Manoel Bomfim, cuja obra é elaborada especialmente na Primeira República (1889-1930) tem a sua inserção nos debates intelectuais da época através de seu diálogo crítico com algumas das principais questões as quais inquietavam a transição do Império à



Baixar 91,84 Kb.
Encontro09.09.2017
Tamanho91,84 Kb.

UMA HERMENÊUTICA DO NACIONAL NA PRIMEIRA REPÚBLICA:


EDUCAÇÃO, REFORMAS SOCIAIS E REVOLUÇÃO NO PENSAMENTO RADICAL DE MANOEL BOMFIM
COSTA, Jean Carlo de Carvalho - CE/PPGE/PPGS/UFPB - jeanccosta@yahoo.com.br1

GALVÍNCIO, Amanda de Sousa - PPGE/UFPB - amanda_galvincio@hotmail.com2


Palavras chaves: Educação; História; Revolução

“O século XIX, como se sabe, foi o século da explosão da historiografia. A educação do cidadão moderno europeu sempre apareceu, desde então (e ainda hoje, aliás), como um colocar-se em dia com a história retomando textos, obras, eventos do passado. Nietzsche considera excessivo esse historiografismo de toda a cultura, porque produz uma espécie de indigestão. Sobretudo, ter assim presente o destino de tudo o que passou, e portanto também de sua irremediável transitoriedade, acaba impedindo qualquer criatividade: como um autêntico discípulo de Heráclito, o cidadão culto europeu não apenas não desce duas vezes no mesmo rio; não desce nem sequer uma vez, por estar a tal ponto convencido da inutilidade de qualquer iniciativa, destinada a ser arrebatada pelo inexorável transcurso do tempo”


Gianni Vattimo (Diálogo com Nietzsche, 2010, p.304-305)
Um dos mais importantes intérpretes da modernidade, Nietzsche utilizou a expressão “doença histórica” para aludir a essa “explosão” a qual se refere Vattimo. Hoje, a princípio, parece que ainda não assimilamos por completo essa inquietação que permeou o pensamento desse intelectual ao longo do século XIX e, em certa medida, inundou o XX. Ao contrário, tanto em solo europeu, mas mais ainda em solo latino-americano, vê-se a disseminação de investigações cuja preocupação central é guiada por categorias analíticas (identidade, nação, liberdade, gênero etc.) que nos impulsiona a tentar compreender qualitativamente o nosso tempo presente e, muitas vezes, essa compreensão está inevitavelmente atravessada por nossa leitura inventiva de nosso passado. Por que assim procedemos, em parte, ainda permanece enigma a resposta. Talvez essa possa ser dada a partir de nossa auto-percepção ainda lacunar desse presente, lugar de mudanças em um ritmo acelerado, perguntas não completamente respondidas e, por vezes, uma inexiste perspectiva razoável de futuro. Não sendo possível responder a essas inquietações nem argumentar adequadamente sobre o problema trazido à baila pelo nosso filósofo, continuamos “doentes” elaborando novas perguntas no presente que acreditamos possa o passado nos auxiliar a responder ou, o que é mais provável, nos conduzir a mais perguntas.

Essa intervenção em particular, cujo objetivo talvez não seja responder perguntas, mas “organizar” algumas respostas sobre Bomfim já acumuladas a partir de outras investigações sobre o nosso intelectual (COSTA, 2005, 2008), é consequência de nossas pesquisas desenvolvidas enquanto atividades vinculadas ao Programa institucional Prolicen, período 2009/2010i, que teve a intenção compreender as “estratégias de ação” (ALONSO, 2009) utilizadas pelos intelectuais no final do século XIX e início do século XX, período que foi palco da transição do regime Imperial para o Republicano. Nossa principal preocupação foi identificar nas obras dos intelectuais as teses que apontavam para a educação como redenção nacional (BOTELHO, 2009). Entre esses homens de letras, nos detemos nas obras do historiador e educador Manoel Bomfim (1868-1932), que tem suas ideias associadas a uma “interpretação dissidente” do Brasil, como escreveu Renato Ortiz em Cultura Brasileira e Identidade Nacional (2006). As obras de Bomfim abrangem as áreas de pedagogia, psicologia, história da América Latina e do Brasil (REIS, 2006).

A literatura foi nosso principal recurso, e para tanto, utilizamos como fontes os livros América Latina: Males de Origem (1905); O Brasil na América: Caracterização da Formação Brasileira (1929); O Brasil na história: deturpação das tradições, degradação política (1930); O Brasil Nação: Realidade e Soberania Brasileira (1931).

