Logia experimental e aplicada



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PROGRAMA DA CADEIRA DE PSICO­LOGIA EXPERIMENTAL E APLICADA

por


LUÍS DE PINA

INTRODUÇÃO



Comentários às diversas acepções de Psicologia experimental (1).

Psicologia experimental (ou empírica), animal e humana. Segundo Warren — «Investigação dos fenómenos psíquicos e da
conduta dos organismos por métodos experimentais»

ou:


«Sector ou ramo da Psicologia que verifica ou revela fenó­menos psíquicos por meios vários (com ou sem aparelhos e instrumentos)» (2). (L. de Pina).

Cfr. Psicologia objectiva e subjectiva.

Por isso, observa e avalia o comportamento, expressão da per­sonalidade condicionada por aqueles fenómenos.

(Watson-behaviour)

Psicologia aplicada — «utilização do conhecimento da vida psíquica na adaptação do Ser ao perimundo, em suas diversas e mútuas exigências». L. de Pina.

  1. Fraisse, a cujos comentários deste capítulo se dará especial atenção, alude à
    Psicologia científica e seu método experimental. Por isso escreve: «La psychologie expé-
    rimentale est la psychologie élaborée par la méthode expérimentale». Fraisse (vd.
    Bibliografia).

  2. Como se diz, pode também realizar-se experimentação psicológica sem apa­-
    relhagem ou instrumental. O convívio social, a aplicação de certos testes (questio-­
    nários), etc., dão-nos, em certos casos, argumento a este asserto. Cfr. experiência (acto
    psíquico) e experiência (acto mecânico).

345

A) Fisiopsicologia

(Psicofísica)

O Ser humano, corpo e espírito. Sua unidade, base e sentido

do curso. De Hipócrates a S. Tomás, a Descartes e Stahl

até Dunbar (psicossomática). (*)
a) Sentidos (visão, audição, tacto, etc.) normais
patológicos


Animal ou humana (Antropologia integral. Homem são e doente).

Infância, juventude, adultez, velhice. Fisiologia neurológica.


  1. Biotipologia (constituição). Sistematização dos biótipos.
    Temperamentologia —de Sigaud a Sheldon. Antropometria.

  2. Hábito. Aprendizagem. Reflexologia normal e provocada

B) Psicologia (pròp. dita)

a) Individual 1) Afectiva — Sentimentos, paixões, im-
(Ser isolado) pulsos, etc. Neurose. Pesquisa rorschaqui-

ana.


  1. Intelectiva — Atenção, memória, ima­-
    ginação, raciocínio, etc. Suas pertur-­
    bações e anomalias.

  2. Volitiva — A vontade (motivação, inte-­
    resses). Frustação, inibição.

b) Contactiva (Ser socializado, Eu-Mundo) 1) singular

2) colectiva (multidão, grupo. Sociograma, Sociometria).



  1. Voluntária e compulsiva (vd. Questionário, Colóquio, etc.)

  2. em 2.a e 3.a pessoa — experimental pròpr. dita.

  1. Linguagem oral e escrita. Grafologia. O gesto. A mímica.
    Vestuário, adornos, etc.

(*) Em sumária exposição da Psicologia aplicada à Medicina se explanará e exem­plificará este conceito.

346 —


I PARTE

PSICOLOGIA EXPERIMENTAL

MEIOS DE OBSERVAÇÃO

Generalidades. O método. Extrospeeção e introspecção (3). Fenomenologia e Psicologia (4).


  1. Utensílios auxiliares — Cronometres, cilindros de Marey,
    etc. T. V., gira-discos, estereoscópios, etc.

  2. Instrumentos e meios específicos — Psicometria (testes).

Colóquio. Entrevista. Questionário. Psicoscopia. Cfr. Psi­cologia aplicada.

c) Aparelhagem diversa — Ergografia, tensiometria, espiro-
metria, etc. Encefalografia.

Breve exposição sobre a história da Ciência experimental (De E. e F. Bacon a Claude Bernard), especialmente da psicológica: de Féchner, Weber, Wundt, Ebinghaus, Kohler, Laskley, Bartlett, Hull, etc. De Wertheimer a Piéron, Claparède,

Fraisse, etc.



Em Portugal: de Costa Ferreira, Faria de Vasconcelos, Alves dos Santos, Matos Romão, etc., a Sílvio Lima, Planchard, Délio Santos, Delfim Santos.

O Laboratório de Psicologia da Faculdade de Letras de Lisboa (Moreira de Sá).

(3) Diz João Lindworsky (ob. cit.):

«I metodi della psicologia sperimentale si dividono secondo le loro origini, e siccome la coscienza é la fonte primaria, ne segue che 1'introspezione é anche il metodo primario». (Pag. 10).

