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RAMATÍS

O SUBLIME PEREGRINO

6 a EDIÇÃO

OBRA PSICOGRAFADA POR HERC1LIO MAES

Revista por JOSÉ FUZEIRA







LIVRARIA FREITAS BASTOS S. A.

Rua 7 de Setembro, 127/129 - 20.050 - Rio de Janeiro - RJ Rua Maria Freitas, 110-A - 21.351 - Rio de Janeiro - RJ Rua 15 de Novembro, 62/66 - 01013 - São Paulo - SP Rua Domingos de Morais, 2.414 - 04036 - Vila Mariana - SP

ALGUMAS PALAVRAS


Prezados leitores.

Cabe-nos dar algumas breves explicações & respeito desta obra intitulada "O Sublime Peregrino". Não se trata propria­mente de uma história de Jesus em absoluta cronologia com todos os seus passos na Terra. Calcula-se que já ultrapassam 7 000 as obras escritas sobre sua existência, e todas elas fun­damentadas ou baseadas nos relatos evangélicos de Mateus, Lucas, João e Marcos, que são a única fonte biográfica de referência oficial da passagem do Mestre Cristão entre os homens. Em conseqüência, achamos que seria desperdício de tempo tentarmos com Ramatís mais uma "Vida de Jesus", nos moldes das biografias já existentes, as quais nos apre­sentam tantos aspectos dele, que até nos parecem tratar-se de centenas de indivíduos diferentes!

Então preferimos indagar a Ramatís quanto aos prin­cipais fatos da existência do Amado Mestre Jesus, mas sem qualquer receio de tabus, proibições, dogmas, pieguismo, crenças e interesses religiosos, malgrado isso possa causar choques emotivos nos tradicionalistas e protestos dos mais sentimentalistas, ainda condicionados às tradições religiosas. Sabíamos que Ramatís fora conhecido filósofo egípcio, no tempo de Jesus, e assim poderia dizer-nos algo daquela época e da vida do próprio Mestre. Mobilizamos assuntos nevrálgi­cos e perguntas até impertinentes sobre Jesus de Nazaré, o Redentor da humanidade, mas procuramos conhecê-lo como o homem incomum, magnífico e santificado, que seria mais lógico, em vez do Mito alvo da adoração fanática e incons­ciente imposta pelos dogmas da especulação religiosa orga­nizada. Ademais, queríamos saber quanto a sua "descida” à Terra, sua identidade sideral, porque nascera na Judéia, qual o processo técnico de sua encarnação, o seu contato com os Essênios, a natureza da traição de Judas, a realidade dos seus milagres e feitos, os motivos óbvios de sua conde nação à cruz, o seu julgamento perante o Sinédrio e Pilatos, a razão das passagens evangélicas que lhe desmentem a bon­dade e a tolerância, a verdade ou fantasia do Cristo Plane­tário, e, finalmente, qual fora a sua contextura humana, física ou fluídica?

Quanto às simpatias ou antipatias, censuras ou elogios, é problema que não nos preocupa, uma vez que a nossa in­tenção ê servir e ser útil a uma causa espiritual de ampli­tude coletiva, quaisquer que sejam as críticas humanas a respeito ãe nossa tarefa. Antevemos os protestos de certos setores religiosos grampeados ainda ao subjetivismo dos "mi­lagres" e das fantasias mitológicas; chegando até a admitir que o próprio Deus se travestiu de homem para então poder salvar a humanidade. E também discordarão desta obra os espiritualistas que admitem a excentricidade de um Jesus fluídico, a competir com os homens mediante o privilégio de uma natureza humana diferente das leis biológicas da procriação..

Na função de médium de Ramatís, tudo fizemos para recepcionar o seu pensamento com isenção de ânimo e sem qualquer premeditação mediúnica. "O Sublime Peregrino" não é somente uma tentativa para focalizar novos ângulos da vida de Jesus através da psicografia; mas, principalmente, dar-nos algo de sua própria contextura sideral fora da ma­téria, a natureza de suas relações com os planos da vida cós­mica e com o Espírito Planetário da Terra! Esse então é o Jesus que precisamos sentir permanentemente em nós mes­mos, porque ultrapassa o "tempo" e o "espaço", e significa a Fonte inesgotável, o "caminho, a verdade e a vida" de nossa ventura espiritual!

Curitiba, 15 de dezembro de 1964 Grupo Ramatís

PREÂMBULO DE RAMATÍS



Meus irmãos.

Esta obra prende-se a algumas lembranças do contato que tivemos com Jesus de Nazaré, na Palestina, e de inda­gações que fizemos a alguns dos seus próprios discípulos naquela época, e a outros, aqui no Espaço. Alguns quadros ou configurações de sua infância, adolescência e maturidade, pudemos revivê-los recorrendo aos arquivos ou "registros etéricos", fruto das vibrações das ondas de luz, ao Éter ou "Ákase" dos orientais, que fotografa desde o vibrar de um átomo até a composição de uma galáxia (1).