Antonio Candido em seu livro Literatura e Sociedade (2000), apontou para a “comunicação artística” como sendo o elemento fundamental na construção da realidade via literatura. Esse elemento é composto por três momentos indissolúveis: autor, obra, público. E claro, sem excluir a possibilidade de inversão dessa ordem, a obra de arte não existe sem o autor, nem o público e vice-versa. Sendo assim, toda literatura é criada em condições históricas especificas, e por tanto, está carregada da marca do “[...] espaço, tempo, cultura e relações sociais que o escritor criou seus mundos de sonho, utopias ou desejo, explorando ou inventando formas de linguagem.” (FERREIRA, 2009, p. 67). Nunes (2005) nos aponta para a possibilidade da literatura revelar o passado na medida em que:


[...] todos os documentos que representam marcas da passagem do homem pelo universo são fontes para a história. A literatura como forma de expressão e representação do mundo pode constituir-se em instrumento valioso para dar conhecimento de fatos, muitas vezes omitidos, ou mostrar uma outra visão desses fatos. (NUNES, 2005, p.59).
Ferreira (2009) ainda nos sugere que o trabalho do historiador é confrontar a literatura com outras fontes que os permitam contextualizar a obra e se aproximar dos múltiplos significados da realidade histórica. Portanto, a partir das análises dos livros buscaremos confrontá-los com as bibliografias sobre as diversas hipóteses interpretativas sobre a Primeira República e o papel da produção intelectual que versa sobre a educação no Brasil.

Nas interpretações das fontes utilizamos a perspectiva teórica e metodológica da Hermenêutica filosófica de Hans-Georg Gadamer (1900-2002), essa pode ser uma das possibilidades de se trabalhar com textos literários (FERREIRA, 2009), e nos possibilitar a “inserção na tradição” guiada por uma concepção de “história” e de “tempo histórico” cujo eixo é o conceito de “fusão de horizontes” de Gadamer (1997), onde o intérprete, no tempo presente, é o lugar de produção da resignificação do passado a partir da abertura a essa mesma tradição que nos legou os sentidos vários atrelados a esses textos.

Para fins de consecução de nosso objetivo nessa intervenção, apresentamos uma breve biografia sobre o intelectual sergipano Manoel Bomfim, em seguida, baseando-nos em suas obras, pontuamos algumas de suas principais ideias, como: trabalho, educação, racismo cientifico, história brasileira, identidade nacional e revolução, elementos que, ao final, constituem uma espécie de hermenêutica do nacional.
Manoel Bomfim (1868-1932)
Nosso protagonista nasceu na cidade de Aracajú, Estado de Sergipe, na segunda metade do século XIX, e faleceu na primeira metade do século XX, na cidade do Rio de Janeiro (1868-1932). No ano de 1886, ingressou na faculdade de medicina da Bahia, porém por influência seu grande amigo Alcindo Guanabara (1865-1918) terminou seus estudos no Rio de Janeiro em 1890. Por volta de 1894, após a morte da sua filha Maria, decidiu abandonar definitivamente o exercício da medicina. Dedicou-se, a partir de então, prioritariamente, a carreira docente e as questões educacionais.

Sua vida profissional estava atrelada a cargos e a funções na área educacional, foi diretor durante dezenove anos do Instituto Pedagogium no Rio de Janeiro. O Pedagogium foi pensado e formulado no famoso Parecer de Rui Barbosa sob a reforma de ensino de Rodolfo Dantas, datada de 1882 e pode ser considerada uma referência bibliográfica sobre a educação brasileira. Sua proposta inicial era para a criação de um “museu pedagógico nacional” e se apoiava “[...] num dispositivo legal, jamais posto em prática, que autorizava o executivo a fundar bibliotecas e museus pedagógicos nos ‘lugares onde houvesse escolas normais’” (AGUIAR, 2000, p.188). A intenção era de equipá-lo-á a outros já existentes em países da Europa, nos Estados Unidos, no Canadá e no Japão. Suas finalidades seriam de demonstrar a história e a situação atual da educação no Brasil e no mundo, através das estatísticas disponíveis. Contudo, o Pedagogium só foi criado oito anos mais tarde, em 1890, já no regime republicano, por Benjamin Constant. Manoel Bomfim foi convidado a assumir a direção em 1896. (AGUIAR, 2000).

Bomfim ainda foi Diretor da Instrução Pública do Distrito Federal, durante dois anos (1905-1907); Professor da disciplina moral e cívica da Escola Normal do Rio de Janeiro, e Deputado Federal pelo estado de Sergipe em 1907. Durante seu mandado defendeu as reformas educacionais encaminhadas pelo então Presidente da República Afonso Pena, que teve como intenção principal a intervenção da União no ensino primário. Diante disso, Bomfim propôs a inclusão de três ementas específicas no projeto: a primeira, dizia que caberia a União promover a instalação como a manutenção de escolas, mediante acordo com os governos locais; a segunda, tratava das Escolas Normais para formação de professores primários, que também deveria ser promovida pela União; e a terceira, tocava na questão do financiamento da educação que seriam calculados tomando-se por base a relação entre a receita do estado e a respectiva população (AGUIAR, 2000). Além disso, Bomfim com formação em medicina e psicologia teve vários livros publicados nas áreas de pedagogia, psicologia, história da América Latina e do Brasil, entre as quais se destacam: América Latina: males de Origem, 1905; Através do Brasil, escrito com Olavo Bilac, em 1910; Lições de pedagogia: teoria e pratica educativa, 1915; Noções de psicologia, 1917; Pensar e Dizer: estudo do símbolo no pensamento e na linguagem, 1923; O Brasil na América, 1929; O Brasil na História, 1930; O Brasil Nação, 1931 (REIS, 2006).
Educação e Escravidão no América Latina
Manoel Bomfim, cuja obra é elaborada especialmente na Primeira República (1889-1930), tem a sua inserção nos debates intelectuais da época através de seu diálogo crítico com algumas das principais questões as quais inquietavam a transição do Império à República. Para Bomfim, a América Latina encontrava-se em descompasso com a marcha da evolução social, refletindo nas sociedades a herança deixada pelo: trabalho escravo, exploração colonial, falta de um sistema educacional nacional popular e falsificação da história nacional.

