Livro: Mccayres Digitalização: Marina



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Livro: Mccayres

Digitalização: Marina

Revisão: Marisa




ISBN 978-85-7665-477-3

9788576654773

"Sheila". Copyright © 1962 Sony/ATV Music Publishing LLC. Todos os direitos administrados por Sony/ ATV Music Publishing LLC, 8 Music Square West, Nashville, TN 37203. Todos os direitos reservados. Reproduzido com permissão.

"Glory days", de Bruce Springsteen. Copyright © 1984 Bruce Springsteen (ASCAP). Reproduzido com permissão. Todos os direitos reservados.

"Magic Bus" reproduzida com a permissão de Pete Townshend.

Copyright © 2009 Michael J. Fox

Todos os direitos reservados

título original Always looking up : the adventures of an incurable optimist

preparação Adriane Gozzo

revisão Bel Ribeiro

DIAGRAMAÇÃO S4 Editorial



capa adaptada a partir do projeto gráfico original de Phil Rose

foto da capa Mark Seliger

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP Brasil)

Fox, Michael J.

Um otimista incorrigível / Michael J. Fox ; tradução Cassius Medauar.

- São Paulo : Editora Planeta do Brasil, 2009.

Título original: Always looking up: the adventures ofan incurable optimist. ISBN 978-85-7665-477-3

1. Atores - Canadá - Autobiografia 2. Atores - Estados Unidos -Autobiografia 3. Doença de Parkinson - Pacientes - Biografia 4. Fox, Michael J., 1961-1. Título.

09-09440 CDD-790,4302

Índice para catálogo sistemático 1. Estados Unidos: Atores: Autobiografia 790.4302

2009


Todos os direitos desta edição reservados à

Editora Planeta do Brasil Ltda.

Avenida Francisco Matarazzo, 1500 - 3a andar - conj. 32B

Edifício New York

Para Tracy, Sam, Aquinnah, Schuyler e Esmé.

E para Karen.

Com amor.

SUMÁRIO


INTRODUÇÃO

PARTE UM


TRABALHO

PARTE DOIS



POLITICA

PARTE TRÊS



PARTE QUATRO



FAMILIA

EPILOGO
AGRADECMENTOS



INTRODUÇÃO


Nas primeiras páginas de Lucky man*, descrevo uma manhã na Flórida há dezenove anos, quando acordei com uma bela ressaca e meu dedo mindinho tremendo. Nos anos seguintes, minha vida passou por grandes mudanças. Na maioria das manhãs, por exemplo acordo e meu dedo mindinho está totalmente imóvel; o problema é o restante do meu corpo, que treme de forma incontrolável. Tecnicamente; meu corpo só fica em paz

___


*Um homem de sorte, primeiro livro de Michael J. Fox no qual descreve sobre os estágios iniciais de sua doença, ainda inédito no Brasil (N.T.)
por completo quando minha mente está em repouso total - ou seja, dor­mindo. Atividade cerebral baixa significa menos neurônios queimando ou, no meu caso, pulando. Quando estou acordando, antes de a minha consciência acordar e saber o que está acontecendo, meu corpo já rece­beu insistentes instruções neurais para que se mova, se torça e contorça. E qualquer chance de voltar a dormir já era.

Nesta manhã, Tracy já se levantou, está preparando o café da manhã e aprontando as crianças para a escola. Tateio o criado-mudo à procura de um frasco de plástico, engulo dois comprimidos e sigo rapidamente para a primeira de uma série de atividades que, mesmo sendo automáticas, de­mandam grande determinação. Levanto as pernas e as levo até o lado da cama. No instante em que meus pés encostam no chão, os dois começam a lutar. A distonia, uma doença complementar ao Parkinson, faz meus pés doerem e se curvarem para dentro, pressionando meus tornozelos contra o chão e fazendo as solas dos meus pés se encontrarem, como se estivesse juntando as mãos em uma prece. Arrasto meu pé direito até a ponta do ta­pete e pego com os dedos meu mocassim de couro. Forço o pé para dentro dele e repito o processo com o esquerdo. Então, com cuidado, me levanto. Confortados pela firmeza do couro, meus pés começam a se comportar. Os espasmos pararam, mas as dores ainda vão durar uns vinte minutos.

Primeira parada: banheiro. Vou poupar você dos detalhes iniciais da minha visita. Digo apenas que, para quem tem Parkinson, é essencial dei­xar o assento da privada levantado. Pegar a pasta dental não é nada com­parado ao esforço feito para coordenar o trabalho das duas mãos, uma segurando a escova e a outra tentando colocar uma linha de pasta nas cerdas. Agora, minha mão direita já está levantada e fazendo movimentos circulares com meu punho, perfeito para o que farei em seguida. Minha mão esquerda guia a direita até a boca e, quando a parte de trás da escova toca a gengiva atrás do lábio superior, eu a solto. É como soltar o elástico de um estilingue e, comparando, é tão poderoso quanto a melhor escova elétrica que existe no mercado. Contudo, não há o botão "desligar". Então preciso parar meu braço direito com a mão esquerda, forçando-o para baixo até a pia e desarmando-o da escova, como se faz com alguém com uma faca em um filme. Em geral, consigo saber se estou em um bom dia para fazer a barba ou não, e, nesta manhã, como na maioria delas, decido que é cedo demais para arriscar uma carnificina. Resolvo passar apenas o barbeador elétrico rapidinho. E viva Miami Vice!

