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LITERATURA

Novembro de 1998 - CENSA - São Mateus - ES.

SUMÁRIO

1 - INTRODUÇÃO

2 - DESNVOLVIMENTO

  1. - MODERNISMO

  1. - MODERNISMO HISPÂNICO

  2. - MODERNISMO NO BRASIL

2.2 - PARNASIANISMO

2.2.1 - PARNASIANISMO NO BRASIL

  1. - ROMANTISMO

2.3.1 - ROMANTISMO NO BRASIL

  1. - REALISMO

2.4.1 - REALISMO NO BRASIL

  1. - NATURALISMO

  2. - CONCRETISMO

  3. - POESIA

3 - CONCLUSÃO

4 - BIBLIOGRAFIA

1 - INTRODUÇÃO
Tentar-se-à mostrar nesta obra uma pesquisa bastante aprofundada sobre algumas das principais épocas e acontecimentos da literatura brasileira, falando sobre os autores mais destacados e emergentes do mercado que durante muito tempo foi os principais acontecimentos da época, mas hoje por causa da mídia, a literatura brasileira deixou de ser um fato exuberante e de máxima importância, hoje um acontecimento literário não é mais motivo de capa de jornal, como na semana de 11 a 18 de fevereiro de 1922, onde houve a Semana de Arte Moderna, fato considerado marco inicial do modernismo no Brasil, naquela época foi realmente tudo o que se falava em jornais e em todos os meios de comunicações não tão avançados como hoje.

Mostrar-se-à com êxito total o resultado esperado de semanas e semanas de pesquisas por toda cidade, em todos os livros, para resultar em uma abordagem dinâmica e real dos fatos, é claro que, não esquecendo de que o leitor é a peça principal desta obra, foi feita toda uma linguagem simples, mas não coloquial, para facilitar o entendimento.



2 - DESENVOLVIMENTO
2.1 - MODERNISMO
O termo modernismo, na história das artes, foi usado para designar dois movimentos: um na América espanhola e na Espanha, no fim do século XIX, predominantemente literário, e o outro no Brasil das décadas de 1920 e 1930, que abriu um prolongado processo renovador de literatura e das artes plásticas. Em Portugal, nas décadas de 1910 e 1920, os grupos de renovação estética só empregaram a palavra casualmente, junto a outras como futurismo.
2.1.1 - MODERNISMO HISPÂNICO
Modernismo, na literatura de língua espanhola, é um movimento originário de países hispano-americanos e que se firmou por volta de 1880, principalmente sob influência do parnasianismo e simbolismo franceses. A renovação das técnicas literárias caracterizou-se sobretudo pelo refinamento verbal e pela inovação de metros, ritmos e imagens. Impôs-se, também, uma espécie de nova sensibilidade, marcada pelo amor do raro, do requintado e exótico.

Os primeiros poetas a destoarem da retórica romântica, prejudicada pelo sentimentalismo e, em alguns, pelo caráter melodramático -- e que podem ser considerados precursores da corrente modernista -- foram os cubanos José Martí e Julián del Casal, os mexicanos Díaz Mirón, Manuel Gutiérrez Nájera e Manuel Othón, e o colombiano Asunción Silva. É com o nicaragüense Rubén Darío, contudo, que o movimento se delineia de maneira mais nítida: ampla liberdade de invenção nos temas, imagens e metros, gosto pelo raro e exótico, atitude aristocrática, valorização da musicalidade, vocabulário suntuoso e preciosismo. O livro Azul (1888), de Darío, é obra definitiva, de sentido inovador e revolucionário.

A partir de Darío e sob sua liderança, o movimento propagou-se rapidamente por todos os países da América espanhola. O argentino Leopoldo Lugones, já em seu primeiro livro de poemas, Las montañas del oro (1897; As montanhas do ouro), apresenta notável versatilidade e orquestração verbal, domínio pleno das palavras, musicalidade que se enriquece com extraordinária riqueza de timbres.

O mexicano Gutiérrez Nájera, capaz de muito requinte formal e cultor de uma arquitetura estilística haurida em Baudelaire e nos parnasianos franceses, foi o fundador da revista Azul, órgão divulgador do modernismo. No Uruguai, Julio Herrera y Reissig, por alguns considerado voz mais forte e genuína do que o próprio Darío, escreve poesia de intensos traços modernistas: satanismo, exotismo, metáforas arrojadas, sinestesias. Também sobressaíram o peruano José Santos Chocano, o colombiano Guillermo Valencia e o mexicano Amado Nervo.