Em vez de tecermos uma biografia romanceada, em que a nossa imaginação ou do médium suprisse os elos faltantes ou obscuros, esforçamo-nos para deixar-vos uma idéia mais nítida e certa da realidade do Espírito angélico de Jesus, que jamais discrepou da vida física, pois viveu sem exorbitar dos costumes e das necessidades humanas. Atendendo à sugestão dos nossos Maiorais da Espiritualidade, procuramos esclarecer os leitores sobre diversos conhecimentos da vida oculta e prepará-los para as revelações futuras, com referência à contextura do seu espírito imortal. Eis os motivos das "divagações", que costumamos tecer propositadamente Tora dos temas fundamentais de nossas obras, as quais então proporcionam aos nossos leitores o ensejo de uma doutrinarão suave, indireta e desapercebida, que os auxilia a ajustar os fragmentos de suas próprias aquisições espirituais. O que


(1) "Conforme não mais ignoram os estudiosos e pensadores do Espiritismo, as poderosas sensibilidades etéricas, as ondas luminosas disseminadas pelo Universo, o fluido universal, enfim, sede da Criação, veículo da Vida, possui a prodigiosa capacidade de fotografar e arquivar em .suas Indescritíveis essênclas os acontecimentos desenrolados sob a luz do Sol, na Terra, ou pela vastidão do Infinito" Trecho extraído da pág. 56, da obra, "Dramas da Obsessão,", de Yvonne A Pereira, editada pela Federação Espírita Brasileira.
lhes seria mais árido numa busca isolada sobre o espírito, fica-lhes mais atraente e fácil, quando disseminado em torno de um assunto vertebral na leitura espiritualista.

Não defendemos "tese", nem pretendemos firmar pontos doutrinários nos relatos sobre "O Sublime Peregrino"; ten­tamos apenas revelar-vos algumas atitudes e estados de es­pírito do Mestre Jesus, que se ajustam realmente à sua ele­vada contextura espiritual. Cabe ao leitor achar justo, certo ou inverossímil o texto desta obra, o que, sem dúvida, será de conformidade com o seu próprio grau espiritual. Em verdade, todos nós descobrimos, dia a dia, que ainda sabe­mos muito pouco sobre a natureza sideral de Jesus, e, possi­velmente, só depois de alguns milênios poderemos conhecê-la em sua plenitude! Uma vez que não nos move a vaidade insensata de querermos contentar a todos os homens, desde já asseguramos o nosso respeito e a nossa compreensão diante de qualquer opinião sobre esta obra.

Há séculos que os homens desperdiçam seu precioso tempo na indagação de minúcias dos acontecimentos ocor­ridos em torno do Mestre Jesus. No entanto, descuram-se de considerar e praticar os seus admiráveis ensinamentos de redenção moral e espiritual. Quanto ao seu nascimento, cer­tos estudiosos, baseados na história profana, o julgam nas­cido em Nazaré; e outros, conforme a tradição evangélica da Igreja Católica (1-A), o crêem oriundo de Belém. E alguns ehegam a atribuir o nascimento do Mestre Galileu, em Belém, à necessidade de se justificar a lenda criada para situá-lo na man jedoura e assim cumprirem-se integralmente as pro­fecias do Velho Testamento (2).

A tradição mitológica costuma sempre descrever o nas­cimento dos grandes iniciados ou avatares destinados a de­sempenharem relevantes missões sociais ou espirituais, como provindos de virgens e sob misterioso esponsalício estranho à ordem natural do sexo e da gestação. Crisna, Lao-Tse, Zo-roastro, Buda, Salivahana e outros instrutores espirituais nasceram de virgens e através de fenômenos ou processos extraterrenos. Jesus, portanto, devido à sua elevada hierarquia
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(1-A)Nota do Revisor: ─Segundo o Evangelho de São João, cap.I,vers.45-6, o apóstolo refere-se à Jesus de Nazaré, filho de José.Do fato de ter sido criado em Nazaré, é que resultou o cognome─Jesus de Nazaré, embora tenha realmente nascido em Belém.

(2) Mateus, capII,vers.1 e 23. Lucas,cap.II,vers.4 a 7. Isaías,cap.IX,vers.6 e

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sideral, também não escaparia de vir à luz do mundo sem alterar a virgindade de Maria e ser concebido "por obra e graça do Espírito Santo"!

Ainda existem outras preocupações quanto a certos acon­tecimentos, tais como se José e Maria realmente se movi­mentaram para atender ao recenseamento ordenado pelos romanos. Se isso aconteceu, só poderia ter ocorrido no rei­nado de Quirinus, após a queda de Arquelau. Mas se Jesus nasceu sob o poder de Herodes, conforme asseguram os dois evangelhos , então a viagem de José e Maria rumo a Jerusalém não se realizou, porquanto no regime de Herodes não houve qualquer recenseamento.

E ainda multiplicam-se as dúvidas ou discordância a respeito de Jesus, pois até os espíritas, apesar de mais esclarecidos quanto à verdadeira vida espiritual, também divergem sobre a natureza do corpo do Mestre. Uma parte admite Jesus com um corpo físico e sujeito às contingências comuns da vida carnal; outros preferem a tese dos "Quatro Evangelhos", de Roustaing, obra mais afim às revelações mitológicas do catolicismo e responsável pela concepção do "corpo fluídico". Aliás, essa assertiva de Jesus ter um "corpo fluídico" ajusta-se ao mistério da sua "ascensão em corpo e alma", a qual não é admitida pelos espíritas kardecistas

No entanto, estas discussões sobre as características ou minúcias dos acontecimentos ocorridos quanto ao nascimento de Jesus constituem perda de tempo, pois o aspecto mais importante é a sua vida de abnegação e sacrifício ilimitados, no sentido de "salvar" a humanidade! Belém ou Nazaré., o lar ou a mangedoura, corpo físico ou fluídico, milagres ou trivialidades são circunstâncias incapazes de influir sobre o conteúdo do seu Evangelho, o mais avançado Código de Leia de aperfeiçoamento espiritual. Jesus sempre viveu em ti mesmo os ensinamentos e conceitos salvadores ensinados ao homem terreno; obviamente, é muito mais valiosa e importante a sua doutrina e não os aspectos humanos do ambiente onde ele nasceu e viveu! A consumação do seu holocausto na cruz foi o coroamento messiânico c a confirmação inconfundível de toda sua doutrina recomendada à hu­manidade e sem derrogar as leis do mundo material, pois os seus próprios "milagres" nada tinham de sobrenaturais, mas podiam ser facilmente explicáveis pelas leis da física transcendental com relação aos fenômenos mediúnicos hoje conhecidos.