Sua hipótese em América Latina: Males de Origem (1905) é a de que a formação social dessas sociedades se deu sob o efeito do parasitismo social imposto no processo de colonização ibérico e esse teve como alvo principal de ataque à economia das sociedades em formação. Ou seja, para Bomfim:


São os efeitos econômicos os mais sensíveis nesse regime de colonização parasitária. Pode-se mesmo dizer que são os efeitos primordiais, aos quais se ligam os outros como secundários. Em si, o parasitismo das metrópoles, como o parasitismo social em geral, é um fenômeno de ordem econômica, cujos efeitos se refletem sobre toda a vida social. (BOMFIM, 1993, p.127).
A escravidão no América Latina: males de origem recebeu uma importância expressiva, pois é a partir das análises sobre o trabalho escravo que Bomfim definiu o “caráter do trabalhador nacional”. A despeito da crítica radical bomfiniana ao papel da escravidão e de suas conseqüências, isso não ocorreu de forma isolada, sendo tema presente desde as primeiras incursões pré-Abolição na intelligentsia nacional, adquirindo entonação em vários debates da época, que viam na base de uma sociedade escravocrata, o atraso moral e econômico do país, prototipizada na hoje mítica narrativa de Joaquim Nabuco (1849-1910), (SALLES, 2002).

Esse argumento econômico foi trazido como eixo principal mostrando a existência de uma estreita relação na exploração do trabalho escravo e na manutenção do aparelho colonial, apontando para a escravidão como um dos sustentáculos do sistema consistindo na peça chave que fazia mover a máquina de lucro fácil da metrópole. E, como consequência local, a formação de uma cultura trabalhadora alheia, desligada do processo de produção, desestimulada e desinteressada em desenvolver o “trabalho racional”. Foi a partir desse eixo argumentativo que Bomfim definiu o problema do trabalhador nacional, ou seja:


Quando todo trabalho nacional era feito por negros e índios cativos, quando era possível haver escravo para tudo, não havia lugar para o trabalhador livre, a menos que ele quisesse trabalhar nas mesmas condições e pelo mesmo preço que o escravo- um salário tão insignificante quanto o custo da alimentação do negro,e a mesma obediência ao senhor. Quando não, esse ia ao mercado e trazia o negro. O trabalhador livre ficava ao lado. Foi assim que, de geração em geração, ele foi arredado do trabalho assalariado (BOMFIM, 1993, p.140).
A cultura do trabalho nas nações sul-americanas, ao invés de educar o homem, o consumiu, o devorou e afastou o trabalhador livre do processo de produção. A classe dirigente “conservou” o estado de coisas, se opondo a qualquer tipo de mudança e progresso, dessa forma, quando chegou a Abolição e com ela a instituição do trabalho livre, se percebeu que a igualdade jurídica conquistada com a Lei Áurea de 13 de maio de 1888 não era suficiente para transformar a realidade, a qual continuava perpetuando o seu “conservantismo sentimental”, gerando, dessa forma, outras maneiras de dependência e exploração compulsória do trabalho, pois os parasitados não tinham desenvolvido a capacidade para essas atividades.

A idéia de “educação” aparece no America Latina: males de origem (1905) para articular e explicar como o “conservantismo das classes dirigentes” foi transmitido pela “tradição ibérica”, justificando, nesse sentido, os programas políticos que tinham como característica principal o “egoísmo arvorado, enraizado no passado”, que coibiu o progresso, perpetuou a desorganização social e o regime retardatário, opressivo, corrupto e excludente. A essa classe foram feitas críticas severas, pois na prática esses homens, “escravos passivos da tradição e da rotina”, resistiam a qualquer tipo de mudança real e progressista. Além do “conservantismo”, lhe faltava a sensibilidade de “observar a realidade”; era a partir da observação direta da vida e das necessidades reais do povo, que estes deveriam preparar soluções que melhorassem a vida das populações. Contudo, esses se contentavam em fazer proclamações apoiados em “teorias gerais dos livros estrangeiros, ou com chavões e aforismos consagrados por esse senso comum, vão e antiquado; vindo de áreas defuntas, inspirados em causas estranhas” (BOMFIM, 1993, p.168).

Foi no argumento de que as “leis” estavam desconectadas da realidade local, onde foi possível encontrar a questão central que articula o trabalho escravo e a próxima ideia de educação associada à “instrução popular e a educação para o trabalhador” no pensamento de Bomfim, uma espécie de ressonância, não presentificada àquele momento, das reivindicações de Joaquim Nabuco em torno da “universalização da instrução” alhures ressaltada (NABUCO, 2005).