Da América o movimento adentrou a Espanha, onde teve em Salvador Rueda seu precursor e em Francisco Villaespesa, Manuel Machado, Eduardo Marquina e Emilio Carrère os nomes mais proeminentes. A influência estética de Darío fez-se sentir, particularmente a de suas Prosas profanas (1896), de forma burilada e viva sonoridade. Buscava-se a superação das fronteiras nacionais, sonhava-se com países distantes, com o encanto de Paris.

Evocações do Oriente enfeitiçavam os espíritos, a exemplo da América, onde o movimento cultuava a mitologia e as reminiscências históricas estrangeiras. A realidade hispano-americana afigurava-se de tal modo contraditória a seus escritores, que eles se evadiam para realidades ideais, em busca de maior encanto e significado poético nas coisas: Grécia, Roma, o Renascimento, os reinos orientais, a Versalhes do século XVIII.

Se o principal traço do modernismo foi a renovação poética, não podem ser esquecidos alguns de seus mais brilhantes escritores que se dedicaram ao romance, conto e ensaio. Foi grande nome do romance modernista o venezuelano Manuel Díaz Rodríguez, em livros como Ídolos rotos (1901) e Sangre patricia (1902; Sangue patrício), de personagens pessimistas, derrotistas, em que se projeta a situação do autor, intelectual culto em país ainda algo bárbaro.

Outros nomes de importância indiscutível são o do argentino Enrique Larreta, que escreveu La gloria de don Ramiro (1908; A glória de dom Ramiro) e o do colombiano José Maria Rivas Groot, autor do romance Resurrección (Ressurreição). No ensaísmo, o uruguaio José Enrique Rodó passou a ser o ideólogo do movimento: em Ariel (1900), explica, em estilo inconfundivelmente modernista, a aversão do movimento ao materialismo dos Estados Unidos e o orgulho de pertencer à "raça latina espiritualista".

Por volta de 1914, concomitantemente ao desgaste dos modelos europeus, tão caros aos hispano-americanos, o movimento modernista esgotou-se, com seus cultores já cansados do artificialismo formal e da evasão da realidade. O golpe de misericórdia foi dado pelo escritor mexicano Enrique González Martínez, que usou a estética modernista para atuar contra ela própria, como no célebre soneto "Tuércele el cuello al cisne" ("Torce o pescoço do cisne").
2.1.2 - MODERNISMO NO BRASIL
Conhece-se por modernismo, no Brasil, o movimento de renovação literária, musical e artística que se originou com a Semana de Arte Moderna, realizada em São Paulo, de 11 a 18 de fevereiro de 1922, e que teve implicações tanto culturais quanto políticas. Enquanto a Europa vivia uma agitação espiritual, no Brasil imperava uma estagnação no campo das artes, o que levou um grupo de artistas e intelectuais a tomar a dianteira de verdadeira revolução, cujo marco foi o evento.

Foi intenso o impacto junto ao público, que reagiu com incompreensão das novas tendências. Muitas apresentações foram vaiadas, outras aplaudidas, mas o que se queria era mesmo o escândalo: chocar para mudar, apresentar "ousadas novidades", que revelassem a realidade brasileira como tal.

Domício Proença Filho (1967; Estilos de época na literatura) enumera as características do movimento: "(1) contra o passado: 'sabemos discernir o que não queremos'; (2) contra a ênfase oratória, a eloqüência, o hieratismo parnasiano, o culto das rimas ricas, do metro perfeito e convencional, da linguagem classicizante e lusitanizante; (3) contra o academicismo, contra o tradicionalismo; (4) contra os tabus e preconceitos; em contrapartida, a favor da perseguição permanente de três princípios fundamentais, como assinala Mário de Andrade: (a) direito à pesquisa estética; (b) atualização da inteligência artística brasileira; (c) estabilização de uma consciência criadora nacional."
ANTECEDENTES
Podem-se alinhar vários fatos que, entre 1912 e 1922, prepararam a eclosão do movimento modernista brasileiro: em 1912 Oswald de Andrade retornou ao Brasil e trouxe na bagagem os ecos do Manifesto futurista de Marinetti. Divulgou-os em São Paulo, pessoalmente e pela imprensa; Lasar Segall fez em São Paulo (1913) a primeira mostra de pintura não-acadêmica realizada no Brasil; Anita Malfatti realizou sua primeira exposição de pintura em São Paulo (1914), com telas influenciadas pelo expressionismo alemão; nesse mesmo ano foi publicado em O Estado de S. Paulo o artigo "As lições do futurismo", de Ernesto Bertarelli.