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(3) Mateus,II ─v.I. LucasI ─v.5.

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Jesus, embora fosse um anjo exilado do Céu, viveu junto dos terrícolas, lutando na vida, humana com as mesmas ar­mas, sem privilégios especiais e sem recorrer a interferên­cias extraterrenas para eximir-se das angústias e dores ine­rentes à sua tarefa messiânica. O seu programa na Terra destinou-se a libertar tanto o sábio e o rico, como o iletrado e o pobre; por isso enfrentou as mesmas reações comuns a todos os homens, suportando as tendências instintivas e os impulsos atávicos, próprios de sua constituição biológica he­reditária, embora lhe atribuíssem uma linhagem excepcional da estirpe de Davi . O Mestre mobilizava todos os re­cursos possíveis para evitar sua desencarnação prematura, cujo corpo de carne se ressentia do potencial elevado das vibrações sidéreas emitidas pelo seu Espírito angélico. Vivia, em alguns minutos, os pensamentos, as emoções, an­gústias e ansiedades que os terrícolas não conseguiam viver em uma existência. O ritmo do metabolismo de sua vida espiritual ultrapassava o limite áurico de toda a humani­dade terráquea, e os seus raciocínios transbordavam fora do tempo e do espaço, exaurindo-lhe o cérebro.

No seu hercúleo esforço para situar-se a contento, na carne, Jesus assemelhava-se a um raio de sol tentando aco­modar-se numa vasilha de barro! A sua mente vivia hiper­tensa, cujo impacto se descarregava sobre os plexos nervo­sos, oprimiam-lhe o cérebro, os nervos, o sangue e os vasos capilares, resultando, então, perigosos hiatos na rede circulatória. O turbilhão de pensamentos criadores vibrava e descia da superconsciência; ele então recorria aos jejuns periódicos, a fim de o seu espírito conseguir maior liber­dade nessas fases pré-agônicas de desafogo da matéria. Ou­tras vezes, o próprio organismo mobilizava recursos biológi­cos de emergência e vertia suor e sangue, compensando, com essa descarga imediata de humores, a perigosa tensão "psicofísica", fruto do fabuloso potencial de energia espiritual a lhe prensar a carne frágil(5) !

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(4)Lucas,cap. II,v.4. 2ª Epístola de Paulo a Timóteo,cap II,vers.8

(5)Nota do Revisor: ─ O Evangelho de Lucas, cap.XXII.vers.44, refere o seguinte:─”E veio-lhe um suor de sangue, como de gotas de sangue, que caia sobre a terra.” Trata-se de suor sangüíneo, por hemorragia das glândulas sudoríparas, que a Medicina chama de hematidrose.

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Embora as paixões e os desejos estejam na alma, Jesus também se via obrigado a mobilizar os seus recursos angé­licos, a fim de neutralizar as vibrações pesadas do ambiente onde se encontrava, assim como as flores delicadas resistem aos ventos agressivos. A própria narrativa religiosa simbo­liza na tentação de Satanás (6) ao Mestre Jesus, no ''deserto da vida humana", a força dos impulsos da animalidade pre­tendendo enlaçá-lo nas teias sedutoras da vida sensual e epicurística do mundo.

Malgrado o terrícola ainda não possuir sensibilidade mo­ral apurada, em condições de avaliar o imenso sacrifício e abnegação despendidos por Jesus para descer aos charcos do vosso mundo, são bem menores as lutas, angústias e os tormentos do pecador, no sentido de purificar-se até subir às esferas da angelitude, ante o martírio do anjo que renuncia às venturas celestiais dos mundos divinos, para descer ao abismo pantanoso dos mundos materiais, como sucedeu a Jesus.

E' bem mais fácil e cômodo despojarmo-nos dos trajes enlameados e tomarmos um banho refrescante, do que ves­tirmos roupas pesadas e descermos a um fosso de lodo re­pulsivo e infeccionado, onde se debatem criaturas necessi­tadas de nosso auxílio.

Paz e Amor. Ramatís.

Capítulo I

CONSIDERAÇÕES SOBRE A DIVINDADE E EXISTÊNCIA DE JESUS

PERGUNTA: — Que dizeis a respeito do dogma cató­lico, que afirma ter sido Jesus o próprio Deus encarnado, feito homem para salvar a humanidade?

RAMATfS: Em verdade, Jesus é o Espírito mais excelso e genial da Terra, da qual é o seu Governador Espi­ritual. Foi também o mais sublime, heróico e inconfundível Instrutor entre todos os mensageiros espirituais da vossa humanidade. A sua encarnação messiânica e a sua paixão sacrificial tiveram como objetivo acelerar, tanto quanto possível, o ritmo da evolução espiritual dos terrícolas, a fim de proporcionar a redenção do maior número possível de almas, durante a "separação do joio e do trigo, dos lobos e das ovelhas", no profético Juízo Final já em consecução no século atual.