O autor aponta para uma solução que, a seu ver, estava ligada à disseminação da escola primária e à educação voltada para o trabalho, ambas destinadas à classe popular. A questão central das classes inferiores não estava vinculada à inferioridade racial, mas à sua falta de educação. A função do Estado Republicano deveria ser de representante e defensor dos interesses gerais da população. Para isso, precisava garantir que o povo tivesse acesso à instrução primária e a educação para o aperfeiçoamento da produção. Contudo, em certo sentido, a República herdou e conservou as ambigüidades derivadas dos embates entre conservadores e liberais gestadas no Império em relação à expansão e consolidação da instrução tanto em nível central quanto provincial (PINHEIRO, 2002), perpetuando a institucionalização do privilegiado ensino superior em detrimento do primário e popular, sendo que, mais tarde, a própria Constituição Republicana de 1891 só viria a reforçar esses princípios (ROMANELLI, 2007). Na próxima seção, vão um pouco adiante nessa discussão a partir da problematização de “Bomfim historiador” e do desenlace de seu argumento em livro escrito e instante bastante posterior ao América Latina.


Identidade nacional no Brasil na América
Rebeca Gontijo (2003) em trabalho dissertativo sobre Manoel Bomfim, não o trata como historiador, mas sim como um “pensador da história”. Pois, para Gontijo Manoel Bomfim não pode ser considerado como historiador, no sentido de que, já em sua época, era atribuído a autores como Capistrano de Abreu (1853-1927) ou João Ribeiro (1860-1934). “O primeiro, garantia sua identidade como historiador através de sua experiência no trato com fontes documentais em arquivos [...]. O segundo, através de sua atividade docente e através da produção de ‘reflexões mais filosóficas’ sobre a disciplina [...].” (GONTIJO, 2003, p.134).

Iglesias (apud REIS, 2006) ao discutir essa mesma relação, nesse caso se referindo a Oliveira Viana, nos diz que a opção por não fazer referencia a fontes oficias não pode desconsiderar um autor de ser historiador, que mesmo no caso de Bomfim, seria um tanto injusto, pois encontramos no Brasil na América:Caracterização da Formação Brasileira (1929) um amplo uso desses documentos, como cartas, relatórios de presidente de província e crônicas escritas quando o Brasil ainda era colônia de Portugal.

Nessa obra, considerada de maturidade, escrita 24 anos depois do América Latina, Bomfim buscou recontar com bases nesses documentos a origem da identidade brasileira, seu elemento essencial se encontrava na fusão racial e cultural entre o índio e o português. Sendo assim, ele constatou que desde o início da nossa formação, o caráter nacional revelou-se, a mistura teria sido à fórmula para o progresso dessa sociedade, a amizade entre esses dois povos foi marcante na vida colonial. O português e o índioii se envolveram no desbravamento da terra e na vida cotidiana
O indígena foi fator essencial na construção do Brasil. Só não teve importância igual a do Português porque a este coube a direção. Mas, fora isto, a ação dos naturais foi constante, eficaz, essencial. Por toda parte, eles foram cuidadosamente aproveitados. Para tanto, muito concorreu, não só a índole assimiladora dos colonos, como a política atilada da metrópole – no sentido de captar a boa vontade e amizade das tribos. [...] o português procedeu como convinha: grande político em tais casos, acessível a todos os contatos, ele aproximou-se ostensivamente do gentio, tratou-o quase de igual para igual, mostrando sempre que o considerava uma boa gente, indispensável para a posse efetiva e útil da terra. (BOMFIM, 1997, p. 100-101).
Dessa convivência, segundo Bomfim, o Brasil foi constituído e se tornou um povo com características próprias, se distinguindo das demais nações neo-ibéricas, e criando uma identidade original.

Bomfim no início do século XX renega a ciência que condenava a miscigenação como fator de degeneração da raça humana. Essa discussão não pode ser considerada consensual, pois ainda nesse século teorias divergentes circulavam no Brasil, por exemplo, alguns representantes da intelligentsia brasileira - como Sílvio Romero (1851-1914), Nina Rodrigues (1862-1906) e Euclides da Cunha (1866-1909) - assimilaram essa realidade de forma oposta. Esses intelectuais apoiaram-se nas “teorias do evolucionismo social” vigentes na Europa no século XIX. Compreender a sociedade segundo esses pressupostos era tomar como parâmetro a idéia de uma história natural da humanidade e no caso do Brasil, significava dizer que “[...] o estágio civilizatório do país se encontrava assim de imediato definido como ‘inferior’ em relação à etapa alcançada pelos países europeus.” (ORTIZ, 2006, p.15). Pois, a própria composição do povo brasileiro marcada pela fusão de três raças estava em descompasso com a hierarquização das raças, que argumentava em favor da supremacia da raça branca sobre as demais. Nesse sentido, a “raça e o meio” determinavam o caráter nacional e, dessa forma, a incorporação do índio e do negro no ethos nacional, vistos como indolentes e preguiçosos, significava manter o país distante dos parâmetros da evolução social (LEITE, 1993; ORTIZ, 2006).