Um banco no chuveiro dá uma força aos meus pés, e a água batendo constantemente em minhas costas tem efeito terapêutico, mas, se ficar mui­to tempo sentado aqui, posso não me levantar mais. Vestir-me já é mais fácil, graças aos comprimidos, que começam a fazer efeito. Evito roupas com muitos botões ou cordões, porém sou viciado em Levi’s 501, o que me faz ser uma vítima da moda no estrito senso da palavra. Em vez de me pentear de verdade, ergo os dedos tremulantes até a cabeça, passo a mão no cabelo e torço para ter ficado bom. Viro-me devagar (minhas pernas ainda não ga­nharam confiança hoje) e sigo em frente para ver minha família.

Na saída do meu quarto para o corredor, há um grande espelho antigo com moldura de madeira. Não consigo evitar dar uma olhadela em mim mesmo enquanto passo por ele. Virando-me totalmente para o espelho, considero o que estou vendo. Essa versão refletida de mim, molhada, tremendo, enrugada, embaraçada e um pouco curvada seria alarmante, não fosse pela expressão de satisfação estampada em meu rosto. Eu me faria a pergunta óbvia, "do que você está rindo?", mas já sei a resposta: "a partir de agora o dia só melhora".

***


How to lese your brain without losingyour mind [Como perder seu cé­rebro sem perder sua mente] era o título original das memórias que es­crevi há oito anos. Na segunda ou terceira página do primeiro rascunho, referi-me a mim mesmo como sendo um "homem de sorte". Depois de algumas edições, eu sempre voltava a essas três palavras e, no fim, elas acabaram dando um jeito de chegar à capa do livro. Combinavam com a capa, e combinam até hoje.

Já o título deste novo livro* tem mais de um significado. Primeiro -vamos falar disso de uma vez -, é uma piada de baixinho. Tendo pouco menos de 1,65 metro, a maior parte da minha interação com o mundo e com as pessoas nele requereram que eu inclinasse um pouco a cabeça para trás e olhasse para cima. Mas isso não é um manifesto sobre as difi­culdades dos menos favorecidos em termos de altura. Sinceramente, mi­nha altura, ou a falta dela, nunca me incomodou muito. Apesar de que não há dúvidas de que contribuiu para o meu engrandecimento mental. Sempre saí na frente por ser subestimado, e me aproveitei disso. E este é mais o espírito do título: fazer alusão a uma perspectiva emocional, psicológica, intelectual e espiritual que me serviu durante a vida e tal­vez tenha me salvado ao me ajudar a viver a vida com Parkinson. Não que eu não sinta a grande dor da perda. Força física, espontaneidade, balanço, destreza manual, liberdade de fazer o trabalho que eu quiser, na hora em que e como quiser, e a confiança de que sempre estarei presente quando minha família precisar de mim - se todas essas coisas não se perderam por completo com o Parkinson, foram pelo menos comprometidas de maneira drástica.

Os últimos dez anos da minha vida, que são o grande assunto deste livro, começaram com uma grande perda: minha aposentadoria da série Spin City. Tive de me esforçar para me adaptar a uma nova dinâmica, à mudança das minhas personalidades pública e privada. Eu era Mike, o ator, e depois Mike, o ator com Parkinson. E agora seria apenas Mike com DP? A Doença de Parkinson tinha consumido minha carreira e, em certo sentido, se tornado minha carreira. Mas onde tudo isso me deixava? Tinha de construir uma nova vida quando ainda era muito feliz com a vida antiga. Fui abençoado com uma carreira de vinte e cinco anos em um trabalho que amava.

____


*O autor de refere ao titulo original, Alwais Looking up, “Sempre olhando pra cima”, que além de ser uma mensagem de otimismo, que no caso foi traduzida por Um otimista incorrigível, é uma bvrincadeira que se faz com as pessoas de baixa estatura

Tinha uma esposa brilhante, linda, engraçada, que me apoiava totalmente, e uma família em expansão de filhos irrepreen­síveis. Se eu tinha de abrir mão de parte disso tudo, como poderia me proteger para não perder tudo?

A resposta tinha muito pouco a ver com "proteção" e tudo com perspectiva. A única opção que eu não tinha era ter ou não ter Parkinson. Todo o restante eu podia resolver. Podia me concentrar na perda e inves­tir em quaisquer medidas reparadoras que meu ego conseguisse criar. E podia me apoiar na minha velha conhecida dos anos 1990, a negação. Ou então podia simplesmente seguir em frente com minha vida e ver se os buracos nela começariam a se preencher sozinhos. Nos últimos dez anos, isto aconteceu mesmo, e das maneiras mais incríveis.

O que você vai ler a seguir são as memórias desta última década. Mas, diferentemente de Lucky man, o livro é temático, e não cronológico. Trabalho, Política, Fé e Família. Esses são os pilares da minha existência. E a base da minha vida.

Juntos, formam uma proteção contra a destruição causada pela Doença de Parkinson. Minha identidade tem tudo a ver cora minha habilidade de me expressar, de mostrar minha criatividade e meu valor produtivo (trabalho), de defender meus direitos e os de qualquer comu­nidade da qual eu faça parte e, portanto, seja responsável (política), de ter liberdade de procurar um propósito espiritual (fé) e poder explorar os laços complexos que tenho com as pessoas que mais amo (família), sem os quais eu já teria sucumbido há tempos diante das forças do lado negro.

Mesmo não sendo uma narrativa estrita, este Livro descreve uma jor­nada de autoconhecimento e reinvenção. A história é um testamento das coisas que me trouxeram até aqui e que deram sentido a todas as áreas da minha vida.

Para tudo que a doença tomou de mim, algo de grande valor me

Foi dado — às vezes , foi apenas algo que me fez ir em uma nova direção que jamais teria trilhado em outra situação. Claro que tudo isso pode parecer um passo para a frente e dois para trás, mas depois de um tempo com Parkinson aprendi que o que importa é fazer com que aquele passo à frente valha a pena; sempre mirando as estrelas.


PARTE UM
TRABALHO





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