Manual de procedimentos básicos em microbiologia



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epidemiologia e fatores de risco


As ITUs podem atingir todas as faixas etárias. A bacteriúria pode variar de 0.1 a 1,9% dos neonatos a termo, alcançando 10% nos prematuros, sendo a incidência maior nos meninos até os três meses de idade e freqüentemente acompanhada de bacteremia. A circuncisão de meninos e a amamentação com leite materno parecem ser fatores ligados ao menor risco de infecção.


A partir dos três meses, as meninas passam a ser mais acometidas e as infecções principalmente nos pré-escolares estão associadas a anormalidades congênitas. Nesta faixa etária, o risco para a menina é de cerca de 4,5% e para o menino de 0,5%. Estas infecções são freqüentemente sintomáticas e acredita-se que os danos renais resultantes das ITUs ocorram durante este período da vida.

Nos escolares a prevalência de bacteriúria é de 1,2% nas meninas e de 0,03% nos menino

s, sendo em geral assintomática. As pacientes do sexo feminino com bacteriúria assintomática apresentam um risco de até 50% desenvolverem infecção sintomática quando iniciam a atividade sexual ou durante a gravidez. Portanto a presença de bacteriúria na infância define a população de risco em relação ao desenvolvimento de ITU na fase adulta.
Na fase adulta até os 65 anos, a ITU em homens é extremamente baixa (menos de 0,1%), freqüentemente associada com anormalidades anatômicas ou doença da próstata como também à instrumentação das vias urinárias. A prevalência de ITU é um pouco maior (1,5%) em homens jovens atendidos em serviços de doenças sexualmente transmissíveis.
Idosos (acima de 65 anos) apresentam prevalência de ITUs com menores diferenças entre os sexos. Nas infecções comunitárias a prevalência atinge 20% nas mulheres e 10% nos homens, enquanto nas infecções hospitalares esta prevalência é de aproximadamente 30%. Os fatores responsáveis pela incidência elevada de ITU nos idosos incluem:


  • doença de base associada

  • doenças ou condições que dificultam o esvaziamento normal da bexiga (ex: cistocele e hipertrofia prostática)

  • instrumentação das vias urinárias

  • manejo da incontinência urinária com cateter vesical

  • diminuição da atividade bactericida da secreção prostática

  • diminuição do glicogênio vaginal e aumento do pH vaginal

Em mulher pós-menopausa as infecções recorrentes, com três ou mais culturas positivas e sintomáticas em um ano, ou 2 dois episódios de ITU em seis meses, tem como fator predisponente a cistocele, incontinência e aumento do volume de urina residual.


Pacientes internados desenvolvem ITUs mais freqüentemente que pacientes comunitários, tendo em vista as condições gerais dos pacientes hospitalizados e a alta probabilidade de instrumentação do trato urinário, que são os maiores contribuintes para esta diferença.
A ocorrência de bacteriúria em pacientes hospitalizados sem cateterismo é estimada em 1%, e o risco de infecção varia de acordo com o sistema de drenagem utilizado, e a duração do cateterismo. No sistema aberto, atualmente em desuso, cerca de 100% dos pacientes apresentarão bacteriúria em 2 a 4 dias a partir da cateterização, no sistema fechado 5 a 10% dos pacientes apresentarão bacteriúria por cada dia de cateterização. A importância da ITU hospitalar está na sua elevada freqüência e principalmente por ser considerada a principal causa de bacteremia por Gram negativos.


sinais e sintomas clínicos

Neonatos e crianças até dois anos de idade com ITU(s) podem ser totalmente assintomáticos ou apresentarem sintomas inespecíficos como: irritabilidade; diminuição da amamentação; menor desenvolvimento pondero-estatural; diarréia e vômitos; febre e apatia, etc. Cerca de 7% dos casos podem estar acompanhados de icterícia e de hepato-esplenomegalia.


Crianças maiores já podem relatar sintomas como: disúria, freqüência e dor abdominal.

No diagnóstico de ITU em crianças menores de dois anos, pode ser feita apenas uma triagem com a urina obtida por coletor, se negativa tem valor diagnóstico de exclusão, mas se positiva, com ou sem leucocitúria, o diagnóstico final depende de coleta por punção supra-púbica ou de urina obtida por sondagem vesical. Em crianças maiores de dois anos com controle esfincteriano, pode-se utilizar a urina de jato médio.


Adultos com ITU baixa, limitada a uretra e bexiga, geralmente apresentam disúria freqüente, urgência miccional e ocasionalmente dor na região particularmente pielonefrite, são freqüentemente acompanhadas pelos mesmos sintomas das infecções baixas, além supra-púbica. As ITUs altas, particularmente pielonefrite, são freqüentemente acompanhadas pelos mesmos sintomas das infecções baixas, além de dor nos flancos e febre. Bacteremia quando presente poderá confirmar um diagnóstico de pielonefrite ou prostatite.

agentes etiológicos das infecções do trato urinário

A flora normal da região periuretral é definida de acordo com a faixa etária e condições do paciente e, raramente, causam ITUs apresentando em geral contagem de colônias menor que 1000 UFC/ml, sendo constituída de: Streptococcus viridans, Corynebacterium spp. (difteróides), Staphylococcus spp. (exceto Staphylococcus aureus e S. saprophyticus), Lactobacillus spp.


Manifestações clínicas e microrganismos freqüentemente associados com os vários tipos de ITUs.


Trato Urinário Alto

Tipo de Infecção

Manifestação clínica

Microrganismo isolado

Diagnóstico e contagem de colônias (UFC/ml)

Pielonefrite

Aguda: febre, náusea, calafrios, vômito, dor no flanco

Crônica: assintomática

Enterobactérias: E. coli e outros grams negativos, Enterococcus e Staphylococcus aureus

≥ 105

Trato Urinário Baixo

Cistite

Disúria e frequência

Escherischia coli e outros grams negativos, S. saprophyticus, Enterococcus


≥ 105

Uretrite

Disúria, frequência, corrimento uretral

Chlamydia Trachomatis (a) Mycoplasma hominis (b) Ureaplasma urealyticum (c) Neisseria gonorrhoeae (d) Trichomonas vaginalis (e) Candida albicans e spp. (f)

Urocultura negativa

a) Diagnóstico por IFD

b) e c) secreção uretral semeada em meios de cultura específicos. Alguns kits permitem contagem de colônias - ≥ 104 ucf/ml

d) cresce em ACH e TM

e) exame direto de jato inicial de urina centrifugada

f) podem crescer em ágar sangue ou CLED






Prostatite

Aguda: febre, calafrios, dor lombar

Crônica: assintomática ou semelhante aos sintomas da aguda

N. gonorrhoeae, E. coli, Proteus spp. e outras enterobactérias

Menos frequente: Enterococcus spp. P. aeruginosa e Chlamydia trachomatis*

Questionável: micoplasmas


Urocultura ou cultura da secreção prostática

≥ 103 ucf/ml

*diagnóstico por IFD


Infecção Hospitalar do Trato Urinário



Cistite

Pielonefrite

Disúria e frequência urinária na presença de SVD pode ser assintomático

Escherischia coli e outras enterobactérias

P. aeruginosa

Acinetobacter spp.,

Enterococos



Candida albicans, C. glabrata e Candida spp.

Staphylococcus coag. Neg


≥ 105




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