Em 1915, Oswald de Andrade defendeu, no jornal O Pirralho, a necessidade de se dar à pintura brasileira motivações nacionais; com um ideário de ousada modernidade, foram publicados em Portugal os dois números (março e junho) da revista Orfeu, o primeiro dirigido pelo escritor português Luís de Montalvor e o brasileiro Ronald de Carvalho, o segundo por Fernando Pessoa e Mário de Sá-Carneiro.

Em 1916, Alberto de Oliveira proferiu conferência na Academia Brasileira de Letras, em que afirmou: a "consciência das novas tendências", inclusive do futurismo de Marinetti; que "formas literárias desconhecidas e desconhecidos gêneros" surgiram e que "virão amanhã as novas idéias de um novo período social". O ano de 1917 foi riquíssimo em acontecimentos importantes na trilha do modernismo: foram publicados os livros Juca Mulato, de Menotti del Picchia, Carrilhões, de Murilo Araújo, A cinza das horas, de Manuel Bandeira, Há uma gota de sangue em cada poema, de Mário de Andrade, e Nós, de Guilherme de Almeida. Em função de tais obras, João Ribeiro declarou que Olavo Bilac e Alberto de Oliveira já estavam fora de época.

Ainda nesse ano, Anita Malfatti fez sua segunda exposição de pintura, que mobilizou intelectuais e artistas inconformados. Suas telas, muito renovadoras, sofreram feroz crítica de Monteiro Lobato, que preveniu os espíritos conservadores contra as novas concepções. Em 1918, Andrade Muricy chamou a atenção, num ensaio crítico, para a presença de novas vozes na poesia nacional. Em 1920, a obra do escultor Vítor Brecheret, o "Monumento às bandeiras", em São Paulo, empolgou os novos artistas.

Finalmente, em 1921, a atuação dos rebeldes fez-se ostensiva e com alto senso de cumplicidade: repudiaram as visões de mundo expressas nos ideais romântico, parnasiano e realista; empenharam-se na independência da mentalidade brasileira e abandonaram as sugestões de origem européia, sobretudo de Portugal e da França; rejeitaram o aprisionamento da linguagem nas preocupações com a rima, a métrica e a rigidez gramatical que caracterizava a dicção lusitana e apregoaram a necessidade de uma nova linguagem, mais adequada à representação da vida e dos problemas contemporâneos.

Os novos autores rejeitaram também o regionalismo, que caricaturava o Brasil como país involuído, ignorante do progresso e da técnica, cujos influxos, na verdade, já percebia e assimilava. Foi então que Oswald de Andrade divulgou Paulicéia desvairada (1922), livro de poemas de Mário de Andrade, mais uma fonte de polêmica e escândalo. Mário, por sua vez, publicou a série de artigos "Mestres do passado", em que analisou à luz de critérios então inusitados a poesia de Francisca Júlia, Raimundo Correia, Alberto de Oliveira, Olavo Bilac e Vicente de Carvalho.

De retorno ao Brasil, Graça Aranha foi escolhido pelo grupo para liderar a projetada Semana de Arte Moderna, cuja idéia surgiu durante uma exposição de pintura de Di Cavalcanti, na livraria de Jacinto Silva, onde habitualmente se reunia um grupo de jovens escritores e artistas.
DIVISÃO DO MOVIMENTO
Após atingidas as metas da Semana, o grupo de 1922 entrou num processo de desagregação: estavam unidos em torno do repúdio ao que não queriam e agora dividiam-se em correntes à procura de uma identidade mais definida. As principais sãs as que se seguem.

(1) Corrente dinamista (Rio de Janeiro), cujo traço marcante foi um espírito futurista, uma valorização poética da técnica no mundo moderno, uma preocupação com o progresso material, o movimento, a velocidade. Ronald de Carvalho, Graça Aranha, Guilherme de Almeida, Agripino Grieco, Villa-Lobos e Álvaro Moreyra foram seus representantes mais expressivos.