Para Manoel Bomfim, essa idéia se sustentava sobre um fundamento falso, traduzidos por um enorme “[...] sofisma abjeto do egoísmo humano, hipocritamente mascarado de ciência barata, e covardemente aplicado à exploração dos fracos pelos fortes.” (BOMFIM, 1993, p. 243). O posicionamento de Bomfim contra o racismo científico dizia respeito a sua postura “nacionalista e antiimperialista” e, mais ainda, a tese defendida por ele no América Latina: males de origem (1905) e no Brasil na América; Caracterização da Formação Brasileira (1929) refletia os conflitos sociais entre as nações centrais e periféricas (AGUIAR, 2000). Essa discussão estava conectada com o contexto social da época, que na transição do entre século XIX e XX, precisava ajustar a sociedade brasileira nos padrões modernos burgueses.

No Brasil na América Bomfim critica severamente Oliveira Viana (1883-1951) representante do “pensamento conservador” (REIS, 2006) que se ancorava na teoria do branqueamento para propor soluções para o impasse brasileiro,


Todos esses preconceitos de inferioridade raciais se encontram no sr. Oliveira Viana, sob a responsabilidade do governo brasileiro. É um julgamento oficial sobre a Evolução das raças através de muita etnologia, eugenia e antropologia [...] de Lepouge e Le Bom [...]. (BOMFIM, 1997, p. 193).
Essa ciência escondia sua verdadeira intenção: impor as nações mestiças latino-americanas as suas formas de manipulação e exploração mercantil, sob o argumento que os povos mestiços eram incapazes de se autogovernarem. Para ir de encontro a essa perspectiva, o intelectual sergipano fundamentou-se em estudos desenvolvidos por antropólogos e historiadores como Blaringhem, Koster, Shoutey e Lapicque, e, esclareceu que a mistura racial, na verdade, criava populações estáveis e bem adaptadas ao meio. O argumento que separa raças humanas em inferiores (índios e negros) e superiores (brancos) era falso e não possuía bases cientificas. O Brasil teria como marca principal o emaranhado das raças, e isso não significava uma degeneração intelectual e moral. O problema de subdesenvolvimento brasileiro residia na exploração pelo qual nossa nação foi submetida pela colonização ibérica, e tratar esse problema em termos raciais significava negar a essência do povo brasileiro
[...] o Brasil é um país de população cruzado, desde os seus primeiros dias, e foi com essa população que cruzada que a nação apareceu e se definiu. Pretender conduzi-la a um tipo puro, em nobilitante arianização, pretender desfazer, e, não, completar e conduzir o que é propriamente Brasil. Tanto que não haverá, para a nossa situação histórica e etnográfica, atitude mais impatriótica do que a de concluir dos povos, pelos preconceitos das raças inferiores..., superiores, repetindo os aleives que, em nome da biologia, se erguem, contra o cruzamento das raças humanas extremas (BOMFIM, 1997, p.206).

No entanto, não foi só a mistura de raça que formou a essência brasileira, outro elemento importante e fundamental na formação brasileira residia na combinação da tradição entre as primeiras civilizações,


[...] numa mesma sociedade, se aproximam e se misturam gentes feitas em civilizações diferentes: chocam-se as respectivas tradições e sobrevém um como que abalo de toda a organização social preexistente em cada um dos grupos misturados. [...] Pouco importa que haja, ou não, luta entre os povos aproximados, que uma das civilizações seja ostensivamente vencedora: dado o encontro de tradições há, necessariamente, o influxo recíproco, cujo primeiro efeito é a quebra da coesão primitiva em cada um dos povos um começo de desagregação social por onde se insinuam as energias reformadoras- instinto de imitação, sugestão mutuas, fórmulas orientadoras, novas realidades a utilizar... [...] Até as controvérsias e repulsas recíprocas servem a esse fim de trazer a sociedade misturada à estabilidade social e a labilidade que consideraram as transformações e o progresso em geral... Se a lei indiscutida na história, é esta: encontro de povos, novos surtos de desenvolvimento. (BOMFIM, 1997, p 185).

A mistura desses elementos fundadores - raças e tradições - foi o que caracterizou a formação nacional do Brasil. No entanto, talvez o argumento possa ser relativamente associado ao pernambucano Gilberto Freyre (1900-198), que em Casa Grande & Senzala (1993), faz uma interpretação da vida social do Brasil colônia, ressaltando seu processo dinâmico, “plástico”, adaptativo e, especialmente, “democratizante”, não conflitual. (COSTA, 1992). Tanto Bomfim como Freyre exaltavam a harmonia presente na miscigenação, compreendendo que o povo brasileiro, destacava-se e diferenciava-se das demais nações, por um caráter particular: a democracia racial. Dessa forma, Bomfim argumenta ao final do Brasil na América (1929), que o termo “América Latina”, era usado de maneira equivocada, pois na realidade não correspondia à unificação de um povo, que foi associado e indevidamente nomeado de “latino-americano”, por julgasse possuir entre esses, um caráter comum. O que existia em comum entre essas nações era a colonização parasitária liderada pelo investimento mercantil da ibérica no século XVI que desenrolaria na descoberta das Américas. O termo “América Latina” só valeria para identificação geográfica, pois as nações aqui existentes apresentavam mais distinções do que semelhanças e se distinguiram desde muito cedo uma das outras, traçando perfis nacionais diversos.