PERGUNTA: — Podereis referir alguns aspectos e deta­lhes, quanto ao critério dessa separação em duas ordens distintas?

RAMATíS: — O "trigo" e as "ovelhas" simbolizam os da "direita" do Cristo: são os pacíficos, altruístas, humildes e compassivos, representantes vivos das sublimes bem-aventuranças do Sermão da Montanha. O caso é semelhante ao que se processa num jardim, quando o jardineiro decide arrancar as ervas daninhas que asfixiam as flores; e, em se­guida, aduba a terra, a fim de obter uma floração sadia e bela.

O outro grupo de espíritos situados à "esquerda" do Cristo, referidos na profecia como sendo o "joio" ou os "lobos", compõem-se dos maus, dos cruéis, avarentos, irrascíveis, orgulhosos, egoístas, hipócritas, luxuriosos ou ciumen­tos. Semelhantes à erva daninha do jardim, eles serão "arran­cados" ou "excluídos" da Terra para um planeta inferior, compatível com suas paixões e vícios. No entanto, como o Pai jamais perde uma só ovelha do seu rebanho, tais "esquerdistas", depois de "limpos" ou "redimidos" no exílio pla­netário purgatorial, regressarão à sua velha morada terrena para harmonizar-se à sua humanidade.

Conseqüentemente, os exilados da Terra sentir-se-ão "es­tranhos" no planeta para onde foram expulsos; e, em certas horas de nostalgia espiritual, criarão também a lenda de um Adão e Eva enxotados do Paraíso, por haverem abusado da "árvore da vida" . Então, no astro-exílio surgirá uma versão nova da lenda dos "anjos decaídos", como já aconteceu há milênios, na Terra, por parte dos exilados de outros orbes submetidos a juízo final semelhante. E quando esses ex­patriados voltarem a reencarnar na Terra, que é a sua "casa paterna", então o Pai se rejubilará !

No Terceiro Milênio, a Terra será promovida a um grau sideral ou curso espiritual superior, algo semelhante ao gjnásio do currículo humano, cujos inquilinos ou moradora; serão os espíritos graduados à "direita" do Cristo, conforme João diz no seu Apocalipse (Cap. XXI, vers. 27): — "Não entrará nela (Terra) coisa alguma contaminada, nem quem cometa abominação ou mentira, mas somente aqueles que estão escritos no livro da vida do Cordeiro". Em verdade, no Terceiro Milênio, entrarão na Terra, pela "porta" da reencarnação, os espíritos devidamente ajustados ao Evangelho de Jesus, no simbolismo das "ovelhas", do "trigo" e dos "di­reitistas".

PERGUNTA: — Qual uma idéia mais ampla, quanto a Jesus ser o "Salvador" dos homens, conforme aludistes há pouco?

RAMATíS: — As profecias do Velho Testamento sempre se referiram a um Messias, eleito de Deus, "Salvador" da humanidade terrena e libertador do Povo de Israel, cativo dos romanos. Mas os profetas não explicaram qual seria a natureza dessa "salvação". nem deixaram quaisquer indicações que pudessem esclarecer os exegetas modernos. No entanto, a humanidade do século XX já está capacitada para entender o sentido exato do vocábulo "Salvador", e também qual é a natureza da tarefa de Jesus junto aos homens.
O seu Evangelho, como um "Código Moral" dos costu­mes e das regras da vida angélica, proporciona a "salvação" do espírito do homem, libertando-o dos grilhões do instinto animal e das ilusões da vida material. Essa "salvação", no entanto, ainda se amplia noutro sentido, porque os redimi­dos ou "salvos" dos seus próprios pecados também ficam livres da emigração compulsória para um planeta inferior, cujo acontecimento já se processa na vossa época, simboli­zado pelo "Fim dos Tempos" ou "Juízo Final"!

Os evangelizados ou "salvos" das algemas das paixões da animalidade devem corresponder ao simbolismo do "trigo", da -'ovelha" ou da "direita" do Cristo, a fim de ficarem deso­brigados de uma emigração retificadora para outro orbe in­ferior, sendo-lhes permitido reencarnar-se na Terra, parti­cipando da humanidade sadia e pacífica predita para o Ter­ceiro Milênio (3). Em conseqüência, a humanidade futura será composta dos "escolhidos" à "direita" do Cristo e perfei­tamente integrados no seu Evangelho redentor.

PERGUNTA: — Qual a outra afirmação da Igreja Ca­tólica, de que Jesus era o "Filho de Deus", como a segunda pessoa da Santíssima Trindade manifesta na carne?

RAMATíS: — Jesus nunca afirmou que era o próprio Deus manifesto na segunda pessoa da Santíssima Trindade, nem se pronunciou diferente da natureza dos demais ho­mens. Mas deixou bem claro a sua condição de irmão de todos os homens e filhos do mesmo Deus, quando por di­versas vezes assim se dirigiu aos seus discípulos: "Eu vou a meu Pai e a vosso Pai, a meu Deus e a vosso Deus". B' evidente, nesse conceito, que ele se referia a Deus como o Pai de todos os homens; e a todos os homens como filhos desse mesmo Deus.

PERGUNTA: — Poderíeis citar-nos algum fato ou versí­culo do Novo Testamento, comprovando-nos o fato de Jesus não ser o próprio Deus encarnado?

RAMATÍS: —Deus, o Absoluto, o Infinito, jamais po­deria ser enclausurado ou "comprimido" nas limitações da forma humana, assim como um pequeno lago não pode su­portar e conter o volume das águas do oceano!