(2) Corrente primitivista ou anarcoprimitivista (São Paulo), encabeçada por Oswald de Andrade, que propôs-se remontar às fontes originais da civilização brasileira, anterior à colonização portuguesa, e ao primitivismo, sem compromisso com a ordem social estabelecida. Considerava a moral cristã uma moral de escravos e suas posições foram apresentadas inicialmente no "Manifesto do Pau-Brasil" (1924), com a divisa "Tupi or not tupi", e retomadas na Revista de Antropofagia e no "Manifesto Antropofágico" (1928), que se opôs ao movimento Anta (1927).

(3) Corrente nacionalista (São Paulo), contra a influência européia e a favor de uma literatura de motivos brasileiros, folclóricos e indígenas. Englobou os seguintes movimentos: (a) verde-amarelismo (1925), de tendências políticas direitistas e que via na poesia pau-brasil uma imitação mal-feita do dadaísmo francês; (b) movimento Anta (1927), que, inspirado nas obras de Euclides da Cunha e Oliveira Viana, entre outros, buscava analisar em profundidade os problemas da vida brasileira; derivou daí o integralismo de Plínio Salgado; (c) movimento da Bandeira (1936), de filosofia autoritária, que desembocou no Estado Novo.

(4) Corrente espiritualista (Rio de Janeiro), que defendeu a tradição do mistério, a herança simbolista, a conciliação do passado com o futuro e a universalidade temática; foi o grupo da revista Festa, integrado por Cecília Meireles, Augusto Frederico Schmidt e Tasso da Silveira, entre outros.

(5) Corrente desvairista (descentralizada), que preconizou a criação de uma língua nacional e a renovação da poesia por meio dessa língua, além de advogar a liberdade da pesquisa estética. Teve como figura central Mário de Andrade.

(6) Corrente do sentimentalismo intimista e esteticista, definida no próprio nome e representada pelos poetas Guilherme de Almeida e Ribeiro Couto.

Quando o modernismo chegou ao ponto decisivo de seu ciclo histórico, por volta de 1930, começaram a surgir outras orientações, valores, pesquisas, buscas artísticas. Os pioneiros da semana de 1922 e seus seguidores desbastaram o terreno para os pósteros, em meio a dificuldades e esforços nem sempre reconhecidos, e deixaram um legado que redefiniu e enriqueceu o patrimônio cultural brasileiro.

Avultam, entre os melhores frutos da arrancada modernista, a música de Villa-Lobos, Camargo Guarnieri e Francisco Mignone; a escultura de Vítor Brecheret, Bruno Giorgi e Mário Cravo; as obras em prosa e verso de Mário de Andrade (como Macunaíma) e de Oswald de Andrade (como Memórias sentimentais de João Miramar); e de Manuel Bandeira do Ritmo dissoluto (1924) e de Libertinagem (1930).

A geração seguinte, dita de 1930, em que se afirmaram autores como Jorge de Lima, Murilo Mendes, Carlos Drummond de Andrade e Graciliano Ramos, levou adiante e aperfeiçoou a liberdade estética, a autenticidade cultural e vários outros valores de inspiração modernista, a ponto de se poder dizer que a verdadeira identidade da literatura brasileira, embora já se anunciasse, pioneiramente, em poemas de Gregório de Matos, só a partir de Mário de Andrade iniciou seu processo de amadurecimento.

Brasileira, arte
2.2 - PARNASIANISMO

Uma das maiores preocupações na composição poética dos parnasianos era a precisão das palavras. Esses poetas chegaram ao ponto de criar verdadeiras línguas artificiais para obter o vocabulário adequado ao tema de cada poema.

Movimento literário surgido na França em meados do século XIX, em oposição ao romantismo, o parnasianismo representou na poesia o espírito positivista e científico da época, correspondente ao realismo e ao naturalismo na prosa. O termo parnasianismo deriva de uma antologia, Le Parnasse contemporain (O Parnaso contemporâneo), publicada em fascículos, de março a junho de 1860, com os versos dos poetas Théophile Gautier, Théodore de Banville, Leconte de Lisle, Charles Baudelaire, Paul Verlaine, Stéphane Mallarmé, François Coppée, o cubano de expressão francesa José Maria de Heredia e Catulle Mendès, editor da revista. O Parnaso é um monte da Grécia central onde na antigüidade acreditava-se que habitariam o deus Apolo e as musas.
ANTECEDENTES
A partir de 1830, alguns poetas românticos se agruparam em torno de certas idéias estéticas, entre as quais a da arte pela arte, originária daquele movimento. Duas tendências se defrontavam: a intimista (subjetiva) e a pitoresca (objetiva). O romantismo triunfara em 1830, e de Victor Hugo provinham as grandes fontes poéticas, mas o lirismo intimista não mais atraía os jovens poetas e escritores, que buscavam outros objetos além do eu.

