Língua portuguesa e literatura brasileira



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LÍNGUA PORTUGUESA E LITERATURA BRASILEIRA

O Poder das Palavras
Para responder às questões de 1 a 6, leia, atentamente, o poema abaixo.

Romanceiro da Inconfidência


Romance LIII ou Das palavras aéreas

1 Ai, palavras, ai, palavras,

que estranha potência, a vossa!

Ai, palavras, ai, palavras,

sois de vento, ides no vento,

no vento que não retorna,

e, em tão rápida existência,

tudo se forma e transforma!


8 Sois de vento, ides no vento,

e quedais, com sorte nova

10 Ai, palavras, ai, palavras,

que estranha potência, a vossa!

Todo o sentido da vida

principia à vossa porta;

o mel do amor cristaliza

seu perfume em vossa rosa;

sois o sonho e sois a audácia,

calúnia, fúria, derrota...


18 A liberdade das almas,

ai! com letras se elabora...

E dos venenos humanos

sois a mais fina retorta:

frágil, frágil como o vidro

e mais que o aço poderosa!

Reis, impérios, povos, tempos,

pelo vosso impulso rodam...


26 Detrás de grossas paredes,

de leve, quem vos desfolha?

Pareceis de tênue seda,

sem peso de ação nem de hora...

– e estais no bico das penas,

– e estais na tinta que as molha,

– e estais nas mãos dos juízes,

– e sois o ferro que arrocha,

– e sois barco para o exílio,

– e sois Moçambique e Angola!


36 Ai, palavras, ai, palavras,

íeis pela estrada afora,

erguendo asas muito incertas,

entre verdade e galhofa,

desejos do tempo inquieto,

promessas que o mundo sopra...

42 Ai, palavras, ai, palavras,

mirai-vos: que sois, agora?


44 – Acusações, sentinelas,

bacamarte, algema, escolta;

– o olho ardente da perfídia,

a velar, na noite morta;

– a umidade dos presídios,

– a solidão pavorosa;

– duro ferro de perguntas,

com sangue em cada resposta;

– e a sentença que caminha,

– e a esperança que não volta,

– e o coração que vacila,

– e o castigo que galopa...

!

56 Ai, palavras, ai, palavras,



que estranha potência, a vossa!

Perdão podíeis ter sido!

– sois madeira que se corta,

– sois vinte degraus de escada,

– sois um pedaço de corda...

sois povo pelas janelas,

cortejo, bandeiras, tropa...
64 Ai, palavras, ai, palavras,

que estranha potência, a vossa!

Éreis um sopro na aragem...

– sois um homem que se enforca!



(MEIRELES, Cecília. Os melhores poemas de Cecília Meireles /seleção Maria Fernanda. 11. ed. São Paulo: Global, 1999, p. 143-146).



GLOSSÁRIO:

quedar: ficar, deter-se, conservar-se.

retorta: vaso de vidro ou de louça com o gargalo recurvo, voltado para baixo e apropriado para operações químicas.

tênue: delgado, fino.

galhofa: gracejo, risada.

bacamarte: arma de fogo.

perfídia: deslealdade, traição.

aragem: vento brando, brisa.


1. A leitura do poema sugere que as palavras, por serem aéreas,
a) retornam, sempre, com o vento.

b) não mudam jamais.

c) perdem a sua potência.

d) transformam-se ao sabor do vento.

e) nunca chegam ao seu destino.

2. No poema, há uma relação entre a potência das palavras e um movimento de rebelião política ocorrido, no Brasil, no final do século XVIII. Essa relação aparece de forma mais evidente no seguinte verso:
a) “sois de vento, ides no vento,” (verso 4)

b) “sois a mais fina retorta:” (verso 21)

c) “– sois madeira que se corta,” (verso 59)

d) “– sois povo pelas janelas,” (verso 62)

e) “– sois um homem que se enforca!” (verso 67)

3. Leia os versos 50 e 51 a seguir:
“– duro ferro de perguntas,

com sangue em cada resposta;”
Esses versos fazem referência, especificamente, à (ao)
a) perseguição aos revoltosos.

b) tortura dos réus.

c) cerceamento da liberdade.

d) atitude de rebelião.

e) isolamento dos condenados.

4. Há oposição de sentido (antítese) entre as idéias expressas nos versos da alternativa:
a) “sois de vento, ides no vento, (verso 4)

no vento que não retorna,” (verso 5)

b) “E dos venenos humanos (verso 20)

sois a mais fina retorta:” (verso 21)

c) “frágil, frágil como o vidro (verso 22)

e mais que o aço poderosa!” (verso 23)

d) “Pareceis de tênue seda, (verso 28)

sem peso de ação nem de hora...” (verso 29)

e) “– e sois barco para o exílio, (verso 34)

e sois Moçambique e Angola!” (verso 35)

5. Leia os versos:
que estranha potência, a vossa!” (verso 2)

e estais na tinta que as molha,” (verso 31)

e a esperança que não volta,” (verso 53)
A palavra em destaque (que) funciona como elemento de
I. intensidade no verso 2.

II. coesão textual somente no verso 31.

III. coesão textual nos versos 31 e 53.
Está(ão) correta(s) apenas:
a) I c) III e) I e III

b) II d) I e II

6. A expressão “Ai, palavras”, na última estrofe do poema, sugere
I. a alegria do eu-lírico diante da condição aérea das palavras.