A Terra, planeta uo educação primária a se mover entre bilhões de outros planetas mais evoluídos, jamais poderia

(3) Vide a obra de Ramatís "Mensagens do Astral", cap. I, II e XI, respectivamente, "Os Tempos são Chegados", "O Juízo Final"e"Os que Emigrarão para um Planeta Inferior".

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justificar a derrogação das leis do Universo Moral, no sen­tido de o próprio Deus tomar a forma humana, para "sal­var" a humanidade terrícola, ainda dominada pela cupidez, sensualidade, avareza, ciúme e orgulho! Isso seria tão absurdo, como se convocar um sábio da categoria de Einstein para ensinar os rudimentos da aritmética aos alunos primários!

Deus jamais precisaria encarnar-se na Terra para des­pertar os terrícolas, quanto aos objetivos superiores da vida imortal. A revelação espiritual não se faz de chofre; ela é gradativa e prodigalizada conforme o entendimento e o pro­gresso mental dos homens. Assim, em épocas adequadas, bai­xaram à Terra instrutores espirituais como An túlio, Numu, Orfeu, Hermes, Crisna, Fo-Hi, Lau Tse, Confúcio, Buda, Ma-harshi, Ramacrisna, Kardec e Ghandi, atendendo particular­mente às características e aos imperativos morais e sociais do seu povo. Jesus, finalmente^ sintetizou todos os conhe­cimentos cultuados pelos seus precursores, e até por aqueles que vieram depois dele. O seu Evangelho, portanto, é uma súmula de regras e de leis do "Código Espiritual", estatuído pelo Alto, com a finalidade de promover o homem à sua definitiva cidadania angélica.

Aliás, é Jesus quem nos comprova não ser ele o próprio Deus, porquanto do alto da cruz, num dos seus momentos inais significativos, exclamou: — "Pai! Perdoai, pois eles não Babem o que fazem"! Por conseguinte, é absolutamente ló­gico e evidente que a sua súplica ao Pai, rogando pelos seus algozes, demonstra a existência na cn^z do martírio de um "filho espiritual", feito homem e não o próprio Deus!

Se Jesus fosse o próprio Céus feito carne, por que então ele se dirigiu a um Pai que, sem dúvida, estava nos Céus? (4)

PERGUNTA: — Somos de opinião que.Jesus, apesar de toda sua capacidade espiritual e graduação angélica, gozava de uma assistência excepcional do Alto. Essa designação de "Filho de Deus" devia referir-se mais propriamente ao fato dele exercer uma atividade incomum na Terra. Não é assim?

  1. Nota do Revisor:─ Vide Epístola aos Gaiatas, cap. IV,vers. 4: "Mas quando veio o cumprimento do tempo, enviou Deus o seu filho, nascido de mulher,nascido sujeito à lei”. É evidente que Paulo de Tarso, nessa epistola, deixa bem claro que Jesus não é Deus.E se o Mestre foi nascido de mulher e sujeito à lei, é óbvio que nasceu com um corpo carnal e de modo comum e humano, como os demais homens. A citação de Paulo não admite outra conclusão.

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RAMATÍS: — Não foi a condição excepcional da "Filho de Deus", como um ser divino e acima da contextura humana dos terrícolas, nem o efeito de uma assistência privilegiada, o sustento de Jesus na sua obra redentora, mas a sua fé ardente e convicção inabalável em favor da humanidade ter­rena. Ele já possuía em si mesmo, por força de sua hierar­quia espiritual, a ventura ou a paz tão desejadas pelo ho­mem terreno. O êxito absoluto na sua tarefa salvacionista não dependeu de proteções celestiais privilegiadas, rnas do seu amor intenso e puro, de seu afeto desinteressado e in­condicional para com o homem! Essas virtudes expandiam-se naturalmente de sua alma e contagiavam quantos o cer­cavam, assim como o cravo e o jasmim não podem evitar que o perfume inerente à sua natureza floral também se des­prenda sobre as demais flores do jardim!

Jesus não tinha dúvidas quanto à realidade do "Reino de Deus" a ser fundado entre os homens, porque esse ideal era manifestação espontânea de sua própria alma, já libe­rada da roda viciosa das encarnações planetárias. Nada mais o atraía para os gozos e os entretenimentos da vida carnal! Todo o fascínio e convite capcioso do mundo exterior não conseguiam aliciá-lo para o seu reinado "cesariano", ou fazê-lo desistir daquele "reino de Deus", que ele pregava ao ho­mem, no sentido de "salvá-lo" da ilusão e do cativeiro carnal!

A tarefa messiânica de Jesus desenrolava-se sem quais­quer hesitações de sua parte, sustentada pela vivência supe­rior do seu próprio espírito. A sua presença amiga e o seu semblante sereno impressionavam a todos os ouvintes, quer fossem os apóstolos, discípulos, simpatizantes, homens do povo ou até inimigos!