A doutrina da arte pela arte encontrou seu apóstolo em Gautier, que foi o pioneiro do parnasianismo. Nos prefácios de dois livros, Poésies (1832) e Jeune France (1833; Jovem França), Gautier expôs o código de princípios segundo o qual a arte não existe para a humanidade, para a sociedade ou para a moral, mas para si mesma. Ele aplicou essa teoria ao romance Mademoiselle de Maupin (1836), que provocou acirradas polêmicas nos círculos literários por desprezar a moral convencional e enfatizar a soberania da beleza. Mais tarde publicou Emaux et camées (1852; Esmaltes e camafeus), que serviu de ponto de partida para outros escritores de apurado senso estético, como Banville e Leconte. Este último publicou, em 1852, os Poèmes antiques (Poemas antigos), livro em que reuniu todos os elementos formais e temáticos da nova escola. Ao lado de Poèmes barbares (1862; Poemas bárbaros), essa obra deu ao autor um imenso prestígio e a liderança do movimento, de 1865 a 1895. Em torno dele reuniram-se Mendès, Sully Prudhomme, Heredia, Verlaine e Coppée.

Outros precursores, como Banville e Baudelaire, pregaram o culto da arte da versificação e da perfeição clássica. À época, eram muito valorizados e vistos com curiosidade os estudos arqueológicos e filológicos, a mitologia, as religiões primitivas e as línguas mortas. Os dois livros de Leconte iniciaram uma corrente pagã de poesia, inspirada nesses estudos orientais, místicos, primitivos, "bárbaros", no sentido de estranhos ao helenismo, que ele procurava ressuscitar com traduções de Homero.
CARACTERÍSTICAS
O movimento estendeu-se por aproximadamente quatro décadas, sem que se possa indicar limite preciso entre ele e o romantismo, de um lado, e o simbolismo, do outro. Uma de suas linhas de força, o culto da beleza, uniu parnasianos e simbolistas. No entanto, pode-se distinguir alguns traços peculiares a cada movimento: a poesia parnasiana é objetiva, impessoal, contida, e nisso se opõe à poesia romântica. Limita-se às descrições da natureza, de maneira estática e impassível, freqüentemente com elemento exótico, evocações históricas e arqueológicas, teorias filosóficas pessimistas e positivistas. Seus princípios básicos resumem-se nos seguintes: o poeta não deve expor o próprio eu, nem fiar-se da inspiração; as liberdades técnicas são proibidas; o ritmo é da maior importância; a forma deve ser trabalhada com rigor; a antigüidade grega ou oriental fornece modelos de beleza impassível; a ciência, guiada pela razão, abre à imaginação um vasto campo, superior ao dos sentimentos; a poesia deve ser descritiva, com exatidão e economia de imagens e metáforas, em forma clássica e perfeita.

Dessa maneira, o parnasianismo retomou as regras neoclássicas introduzidas por François de Malherbe, poeta e teórico francês que no início do século XVII preconizou a forma estrita e contida e acentuou o predomínio da técnica sobre a inspiração. Dessa forma, o parnasianismo foi herdeiro do neoclassicismo, do qual se fez imitador. Seu amor ao pitoresco, ao colorido, ao típico, estabelece a diferença entre os dois estilos e o torna um movimento representativo do século XIX.

A evolução da poesia parnasiana descreveu, resumidamente, um percurso que se iniciou no romantismo, em 1830, com Gautier; conquistou com Banville a inspiração antiga; atingiu a plenitude com Leconte de Lisle; e chegou à perfeição com Heredia em Les Trophées (1893; Os troféus). Heredia, que chamou a França de "pátria de meu coração e mente", foi um brilhante mestre do soneto e grande amigo de Leconte de Lisle. Ele reuniu as duas tendências principais do parnasianismo -- a inspiração épica e o amor à arte-- e procurou sintetizar quadros históricos em sonetos perfeitos, com rimas ricas e raras. Heredia foi a expressão derradeira do movimento, e sua importância é fundamental na história da poesia moderna.