(4) A propósito de Jaspers e suas concepções, escreveu Barahona Fernandes:
«O Homem como um Todo jamais se tornará objecto de conhecimento. Só nos são dados
aspectos particulares, dando-nos cada um uma realidade e não Realidade do Homem
(in trabalho cit. na nota 7, pág. 8).

— 347


Serviços onde se exercita a Psicologia experimental — Clínicas psiquiátricas. Instituto de Orientação profissional. Institutos de Criminologia, Gabinetes Psicológicos das Tutorias; Laboratórios privados (Empresas, Bancos, etc.); militares, escolares, etc.

Regras experimentais. Limitações (Eysenck, ob cit.)(5). Deontologia (normas éticas da experimentação; textos fundamentais).(6)

Metodologia experimental



Com referência a intervenientes na experiência:

  1. o observador ou experimentador (7) (ou equipa, turma).
    Suas qualidades, preparação, etc. Projecção do observador
    na interpretação dos resultados.

  2. o observando — homem (isolado; em família; ante chefes
    ou patrões; etc.)

  3. os aparelhos ou instrumentos (aferição, etc.) — privados ou
    universais; comerciais ou não comerciais; móveis e imóveis;
    desenhados ou manufacturados; etc.

  4. local da observação

(5) A propósito da introspecção, Lindvorsky esclarece: «II método scientifico,
primário della psicologia sperimentale à pertanto 1'introspezione retrospettiva... questa,
da sola, non é suficientemente ricca da consentire la costruzione di un'intera scienza,
l
a si é trasformata in una intróspezione sistemática e sperimentale. L'essenza dell'espe-
rimento consiste nell'introdurre volontariamente nella coscienza un determinato pro­-
cesso, come scopo della osservazione scientifica», (pág. 11).

(6) Serão comentados, em especial: Ethical standards of Psychologists. American
Psychological Association.
1963, Washungton.; F. Baumgarten. Regias de principio
de um código ético internacional para psicólogos. «Revista de Psicologia general y apli­
cada», 6.° 65. XVII. Madrid, 1962.

(7) Barahona Fernandes na notícia Cinquenta anos da «Psicopatologia Geral de K. Jaspers. Significado da sua metodologia fenomenológica, «Anais de Psiquiatria» a respeito do carácter vivo do homem real e existente que essencialmente é possibilidade (seg. Lefevre) escreve: «não se trata, propriamente, da sua objectivação na Personalidade, em algo que se chega a conhecer e a investigar. O tal X é, em princípio, insusceptível de conhecimento. Contém em si todas as possíveis concretizações de todos os possíveis actos psicológicos. Fica-lhes sempre para além.

Esta especialíssima posição de Jaspers implica uma deslocação de perspectivas da psicologia— a introdução do próprio psicólogo no acto psicológico do compreender». (Ano XIV —1962 —n.° 14. Pág. 14),

348 —


  1. sem utilização instrumental: vantagens e defeitos. Cfr.
    Questionários ou Inventários — Entrevistas, Colóquio.

  2. dia, clima, hora, luz; sossego, silêncio, etc. A torre ao silêncio
    de Pavlov.

  3. posição do observador (na frente do observando; oculto;
    de costas para aquele).

  4. experiência automática (com determinados aparelhos).
    Cinema, fonografia, fotografia, etc. (cfr. Normas éticas).

A Experiência (Experimentação)

(características e modalidades)



A fórmula E — R ou S — R, ou ainda E — O — E na base da experimentação = Estímulo, Reacção; Stimulus, Organismo Tempos de reacção (metodologia, aparelhagem).

Experimentação original ou repetente (de outrem). Animal: diversos seres: ameba, mosca, abelha, elefante, cavalo, cão, cobaia, rato... Os símios e antropóides. Humana.

Locais de observação psicológica: recintos fechados (laboratório, domicílio, oficina, fábrica, escola, hospital; teatros e cine­mas; etc). recintos especiais — rua, campo, água, etc.

Campos especiais de observação psicológica (expressionismo psicológico): — Clínica; Arte e Literatura; etc. Cfr. fig. 1.

Tipos de experiência psicológica:



ocasional ou intencional (comprovativa da racional ou filo­sófica; ou complementar da mesma; etc.). Ignorada do observando.

Sentido da experiência:



1) pesquisitiva (exemplificativa, comprovativa, etc.)

  1. didáctica

  2. aplicada—utilitária (comercial ou industrial); não

utilitária especial (escolar, profissional, clínica, etc.)