Assim como o calor revigora o corpo enregelado, sua presença semeava o ânimo e a esperança, fazendo as criatu­ras esquecerem os próprios interesses da existência humana. A fonte que mitiga a sede dos viandantes não precisa de "interferências misteriosas" para aliviar os sedentos; ela já possui o atributo refrescante como condição inerente à sua própria natureza. Jesus também era uma fonte sublime e abençoada de "água espiritual", sempre pronta a mitigar a sede de afeto, de alegria e de esperança dos peregrinos da vida terrena, sem usar de armas agressivas, de moedas, de recursos políticos, de credenciais acadêmicas para divulgar a "Boa Nova" ! Em vez de recrutar os seus discípulos entre os doutos e os ricos, escolheu-os entre os pescadores rudes e Ignorantes, porém honestos e sinceros. Espírito magnânimo e sábio, embora humilde, ninguém poderia superá-lo ou vencê-lo no ambiente terráqueo, pois sua aura excelsa, ra­diante de luz, embora imperceptível aos sentidos dos que o cercavam, traçava fronteiras defensivas contra as más intenções e os maus pensamentos dos seus detratores.

PERGUNTA: — Porventura Jesus também evoluiu de modo idêntico aos demais homens, conforme vos referistes às suas encarnações noutros mundos?

RAMATíS: — Jesus também foi imaturo de espírito e fez o mesmo curso espiritual evolutivo através de mundos planetários, já desintegrados no Cosmo. Isso foi há muito tempo, mas decorreu sob o mesmo processo semelhante ao aperfeiçoamento dos demais homens. Em caso contrário, o Criador também não passaria de um Ente injusto e faccioso,capaz de conceder privilegias a alguns de seus filhos preferidos e deserdar outros menos simpáticos, assemelhando-se aos políticos terrenos, que premiam os seus eleitores e hos­tilizam os votantes de outros partidos. Em verdade, todas as almas equacionam sob igual processo evolutivo na aqui­sição de sua consciência espiritual e gozam dos mesmos bens e direitos siderais!

Jesus alcançou a angelitude sob a mesma Lei que tambérm orienta o selvagem embrutecido para a sua futura eman­cipação espiritual, tornando-o um centro criador de novas consciências no seio do Cosmo. Ele forjou, a sua consciência espiritual sob as mesmas condições educativas do bem e do mal, do puro e do impuro, da sombra e da luz, tal qual acon­tece hoje com a vossa humanidade! Os orbes que lhe ser­viram de aprendizado planetário já se extinguiram e se tor­naram em pó sideral, mas as suas humanidades ainda vi­vem despertas pelo Universo, sendo ele um dos seus venturosas cidadãos.

PERGUNTA: — Alguns espíritas afirmam que a evolu­ção de Jesus processou-se em linha reta. Podeis esclarecer-nos a esse respeito?

RAMATíS: — Essa afirmação não tem fundamento coerente, pois a simples presunção de Jesus ter sido criado espiritualmente e com um impulso de inteligência, virtude ou sabedorla inata, constituiria um privilégio de Deus a uma alma de sua preferência! Isso desmentiria o atributo divino de bondade e Justiça infinitas do próprio Criador. Aliás,não há desdouro algum para o Mestre ter evoluído sob o regime da mesma lei a que estão sujeitos os demais espíritos, pois isso ainda confirma a grandeza do seu espírito aperfeiçoado pelo próprio esforço. Nenhum espírito nasce per­feito, nem possui qualquer sentido especial para a sua ascese espiritual à parte; todos são criados simples e ignoran­tes, cuia consciência ou "livre arbítrio" se manifesta atra­vés do "tempo-eternidade", mas sem anular o esforço pes­soal na escalonada da angelitude.

E Jesus não fugiu á essa regra comum, pois forjou a sua consciência de Amor e Sabedoria Cósmica ao nível dos homens, lutando, sofrendo e aprendendo os valores espiri­tuais no intercâmbio dos mundos materiais. Ele tornou-se um ente sublime porque libertou-se completamente das paixões e dos vícios humanos; mas não se eximiu do contato com as impurezas do mundo carnal! A sublimidade da flor não reside apenas na sua conformação formosa, mas, acima de tudo, na sua capacidade de transformar detritos dos monturos em cálices floridos e odoríferos!

Assim como é impossível a um professor analfabeto en­sinar os alunos ignorantes do ABC, Jesus também não po­deria prescrever aos homens a cura dos seus pecados, caso ele já não os tivesse vivido em si mesmo! Justamente por ele ter sofrido do mesmo mal, então conhecia o medicamento capaz de curar a enfermidade moral da humanidade ter­rena! ... Jesus, alhures, já foi um pecador como qualquer homem do mundo; porém, ele venceu as ilusões da vida carnal, superou a coação implacável do instinto animal e seu coração transbordante de Amor envolve todos os cida­dãos da Terra!

PERGUNTA: — Que dizeis de certos autores, alguns sin­ceros e outros apenas talentosos, quando asseguram que Jesus foi apenas um "mito" e jamais existiu fisicamente no seio da humanidade terrena?

RAMATíS: — E' indiscutível que Jesus não só compro­vou as predições do Velho Testamento, como ainda corres­pondeu completamente às esperanças do Alto na sua missão espiritual junto aos terrícolas. Os profetas tentaram comu­nicar aos judeus as premissas principais da identificação do Messias, assim como o tempo de sua vinda ao orbe, pois asseguraram que Israel seria o povo eleito para tal evento tão importante. Conforme as predições de Isaías (Cap.II, vers. 6 a 8), depois do advento do Salvador, todas as coisas se ajustariam, pois até o "cordeiro se deitaria com o lobo, o leão comeria a palha junto ao boi e um pequeno menino conduziria as feras". E as profecias ainda advertiam a raça de Israel, eleita para o advento do Messias, quanto à sua queixa, mais tarde, ao exclamar que "o povo para o qual viera, não o conhecera". Corroborando tal predição, os ju­deus de hoje ainda adoram Moisés, profeta irascível, vinga­tivo e até cruel; e olvidam Jesus, pleno de amor, bondade e renúncia, porque, realmente, "ainda não reconheceram o seu verdadeiro Messias"!