O parnasianismo foi substituído mas não destruído pelo simbolismo. A maioria dos poetas simbolistas na verdade começou fazendo versos parnasianos. Fato dos mais curiosos na história da poesia foi Le Parnasse contemporain ter servido de ponto de partida tanto do parnasianismo quanto do simbolismo, ao reunir poetas de ambas as escolas, como Gautier e Leconte, Baudelaire e Mallarmé.

Da França, o parnasianismo difundiu-se especialmente pelos países de línguas românicas. Em Portugal, seus expoentes foram Gonçalves Crespo, João Penha e Antônio Feijó. O movimento alcançou êxito principalmente na América espanhola, com o nicaragüense Rubén Darío, o argentino Leopoldo Lugones, o peruano Santos Chocano, o colombiano Guillermo Valencia e o uruguaio Herrera y Reissig.
2.2.1 - PARNASIANISMO NO BRASIL
O movimento parnasiano teve grande importância no Brasil, não apenas pelo elevado número de poetas, mas também pela extensão de sua influência. Seus princípios doutrinários dominaram por muito tempo a vida literária do país. Na década de 1870, a poesia romântica deu mostras de cansaço, e mesmo em Castro Alves é possível apontar elementos precursores de uma poesia realista. Assim, entre 1870 e 1880 assistiu-se no Brasil à liquidação do romantismo, submetido a uma crítica severa por parte das gerações emergentes, insatisfeitas com sua estética e em busca de novas formas de arte, inspiradas nos ideais positivistas e realistas do momento.

Dessa maneira, a década de 1880 abriu-se para a poesia científica, a socialista e a realista, primeiras manifestações da reforma que acabou por se canalizar para o parnasianismo. As influências iniciais foram Gonçalves Crespo e Artur de Oliveira, este o principal propagandista do movimento a partir de 1877, quando chegou de uma estada em Paris. O parnasianismo surgiu timidamente no Brasil nos versos de Luís Guimarães Júnior (1880; Sonetos e rimas) e Teófilo Dias (1882; Fanfarras), e firmou-se definitivamente com Raimundo Correia (1883; Sinfonias), Alberto de Oliveira (Meridionais) e Olavo Bilac (1888; Poesias).

O parnasianismo brasileiro, a despeito da grande influência que recebeu do parnasianismo francês, não é uma exata reprodução dele, pois não obedece à mesma preocupação de objetividade, de cientificismo e de descrições realistas. Foge do sentimentalismo romântico, mas não exclui o subjetivismo. Sua preferência dominante é pelo verso alexandrino de tipo francês, com rimas ricas, e pelas formas fixas, em especial o soneto. Quanto ao assunto, caracteriza-se pelo realismo, o universalismo e o esteticismo. Este último exige uma forma perfeita quanto à construção e à sintaxe. Os poetas parnasianos vêem o homem preso à matéria, sem possibilidade de libertar-se do determinismo, e tendem então para o pessimismo ou para o sensualismo.

Além de Alberto de Oliveira, Raimundo Correia e Olavo Bilac, que configuraram a trindade parnasiana, o movimento teve outros grandes poetas no Brasil, como Vicente de Carvalho, Machado de Assis, Luís Delfino, Bernardino da Costa Lopes, Francisca Júlia, Guimarães Passos, Carlos Magalhães de Azeredo, Goulart de Andrade, Artur Azevedo, Adelino Fontoura, Emílio de Meneses, Augusto de Lima e Luís Murat.

A partir de 1890, o simbolismo começou a superar o parnasianismo. O realismo classicizante do parnasianismo teve grande aceitação no Brasil, graças certamente à facilidade oferecida por sua poética, mais de técnica e forma que de inspiração e essência. Assim, ele foi muito além de seus limites cronológicos e se manteve paralelo ao simbolismo e mesmo ao modernismo.

O prestígio dos poetas parnasianos, ao final do século XIX, fez de seu movimento a escola oficial das letras no país durante muito tempo. Os próprios poetas simbolistas foram excluídos da Academia Brasileira de Letras, quando esta se constituiu, em 1896. Em contato com o simbolismo, o parnasianismo deu lugar, nas duas primeiras décadas do século XX, a uma poesia sincretista e de transição.



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