II. a admiração do eu-lírico pela rápida existência das palavras.

III. o lamento do eu-lírico diante do estranho poder de transformação das palavras.
Está(ão) correta(s) apenas:
a) I c) III e) I e III

b) II d) I e II

7. No Romanceiro da Inconfidência, Cecília Meireles recria poeticamente os acontecimentos históricos de Minas Gerais, ocorridos no final do século XVIII. Nesta mesma época, circulavam, em Vila Rica, as Cartas Chilenas, atribuídas a Tomás Antônio Gonzaga.
O fragmento a seguir foi extraído da Carta 2 em que Critilo (Gonzaga), dirigindo-se ao seu amigo Doroteu (Cláudio Manuel da Costa), narra o comportamento do Fanfarrão Minésio (Luís da Cunha Meneses, governador de Minas).


1

5

10



Aquele, Doroteu, que não é Santo

Mas quer fingir-se Santo aos outros homens,

Pratica muito mais, do que pratica,

Quem segue os sãos caminhos da verdade.

Mal se põe nas Igrejas, de joelhos,

Abre os braços em cruz, a terra beija,

Entorta o seu pescoço, fecha os olhos,

Faz que chora, suspira, fere o peito;

E executa outras muitas macaquices,

Estando em parte, onde o mundo as veja.



(GONZAGA, Tomás Antônio. Cartas Chilenas. São Paulo: Companhia das Letras, 1995, p. 68-69).

Considerando as informações apresentadas e esse fragmento poético, é correto afirmar:


a) O autor descreve as atitudes do governador de Minas sem fazer uso de um tom irônico.

b) O autor critica algumas atitudes do governador de Minas, julgando-as dissimuladas.

c) O autor descreve, com humor, o comportamento do governador de Minas, sem apresentar um posicionamento crítico.

d) O tom satírico, presente nas Cartas Chilenas, não é observado nesse fragmento, pois, aqui, há apenas a descrição das práticas religiosas do Fanfarrão Minésio.

e) O autor chama a atenção para o fato de que o governador de Minas age com fervor, longe dos olhos dos fiéis.

8. Considere as palavras destacadas nos versos abaixo, retirados do fragmento da Carta 2.
“Aquele, Doroteu, que não é Santo /Mas quer fingir-se Santo aos outros homens,” (versos 1 e 2)

Mal se põe nas Igrejas, de joelhos, / Abre os braços em cruz, a terra beija,” (versos 5 e 6)
Quanto ao emprego de mas e mal, é correto afirmar que essas palavras
a) estabelecem as mesmas relações de sentido expressas, respectivamente, por todavia e antes que.

b) podem ser substituídas, sem alteração de sentido, respectivamente, por contudo e assim que.

c) indicam, respectivamente, idéias de oposição e modo.

d) modificam o sentido das formas verbais “quer fingir-se” e “se põe”, expressando, respectivamente, idéias de adição e tempo.

e) introduzem, em ambos os versos, circunstância de tempo.
Para responder às questões 9 e 10, leia, atentamente, o texto abaixo.
Pudor (Fragmento)


1

4


8

12


16


Certas palavras nos dão a impressão de que voam, ao saírem da boca. “Sílfide”, por exemplo. É dizer “Sílfide” e ficar vendo suas evoluções no ar, como as de uma borboleta. Não tem nada a ver com o que a palavra significa. “Sílfide”, eu sei, é o femi­nino de “silfo”, o espírito do ar, e quer mesmo dizer uma coisa diáfana, leve, borboleteante. Mas experimente dizer “silfo”. Não voou, certo? Ao contrário da sua mulher, “silfo” não voa. Tem o alcance máximo de uma cuspida. “Silfo”, zupt, ploft. A própria palavra “borboleta” não voa, ou voa mal. Bate as asas, tenta se manter aérea mas choca-se contra a parede. Sempre achei que a pala­vra mais bonita da língua portuguesa é “sobrance­lha”. Esta não voa mas paira no ar, como a neblina das manhãs até ser desmanchada pelo sol. Já a terrí­vel palavra “seborréia” escorre pelos cantos da boca e pinga no tapete. [...]
(VERISSIMO, Luis Fernando. Comédias para se ler na escola. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001, p. 69).


9. Ao afirmar que “A própria palavra ‘borboleta’ não voa, ou voa mal. Bate as asas, tenta se manter aérea mas choca-se contra a parede.” (linhas 11 a 13), o autor
a) observa que a palavra borboleta não voa porque não é da natureza das borboletas voarem alto.

b) conclui que as palavras, para voarem, precisam estar ligadas ao seu significado.

c) mostra que a palavra borboleta, ao contrário da palavra “Sílfide”, não pode voar porque não significa o “espírito do ar”.

d) sugere que o som da palavra borboleta não dá a impressão de um vôo, diferentemente do que ocorre com a palavra “Sílfide”.

e) mostra que a palavra borboleta, ao ser pronunciada, não consegue manter-se aérea, por ter a borboleta asas frágeis.

10. Considere as expressões abaixo:
I. certas palavras” (linha 1)

II. “coisa diáfana” (linha 7)

III. “alcance máximo” (linha 10)
Invertendo-se, em cada uma delas, a ordem da palavra destacada, ocorrerá alteração de sentido, apenas em:
a) I c) III e) I e III

b) II d) I e II

Gabarito


01 02 03 04 05 06 07 08 09 10

D E B C E C D D B A





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