Efetivamente, causa estranheza o fato de certos auto­res ainda considerarem Jesus um mito ou embuste religioso, e lhe negarem a vida física e coerente na Terra. Em ver­dade, Jesus é justamente o ser cada vez mais vivo entre os homens; pois a sua doutrina, crescendo em todos os sentidos, já influencia até os povos afeiçoados aos credos de outros instrutores. Se o fulgor da Roma de Augusto ofuscou os historiadores da época, fazendo-os ignorar a figura de Jesus, isso não o elimina da face da Terra, nem o desfiguram as lendas semelhantes já atribuídas a Adonis, Crisna, Buda, Orfeu, Átis, Osiris, Dionísio ou Mitras. Apesar das inequí­vocas referências históricas sobre Aníbal, Júlio César, Carlos Magno ou Napoleão; ou mesmo sobre filósofos excepcio­nais, como Sócrates, Platão, Epicuro, Aristóteles, Spinoza ou Marco Aurélio, eis que Jesus, o "mito", sobrepuja, em cele­bridade, a todos esses homens famosos!

Por que Jesus, o "mito", supera a realidade e vive cada vez mais positivo e imprescindível no coração da humanidade* terrena, enquanto famosos personagens "históricos" arrefecem no seu prestígio através dos tempos? Em verdade, os homens já experimentaram todas as filosofias, reformas religiosas e todos os códigos morais e sociais, e, no entanto, não lograram uma solução definitiva para os seus problemas angustiosos. A humanidade terrena do século XX, cada vez mais neurótica e desesperada, pressente a sua derrocada inevitável, ante o requinte e a fúria dos mesmos conflitos odiosos e guerras fratricidas do passado! Os homens da caverna não evoluíram nem se humanizaram; apenas trocaram o tacape pelo revólver de madrepérola, ou o porrete pela metralhadora eletrônica! Matava-se a pedras e paus, um de cada vez; hoje, mata-se urna civilização derretendo a sob o impacto da bomba atômica! Paradoxalmente, não é a cultura e a experiência real transmitidas pela História o fundamento convincente para solucionar os problemas humanos tão aflitivos na atualidade. As criaturas estão tomadas pela desconfiança; duvidam da ciência que lhes dá o conforto material, mas não lhes ameniza a angústia do coração;descrêem de todas inovações sociais e educativas, que planejam um futuro brilhante mas não proporcionam a paz de espírito! No entanto, Jesus, o "mito" esquecido pela história pro­fana, ainda é o único medicamento salvador do homem mo­ral e psiquicamente enfermo do século atual! Só o seu Amor e o seu Evangelho poderão amainar as paixões humanas e harmonizar os seres numa convivência pacífica e jubilosa! Se Jesus fosse fruto da fantasia religiosa, então teríamos de concordar com a inversão de todos os valores do conheci­mento humano, a ponto de não distinguirmos o fantasioso do real! Que força poderosa alimentou a vivência desse Mes­tre Cristão "imaginário", fazendo-nos reconhecer-lhe um porte moral e espiritual do mais alto quilate humano? Qual­quer homem pode negar a existência de Jesus; porém, ja­mais há de oferecer ao mundo conturbado e corrupto uma solução mais certa e mais eficaz do que o seu Evangelho!

PERGUNTA: — Existe alguma fonte histórica que ano­tou a figura de Jesus?

RAMATÍS: — Alguns estudiosos confiaram na referên­cia feita por Josefo, na sua obra "Antigüidade das Judeus", 93 anos depois de Cristo, aceitando como relato histórico da autenticidade do Mestre Galileu a seguinte passagem: "Nesse tempo viveu Jesus, um homem santo, se homem pode ser chamado, porque fez coisas admiráveis, que ensinou aos ho­mens; e inspirado recebeu a Verdade. Era seguido por muitos judeus e muitos gregos. Foi o Messias".

Mas, a nosso ver, as provas mais autênticas da vida de Jesus são as referências à perseguição aos "cristãos", isto é, os seguidores do Cristo! Havendo cristãos martirizados por fatos foram registrados pela História, conclui-se que o Mes­tre Jesus não foi um mito, mas uma figura real, malgrado i ausência de apontamentos históricos. Quanto à existên­cia dos cristãos e do seu martírio, basta consultar-se as obrai anotações de Plínio, o Moço, Suetônio, Tácito e outros da mesma época.

Também se pode considerar um relato autêntico a carta enviada a Tibério, pelo senador Públio Lentulo, quando presidente da Judéia, narrando a existência de "um homem de grandes virtudes chamado Jesus, pelo povo inculcado de profeta da verdade e pelos seus discípulos de filho de Deus.É um homem de justa estatura, muito belo no aspecto; e há tanta majestade no Seu rosto, obrigando os que o vêem a amá-lo ou a temê-lo.Tem os cabelos cor de amêndoa madura, são distendidos até as orelhas; e das orelhas, até as espáduas; são da cor da terra, porém, reluzentes. Ao meio da sua fronte, uma linha separando os cabelos, na forma em uso pelos nazarenos. Seu rosto é cheio; de aspecto muito sereno; nenhuma ruga ou mancha se vê em sua face; o na­riz e a boca são irrepreensíveis. A barba é espessa, seme­lhante aos cabelos, não muito longa e separada pelo meio; seu olhar é muito afetuoso e grave; terá os olhos expressivos e claros, resplandecendo no seu rosto como os raios do sol; porém, ninguém pode olhar fixo o seu semblante, pois se resplende, subjuga; e quanto ameniza, comove até às lágri­mas ! Faz-se amar e é alegre; porém, com gravidade. Nunca alguém o viu rir, mas, antes, chorar" (5).