História e Revolução “escovando a historia a contrapelo”
Em O Brasil na História: deturpação das tradições, degradação política (1930) nosso autor continua o pensamento que vem desenvolvendo ao longo de sua trajetória, nele Bomfim tece criticas a historiografia brasileira e a visão dos viajantes estudiosos estrangeiros acerca do Brasil. Wilma Peres Costa (2008) constatou o quanto a visão dos “viajantes acadêmicos” influenciaram no retrato traçado da nossa nação, visões essas que Bomfim acusa de deturpadoras e falsificadas pela ideologia dominante
[...] essas explorações cientificas se tornaram uma ferramenta importante para mudar o significado de palavras como ‘nação’, ‘civilização’ e, mais tarde, o significado da própria palavra ‘colonização’. [...] com essas alterações de significado, as nações americanas procuravam enxergar sua imagem refletida no espelho da Europa. No Brasil e em outros países, era atribuído a esses ‘viajantes acadêmicos’ um importante papel na construção da imagem internacional dos países do Novo Mundo. (COSTA, 2008, p.301).
Segundo Aguiar (2000), o conceito central do segundo livro da série escrito pelo intelectual sergipano foi sem dúvida o de “história”. Bomfim sabia perfeitamente que o contar da história é marcado por tensões entre história do vencedor e do vencido, e que a historia oficial brasileira cristalizou a versão contada pelos seus dominadores, que ao ver do professor, era uma versão contra a soberania nacional, a história
[...] é o campo onde se travam todos esses combates de que resulta a vitória de umas instituições sobre outras, de classes e doutrinas em detrimento de outras, pois que – as instituições, e classes, e doutrinas – são outros tantos veios em que deriva a experiência comum, como são os aspectos concretos em que as tradições se confrontam e se combatem. No final, toda a história se reduz a contendas de tradições, sem perder, por isso, ou seu papel superior – de fazer a confiança da nação nos próprios destinos, delineados pelos fatos já explícitos. (BOMFIM Apud AGUIAR, 2000, p. 486).

Com isso, Bomfim procurou fazer uma revisão crítica da história brasileira, tendo a seguinte idéia norteadora “[...] a história é sempre, ou quase sempre, a versão dos vencedores. E à história dos dominadores ele resolveu opor a história dos derrotados: este era em suma o propósito do O Brasil na história.” (AGUIAR, 2000, p. 486).

Aqui podemos fazer uma aproximação de ideias entre Manoel Bomfim e Walter Benjamin (1892-1940) como sugeriu Reis (2006), pois ambos perceberam que a história dos dominadores foram as que prevaleceram. Os dois autores se dispuseram a escrever a “história a contrapelo”. Benjamin (1994) em ensaio intitulado “Sobre o conceito a história” compreendia que o papel do historiador consistia em capturar os relampejos do passado e no presente liderar “a ação revolucionária” contra a injustiça de classe e aos esquecidos soterrados pela história da tradição e do conformismo (LÖWY, 2005). Para Bomfim, a história deveria ser contada através dos historiadores nacionais, como Frei Vicente do Salvador (1564-1635) que privilegiou em suas narrativas líderes genuinamente brasileiro em detrimento dos heróis lusitanos protagonistas dos historiadores a serviço de Portugal como Varnhagen (1816-1878) muito criticado por Bomfim, que já no América Latina (1905), posicionava-se contra a história oficial brasileira denunciando os crimes cometidos contra a nação em favor dessas falsidades históricas. Foi dessa forma, que se perpetuou todo tipo injustiça, iniqüidades e violações de direitos nacionais. Essa realidade só seria superada quando a nação conhecesse sua própria história
[...] se não querem morrer entanguidas, mesquinhas e ridículas, têm que travar uma luta sistemática, direta, formal, conscientemente dirigida contra o passado, respeitando apenas a sociabilidade afetiva, natural entre as populações, e os sentimentos de hombridade e independência nacional, característica destes povos. (BOMFIM, 1993, p.161).

A ideia de “ação revolucionária” só vai ser sistematizada com mais consistência em O Brasil Nação: Realidade e Soberania Brasileira (1931), assim como Benjamin Bomfim também aponta para a revolução como superação da realidade de opressão. Esse livro fecha a trilogia escrita pelo nosso historiador que começou com O Brasil na América (1929), O Brasil na História (1930) e finaliza em 1931 com O Brasil Nação. Aguiar (2000) descreve essa obra como “síntese do seu pensamento do sociológico”, nela Bomfim modifica sua prescrição para os “males de origem” apontando para a revolução como única saída possível para superar a realidade social brasileira. A idéia de instrução continua sendo imprescindível para o sucesso nacional, Bomfim construiu um programa revolucionário que tiveram como questões fulcrais a distribuição de terras, o direito a moradia, a greve e a educação popular (BOMFIM, 1996). A revolução brasileira deveria seguir os mesmos passos da revolução mexicana (1910-1917). Apesar dele enaltecer a revolução russa (1917), ele sabia que esse programa não podia ser transferido para o Brasil, pois a nossa classe operária era insuficiente e não tinha condições para liderar a revolução