349

Registo dos resultados da experiência:
1) Prevenção do observando sobre o sentido do que vai

fazer-se (especialmente quanto ao aspecto moral nos testes projectivos; psicanálise, etc. As lições de PIO XII) (8).


  1. evitar o registo dos resultados ante o observando

  2. uso de recinto apropriado para a observação

  3. reserva dos resultados quanto ao observando

  4. arquivação

  5. estatística geral e especial

  6. ordenação e publicação dos resultados da observação

(8) Não se trata de apontar-lhe resultados e sua importância, mas suficiente ins­trução acerca da prova, sem qualquer possibilidade de influência ou sugestão. Ver nota l de pág. 7.

350 —


II PARTE

PSICOLOGIA APLICADA

Psicotécnica, Psicotecnia. Explanação do esquema l (ramos da Psicologia e suas indispensáveis e fortes inter-relações).

Outros aspectos da experimentação psicológica aplicada: dos chefes, da emigração, dos exilados e trasladados; da semân­tica gramatical, do trânsito e motorismo automóvel, ferroviário e aéreo, etc.

Higiene mental



Psicoterapia. Inibição, frustração.
*
Os TESTS ou TESTES (vd. rol adiante). Organização de psico-gramas: perfis psicológicos. Psicologia das profundidades (Adler, Freud e Jung): Psicanálise.

Psicologia e Grafologia. Velhas concepções psicológicas: Freno-logia, Fisiognomia, Astrologia judiciária, etc.






F/S/OLOG/A



PSICOLOÇA EMRiriÊflTAL



PSICOLOGIA

APLICADA




.médica P.pastoral

P. diferencial


Etc.

TESTES

Binet-Simon

Ballard

Terman-Merrill



Wechsler-Bellevue

Stanford


Urbanização (de Arthus), da aldeia ou da povoação

Árvore (Koch)

Família

Minnesota



Vermeylen

Army-test (alfa e beta). Baby-tests

T. A. T. (Teste da Apercepção Temática)



Raven

Associações livres

Córdoba (escolha do Ser)

Miocinético, de Mira y López



Whiple

Goodenough

Da imitação dos gestos (Bergés e Lézine)

Rey

Gex e outros

Psicodiagnóstico de Borschach

Szondi


Tsedek

Colóquio


Entrevista

Questionários (Califórnia =Thorpe,

Clark e Tegs — Grinker e Beck;

Júnior Maudsley Personality In-



ventory; Neymann — Kohlstedt;

Cornell Index FN2; Gex; etc.).

352 —

III PAETE



BIBLIOGEAFIA GEEAL E SUMÁBIA (facultável aos Alunos)(9):

Obras de:



J. Lindworsky — Manuale di Psicologia sperimentale. Trad. de

Galbi e Gatti. Milão.



M. Barbado — Estudios de Psicologia experimental. 2 vols. 1946-

-1948. Madrid.



Paul Fraisse — Manuel pratique de Psychologie expérimentale.

Paris, 1963.



H. Eysenck — Usos e abusos da Psicologia. S. Paulo, 1960. Benton Underwood — Experimental Psychology. An Introãuction.

N. Iorca, 1949.

Robert Woodworth e Harold Scholsberg — Experimental Psycho­logy. Londres, 1955. John Cohen e outros — por Oldfield: — «Experiment in pyschology»

William Grings — Laboratory instrumentation in Psychology. Paio

Alto. Califórnia, 1954.



Teobaldo Santos — Psicologia experimental. S. Paulo, 1961.

Th. Erismam — Psicologia aplicada.Barcelona, 1928.

Pierre Weil — Manual elementar de Psicologia aplicada. São Paulo,

1961.


George Brett e Peters — História de la Psicologia. B. Aires, 1963. Edmundo Sanford — Cours de Psychologie expérimentale. Paris,

1900 (10).

Robert Woodworth — Psychologie expérimentale. 2 volumes. Paris,

1949.


Enrique Cerdá — Psicologia aplicada. Barcelona, 1960.

E. Myra y López — Psicologia experimental. B. Aires, 1955.

(9) Durante o curso se dará nota bibliográfica referenternente aos diversos ramos da Psicologia aplicada, assinalados no esquema da fig. 1. As bibliotecas onde se encon­tram as obras indicadas são a das Faculdades de Letras e de Medicina, do Instituto de Criminologia e particular do Professor.

(Io) Esta e outras obras aqui não designadas, mas que se evocarão, podem ser con­sideradas clássicas e servem não só para compreender-se a evolução deste sector da Psicologia, mas para o documentar em vários pontos fundamentais.

353



Sousa Ribeiro — Psicologia experimental. Braga, 1958.

