London – 1980), ao comentar a partida Yuri Averbakh - Laszlo Szabo, o autor fala do duelo teórico e prático travado entre Boleslavsky e Estrin sobre essa linha de jogo. Repetimos aqui suas palavras a respeito:

Após o Torneio de Viena – 1882 (partida Fleissig – Mackenzie), acreditou-se por longo tempo que 16...Cg3 inquestionavelmente favorecia as pretas, já que depois de 17.hxg3 fxg3 não havia como evitar o acesso da Dama preta à casa h2. Uma defesa passiva contra o ataque preto leva rapidamente a ameaças de grandes proporções. Por exemplo: 18.Bd3 Dh4 19.Te1 Dh2 20.Rf1 Bh3 (aqui, a análise falha, porque é melhor 20... Dh1 21.Re2 Dxg2 e mate no próximo lance!).



Então o GM Boleslavsky, analisando a posição, forçou uma reavaliação da mesma. Em suas bem conhecidas partidas contra Botvinnik e Ragozin, ele demonstrou que após a continuação 18.Dd3 Bf5 19.Dxf5 Txf5 20.Bxf5, a incursão da Dama por h4 não oferecia perigo, já que após 21.Bh3 Dxd4 22.Rh1 Dxe5 23.Bd2 uma ação coordenada das peças brancas contra o Rei forçariam a Dama a ir em defesa deste e preveniriam o avanço dos peões pretos.

As pretas então passaram a evitar essa variante, até que o mestre moscovita Y. Estrin, tomando o partido das pretas, propôs que em lugar de 23...Dxb2 (Botvinnik) ou 23...c5 (Ragozin), fosse realizado o imediato avanço do peão d (d5-d4).

Aprofundando suas análises até 30 lances, Estrin venceu algumas bonitas partidas por correspondência, obtendo mais do que ele provavelmente esperava: a variante – camaleão passou a ser evitada tanto por brancas como por pretas.


O terceiro plano, consiste justamente no tema central desse trabalho, qual seja o famoso Ataque Marshall da Defesa Cerrada da Abertura Ruy Lopez, do qual nos ocuparemos na Seção a seguir.



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