PERGUNTA: —Sob a vossa opinião, quais são as fontes não históricas, mas autênticas, para informarem sobre a existência de Jesus?

RAMATíS: — Sem dúvida, a fonte mais autêntica não histórica é a narrativa dos quatro evangelistas, apesar de interpolações e dos retoques que sofreu, inclusive também quanto a algumas contradições existentes entre os próprios narradores. Mas é fonte idônea, porque manteve a unidade psicológica e os propósitos messiânicos do espírito de Jesus. Entre os quatro evangelistas, dois deles foram testemunhas oculares dos acontecimentos ali narrados; e, por isso, mos­tram-se vivos e naturais nos seus relatos; os outros dois interrogaram minuciosamente as testemunhas que presenciaram as atividades de Jesus ou delas participaram na época. Superando as interpolações perceptíveis a uma analisa percuciente os quatro evangelistas se mostram imparciais, singelos e seguros, pois eles narram os fatos diretamente, sem muitas divagações.

Há nos seus relatos um grande espírito de honestidade e de certeza absoluta naquilo que foi a vida de Jesus. Certamente existem algumas diferenças quanto à movimentação da pessoa do Mestre nos escritos dos quatro evangelista*, mas não há dúvida alguma no tocante à sua existência real. Outras provas da evidência são as cartas ou epístolas atri­buídas a Paulo, as quais possuem a força comunicativa das
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(5)O retrato de Jesus feito por Públio Lentulo foi publicado pela “Revista Internacional do Espiritismo” e também se encontra na introdução da obra “A vida de Jesus ditada Por Ele mesmo”.
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suas atividades cristãs e transmitem o odor refrescante da "Boa Nova" e do "Reino de Deus" apregoados por Jesus! (6)

Evidentemente, os historiadores não se preocupam em focalizar a pessoa de Jesus, por achá-la de pouca importân­cia na época, pois se tratava de um simples carpinteiro, arvo­rado em rabino, e a pregar estranha moral num mundo con­turbado pelas mais violentas paixões e vícios! A história ja­mais poderia prever no seio da comunidade de tantos rabis insignificantes da Palestina, que um deles se tornaria o líder de milhões de criaturas nos séculos vindouros, pregando so­mente o amor aos inimigos e a renúncia aos bens do mundo, cm troca de um hipotético "reino celestial".

Além disso, Jesus era filho da Galiléia, uma terra de homens ignorantes e rudes, coletividade de gentios, indignos de figurarem na história. No entanto, malgrado essas defi­ciências, Jesus projetou-se além dos séculos testemunhado ps!os homens que o conheceram e pelos discípulos integra­dos em sua vida messiânica. Ninguém duvida da existência de Pedra e Paulo de Tarso; nem dos encontros do próprio Paulo com Pedro, Tiago e João. As próprias divergências e <-lumes existentes nas relações desses apóstolos, competindo para se mostrarem mais dignos do Mestre Jesus, já desen­carnado, chegaram até o vosso século sem perder a sua au­tenticidade! Paulo refere-se à última ceia e à crucificação de Jesus, como se tivesse realmente participado de tais acon­tecimentos tão dramáticos para a humanidade (7).

Enfim, as contradições encontradas entre os próprios evangelistas são apenas de minúcias, pois não modificam a inexistência das narrativas, e ali Jesus permanece de um modo fiel e coerente. E' inadmissível que no curto espaço de uma geração, homens ignorantes, rudes e iletrados, pudessem in­ventar uma personalidade tão viva e inconfundível em sua contextura moral, como foi Jesus! Em verdade, a força do Amor e o espírito de confraternização manifestos na sua mensagem influíram sobre milhares de criaturas até aos nossos dias, impondo a existência lógica e indiscutível de Jesus, ou então outro homem deve substituí-lo! Afaste-se Jesus da autoria do Evangelho, por que ele não figura na história

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  1. Vide Epístolas aos Romanos, V e vers.9; Coríntios, Ie vers. 23,XIV, vers.3,Gálatas,II e vers,21;Efésios, II e vers.20 e 21; Timóteo II, vers.8.

(7)Coríntios,XI,vers.23 e 6;XV, vers.3 e Gálatas II, vers.20.

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profana de modo convincente, e a humanidade terá de criar outro "mito", ou outro homem, para então justificar esse "Código Moral" de profunda beleza espiritual!

De todos os acontecimentos narrados pela própria His­tória, Jesus ainda é a figura mais fascinante e convincente para nos condicionar a uma vida espiritualmente elevada. Jamais houve qualquer lenda ou narrativa a consumir tantas páginas em milhares de obras, capaz de atrair tanto inte­resse e admiração à consciência do homem terreno.

Indubitavelmente, quanto mais os ateus e outros nega-dores se empenham em "extinguir" ou apagar a figura do Jesus, mais ele se impõe acima de todas as dúvidas, sobre­puja a própria História e mais vibra no coração dos cren­tes. Por conseguinte, é vã e tola qualquer pretensão de ne­gar a sua existência, pois a despeito de todas as negativas, ele sempre ressurge irradiando luz e amor, na tela viva da consciência humana!


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