E. Binois — La Psychologie appliquée. Paris, 1952.

C. Fontaine — Guide du psychotécnicien. Paris, 1958.

H. Garrett — Les grandes réalisations en Psychologie. 1959.

J. Fröbes — Tratado de Psicologia empírica y experimental.

Madrid, 1950.



M. Barbosa — Estudios de Psicologia experimental. Madrid, 1946-

-1948.


H. Piéron — Elementos de Psychologie expérimentale. Paris, 1940. P. Rijlant — Elements de Physiologie psychologique. Paris.

H. Wellon — Príncipes de Psychologie appliqwée. Paris. Paul Fraisse e Jean Piaget — Traité de Psychologie expérimentale.

Paris, 1963.



Howard Kendler — Basic Psychology. Londres, 1963.
*
Boring (E. G.) «A History of Experimental Psychology». N. Iorca, 1929

Flugel—«A Hundred Years of Psychology». Londres,

1945
*

AULAS PRÁTICAS


Incidirão sobre matéria que seja possível demonstrar-se com o exíguo instrumental existente.

Trabalhos individuais ou de turma. Indicações disciplinares didácticas ou pedagógicas relativas à realização de investigações por parte dos alunos, sua cooperação com o Professor; registo das aulas práticas (em caderno próprio, onde o aluno anotará conclusões e fará comentários e sugestões, etc.). Construção de aparelhagem.

Temas de aulas práticas e pesquisa dos alunos: Cfr. B, alíneas a a e (pg. 6).

Eegras gerais de trabalho experimental, segundo Fraisse (Ob. cit.). Intentar-se-á incluir no elenco deste programa a reali­zação de conferências especiais ou cursos breves, em especial de Psicologia aplicada: experimentação animal, se possível; etc.

354 —

*
Alguns pontos para aulas práticas: exemplificações acerca de Biotipologia, de Caracterologia e Temperamentologia, da Personalidade; visita a serviços portuenses alheios à Uni­versidade onde se pratiquem alguns dos ramos da ciência que interessam ao Curso (Audiometria, Oftalmoscopia, Encefalografia, Psiquiatria, Psicopatologia infantil, etc.). Prova testemunhal.


*
Certas matérias serão objecto de explicitacão particular: psico-

motricidade, endocrinologia, afectividade, gestaltismo, psicanálise,

behaviourismo; inibição e frustração; aprendizagem; senso-

-percepção e suas alterações e anomalias; linguagem; atenção;

memória; etc., procurando-se a cooperação dos alunos na orga-

nização e solução destes propósitos, de modo a procederem ao

seu estudo individual ou colectivo.

Análise factorial — Spearmann e Thurstone.

Psicogalvanismo. As cores. Conflitos (defesas do Eu).



Sessões especiais para explanação comentada e exemplificada, com estudos portugueses (especialmente do Porto), dos diversos testes indicados; se possível, com observandos reais.

*

Por sugestão nossa, de colaboração com pessoal docente da


Faculdade de Medicina e de acordo com o da Faculdade de
Letras, realizar-se-á um cursilho de Introdução fisiológica à
Psicologia, iniciativa que não carece de justificação, com o
seguinte programa:

19 Novembro — Prof. Doutor Abel Tavares — Anatomia do sis­tema nervoso.

23 » — Doutor António Coimbra —- Anatomia microscó-

pica ao sistema nervoso.

.— 355

25 Novembro — Dr. João Barreto — Anátomo-fisiologia ao apa-

relho óptico. (11)

26 » — Dr.a Sofia Moreira — Anátomo-fisiologia do apa-

relho auditivo.

27 » — Dr.a Sofia Moreira — Sistema cárdio-vascular.

29 » — Prof. Doutor Fernandes da Fonseca — Heredi-

tariedade. Genética.

2 Dezembro — Doutor Manuel Hargreaves — Endocrinologia.

3 » — Prof. Doutor Luís de Pina — Biotipologia.

6 » — Doutor Joaquim Maia — Estatística aplicada à

Psicologia.

(") Realizada no nosso serviço de Psicologia da Faculdade de Medicina e no de Psiquiatria (Prof. Fernandes da Fonseca), a sua tese de licenciatura versa o tema Con­tribuição para o estudo do comportamento anti-social nos adolescentes (1963) e nela podem os Srs. Alunos compulsar os capítulos sobre Estrutura da personalidade, extro­versão e introversão, condicionamento e personalidade, personalidade e aprendizagem social, etc., bem como a apresentação do questionário Júnior Maudesley P. I., atrás citado. Como esta, outras teses recentes ali apresentadas podem prestar auxilio no estudo nesta Cadeira. Dar-se-á o seu rol completo à parte.

356 —



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