O proletariado brasileiro mal se definia como classe, tanto se continuou nele o escravo de ontem, espoliado de tudo, sem hábito, sequer, de levantar os olhos. Nos campos, o trabalhador mal implantado na terra, muitas vezes, sem motivos para amá-la, indiferenciado. Nos grandes e raros centros urbanos, uma organização industrial ainda escassa, com um operariado tão reduzido e, em muitos casos, tão alheio às condições históricas do resto da nação, que não poderia incorporar a realização integral da revolução. (BOMFIM, 1996, p. 349)
Tese essa que já aparece no América Latina (1905) quando Bomfim denuncia as condições do trabalhador nacional, herdeiro do sistema parasitário português. Em O Brasil Nação (1931) a educação popular sozinha não conseguiria resolver os problemas estruturais da nossa nação, então o caminho seria liderado por uma revolução popular nacional que invertesse a ordem social da realidade brasileira, que durantes séculos estavam a serviço dos interesses dos Bragança. Foi, nesse sentido, que observamos que o ideal de progresso e de redenção nacional no pensamento bomfiniano estava atrelado não apenas ao elemento material, mas num ideal que elevasse a sociedade brasileira em seu quádruplo aspecto: econômico, político, moral e intelectual.
Conclusão
A produção do conhecimento histórico, essencialmente interpretativa, visa sempre ao conhecimento do “singular”, do “particular”, ainda que recorra aos conhecimentos gerais para tanto. Aqui, argumentamos que o que se denomina de individual na história não é o fato, mas o conjunto histórico, que é mais que a soma de suas partes. Destarte, a compreensão desses conjuntos históricos individuais não pode prescindir do auxílio de abstrações conceituais, sociológicos, que guiaram o argumento central. Essa dialética entre antecipação do todo e conhecimento particular se estabelece, desse modo, duplamente. Em primeiro lugar, com o objeto do conhecimento histórico, a saber, o diagnóstico bomfiniano do “atraso” brasileiro e os desmembramentos sobre a educação, trabalho, identidade nacional e revolução, isto é, com a “coisa mesma”, e, em segundo lugar, com a tradição de onde esse objeto nos fala ou as interpretações relativas à Bomfim que nos guiaram.

Hoje, ler Bomfim parece constituir-se em exercício fundamental que concebe a inextrincável relação entre as mudanças sociais e a gestação das idéias em um determinado ambiente intelectual, ou seja, em perspectiva relativamente próxima à idéia benjaminiana. Bomfim argumentou a favor de uma história que levasse em consideração o ponto de vista dos “oprimidos”, dos “excluídos”, em nosso caso, talvez o próprio “brasileiro” em seu contexto latino-americano. Nesse sentido, o papel do historiador comprometido em revelar os “lampejos do passado” consiste em desvelar o fundo de barbárie contido na “história dos vencedores” (LÖWY, 2005). A análise bomfiniana, desse modo, sobre a formação nacional do Brasil e das sociedades sul-americanas, denunciou a presença da “violência dos vencedores” nessas nações, algo relativamente inovador para a época, isso porque esse “diálogo” crítico com a América Latina, na verdade, inicia, em parte com Joaquim Nabuco e Rui Barbosa, mas, no entanto, nesse sempre conduzido pela crítica apaixonada percebida em Bomfim, a qual o acompanha ao longo das três que constituem a produção historiográfica e o seu diagnóstico e consequente desilusão com alguns dos caminhos percorridos pelo Brasil. Em parte, esses caminhos acabaram por secundarizá-lo ao longo de décadas, confundido, muitas vezes, com o radicalismos de direita ou de esquerda e, apenas recentemente, tem a sua contribuição revista e reavaliada.

Para além de uma conclusão fechada, ressaltamos que nossas reflexões sobre América Latina: males de origem (1905); O Brasil na América: Caracterização da Formação Brasileira (1929); O Brasil na história: deturpação das tradições, degradação política (1930); O Brasil Nação: Realidade e Soberania Brasileira (1931), nos conduziram, antes de tudo, para querer compreender esse autor, levando em consideração a multiplicidade do seu pensamento, que nesse sentido, nos permite situar na mesma direção de importância de seus interpretes contemporâneos (REIS, 2006; UEMORI 2006; COSTA, 2005, 2008, GONTIJO, 2003; AGUIAR, 2000; BOTELHO, 2003), que sem dúvida, vem contribuindo para um melhor entendimento do seu pensamento, os quais traduzem a própria certa concepção de tempo e história, cuja ideia central talvez se encontre associada à própria tese do “inacabamento essencial da interpretação” através da obrigação, interna à atividade do pesquisador e do próprio objeto, de interpretar-se a si mesmo.

Referencias

AGUIAR, Ronaldo Conde. O rebelde esquecido. Tempo, vida e obra de Manoel Bomfim. Rio de Janeiro: Topbooks, 2000.

ALONSO, Ângela. “Apropriação de idéias no segundo reinado”. In: GRINBERG, Keila; SALLES, Ricardo (orgs.). O Brasil Imperial, volume III: 1870-1889. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2009.

BOMFIM, Manoel. América Latina: Males de origem. O parasitismo social e evolução. Rio de Janeiro: Topbooks, 1993.



___. O Brasil na América. Caracterização da Formação brasileira. Rio de Janeiro: Topbooks, 1997.

___. O Brasil nação: realidade da soberania nacional. Rio de Janeiro: Topbooks, 1996.

BEJAMIN, Walter. Magia e técnica, arte e política: ensaios sobre a literatura e história da cultura. São Paulo: Brasiliense, 1994.

BOTELHO, André. Educação e Modernidade no Brasil. Revista Cultura Vozes, São Paulo, v. 93, n.1, p.122-145,1999. Disponível em <http://www.ifcs.ufrj.br/~nusc/vozes.pdf>. Acesso em: 5 out. 2009.

CANDIDO, Antonio. Literatura e Sociedade: estudos de teoria e história literária. São Paulo: Queiroz, 2000.

FERREIRA, Antonio Celso. In: LUCA, Tania Regina de; PINSKY, Carla Bassanezi (orgs.). O historiador e suas fontes. São Paulo: Contexto, 2009.

COSTA, Jean Carlo de Carvalho (2005). O problema nacional, globalização e o pensamento social no Brasil: notas sobre as implicações do “nacional” em Manoel Bomfim. In: Revista Política & Trabalho, nº 22, abril, pp. 165-184.

____(2008). Nação, Estado e raça em Manoel Bomfim: a impertinência bomfiniana em torno da identidade nacional. In: Revista Cronos, vol. 9, nº 2, jul/dez, pp. 417-438.

COSTA, Valeriano Mendes Ferreira. “Vertentes democráticas em Gilberto Freire e Sergio Buarque”. Lua Nova, n. 26, 1992.


COSTA, Wilma Peres. “Viajantes européias e o escrever da nação brasileira”. In: PAMPLONA, Marcos A.; DAYLE, Don H. (orgs.). Nacionalismo no novo mundo.Trad. Waldéia Barcelos. Rio de Janeiro: Record, 2008.

GADAMER, Hans-Georg. Verdade e Método: Traços Fundamentais de uma Hermenêutica Filosófica. Petropólis: Vozes, 1997.

GONTIJO, Rebecca. “Manoel Bomfim, ‘pensador da História’ na Primeira República”. Revista Brasileira de História, vol.23, n.45, jul. 2003. Disponível em< www.scielo.br/pdf/rbh/v23n45/16523.pdf>. Acesso em 10 jan. 2010.

LÖWY. Michael. Walter Benjamin: aviso de incêndio: uma leitura das teses “Sobre o conceito de história”. São Paulo: Boitempo, 2005.


LEITE, Dante Moreira. O caráter nacional brasileiro: história de uma ideologia. São Paulo: Ática, 1992.
NABUCO, Joaquim. Campanha Abolicionista no Recife. Eleições de 1884. Brasília: Edições do Senado Federal, vol. 59, 2005.
NUNES, Maria da Silva. “Sociedade, mulheres e Educação nos Romances de Graciliano Ramos”. Tese de Doutorado. Núcleo de Educação e Pesquisa em Educação, Política e Cultura. Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Natal, 2005.

ORTIZ, Renato. Identidade Nacional e Cultura Brasileira. São Paulo, Brasiliense, 2006.

PINHEIRO, Antonio Carlos Ferreira. Da Era das Cadeiras isoladas à Era dos Grupos Escolares na Paraíba. Campinas, SP: Autores Associados; São Paulo: Universidade São Francisco, 2002.

REIS. José Carlos. As Identidades do Brasil 2: de Calmon a Bomfim: a favor do Brasil: direita ou esquerda?- Rio de Janeiro: Editora FGV, 2006.



ROMANELLI, Otaíza de Oliveira. História da Educação no Brasil. Petrópolis: Vozes, 2007.
SALLES, Ricardo. Joaquim Nabuco. Um pensador do Império. Rio de Janeiro: Vozes, 2002.
NOTAS

1 Professor Adjunto IV de Sociologia no Centro de Educação (CE-UFPB), dos Programas de Pós-Graduação em Educação (PPGE-UFPB) e Sociologia (PPGS-UFPB). E-mail: jeanccosta@yahoo.com.br


2 Pedagoga, Mestranda em Educação – (PPGE-UFPB). E-mail: amanda_galvincio@hotmail.com


iNo ano de 2009 o projeto foi intitulado “Intelectuais, Formação Nacional e Educação no Brasil Moderno: A ‘Geração de 1870’ e a crítica de Manoel Bomfim”, como consequência; no ano 2010, houve a renovação do projeto que recebeu o titulo de “Intelectuais e formação nacional na Primeira República: Educação, reformas sociais e revolução no Pensamento de Manoel Bomfim”.

ii Manoel Bomfim não exclui o negro escravo da composição do povo brasileiro como sugere Reis (2006), o que Bomfim argumenta é que a primeira manifestação do sentimento de pertence a “comunidade imaginada”, nação brasileira (ANDERSON, 2008), foi marcado pelo índio e pelo português, e que o negro teria se fixado no litoral em quantidade inferior ao do índio e, portanto, sua mistura não foi em larga escala, sem contar com o fator de parceria que existiu entre o colono e gentio, caso esse que não houve com o negro, pois o escravo foi arrancado de sua pátria à força e trazido para o Brasil para ser explorado.




©livred.info 2017
enviar mensagem

    Página principal